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Os Usos e Limites da
Psicofarmacologia e o
Paciente em Análise
Miriam Elza Gorender
Psicofarmacologia
Fato da:
 Mídia
 Economia
 Ideologia
 Política
MIDIA
 Diariamente somos informados do lançamento de substâncias
capazes de tratar os mais variados males e da descoberta de
suas causas: impotência, depressão, euforia, bulimia, anorexia,
delírio, alucinação, angústia, medo, obsessão, desamparo...,a
lista é extensa e continuamente renovada.
As novidades são lançadas com grande alarde pelos laboratórios
e centros de pesquisa, amplificadas pela imprensa, defendidas
pelos especialistas e tem extensa repercussão: "descoberta a
cura da depressão!", "método revolucionário para o tratamento
da esquizofrenia!", "remédio resolve problemas de timidez!",
"acabe com a impotência!"
É parte do senso comum contemporâneo a idéia de que
várias formas de sofrimento,de mal estar,de
distúrbios psíquicos, são causados, tratados e
curados biologicamente, que já conhecemos o modo
de funcionamento de nossos cérebros e mentes e
que a ciência já teria descoberto ou estaria prestes a
descobrir as razões últimas da normalidade e
anormalidade do homem.
A opinião consensual contrasta fortemente com a
opinião de alguns clínicos, cientistas e filósofos. John
Searle,por ex, entende que é escasso o
conhecimento que temos do cérebro humano e que
as pretensões de certas teorias são proporcionais ao
tamanho desta ignorância.Cita o neurologista David
Hubel,para quem "o nosso conhecimento do cérebro
encontra-se num estado muito primitivo. ".4
Desde tempos imemoriais sabe-se que
substâncias químicas introduzidas no corpo
podem modificar estados psíquicos. Álcool,
ópio, haxixe, cocaina, alucinógenos...
Em 1860,o químico alemão Albert Nieman
extraia da folha de coca seu alcalóide,a
cocaina
Freud que, durante muito tempo, autoprescreveu-se
cocaina, escrevia em 1884:... "a cocaina parece
convocada a preencher uma lacuna no arsenal dos
medicamentos de que a psiquiatria dispõe.(...) É por
isto que se recomendou a coca nos estados de
enfraquecimento psíquico mais diversos,para
combater a histeria,a hipocondria,os distúrbios da
melancolia,o estupor,etc"
Uma substância específica era capaz de tratar vários
quadros psiquiátricos.
•1952 - Delay e Deniker: sucesso obtido no tratamento de
paciente psicótico com clorpromazina (era para ser pré-
anestésico)
•Década de 50 – Kuhn: imipramina (tentada inicialmente como
antipsicótico)
•1960 - clordiazepóxido
•década de 70 - sais de lítio e medicações inicialmente
ultilizadas na epilepsia(carbamazepina,ácido valproico) como
estabilizadores de humor.
•anos 80 - neurolépticos atípicos e ISRS
NOVA MÁGICA PARA NOVOS XAMÃS?
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Psicóticos
 Remissão ou melhora dos sintomas
positivos (alucinações, delirios, agitação)
 Evitar internamentos
 Melhora da „amarração‟ no discurso
 Aumento da adesão (bilateral)
 A medicação bem prescrita serve à
humanização do sujeito psicótico, não à
sedação ou controle
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Deprimidos
 Melhora e redução do risco de suicídio
 O discurso „sai‟ da temática depressiva
única
 Cuidado com a possibilidade de
„indiferença‟ (efeito colateral)
 Mesmo depressões leves, se crônicas,
podem causar grandes danos
Quando encaminhar
 Tristeza ou angústia „fora do discurso‟
 Lentificação e/ou perda de energia
 Despertar precoce e piora matutina
 Anedonia e perda de perspectiva de
futuro sem relação com o curso da
análise
 Aumento da dor física
 Risco de suicídio
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Transtorno bipolar
 Qualquer terapia deve trabalhar a adesão à
medicação
 Alto risco de suicídio
 Risco de DST, abuso de drogas, violência, gastos
excessivos
 Na mania, a associação não se detém, o que
praticamente impossibilita o insight
 Atenção também para alterações de sono e
ritmos do corpo na mania
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Obsessivos
 O mesmo psiquiatra não deve medicar e
fazer terapia
 Esperar melhora parcial em casos graves
 Cuidado para não „ritualizar‟ a medicação
 Fóbicos
 Medicação de preferência com uso
eventual
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Transtorno de pânico
 Ajuda a controlar as crises de pânico
 Pacientes com estrutura histérica mais marcada
vão poder deixar a medicação, com a terapia, com
mais facilidade
 Parece haver um mecanismo biológico, mas
cuidado para que não seja usado como forma de
escape
 Stress pós-traumático
 Reduz cronificação
COMO E PORQUE MEDICAR?
 Transtornos de controle dos impulsos e
borderlines
 Melhora a adesão
 Reduz mais rapidamente (quando
funciona) as conseqüências mais graves
dos atos (ex: suicídio, violência, ato
impulsivo)
 Histeria
 Só em crises graves e agudas - eventual
Como acompanhar
 Escolha de psiquiatra: pelo analisando
ou pelo analista? De preferência, com
conhecimento dos processos de análise
 Aconselhar o analisando a contatar o
médico quando em dúvida sobre efeito
(terapêutico ou colateral)
 Contatar o médico em casos especiais,
principalmente planos de suicídio
USO CONTINUADO
 A dificuldade em aceitar ser
portador de doença crônica
 „já estou bom, posso parar‟
 Aprendizado para identificar
sinais precoces de recorrência
 Modificar o estilo de vida
CLASSIFICAÇÃO
 Antipsicóticos
 Antidepressivos
 Ansiolíticos e hipnóticos
 Estimulantes
 Estabilizadores do humor
ANTIDEPRESSIVOS
 Tricíclicos
 IMAO
 ISRS
 IRNa
 Ação dual serotonina/noradrenalina
 Bupropiona
 Agomelatina
TRICÍCLICOS
 Mais baratos e melhor acesso (cesta
básica da saúde mental)
 Amitriptilina, clomipramina, imipramina
 Eficazes
 Maior índice de efeitos colaterais
 Não causam dependência
 Risco cardiológico e nos bipolares e
idosos (próstata)
IMAO
 Muito eficazes
 Ação rápida e em casos refratários
 Pouco usados devido ao risco de
crises hipertensivas graves
ISRS
 Mais conhecido e acessível: fluoxetina
 Outros: paroxetina, sertralina,
citalopram, escitalopram, fluvoxamina
 Menos efeitos colaterais, melhor adesão
ao tratamento
 Sonhos vívidos, ansiedade e náusea
iniciais
OUTRAS CLASSES
 Custo mais alto, acesso mais difícil
 Os duais são potentes e tem ação
em dor crônica
 Bupropiona: sem ganho de peso e
ação contra tabagismo
 Agomelatina: ritmo sono/vigília
 Explicar para o paciente que a medicação
antidepressiva deve ser tomada
diariamente, que a melhora acontecerá em
duas a três semanas após o início da
medicação, e que efeitos colaterais leves
podem ocorrer, mas geralmente
desaparecem em 7-10 dias. Salientar que o
paciente deve consultar o médico, antes de
interromper a medicação
 Antidepressivos não causam dependência
física, mas necessitam ser retirados
gradualmente, para evitar sintomas de
descontinuação
 Investigar crenças do paciente e família em
caso de recusa
 É direito do paciente recusar medicação,
mas ele ou a familia deve responsabilizar-
se
ANSIOLÍTICOS
 Benzodiazepínicos (alprazolam,
clonazepam, diazepam, lorazepam)
 Buspirona
 Antidepressivos (paroxetina,
amitriptilina): pânico, TOC, TAG
 Neurolépticos (clorpromazina,
tioridazina)
INDICAÇÕES
 Todas as situações nas quais a
ansiedade se torne tão intensa a
ponto de paralisar o sujeito em seu
discurso e causar-lhe sofrimento
insuportável e evitável
 Apenas auxiliares na psicose
 Podem agravar depressão severa
 Efeitos colaterais: “ressaca”, sonolência
diurna, prejuízo da coordenação
motora, atenção e memória
 Dependência: maior o risco quanto mais
potente e quanto menor a meia-vida
(curta duração de efeito)
 As overdoses por benzodiazepínicos, em
contraste aos barbitúricos, têm baixo
poder letal. Uma condição mais séria
ocorre quando os benzodiazepínicos são
tomados em uma overdose em
combinação com outras substâncias
sedativo-hipnóticas, tais como o álcool.
 A abstinência de benzodiazepínicos
pode resultar em sintomas que variam
de intensidade, desde mialgia,
ansiedade, insônia até convulsões,
alucinações, instabilidade autonômica.
Na intoxicação há ataxia, alteração da
coordenação motora e incontinência
urinária.
 A retirada deve ser lenta e gradual
OUTROS SINTOMAS DE
ABSTINÊNCIA
- irritabilidade
- ruminações
obsessivas
- idéias paranóides
(desconfiança
excessiva ou
sensação de
perseguição)
- insônia
- alterações do ciclo
dormir-despertar
- sonolência diurna
- agitação
- taquicardia
- palpitações
- inquietação motora
- tensão muscular
- tremor
- mioclonia
- náusea
- coriza
- sudorese
- letargia
- dor muscular e
articular
- hiper-reflexia
- visão borrada
SONO
 Diagnostica-se a(s) causa(s) para depois
tratar (polissonografia)
 Nem toda insônia vem de transtornos
mentais (ex: apnéia do sono, doença cardíaca
ou pulmonar, dor)
 A quantidade normal de sono varia
amplamente e geralmente diminui com
a idade.
 A melhora dos hábitos de sono (sem
medicação sedativa) é o melhor
tratamento - HIGIENE DO SONO!.
POLISSONOGRAFIA
HIPNÓTICOS
 Benzodiazepínicos (nitrazepam e
outros – flurazepam, midazolam)
 Barbitúricos (fenobarbital) – pouco
usado devido à dependência e
tolerância que provoca
 Zolpidem
ANTIPSICÓTICOS
 Tradicionais:
 Sedativos (clorpromazina, tioridazina)
 Incisivos (haloperidol, trifluoperazina,
flufenazina)
 Atípicos: amisulprida, risperidona,
olanzapina, quetiapina, ziprazidona,
aripiprazol, clozapina
 Comprimidos, IM, gotas, solução, depot
 Os incisivos tem maior efeito em sintomas
positivos das psicoses (alucinações, delírios).
Acessíveis e de baixo custo.
 Os atípicos tem também efeito sobre
sintomas negativos (perda cognitiva,
isolamento social), menos efeitos colaterais.
Caros, acesso difícil. Uso também como
estabilizadores do humor
 Programa de medicação de Alto Custo
EFEITOS COLATERAIS
 Sintomas extra-piramidais
(“impregnação”): acatisia, tremores,
crise oculógira, rigidez muscular (roda
dentada), engasgo, protrusão de língua,
contração muscular, tremores
 Amimia (perda de expressão facial)
 Síndrome neuroléptica maligna
 Perda cognitiva
 Ganho de peso
 Redução da libido
 Risco cardio-vascular e metabólico
 Discinesia tardia
 Clozapina: agranulocitose
(necessidade de hemograma
regular)
USO CONTINUO
 Surto único em adolescente: aguardar
 Mais de um episódio: cronicidade
 Quanto mais crises maiores as perdas
 Interrupção da medicação: em um ano,
recaída de 90% dos casos
 A manutenção ajuda para que a “demência”
não seja inevitável
 Argumentar respeitando o delírio do paciente
ESTIMULANTES
 Uso apenas no TDAH
 Ritalina: metilfenidato
 Ainda não disponível no sistema de saúde, mas custo
razoável
 Similar às anfetaminas mas quando usada nos TDAH
não causa dependência
 Curto prazo de ação (4h); formas de ação mais
prolongada, bem mais caras
 Stavigile: modafinil – TDAH, trabalho em turnos e
narcolepsia
ESTABILIZADORES DO
HUMOR
 Carbonato de lítio
 Anticonvulsivantes: carbamazepina, valproato
(disponíveis na rede), lamotrigina, topiramato
(mais caros), outros
 Antipsicóticos atípicos
 Antipsicóticos típicos como antimaníacos
 Transtorno bipolar do humor
Kay Redfield
Jamison
DIFICULDADES DO MANEJO
 Os bipolares passam a maior parte do
tempo, em sua maioria, deprimidos
 Mas antidepressivos podem provocar
entrada na mania
 Freqüentemente não aderem:
similaridade com dependência a drogas
 O alto custo das crises
EFEITOS COLATERAIS
 Lítio: ganho de peso, hipotireoidismo, dor de
cabeça, dificuldade de concentração,
intoxicação (necessidade de litemia)
 Anticonvulsivantes: déficit cognitivo, tonturas
(embriaguez), visão turva, sedação, tremor,
leucopenia (mais carbamazepina), ganho de
peso, hepatotoxicidade
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Os usos e limites da psicofarmacologia

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Os usos e limites da psicofarmacologia

  • 1. Os Usos e Limites da Psicofarmacologia e o Paciente em Análise Miriam Elza Gorender
  • 2. Psicofarmacologia Fato da:  Mídia  Economia  Ideologia  Política
  • 3. MIDIA  Diariamente somos informados do lançamento de substâncias capazes de tratar os mais variados males e da descoberta de suas causas: impotência, depressão, euforia, bulimia, anorexia, delírio, alucinação, angústia, medo, obsessão, desamparo...,a lista é extensa e continuamente renovada. As novidades são lançadas com grande alarde pelos laboratórios e centros de pesquisa, amplificadas pela imprensa, defendidas pelos especialistas e tem extensa repercussão: "descoberta a cura da depressão!", "método revolucionário para o tratamento da esquizofrenia!", "remédio resolve problemas de timidez!", "acabe com a impotência!"
  • 4. É parte do senso comum contemporâneo a idéia de que várias formas de sofrimento,de mal estar,de distúrbios psíquicos, são causados, tratados e curados biologicamente, que já conhecemos o modo de funcionamento de nossos cérebros e mentes e que a ciência já teria descoberto ou estaria prestes a descobrir as razões últimas da normalidade e anormalidade do homem. A opinião consensual contrasta fortemente com a opinião de alguns clínicos, cientistas e filósofos. John Searle,por ex, entende que é escasso o conhecimento que temos do cérebro humano e que as pretensões de certas teorias são proporcionais ao tamanho desta ignorância.Cita o neurologista David Hubel,para quem "o nosso conhecimento do cérebro encontra-se num estado muito primitivo. ".4
  • 5. Desde tempos imemoriais sabe-se que substâncias químicas introduzidas no corpo podem modificar estados psíquicos. Álcool, ópio, haxixe, cocaina, alucinógenos... Em 1860,o químico alemão Albert Nieman extraia da folha de coca seu alcalóide,a cocaina
  • 6. Freud que, durante muito tempo, autoprescreveu-se cocaina, escrevia em 1884:... "a cocaina parece convocada a preencher uma lacuna no arsenal dos medicamentos de que a psiquiatria dispõe.(...) É por isto que se recomendou a coca nos estados de enfraquecimento psíquico mais diversos,para combater a histeria,a hipocondria,os distúrbios da melancolia,o estupor,etc" Uma substância específica era capaz de tratar vários quadros psiquiátricos.
  • 7. •1952 - Delay e Deniker: sucesso obtido no tratamento de paciente psicótico com clorpromazina (era para ser pré- anestésico) •Década de 50 – Kuhn: imipramina (tentada inicialmente como antipsicótico) •1960 - clordiazepóxido •década de 70 - sais de lítio e medicações inicialmente ultilizadas na epilepsia(carbamazepina,ácido valproico) como estabilizadores de humor. •anos 80 - neurolépticos atípicos e ISRS NOVA MÁGICA PARA NOVOS XAMÃS?
  • 8. COMO E PORQUE MEDICAR?  Psicóticos  Remissão ou melhora dos sintomas positivos (alucinações, delirios, agitação)  Evitar internamentos  Melhora da „amarração‟ no discurso  Aumento da adesão (bilateral)  A medicação bem prescrita serve à humanização do sujeito psicótico, não à sedação ou controle
  • 9. COMO E PORQUE MEDICAR?  Deprimidos  Melhora e redução do risco de suicídio  O discurso „sai‟ da temática depressiva única  Cuidado com a possibilidade de „indiferença‟ (efeito colateral)  Mesmo depressões leves, se crônicas, podem causar grandes danos
  • 10. Quando encaminhar  Tristeza ou angústia „fora do discurso‟  Lentificação e/ou perda de energia  Despertar precoce e piora matutina  Anedonia e perda de perspectiva de futuro sem relação com o curso da análise  Aumento da dor física  Risco de suicídio
  • 11. COMO E PORQUE MEDICAR?  Transtorno bipolar  Qualquer terapia deve trabalhar a adesão à medicação  Alto risco de suicídio  Risco de DST, abuso de drogas, violência, gastos excessivos  Na mania, a associação não se detém, o que praticamente impossibilita o insight  Atenção também para alterações de sono e ritmos do corpo na mania
  • 12. COMO E PORQUE MEDICAR?  Obsessivos  O mesmo psiquiatra não deve medicar e fazer terapia  Esperar melhora parcial em casos graves  Cuidado para não „ritualizar‟ a medicação  Fóbicos  Medicação de preferência com uso eventual
  • 13. COMO E PORQUE MEDICAR?  Transtorno de pânico  Ajuda a controlar as crises de pânico  Pacientes com estrutura histérica mais marcada vão poder deixar a medicação, com a terapia, com mais facilidade  Parece haver um mecanismo biológico, mas cuidado para que não seja usado como forma de escape  Stress pós-traumático  Reduz cronificação
  • 14. COMO E PORQUE MEDICAR?  Transtornos de controle dos impulsos e borderlines  Melhora a adesão  Reduz mais rapidamente (quando funciona) as conseqüências mais graves dos atos (ex: suicídio, violência, ato impulsivo)  Histeria  Só em crises graves e agudas - eventual
  • 15. Como acompanhar  Escolha de psiquiatra: pelo analisando ou pelo analista? De preferência, com conhecimento dos processos de análise  Aconselhar o analisando a contatar o médico quando em dúvida sobre efeito (terapêutico ou colateral)  Contatar o médico em casos especiais, principalmente planos de suicídio
  • 16. USO CONTINUADO  A dificuldade em aceitar ser portador de doença crônica  „já estou bom, posso parar‟  Aprendizado para identificar sinais precoces de recorrência  Modificar o estilo de vida
  • 17. CLASSIFICAÇÃO  Antipsicóticos  Antidepressivos  Ansiolíticos e hipnóticos  Estimulantes  Estabilizadores do humor
  • 18. ANTIDEPRESSIVOS  Tricíclicos  IMAO  ISRS  IRNa  Ação dual serotonina/noradrenalina  Bupropiona  Agomelatina
  • 19. TRICÍCLICOS  Mais baratos e melhor acesso (cesta básica da saúde mental)  Amitriptilina, clomipramina, imipramina  Eficazes  Maior índice de efeitos colaterais  Não causam dependência  Risco cardiológico e nos bipolares e idosos (próstata)
  • 20. IMAO  Muito eficazes  Ação rápida e em casos refratários  Pouco usados devido ao risco de crises hipertensivas graves
  • 21. ISRS  Mais conhecido e acessível: fluoxetina  Outros: paroxetina, sertralina, citalopram, escitalopram, fluvoxamina  Menos efeitos colaterais, melhor adesão ao tratamento  Sonhos vívidos, ansiedade e náusea iniciais
  • 22. OUTRAS CLASSES  Custo mais alto, acesso mais difícil  Os duais são potentes e tem ação em dor crônica  Bupropiona: sem ganho de peso e ação contra tabagismo  Agomelatina: ritmo sono/vigília
  • 23.  Explicar para o paciente que a medicação antidepressiva deve ser tomada diariamente, que a melhora acontecerá em duas a três semanas após o início da medicação, e que efeitos colaterais leves podem ocorrer, mas geralmente desaparecem em 7-10 dias. Salientar que o paciente deve consultar o médico, antes de interromper a medicação
  • 24.  Antidepressivos não causam dependência física, mas necessitam ser retirados gradualmente, para evitar sintomas de descontinuação  Investigar crenças do paciente e família em caso de recusa  É direito do paciente recusar medicação, mas ele ou a familia deve responsabilizar- se
  • 25. ANSIOLÍTICOS  Benzodiazepínicos (alprazolam, clonazepam, diazepam, lorazepam)  Buspirona  Antidepressivos (paroxetina, amitriptilina): pânico, TOC, TAG  Neurolépticos (clorpromazina, tioridazina)
  • 26.
  • 27. INDICAÇÕES  Todas as situações nas quais a ansiedade se torne tão intensa a ponto de paralisar o sujeito em seu discurso e causar-lhe sofrimento insuportável e evitável
  • 28.  Apenas auxiliares na psicose  Podem agravar depressão severa  Efeitos colaterais: “ressaca”, sonolência diurna, prejuízo da coordenação motora, atenção e memória  Dependência: maior o risco quanto mais potente e quanto menor a meia-vida (curta duração de efeito)
  • 29.  As overdoses por benzodiazepínicos, em contraste aos barbitúricos, têm baixo poder letal. Uma condição mais séria ocorre quando os benzodiazepínicos são tomados em uma overdose em combinação com outras substâncias sedativo-hipnóticas, tais como o álcool.
  • 30.  A abstinência de benzodiazepínicos pode resultar em sintomas que variam de intensidade, desde mialgia, ansiedade, insônia até convulsões, alucinações, instabilidade autonômica. Na intoxicação há ataxia, alteração da coordenação motora e incontinência urinária.  A retirada deve ser lenta e gradual
  • 31. OUTROS SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA - irritabilidade - ruminações obsessivas - idéias paranóides (desconfiança excessiva ou sensação de perseguição) - insônia - alterações do ciclo dormir-despertar - sonolência diurna - agitação - taquicardia - palpitações - inquietação motora - tensão muscular - tremor - mioclonia - náusea - coriza - sudorese - letargia - dor muscular e articular - hiper-reflexia - visão borrada
  • 32. SONO  Diagnostica-se a(s) causa(s) para depois tratar (polissonografia)  Nem toda insônia vem de transtornos mentais (ex: apnéia do sono, doença cardíaca ou pulmonar, dor)  A quantidade normal de sono varia amplamente e geralmente diminui com a idade.  A melhora dos hábitos de sono (sem medicação sedativa) é o melhor tratamento - HIGIENE DO SONO!.
  • 34. HIPNÓTICOS  Benzodiazepínicos (nitrazepam e outros – flurazepam, midazolam)  Barbitúricos (fenobarbital) – pouco usado devido à dependência e tolerância que provoca  Zolpidem
  • 35. ANTIPSICÓTICOS  Tradicionais:  Sedativos (clorpromazina, tioridazina)  Incisivos (haloperidol, trifluoperazina, flufenazina)  Atípicos: amisulprida, risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprazidona, aripiprazol, clozapina  Comprimidos, IM, gotas, solução, depot
  • 36.  Os incisivos tem maior efeito em sintomas positivos das psicoses (alucinações, delírios). Acessíveis e de baixo custo.  Os atípicos tem também efeito sobre sintomas negativos (perda cognitiva, isolamento social), menos efeitos colaterais. Caros, acesso difícil. Uso também como estabilizadores do humor  Programa de medicação de Alto Custo
  • 37. EFEITOS COLATERAIS  Sintomas extra-piramidais (“impregnação”): acatisia, tremores, crise oculógira, rigidez muscular (roda dentada), engasgo, protrusão de língua, contração muscular, tremores  Amimia (perda de expressão facial)  Síndrome neuroléptica maligna  Perda cognitiva
  • 38.  Ganho de peso  Redução da libido  Risco cardio-vascular e metabólico  Discinesia tardia  Clozapina: agranulocitose (necessidade de hemograma regular)
  • 39. USO CONTINUO  Surto único em adolescente: aguardar  Mais de um episódio: cronicidade  Quanto mais crises maiores as perdas  Interrupção da medicação: em um ano, recaída de 90% dos casos  A manutenção ajuda para que a “demência” não seja inevitável  Argumentar respeitando o delírio do paciente
  • 40. ESTIMULANTES  Uso apenas no TDAH  Ritalina: metilfenidato  Ainda não disponível no sistema de saúde, mas custo razoável  Similar às anfetaminas mas quando usada nos TDAH não causa dependência  Curto prazo de ação (4h); formas de ação mais prolongada, bem mais caras  Stavigile: modafinil – TDAH, trabalho em turnos e narcolepsia
  • 41. ESTABILIZADORES DO HUMOR  Carbonato de lítio  Anticonvulsivantes: carbamazepina, valproato (disponíveis na rede), lamotrigina, topiramato (mais caros), outros  Antipsicóticos atípicos  Antipsicóticos típicos como antimaníacos  Transtorno bipolar do humor Kay Redfield Jamison
  • 42. DIFICULDADES DO MANEJO  Os bipolares passam a maior parte do tempo, em sua maioria, deprimidos  Mas antidepressivos podem provocar entrada na mania  Freqüentemente não aderem: similaridade com dependência a drogas  O alto custo das crises
  • 43. EFEITOS COLATERAIS  Lítio: ganho de peso, hipotireoidismo, dor de cabeça, dificuldade de concentração, intoxicação (necessidade de litemia)  Anticonvulsivantes: déficit cognitivo, tonturas (embriaguez), visão turva, sedação, tremor, leucopenia (mais carbamazepina), ganho de peso, hepatotoxicidade  Teratogenicidade (mais lítio)  Interações medicamentosas (carbamazepina)