Inteligencia varias concepcoes

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Inteligencia varias concepcoes

  1. 1. Definição e Concepções de inteligênciaToda a gente concorda quanto à necessidade que as pessoas têm de agir inteligentemente nagrande maioria das situações e, consequentemente, quanto a considerar a inteligência como umacapacidade fundamental nas suas vidas.Porém, é mais difícil encontrar acordo quanto ao que se considera ser a inteligência, havendopor isso grande dificuldade em a definir. Mesmo quando se consultam especialistas nestamatéria, acaba sempre por concluir-se que há diferentes modos de conceber a inteligência,tantos quantos os pontos de vista específicos e as teorias perfilhadas pelos investigadores. Dadotratar-se de processos mentais, interiores, complexos e não susceptíveis de observação directa, oconceito de inteligência permanece longe de possuir um sentido unívoco.Os psicólogos estão de acordo, contudo, quanto a considerar a inteligência como um conceito enão uma coisa. Enquanto conceito, é algo de abstracto e imaterial. Dar um nome à inteligência edefini-la é correr o risco de a coisificar e de convencer as pessoas que ela existe como coisa nomundo. Por exemplo, quando se diz que alguém tem um QI de 120 pode fazer crer que existealgo de fixo e material nesse alguém quando, afinal de contas, o 120 não passa de um Índiceclassificativo obtido num teste particular.Em virtude do elevado grau de generalidade que apresenta, uma definição amplamente aceitee que tem sido usada por muitos psicólogos, desde os mais antigos aos mais recentes, é aseguinte: INTELIGÊNCIA Capacidade que os indivíduos possuem para se adaptarem às circunstâncias em que vivem.Este modo geral de conceber a inteligência põe em destaque, desde logo, o carácter dinâmicoda inteligência como processo adaptativo às situações do meio. Mas, para além desta, muitasoutras capacidades ou aptidões são frequentemente referidas por psicólogos de várias teorias,como integrando o conceito de inteligência.Agrupando o que há de comum na maioria das definições, é possível apresentar comoconsensual um conceito de inteligência que integra os seguintes aspectos:1. Capacidade de enfrentar situações novas e de resolver problemas de forma rápida eeficaz.2. Capacidade de utilizar eficientemente símbolos e conceitos abstractos.3. Capacidade de aprender rapidamente com a experiência e de adquirir conceitos novos.Portanto, iremos desde já assumir o ponto de vista de que a inteligência se refere a umprocesso cognitivo complexo que engloba várias capacidades. Entre elas, fixemos asseguintes:• Capacidade de adaptação.• Capacidade de resolver problemas. 1
  2. 2. • Capacidade de raciocinar ou pensar abstractamente.• Capacidade de aprender.Nenhuma destas capacidades actua de modo isolado. Qualquer que seja a que consideremos,ela só opera e se manifesta mediante o concurso das outras. Estas capacidades podem ser vistascomo aspectos diversificados mas complementares de uma mesma realidade que é a actividademental.Várias concepções de inteligênciaÉ com a inteligência que as pessoas têm de resolver os mais diferentes problemas com quedeparam na vida. Viver implica, afinal, ultrapassar obstáculos, isto é, solucionar problemas denatureza diversa. Os problemas que podemos ser obrigados a resolver são, com efeito, de natureza muito variada. Dizem respeito às nossas relações directas com os objectos que manipulamos, com o meio físico em que evoluímos, com as relações com os homens e com o meio social, com as nossas relações com os conceitos que adquirimos e cuja utilização lógica nos compete assegurar, com as nossas relações com o mundo das imagens que armazenamos e que podemos reconstruir. O mecânico que deve reunir correctamente as peças de uma máquina, o guia que se deve orientar em regiões mal conhecidas, o chefe que deve resolver todas as dificuldades trazidas pela gestão de um pessoal heterogéneo, o político que deve convencer uma assembleia, o matemático que leva a efeito uma dedução simbólica, o físico que procura a causa de um fenómeno, o filósofo que especula sobre concepções abstractas, o arquitecto que constrói um projecto sujeito a certos fins e a certas condições, o músico que constrói uma sinfonia ou o escultor que realiza uma estátua, todos dão prova de inteligência (...). Henri Pieron, Psicologia experimentalAnimais, crianças e adultos têm que resolver problemas, isto é, têm que descobrir ou inventarmeios de atingir os objectivos que se propõem, ultrapassando os obstáculos com que deparam.Porém, são diferentes as situações que para eles constituem problema, bem como os modos queutilizam para os resolver.Para ilustrar que há diferentes modos de resolver problemas, Sprinthall apresenta-nos aseguinte história: Dois jovens dão um passeio pelo campo. Um é estudante de pós-graduação em Matemática, o outro abandonou o ensino secundário e é conhecido pela sua "esperteza de rua". Entram num túnel abandonado e, quando vão a meio do caminho, vêem, subitamente, entrar no túnel um urso grande e feroz atrás deles. O matemático puxa da sua calculadora, calcula valores como as distâncias envolvidas e as velocidades a que eles e o urso podem correr, fazendo rapidamente diversas operações. Enquanto isso, o que abandonou a escola descalça as botas e rapidamente calça uns sapatos de ténis. Não vale a pena - diz o matemático. As minhas equações mostram que não podemos correr mais do que o urso. O outro replica: - Talvez, mas da maneira como vejo a questão, não precisamos de correr mais do que o urso. O que é preciso é que eu consiga correr mais depressa do que tu. Psicologia educacional 2
  3. 3. Atendendo às diferentes formas de resolver inteligentemente as situações problemáticas, háquem faça a distinção entre inteligência prática e inteligência conceptual. • Inteligência conceptualEsta forma de inteligência, presente na forma deraciocinar do homem adulto, pode definir-se comoa capacidade de resolver problemas porintermédio de conceitos e noções abstractas quepodem ser verbalmente expressos.Lidar mentalmente com abstracções,nomeadamente com palavras, conceitos e outrossímbolos é o que, genericamente, se designa porpensar. Ora, os problemas cuja resolução implicaa intervenção do pensamento obrigam a umaactividade mediatizada, isto é, entre a situaçãoproblemática e a resposta que há-de solucioná-la há o espaço do problema em que osconceitos desempenham papel fundamental: por eles se representa a situação posta; recordam-se outros relativos a experiências passadas; com eles se projectam hipóteses de solução; comeles se avaliam essas hipóteses, prevendo o que acontecerá se forem postas em prática.Aos conceitos se associam palavras, pelo que a inteligência conceptual é uma inteligênciaverbal. As palavras não são mais que uma espécie de rótulos dos conceitos. As pessoas, quandopensam, pensam verbalmente e de acordo com regras de gramática aprendidas.A inteligência conceptual é aquela a que se refere o termo inteligência quando usado pelageneralidade das pessoas da civilização ocidental. De facto, a tradição ocidental desenvolveuum conceito de inteligência, valorizado pela classe média das sociedades industrializadas, quemuito tem a ver com a instrução e as aprendizagens escolares: incidência nos aspectos verbais,no raciocínio, designadamente no cálculo matemático. Noutras circunstâncias culturais e históricas,provavelmente considerar-se-ia fundamental outro tipo de inteligência. • Inteligência práticaO conceito de comportamento inteligente varia com a situação e os contextos culturais.Binet e Terman consideravam que a criança inteligente era a que revelava capacidadesadequadas à obtenção de sucesso escolar.Porém, nas ilhas do Pacífico Sul talvez o padrão de inteligência consista, por exemplo, naaptidão para pescar e navegar. Para um vendedor da nossa sociedade talvez seja a suacapacidade de relacionamento social e para um citadino talvez seja a sua "esperteza de rua".Se um grupo de geólogos se perder no deserto, certamente que o beduíno que os acompanhoupara cuidar dos camelos dará provas de superioridade intelectual, ao conduzi-los a lugar certo.François Jacob afirma, a propósito da relatividade do conceito de inteligência: 3
  4. 4. Não há uma, mas várias inteligências. Imaginem Einstein no meio da floresta virgem: não teriasido ele o melhor! (...) A inteligência é a capacidade de responder às situações mais difíceis ede prever os efeitos que daí decorrem.Considerando a inteligência como a capacidade de o homem resolver os problemas com quedepara na sua adaptação ao meio, várias formas de inteligência se manifestam, que, para asdistinguir da inteligência conceptual, incluiremos na inteligência prática. Esta é assim acapacidade de resolver problemas por intermédio de percepções, acções e movimentos quese expressam no fabrico e utilização de instrumentos.A inteligência prática, desenvolvida fora da escola com a experiência do dia-a-dia, é usadapor todos os homens nas mais diversas ocasiões.Antes do aparecimento das modernas tecnologias, a inteligência prática manifestava-se nomodo simples de fabricar e usar utensílios. Muitos homens tinham que fabricar os seus própriosobjectos e ferramentas, experimentando as formas que melhor se prestavam ao seumanuseamento e melhor se ajustavam aos fins que pretendiam alcançar. Mesmo com oaparecimento da tecnologia, ela continua a ser imprescindível ao homem para saber usar e tirarpartido dos equipamentos de que dispõe. Grande parte das tarefas implicadas no exercíciodas profissões são executadas com a intervenção deste tipo de inteligência.Em esquema, apresentamos alguns termos que andam associados aos conceitos de inteligênciaprática e inteligência conceptual:Todavia, ao deixarmos o domínio dos conceitos e entrarmos na inteligência enquantocapacidade de o homem se adaptar às circunstâncias, tal distinção deixa de ter sentido. É quemesmo os problemas práticos do quotidiano requerem soluções em que o universoconceptual acaba por interferir. 4

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