O conhecimento
científico
Capítulo 9 – O conhecimento científico
FILOSOFAR COM TEXTOS:
TEMAS E HISTÓRIA DA
FILOSOFIA
Ciência e senso comum
 O conceito atual de ciência surgiu no século XVII, com os
métodos de investigação instituídos por Galileu, que se
caracterizam pela matematização e experimentação. Nas
culturas mais antigas já existia algum tipo de conhecimento
teórico que possibilitava a intervenção na natureza. Tal
conhecimento dependia do senso comum, do uso espontâneo
da razão e da imaginação, da dedução ou indução e era
transmitido ao longo
do tempo.
Na Antiguidade edificaram-se
grandes construções sólidas, como
o Arqueduto de Roma, apesar de
não existir ainda um rigor nos
conhecimentos científicos.
GLOWIMAGES-SCALA,FLORENCE
Ciência e senso comum
 O senso comum é um saber empírico e transmitido,
enquanto o saber científico busca precisar as causas e os
motivos de um evento.
 O senso comum é um conhecimento particular, ele realiza
generalizações que carecem de rigor. Já a ciência é um saber
sistemático, controlado pela experiência.
 O conhecimento do senso comum é fragmentário, pois não
estabelece as conexões adequadas. Por sua vez, o conhecimento
científico é unificador, tem a capacidade de conectar saberes
sobre diversos fenômenos entre si.
Ciência e senso comum
 O senso comum é subjetivo e pessoal, enquanto a ciência
procura a objetividade, isto é, independe de preferências
individuais.
 A linguagem do senso comum é ambígua, enquanto a ciência
procura se utilizar de uma linguagem rigorosa, com o recurso
da matemática e da experimentação. Desse modo, foi possível
controlar esse conhecimento, tornando-o sistemático, preciso
e objetivo.
O trabalho do cientista
 Por comunidade científica entendem-se os membros de um
determinado grupo que se reconhecem mutuamente, como
detentores de conhecimentos específicos em determinada área
de investigação científica.
 A ciência se utiliza de métodos rigorosos, mas nem por isso é
infalível ou indubitável.
 O trabalho do cientista
envolve valores
estritamente cognitivos,
mas também valores
éticos e políticos.
Pesquisa com célula-tronco
em um instituto de doenças
cardiovasculares, em São Francisco,
Califórnia (EUA, setembro de 2010).
A utilização de experimentos com
célula-tronco foi objeto de inúmeras
discussões de caráter ético.
NOAHBERGER/BLOOMBERG/GETTYIMAGES
O trabalho do cientista
 Do ponto de vista dos valores cognitivos, podemos destacar
três características da ciência: a imparcialidade, a
autonomia e a neutralidade.
• Diz-se que a ciência é imparcial por seguir rigorosos padrões
de avaliação, que podem ser verificados por qualquer membro
da comunidade científica.
• Fala-se em autonomia porque o cientista deve ter condições
independentes de investigação.
• A neutralidade decorre do fato de que a pesquisa se orienta
apenas pelo valor cognitivo.
O trabalho do cientista
 Essas características dizem respeito apenas às exigências
do método científico. No entanto, o cientista encontra-se
inserido em um contexto sujeito a um conjunto de
valores éticos e políticos que devem ser avaliados.
 Daí a importância de uma formação humanista que
possibilite a reflexão sobre as aplicações da atividade
científica.
 Ou seja, a ciência é neutra, mas não são neutros os
interesses que envolvem as pesquisas, a definição de
prioridade e os fins a que se destinam. Decorre daí a
responsabilidade do cientista.
Os métodos das ciências
 Podemos classificar as ciências em: ciências formais
(matemática e lógica), ciências da natureza (física,
química, geografia física etc.) e ciências humanas
(sociologia, antropologia, psicologia, história, geografia
humana etc.).
 As ciências da natureza recorrem ao método
experimental, que trabalha com as seguintes etapas:
a observação científica é metódica e orientada por teorias; a
hipótese é uma explicação provisória dos fatos observados.
Elas dependem de intuição, imaginação, mas também de
raciocínios (dedução, indução e analogia);
a experimentação é a observação provocada para controle
da hipótese; a generalização é a formulação de leis, de
enunciados que descrevem regularidades ou normas, como
as leis empíricas ou particulares (queda dos corpos); a
teoria é constituída por leis gerais ou teorias (teoria
newtoniana), que abrangem e reúnem diversas leis.
Os métodos das ciências
 As ciências humanas enfrentam dificuldades
metodológicas por ter como objeto o próprio ser que
conhece. São elas: a complexidade (o comportamento
humano resulta de múltiplas influências); a dificuldade
de experimentação e matematização; o
subjetivismo (o próprio ser humano é seu objeto de
estudo, além disso, trata-se de individualidades);
a liberdade (apesar dos condicionamentos,
o ser humano é capaz de ações livres).
 A diversidade de métodos: podem-se distinguir duas
tendências metodológicas. Segundo a tendência
naturalista, as ciências humanas devem se adequar
ao método das ciências da natureza. Já a tendência
humanista propõe métodos distintos que respeitem
a especificidade do seu objeto, como individualidade,
liberdade e consciência moral.
Os métodos das ciências
Os vários órgãos da mente, gravura da década de
1890. O objeto de estudo da psicologia, como o das
demais ciências humanas, exige, pela sua
complexidade, definições metodológicas muito
distintas das utilizadas pelas ciências da natureza.
ALBUM/AKG-IMAGES/NORTHWINDPICTUREARCHIVES/LATINSTOCK
FILOSOFAR COM TEXTOS:
TEMAS E HISTÓRIA DA
FILOSOFIA
ANOTAÇÕES EM AULA
Coordenação editorial: Maria Raquel Apolinário, Eduardo Augusto Guimarães e Ana Cláudia Fernandes
Elaboração: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Renato dos Santos Belo
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Iconografia: Camila D'Angelo, Marcia Mendonça, Angelita Cardoso e Denise Durand Kremer
EDITORA MODERNA
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Editora executiva: Kelly Mayumi Ishida
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Editor de arte: Fabio Ventura
Editor assistente de arte: Eduardo Bertolini
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2012

V dfilo cap9p_conhecimento_científico

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    O conhecimento científico Capítulo 9– O conhecimento científico FILOSOFAR COM TEXTOS: TEMAS E HISTÓRIA DA FILOSOFIA
  • 2.
    Ciência e sensocomum  O conceito atual de ciência surgiu no século XVII, com os métodos de investigação instituídos por Galileu, que se caracterizam pela matematização e experimentação. Nas culturas mais antigas já existia algum tipo de conhecimento teórico que possibilitava a intervenção na natureza. Tal conhecimento dependia do senso comum, do uso espontâneo da razão e da imaginação, da dedução ou indução e era transmitido ao longo do tempo. Na Antiguidade edificaram-se grandes construções sólidas, como o Arqueduto de Roma, apesar de não existir ainda um rigor nos conhecimentos científicos. GLOWIMAGES-SCALA,FLORENCE
  • 3.
    Ciência e sensocomum  O senso comum é um saber empírico e transmitido, enquanto o saber científico busca precisar as causas e os motivos de um evento.  O senso comum é um conhecimento particular, ele realiza generalizações que carecem de rigor. Já a ciência é um saber sistemático, controlado pela experiência.  O conhecimento do senso comum é fragmentário, pois não estabelece as conexões adequadas. Por sua vez, o conhecimento científico é unificador, tem a capacidade de conectar saberes sobre diversos fenômenos entre si.
  • 4.
    Ciência e sensocomum  O senso comum é subjetivo e pessoal, enquanto a ciência procura a objetividade, isto é, independe de preferências individuais.  A linguagem do senso comum é ambígua, enquanto a ciência procura se utilizar de uma linguagem rigorosa, com o recurso da matemática e da experimentação. Desse modo, foi possível controlar esse conhecimento, tornando-o sistemático, preciso e objetivo.
  • 5.
    O trabalho docientista  Por comunidade científica entendem-se os membros de um determinado grupo que se reconhecem mutuamente, como detentores de conhecimentos específicos em determinada área de investigação científica.  A ciência se utiliza de métodos rigorosos, mas nem por isso é infalível ou indubitável.  O trabalho do cientista envolve valores estritamente cognitivos, mas também valores éticos e políticos. Pesquisa com célula-tronco em um instituto de doenças cardiovasculares, em São Francisco, Califórnia (EUA, setembro de 2010). A utilização de experimentos com célula-tronco foi objeto de inúmeras discussões de caráter ético. NOAHBERGER/BLOOMBERG/GETTYIMAGES
  • 6.
    O trabalho docientista  Do ponto de vista dos valores cognitivos, podemos destacar três características da ciência: a imparcialidade, a autonomia e a neutralidade. • Diz-se que a ciência é imparcial por seguir rigorosos padrões de avaliação, que podem ser verificados por qualquer membro da comunidade científica. • Fala-se em autonomia porque o cientista deve ter condições independentes de investigação. • A neutralidade decorre do fato de que a pesquisa se orienta apenas pelo valor cognitivo.
  • 7.
    O trabalho docientista  Essas características dizem respeito apenas às exigências do método científico. No entanto, o cientista encontra-se inserido em um contexto sujeito a um conjunto de valores éticos e políticos que devem ser avaliados.  Daí a importância de uma formação humanista que possibilite a reflexão sobre as aplicações da atividade científica.  Ou seja, a ciência é neutra, mas não são neutros os interesses que envolvem as pesquisas, a definição de prioridade e os fins a que se destinam. Decorre daí a responsabilidade do cientista.
  • 8.
    Os métodos dasciências  Podemos classificar as ciências em: ciências formais (matemática e lógica), ciências da natureza (física, química, geografia física etc.) e ciências humanas (sociologia, antropologia, psicologia, história, geografia humana etc.).  As ciências da natureza recorrem ao método experimental, que trabalha com as seguintes etapas: a observação científica é metódica e orientada por teorias; a hipótese é uma explicação provisória dos fatos observados. Elas dependem de intuição, imaginação, mas também de raciocínios (dedução, indução e analogia); a experimentação é a observação provocada para controle da hipótese; a generalização é a formulação de leis, de enunciados que descrevem regularidades ou normas, como as leis empíricas ou particulares (queda dos corpos); a teoria é constituída por leis gerais ou teorias (teoria newtoniana), que abrangem e reúnem diversas leis.
  • 9.
    Os métodos dasciências  As ciências humanas enfrentam dificuldades metodológicas por ter como objeto o próprio ser que conhece. São elas: a complexidade (o comportamento humano resulta de múltiplas influências); a dificuldade de experimentação e matematização; o subjetivismo (o próprio ser humano é seu objeto de estudo, além disso, trata-se de individualidades); a liberdade (apesar dos condicionamentos, o ser humano é capaz de ações livres).  A diversidade de métodos: podem-se distinguir duas tendências metodológicas. Segundo a tendência naturalista, as ciências humanas devem se adequar ao método das ciências da natureza. Já a tendência humanista propõe métodos distintos que respeitem a especificidade do seu objeto, como individualidade, liberdade e consciência moral.
  • 10.
    Os métodos dasciências Os vários órgãos da mente, gravura da década de 1890. O objeto de estudo da psicologia, como o das demais ciências humanas, exige, pela sua complexidade, definições metodológicas muito distintas das utilizadas pelas ciências da natureza. ALBUM/AKG-IMAGES/NORTHWINDPICTUREARCHIVES/LATINSTOCK
  • 11.
    FILOSOFAR COM TEXTOS: TEMASE HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANOTAÇÕES EM AULA Coordenação editorial: Maria Raquel Apolinário, Eduardo Augusto Guimarães e Ana Cláudia Fernandes Elaboração: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Renato dos Santos Belo Edição de texto: Samir Thomaz Preparação de texto: José Carlos de Castro Coordenação de produção: Maria José Tanbellini Iconografia: Camila D'Angelo, Marcia Mendonça, Angelita Cardoso e Denise Durand Kremer EDITORA MODERNA Diretoria de Tecnologia Educacional Editora executiva: Kelly Mayumi Ishida Coordenadora editorial: Ivonete Lucirio Editoras: Jaqueline Ogliari e Natália Peixoto Assistentes editoriais: Ciça Japiassu Reis e Renata Michelin Editor de arte: Fabio Ventura Editor assistente de arte: Eduardo Bertolini Assistentes de arte: Ana Maria Totaro, Camila Castro, Guilherme Kroll e Valdeí Prazeres Revisores: Diego Rezende e Ramiro Morais Torres © Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados. EDITORA MODERNA Rua Padre Adelino, 758 – Belenzinho São Paulo – SP – Brasil – CEP: 03303-904 Vendas e atendimento: Tel. (0__11) 2602-5510 Fax (0__11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012