Ouve a recitação deste poema e depois procura lê-lo em voz alta,
de forma expressiva
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca
Vocabulário: modesta -pobre, humilde, simples; pulsar – bater; escrupulosos
– exigentes, cuidadosos; detritos – restos, lixos, gente desprezível (sentido
figurado); fértil – criador, inventivo, que produz muito.
Depois de ouvires e de leres o poema, verifica se compreendeste o significado de cada
estrofe.
A primeira estrofe é um dístico (dois versos) e o sujeito poético usa a 1ª pessoa do
plural para dizer que no momento em que se conheceram, nasceu logo a amizade
entre os dois. Depois, tenta dar uma definição do que é para si um amigo, utilizando
várias metáforas, ao dizer que ser amigo é ter sempre um sorriso, um olhar
verdadeiro e limpo, é como uma casa que recebe e acolhe.
Na terceira estrofe, o sujeito poético dirige-se, com ironia, àqueles que considera
desprezíveis e lembra-lhes que um amigo é o contrário de um inimigo.
Na quarta estrofe (terceto), volta a dar uma definição de amigo, dizendo que um
amigo é alguém capaz de corrigir os nossos erros, em vez de nos perseguir e de
Ouve a recitação deste poema e depois procura lê-lo em voz alta,
de forma expressiva
gozar com isso. E diz ainda que ser amigo é partilhar e praticar sempre essa partilha,
isto é, dar, repartir com os outros. Diz ainda que ser amigo é não estar só, é a
negação de solidão.
E, finalmente, na última estrofe, o sujeito poético volta a dizer o que é um amigo e
o que é ter um amigo. O poeta diz que é “uma grande tarefa” e que dá muito
trabalho, mas que ter amigos é como uma festa, um tempo e um espaço úteis e
criativos.
Recorda como se faz a análise formal do poema:
O poema é composto por 6 estrofes irregulares, porque cada uma tem um número
diferente de versos. Um dístico + uma sextilha + um terceto + um terceto + um
monóstico + uma quadra.
Não existem efeitos de rima, portanto os versos são soltos ou brancos, isto é, não
rimam uns com os outros.
Quanto à métrica, isto é, o número de sílabas métricas de cada verso, também não
existe regularidade porque há versos curtos de 4 sílabas métricas e versos longos de
12 sílabas, o que dá ao poema um ritmo mais lento, com algumas repetições de sons
nasais, por exemplo, “n” e “m” e “s”, que se chamam aliterações.

Poema amigo

  • 1.
    Ouve a recitaçãodeste poema e depois procura lê-lo em voz alta, de forma expressiva Mal nos conhecemos Inaugurámos a palavra «amigo». «Amigo» é um sorriso De boca em boca, Um olhar bem limpo, Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, Um coração pronto a pulsar Na nossa mão! «Amigo» (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?) «Amigo» é o contrário de inimigo! «Amigo» é o erro corrigido, Não o erro perseguido, explorado, É a verdade partilhada, praticada. «Amigo» é a solidão derrotada! «Amigo» é uma grande tarefa, Um trabalho sem fim, Um espaço útil, um tempo fértil, «Amigo» vai ser, é já uma grande festa! Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca Vocabulário: modesta -pobre, humilde, simples; pulsar – bater; escrupulosos – exigentes, cuidadosos; detritos – restos, lixos, gente desprezível (sentido figurado); fértil – criador, inventivo, que produz muito. Depois de ouvires e de leres o poema, verifica se compreendeste o significado de cada estrofe. A primeira estrofe é um dístico (dois versos) e o sujeito poético usa a 1ª pessoa do plural para dizer que no momento em que se conheceram, nasceu logo a amizade entre os dois. Depois, tenta dar uma definição do que é para si um amigo, utilizando várias metáforas, ao dizer que ser amigo é ter sempre um sorriso, um olhar verdadeiro e limpo, é como uma casa que recebe e acolhe. Na terceira estrofe, o sujeito poético dirige-se, com ironia, àqueles que considera desprezíveis e lembra-lhes que um amigo é o contrário de um inimigo. Na quarta estrofe (terceto), volta a dar uma definição de amigo, dizendo que um amigo é alguém capaz de corrigir os nossos erros, em vez de nos perseguir e de
  • 2.
    Ouve a recitaçãodeste poema e depois procura lê-lo em voz alta, de forma expressiva gozar com isso. E diz ainda que ser amigo é partilhar e praticar sempre essa partilha, isto é, dar, repartir com os outros. Diz ainda que ser amigo é não estar só, é a negação de solidão. E, finalmente, na última estrofe, o sujeito poético volta a dizer o que é um amigo e o que é ter um amigo. O poeta diz que é “uma grande tarefa” e que dá muito trabalho, mas que ter amigos é como uma festa, um tempo e um espaço úteis e criativos. Recorda como se faz a análise formal do poema: O poema é composto por 6 estrofes irregulares, porque cada uma tem um número diferente de versos. Um dístico + uma sextilha + um terceto + um terceto + um monóstico + uma quadra. Não existem efeitos de rima, portanto os versos são soltos ou brancos, isto é, não rimam uns com os outros. Quanto à métrica, isto é, o número de sílabas métricas de cada verso, também não existe regularidade porque há versos curtos de 4 sílabas métricas e versos longos de 12 sílabas, o que dá ao poema um ritmo mais lento, com algumas repetições de sons nasais, por exemplo, “n” e “m” e “s”, que se chamam aliterações.