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1
• Portugal estava ligado à Inglaterra por vários tratados
e protelou o quanto pode a decisão quanto ao
Bloqueio Continental. 2
• O Bloqueio Continental
foi iniciado em 21 de
novembro de 1806 e se
estendeu até 11 de
abril de 1814.
• Objetivos principais:
isolar a Inglaterra,
estrangulando a sua
economia, e estimular
a indústria francesa.
• D. João era o governante de fato de
Portugal desde 1792, porque sua
mãe, D. Maria I, fora declarada
mentalmente incapaz.
• Três tragédias são consideradas
responsáveis pelo colapso mental
da soberana → a morte de seu
marido em 1786, fez com que
mergulhasse a corte portuguesa em
estado de luto exagerado → em
1791, a morte de seu herdeiro aos
27 anos de varíola (*a rainha
proibira a sua inoculação*) e de seu
confessor a devastaram. 3
• A transferência da Corte foi feita às pressas entre os dias 25
e 27 de novembro sob a proteção de navios ingleses. Com o
apoio da esquadra inglesa, parte dos navios chegou à Bahia
em 7 de março de 1808. É que após uma forte tempestade,
alguns navios foram parar em Salvador e outros na cidade do
Rio de Janeiro. 4
• De Lisboa, embarcaram para o
Brasil a família real e seus
cortesãos, cerca de 15 mil
pessoas que se acomodaram em
3 fragatas, 3 brigues e 2
escunas. Vieram ainda centenas
de funcionários e criados.
• Trouxeram muito dinheiro,
obras de arte, documentos,
livros, bens pessoais e outros
objetos de valor. Inclusive uma
biblioteca com mais de 60 mil
livros.
Embarque
da Família
Real para o
Brasil de
Nicolas-
Louis-Albert
Delerive
(1755–1818).
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• A ideia da transferência do governo do Império
Português para o Brasil, definitivamente, ou de forma
temporária, não era uma novidade → Ainda que nem
toda a corte soubesse, a transferência foi uma
decisão de Estado.
• Em outubro de 1807, foi assinada em Londres um
tratado “Convenção Secreta sobre a Transferência da
Monarquia Portuguesa para o Brasil” e, em novembro,
420 funcionários já tinham sido enviados para o Brasil
como uma preparação para a transferência.
• Fora isso, o próprio primeiro-ministro da britânico,
William Pitt, defendeu publicamente mais de uma vez
que caso Portugal se aliasse aos franceses, os
ingleses deveriam invadir o Brasil. 6
D. João VI (1816-1826), ao
transferir a administração
metropolitana para a
colônia, garantiu a
permanência do Brasil no
Império Português, mas
lançou, também, as
sementes da nossa
independência, pois para
muitos colonos e parceiros
ingleses não interessava
retornar à condição de
completa subordinação a
Portugal.
7
D. João VI era casado com a
princesa espanhola Carlota
Joaquina (1775-1830). A
rainha nunca gostou de
morar no Brasil, residia em
um palácio separado do
marido e tentou se imiscuir
em assuntos políticos, como
Napoleão invadira a
Espanha, queria ser
reconhecida como rainha
das colônias espanholas na
América do Sul. O marido a
bloqueou, mas aproveitou-se
para invadir o Uruguai.
8
D. João VI em Salvador, Cândido Portinari (1952). 9
D. João
desembarcou em
Salvador em 28 de
janeiro de 1808 e
abriu os portos às
“nações amigas”,
naquele momento,
era quase a mesma
coisa que abrir os
portos à Inglaterra.
10
Chegada de D. João à Igreja do Rosário
(RJ), óleo de Armando de Martins Viana.
11
O Tratado de Abertura dos Portos às Nações Amigas
está na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
• Foram suspensos todos os decretos que proibiam a
produção de manufaturas na colônia.
• Por decreto de junho de 1808, o comércio livre foi
limitado aos portos do Rio de Janeiro, Belém, São
Luís, Recife e Salvador → Vejam que a liberdade não
era total e que o porto de Santos ainda não era
relevante.
• A tarifa alfandegária era de 24% para produtos
estrangeiros e 16% para os portugueses.
• Em fevereiro de 1810, o Tratado de Navegação e
Comércio definiu em 15% a taxa para os produtos
ingleses → o Brasil foi inundado de produtos ingleses
úteis e inúteis, baratos e de luxo. 12
• Os ingleses no Brasil seriam
julgados por cortes especiais
segundo as leis inglesas
(extraterritorialidade), já os
portugueses que cometessem
crimes na Inglaterra seriam
julgados pelas leis britânicas.
• Os ingleses poderiam praticar
sua fé caso protestantes e
construir suas igrejas desde
que não tivessem aparência
externa de templos.
• Teriam direito aos seus
próprios cemitérios. 13
• O Cemitério dos Ingleses na Gamboa, Rio de
Janeiro, foi o primeiro cemitério protestante e ao ar
livre da cidade. Os católicos eram enterrados
dentro das igrejas, ou no terreno da mesma. A
pintura foi feita por Maria Graham, que foi
preceptora da princesa Maria da Glória, em 1823. 14
15
• Em 1812, chegaram ao Rio
de Janeiro entre 200 e 400
chineses vindos de Macau.
Trazidos por ordem de D.
João VI, eles deveriam
desenvolver o cultivo do
chá no Brasil.
• Os planos incluíam trazer
até um milhão de chineses
e abastecer não só o
mercado interno como o
europeu. As plantações
(no Jardim Botânico, na
Ilha do Governador e na
Fazenda Imperial de Santa
Cruz) não foram para
frente.
Dentre as teorias para o fracasso da
experiência estão a possibilidade dos
chineses não serem especialistas nesse
cultivo e a resistência a um regime de
trabalho semelhante à escravidão.
Alguns chineses viraram mascates,
outros donos de casas de ópio, outros
desapareceram.
• Escola de Cirurgia da Bahia
(Salvador) e Escola anatômica,
Cirúrgica e Médica do Rio de
Janeiro em 1808 → primeiras
escolas superiores.
• Fábrica de Pólvora (13 de maio
de 1808).
• Banco do Brasil (12 de outubro
de 1808).
• Biblioteca Nacional (29 de
outubro de 1810).
• Real Academia Militar (4 de
Dezembro de 1810).
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Jardim Botânico,
criado em 13 de junho
de 1808.
• Criação da Imprensa → Gazeta do Rio de Janeiro
(órgão oficial do governo) X Correio Braziliense (jornal
independente, publicado em Londres) → ambos
fundados em 1808.
• Expedição à Guiana Francesa (1809)  que foi
devolvida após o Congresso de Viena  e intervenções
no Uruguai ou Banda Oriental (Província Cisplatina) em
1811, 1816 e 1821.
• Missão Artística Francesa (1816) liderada por Joaquim
Lebreton  A capital do Império precisava ser
remodelada e embelezada aos moldes europeus 
Jean-Baptiste Debret é o nome mais lembrado da
missão artística francesa.
• Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816) 
futura Academia Imperial de Belas Artes (1826). 17
18
Debret retratou o mundo do trabalho no Brasil do início do século XIX.
19
Debret retratou o cotidiano, também, famílias brancas, mestiças, o
carnaval.
20
• Em 1815, o Congresso
de Viena exigiu o
retorno de D. João para
Portugal, pois não fazia
sentido que o rei
continuasse na colônia.
• Para justificas a sua
permanência, em 16 de
dezembro de 1815 D.
João VI elevou o Brasil à
categoria de Reino
Unido a Portugal e
Algarves.
• Em março de 1816,
morre D. Maria I. Reunião do Congresso de Viena.
21
• Em Portugal, os reis não
eram coroados, mas
aclamados pelo povo. D.
João VI esperou dois anos
para efetivar a cerimônia
que ocorreu, com grandes
festividades, no dia 6 de
fevereiro de 1818.
• A demora se justifica
pelas disputas a respeito
do retorno no rei, pois
além da pressão das
monarquias europeias, o
povo em Portugal estava
insatisfeito.
D. João VI e seu filho, o príncipe
D. Pedro na pena de Debret. A
“coroação” de um rei europeu na
América era coisa nunca vista
até então.
• A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil
criou uma situação inédita, pela primeira vez, uma
colônia tornava-se capital de sua metrópole.
• D. João VI foi o único monarca europeu a ser
“coroado” nas Américas, o que era outra inversão da
lógica colonial.
• A permanência no Brasil era justificável durante o
período Napoleônico, tornou-se ofensiva aos
portugueses depois de 1815.
• Além da perda de prestígio político, a situação
prejudicava economicamente os comerciantes
reinóis eram evidentes levaram às exigências de
retorno do rei e rebaixamento do Brasil. Fora isso,
os ingleses estavam administrando Portugal. 22
• O maior movimento emancipacionista, a Revolução
Pernambucana de 1817 (Ver aula anterior), ocorreu
durante a presença de D. João VI. No mesmo ano, em
Portugal, explodiu um movimento liberal liderado por
militares e maçons pedindo uma constituição e a volta
do rei foi duramente reprimido pelos ingleses. A tensão
e insatisfação na metrópole foi aumentando.
• Em 1820, a Revolução Liberal do Porto exigiu o retorno
do Rei  A colônia enviou cerca de 70 deputados para
as Cortes de Lisboa.
• No Brasil, havia quem desejasse que D. João jurasse a
Constituição de Cádiz (1812) e permanecesse no Brasil,
mas em 26 de abril de 1821, D. João VI jurou a
constituição portuguesa e partiu com mais de 6 mil
pessoas para Portugal. 23
• Em 21 de abril de 1821, D.
Pedro se reunia com
eleitores do Rio de Janeiro
na Praça do Comércio.
• Ainda na incerteza sobre o
futuro da colônia, populares
se puseram a gritar “Aqui
governa o povo!” e “Haja
Revolução! ”. D. Pedro
ordenou forte repressão,
resultando em um morto e
vários feridos.
• No dia seguinte, nos muros
se lia a pichação “Açougue
dos Bragrança”.
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• O chamado “Motim da Rua
do Comércio” aconteceu na
praça que pode ser vista
em primeiro plano nessa
ilustração de Johann Moritz
Rugendas de 1835. Ao
fundo, a então Rua Direita,
atual Rua 1º de Março.
• As Cortes não se reuniam em Portugal
desde 1689  A população portuguesa
estava insatisfeita com o governo
militar britânico.
• Redigiram um “Manifesto da Nação
Portuguesa aos Soberanos e Povos da
Europa" onde reafirmava a fidelidade
ao Rei, mas exigiam uma Constituição
que limitasse o poder do soberano.
• No Grão-Pará, na Bahia e no
Maranhão, tropas se rebelaram em
apoio aos revolucionários, formaram
juntas governativas que só
obedeceriam às Cortes de Lisboa.
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• Várias produções para o cinema e a TV representaram D. João VI e
sua esposa, no início não em situação de protagonismo, como no
filme Independência ou Morte (1972). A partir do filme Carlota
Joaquina, a Princesa do Brazil (1995), um grande sucesso do
cinema nacional, assentou-se uma imagem dominante sobre ele, D.
João seria um rei preguiçoso, glutão, sujo, indeciso e traído e
dominado pela esposa. Já D. Carlota seria uma mulher de sangue
quente, ardilosa e adúltera, sem que suas qualidades intelectuais ou
políticas fossem destacadas.
• Essa imagem persistiu na minissérie O Quintos dos Infernos (2002) e
nas novelas Liberdade, Liberdade (2016) e Novo Mundo (2017), a
minissérie Brasil Imperial (2020) trouxe uma visão menos
depreciativa e mais próxima daquilo que as fontes dizem sobre os
dois. 26
• D. Carlota e D. João VI na novela Novo Mundo e no
filme Carlota Joaquina, Princesa do Brazil.
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