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CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO (XIV-XVII): ÁFRICA ATLÂNTICA
• Durante o Medievo (séc. V-
XV) houve vários reinos e
impérios na África Cada um
com sua dinâmica interna
própria e se relacionando
com seus vizinhos e com
forças vindas de fora do
continente africano, como
os árabes-muçulmanos e
os cristãos bizantinos e os
ocidentais.
• A partir do século XV, a
África Subsaariana se
tornou peça fundamental
no comércio ultramarino
europeu.
• Na região entre os rios Senegal e Níger, os
soninqueses (um ramo do povo mandinga)
fundaram pequenas cidades, que desde o século IV
foram se unificando, provavelmente para resistir
aos povos nômades do Norte. A partir do século
VIII, a região já era conhecida como Império de
Gana.
• Os soninqueses chamavam sua região de Wagadu,
mas os berberes (muçulmanos), que chegaram ali
no século VIII, se referiam a ela como Ghana, pois
era esse o título do rei da região (ghana: "rei
guerreiro").
• Por muito tempo, o deserto do Saara dificultou o
acesso dos povos do norte da África ao interior do
continente. Enquanto o norte da África estava
inserido no comércio do Mediterrâneo desde a
Antiguidade (fenícios, gregos, cartagineses,
egípcios, romanos, árabes etc.), o reino de Gana
teve um desenvolvimento isolado.
• Somente quando os árabes conquistaram o Magreb
e introduziram o camelo como animal de transporte
foi possível a viagens mais rápidas através do
deserto. A partir de então, os reinos ao sul do
Saara passaram a fazer parte do comércio
internacional do Mediterrâneo.
Torre velha da
cidade de
Ouadane ou
Wādān (árabe),
que data da
época do
Império de
Gana.
• Gana já era um reino rico antes da chegada dos
comerciantes do norte, e são os documentos
deixados por esses mercadores muçulmanos que
nos informam sobre este estado, também chamado
de Terra do Ouro.
• Sua capital Kumbi-Saleh, que no seu auge tinha
aproximadamente 20 mil habitantes, ficava perto
das minas de ouro e das rotas de comércio. Dessa
cidade, o rei e seus nobres controlavam povos
vizinhos, obrigando-os a pagar impostos em troca
de proteção. Gana controlava o comércio tanto das
mercadorias que eram trazidas do norte (como sal
e tecidos), quanto das que saíam do interior da
África (como ouro e escravos).
Rotas comerciais do
Saara Ocidental entre
1000-1500. As minas
de ouro estão
indicados por um
sombreado marrom
claro.
• Entre os séculos IX e X, Gana viveu seu apogeu,
sendo um dos mais ricos reinos do mundo, segundo
Ibn Haukal, viajante árabe da época.
• O Islã avançava dentro do continente africano e o
Império de Gana, que recusava a conversão, foi
perdendo força, até que em 1076 os almorávidas
(dinastia berbere) conquistaram e saquearam a
capital, Kumbi-Saleh, transformando Gana em um
reino tributário.
• O império enfraquecido começou a ser atacado por
povos vizinhos, um deles, os sossos, passaram a
controlar várias regiões do antigo império.
• O Mali era, a princípio, uma região do Império de
Gana habitada pelos mandingas. Era composto por
12 reinos menores ligados entre si, e tinha como
capital Kangaba.
• Com o enfraquecimento do Império de Gana, e
depois das guerras com os sossos (século XII), Mali
conseguiu sua independência e adotou o
islamismo.
• Em 1235, os mandingas de Mali tinham conquistado
todo o território do antigo Império de Gana, sob a
liderança de Maghan Sundiata, que recebeu o título
de Mansa, que na língua mandinga significa
"imperador".
Mapa dos três
grandes impérios
que se
sucederam entre
os século VIII e
XVI (Gana, Mali e
Songai) e
algumas das
fronteiras dos
estados
africanos atuais.
• Os mandingas chamavam seu império de Manden
Kurufa (terra dos mandinga); o nome Mali era
usado por seus vizinhos, os fulas, para se referir ao
grande império.
• Diferentemente do Império de Gana, que cobrava
tributos de povos dominados e buscava controlar o
comércio regional, o Império de Mali tinha um
governo centralizado, estabelecendo fronteiras
bem definidas e formulando leis por meio de uma
assembleia chamada Gbara, com representantes
dos diversos povos do império.
• Segundo os viajantes islâmicos, as leis eram
rígidas e aplicadas de forma exemplar.
• O Império de Mali se tornou herdeiro do Império de Gana,
controlando as rotas de comércio da região. O ouro
extraído por Mali sustentava grande parte do comércio no
Mediterrâneo. Entre 1324 e 1325, o imperador Mussa, em
peregrinação a Meca, parou para uma visita ao Cairo e
teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor
desse metal se desvalorizou por mais de 10 anos.
• Sob o reinado de Mussa, Timbuktu (ou Tombuctu) se
tornou uma das mais ricas e importantes cidades da
região, sendo grande centro comercial e cultural. Sua
universidade era um dos maiores centros de cultura
muçulmana da época, e produziu várias traduções de
textos gregos que ainda circulavam nos séculos XIV e XV.
A grandiosidade de Timbuktu atravessou os tempos e, no século 19,
exploradores europeus se embrenharam pelos caminhos africanos,
seguindo o rio Níger, em busca da lendária cidade. A arquitetura de
Timbuktu foi uma das referências visuais usadas na composição da
cidade de Wakanda, no filme Pantera Negra.
• O sucesso do Império de Mali pode ser atribuído a
alguns fatores, a conversão ao Islã garantiu a unidade
político-religiosa e as relações com o mundo islâmico
como um todo, o controle das rotas de comércio e a
imensa riqueza do território que foi explorada com o
intuito de fortalecer o Estado.
• O Império de Mali entrou em decadência no final do
século XIV, em função das disputas políticas internas
e das incursões dos tuaregues (povo berbere), sendo
conquistado, no século XV, pelos songais, que criaram
um império cm seu nome. Foi nesse mesmo século
que os portugueses, em pleno processo de expansão
marítima, conheceram o já decadente Império do Mali.
O Império Songhai foi
o último dos três
grandes impérios da
África Ocidental.
Em seu auge,
Timbuktu tinha 80 mil
habitantes, dentes os
quais cerca de 20 mil
eram estudantes e
professores de todas
as partes do mundo
islâmico.
Fundado em 1464, o Império Songhai chegou ao fim em 1591 após
quase uma década de ataques do Sultão do Marrocos. Suas cidades
principais: Gao, Timbuktu e Djenné. O songhai sobreviveram com o
pequeno Reino Dendi, que foi conquistado pelos franceses em 1901.
• Griô, ou griote na forma feminina, é o indivíduo que
na África Ocidental tem por vocação preservar e
transmitir as histórias, conhecimentos, canções e
mitos do seu povo. Existem griôs músicos e griôs
contadores de histórias. Ensinam a arte, o
conhecimento de plantas, tradições, histórias e
aconselhavam membros das famílias reais.
• Muitos são intelectuais instruídos no Alcorão por
influência islâmica, o que explica por que a maior
parte da epopeia africana origina em países com
forte presença islâmica na vida, pensamento, arte e
história da comunidade. Existem também os domas,
tidos como uma classe superior de griôs.
• Griôs fazem parte das
sociedades em vários
países da África
Ocidental até os
nossos dias, incluindo
Mali, Gâmbia, Guiné, e
Senegal, e estão
presentes entre os
mandês ou mandingas,
fulas, hauçás, songais,
tuculores, uolofes,
sererês, mossis,
dagombas, árabes da
Mauritânia e muitos
outros pequenos
grupos.
Uma griote em ação. O griô pode
saber de cor séculos e séculos de
história. Sua função é contar e
recontar a história de seu povo e
tem permissão para embelezá-la.
• A partir do século IX, começaram a se formar as
primeiras cidades da civilização iorubá, na região da
atual Nigéria.
• As cidades-estados tinham a mesma cultura (língua,
religião etc.) e, nesta primeira fase, a cidade iorubá
mais importante era Ifé, considerada sagrada, por ser
o berço dos iorubás, segundo a crença local. Ifé foi um
grande centro artesanal e artístico, e era governada
por um rei sacerdote que tinha o título de Oni
(dono/dona/senhor/senhora), enquanto nas outras
cidades os governantes recebiam o título de Obá.
• Outra cidade importante foi Oyo, um centro militar que
terminou por dar nome ao império iorubá unificado.
Grupo Cultural Infantil Iorubá da Fasta International School (2008).
Há cerca de 35 milhões de iorubá na África, representando 15.5% da
população da Nigéria.
• Mesmo com a chegada do Cristianismo e do Islamismo
terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo se
manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo
os orixás os seus deuses.
• A crença nos orixás era exclusivamente iorubá. Mas como
muitos iorubás (chamados de nagôs ou anagôs pelos
portugueses) foram escravizados e trazidos para a
América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo
imposto por portugueses e espanhóis, criando vários
sincretismos religiosos que fazem parte da cultura
americana, como, por exemplo, o Candomblé e a
Umbanda, no Brasil, e o Vodu no Haiti (apesar de o Vodu
também receber influências de outras culturas africanas).
A partir do século XV, as
cidades iorubás
iniciaram seu processo
de com Oyo assumindo a
proeminência entre elas
e sendo chamada de
“império”.
O Império de Oyo
permaneceu
independente até o
século XIX.
Mapa com as principais
cidades-estados Iorubás
durante a Idade Média.
• Oyo tornou-se o armazém no sul do comércio
Transsaariano. As trocas eram feitas em sal, couro,
cavalos, nozes de cola, marfim, tecido e escravos. Os
iorubás da região metropolitana de Oyo também eram
altamente qualificados na fabricação de artesanato e
no trabalho com ferro.
• Além dos impostos sobre os produtos comerciais que
entravam e saíam do império, Oyo também enriquecia
com os impostos cobrados sobre as rotas comerciais
terrestres e fluviais, fazendo com que o fluxo de
grandes riquezas para o império ioruba fosse
constante.
Além de contar com
uma muito bem
treinada infantaria e
cavalaria, o Império de
Oyo tornou-se a partir
do século XIV um
grande centro
econômico, tendo seu
auge nos séculos XVII-
XVIII, quando
incorporou além das
terras dos iorubas, o
reino do Daomé Extensão máxima do
Império Oyo.
• Mesmo com a chegada do Cristianismo e do Islamismo
terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo se
manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo
os orixás os seus deuses.
• A crença nos orixás era exclusivamente iorubá. Mas como
muitos iorubás (chamados de nagôs ou anagôs pelos
portugueses) foram escravizados e trazidos para a
América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo
imposto por portugueses e espanhóis, criando vários
sincretismos religiosos que fazem parte da cultura
americana, como, por exemplo, o Candomblé e a
Umbanda, no Brasil, e o Vodu no Haiti (apesar de o Vodu
também receber influências de outras culturas africanas).
• A diáspora africana é o nome
dado a um fenômeno
caracterizado pela imigração
forçada de africanos, durante o
tráfico transatlântico entre os
séculos XVI-XIX.
• Estima-se que aproximadamente
11 milhões de africanos foram
transportados para as Américas,
dos quais, em torno de 5 milhões
tiveram como destino o Brasil.
• Dentro desta diáspora há a dos
Iorubás, enviados principalmente
para o Brasil e para Cuba.
Vermelho-britânico América do
Norte, laranja-espanhol, azul-
britânico Caribe, rosa-dinamarquês
Caribe, verde-francês Caribe,
amarelo-holandês Caribe, lilás-luso-
brasileiro.
• Nos documentos que datam de 1816 a
1850, os iorubás constituíam 69,1%
de todos os escravos cujas origens
étnicas eram conhecidas,
constituindo 82,3% de todos os
escravos do golfo de Benin. A
proporção de escravos de Angola-
Congo caiu drasticamente para
apenas 14,7%. E
• ntre 1831 e 1852, a população livre e
escrava de origem africana de
Salvador, Bahia, superou a dos livres
nascidos no Brasil. Enquanto isso,
entre 1808 e 1842, uma média de
31,3% dos libertos africanos eram
nagos (iorubás). Entre 1851 e 1884, o
número subiu para impressionantes
73,9%.
Caravana de escravos no
país ioruba no país ioruba.
Memoriais de Anna
Hinderer (1877)
• Era também chamado de Reino de Edo, nome de sua
capital, e Império de Benin. Foi fundado no séc. XII e
persistiu até ser conquistado pelos britânicos em 1897.
Dos primórdios da história do Reino de Benin não temos
fontes escritas, mas a tradição e na arqueologia.
• Segundo um conto tradicional, os povos originais e
fundadores do Império de Benim, os edos (binis), foram
inicialmente governados pelos Ogisos (Reis do Céu). A
cidade de Ubini (mais tarde chamada Cidade do Benim)
foi fundada em 1180.
• Os obás (reis/soberanos) eram considerados divinos e
com poderes mágicos, raramente saíam de seu palácio
e chegou a ser crime falar que eles dormiam ou se
alimentavam.
• Ao lado, Máscara de marfim
ornamentada da Rainha Idia (Iobá
ne Esigie, que significa: Rainha-
mãe do obá Esigie), corte do
Império do Benim, século XVI
• Depois que o filho se tornava rei,
sua mãe recebia o título de Iobá e
era transferida para um palácio
nos arredores da capital, em um
lugar chamado Uselu. A rainha-mãe
tinha muito poder; no entanto,
nunca mais teria permissão para
encontrar seu filho novamente. Já
o obá, levava uma imagem da mãe
junto consigo para afastar os maus
espíritos.
• No século XV, Ewuare, obá (rei) do Benin, promoveu
reformas que possibilitaram um grande desenvolvimento
econômico. Nesta época iniciaram os primeiros contatos
com os ibéricos e holandeses.
• O português João Afonso Aveiro visitou Benin em 1486 e
regressou a Portugal acompanhado de um representante
do obá de Benin. Esse representante, notavelmente culto,
foi um dos promotores da articulação econômica, que se
tornou intensa nos séculos seguintes, entre o reino de
Benin e a monarquia portuguesa. Os principais produtos
comercializados por Benin eram pimenta, marfim, tecidos,
peças artísticas feitas em bronze e cobre e,
principalmente, escravos.
• Por mais de 200 anos, mercadores do Benin
capturaram e venderam escravos a mercadores
portugueses, franceses e britânicos.
• Os escravos eram geralmente homens, mulheres e
crianças de tribos rivais, importados de outras regiões
da África, sobretudo do Norte, que era controlado por
muçulmanos, para revendê-los aos europeus.
• Desse modo, o tráfico negreiro foi uma das atividades
mais lucrativas para Benin. A estrutura desse reino só
foi desmontada definitivamente no século XIX, quando
o processo neocolonialista europeu e a Partilha da
África tiveram início.
As Dora Milaje, guerreiras do filme Pantera Negra, foram inspiradas
nas “amazonas do Daomé”, reino que ficava no território do atual
Benin entre 1600 e 1894, quando foi conquistado pelos franceses.
Elas compunham 1/3 do exército do Daomé.
• Era um reino localizado na África Centro-Ocidental
abrangendo parte dos territórios de Angola, da
República Democrática do Congo, da República do
Congo e do Gabão.
• O reino consistia em várias províncias centrais
governadas pelo Manikongo, a versão portuguesa do
título do Kongo Mwene Kongo, que significa "senhor
ou governante do reino do Congo", mas sua esfera de
influência se estendia aos reinos vizinhos, Ngoyo,
Kakongo, Loango, Ndongo e Matamba, os dois últimos
localizados no que hoje é Angola.
• De 1390 a 1857 foi um estado independente. De 1857 a
1914 tornou-se estado vassalo de Portugal.
• A população do Reino do Congo
era formada principalmente
pelos bankogo, da etnia banto,
durante muito tempo, a maioria
dos escravizados no Brasil
eram desta etnia.
• Na época do primeiro contato
registrado com os europeus, o
Reino do Kongo era um estado
altamente desenvolvido no
centro de uma extensa rede
comercial.
• Além dos recursos naturais e do
marfim, o país fabricava e
comercializava artigos de cobre
e ferro, tecido de ráfia e
cerâmica.
• Havia grandes disputas pelo trono do Reino do Congo
e o apoio dos portugueses passou a ser importante
para aquele que desejava se garantir no poder. Esse
apoio tinha um preço: escravos.
• Já no início do século XVI, o Congo tornou-se uma
importante fonte de escravos para Tráfico Atlântico. A
escravidão já existia no Congo muito antes da
chegada dos europeus. Os relatos dos portugueses
mostram a compra e venda de escravos dentro do país
e que escravos de guerra foram dados e vendidos a
mercadores portugueses. É provável que a maioria dos
escravos exportados para os portugueses fossem
prisioneiros de campanhas de expansão do Congo.
• O Conselho do rei era chamado de ne mbanda-
mbanda, traduzido como “o topo do topo”. Dele
participavam funcionários do rei, os chamados
eleitores (*que ajudavam na escolha do rei*) e as
matronas.
• As matronas eram quatro mulheres com grande
influência no conselho. Eram liderados pela Mwene
Nzimba Mpungu, uma rainha-mãe, geralmente uma tia
paterna do rei. A segunda mulher mais poderosa era a
Mwene Mbanda, a grande esposa do rei, sempre
escolhida no clã Nsaku Lau Kanda. Os outros dois
cargos eram dados às próximas mulheres mais
importantes no reino, como as rainhas viúvas.
• Entre os povos banto, maioria do povo
do Congo, a sucessão era,
principalmente, matrilinear. Por isso,
várias mulheres tiveram importância no
governo e na guerra nos estados
vassalos do reino do Congo.
• Um exemplo é o de Nzinga Mbande do
reino de Ndongo e Matamba. Treinada
como guerreira pelo pai, falava vários
idiomas e foi enviada como diplomata
pelo irmão para negociar com os
portugueses, quando fingiu ser
convertida, por isso ser chamada de
Ana de Sousa. Após a morte do irmão,
da qual era suspeita, assumiu o trono e
se opôs, inclusive nos campos de
batalha, aos portugueses, aliou-se aos
holandeses, garantindo-se no trono até
uma idade muito avançada.
Nzinga Mbande (c. 1582-
1663), rainha guerreira de
Matamba (Angola).
• Assim que laços diplomáticos foram estabelecidos
entre Portugal e o Congo, deu-se início a um trânsito
atlântico não só comercial, mas cultural e político,
com membros da nobreza congolesa se deslocando
para Portugal com fins políticos e educacionais.
Comitivas lusas desembarcavam no Congo com o
intuito de aprofundar os laços entre os dois reinos,
pois, pelo menos em teoria, havia o reconhecimento
mútuo de autoridades reais.
• Com o prolongar dos contatos comerciais e políticos,
emerge assim no Congo um grupo de afro-europeus
com interesses próprios, em detrimento dos estados
luso e congolês.
• Os afro-europeus eram peça chave nas relações
comerciais na zona atlântica, pois este grupo era em
boa parte responsável pela busca de cativos nas
feiras do interior africano. Junto dos nativos que
buscavam cativos (pumbeiros), os afro-europeus
dominavam a circulação de cativos dentro do Congo,
enquanto Portugal detinha um monopólio do tráfico no
Atlântico no século XVI
• Além do comércio de cativos, a conversão do reino do
Congo ao catolicismo foi uma profunda marca
histórica, sendo algo raro para a época.
Principais
rotas do
tráfico de
escravizados
da África
para a
América e da
África para o
Mundo
Islâmico.
• A igreja católica portuguesa instalada no Congo logo
adquiriria características locais e se tornaria em uma
religião eclética e a serviço do estado congolês e do
Mani, além da introdução de culturais agrícolas como
o milho e a mandioca, que em pouco tempo se
tornaram alimentos básicos no Congo.
• Tão importante tornou-se o Congo, e mais
especificamente a região que hoje é Angola, para o
tráfico de escravos que quando os holandeses
ocuparam a região, em 1641, foi do Brasil que partiu a
esquadra portuguesa que retomou Angola em 1648.
• O termo Guiné surge nos primeiros textos das navegações
portuguesas na África Atlântica. Há quem defenda que a
palavra vem do berbere aguinaoui, de cor negra, ou negro.
No Brasil, os escravizados negros eram chamados de
“negros da Guiné” em oposição aos nativos, os “negros da
terra”.
• Para os portugueses a Guiné era a vasta região que se
estendia do Cabo Bojador até o Congo, referia-se à terra
dos negros, em oposição ao Saara, ocupado pelos mouros,
os árabes.
• Existem, atualmente, três países chamados Guiné na
África: Guiné-Bissau (ex-colônia portuguesa), Guiné
Equatorial (ex-colônia espanhola) e Guiné (ex-colônia
francesa).

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CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO (XIV-XVII): ÁFRICA ATLÂNTICA

  • 2. • Durante o Medievo (séc. V- XV) houve vários reinos e impérios na África Cada um com sua dinâmica interna própria e se relacionando com seus vizinhos e com forças vindas de fora do continente africano, como os árabes-muçulmanos e os cristãos bizantinos e os ocidentais. • A partir do século XV, a África Subsaariana se tornou peça fundamental no comércio ultramarino europeu.
  • 3. • Na região entre os rios Senegal e Níger, os soninqueses (um ramo do povo mandinga) fundaram pequenas cidades, que desde o século IV foram se unificando, provavelmente para resistir aos povos nômades do Norte. A partir do século VIII, a região já era conhecida como Império de Gana. • Os soninqueses chamavam sua região de Wagadu, mas os berberes (muçulmanos), que chegaram ali no século VIII, se referiam a ela como Ghana, pois era esse o título do rei da região (ghana: "rei guerreiro").
  • 4. • Por muito tempo, o deserto do Saara dificultou o acesso dos povos do norte da África ao interior do continente. Enquanto o norte da África estava inserido no comércio do Mediterrâneo desde a Antiguidade (fenícios, gregos, cartagineses, egípcios, romanos, árabes etc.), o reino de Gana teve um desenvolvimento isolado. • Somente quando os árabes conquistaram o Magreb e introduziram o camelo como animal de transporte foi possível a viagens mais rápidas através do deserto. A partir de então, os reinos ao sul do Saara passaram a fazer parte do comércio internacional do Mediterrâneo.
  • 5. Torre velha da cidade de Ouadane ou Wādān (árabe), que data da época do Império de Gana.
  • 6. • Gana já era um reino rico antes da chegada dos comerciantes do norte, e são os documentos deixados por esses mercadores muçulmanos que nos informam sobre este estado, também chamado de Terra do Ouro. • Sua capital Kumbi-Saleh, que no seu auge tinha aproximadamente 20 mil habitantes, ficava perto das minas de ouro e das rotas de comércio. Dessa cidade, o rei e seus nobres controlavam povos vizinhos, obrigando-os a pagar impostos em troca de proteção. Gana controlava o comércio tanto das mercadorias que eram trazidas do norte (como sal e tecidos), quanto das que saíam do interior da África (como ouro e escravos).
  • 7. Rotas comerciais do Saara Ocidental entre 1000-1500. As minas de ouro estão indicados por um sombreado marrom claro.
  • 8. • Entre os séculos IX e X, Gana viveu seu apogeu, sendo um dos mais ricos reinos do mundo, segundo Ibn Haukal, viajante árabe da época. • O Islã avançava dentro do continente africano e o Império de Gana, que recusava a conversão, foi perdendo força, até que em 1076 os almorávidas (dinastia berbere) conquistaram e saquearam a capital, Kumbi-Saleh, transformando Gana em um reino tributário. • O império enfraquecido começou a ser atacado por povos vizinhos, um deles, os sossos, passaram a controlar várias regiões do antigo império.
  • 9. • O Mali era, a princípio, uma região do Império de Gana habitada pelos mandingas. Era composto por 12 reinos menores ligados entre si, e tinha como capital Kangaba. • Com o enfraquecimento do Império de Gana, e depois das guerras com os sossos (século XII), Mali conseguiu sua independência e adotou o islamismo. • Em 1235, os mandingas de Mali tinham conquistado todo o território do antigo Império de Gana, sob a liderança de Maghan Sundiata, que recebeu o título de Mansa, que na língua mandinga significa "imperador".
  • 10. Mapa dos três grandes impérios que se sucederam entre os século VIII e XVI (Gana, Mali e Songai) e algumas das fronteiras dos estados africanos atuais.
  • 11. • Os mandingas chamavam seu império de Manden Kurufa (terra dos mandinga); o nome Mali era usado por seus vizinhos, os fulas, para se referir ao grande império. • Diferentemente do Império de Gana, que cobrava tributos de povos dominados e buscava controlar o comércio regional, o Império de Mali tinha um governo centralizado, estabelecendo fronteiras bem definidas e formulando leis por meio de uma assembleia chamada Gbara, com representantes dos diversos povos do império. • Segundo os viajantes islâmicos, as leis eram rígidas e aplicadas de forma exemplar.
  • 12. • O Império de Mali se tornou herdeiro do Império de Gana, controlando as rotas de comércio da região. O ouro extraído por Mali sustentava grande parte do comércio no Mediterrâneo. Entre 1324 e 1325, o imperador Mussa, em peregrinação a Meca, parou para uma visita ao Cairo e teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor desse metal se desvalorizou por mais de 10 anos. • Sob o reinado de Mussa, Timbuktu (ou Tombuctu) se tornou uma das mais ricas e importantes cidades da região, sendo grande centro comercial e cultural. Sua universidade era um dos maiores centros de cultura muçulmana da época, e produziu várias traduções de textos gregos que ainda circulavam nos séculos XIV e XV.
  • 13. A grandiosidade de Timbuktu atravessou os tempos e, no século 19, exploradores europeus se embrenharam pelos caminhos africanos, seguindo o rio Níger, em busca da lendária cidade. A arquitetura de Timbuktu foi uma das referências visuais usadas na composição da cidade de Wakanda, no filme Pantera Negra.
  • 14. • O sucesso do Império de Mali pode ser atribuído a alguns fatores, a conversão ao Islã garantiu a unidade político-religiosa e as relações com o mundo islâmico como um todo, o controle das rotas de comércio e a imensa riqueza do território que foi explorada com o intuito de fortalecer o Estado. • O Império de Mali entrou em decadência no final do século XIV, em função das disputas políticas internas e das incursões dos tuaregues (povo berbere), sendo conquistado, no século XV, pelos songais, que criaram um império cm seu nome. Foi nesse mesmo século que os portugueses, em pleno processo de expansão marítima, conheceram o já decadente Império do Mali.
  • 15. O Império Songhai foi o último dos três grandes impérios da África Ocidental. Em seu auge, Timbuktu tinha 80 mil habitantes, dentes os quais cerca de 20 mil eram estudantes e professores de todas as partes do mundo islâmico. Fundado em 1464, o Império Songhai chegou ao fim em 1591 após quase uma década de ataques do Sultão do Marrocos. Suas cidades principais: Gao, Timbuktu e Djenné. O songhai sobreviveram com o pequeno Reino Dendi, que foi conquistado pelos franceses em 1901.
  • 16. • Griô, ou griote na forma feminina, é o indivíduo que na África Ocidental tem por vocação preservar e transmitir as histórias, conhecimentos, canções e mitos do seu povo. Existem griôs músicos e griôs contadores de histórias. Ensinam a arte, o conhecimento de plantas, tradições, histórias e aconselhavam membros das famílias reais. • Muitos são intelectuais instruídos no Alcorão por influência islâmica, o que explica por que a maior parte da epopeia africana origina em países com forte presença islâmica na vida, pensamento, arte e história da comunidade. Existem também os domas, tidos como uma classe superior de griôs.
  • 17. • Griôs fazem parte das sociedades em vários países da África Ocidental até os nossos dias, incluindo Mali, Gâmbia, Guiné, e Senegal, e estão presentes entre os mandês ou mandingas, fulas, hauçás, songais, tuculores, uolofes, sererês, mossis, dagombas, árabes da Mauritânia e muitos outros pequenos grupos. Uma griote em ação. O griô pode saber de cor séculos e séculos de história. Sua função é contar e recontar a história de seu povo e tem permissão para embelezá-la.
  • 18. • A partir do século IX, começaram a se formar as primeiras cidades da civilização iorubá, na região da atual Nigéria. • As cidades-estados tinham a mesma cultura (língua, religião etc.) e, nesta primeira fase, a cidade iorubá mais importante era Ifé, considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença local. Ifé foi um grande centro artesanal e artístico, e era governada por um rei sacerdote que tinha o título de Oni (dono/dona/senhor/senhora), enquanto nas outras cidades os governantes recebiam o título de Obá. • Outra cidade importante foi Oyo, um centro militar que terminou por dar nome ao império iorubá unificado.
  • 19. Grupo Cultural Infantil Iorubá da Fasta International School (2008). Há cerca de 35 milhões de iorubá na África, representando 15.5% da população da Nigéria.
  • 20. • Mesmo com a chegada do Cristianismo e do Islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás os seus deuses. • A crença nos orixás era exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás (chamados de nagôs ou anagôs pelos portugueses) foram escravizados e trazidos para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem parte da cultura americana, como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no Brasil, e o Vodu no Haiti (apesar de o Vodu também receber influências de outras culturas africanas).
  • 21. A partir do século XV, as cidades iorubás iniciaram seu processo de com Oyo assumindo a proeminência entre elas e sendo chamada de “império”. O Império de Oyo permaneceu independente até o século XIX. Mapa com as principais cidades-estados Iorubás durante a Idade Média.
  • 22. • Oyo tornou-se o armazém no sul do comércio Transsaariano. As trocas eram feitas em sal, couro, cavalos, nozes de cola, marfim, tecido e escravos. Os iorubás da região metropolitana de Oyo também eram altamente qualificados na fabricação de artesanato e no trabalho com ferro. • Além dos impostos sobre os produtos comerciais que entravam e saíam do império, Oyo também enriquecia com os impostos cobrados sobre as rotas comerciais terrestres e fluviais, fazendo com que o fluxo de grandes riquezas para o império ioruba fosse constante.
  • 23. Além de contar com uma muito bem treinada infantaria e cavalaria, o Império de Oyo tornou-se a partir do século XIV um grande centro econômico, tendo seu auge nos séculos XVII- XVIII, quando incorporou além das terras dos iorubas, o reino do Daomé Extensão máxima do Império Oyo.
  • 24. • Mesmo com a chegada do Cristianismo e do Islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás os seus deuses. • A crença nos orixás era exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás (chamados de nagôs ou anagôs pelos portugueses) foram escravizados e trazidos para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem parte da cultura americana, como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no Brasil, e o Vodu no Haiti (apesar de o Vodu também receber influências de outras culturas africanas).
  • 25. • A diáspora africana é o nome dado a um fenômeno caracterizado pela imigração forçada de africanos, durante o tráfico transatlântico entre os séculos XVI-XIX. • Estima-se que aproximadamente 11 milhões de africanos foram transportados para as Américas, dos quais, em torno de 5 milhões tiveram como destino o Brasil. • Dentro desta diáspora há a dos Iorubás, enviados principalmente para o Brasil e para Cuba. Vermelho-britânico América do Norte, laranja-espanhol, azul- britânico Caribe, rosa-dinamarquês Caribe, verde-francês Caribe, amarelo-holandês Caribe, lilás-luso- brasileiro.
  • 26. • Nos documentos que datam de 1816 a 1850, os iorubás constituíam 69,1% de todos os escravos cujas origens étnicas eram conhecidas, constituindo 82,3% de todos os escravos do golfo de Benin. A proporção de escravos de Angola- Congo caiu drasticamente para apenas 14,7%. E • ntre 1831 e 1852, a população livre e escrava de origem africana de Salvador, Bahia, superou a dos livres nascidos no Brasil. Enquanto isso, entre 1808 e 1842, uma média de 31,3% dos libertos africanos eram nagos (iorubás). Entre 1851 e 1884, o número subiu para impressionantes 73,9%. Caravana de escravos no país ioruba no país ioruba. Memoriais de Anna Hinderer (1877)
  • 27. • Era também chamado de Reino de Edo, nome de sua capital, e Império de Benin. Foi fundado no séc. XII e persistiu até ser conquistado pelos britânicos em 1897. Dos primórdios da história do Reino de Benin não temos fontes escritas, mas a tradição e na arqueologia. • Segundo um conto tradicional, os povos originais e fundadores do Império de Benim, os edos (binis), foram inicialmente governados pelos Ogisos (Reis do Céu). A cidade de Ubini (mais tarde chamada Cidade do Benim) foi fundada em 1180. • Os obás (reis/soberanos) eram considerados divinos e com poderes mágicos, raramente saíam de seu palácio e chegou a ser crime falar que eles dormiam ou se alimentavam.
  • 28. • Ao lado, Máscara de marfim ornamentada da Rainha Idia (Iobá ne Esigie, que significa: Rainha- mãe do obá Esigie), corte do Império do Benim, século XVI • Depois que o filho se tornava rei, sua mãe recebia o título de Iobá e era transferida para um palácio nos arredores da capital, em um lugar chamado Uselu. A rainha-mãe tinha muito poder; no entanto, nunca mais teria permissão para encontrar seu filho novamente. Já o obá, levava uma imagem da mãe junto consigo para afastar os maus espíritos.
  • 29. • No século XV, Ewuare, obá (rei) do Benin, promoveu reformas que possibilitaram um grande desenvolvimento econômico. Nesta época iniciaram os primeiros contatos com os ibéricos e holandeses. • O português João Afonso Aveiro visitou Benin em 1486 e regressou a Portugal acompanhado de um representante do obá de Benin. Esse representante, notavelmente culto, foi um dos promotores da articulação econômica, que se tornou intensa nos séculos seguintes, entre o reino de Benin e a monarquia portuguesa. Os principais produtos comercializados por Benin eram pimenta, marfim, tecidos, peças artísticas feitas em bronze e cobre e, principalmente, escravos.
  • 30. • Por mais de 200 anos, mercadores do Benin capturaram e venderam escravos a mercadores portugueses, franceses e britânicos. • Os escravos eram geralmente homens, mulheres e crianças de tribos rivais, importados de outras regiões da África, sobretudo do Norte, que era controlado por muçulmanos, para revendê-los aos europeus. • Desse modo, o tráfico negreiro foi uma das atividades mais lucrativas para Benin. A estrutura desse reino só foi desmontada definitivamente no século XIX, quando o processo neocolonialista europeu e a Partilha da África tiveram início.
  • 31. As Dora Milaje, guerreiras do filme Pantera Negra, foram inspiradas nas “amazonas do Daomé”, reino que ficava no território do atual Benin entre 1600 e 1894, quando foi conquistado pelos franceses. Elas compunham 1/3 do exército do Daomé.
  • 32. • Era um reino localizado na África Centro-Ocidental abrangendo parte dos territórios de Angola, da República Democrática do Congo, da República do Congo e do Gabão. • O reino consistia em várias províncias centrais governadas pelo Manikongo, a versão portuguesa do título do Kongo Mwene Kongo, que significa "senhor ou governante do reino do Congo", mas sua esfera de influência se estendia aos reinos vizinhos, Ngoyo, Kakongo, Loango, Ndongo e Matamba, os dois últimos localizados no que hoje é Angola. • De 1390 a 1857 foi um estado independente. De 1857 a 1914 tornou-se estado vassalo de Portugal.
  • 33. • A população do Reino do Congo era formada principalmente pelos bankogo, da etnia banto, durante muito tempo, a maioria dos escravizados no Brasil eram desta etnia. • Na época do primeiro contato registrado com os europeus, o Reino do Kongo era um estado altamente desenvolvido no centro de uma extensa rede comercial. • Além dos recursos naturais e do marfim, o país fabricava e comercializava artigos de cobre e ferro, tecido de ráfia e cerâmica.
  • 34. • Havia grandes disputas pelo trono do Reino do Congo e o apoio dos portugueses passou a ser importante para aquele que desejava se garantir no poder. Esse apoio tinha um preço: escravos. • Já no início do século XVI, o Congo tornou-se uma importante fonte de escravos para Tráfico Atlântico. A escravidão já existia no Congo muito antes da chegada dos europeus. Os relatos dos portugueses mostram a compra e venda de escravos dentro do país e que escravos de guerra foram dados e vendidos a mercadores portugueses. É provável que a maioria dos escravos exportados para os portugueses fossem prisioneiros de campanhas de expansão do Congo.
  • 35. • O Conselho do rei era chamado de ne mbanda- mbanda, traduzido como “o topo do topo”. Dele participavam funcionários do rei, os chamados eleitores (*que ajudavam na escolha do rei*) e as matronas. • As matronas eram quatro mulheres com grande influência no conselho. Eram liderados pela Mwene Nzimba Mpungu, uma rainha-mãe, geralmente uma tia paterna do rei. A segunda mulher mais poderosa era a Mwene Mbanda, a grande esposa do rei, sempre escolhida no clã Nsaku Lau Kanda. Os outros dois cargos eram dados às próximas mulheres mais importantes no reino, como as rainhas viúvas.
  • 36. • Entre os povos banto, maioria do povo do Congo, a sucessão era, principalmente, matrilinear. Por isso, várias mulheres tiveram importância no governo e na guerra nos estados vassalos do reino do Congo. • Um exemplo é o de Nzinga Mbande do reino de Ndongo e Matamba. Treinada como guerreira pelo pai, falava vários idiomas e foi enviada como diplomata pelo irmão para negociar com os portugueses, quando fingiu ser convertida, por isso ser chamada de Ana de Sousa. Após a morte do irmão, da qual era suspeita, assumiu o trono e se opôs, inclusive nos campos de batalha, aos portugueses, aliou-se aos holandeses, garantindo-se no trono até uma idade muito avançada. Nzinga Mbande (c. 1582- 1663), rainha guerreira de Matamba (Angola).
  • 37. • Assim que laços diplomáticos foram estabelecidos entre Portugal e o Congo, deu-se início a um trânsito atlântico não só comercial, mas cultural e político, com membros da nobreza congolesa se deslocando para Portugal com fins políticos e educacionais. Comitivas lusas desembarcavam no Congo com o intuito de aprofundar os laços entre os dois reinos, pois, pelo menos em teoria, havia o reconhecimento mútuo de autoridades reais. • Com o prolongar dos contatos comerciais e políticos, emerge assim no Congo um grupo de afro-europeus com interesses próprios, em detrimento dos estados luso e congolês.
  • 38. • Os afro-europeus eram peça chave nas relações comerciais na zona atlântica, pois este grupo era em boa parte responsável pela busca de cativos nas feiras do interior africano. Junto dos nativos que buscavam cativos (pumbeiros), os afro-europeus dominavam a circulação de cativos dentro do Congo, enquanto Portugal detinha um monopólio do tráfico no Atlântico no século XVI • Além do comércio de cativos, a conversão do reino do Congo ao catolicismo foi uma profunda marca histórica, sendo algo raro para a época.
  • 39. Principais rotas do tráfico de escravizados da África para a América e da África para o Mundo Islâmico.
  • 40. • A igreja católica portuguesa instalada no Congo logo adquiriria características locais e se tornaria em uma religião eclética e a serviço do estado congolês e do Mani, além da introdução de culturais agrícolas como o milho e a mandioca, que em pouco tempo se tornaram alimentos básicos no Congo. • Tão importante tornou-se o Congo, e mais especificamente a região que hoje é Angola, para o tráfico de escravos que quando os holandeses ocuparam a região, em 1641, foi do Brasil que partiu a esquadra portuguesa que retomou Angola em 1648.
  • 41. • O termo Guiné surge nos primeiros textos das navegações portuguesas na África Atlântica. Há quem defenda que a palavra vem do berbere aguinaoui, de cor negra, ou negro. No Brasil, os escravizados negros eram chamados de “negros da Guiné” em oposição aos nativos, os “negros da terra”. • Para os portugueses a Guiné era a vasta região que se estendia do Cabo Bojador até o Congo, referia-se à terra dos negros, em oposição ao Saara, ocupado pelos mouros, os árabes. • Existem, atualmente, três países chamados Guiné na África: Guiné-Bissau (ex-colônia portuguesa), Guiné Equatorial (ex-colônia espanhola) e Guiné (ex-colônia francesa).