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ENTRE NEGOCIAÇÕES,
REITERAÇÕES E
TRANSGRESSÕES: DISCUTINDO
GÊNERO E SEXUALIDADE NOS
SHOUJO MANGÁ
O QUE É SHOUJO MANGÁ?
• No Japão, há quadrinhos para todos os públicos e shoujo
(menina/virgem/moça) é a demografia voltada prioritariamente para as
meninas e cujas autoras são principalmente mulheres.
• As primeiras revistas shoujo começaram a ser publicadas antes da 2ª
Guerra Mundial e podem ser percebidas dentro das inúmeras
publicações para o público feminino que traziam ilustrações, contos,
cartas das leitoras e artigos de cunho pedagógico.
• Estas revistas surgiram durante a Era Meiji (1868-1912) com o intuito de
criar a “boa esposa, mãe sábia” que era o modelo de femininidade
defendido pelo regime que seriam moldadas a partir do dispositivo
amoroso (Navarro-Swain) para servir aos homens e, neste caso,
também, à pátria.
O QUE É SHOUJO MANGÁ?
• Até a década de 1950, os mangás shoujo tendiam a ser episódicos e
coube à Osamu Tezuka trazer para o shoujo mangá a ideia de
serialização longa com a Princesa e o Cavaleiro.
• Mesmo publicando mangás, as revistas shoujo tinham cerca de 30% de
quadrinhos, somente a partir dos anos 1960, as antologias passaram a
abrigar principalmente mangá.
• Também nos anos 1960, com a demanda de artistas aumentando, as
mulheres começaram a representar uma parte significativa dos mangá-
kas de shoujo, até se tornarem hegemônicas nos anos 1970. Os
editores, no entanto, continuaram sendo homens e elas recebiam
menos.
SHOUJO SEKAI (1906-1931) E EDIÇÕES DA REVISTA
MARGARET DE 1965 E 2019.
GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ
• Dentro dos Estudos Feministas e de Gênero, trabalhamos com quatro
conceitos:
• Sexo → dimensão corpérea dos seres humanos, suas características
anatômicas e biológicas.
• Gênero → papéis construídos no social e que variam no tempo, no
espaço e, também, se relacionam com classe social e questões raciais.
• Sexualidade → como o indivíduo exercita o seu desejo.
• Identidade de Gênero → a experiência subjetiva de uma pessoa a
respeito de si mesma e das suas relações com o feminino e o masculino
em uma dada sociedade.
GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ
• Questões de gênero e discussões sobre a sexualidade estão presentes
desde os primórdios do shoujo mangá.
• Se pegarmos A Princesa e o Cavaleiro como ponto de partida, temos uma
protagonista que nasce com dois corações e é menino e menina ao mesmo
tempo. Safiri, a primeira garota-príncipe, quer/precisa romper com as
perspectivas de gênero a respeito das mulheres, porém, quando se trata de
sexualidade, impera a heteronormatividade.
• Ainda assim o romance não era livre, e isso aparece em uma entrevista de
Hideko Mizuno, uma das primeiras mulheres mangá-kas de destaque, que
relembra que as expressões de afeto tendiam a ser controladas e censuradas
pelos editores, porque o amor romântico também era transgressor.
RIBON NO KISHI (A PRINCESA E O CAVALEIRO) FOI
PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NA SHOJO CLUB (1953-56) E
REPUBLICADO REMODELADO NAKAYOSHI (1963-66).
GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ
• Os mangás estão dentro daquilo que Douglas Kellner chama de cultura
da mídia, são produzidos em massa dentro de gêneros e seguindo
normas, fórmulas e códigos convencionais, sem, contudo, estarem
desconectados da interação com uma série de questões de ordem
cultural, política, social e econômica.
• No final dos anos 1960 e nos anos 1970, uma geração de mulheres
mangá-kas adentrou ao mercado de quadrinhos, ocupando os espaços
que os homens não estavam conseguindo suprir, ou porque eles
mesmos preferiam produzir para o público masculino (shounen/seinen).
Elas trouxeram novas demandas e perspectivas para a demografia.
GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ
• Foi na década de 1970 que, sem perder de vista as normas de um produto de
massa e que era uma tecnologia de gênero, para usar o conceito de Teresa
de Lauretis, que o shoujo mangá pode ampliar suas temáticas e discutir de
forma mais ampla os papéis de gênero e a sexualidade.
• É preciso pontuar que, até o início dos anos 1980, as meninas começavam a
ler shoujo e continuavam lendo as mesmas revistas até a idade adulta.
Jennifer Prough destaca a criação de uma comunidade de leitoras e o
sentimento de intimidade com as autoras da revista. Fora isso, não havia
uma diferenciação clara entre antologias infanto-juvenis e adultas, nem
mesmo os limites temáticos dessas revistas estavam ainda muito bem
estabalecidos. Obras que, hoje, poderiam ser vistas como adultas poderiam
dividir as páginas com material inegavelmente infantil.
.
MACHIKO SATONAKA, QUE ESTREOU EM 1966, AOS 16 ANOS, REPRESENTA O
PONTO DE PARTIDA PARA UMA NOVA GERAÇÃO DE MULHERES MANGÁ-KAS
QUE DOMINOU O SHOUJO.
GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ
• Neste sentido, autoras como Riyoko Ikeda, Hagio Moto, Takemiya Keiko,
Ryoko Yamagishi e outras que fizeram parte do chamado Grupo do Ano
24 (Nijuuyo nen Gumi) trouxeram para o shoujo discussões que
entrecruzavam papéis de gênero e sexualidade, além de dialogarem com
as ansiedades das mulheres de sua época.
• Normalmente, os mangás que transgrediam as normas não se passavam
no Japão, mas em uma Europa idealizada. Rosa de Versalhes, Oniisama
e... Thomas no Shinzou, Kaze to Ki no Uta, Shiroi Heya no Futari são
exemplos desse material que rompeu, ou tensionou normas em relação às
representações de gênero e a heteronormatividade. Mas a tragédia
sempre estava à espreita dos transgessores.
.
ROSA DE VERSALHES (1972-73/MARGARET) DE RIYOKO IKEDA, PRIMEIRO
MANGÁ HISTÓRICO PARA MENINAS, MAS QUE EXTRAPOLOU O SEU PÚBLICO E
SE TORNOU UM ÍCONE CULTURAL.
FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA
• Foi durante os anos 1970, que as autoras puderam retratar dentro das
suas obras outras formas de amor que fugiam das convenções sociais e
do que estava consagrado dentro do shoujo mangá.
• Os casamentos arranjados ainda eram muito comuns no país, então, até o
amor heteronormativo que rompia com as expectativas familiares, de
classe social, ou étnico-raciais, poderia ser visto como um problema.
• Da mesma forma, as autoras criaram histórias pungentes sobre
relacionamentos entre meninos (shounen-ai), enquanto nas feiras de
doujinshi (fanzines), fora do olhar duro dos editores que censuravam muito
do caráter sexual das obras, nascia o yaoi. Estavam lançadas as bases do
que viria a se tornar o BL (Boys Love).
.
KAZE TO KI NO UTA (TAKEMIYA KEIKO), THOMAS NO SHINZOU
(HAGIO MOTO) E SHIROI HEYA NO FUTARI (RYOKO YAMAGISHI).
FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA
• Já o relacionamento entre meninas não era novidade. Desde as
revistas femininas pré 2ª Guerra havia todo um filão literário, com
destaque para as obras de Nobuko Yoshiya, que mostravam romances
que não raro começavam em colégios internos femininos e terminavam
com separação e casamentos arranjados. Havia uma contraposição
entre o amor puro e verdadeiro e o dever para com a família.
• No mangá, este gênero passou a ser chamado de Yuri (lírio) e, quando
do seu surgimento, era sempre marcado pela trágica morte de uma das
moças. Shiroi Heya no Futari é o precursor deste gênero que não ficou
restrito ao shoujo, mas está presente em todas as demografias.
FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA
• A partir dos anos 1980, o shoujo mangá começou a ser fragmentado e, hoje,
há quase consenso de que temos várias demografias para mulheres, cada
uma delas contando com dezenas de revistas.
• O shoujo continua sendo dominante como mídia impressa e tem como alvo o
púlico infanto-juvenil, o que não impede que continue sendo lido por mulheres
adultas.
• O BL (Boys Love) abriga histórias centradas em romances homoeróticos.
• O Josei é para mulheres adultas e tem revistas especializadas nos mais
diversos públicos.
• O TL (Teen Love) é para mulheres adultas e seu conteúdo é erótico-
pornográfico. A maioria absoluta das revista TL é digital.
.
SHO-COMI (SHOUJO), RENAI HAKUSHO PASTEL (TL), ON
BLUE (BL) E FEEL YOUNG (JOSEI).
NEGOCIAÇÕES, REITERAÇÕES E
TRANSGRESSÕES
• Boa parte do que se produz dentro do shoujo mangá é romance escolar e
suas protagonistas são adolescentes como as leitoras alvo.
• A maioria dos romances ocorridos dentro dos mangás shoujo, josei e TL são
heteronormativos, mas mesmo nas revistas mais mainstream é possível
encontrar exemplos significativos de material que escapa dessa forma, sem o
imperativo da tragédia que marcava os mangás femininos dos anos 1970.
• O ideal “boa esposa, mãe sábia” não aparece mais de forma tão insistente.
Os relacionamentos amorosos não necessariamente culminam com o
casamento, geralment precoce, da mocinha. A universidade e uma carreira
de verdade estão muito mais presentes no horizonte das protagonistas dos
shoujo mangá das últimas décadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KELLNER, Douglas. 2001. A Cultura da Mídia. São Paulo: EDUSC.
LAURETIS, Teresa. 1994. “A Tecnologia do Gênero”. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Tendências e
Impasses – O Feminismo como Crítica da Cultura, 206-241. Rio de Janeiro: Rocco.
NAVARRO-SWAIN, Tânia. 2006. Entre a vida e a morte, o sexo, Labrys, Estudos Feministas, Vol. 10, jun-dez,
https://www.labrys.net.br/labrys10/livre/anahita.htm.
PROUGH, Jennifer. 2010. “Shōjo Manga in Japan and Abroad” In: TONI, Johnson-Woods, ed. Manga. An
Anthology of Global and Cultural Perspectives. Londres: Continuum.
___. 2011. Straight from the Heart: Gender, Intimacy, and the Cultural Production of Shōjo Manga. Honolulu:
University of Hawaii.
SHAMOON, Deborah. 2012. Passionate Friendship – The Aesthetics of Girls’ Culture in Japan. Honolulu:
University of Hawaii.
SUÁREZ, Sara Cuenca. 2015. ‘Violaciones Consentidas’, una nueva violencia sexual: estúdio preliminar,
Journal of Feminist, Gender and Women Studies, Madri, 57-67, V.2, Setembro, Universidade Autônoma de
Madri, file:///J:/Imagens/2228-4196-1-PB.pdf. Acesso em: 13 de dezembro de 2016.
THORN, Matt. 2005. Gender and manga, The Japan Times, Tokyo, set., http://www.japantimes.co.jp/shukan-
st/articles/op20050902/op20050902main.htm. Acesso em: 10 de dezembro de 2016.

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  • 1. ENTRE NEGOCIAÇÕES, REITERAÇÕES E TRANSGRESSÕES: DISCUTINDO GÊNERO E SEXUALIDADE NOS SHOUJO MANGÁ
  • 2. O QUE É SHOUJO MANGÁ? • No Japão, há quadrinhos para todos os públicos e shoujo (menina/virgem/moça) é a demografia voltada prioritariamente para as meninas e cujas autoras são principalmente mulheres. • As primeiras revistas shoujo começaram a ser publicadas antes da 2ª Guerra Mundial e podem ser percebidas dentro das inúmeras publicações para o público feminino que traziam ilustrações, contos, cartas das leitoras e artigos de cunho pedagógico. • Estas revistas surgiram durante a Era Meiji (1868-1912) com o intuito de criar a “boa esposa, mãe sábia” que era o modelo de femininidade defendido pelo regime que seriam moldadas a partir do dispositivo amoroso (Navarro-Swain) para servir aos homens e, neste caso, também, à pátria.
  • 3. O QUE É SHOUJO MANGÁ? • Até a década de 1950, os mangás shoujo tendiam a ser episódicos e coube à Osamu Tezuka trazer para o shoujo mangá a ideia de serialização longa com a Princesa e o Cavaleiro. • Mesmo publicando mangás, as revistas shoujo tinham cerca de 30% de quadrinhos, somente a partir dos anos 1960, as antologias passaram a abrigar principalmente mangá. • Também nos anos 1960, com a demanda de artistas aumentando, as mulheres começaram a representar uma parte significativa dos mangá- kas de shoujo, até se tornarem hegemônicas nos anos 1970. Os editores, no entanto, continuaram sendo homens e elas recebiam menos.
  • 4. SHOUJO SEKAI (1906-1931) E EDIÇÕES DA REVISTA MARGARET DE 1965 E 2019.
  • 5. GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ • Dentro dos Estudos Feministas e de Gênero, trabalhamos com quatro conceitos: • Sexo → dimensão corpérea dos seres humanos, suas características anatômicas e biológicas. • Gênero → papéis construídos no social e que variam no tempo, no espaço e, também, se relacionam com classe social e questões raciais. • Sexualidade → como o indivíduo exercita o seu desejo. • Identidade de Gênero → a experiência subjetiva de uma pessoa a respeito de si mesma e das suas relações com o feminino e o masculino em uma dada sociedade.
  • 6. GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ • Questões de gênero e discussões sobre a sexualidade estão presentes desde os primórdios do shoujo mangá. • Se pegarmos A Princesa e o Cavaleiro como ponto de partida, temos uma protagonista que nasce com dois corações e é menino e menina ao mesmo tempo. Safiri, a primeira garota-príncipe, quer/precisa romper com as perspectivas de gênero a respeito das mulheres, porém, quando se trata de sexualidade, impera a heteronormatividade. • Ainda assim o romance não era livre, e isso aparece em uma entrevista de Hideko Mizuno, uma das primeiras mulheres mangá-kas de destaque, que relembra que as expressões de afeto tendiam a ser controladas e censuradas pelos editores, porque o amor romântico também era transgressor.
  • 7. RIBON NO KISHI (A PRINCESA E O CAVALEIRO) FOI PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NA SHOJO CLUB (1953-56) E REPUBLICADO REMODELADO NAKAYOSHI (1963-66).
  • 8. GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ • Os mangás estão dentro daquilo que Douglas Kellner chama de cultura da mídia, são produzidos em massa dentro de gêneros e seguindo normas, fórmulas e códigos convencionais, sem, contudo, estarem desconectados da interação com uma série de questões de ordem cultural, política, social e econômica. • No final dos anos 1960 e nos anos 1970, uma geração de mulheres mangá-kas adentrou ao mercado de quadrinhos, ocupando os espaços que os homens não estavam conseguindo suprir, ou porque eles mesmos preferiam produzir para o público masculino (shounen/seinen). Elas trouxeram novas demandas e perspectivas para a demografia.
  • 9. GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ • Foi na década de 1970 que, sem perder de vista as normas de um produto de massa e que era uma tecnologia de gênero, para usar o conceito de Teresa de Lauretis, que o shoujo mangá pode ampliar suas temáticas e discutir de forma mais ampla os papéis de gênero e a sexualidade. • É preciso pontuar que, até o início dos anos 1980, as meninas começavam a ler shoujo e continuavam lendo as mesmas revistas até a idade adulta. Jennifer Prough destaca a criação de uma comunidade de leitoras e o sentimento de intimidade com as autoras da revista. Fora isso, não havia uma diferenciação clara entre antologias infanto-juvenis e adultas, nem mesmo os limites temáticos dessas revistas estavam ainda muito bem estabalecidos. Obras que, hoje, poderiam ser vistas como adultas poderiam dividir as páginas com material inegavelmente infantil.
  • 10. . MACHIKO SATONAKA, QUE ESTREOU EM 1966, AOS 16 ANOS, REPRESENTA O PONTO DE PARTIDA PARA UMA NOVA GERAÇÃO DE MULHERES MANGÁ-KAS QUE DOMINOU O SHOUJO.
  • 11. GÊNERO E SEXUALIDADE SHOUJO MANGÁ • Neste sentido, autoras como Riyoko Ikeda, Hagio Moto, Takemiya Keiko, Ryoko Yamagishi e outras que fizeram parte do chamado Grupo do Ano 24 (Nijuuyo nen Gumi) trouxeram para o shoujo discussões que entrecruzavam papéis de gênero e sexualidade, além de dialogarem com as ansiedades das mulheres de sua época. • Normalmente, os mangás que transgrediam as normas não se passavam no Japão, mas em uma Europa idealizada. Rosa de Versalhes, Oniisama e... Thomas no Shinzou, Kaze to Ki no Uta, Shiroi Heya no Futari são exemplos desse material que rompeu, ou tensionou normas em relação às representações de gênero e a heteronormatividade. Mas a tragédia sempre estava à espreita dos transgessores.
  • 12. . ROSA DE VERSALHES (1972-73/MARGARET) DE RIYOKO IKEDA, PRIMEIRO MANGÁ HISTÓRICO PARA MENINAS, MAS QUE EXTRAPOLOU O SEU PÚBLICO E SE TORNOU UM ÍCONE CULTURAL.
  • 13. FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA • Foi durante os anos 1970, que as autoras puderam retratar dentro das suas obras outras formas de amor que fugiam das convenções sociais e do que estava consagrado dentro do shoujo mangá. • Os casamentos arranjados ainda eram muito comuns no país, então, até o amor heteronormativo que rompia com as expectativas familiares, de classe social, ou étnico-raciais, poderia ser visto como um problema. • Da mesma forma, as autoras criaram histórias pungentes sobre relacionamentos entre meninos (shounen-ai), enquanto nas feiras de doujinshi (fanzines), fora do olhar duro dos editores que censuravam muito do caráter sexual das obras, nascia o yaoi. Estavam lançadas as bases do que viria a se tornar o BL (Boys Love).
  • 14. . KAZE TO KI NO UTA (TAKEMIYA KEIKO), THOMAS NO SHINZOU (HAGIO MOTO) E SHIROI HEYA NO FUTARI (RYOKO YAMAGISHI).
  • 15. FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA • Já o relacionamento entre meninas não era novidade. Desde as revistas femininas pré 2ª Guerra havia todo um filão literário, com destaque para as obras de Nobuko Yoshiya, que mostravam romances que não raro começavam em colégios internos femininos e terminavam com separação e casamentos arranjados. Havia uma contraposição entre o amor puro e verdadeiro e o dever para com a família. • No mangá, este gênero passou a ser chamado de Yuri (lírio) e, quando do seu surgimento, era sempre marcado pela trágica morte de uma das moças. Shiroi Heya no Futari é o precursor deste gênero que não ficou restrito ao shoujo, mas está presente em todas as demografias.
  • 16. FRAGMENTANDO A DEMOGRAFIA • A partir dos anos 1980, o shoujo mangá começou a ser fragmentado e, hoje, há quase consenso de que temos várias demografias para mulheres, cada uma delas contando com dezenas de revistas. • O shoujo continua sendo dominante como mídia impressa e tem como alvo o púlico infanto-juvenil, o que não impede que continue sendo lido por mulheres adultas. • O BL (Boys Love) abriga histórias centradas em romances homoeróticos. • O Josei é para mulheres adultas e tem revistas especializadas nos mais diversos públicos. • O TL (Teen Love) é para mulheres adultas e seu conteúdo é erótico- pornográfico. A maioria absoluta das revista TL é digital.
  • 17. . SHO-COMI (SHOUJO), RENAI HAKUSHO PASTEL (TL), ON BLUE (BL) E FEEL YOUNG (JOSEI).
  • 18. NEGOCIAÇÕES, REITERAÇÕES E TRANSGRESSÕES • Boa parte do que se produz dentro do shoujo mangá é romance escolar e suas protagonistas são adolescentes como as leitoras alvo. • A maioria dos romances ocorridos dentro dos mangás shoujo, josei e TL são heteronormativos, mas mesmo nas revistas mais mainstream é possível encontrar exemplos significativos de material que escapa dessa forma, sem o imperativo da tragédia que marcava os mangás femininos dos anos 1970. • O ideal “boa esposa, mãe sábia” não aparece mais de forma tão insistente. Os relacionamentos amorosos não necessariamente culminam com o casamento, geralment precoce, da mocinha. A universidade e uma carreira de verdade estão muito mais presentes no horizonte das protagonistas dos shoujo mangá das últimas décadas.
  • 19. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KELLNER, Douglas. 2001. A Cultura da Mídia. São Paulo: EDUSC. LAURETIS, Teresa. 1994. “A Tecnologia do Gênero”. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Tendências e Impasses – O Feminismo como Crítica da Cultura, 206-241. Rio de Janeiro: Rocco. NAVARRO-SWAIN, Tânia. 2006. Entre a vida e a morte, o sexo, Labrys, Estudos Feministas, Vol. 10, jun-dez, https://www.labrys.net.br/labrys10/livre/anahita.htm. PROUGH, Jennifer. 2010. “Shōjo Manga in Japan and Abroad” In: TONI, Johnson-Woods, ed. Manga. An Anthology of Global and Cultural Perspectives. Londres: Continuum. ___. 2011. Straight from the Heart: Gender, Intimacy, and the Cultural Production of Shōjo Manga. Honolulu: University of Hawaii. SHAMOON, Deborah. 2012. Passionate Friendship – The Aesthetics of Girls’ Culture in Japan. Honolulu: University of Hawaii. SUÁREZ, Sara Cuenca. 2015. ‘Violaciones Consentidas’, una nueva violencia sexual: estúdio preliminar, Journal of Feminist, Gender and Women Studies, Madri, 57-67, V.2, Setembro, Universidade Autônoma de Madri, file:///J:/Imagens/2228-4196-1-PB.pdf. Acesso em: 13 de dezembro de 2016. THORN, Matt. 2005. Gender and manga, The Japan Times, Tokyo, set., http://www.japantimes.co.jp/shukan- st/articles/op20050902/op20050902main.htm. Acesso em: 10 de dezembro de 2016.