Planejamento e Controle da Produção
Teoria e Prática
Prof. André Augusto de C. Toneti
Capítulo 1
O PCP e os Sistemas Produtivos
Prazos, Atividades e Objetivos na
Tomada de Decisões
• Para que um sistema produtivo transforme insumos
em produtos (bens e/ou serviços), ele precisa ser
pensado em termos de prazos, onde planos são
feitos e ações são disparadas com base nestes planos
para que, transcorridos estes prazos, os eventos
planejados pelas empresas venham a se tornar
realidade
– De uma forma geral, pode-se dividir o horizonte de
planejamento de um sistema produtivo em três níveis: o
longo, o médio e o curto prazo
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Teoria e Prática
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Prazos, Atividades e Objetivos na
Tomada de Decisões
Planejamento e Controle da Produção:
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Prazos Atividades Objetivos
Longo Prazo
Médio Prazo
Curto Prazo
Plano de Produção
(Estratégico)
Plano-mestre
(Tático)
Programação
(Operacional)
Previsão de
Vendas de LP
Previsão de
Capacidade de
Produção
Previsão de
Vendas de MP
Pedidos em
Carteira
Planejamento da
Capacidade
Vendas Produção
Prazos, Atividades e Objetivos na
Tomada de Decisões
• Um sistema produtivo será tão mais eficiente quanto consiga
sincronizar a passagem de estratégias para táticas e de táticas
para operações de produção e venda dos produtos solicitados
• Quanto aos horizontes destes prazos, geralmente, o longo
prazo é medido em meses ou trimestres com alcance de
anos, o médio prazo em semanas com a abrangência de
meses à frente, e o curto prazo é medido em dias, para a
semana em curso
– Estes prazos dependem da flexibilidade em se montar, manobrar e
operar o sistema produtivo
– Em um estaleiro, por exemplo, se terá prazos muito maiores do que
em uma empresa que monta computadores via solicitação pela
Internet
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Teoria e Prática
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O Fluxo de Informações e e PCP
• No sentido de organizar a montagem dos dados e a tomada
de decisões com relação a estas atividades escalonadas no
tempo, as empresas montam um setor, ou departamento, de
apoio à produção, geralmente ligado a Diretoria Industrial,
conhecido como PCP (Departamento de Planejamento e
Controle da Produção), ou, em alguns casos, PPCP
(Departamento de Planejamento, Programação e Controle da
Produção)
• Como departamento de apoio, o PCP é responsável pela
coordenação e aplicação dos recursos produtivos de forma a
atender da melhor maneira possível os planos estabelecidos a
níveis estratégico, tático e operacional
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PCP como Função de Apoio
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Engenharia de Produto
•lista de materiais
•desenhos
Engenharia de Processo
•roteiros de fabricação
•lead times
Marketing
•plano de vendas
•pedidos firmes
Manutenção
•plano de manutenção
Planejamento Estratégico
da
Produção
Planejamento-mestre
da
produção
Programação
da
Produção
•ordens de compra
•ordens de fabricação
•ordens de montagem
Controle e Acompanhamento
da
Produção
Recursos Humanos
•programa de treinamento
Finanças
•plano de investimentos
•Fluxo de caixa
Fluxo de Informações e PCP
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Compras
Pedidos de
Compras
Planejamento Estratégico da
Produção
Plano de
Produção
Planejamento-mestre da
Produção
Plano-mestre
de Produção
Programação da Produção
Administração dos Estoques
Seqüenciamento
Emissão e Liberação
Ordens de
Compras
Ordens de
Fabricação
Ordens de
Montagem
Fabricação e MontagemEstoques
Clientes
Marketing
Engenharia
Fornecedores
AcompanhamentoeControledaProdução
Previsão de
Vendas
Pedidos em
Carteira
Estrutura do
Produto
Roteiro de
Fabricação
AvaliaçãodeDesempenho
O Fluxo de Informações e PCP
• Planejamento Estratégico da Produção
– Consiste em estabelecer um Plano de Produção para determinado
período (longo prazo) segundo as estimativas de vendas de longo
prazo e a disponibilidade de recursos financeiros e produtivos.
– A estimativa de vendas de longo prazo serve para prever os tipos e
quantidades de produtos que se espera vender no horizonte de
planejamento estabelecido
– A capacidade de produção é o fator físico limitante do processo
produtivo, e pode ser incrementada ou reduzida, desde que planejada
a tempo, pela adição de recursos financeiros
– O Plano de Produção gerado é pouco detalhado, normalmente
trabalhando com famílias de produtos, tendo como finalidade
possibilitar a adequação dos recursos produtivos à demanda esperada
dos mesmos, buscando atingir determinados critérios estratégicos de
desempenho (custo, qualidade, confiabilidade, pontualidade e
flexibilidade).
Planejamento e Controle da Produção:
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O Fluxo de Informações e PCP
• Planejamento-mestre da Produção
– Consiste em estabelecer um Plano-mestre de Produção (PMP) de
produtos finais, detalhado no médio prazo, período a período, a partir
do Plano de Produção, com base nas previsões de vendas de médio
prazo ou nos pedidos em carteira já confirmados
– Onde o Plano de Produção considera famílias de produtos, o PMP
especifica itens finais que fazem parte destas famílias, com base nos
Roteiros de Fabricação e nas Estruturas dos Produtos fornecidos pela
Engenharia
– A partir do estabelecimento do PMP, o sistema produtivo passa a
assumir compromissos de fabricação e montagem dos bens ou
serviços
– Ao executar o Planejamento-mestre da Produção e gerar um PMP
inicial, o PCP deve analisá-lo quanto às necessidades de recursos
produtivos com a finalidade de identificar possíveis gargalos que
possam inviabilizar este plano quando da sua execução no curto prazo
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O Fluxo de Informações e PCP
• Programação da Produção
– Com base no PMP, nos registros de controle de estoques e nas
informações da Engenharia, a Programação da Produção estabelece no
curto prazo quanto e quando comprar, fabricar ou montar de cada item
necessário à composição dos produtos finais
• Para tanto, são dimensionadas e emitidas Ordens de Compra para os itens
comprados, Ordens de Fabricação para os itens fabricados internamente, e
Ordens de Montagem para as submontagens intermediárias e montagem
final dos produtos definidos no PMP
– Em função da disponibilidade dos recursos produtivos, a Programação da
Produção se encarrega de fazer o seqüenciamento das ordens emitidas,
de forma a otimizar a utilização dos recursos
• Se o Plano de Produção providenciou os recursos necessários, e o PMP
equacionou os gargalos, não deverão ocorrer problemas na execução do
programa de produção seqüenciado
– Dependendo do sistema de programação da produção empregado pela
empresa (puxado ou empurrado), a Programação da Produção enviará
as ordens a todos os setores responsáveis (empurrando) ou apenas aos
setores clientes dos supermercados montados (puxando)
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O Fluxo de Informações e PCP
• Acompanhamento e Controle da Produção
– Através da coleta e análise dos dados, hoje em dia facilmente
automatizada por coletores de dados nos pontos de controle, esta
função do PCP busca garantir que o programa de produção emitido
seja executado a contento
– Quanto mais rápido os problemas forem identificados, mais efetivas
serão as medidas corretivas visando o cumprimento do programa de
produção
– Além das informações de produção úteis ao próprio PCP no
desempenho de suas funções, o Acompanhamento e Controle da
Produção normalmente está encarregado de coletar dados (índices de
defeitos, horas/máquinas e horas/homens consumidas, consumo de
materiais, índices de quebras de máquinas, etc.) para apoiar outros
setores do sistema produtivo
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O Fluxo de Informações e PCP
• Operacionalmente, estas funções executadas pelo PCP fazem
parte de sistemas de informações gerenciais integrados,
adquiridos na forma de pacotes comerciais de softwares,
chamados de ERP (Enterprise Resource Planning, ou
planejamento dos recursos da empresa ou negócios)
– Permitem a uma empresa automatizar e integrar a maioria de seus
processos (PCP, suprimentos, manufatura, manutenção,
administração financeira, contabilidade, recursos humanos,
qualidade, etc.), compartilhando práticas operacionais e informações
comuns armazenadas em bancos de dados distribuídos por toda a
empresa, e produzir e acessar informações em tempo real
– Os ERP tiveram sua evolução a partir do sistema MRP (Material
Requirements Planning ou planejamento das necessidades de
materiais), desenvolvidos na década de 60, e de seu desdobramento
posterior, nos anos 80, chamado de MRP-II (Manufacturing Resource
Planning, ou planejamento dos recursos de manufatura)
Planejamento e Controle da Produção:
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Sistemas Produtivos e PCP
• A classificação dos sistemas produtivos tem por finalidade
facilitar o entendimento das características inerentes a cada
sistema de produção e sua relação com a complexidade das
atividades de planejamento e controle destes sistemas
• A classificação mais significativa para entender a
complexidade das funções de organização dos sistemas
produtivos está relacionada com o grau de padronização dos
produtos e o conseqüente volume de produção demandado
pelo mercado
– Os sistemas contínuos envolvem a produção de bens ou serviços que
não podem ser identificados individualmente
– Os sistemas discretos (em massa, em lotes e sob encomenda)
envolvem a produção de bens ou serviços que podem ser isolados, em
lotes ou unidades, particularizando-os uns dos outros
Planejamento e Controle da Produção:
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Sistemas Produtivos e PCP
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Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa
Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta
Lead Time ProdutivoBaixo Alto
CustosBaixo Alto
Contínuos
Massa
Repetitivos
em Lotes
Sob
Encomenda
Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa
Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta
Lead Time ProdutivoBaixo Alto
CustosBaixo Alto
Contínuos
Massa
Repetitivos
em Lotes
Sob
Encomenda
Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa
Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta
Lead Time ProdutivoCurto Longo
CustosBaixos Altos
Contínuos
Massa
Repetitivos
em Lotes
Sob
Encomenda
Sistemas Produtivos e PCP
• Essa classificação não depende do tipo de produto em si, mas
sim da forma como os sistemas são organizados para atender
esta demanda
– Um automóvel pode ser feito em um processo de produção em
massa, em fábricas para 100.000 carros/ano, ou em processos de
produção repetitivos em lotes, em fábricas para 6.000 carros/ano ou
menos, ou ainda, de forma artesanal em oficinas sob encomenda,
produzindo poucos carros exclusivos por mês
• Outro ponto a ser comentado, é de que uma empresa pode
conviver com mais de um tipo de sistema produtivo, como
por exemplo um fabricante de geladeiras que monta as
mesmas em uma, ou mais, linha de montagem (sistema em
massa), e fabrica parte de seus componentes em lotes
repetitivos, em departamentos de injeção ou de prensas
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Sistemas Contínuos e PCP
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 Os sistemas de produção contínuos são empregados
quando existe uma alta uniformidade na produção e
demanda de bens ou serviços, fazendo com que os
produtos e os processos produtivos sejam totalmente
interdependentes, favorecendo a sua automatização
 Chamado de contínuo porque não se consegue facilmente
identificar e separar dentro da produção uma unidade do
produto das demais que estão sendo feitas.
 Devido à automação dos processos, a flexibilidade
para a mudança de produto é baixa. São necessários
altos investimentos em equipamentos e instalações, e
a mão-de-obra é empregada apenas para a condução
e manutenção das instalações, sendo seu custo
insignificante em relação aos outros fatores produtivos
Sistemas Contínuos e PCP
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17
 Está classificada dentro deste grupo geralmente a
produção de bens de base, comuns a várias cadeias
produtivas, como energia elétrica, petróleo e
derivados, produtos químicos de uma forma geral, etc.
 Alguns serviços também podem ser produzidos dentro
desta ótica com o emprego de máquinas, como
serviços de aquecimento e ar condicionado, de
limpeza contínua, sistemas de monitoramento por
radar, e os vários serviços fornecidos via internet
(homebank, busca de páginas, etc.), entre outros
 Tendo em vista a sincronização e automatização dos
processos, pode-se dizer que o lead time produtivo é
baixo, e, por serem produzidos poucos produtos que
possuem demandas altas, a maioria das empresas
coloca de antemão estoques destes produtos a
disposição dos clientes, pois sua venda é garantida
Sistemas Contínuos e PCP
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18
+ -
Estoques
deMP
Estoques
dePA
Processo Produtivo
MP PA
Dinâmica do PCP
PMP define Velocidade do Fluxo
Foco na Logística de Abastecimento de MP e Distribuição de PA
Sistemas de Produção em Massa e
PCP
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 A semelhança dos sistemas contínuos, são aqueles
empregados na produção em grande escala de
produtos altamente padronizados, contudo estes
produtos não são passíveis de automatização em
processos contínuos, exigindo participação de mão-
de-obra especializada na transformação do produto
 Podem-se classificar dentro deste sistema as empresas que
estão na ponta das cadeias produtivas, com suas linhas de
montagem, como é o caso das montadoras de automóveis,
eletrodomésticos, grandes confecções têxteis, abate e
beneficiamento de aves, suínos, gado, etc., e a prestação de
serviços em grande escala como transporte aéreo, editoração
de jornais e revistas, etc
Sistemas de Produção em Massa e
PCP
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20
 Normalmente, a demanda por estes produtos é estável,
fazendo com que seus projetos tenham pouca alteração
no curto prazo, possibilitando a montagem de uma
estrutura produtiva (linhas de montagem) altamente
especializada e pouco flexível, onde os altos
investimentos possam ser amortizados durante um
longo prazo
 Neste sistema produtivo a variação entre os produtos acabados
se dá geralmente apenas a nível de montagem final, sendo
seus componentes padronizados de forma a permitir a
produção em grande escala
 Por exemplo, as montadoras de automóveis possuem linhas
focadas nos chassis, que por sua vez podem ser carregados
com diferentes carrocerias, motores e demais acessórios,
gerando uma infinidade de produtos acabados, sob a ótica do
cliente, contudo bastante padronizado sob a ótica da produção
Sistemas de Produção em Massa e
PCP
Planejamento e Controle da Produção:
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21
 Assim como nos sistemas contínuos, tendo em vista a
sincronização e padronização das atividades nas linhas
de montagem, pode-se dizer que nos sistemas em
massa o lead time produtivo é baixo, e, por serem
produzidos poucos produtos que possuem demandas
altas, estoques destes produtos a disposição dos
clientes são usados como estratégia de pronto
atendimento
 O volume alto de produção faz com que os custos fixos sejam
diluídos e que os custos variáveis das matérias-primas e
componentes, negociados em grandes lotes, também sejam
menores, tendo como conseqüência custos finais baixos,
quando comparados aos sistemas de produção em lotes e sob
encomenda
 No nível estratégico, a montagem do Plano de Produção
para os sistemas de produção em massa tem seu foco,
assim como nos sistemas contínuos, no atendimento do
critério de desempenho redução de custos
Sistemas de Produção em Massa e
PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
22
Dinâmica do PCP
PMP define Velocidade do Fluxo
TC = TD/D
Foco na Logística de Abastecimento (MP e SM) e de Entrega de PA
Estoques
deMP
Estoques
dePA
MP PA
Supermercados
ROP = TC
ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC
ROP = TC ROP = TC ROP = TC
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
23
 O terceiro grupo de sistemas produtivos é o de
sistemas de produção repetitivos em lotes, que se
caracterizam pela produção de um volume médio
de bens ou serviços padronizados em lotes, sendo
que cada lote segue uma série de operações que
necessita ser programada à medida que as
operações anteriores forem sendo realizadas
 Neste caso, o sistema produtivo deve ser relativamente
flexível visando atender diferentes pedidos dos clientes e
flutuações da demanda, empregando equipamentos
pouco especializados, geralmente agrupados em centros
de trabalho identificados como departamentos, e mão-de-
obra mais polivalente
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
24
Estoques PC e MP
Estoques de PA
SM
SM
SM SM
PA1
PA2
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
25
 Os sistemas repetitivos em lote situam-se entre
os dois extremos, a produção em massa e a
produção sob projeto, onde a quantidade
solicitada de bens ou serviços é insuficiente
para justificar a massificação da produção e
especialização das instalações, porém justifica
a produção de lotes econômicos no sentido de
absorver os custos de preparação (setup) do
processo
 Como existem muitos tempos de espera dos lotes
(em programação, em filas, nos setups, etc.) entre as
operações, o lead time produtivo é maior do que o do
sistema em massa, bem como os custos decorrentes
desta forma de organização
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
26
 Em função da diversidade de produção e da
baixa sincronização entre as operações, quando
comparada aos sistemas em massa, este
sistema produtivo trabalha com a lógica de
manter estoques como forma de garantir o
atendimento da etapa seguinte de produção
 Estes estoques podem estar centralizados em
almoxarifados ou espalhados dentro da fábrica na
forma de supermercados de abastecimento
 Estrategicamente, ao montar o Plano de
Produção dos sistemas repetitivos em lotes se
busca privilegiar os critérios associados ao
desempenho de entrega (confiabilidade e
velocidade) e à flexibilidade
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
27
 Como exemplo, têm-se as empresas que fornecem
componentes para as linhas de montagem, elas
mesmas com pequenas linhas de montagem, ou
acabamento, ao final do processo
 É o caso das fornecedoras da cadeia automobilística, da cadeia
de eletrodomésticos, etc.
 Geralmente empresas do ramo metal mecânico trabalham nesta
configuração, com departamentos de usinagem, fundição,
solda, etc.
 Na cadeia têxtil têm-se as tecelagens e os beneficiamentos
trabalhando em lotes repetitivos, entre outros
 Dentro da prestação de serviços podem-se citar as
oficinas de reparo para automóveis e aparelhos
eletrônicos, laboratórios de análise químicas,
restaurantes, etc.
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
28
 O foco do PCP nos sistemas repetitivos em
lotes está na função de programação da
produção, que busca organizar o
seqüenciamento das ordens de produção em
cada grupo de recursos do centro de trabalho
de forma a reduzir estoques e lead times
produtivos
 Esta programação da produção pode ser realizada
de forma empurrada ou de forma puxada
Sistemas Repetitivos em Lotes e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
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Dinâmica do PCP
PMP define necessidades de
PA
MRP define necessidades de
OC/OF/OM
Foco no seqüenciamento das
ordens
Estoques PC e MP
Estoques de PA
SM
SM
SM SM
PA1
PA2
Programação Empurrada x Puxada
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
30
Previsão da Demanda
Planejamento-mestre da Produção - PMP
Planejamento das Necessidades de Materiais - MRP
Emitir OC - OF - OM
Programação
Empurrada
Programação
Puxada
Seqüenciar - APS
Dimensionar SM
Operar Sistema Kanban
Programação Empurrada
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
31
OF1OF5
OF8
OF7
OF6
OF4
OF3
OF2
APS APS
Empurra
Fornecedor Cliente
OF2OF6
OF8
OF7
OF5
OF4
OF3
APS APS
Empurra
Fornecedor Cliente
1
2
Programação Puxada
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
32
1
2
K1
K3
K2
SupermercadoFornecedor Cliente
Puxa Retira
K1
K3K1
K2
SupermercadoFornecedor Cliente
Puxa Retira
K3
Produção Focalizada em Células
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
33
Kanban PA
Kanban PC
Kanban MP
Kanban PC
TC TC
TC
TC
TC
PA1
PA2
Produção Enxuta
Produção em Fluxo Unitário
Redução dos Setups
Redução dos Lotes
Redução dos Lead Times
Redução dos Estoques
Polivalência da MOD
Padrão de Operação (TC)
Produção Focalizada em Células
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
34
 Onde o PCP precisava planejar, programar e
seqüenciar ordens individuais para cada uma das
operações realizadas em diferentes departamentos,
com o layout celular a programação é feita para a
célula como um todo, pois a célula age como uma
pequena linha de montagem, com necessidades de
controles apenas na entrada e saída
 Apesar de não haver uma dependência conceitual entre a
produção focalizada com células de fabricação e o
sistema puxado de produção, é neste ambiente, muito
propriamente identificado como Manufatura Enxuta, que
há um ganho adicional de produtividade, pois estes dois
sistemas se complementam
Sistemas Sob Encomenda e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
35
 O quarto grupo de sistemas produtivos, aqui chamados
de Sistemas sob Encomenda, tem como finalidade a
montagem de um sistema produtivo voltado para o
atendimento de necessidades específicas dos clientes,
com demandas baixas, tendendo para a unidade
 O produto tem uma data específica negociada com o cliente
para ser concluído e, uma vez concluído, o sistema produtivo se
volta para um novo projeto
 Os produtos são concebidos em estreita ligação com os
clientes, de modo que suas especificações impõem uma
organização dedicada ao projeto, que não pode ser
preparada com antecedência, principalmente com a
geração de supermercados de estoques intermediários
para acelerar o lead time produtivo
 Eventualmente, a compra de matérias primas e peças
componentes podem ser feitas com antecedência
Sistemas Sob Encomenda e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
36
 Nestes sistemas exige-se, em termos de critérios
na montagem do Plano de Produção, alta
flexibilidade dos recursos produtivos com foco no
atendimento de especificidades dos clientes,
normalmente a custa de certa ociosidade enquanto
a demanda por bens ou serviços não ocorrer,
gerando custos produtivos mais altos que os
sistemas anteriores
 Exemplos de sistemas sob encomenda estão na
fabricação de bens como navios, aviões, usinas
hidroelétricas, e nos setores de fabricação de máquinas e
ferramentas, e a prestação de serviços específicos como
agências de propaganda, escritórios de advocacia,
arquitetura, etc.
Sistemas Sob Encomenda e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
37
 Os sistemas sob encomenda organizam seus
recursos produtivos por centros de trabalho ou
departamentos com foco na função executada
 A dinâmica do PCP começa com a negociação de
um projeto específico com o cliente, que necessita
saber em que data o sistema produtivo consegue
elaborar seu projeto
 Por exemplo, a encomenda de um motor elétrico de
grande porte para trabalhar em uma usina hidrelétrica
está atrelada a prazos de conclusão do projeto da usina,
ou, ainda, a encomenda de uma matriz para a estamparia
de uma fábrica de automóveis tem como data limite o
lançamento de um novo carro no mercado
 A questão de custos produtivos é negociada entre
as partes, e tende a ter um padrão de mercado,
como por exemplo o custo de horas de usinagem
Sistemas Sob Encomenda e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
38
Estoques PC e MP
Dinâmica do PCP
Vendas negocia com Cliente
APS (capacidade finita)
visualiza carregamento do
sistema
Foco no atendimento da data
de entrega
PA ?
Sistemas Sob Encomenda e PCP
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
39
 Quando o produto a ser fabricado possui
tempos operacionais altos, como semanas ou
até meses, como no caso da indústria da
construção civil, o PCP é realizado através do
conceito de rede, aplicando-se a técnica de
PERT/CPM, que permite identificar o chamado
caminho crítico, que deve ser acompanhado no
detalhe para evitar atrasos
1
2 4
3 5
6
C
7
E
9
B
6
F
5
G
4
A
10
D
5
0
0
10
10
6
9
17
17
15
18
22
22
EXERCÍOS
1 Defina os três níveis de plano dentro de um sistema de
gerenciamento da produção.
2 Conceitue o Departamento de Planejamento e Controle da
Produção
3 Defina o Planejamento-mestre da Produção
4 Como ocorre o controle e acompanhamento da produção
5 Como o autor classifica os sistemas produtivos
6 Defina o sistema de produção empurrada.
7 O que é produção focalizada?
Planejamento e Controle da Produção:
Teoria e Prática
40

Pcp aula1

  • 1.
    Planejamento e Controleda Produção Teoria e Prática Prof. André Augusto de C. Toneti Capítulo 1 O PCP e os Sistemas Produtivos
  • 2.
    Prazos, Atividades eObjetivos na Tomada de Decisões • Para que um sistema produtivo transforme insumos em produtos (bens e/ou serviços), ele precisa ser pensado em termos de prazos, onde planos são feitos e ações são disparadas com base nestes planos para que, transcorridos estes prazos, os eventos planejados pelas empresas venham a se tornar realidade – De uma forma geral, pode-se dividir o horizonte de planejamento de um sistema produtivo em três níveis: o longo, o médio e o curto prazo Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 2
  • 3.
    Prazos, Atividades eObjetivos na Tomada de Decisões Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 3 Prazos Atividades Objetivos Longo Prazo Médio Prazo Curto Prazo Plano de Produção (Estratégico) Plano-mestre (Tático) Programação (Operacional) Previsão de Vendas de LP Previsão de Capacidade de Produção Previsão de Vendas de MP Pedidos em Carteira Planejamento da Capacidade Vendas Produção
  • 4.
    Prazos, Atividades eObjetivos na Tomada de Decisões • Um sistema produtivo será tão mais eficiente quanto consiga sincronizar a passagem de estratégias para táticas e de táticas para operações de produção e venda dos produtos solicitados • Quanto aos horizontes destes prazos, geralmente, o longo prazo é medido em meses ou trimestres com alcance de anos, o médio prazo em semanas com a abrangência de meses à frente, e o curto prazo é medido em dias, para a semana em curso – Estes prazos dependem da flexibilidade em se montar, manobrar e operar o sistema produtivo – Em um estaleiro, por exemplo, se terá prazos muito maiores do que em uma empresa que monta computadores via solicitação pela Internet Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 4
  • 5.
    O Fluxo deInformações e e PCP • No sentido de organizar a montagem dos dados e a tomada de decisões com relação a estas atividades escalonadas no tempo, as empresas montam um setor, ou departamento, de apoio à produção, geralmente ligado a Diretoria Industrial, conhecido como PCP (Departamento de Planejamento e Controle da Produção), ou, em alguns casos, PPCP (Departamento de Planejamento, Programação e Controle da Produção) • Como departamento de apoio, o PCP é responsável pela coordenação e aplicação dos recursos produtivos de forma a atender da melhor maneira possível os planos estabelecidos a níveis estratégico, tático e operacional Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 5
  • 6.
    PCP como Funçãode Apoio Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 6 Engenharia de Produto •lista de materiais •desenhos Engenharia de Processo •roteiros de fabricação •lead times Marketing •plano de vendas •pedidos firmes Manutenção •plano de manutenção Planejamento Estratégico da Produção Planejamento-mestre da produção Programação da Produção •ordens de compra •ordens de fabricação •ordens de montagem Controle e Acompanhamento da Produção Recursos Humanos •programa de treinamento Finanças •plano de investimentos •Fluxo de caixa
  • 7.
    Fluxo de Informaçõese PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 7 Compras Pedidos de Compras Planejamento Estratégico da Produção Plano de Produção Planejamento-mestre da Produção Plano-mestre de Produção Programação da Produção Administração dos Estoques Seqüenciamento Emissão e Liberação Ordens de Compras Ordens de Fabricação Ordens de Montagem Fabricação e MontagemEstoques Clientes Marketing Engenharia Fornecedores AcompanhamentoeControledaProdução Previsão de Vendas Pedidos em Carteira Estrutura do Produto Roteiro de Fabricação AvaliaçãodeDesempenho
  • 8.
    O Fluxo deInformações e PCP • Planejamento Estratégico da Produção – Consiste em estabelecer um Plano de Produção para determinado período (longo prazo) segundo as estimativas de vendas de longo prazo e a disponibilidade de recursos financeiros e produtivos. – A estimativa de vendas de longo prazo serve para prever os tipos e quantidades de produtos que se espera vender no horizonte de planejamento estabelecido – A capacidade de produção é o fator físico limitante do processo produtivo, e pode ser incrementada ou reduzida, desde que planejada a tempo, pela adição de recursos financeiros – O Plano de Produção gerado é pouco detalhado, normalmente trabalhando com famílias de produtos, tendo como finalidade possibilitar a adequação dos recursos produtivos à demanda esperada dos mesmos, buscando atingir determinados critérios estratégicos de desempenho (custo, qualidade, confiabilidade, pontualidade e flexibilidade). Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 8
  • 9.
    O Fluxo deInformações e PCP • Planejamento-mestre da Produção – Consiste em estabelecer um Plano-mestre de Produção (PMP) de produtos finais, detalhado no médio prazo, período a período, a partir do Plano de Produção, com base nas previsões de vendas de médio prazo ou nos pedidos em carteira já confirmados – Onde o Plano de Produção considera famílias de produtos, o PMP especifica itens finais que fazem parte destas famílias, com base nos Roteiros de Fabricação e nas Estruturas dos Produtos fornecidos pela Engenharia – A partir do estabelecimento do PMP, o sistema produtivo passa a assumir compromissos de fabricação e montagem dos bens ou serviços – Ao executar o Planejamento-mestre da Produção e gerar um PMP inicial, o PCP deve analisá-lo quanto às necessidades de recursos produtivos com a finalidade de identificar possíveis gargalos que possam inviabilizar este plano quando da sua execução no curto prazo Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 9
  • 10.
    O Fluxo deInformações e PCP • Programação da Produção – Com base no PMP, nos registros de controle de estoques e nas informações da Engenharia, a Programação da Produção estabelece no curto prazo quanto e quando comprar, fabricar ou montar de cada item necessário à composição dos produtos finais • Para tanto, são dimensionadas e emitidas Ordens de Compra para os itens comprados, Ordens de Fabricação para os itens fabricados internamente, e Ordens de Montagem para as submontagens intermediárias e montagem final dos produtos definidos no PMP – Em função da disponibilidade dos recursos produtivos, a Programação da Produção se encarrega de fazer o seqüenciamento das ordens emitidas, de forma a otimizar a utilização dos recursos • Se o Plano de Produção providenciou os recursos necessários, e o PMP equacionou os gargalos, não deverão ocorrer problemas na execução do programa de produção seqüenciado – Dependendo do sistema de programação da produção empregado pela empresa (puxado ou empurrado), a Programação da Produção enviará as ordens a todos os setores responsáveis (empurrando) ou apenas aos setores clientes dos supermercados montados (puxando) Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 10
  • 11.
    O Fluxo deInformações e PCP • Acompanhamento e Controle da Produção – Através da coleta e análise dos dados, hoje em dia facilmente automatizada por coletores de dados nos pontos de controle, esta função do PCP busca garantir que o programa de produção emitido seja executado a contento – Quanto mais rápido os problemas forem identificados, mais efetivas serão as medidas corretivas visando o cumprimento do programa de produção – Além das informações de produção úteis ao próprio PCP no desempenho de suas funções, o Acompanhamento e Controle da Produção normalmente está encarregado de coletar dados (índices de defeitos, horas/máquinas e horas/homens consumidas, consumo de materiais, índices de quebras de máquinas, etc.) para apoiar outros setores do sistema produtivo Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 11
  • 12.
    O Fluxo deInformações e PCP • Operacionalmente, estas funções executadas pelo PCP fazem parte de sistemas de informações gerenciais integrados, adquiridos na forma de pacotes comerciais de softwares, chamados de ERP (Enterprise Resource Planning, ou planejamento dos recursos da empresa ou negócios) – Permitem a uma empresa automatizar e integrar a maioria de seus processos (PCP, suprimentos, manufatura, manutenção, administração financeira, contabilidade, recursos humanos, qualidade, etc.), compartilhando práticas operacionais e informações comuns armazenadas em bancos de dados distribuídos por toda a empresa, e produzir e acessar informações em tempo real – Os ERP tiveram sua evolução a partir do sistema MRP (Material Requirements Planning ou planejamento das necessidades de materiais), desenvolvidos na década de 60, e de seu desdobramento posterior, nos anos 80, chamado de MRP-II (Manufacturing Resource Planning, ou planejamento dos recursos de manufatura) Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 12
  • 13.
    Sistemas Produtivos ePCP • A classificação dos sistemas produtivos tem por finalidade facilitar o entendimento das características inerentes a cada sistema de produção e sua relação com a complexidade das atividades de planejamento e controle destes sistemas • A classificação mais significativa para entender a complexidade das funções de organização dos sistemas produtivos está relacionada com o grau de padronização dos produtos e o conseqüente volume de produção demandado pelo mercado – Os sistemas contínuos envolvem a produção de bens ou serviços que não podem ser identificados individualmente – Os sistemas discretos (em massa, em lotes e sob encomenda) envolvem a produção de bens ou serviços que podem ser isolados, em lotes ou unidades, particularizando-os uns dos outros Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 13
  • 14.
    Sistemas Produtivos ePCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 14 Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta Lead Time ProdutivoBaixo Alto CustosBaixo Alto Contínuos Massa Repetitivos em Lotes Sob Encomenda Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta Lead Time ProdutivoBaixo Alto CustosBaixo Alto Contínuos Massa Repetitivos em Lotes Sob Encomenda Demanda/Volume de ProduçãoAlta Baixa Flexibilidade/Variedade de itensBaixa Alta Lead Time ProdutivoCurto Longo CustosBaixos Altos Contínuos Massa Repetitivos em Lotes Sob Encomenda
  • 15.
    Sistemas Produtivos ePCP • Essa classificação não depende do tipo de produto em si, mas sim da forma como os sistemas são organizados para atender esta demanda – Um automóvel pode ser feito em um processo de produção em massa, em fábricas para 100.000 carros/ano, ou em processos de produção repetitivos em lotes, em fábricas para 6.000 carros/ano ou menos, ou ainda, de forma artesanal em oficinas sob encomenda, produzindo poucos carros exclusivos por mês • Outro ponto a ser comentado, é de que uma empresa pode conviver com mais de um tipo de sistema produtivo, como por exemplo um fabricante de geladeiras que monta as mesmas em uma, ou mais, linha de montagem (sistema em massa), e fabrica parte de seus componentes em lotes repetitivos, em departamentos de injeção ou de prensas Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 15
  • 16.
    Sistemas Contínuos ePCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 16  Os sistemas de produção contínuos são empregados quando existe uma alta uniformidade na produção e demanda de bens ou serviços, fazendo com que os produtos e os processos produtivos sejam totalmente interdependentes, favorecendo a sua automatização  Chamado de contínuo porque não se consegue facilmente identificar e separar dentro da produção uma unidade do produto das demais que estão sendo feitas.  Devido à automação dos processos, a flexibilidade para a mudança de produto é baixa. São necessários altos investimentos em equipamentos e instalações, e a mão-de-obra é empregada apenas para a condução e manutenção das instalações, sendo seu custo insignificante em relação aos outros fatores produtivos
  • 17.
    Sistemas Contínuos ePCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 17  Está classificada dentro deste grupo geralmente a produção de bens de base, comuns a várias cadeias produtivas, como energia elétrica, petróleo e derivados, produtos químicos de uma forma geral, etc.  Alguns serviços também podem ser produzidos dentro desta ótica com o emprego de máquinas, como serviços de aquecimento e ar condicionado, de limpeza contínua, sistemas de monitoramento por radar, e os vários serviços fornecidos via internet (homebank, busca de páginas, etc.), entre outros  Tendo em vista a sincronização e automatização dos processos, pode-se dizer que o lead time produtivo é baixo, e, por serem produzidos poucos produtos que possuem demandas altas, a maioria das empresas coloca de antemão estoques destes produtos a disposição dos clientes, pois sua venda é garantida
  • 18.
    Sistemas Contínuos ePCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 18 + - Estoques deMP Estoques dePA Processo Produtivo MP PA Dinâmica do PCP PMP define Velocidade do Fluxo Foco na Logística de Abastecimento de MP e Distribuição de PA
  • 19.
    Sistemas de Produçãoem Massa e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 19  A semelhança dos sistemas contínuos, são aqueles empregados na produção em grande escala de produtos altamente padronizados, contudo estes produtos não são passíveis de automatização em processos contínuos, exigindo participação de mão- de-obra especializada na transformação do produto  Podem-se classificar dentro deste sistema as empresas que estão na ponta das cadeias produtivas, com suas linhas de montagem, como é o caso das montadoras de automóveis, eletrodomésticos, grandes confecções têxteis, abate e beneficiamento de aves, suínos, gado, etc., e a prestação de serviços em grande escala como transporte aéreo, editoração de jornais e revistas, etc
  • 20.
    Sistemas de Produçãoem Massa e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 20  Normalmente, a demanda por estes produtos é estável, fazendo com que seus projetos tenham pouca alteração no curto prazo, possibilitando a montagem de uma estrutura produtiva (linhas de montagem) altamente especializada e pouco flexível, onde os altos investimentos possam ser amortizados durante um longo prazo  Neste sistema produtivo a variação entre os produtos acabados se dá geralmente apenas a nível de montagem final, sendo seus componentes padronizados de forma a permitir a produção em grande escala  Por exemplo, as montadoras de automóveis possuem linhas focadas nos chassis, que por sua vez podem ser carregados com diferentes carrocerias, motores e demais acessórios, gerando uma infinidade de produtos acabados, sob a ótica do cliente, contudo bastante padronizado sob a ótica da produção
  • 21.
    Sistemas de Produçãoem Massa e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 21  Assim como nos sistemas contínuos, tendo em vista a sincronização e padronização das atividades nas linhas de montagem, pode-se dizer que nos sistemas em massa o lead time produtivo é baixo, e, por serem produzidos poucos produtos que possuem demandas altas, estoques destes produtos a disposição dos clientes são usados como estratégia de pronto atendimento  O volume alto de produção faz com que os custos fixos sejam diluídos e que os custos variáveis das matérias-primas e componentes, negociados em grandes lotes, também sejam menores, tendo como conseqüência custos finais baixos, quando comparados aos sistemas de produção em lotes e sob encomenda  No nível estratégico, a montagem do Plano de Produção para os sistemas de produção em massa tem seu foco, assim como nos sistemas contínuos, no atendimento do critério de desempenho redução de custos
  • 22.
    Sistemas de Produçãoem Massa e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 22 Dinâmica do PCP PMP define Velocidade do Fluxo TC = TD/D Foco na Logística de Abastecimento (MP e SM) e de Entrega de PA Estoques deMP Estoques dePA MP PA Supermercados ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC
  • 23.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 23  O terceiro grupo de sistemas produtivos é o de sistemas de produção repetitivos em lotes, que se caracterizam pela produção de um volume médio de bens ou serviços padronizados em lotes, sendo que cada lote segue uma série de operações que necessita ser programada à medida que as operações anteriores forem sendo realizadas  Neste caso, o sistema produtivo deve ser relativamente flexível visando atender diferentes pedidos dos clientes e flutuações da demanda, empregando equipamentos pouco especializados, geralmente agrupados em centros de trabalho identificados como departamentos, e mão-de- obra mais polivalente
  • 24.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 24 Estoques PC e MP Estoques de PA SM SM SM SM PA1 PA2
  • 25.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 25  Os sistemas repetitivos em lote situam-se entre os dois extremos, a produção em massa e a produção sob projeto, onde a quantidade solicitada de bens ou serviços é insuficiente para justificar a massificação da produção e especialização das instalações, porém justifica a produção de lotes econômicos no sentido de absorver os custos de preparação (setup) do processo  Como existem muitos tempos de espera dos lotes (em programação, em filas, nos setups, etc.) entre as operações, o lead time produtivo é maior do que o do sistema em massa, bem como os custos decorrentes desta forma de organização
  • 26.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 26  Em função da diversidade de produção e da baixa sincronização entre as operações, quando comparada aos sistemas em massa, este sistema produtivo trabalha com a lógica de manter estoques como forma de garantir o atendimento da etapa seguinte de produção  Estes estoques podem estar centralizados em almoxarifados ou espalhados dentro da fábrica na forma de supermercados de abastecimento  Estrategicamente, ao montar o Plano de Produção dos sistemas repetitivos em lotes se busca privilegiar os critérios associados ao desempenho de entrega (confiabilidade e velocidade) e à flexibilidade
  • 27.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 27  Como exemplo, têm-se as empresas que fornecem componentes para as linhas de montagem, elas mesmas com pequenas linhas de montagem, ou acabamento, ao final do processo  É o caso das fornecedoras da cadeia automobilística, da cadeia de eletrodomésticos, etc.  Geralmente empresas do ramo metal mecânico trabalham nesta configuração, com departamentos de usinagem, fundição, solda, etc.  Na cadeia têxtil têm-se as tecelagens e os beneficiamentos trabalhando em lotes repetitivos, entre outros  Dentro da prestação de serviços podem-se citar as oficinas de reparo para automóveis e aparelhos eletrônicos, laboratórios de análise químicas, restaurantes, etc.
  • 28.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 28  O foco do PCP nos sistemas repetitivos em lotes está na função de programação da produção, que busca organizar o seqüenciamento das ordens de produção em cada grupo de recursos do centro de trabalho de forma a reduzir estoques e lead times produtivos  Esta programação da produção pode ser realizada de forma empurrada ou de forma puxada
  • 29.
    Sistemas Repetitivos emLotes e PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 29 Dinâmica do PCP PMP define necessidades de PA MRP define necessidades de OC/OF/OM Foco no seqüenciamento das ordens Estoques PC e MP Estoques de PA SM SM SM SM PA1 PA2
  • 30.
    Programação Empurrada xPuxada Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 30 Previsão da Demanda Planejamento-mestre da Produção - PMP Planejamento das Necessidades de Materiais - MRP Emitir OC - OF - OM Programação Empurrada Programação Puxada Seqüenciar - APS Dimensionar SM Operar Sistema Kanban
  • 31.
    Programação Empurrada Planejamento eControle da Produção: Teoria e Prática 31 OF1OF5 OF8 OF7 OF6 OF4 OF3 OF2 APS APS Empurra Fornecedor Cliente OF2OF6 OF8 OF7 OF5 OF4 OF3 APS APS Empurra Fornecedor Cliente 1 2
  • 32.
    Programação Puxada Planejamento eControle da Produção: Teoria e Prática 32 1 2 K1 K3 K2 SupermercadoFornecedor Cliente Puxa Retira K1 K3K1 K2 SupermercadoFornecedor Cliente Puxa Retira K3
  • 33.
    Produção Focalizada emCélulas Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 33 Kanban PA Kanban PC Kanban MP Kanban PC TC TC TC TC TC PA1 PA2 Produção Enxuta Produção em Fluxo Unitário Redução dos Setups Redução dos Lotes Redução dos Lead Times Redução dos Estoques Polivalência da MOD Padrão de Operação (TC)
  • 34.
    Produção Focalizada emCélulas Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 34  Onde o PCP precisava planejar, programar e seqüenciar ordens individuais para cada uma das operações realizadas em diferentes departamentos, com o layout celular a programação é feita para a célula como um todo, pois a célula age como uma pequena linha de montagem, com necessidades de controles apenas na entrada e saída  Apesar de não haver uma dependência conceitual entre a produção focalizada com células de fabricação e o sistema puxado de produção, é neste ambiente, muito propriamente identificado como Manufatura Enxuta, que há um ganho adicional de produtividade, pois estes dois sistemas se complementam
  • 35.
    Sistemas Sob Encomendae PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 35  O quarto grupo de sistemas produtivos, aqui chamados de Sistemas sob Encomenda, tem como finalidade a montagem de um sistema produtivo voltado para o atendimento de necessidades específicas dos clientes, com demandas baixas, tendendo para a unidade  O produto tem uma data específica negociada com o cliente para ser concluído e, uma vez concluído, o sistema produtivo se volta para um novo projeto  Os produtos são concebidos em estreita ligação com os clientes, de modo que suas especificações impõem uma organização dedicada ao projeto, que não pode ser preparada com antecedência, principalmente com a geração de supermercados de estoques intermediários para acelerar o lead time produtivo  Eventualmente, a compra de matérias primas e peças componentes podem ser feitas com antecedência
  • 36.
    Sistemas Sob Encomendae PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 36  Nestes sistemas exige-se, em termos de critérios na montagem do Plano de Produção, alta flexibilidade dos recursos produtivos com foco no atendimento de especificidades dos clientes, normalmente a custa de certa ociosidade enquanto a demanda por bens ou serviços não ocorrer, gerando custos produtivos mais altos que os sistemas anteriores  Exemplos de sistemas sob encomenda estão na fabricação de bens como navios, aviões, usinas hidroelétricas, e nos setores de fabricação de máquinas e ferramentas, e a prestação de serviços específicos como agências de propaganda, escritórios de advocacia, arquitetura, etc.
  • 37.
    Sistemas Sob Encomendae PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 37  Os sistemas sob encomenda organizam seus recursos produtivos por centros de trabalho ou departamentos com foco na função executada  A dinâmica do PCP começa com a negociação de um projeto específico com o cliente, que necessita saber em que data o sistema produtivo consegue elaborar seu projeto  Por exemplo, a encomenda de um motor elétrico de grande porte para trabalhar em uma usina hidrelétrica está atrelada a prazos de conclusão do projeto da usina, ou, ainda, a encomenda de uma matriz para a estamparia de uma fábrica de automóveis tem como data limite o lançamento de um novo carro no mercado  A questão de custos produtivos é negociada entre as partes, e tende a ter um padrão de mercado, como por exemplo o custo de horas de usinagem
  • 38.
    Sistemas Sob Encomendae PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 38 Estoques PC e MP Dinâmica do PCP Vendas negocia com Cliente APS (capacidade finita) visualiza carregamento do sistema Foco no atendimento da data de entrega PA ?
  • 39.
    Sistemas Sob Encomendae PCP Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 39  Quando o produto a ser fabricado possui tempos operacionais altos, como semanas ou até meses, como no caso da indústria da construção civil, o PCP é realizado através do conceito de rede, aplicando-se a técnica de PERT/CPM, que permite identificar o chamado caminho crítico, que deve ser acompanhado no detalhe para evitar atrasos 1 2 4 3 5 6 C 7 E 9 B 6 F 5 G 4 A 10 D 5 0 0 10 10 6 9 17 17 15 18 22 22
  • 40.
    EXERCÍOS 1 Defina ostrês níveis de plano dentro de um sistema de gerenciamento da produção. 2 Conceitue o Departamento de Planejamento e Controle da Produção 3 Defina o Planejamento-mestre da Produção 4 Como ocorre o controle e acompanhamento da produção 5 Como o autor classifica os sistemas produtivos 6 Defina o sistema de produção empurrada. 7 O que é produção focalizada? Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática 40