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O QUE É A ARTE?
Três teorias sobre a natureza
da Arte.
1ª Teoria: A Arte como imitação.
Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo
homem e imita algo.
 Vantagens
Adequa-se ao facto incontestável de muitas pinturas,
esculturas e outras obras de arte.
Oferece um critério de classificação das obras de arte
bastante rigoroso, o que nos permite distinguir com alguma
facilidade uma obra de arte.
Oferece um critério de valoração das obras de arte .Uma
obra de arte seria tão boa quanto mais se conseguisse
aproximar do objecto imitado.
Um aspecto geral desta teoria mostra-nos que é uma teoria
centrada nos objectos imitados. Ela exprime-se
frequentemente através de frases como
«este filme é excelente, pois é um retrato fiel da sociedade
americana nos anos 60», ou como
«este quadro é tão bom que mal conseguimos distinguir
aquilo que o artista pintou do modelo utilizado».
Arte com 30.000 anos.
Testemunho e Domínio.
Vantagens
 Oferece um critério para distinguir a
boa da má arte.
 Será boa a arte que imita na
perfeição o objecto representado ou
o modelo original, e má a que não
oferece esse efeito.
 Permite catalogar e compreender
muitas obras de Arte, da pintura à
música.
Objecções à teoria da arte como
imitação:
 O que imita esta
obra?
 Ou uma obra de
John Cage que é só
silêncio?
 Este conceito de
imitação deixa de
fora muitas obras
que os críticos e o
público consideram
arte.
Para contrariar esta objecção substitui-se imitação
por representação
 Assim já podemos
dizer que na 9ª
sinfonia de
Beethoven os
primeiros acordes
representam as
pancadas da
morte.
 Mas o que
representa este
quadro de Pollock?
Objecção 2: como saber se a
representação é boa?
 Há certas obras
que surgem fruto
da imaginação e
que não podemos
saber se são fiéis
ao modelo porque
não conhecemos o
modelo.
 Exemplo: O jardim
das delícias de
Bosh
Um conceito mais lato:
representação simbólica
2ª Teoria: A Arte como Expressão
 Insatisfeitos com a teoria da
arte como imitação (ou
representação), muitos
filósofos e artistas românticos
do século XIX propuseram
uma definição de arte que
procurava libertar-se das
limitações da teoria anterior,
ao mesmo tempo que
deslocava para o artista, ou
criador, a chave da
compreensão da arte. Trata-
se da teoria da arte como
expressão. Teoria que, ainda
hoje, uma enorme quantidade
de pessoas aceita sem
questionar. Segundo a teoria
da expressão
Tese: Uma obra só é Arte se
exprimir sentimentos e emoções
 São muitos e
eloquentes os
testemunhos de
artistas que
reconhecem a
importância de
certas emoções
sem as quais as
suas obras não
teriam certamente
existido
3 critérios de avaliação
 Sinceridade e autenticidade
 Individualidade do sentimento
 Clareza com que o sentimento é
transmitido.
Tipos de juízos que identificam
esta forma de considerar a Arte:
 Uma teoria como esta manifesta-se
frequentemente em juízos como
«Este é um livro exemplar em que o
autor nos transmite o seu desespero
perante uma vida sem sentido» ou
como
«O autor do filme filma
magistralmente os seus próprios
traumas e obsessões».
Francoise Gilot -Picasso
Francoise gilot 3
Retratos de francoise gilot
Vantagens:
 Mais uma vez oferece um
critério valorativo: uma
obra é tanto melhor
quanto melhor conseguir
exprimir os sentimentos do
artista que a criou.
 Se a obra exprime
sentimentos e emoções
autênticas
então é uma verdadeira
obra de arte.
 Laura Knight, Ciganos
Sentimento, Chagall, os noivos
Objecções:
 Podemos dizer que os
quadros de Yves Klein,
Mondrian ou de Vasarely?
Expressam as emoções do
autor?O grande compositor do
nosso século, Richard Strauss,
autor de vários poemas
sinfónicos, como o célebre
Assim Falava Zaratustra,
esclarecia que as suas obras
eram fruto de um trabalho
paciente e minucioso no
sentido de as aperfeiçoar,
eliminando desse modo os
defeitos inerentes a qualquer
produto emocional.
Objecção 2
 Sobre o critério de valoração. Como
podemos nós saber se uma determinada
obra exprime correctamente as emoções
do artista que a criou, quando o artista já
morreu há séculos?
3ª Teoria: A Arte como Forma
Significante:
 Tese: Uma obra é Arte se provoca nas
pessoas emoções estéticas.
A Forma significante
 Mas se essa emoção
peculiar chamada «emoção
estética» é provocada
pelas obras de arte, e só
por elas, então tem de
haver alguma propriedade
também ela peculiar a
todas as obras de arte,
que seja capaz de provocar
tal emoção nas pessoas.
Mas essa característica
existe mesmo? Clive Bell
responde que sim e diz
que é a forma
significante.
Juízos que identificam esta teoria:
 “Este quadro é uma
verdadeira obra-prima
devido à excepcional
harmonia das cores e
ao equilíbrio da
composição”, ou como
“Aquele livro é
excelente porque está
muito bem escrito e
apresenta uma
história bem
construída apoiada em
personagens
convincentes”
Vantagens:
 Vantagem: pode
incluir todo o tipo de
obras de arte. Desde
que provoque
emoções estéticas
qualquer objecto é
uma obra de arte,
ficando assim
ultrapassado o
carácter restritivo das
teorias anteriores.
 Tracey Emin, my bed
Objecções:
 Em primeiro lugar,
podemos mostrar que
algumas pessoas não
sentem qualquer tipo
de emoção perante
certas obras que são
consideradas arte.
Quer dizer que essas
obras podem ser arte
para uns e não o ser
para outros?
Objecção 2
 Se a forma significante é a propriedade
que provoca em nós emoções estéticas,
depois de dizer que as emoções estéticas
são provocadas pela forma significante é
uma falácia de circularidade.
Teoria institucional
Dickie define a
obra de arte
como um
artefacto que
possui um
conjunto de
aspetos que lhe
conferem o status
de candidato à
apreciação das
pessoas da
instituição do
mundo da arte.
É arte quando um entendido
assim o diz
A importância desta frase pode ser ilustrada pela
obra de Alfred Wallis8. Wallis era um marinheiro
que nada entendia de arte e que aos 70 anos, após
a morte da esposa, decidiu pintar barcos na
madeira para afugentar a solidão. Casualmente,
dois pintores de passagem pelo lugar gostaram de
suas telas e o descobriram como artista. Como
resultado as obras de Wallis podem ser hoje vistas
em vários museus ingleses. Como disse um crítico,
Wallis tornou-se um artista sem sequer saber que
era.
Arte é aquilo que os críticos
veem como tal
Baskiat
Christo
Teoria histórica da arte
 (I) X é uma obra de arte = df X é um objeto
acerca do qual uma pessoa ou pessoas,
possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm
a intenção não-passageira de que este seja
perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e.,
perspetivado de qualquer modo (ou modos) como
foram ou são perspetivadas corretamente (ou
padronizadamente) obras de arte anteriores.»
(Levinson, 1979, p. 236)
Marina Abramovic
Outra perspetiva histórica: as
narrativas
 À luz da sua perspetiva, o que as
une, às obras de arte, são
narrativas com poder explicativo que
traçam um percurso inteligível entre
obras de arte incontestáveis de um
passado mais ou menos remoto e
acontecimentos artísticos que lhe
sucedem no tempo.
Gericault, A Jangada de
Medusa 1819
A arte conta a história do seu
tempo - Courbet
Narrativa Christo
Uma narrativa de outro tempo
 O Valor da Obra de Arte
 A fonte imediata da obra de arte é a capacidade humana de pensar, da mesma forma
que a «propensão para a troca e o comércio» é a fonte dos objetos de uso. Tratam-
se de capacidades do homem, e não de meros atributos do animal humano, como
sentimentos, desejos e necessidades, aos quais estão ligados e que muitas vezes
constituem o seu conteúdo.
Estes atributos humanos são tão alheios ao mundo que o homem cria como seu lugar
na terra, como os atributos correspondentes de outras espécies animais; se tivessem
de constituir um ambiente fabricado pelo homem para o animal humano, esse
ambiente seria um não mundo, resultado de emanação e não de criação. A
capacidade de pensar relaciona-se com o sentimento, transformando a sua dor muda
e inarticulada, do mesmo modo que a troca transforma a ganância crua do desejo e o
uso transforma o anseio desesperado da necessidade - até que todos se tornem
dignos de entrar no mundo transformados em coisas, reificados. Em cada caso, uma
capacidade humana que, por sua própria natureza, é comunicativa e voltada para o
mundo, transcende e transfere para o mundo algo muito intenso e veemente que
estava aprisionado no ser.
Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'
CONCLUSÃO
Teorias sobre a Arte
OBRA AUTOR PÚBLICO
FORMA SIGNIFICANTE
COMO EXPRESSÃO
COMO IMITAÇÃO
Oqueaarte 100529034553-phpapp01-150514210944-lva1-app6892

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  • 1. O QUE É A ARTE? Três teorias sobre a natureza da Arte.
  • 2. 1ª Teoria: A Arte como imitação.
  • 3. Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.  Vantagens Adequa-se ao facto incontestável de muitas pinturas, esculturas e outras obras de arte. Oferece um critério de classificação das obras de arte bastante rigoroso, o que nos permite distinguir com alguma facilidade uma obra de arte. Oferece um critério de valoração das obras de arte .Uma obra de arte seria tão boa quanto mais se conseguisse aproximar do objecto imitado. Um aspecto geral desta teoria mostra-nos que é uma teoria centrada nos objectos imitados. Ela exprime-se frequentemente através de frases como «este filme é excelente, pois é um retrato fiel da sociedade americana nos anos 60», ou como «este quadro é tão bom que mal conseguimos distinguir aquilo que o artista pintou do modelo utilizado».
  • 4. Arte com 30.000 anos. Testemunho e Domínio.
  • 5. Vantagens  Oferece um critério para distinguir a boa da má arte.  Será boa a arte que imita na perfeição o objecto representado ou o modelo original, e má a que não oferece esse efeito.  Permite catalogar e compreender muitas obras de Arte, da pintura à música.
  • 6. Objecções à teoria da arte como imitação:  O que imita esta obra?  Ou uma obra de John Cage que é só silêncio?  Este conceito de imitação deixa de fora muitas obras que os críticos e o público consideram arte.
  • 7. Para contrariar esta objecção substitui-se imitação por representação  Assim já podemos dizer que na 9ª sinfonia de Beethoven os primeiros acordes representam as pancadas da morte.  Mas o que representa este quadro de Pollock?
  • 8. Objecção 2: como saber se a representação é boa?  Há certas obras que surgem fruto da imaginação e que não podemos saber se são fiéis ao modelo porque não conhecemos o modelo.  Exemplo: O jardim das delícias de Bosh
  • 9. Um conceito mais lato: representação simbólica
  • 10. 2ª Teoria: A Arte como Expressão  Insatisfeitos com a teoria da arte como imitação (ou representação), muitos filósofos e artistas românticos do século XIX propuseram uma definição de arte que procurava libertar-se das limitações da teoria anterior, ao mesmo tempo que deslocava para o artista, ou criador, a chave da compreensão da arte. Trata- se da teoria da arte como expressão. Teoria que, ainda hoje, uma enorme quantidade de pessoas aceita sem questionar. Segundo a teoria da expressão
  • 11. Tese: Uma obra só é Arte se exprimir sentimentos e emoções  São muitos e eloquentes os testemunhos de artistas que reconhecem a importância de certas emoções sem as quais as suas obras não teriam certamente existido
  • 12. 3 critérios de avaliação  Sinceridade e autenticidade  Individualidade do sentimento  Clareza com que o sentimento é transmitido.
  • 13. Tipos de juízos que identificam esta forma de considerar a Arte:  Uma teoria como esta manifesta-se frequentemente em juízos como «Este é um livro exemplar em que o autor nos transmite o seu desespero perante uma vida sem sentido» ou como «O autor do filme filma magistralmente os seus próprios traumas e obsessões».
  • 17. Vantagens:  Mais uma vez oferece um critério valorativo: uma obra é tanto melhor quanto melhor conseguir exprimir os sentimentos do artista que a criou.  Se a obra exprime sentimentos e emoções autênticas então é uma verdadeira obra de arte.  Laura Knight, Ciganos
  • 19. Objecções:  Podemos dizer que os quadros de Yves Klein, Mondrian ou de Vasarely? Expressam as emoções do autor?O grande compositor do nosso século, Richard Strauss, autor de vários poemas sinfónicos, como o célebre Assim Falava Zaratustra, esclarecia que as suas obras eram fruto de um trabalho paciente e minucioso no sentido de as aperfeiçoar, eliminando desse modo os defeitos inerentes a qualquer produto emocional.
  • 20. Objecção 2  Sobre o critério de valoração. Como podemos nós saber se uma determinada obra exprime correctamente as emoções do artista que a criou, quando o artista já morreu há séculos?
  • 21. 3ª Teoria: A Arte como Forma Significante:  Tese: Uma obra é Arte se provoca nas pessoas emoções estéticas.
  • 22. A Forma significante  Mas se essa emoção peculiar chamada «emoção estética» é provocada pelas obras de arte, e só por elas, então tem de haver alguma propriedade também ela peculiar a todas as obras de arte, que seja capaz de provocar tal emoção nas pessoas. Mas essa característica existe mesmo? Clive Bell responde que sim e diz que é a forma significante.
  • 23. Juízos que identificam esta teoria:  “Este quadro é uma verdadeira obra-prima devido à excepcional harmonia das cores e ao equilíbrio da composição”, ou como “Aquele livro é excelente porque está muito bem escrito e apresenta uma história bem construída apoiada em personagens convincentes”
  • 24. Vantagens:  Vantagem: pode incluir todo o tipo de obras de arte. Desde que provoque emoções estéticas qualquer objecto é uma obra de arte, ficando assim ultrapassado o carácter restritivo das teorias anteriores.  Tracey Emin, my bed
  • 25. Objecções:  Em primeiro lugar, podemos mostrar que algumas pessoas não sentem qualquer tipo de emoção perante certas obras que são consideradas arte. Quer dizer que essas obras podem ser arte para uns e não o ser para outros?
  • 26. Objecção 2  Se a forma significante é a propriedade que provoca em nós emoções estéticas, depois de dizer que as emoções estéticas são provocadas pela forma significante é uma falácia de circularidade.
  • 27. Teoria institucional Dickie define a obra de arte como um artefacto que possui um conjunto de aspetos que lhe conferem o status de candidato à apreciação das pessoas da instituição do mundo da arte.
  • 28. É arte quando um entendido assim o diz A importância desta frase pode ser ilustrada pela obra de Alfred Wallis8. Wallis era um marinheiro que nada entendia de arte e que aos 70 anos, após a morte da esposa, decidiu pintar barcos na madeira para afugentar a solidão. Casualmente, dois pintores de passagem pelo lugar gostaram de suas telas e o descobriram como artista. Como resultado as obras de Wallis podem ser hoje vistas em vários museus ingleses. Como disse um crítico, Wallis tornou-se um artista sem sequer saber que era.
  • 29. Arte é aquilo que os críticos veem como tal
  • 32. Teoria histórica da arte  (I) X é uma obra de arte = df X é um objeto acerca do qual uma pessoa ou pessoas, possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm a intenção não-passageira de que este seja perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e., perspetivado de qualquer modo (ou modos) como foram ou são perspetivadas corretamente (ou padronizadamente) obras de arte anteriores.» (Levinson, 1979, p. 236)
  • 34. Outra perspetiva histórica: as narrativas  À luz da sua perspetiva, o que as une, às obras de arte, são narrativas com poder explicativo que traçam um percurso inteligível entre obras de arte incontestáveis de um passado mais ou menos remoto e acontecimentos artísticos que lhe sucedem no tempo.
  • 35. Gericault, A Jangada de Medusa 1819
  • 36. A arte conta a história do seu tempo - Courbet
  • 38. Uma narrativa de outro tempo
  • 39.  O Valor da Obra de Arte  A fonte imediata da obra de arte é a capacidade humana de pensar, da mesma forma que a «propensão para a troca e o comércio» é a fonte dos objetos de uso. Tratam- se de capacidades do homem, e não de meros atributos do animal humano, como sentimentos, desejos e necessidades, aos quais estão ligados e que muitas vezes constituem o seu conteúdo. Estes atributos humanos são tão alheios ao mundo que o homem cria como seu lugar na terra, como os atributos correspondentes de outras espécies animais; se tivessem de constituir um ambiente fabricado pelo homem para o animal humano, esse ambiente seria um não mundo, resultado de emanação e não de criação. A capacidade de pensar relaciona-se com o sentimento, transformando a sua dor muda e inarticulada, do mesmo modo que a troca transforma a ganância crua do desejo e o uso transforma o anseio desesperado da necessidade - até que todos se tornem dignos de entrar no mundo transformados em coisas, reificados. Em cada caso, uma capacidade humana que, por sua própria natureza, é comunicativa e voltada para o mundo, transcende e transfere para o mundo algo muito intenso e veemente que estava aprisionado no ser. Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'
  • 40. CONCLUSÃO Teorias sobre a Arte OBRA AUTOR PÚBLICO FORMA SIGNIFICANTE COMO EXPRESSÃO COMO IMITAÇÃO