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A crítica de Hume ao conhecimento.
Princípio da causalidade e
Princípio da regularidade da
natureza
O que é o princípio da causalidade?
 É o que nos permite associar duas ideias e
estabelecer um nexo causal entre elas. Permite-
nos explicar um facto com outro facto pois
associamos a ideia de um com a ideia de outro.
Fazemos esta associação de ideias entre dois
factos como se tratasse de uma conexão
necessária pois deduzimos que um facto vai
ocorrer se o outro (a sua causa) também ocorrer.
Qual o problema?
 Não há uma conexão necessária entre factos, só
há uma conexão necessária na relação de ideias,
mas o princípio da causalidade aplica-se aos
factos e não às ideias. Este princípio tem pois a
sua origem na experiência e não na razão, logo
não há na experiência nenhuma impressão de
causalidade, como podemos então ter essa
ideia? Não pode ter origem na razão pois
ninguém sem experiência de um facto pode
deduzir por cálculo o seu efeito ou causa. Se tem
origem na experiência na observação da
sucessão constante entre certos factos como o
fogo e o fumo, não pode contudo ser justificada
pela experiência porque esta só nos permite ter
acesso a relações contingentes e não
Conclusão
 o fundamento deste princípio justifica-se ou
fundamenta-se no hábito ou costume. Observar
repetidas vezes uma mesma sucessão de factos
leva-nos a formar a ideia que eles estão
necessariamente juntos, mas essa ideia não tem
uma justificação aceitável, é mais uma projeção
da mente sobre a natureza do que um real
conhecimento.
Quais as consequências?
 Se todo o conhecimento dos factos se baseia nas
relações causais entre eles teremos de aceitar
que esse conhecimento é apenas provável e que
pode ser enganador se considerarmos que o seu
fundamento é um hábito psicológico, nada na
sucessão dos factos nos permite ter a certeza de
que se seguirão um ao outro no futuro, dado que
se seguiram até ao presente. O conhecimento
está assim posto em causa, não só porque se
fundamenta em crenças sem justificação, como
se desenvolve a partir de uma forma de adesão
que resulta de um sentimento e portante não é
sólida.
Princípio da regularidade da
natureza:
 De causas semelhantes seguem-se efeitos
semelhantes.
 As conjunções constantes observadas podem
garantir-nos que no futuro continuarão a existir?
 O futuro assemelhar-se-á ao passado. É a nossa
crença.
 Para Hume é impossível justificar que o futuro se
vai assemelhar ao passado
Exemplo:
 Até agora, todas as sementes de jacarandá
quando plantadas dão jacarandás.
 Logo, todas as sementes de jacarandá quando
plantadas dão jacarandás. (generalização)
 Previsão: Se tenho uma semente de jacarandá e
a plantar é muito provável que dê um jacarandá.
A experiência repetida permite a
generalização
Semente logo Árvore não é lógica,
são dois factos que se repetem.
O problema:
 Só podemos justificar o princípio da regularidade
da natureza a partir de argumentos indutivos cuja
conclusão é provável e não certa.
 (Pode não nascer um jacarandá da semente)
 Não podemos deduzir que irá nascer um
jacarandá. Pois o curso da natureza pode
mudar(embora seja pouco provável ).
O raciocínio indutivo não está justificado nem pode
servir como justificação.
 Ora se o curso da natureza pode mudar, então
 Não podemos demonstrar dedutivamente que a
natureza é regular.
 Só poderemos saber que provavelmente a
natureza é regular.
 Mas para termos uma justificação para essa
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David hume2

  • 1. A crítica de Hume ao conhecimento. Princípio da causalidade e Princípio da regularidade da natureza
  • 2. O que é o princípio da causalidade?  É o que nos permite associar duas ideias e estabelecer um nexo causal entre elas. Permite- nos explicar um facto com outro facto pois associamos a ideia de um com a ideia de outro. Fazemos esta associação de ideias entre dois factos como se tratasse de uma conexão necessária pois deduzimos que um facto vai ocorrer se o outro (a sua causa) também ocorrer.
  • 3. Qual o problema?  Não há uma conexão necessária entre factos, só há uma conexão necessária na relação de ideias, mas o princípio da causalidade aplica-se aos factos e não às ideias. Este princípio tem pois a sua origem na experiência e não na razão, logo não há na experiência nenhuma impressão de causalidade, como podemos então ter essa ideia? Não pode ter origem na razão pois ninguém sem experiência de um facto pode deduzir por cálculo o seu efeito ou causa. Se tem origem na experiência na observação da sucessão constante entre certos factos como o fogo e o fumo, não pode contudo ser justificada pela experiência porque esta só nos permite ter acesso a relações contingentes e não
  • 4. Conclusão  o fundamento deste princípio justifica-se ou fundamenta-se no hábito ou costume. Observar repetidas vezes uma mesma sucessão de factos leva-nos a formar a ideia que eles estão necessariamente juntos, mas essa ideia não tem uma justificação aceitável, é mais uma projeção da mente sobre a natureza do que um real conhecimento.
  • 5. Quais as consequências?  Se todo o conhecimento dos factos se baseia nas relações causais entre eles teremos de aceitar que esse conhecimento é apenas provável e que pode ser enganador se considerarmos que o seu fundamento é um hábito psicológico, nada na sucessão dos factos nos permite ter a certeza de que se seguirão um ao outro no futuro, dado que se seguiram até ao presente. O conhecimento está assim posto em causa, não só porque se fundamenta em crenças sem justificação, como se desenvolve a partir de uma forma de adesão que resulta de um sentimento e portante não é sólida.
  • 6. Princípio da regularidade da natureza:  De causas semelhantes seguem-se efeitos semelhantes.  As conjunções constantes observadas podem garantir-nos que no futuro continuarão a existir?  O futuro assemelhar-se-á ao passado. É a nossa crença.  Para Hume é impossível justificar que o futuro se vai assemelhar ao passado
  • 7. Exemplo:  Até agora, todas as sementes de jacarandá quando plantadas dão jacarandás.  Logo, todas as sementes de jacarandá quando plantadas dão jacarandás. (generalização)  Previsão: Se tenho uma semente de jacarandá e a plantar é muito provável que dê um jacarandá.
  • 8. A experiência repetida permite a generalização
  • 9. Semente logo Árvore não é lógica, são dois factos que se repetem.
  • 10. O problema:  Só podemos justificar o princípio da regularidade da natureza a partir de argumentos indutivos cuja conclusão é provável e não certa.  (Pode não nascer um jacarandá da semente)  Não podemos deduzir que irá nascer um jacarandá. Pois o curso da natureza pode mudar(embora seja pouco provável ).
  • 11. O raciocínio indutivo não está justificado nem pode servir como justificação.  Ora se o curso da natureza pode mudar, então  Não podemos demonstrar dedutivamente que a natureza é regular.  Só poderemos saber que provavelmente a natureza é regular.  Mas para termos uma justificação para essa conclusão baseamo-nos num argumento indutivo que por sua vez só é sólido se a natureza for regular- É uma petição de princípio.