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Chirlei A Ferreira
HISTÓRICO



Chirlei A Ferreira
Primeira Metade                               Segunda Metade
   Relatório Flexner – EUA (1910)                   Relatório Lalonde – CANADA (1974)


                                                         Conferência Internacional da
        MODELO FLEXNERIANO                              Organização Mundial em Saúde
                                                               Alma-Ata (1978)


   Passa a direcionar o ensino médico                   Reforça um modelo ideológico da
  americano para uma sólida formação                    Medicina Integral, a importância da
    em ciências básicas, utilizando o                 formação de um médico generalista e
  hospital como cenário – é reproduzido                   da Atenção Primária à Saúde
  em diversos países inclusive no Brasil




                                           Chirlei A Ferreira
- Ampliar os cenários de ensino, utilizando-se
  não apenas os hospitais, mas todos os recursos
  de saúde existentes na comunidade.
- Assegurar que os programas de ensino reflitam
  as prioridades de saúde nacionais.
- Deslocar o predomínio de métodos de ensino
  passivos, tão comuns hoje em dia, para a
  aprendizagem ativa com estudo independente
  autodirigido.



                       Chirlei A Ferreira
As instituições de Educação Superior devem
     trabalhar para que seus estudantes se
  convertam em cidadãos bem informados,
   providos de sentido crítico e capazes de
    analisar os problemas da sociedade em
 busca de soluções, assumindo desta forma,
         ampla responsabilidade social.




                   Chirlei A Ferreira
8ª.Conferência Nacional de Saúde                                  1991
             (1986)                              Associação Brasileira de Educação
 Delineia o projeto de construção de                Médica, Conselho Federal de
um sistema público de saúde pautado               Medicina e mais nove instituições
numa concepção ampliada de saúde                  relacionadas a profissão médica
 e no lema – “Saúde como direito de                   constituíram a Comissão
       todos e dever do Estado”                     Interinstitucional Nacional de
                                                   Avaliação das Escolas Médicas
                                                               (Cinaem)
    Constituição Federal (1988)


             Lei 8.080/90                                      FINALIDADE
 Garantiu ao Sistema Único de Saúde               Avaliar a educação médica e fomentar
   (SUS) dentro dos princípios da                   o aperfeiçoamento do Sistema de
    universalidade, integralidade,                                Saúde.
    equidade, hierarquização da
    assistência e participação da
             comunidade

                                       Chirlei A Ferreira
MUDANÇAS OCORRIDAS NO ENSINO MÉDICO



           Chirlei A Ferreira
DESAFIO DOS EDUCADORES:
            Formar um profissional para esta nova
         realidade, de integralidade da atenção , com
          ações de promoção e prevenção da saúde,
           com compromisso social e que atenda as
          demandas de saúde da comunidade, sendo
                   parte integrante do SUS.




Chirlei A Ferreira
A maioria dos cursos de
                                                                       COMPLEXIDADE DA
 Medicina se encontra ainda
                                                                             QUESTÃO:
organizada de acordo com as
                                                                   Saúde e sociedade, paradigmas
  proposições do Relatório
                                                                 médicos e estilos de pensamento,
          Flexner.
                                                                     saberes e práticas, modelos
                                                                  assistenciais e resolutividade dos
                                                                    problemas de saúde, políticas
                                                                 públicas e projetos pedagógicos de
                                                                                cursos.
                              O ensino médico no
                              Brasil está realmente
                                   mudando?




                                            Chirlei A Ferreira
Desde o surgimento da racionalidade médica
 moderna (século XIX), com o advento da
            anatomia patológica


                                                             A relação médico-paciente tornou-
                                                             se marcada pelo encontro de duas
  Consolidação de projeto de situar o saber                        leituras diversas sobre o
     e a prática médica no interior do                                  adoecimento.
     paradigma das ciências naturais.




      NATURALIZAÇÃO DO OBJETO:                                                             MÉDICO:
                                                        PACIENTE:
       A complexidade e a singularidade                                                 Trabalha com a
                                                       Apresenta uma
          do adoecimento humano;                                                        simplificação da
                                                     gama de mal-estares
          Por meio do processo de                                                      categoria doença
                                                       e pertubações
         objetivação com exclusão da
        subjetividade e a construção de
                 generalidades.




                                              Chirlei A Ferreira
MEC (07/11/2001)



Chirlei A Ferreira
 Articulação entre educação superior e sistema de saúde, objetivando formação
  geral e específica dos egressos/profissionais, com ênfase na promoção,
  prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, indicando competências
  comuns gerais para esse perfil de formação;
 Conceitos de saúde, princípios e diretrizes do SUS como elementos
  fundamentais dessa articulação;
 Indicar tópicos ou campos de estudos de ensino-aprendizagem, com ampla
  liberdade para integralização curricular;
 Levar os alunos dos cursos da saúde a aprender a aprender, o que engloba
  aprender a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a conhecer;
 Construir perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e
  conteúdos contemporâneos;
 Capacitar alunos/profissionais para atuarem com qualidade resolutividade no
  SUS.


                                        Chirlei A Ferreira
-Extinguiu o antigo “Currículo Mínimo”
que norteou a concepção do currículo
tradicional, ainda hoje em uso.
- Instituiu mudanças educacionais que o
currículo tradicional não tem como
cumprir.



                   Chirlei A Ferreira
Perfil do egresso:
Formação:
  Generalista
  Humanista
  Crítica e reflexiva
Capacitado a atuar, pautado pela ética, no
processo saúde-doença em seus diferentes
níveis de atenção, com ações de promoção,
prevenção, recuperação e reabilitação à saúde,
na perspectiva da integralidade da assistência,
com senso de responsabilidade e
compromisso com a cidadania.

                        Chirlei A Ferreira
Competências e habilidades gerais:
• Aptos a desenvolver a atenção à saúde.
• Aptos para a tomada de decisões.
• Estabelecer adequada comunicação: verbal, não-
  verbal, escrita e leitura, domínio de pelo menos
  uma língua estrangeira e de tecnologia de
  comunicação e informação.
• Exercer a liderança.
• Aptos para a administração e gerenciamento.
• Capacitados a aprender continuamente (educação
  permanente)


                         Chirlei A Ferreira
Artigo 9o. e 12. :
• Construção do projeto pedagógico:
   • Coletiva.
   • Centrado no aluno.
   • Utilizar metodologias que privilegiem a
     participação ativa do estudante na construção do
     seu conhecimento e a integração entre os
     conteúdos.
   • Professor como facilitador e mediador do
     processo ensino aprendizado.
   • Buscar a formação integral e adequada do
     estudante através da articulação entre o ensino, a
     pesquisa e a extensão/assistência.
                          Chirlei A Ferreira
BRASIL   2001-2005



Chirlei A Ferreira
 Oferecer cooperação técnica e/ou operacional às escolas de graduação em
  Medicina que se dispuserem a adotar processos de mudança nos currículos de
  seus cursos, com enfoque para as necessidades de saúde da população e do
  Sistema Único de Saúde;
 Programar estágios nos hospitais universitários e em toda a rede de serviços e
  atividades extraclasse contemplando os principais problemas de saúde da
  população;
 Capacitar melhor os estudantes de medicina para atender aos principais
  problemas de saúde da população, de acordo com a nova realidade de
  funcionamento do SUS, sendo necessário, para isso, que os cursos de
  medicina possibilitassem a formação de médicos com competência geral,
  essencial à ampliação de programas de atenção básica.




                                       Chirlei A Ferreira
 Aproximação da política de saúde com a formação acadêmica,
  em que os estudantes de graduação vão conhecer de perto, em
  cidades de todas as regiões do País, o funcionamento do Sistema
  Único de Saúde, formação e desenvolvimento profissional,
  participação popular e controle social;
 Familiarização com o SUS, seus problemas, peculiaridades e
  avanços;
 Participação ativa na direção das diferentes entidades estudantis
  da área da saúde na construção da vivência, desde seu desenho e
  negociação com os municípios até o processo de inscrição dos
  estudantes.




                                Chirlei A Ferreira
 Incentivo técnico, pedagógico e financeiro para fixação
  de médicos e enfermeiros no Programa Saúde da
  Família em pequenos municípios brasileiros, onde não
  existe médico;
 Interiorização de profissionais de saúde;
 Articulação de instituições de ensino e serviços de
  saúde, para acompanhamento e capacitação desses
  profissionais.




                             Chirlei A Ferreira
 Articulação interinstitucional, em um território, entre gestores federais,
  estaduais e municipais do SUS, universidades e instituições de ensino com
  cursos na área da saúde, incluindo principalmente suas áreas clínicas e de
  saúde coletiva; centros formadores, escolas de saúde pública, núcleos de
  saúde coletiva, hospitais universitários; estudantes da área de saúde,
  trabalhadores de saúde; Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde;
  movimentos estudantis e sociais que trabalham com saúde, fortalecendo
  compromissos com o SUS;
 Discutir e implementar projetos de mudança do ensino formal e da educação
  dos trabalhadores de saúde;
 Propõe a adoção da educação permanente como a estratégia fundamental
  para a recomposição das práticas de formação, atenção, gestão, formulação
  de políticas e controle social no setor de saúde;
 Propõe ainda que formação e desenvolvimento devem ser feitos de modo
  descentralizado, ascendente, transdisciplinar e devem propiciar a
  democratização institucional.


                                         Chirlei A Ferreira
 Incentivar transformações de processo de formação, geração de
  conhecimentos e prestação de serviços de saúde à população, para
  abordagem integral do processo saúde-doença. Reorientar o processo
  de formação em medicina, enfermagem e odontologia, de modo a
  oferecer à sociedade profissionais habilitados para responder às
  necessidades da população brasileira e à operacionalização do SUS;
 Aproximação entre a formação de graduação em saúde no País e as
  necessidades da atenção básica à saúde, que se traduzem , no Brasil,
  pela estratégia de Saúde da Família;
 Estabelecer mecanismos de cooperação entre os gestores do SUS e as
  escolas de medicina, enfermagem e odontologia, com vistas à melhoria
  da qualidade e resolutividade da atenção a saúde prestado ao cidadão,
  bem como à integração da rede pública de serviços de saúde e à
  formação dos profissionais na graduação e na educação permanente.



                                       Chirlei A Ferreira
 O ensino centrado no processo de trabalho e no princípio da
integralidade das ações de saúde;
 A inserção do aluno na realidade social e sanitária da população para
um acompanhamento do processo saúde-doença em suas mais variadas
formas e manifestações;
 A diversificação dos cenários de aprendizagem – comunidade, família,
unidades básicas de saúde, etc – e o deslocamento do hospital como
único espaço de aprendizagem;
 A perspectiva da formação em saúde inserida na trans-
disciplinaridade e na intersetorialidade;
 A valorização das dimensões psicossocial e antropológica do
adoecer; a incorporação das tecnologias leves, visando melhor atuação
frente aos aspectos subjetivos e singulares do adoecimento humano e a
construção de uma clínica ampliada, capaz de lidar com a polaridade
entre a ontologia das doenças e a singularidade dos sujeitos.


                                    Chirlei A Ferreira
PERFIL PREDOMINANTE DO FINAL DO SÉCULO XX



                Chirlei A Ferreira
 Positivista, com enfoque biologicista e utilitário, já que estas são as características
desenvolvidas tanto pelo referencial técnico-científico das instituições formadoras
quanto pelas exigências de busca de produtividade e competitividade constituídas no
próprio mercado de trabalho;
 Com alto grau de competência profissional, pois sem esse atributo um profissional
que lida com alta tecnologia não tem possibilidades de se afirmar;
 Fortemente centrado em sua especialidade, à qual se dedica quase na íntegra;
 Predisposto à utilização de novas tecnologias, equipamentos e técnicas, devido à
formação tecnicista;
 Com tendência a medicalizar o processo saúde-doença e a incorporar
equipamentos e insumos;
 Atualizado, assíduo nos estudos e na formação em serviço, já que precisa renovar
constantemente seus conhecimentos, sob pena de ficar defasado e superado;
 Marcadamente individualista, pois toda a sua formação colabora neste sentido;
 Formado num modelo idealizado, coerente com práticas profissionais liberais e
privativistas, construindo uma mentalidade elitista da saúde e estimulado a realização
de procedimentos motivados por interesse econômicos;




                                            Chirlei A Ferreira
 Resistente a trabalhar em igualdade de condições com as outras profissões da
área de saúde, o que se acentua pelo fato de que a medicina se particularizou no
uso da tecnologia, afirmando-se, assim, uma lógica de poder pelo saber;
 Paternalista na relação com o paciente e seus familiares, sendo este um dos
aspectos que historicamente marcou a relação médico-paciente;
 Onipotente na crença da cura das doenças, tendo este aspecto se intensificado
com o aumento da eficácia dos procedimentos médicos;
 Altamente corporativista na defesa da manutenção das situações estabelecidas
em torno do poder e do controle do saber controle do saber constituído;
 Crítico do SUS e defensor de uma visão liberal e autônoma da profissão,
condição que hoje, paradoxalmente, quase inexiste em nosso país, fato que
decorre da influência da cultura dos docentes, pesquisadores e preceptores
médicos, sejam acadêmicos ou dos hospitais de ensino.




                                      Chirlei A Ferreira
 Pouco conhecimento e nenhum compromisso com a organização do Sistema
Único de Saúde, sendo que este um fator político e ideológico que tem
acompanhado a educação médica, afastando-a também dos estudos de saúde
coletiva, prevenção e promoção de saúde;
 Pouco envolvido com aspectos administrativos e gerenciais da gestão da saúde
pública;
 Pouca compreensão da importância do trabalho em equipe multiprofissional,
com integração de conhecimentos interdisciplinares, para uma assistência focada
na pessoa e em suas necessidades;
 Fraca formação humanística, psicológica, sociológica e filosófica necessária a
um profissional médico;
 Despreparado para o atendimento das patologias prevalentes segundo a
epidemiologia das diferentes regiões do país;
 Pouco preparado psicologicamente para o exercício de sua profissão;
 Não comprometido com aspectos políticos e sociais que propiciem a busca de
soluções para os problemas de saúde da população;



                                       Chirlei A Ferreira
 Com fraco conhecimento da realidade situacional, do ambiente e das
condições de vida das famílias nas comunidades;
 Resistente a mudanças e, geralmente, defensor da manutenção do status quo
vigente na saúde.




          A perda de prestígio social do médico é constante, e, neste
          isolamento corporativista, ele passou a ser o alvo quase
          exclusivo de ações de responsabilização por erro,
          promovidas por pacientes ou seus familiares. Assim a
          relação médico-paciente é potencialmente intermediada
          pela figura do advogado.



                                      Chirlei A Ferreira
Qual o
 profissional
 para o Sistema
 Único de Saúde?




Chirlei A Ferreira
Não basta formar pessoal competente
tecnicamente, mas profissionais que tenha
     vivência sobre o acesso universal, a
 qualidade e a humanização na Atenção à
Saúde, com Controle Social, o que significa
dizer integração efetiva e permanente entre
   formação médica e serviços de saúde.




                               Chirlei A Ferreira
 Desenvolvimento de uma visão reflexiva e crítica a respeito de sua profissão e de
suas práticas;
 Ampliação de conhecimentos humanísticos em ciências sociais, antropologia e
filosofia, capazes de propiciar esta reflexividade crítica;
 Manutenção e renovação permanente dos conhecimentos científico-tecnológicas
propiciados pela moderna tecnociência, que de forma alguma podem ser
abandonados, mas precisam ser incorporados e utilizados com senso crítico e
racionalidade;
 Aumento dos conhecimentos baseados na epidemiologia, para a assistência
resolutiva das patologias prevalentes nas populações;
 Maior participação coletiva na gestão do sistema público de saúde;
 Conhecimentos de comunidade, família e técnicas grupais;
 Ampliação dos conhecimentos e das práticas multidisciplinares e interdisciplinares
necessárias ao trabalho em equipe multiprofissional e integração com os profissionais
das demais profissões da área de saúde;




                                          Chirlei A Ferreira
 Aumento dos conhecimentos em psicologia, saúde mental e construção de
subjetividade, que são recursos de relacionamento fundamentais ás práticas dos
profissionais da saúde;
 Ampliação dos conhecimentos em saúde coletiva, gestão da saúde e informação
em saúde, segundo as diretrizes do SUS;
Incorporação dos conhecimentos de educação para promoção de saúde, de
métodos de ensino-aprendizado e de técnicas pedagógicas de preceptoria, tutoria e
outras;
 Incorporação dos cuidados e responsabilização das equipes de saúde às
pessoas assistidas, com continuidade da assistência em toda a linha de atenção à
saúde, desde o cenário pré-hospitalar, no hospitalar e também no pós-hospitalar;
 Integração de conhecimentos e práticas da assistência, do ensino e da pesquisa,
com prioridade para as ações de atenção às necessidades concretas de saúde da
população;
 Inclusão da bioética como paradigma de orientação ética pelos direitos humanos
das pessoas, das populações e das gerações futuras, nas práticas cotidianas e
atenção para todos os fatores éticos necessários às mudanças da cultura médica.

                                         Chirlei A Ferreira
Chirlei A Ferreira
Chirlei A Ferreira
Uma medida imediata, diante desse contexto, é o
estabelecimento de parcerias, protocolos de
cooperação sistemática e auto-sustentável entre
gestores do SUS e as escolas médicas no sentido de
buscar a integração da academia com os serviços de
saúde, visando à formação de profissionais
adequados e qualificados para atender às
necessidades de saúde da população brasileira.
Há condições concretas, vontades, oportunidades e
recursos para estas propostas se viabilizarem.



                      Chirlei A Ferreira
Chirlei A Ferreira
ALBUQUERQUE CP. Ensino e Aprendizado em Serviços de Atenção Básica do SUS: desafios da formação médica
com a perspectiva da integralidade. “Narrativas e Tessituras”. Tese Doutorado, UFRJ, 2007

AMORETTI R. A Educação Médica diante das Necessidades Sociais em Saúde. Revista Brasileira de Educação
Médica, v.29, n.2, maio/agosto, 2005.

CAMPOS GWS. Diretrizes do Ensino Médico na Rede Básica de Saúde – Documento Preliminar. ABEM, 2005

MOURAO LC, MARTINS RC, VIEIRA CM, ROSSIN E, L’ABABAE S. Análise Institucional e Educação: Reforma
Curricular nas Universidades Pública e Privada. Educ. Soc., Campinas, v.28, n.98, p.181-210, jan/abril, 2007.

OLIVEIRA NA, MEIRELLES RM, CURY GC, ALVES LA. Mudanças Curriculares no Ensino Médico Brasileiro: um
Debate Crucial no Contexto do Promed. Revista Brasileira de Educação Médica, v.32(3),: 333-346, 2008.

RESOLUÇÃO CNE/CES N° 4, de 7 de Novembro de 2001 – Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de
Graduação em Medicina.




                                                       Chirlei A Ferreira
Muita obrigada!
       Chirlei/2010




Chirlei A Ferreira

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O sus e o ensino médico

  • 1.
  • 4. Primeira Metade Segunda Metade Relatório Flexner – EUA (1910) Relatório Lalonde – CANADA (1974) Conferência Internacional da MODELO FLEXNERIANO Organização Mundial em Saúde Alma-Ata (1978) Passa a direcionar o ensino médico Reforça um modelo ideológico da americano para uma sólida formação Medicina Integral, a importância da em ciências básicas, utilizando o formação de um médico generalista e hospital como cenário – é reproduzido da Atenção Primária à Saúde em diversos países inclusive no Brasil Chirlei A Ferreira
  • 5. - Ampliar os cenários de ensino, utilizando-se não apenas os hospitais, mas todos os recursos de saúde existentes na comunidade. - Assegurar que os programas de ensino reflitam as prioridades de saúde nacionais. - Deslocar o predomínio de métodos de ensino passivos, tão comuns hoje em dia, para a aprendizagem ativa com estudo independente autodirigido. Chirlei A Ferreira
  • 6. As instituições de Educação Superior devem trabalhar para que seus estudantes se convertam em cidadãos bem informados, providos de sentido crítico e capazes de analisar os problemas da sociedade em busca de soluções, assumindo desta forma, ampla responsabilidade social. Chirlei A Ferreira
  • 7. 8ª.Conferência Nacional de Saúde 1991 (1986) Associação Brasileira de Educação Delineia o projeto de construção de Médica, Conselho Federal de um sistema público de saúde pautado Medicina e mais nove instituições numa concepção ampliada de saúde relacionadas a profissão médica e no lema – “Saúde como direito de constituíram a Comissão todos e dever do Estado” Interinstitucional Nacional de Avaliação das Escolas Médicas (Cinaem) Constituição Federal (1988) Lei 8.080/90 FINALIDADE Garantiu ao Sistema Único de Saúde Avaliar a educação médica e fomentar (SUS) dentro dos princípios da o aperfeiçoamento do Sistema de universalidade, integralidade, Saúde. equidade, hierarquização da assistência e participação da comunidade Chirlei A Ferreira
  • 8. MUDANÇAS OCORRIDAS NO ENSINO MÉDICO Chirlei A Ferreira
  • 9. DESAFIO DOS EDUCADORES: Formar um profissional para esta nova realidade, de integralidade da atenção , com ações de promoção e prevenção da saúde, com compromisso social e que atenda as demandas de saúde da comunidade, sendo parte integrante do SUS. Chirlei A Ferreira
  • 10. A maioria dos cursos de COMPLEXIDADE DA Medicina se encontra ainda QUESTÃO: organizada de acordo com as Saúde e sociedade, paradigmas proposições do Relatório médicos e estilos de pensamento, Flexner. saberes e práticas, modelos assistenciais e resolutividade dos problemas de saúde, políticas públicas e projetos pedagógicos de cursos. O ensino médico no Brasil está realmente mudando? Chirlei A Ferreira
  • 11. Desde o surgimento da racionalidade médica moderna (século XIX), com o advento da anatomia patológica A relação médico-paciente tornou- se marcada pelo encontro de duas Consolidação de projeto de situar o saber leituras diversas sobre o e a prática médica no interior do adoecimento. paradigma das ciências naturais. NATURALIZAÇÃO DO OBJETO: MÉDICO: PACIENTE:  A complexidade e a singularidade Trabalha com a Apresenta uma do adoecimento humano; simplificação da gama de mal-estares Por meio do processo de categoria doença e pertubações objetivação com exclusão da subjetividade e a construção de generalidades. Chirlei A Ferreira
  • 13.  Articulação entre educação superior e sistema de saúde, objetivando formação geral e específica dos egressos/profissionais, com ênfase na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, indicando competências comuns gerais para esse perfil de formação;  Conceitos de saúde, princípios e diretrizes do SUS como elementos fundamentais dessa articulação;  Indicar tópicos ou campos de estudos de ensino-aprendizagem, com ampla liberdade para integralização curricular;  Levar os alunos dos cursos da saúde a aprender a aprender, o que engloba aprender a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a conhecer;  Construir perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e conteúdos contemporâneos;  Capacitar alunos/profissionais para atuarem com qualidade resolutividade no SUS. Chirlei A Ferreira
  • 14. -Extinguiu o antigo “Currículo Mínimo” que norteou a concepção do currículo tradicional, ainda hoje em uso. - Instituiu mudanças educacionais que o currículo tradicional não tem como cumprir. Chirlei A Ferreira
  • 15. Perfil do egresso: Formação: Generalista Humanista Crítica e reflexiva Capacitado a atuar, pautado pela ética, no processo saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade e compromisso com a cidadania. Chirlei A Ferreira
  • 16. Competências e habilidades gerais: • Aptos a desenvolver a atenção à saúde. • Aptos para a tomada de decisões. • Estabelecer adequada comunicação: verbal, não- verbal, escrita e leitura, domínio de pelo menos uma língua estrangeira e de tecnologia de comunicação e informação. • Exercer a liderança. • Aptos para a administração e gerenciamento. • Capacitados a aprender continuamente (educação permanente) Chirlei A Ferreira
  • 17. Artigo 9o. e 12. : • Construção do projeto pedagógico: • Coletiva. • Centrado no aluno. • Utilizar metodologias que privilegiem a participação ativa do estudante na construção do seu conhecimento e a integração entre os conteúdos. • Professor como facilitador e mediador do processo ensino aprendizado. • Buscar a formação integral e adequada do estudante através da articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência. Chirlei A Ferreira
  • 18. BRASIL 2001-2005 Chirlei A Ferreira
  • 19.  Oferecer cooperação técnica e/ou operacional às escolas de graduação em Medicina que se dispuserem a adotar processos de mudança nos currículos de seus cursos, com enfoque para as necessidades de saúde da população e do Sistema Único de Saúde;  Programar estágios nos hospitais universitários e em toda a rede de serviços e atividades extraclasse contemplando os principais problemas de saúde da população;  Capacitar melhor os estudantes de medicina para atender aos principais problemas de saúde da população, de acordo com a nova realidade de funcionamento do SUS, sendo necessário, para isso, que os cursos de medicina possibilitassem a formação de médicos com competência geral, essencial à ampliação de programas de atenção básica. Chirlei A Ferreira
  • 20.  Aproximação da política de saúde com a formação acadêmica, em que os estudantes de graduação vão conhecer de perto, em cidades de todas as regiões do País, o funcionamento do Sistema Único de Saúde, formação e desenvolvimento profissional, participação popular e controle social;  Familiarização com o SUS, seus problemas, peculiaridades e avanços;  Participação ativa na direção das diferentes entidades estudantis da área da saúde na construção da vivência, desde seu desenho e negociação com os municípios até o processo de inscrição dos estudantes. Chirlei A Ferreira
  • 21.  Incentivo técnico, pedagógico e financeiro para fixação de médicos e enfermeiros no Programa Saúde da Família em pequenos municípios brasileiros, onde não existe médico;  Interiorização de profissionais de saúde;  Articulação de instituições de ensino e serviços de saúde, para acompanhamento e capacitação desses profissionais. Chirlei A Ferreira
  • 22.  Articulação interinstitucional, em um território, entre gestores federais, estaduais e municipais do SUS, universidades e instituições de ensino com cursos na área da saúde, incluindo principalmente suas áreas clínicas e de saúde coletiva; centros formadores, escolas de saúde pública, núcleos de saúde coletiva, hospitais universitários; estudantes da área de saúde, trabalhadores de saúde; Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde; movimentos estudantis e sociais que trabalham com saúde, fortalecendo compromissos com o SUS;  Discutir e implementar projetos de mudança do ensino formal e da educação dos trabalhadores de saúde;  Propõe a adoção da educação permanente como a estratégia fundamental para a recomposição das práticas de formação, atenção, gestão, formulação de políticas e controle social no setor de saúde;  Propõe ainda que formação e desenvolvimento devem ser feitos de modo descentralizado, ascendente, transdisciplinar e devem propiciar a democratização institucional. Chirlei A Ferreira
  • 23.  Incentivar transformações de processo de formação, geração de conhecimentos e prestação de serviços de saúde à população, para abordagem integral do processo saúde-doença. Reorientar o processo de formação em medicina, enfermagem e odontologia, de modo a oferecer à sociedade profissionais habilitados para responder às necessidades da população brasileira e à operacionalização do SUS;  Aproximação entre a formação de graduação em saúde no País e as necessidades da atenção básica à saúde, que se traduzem , no Brasil, pela estratégia de Saúde da Família;  Estabelecer mecanismos de cooperação entre os gestores do SUS e as escolas de medicina, enfermagem e odontologia, com vistas à melhoria da qualidade e resolutividade da atenção a saúde prestado ao cidadão, bem como à integração da rede pública de serviços de saúde e à formação dos profissionais na graduação e na educação permanente. Chirlei A Ferreira
  • 24.  O ensino centrado no processo de trabalho e no princípio da integralidade das ações de saúde;  A inserção do aluno na realidade social e sanitária da população para um acompanhamento do processo saúde-doença em suas mais variadas formas e manifestações;  A diversificação dos cenários de aprendizagem – comunidade, família, unidades básicas de saúde, etc – e o deslocamento do hospital como único espaço de aprendizagem;  A perspectiva da formação em saúde inserida na trans- disciplinaridade e na intersetorialidade;  A valorização das dimensões psicossocial e antropológica do adoecer; a incorporação das tecnologias leves, visando melhor atuação frente aos aspectos subjetivos e singulares do adoecimento humano e a construção de uma clínica ampliada, capaz de lidar com a polaridade entre a ontologia das doenças e a singularidade dos sujeitos. Chirlei A Ferreira
  • 25. PERFIL PREDOMINANTE DO FINAL DO SÉCULO XX Chirlei A Ferreira
  • 26.  Positivista, com enfoque biologicista e utilitário, já que estas são as características desenvolvidas tanto pelo referencial técnico-científico das instituições formadoras quanto pelas exigências de busca de produtividade e competitividade constituídas no próprio mercado de trabalho;  Com alto grau de competência profissional, pois sem esse atributo um profissional que lida com alta tecnologia não tem possibilidades de se afirmar;  Fortemente centrado em sua especialidade, à qual se dedica quase na íntegra;  Predisposto à utilização de novas tecnologias, equipamentos e técnicas, devido à formação tecnicista;  Com tendência a medicalizar o processo saúde-doença e a incorporar equipamentos e insumos;  Atualizado, assíduo nos estudos e na formação em serviço, já que precisa renovar constantemente seus conhecimentos, sob pena de ficar defasado e superado;  Marcadamente individualista, pois toda a sua formação colabora neste sentido;  Formado num modelo idealizado, coerente com práticas profissionais liberais e privativistas, construindo uma mentalidade elitista da saúde e estimulado a realização de procedimentos motivados por interesse econômicos; Chirlei A Ferreira
  • 27.  Resistente a trabalhar em igualdade de condições com as outras profissões da área de saúde, o que se acentua pelo fato de que a medicina se particularizou no uso da tecnologia, afirmando-se, assim, uma lógica de poder pelo saber;  Paternalista na relação com o paciente e seus familiares, sendo este um dos aspectos que historicamente marcou a relação médico-paciente;  Onipotente na crença da cura das doenças, tendo este aspecto se intensificado com o aumento da eficácia dos procedimentos médicos;  Altamente corporativista na defesa da manutenção das situações estabelecidas em torno do poder e do controle do saber controle do saber constituído;  Crítico do SUS e defensor de uma visão liberal e autônoma da profissão, condição que hoje, paradoxalmente, quase inexiste em nosso país, fato que decorre da influência da cultura dos docentes, pesquisadores e preceptores médicos, sejam acadêmicos ou dos hospitais de ensino. Chirlei A Ferreira
  • 28.  Pouco conhecimento e nenhum compromisso com a organização do Sistema Único de Saúde, sendo que este um fator político e ideológico que tem acompanhado a educação médica, afastando-a também dos estudos de saúde coletiva, prevenção e promoção de saúde;  Pouco envolvido com aspectos administrativos e gerenciais da gestão da saúde pública;  Pouca compreensão da importância do trabalho em equipe multiprofissional, com integração de conhecimentos interdisciplinares, para uma assistência focada na pessoa e em suas necessidades;  Fraca formação humanística, psicológica, sociológica e filosófica necessária a um profissional médico;  Despreparado para o atendimento das patologias prevalentes segundo a epidemiologia das diferentes regiões do país;  Pouco preparado psicologicamente para o exercício de sua profissão;  Não comprometido com aspectos políticos e sociais que propiciem a busca de soluções para os problemas de saúde da população; Chirlei A Ferreira
  • 29.  Com fraco conhecimento da realidade situacional, do ambiente e das condições de vida das famílias nas comunidades;  Resistente a mudanças e, geralmente, defensor da manutenção do status quo vigente na saúde. A perda de prestígio social do médico é constante, e, neste isolamento corporativista, ele passou a ser o alvo quase exclusivo de ações de responsabilização por erro, promovidas por pacientes ou seus familiares. Assim a relação médico-paciente é potencialmente intermediada pela figura do advogado. Chirlei A Ferreira
  • 30. Qual o profissional para o Sistema Único de Saúde? Chirlei A Ferreira
  • 31. Não basta formar pessoal competente tecnicamente, mas profissionais que tenha vivência sobre o acesso universal, a qualidade e a humanização na Atenção à Saúde, com Controle Social, o que significa dizer integração efetiva e permanente entre formação médica e serviços de saúde. Chirlei A Ferreira
  • 32.  Desenvolvimento de uma visão reflexiva e crítica a respeito de sua profissão e de suas práticas;  Ampliação de conhecimentos humanísticos em ciências sociais, antropologia e filosofia, capazes de propiciar esta reflexividade crítica;  Manutenção e renovação permanente dos conhecimentos científico-tecnológicas propiciados pela moderna tecnociência, que de forma alguma podem ser abandonados, mas precisam ser incorporados e utilizados com senso crítico e racionalidade;  Aumento dos conhecimentos baseados na epidemiologia, para a assistência resolutiva das patologias prevalentes nas populações;  Maior participação coletiva na gestão do sistema público de saúde;  Conhecimentos de comunidade, família e técnicas grupais;  Ampliação dos conhecimentos e das práticas multidisciplinares e interdisciplinares necessárias ao trabalho em equipe multiprofissional e integração com os profissionais das demais profissões da área de saúde; Chirlei A Ferreira
  • 33.  Aumento dos conhecimentos em psicologia, saúde mental e construção de subjetividade, que são recursos de relacionamento fundamentais ás práticas dos profissionais da saúde;  Ampliação dos conhecimentos em saúde coletiva, gestão da saúde e informação em saúde, segundo as diretrizes do SUS; Incorporação dos conhecimentos de educação para promoção de saúde, de métodos de ensino-aprendizado e de técnicas pedagógicas de preceptoria, tutoria e outras;  Incorporação dos cuidados e responsabilização das equipes de saúde às pessoas assistidas, com continuidade da assistência em toda a linha de atenção à saúde, desde o cenário pré-hospitalar, no hospitalar e também no pós-hospitalar;  Integração de conhecimentos e práticas da assistência, do ensino e da pesquisa, com prioridade para as ações de atenção às necessidades concretas de saúde da população;  Inclusão da bioética como paradigma de orientação ética pelos direitos humanos das pessoas, das populações e das gerações futuras, nas práticas cotidianas e atenção para todos os fatores éticos necessários às mudanças da cultura médica. Chirlei A Ferreira
  • 36. Uma medida imediata, diante desse contexto, é o estabelecimento de parcerias, protocolos de cooperação sistemática e auto-sustentável entre gestores do SUS e as escolas médicas no sentido de buscar a integração da academia com os serviços de saúde, visando à formação de profissionais adequados e qualificados para atender às necessidades de saúde da população brasileira. Há condições concretas, vontades, oportunidades e recursos para estas propostas se viabilizarem. Chirlei A Ferreira
  • 38. ALBUQUERQUE CP. Ensino e Aprendizado em Serviços de Atenção Básica do SUS: desafios da formação médica com a perspectiva da integralidade. “Narrativas e Tessituras”. Tese Doutorado, UFRJ, 2007 AMORETTI R. A Educação Médica diante das Necessidades Sociais em Saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, v.29, n.2, maio/agosto, 2005. CAMPOS GWS. Diretrizes do Ensino Médico na Rede Básica de Saúde – Documento Preliminar. ABEM, 2005 MOURAO LC, MARTINS RC, VIEIRA CM, ROSSIN E, L’ABABAE S. Análise Institucional e Educação: Reforma Curricular nas Universidades Pública e Privada. Educ. Soc., Campinas, v.28, n.98, p.181-210, jan/abril, 2007. OLIVEIRA NA, MEIRELLES RM, CURY GC, ALVES LA. Mudanças Curriculares no Ensino Médico Brasileiro: um Debate Crucial no Contexto do Promed. Revista Brasileira de Educação Médica, v.32(3),: 333-346, 2008. RESOLUÇÃO CNE/CES N° 4, de 7 de Novembro de 2001 – Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Chirlei A Ferreira
  • 39. Muita obrigada! Chirlei/2010 Chirlei A Ferreira