ADAPTAÇÃO MATERNA À
GESTAÇÃO
Ir. Ana Paula Ribeiro
IMPORTÂNCIA
• Modificações do organismo materno no
sentido de nutrir de forma eficiente o feto,
que tem demanda nutricional crescente,
sendo priorizado pelo metabolismo materno.
• Maior exigência muitas vezes atinge os
limites da capacidade funcional de alguns
órgãos maternos.
• Desencadeamento quando função limítrofe
ou piora de patologias preexistentes. Ex: IC,
CI, IR, Asma, etc.
ADAPTAÇÃO MATERNA À GESTAÇÃO
MODIFICAÇÕES
NA
GESTAÇÃO
SINAIS E
SINTOMAS
LIMITE ENTRE
FISIOLOGIA E
PATOLOGIA
1. POSTURA E DEAMBULAÇÃO
• Aumento uterino/saída da pelve - aumento
das mamas = centro de gravidade desviado
para frente, corpo se joga para trás compensação involuntária (objeto pesado
carregado diante do abdômen c/ 2 mãos).
• Queixas comuns: cervicalgia e lombalgia.
• Deambulação = andar dos "gansos“ - passos
curtos, base alargada, ângulo dos pés mais
aberto (+ direita - destrodesvio uterino).
2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS
• Anemia ferropriva: microcitose, hipocromia,
hb<11g% - maior necessidade do ferro.
• Anemia Megaloblástica: comum, demanda
aumentada de ácido fólico na gravidez.
• Anemia é quase fisiológica, porém, deve-se
suplementar ferro/ác. fólico a fim de prevenir
agravamento.
• Outro fator que contribui para redução do
htc/hb é a hemodiluição, sobretudo no final
da gravidez.
2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS
• Elevação dos leucócitos: às custas de
neutrófilos, chegando a 12 mil/mm 3 ou
mesmo a 20-30 mil/ mm3 no parto,
normalizando em 6-7 dias.
• Plaquetas: podem diminuir discretamente no
3º trimestre ( coag. intrav.).
• Redução
das
proteínas
plasmáticas:
sobretudo da albumina, reduzindo a pressão
coloidosmótica.
• Lipídios: triglicerídios, colesterol - também
estão aumentados.
2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS
• Fatores da coagulação: estão, de forma
geral, aumentados e, os anticoagulantes
diminuídos, o que confere à gravidez um
“estado de hipercoagulabilidade”, garantindo
controle das perdas sangüíneas após o
secundamento.
• Estado de hipercoagulabilidade começa a
reverter cerca de 1 hora após o parto.
• Parto normal: perda de 500ml de sangue.
• Cesárea: perda de 1000ml de sangue, em
média.
3. SISTEMA CARDIOVASCULAR
Índices Cardiovasculares
Resistência vascular periférica
Volume sangüíneo
Débito cardíaco
Volume-minuto
Freqüência cardíaca
Pressão arterial
Resistência vascular pulmonar

Alteração
Diminuída
Aumentado
Aumentado
Aumentado
Aumentada
Diminuída
Diminuída
3. SISTEMA CARDIOVASCULAR
• Diafragma se eleva e o coração fica mais
horizontalizado.
• Volume cardíaco, assim como o volume
sistólico estão aumentados.
• Pode haver hipertrofia cardíaca na gravidez.
• Sopros sistólicos podem ocorrer devido a
hipercinesia / hipoviscosidade do sangue
(hemodiluição / Anemia).
• Extrasistolia e Taquicardia paroxística podem
surgir.
• ECG alterado pode ocorrer (desvio do eixo
p/esquerda, inversão da onda T em D3).
3. SISTEMA CARDIOVASCULAR
• Volume-minuto está aumentado.
• No decúbito dorsal, por compressão da veia
cava e redução do retorno venoso, há
redução do volume-minuto.
• “Síndrome de hipotensão supina“ - lipotímia
por reflexo vaso-vagal, bradicardia e
hipotensão.
• No parto/cesárea: pode ser necessário
deslocar manualmente o útero para a
esquerda na ocorrência de hipotensão.
3. SISTEMA CARDIOVASCULAR
• Redução da resistência vascular periférica:
hiporeatividade vascular a angiotensina II.
• Aumento do volume plasmático: alteração no
sistema renina-angiotensina-aldosterona e
ação da progesterona e estrogênio
aumentados – vasodilatação, retenção Na e
H2O.
• Pressão venosa MMII: 3 vezes maior na
gravidez pela compressão da cava e vasos
pélvicos, dificultando o retorno venoso,
aumentando a incidência/piora de varizes,
hemorróidas e causando edema MMII.
3. SISTEMA CARDIOVASCULAR
• Vascularização

da

pele:

aumentada,

especialmente em extremidades.
• Grávida queixa de calor nas extremidades finalidade de dissipar calor excessivo no feto.
• Aumento cerca 500ml para pele, variando
com a temperatura ambiente.
4. SISTEMA URINÁRIO
• 80% tem dilatação ureteral, sobretudo à
direita pelo destrodesvio uterino - bloqueio
mecânico do fluxo ureteral.
• Cruzamento das veias ovarianas sobre os
ureteres também colaboram com o bloqueio
mecânico.
• Retardo fluxo urinário = maior predisposição
da grávida a ter ITU.
• Bexiga elevada pelo útero - incompetência
válvulas ureterovesicais - refluxo de urina =
predisposição PNA.
• Fluxo plasmático renal e a taxa de filtração
glomerular estão aumentados.
4. SISTEMA URINÁRIO
• DCE aumentada - utilizada para medir função
renal.
• Creatinina e uréia estão reduzidas para cerca
de 2/3. A redução da uréia se deve ao
aumento de sua depuração e a baixa
degradação de proteínas.
• Redução dos uratos na urina pela sua maior
reabsorção pelo rim.
• Filtração glicose rim  50% - capacidade
reabsorção tubular permanece igual =
glicosúria fisiológica.
• Atenção!!! Glicosúria pode estar relacionada
com estado pré-diabético da gestante.
4. SISTEMA URINÁRIO
• Cuidar níveis de creatinina e uréia!!! Já que
baixam na gravidez, valores normais não
gravídicos podem significar algum grau de IR
em gestantes.
• Níveis endógenos elevados ácido úrico (>4,5)
podem significar sinal precoce de préeclâmpsia.
• Proteinúria até 500mg/24hs = normal.
5. SISTEMA RESPIRATÓRIO
• Abertura últimas costelas - diafragma se
eleva em 4 cm, aumentando seu diâmetro
transverso em 2 cm.
• Volume-minuto de ventilação aumenta clinicamente notado como hiperventilação
(discreto aumento FR), com conseqüente
redução da pCO2.
• Progesterona elevada estimula centro
respiratório por reduzir seu limiar de
sensibilidade
ao
CO2,
mantendo
a
hiperventilação.
5. SISTEMA RESPIRATÓRIO
• Consumo de O2 aumenta 20-30%.
• Volume corrente também aumenta - maior
dilatação das vias aéreas e melhor distribuição
dos gases no pulmão.
• Todavia, é comum sensação de dispnéia, mais
no final da gestação - incursão diafragmática
está reduzida – respiração predomínio torácico.
• Saturação arterial de oxigênio e sensação de
dispnéia, não se alteram com mudanças
posturais – exceto em gestantes muito obesas
ou em posição supina.
• Queixa de dispnéia está presente em 60-70%.
6. EQÜILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
• Hiperventilação, com eliminação de CO 2, leva
à constante alcalose respiratória.
• Aumento dos ácidos metabólicos para tentar
compensar alcalose respiratória.
• Ácidos permanecem sempre um pouco
aumentados, pois, hiperventilação prevalece,
havendo sempre algum grau de alcalose a
ser compensada.
• Gestante mantém PH sangüíneo sempre no
limite superior da normalidade – ácidos não
são suficientes para compensar totalmente a
alcalose, a qual prevalece discretamente.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Feto exige nutrição do organismo materno 150Kcal/dia a mais para suprir maior gasto
energético e necessidades do feto.
• Feto necessita de glicose e aminoácidos para
seu crescimento, extraindo-os da mãe
constantemente = Parasitismo verdadeiro.
• Mãe poupa glicose p/ feto, reduzindo seu
consumo periférico - ação de hormônios antiinsulínicos
como
HLP,
estrogênio,
progesterona, cortisol, prolactina e glucagon.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Hormônios causam resistência periférica à
insulina, o que estimula a produção de mais
insulina.
• Conseqüência: Hiperinsulinismo + resistência
periférica à insulina - mantém certo grau de
hiperglicemia materna para que não falte
glicose para o feto.
• Glicose vai para o feto por difusão facilitada,
sendo que o feto apresenta glicemia cerca de
20 mg% abaixo da mãe.
• Pacientes com deficiência na produção de
insulina não terão hiperinsulinismo = DMG.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Ácidos graxos livres não atravessam a
placenta - não são úteis ao feto - mãe
armazena ácidos graxos para sua própria
reserva a fim de suprir carência destes
nutrientes ao final da gestação e puerpério
(hormônios/lactação).
• Cálcio: retido pelo organismo materno visando
reservas para a lactação.
• Fósforo: demanda para tecido ósseo e
metabolismo energético cresce no último
trimestre -uso de polivitamínicos na gestação!
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Iodo: excretado em maior quantidade na
urina, assim, a gestante é carente de iodo,
devendo ser também suplementado.
• Magnésio: está diminuído, podendo a
gestante ter mialgia em função desta
carência.
• Hipovitaminose A: ocorre e pode estar
relacionada com defeitos na embriogênese,
resultando em anomalias congênitas.
• Carência de vitaminas do complexo B:
necessárias ao metabolismo energético –
suplementar!
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Carência de ácido fólico: além de causar
anemia, precocemente na gestação, pode
causar malformações do tubo neural (olhos e
face), além de RCIU.
• Carência de vitamina C: ocorre e deve ser
suplementada, pois, em graus elevados,
pode ocasionar abortamento e/ou morte fetal.
• Vitamina D: importante para absorção do
cálcio e fósforo, essenciais para a estrutura
óssea, tendo sua demanda aumentada.
• Vitamina E: aumentam seus níveis na
gestação - fator protetor de abortamento e de
envelhecimento precoce da placenta.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Vitamina K:
fundamental

aumentada na gestação no

mecanismo

anti-

hemorrágico.
• Mecanismo hidroeletrolítico: sistema reninaangiotensina-aldosterona

está

hiperativo,

aumentando a reabsorção tubular de sódio volume plasmático aumentado, precisando
de maior quantidade de sódio a fim de
manter a osmolaridade do plasma.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• 70% do aumento de peso na grávida é água.
• Pelo aumento do volume plasmático, há
redistribuição de fluidos entre os espaços
intra e extracelular, e intersticial, este último
causando edema fisiológico(tornozelo) cuidado c/ edema mais intenso/generalizado
- pode estar associado a DHEG.
• Enzimas: envolvidas na nutrição, como a
glicose-6-fosfatase (glicose), desidrogenases
(Krebs) e fosfatase alcalina (transporte ativo),
estão elevadas na gestação.
7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS
• Enzimas: Plasminogênio (lise fibrina melhora fluxo), colinesterase e histaminase
(regulam tono vascular) e fosfatase ácida
(desintoxicação celular) - muito importantes
para gestação - estão elevadas.
• Ocitocinase: está bastante aumentada no
início da gravidez, diminuindo próximo ao
termo, tendo a função de inibir a ocitocina,
evitando o desencadeamento precoce do
parto.
• Hormônios tireoidianos: BHCG e estrógenos
competem nos receptores de TSH –
hiperfunção.
8. SISTEMA DIGESTIVO

• Secreção e absorção estão pouco ou nada
alteradas.
• Motilidade bastante diminuída.
• Muita fome e sede - muda qualitativamente
alimentação - avidez por frutas ácidas,
alimentos condimentados, conservas, café,
frituras e etc.
• Aversão a certos alimentos, podendo ocorrer
náuseas e vômitos.
• Boca: pode haver hiperemia, edema e
sangramento
gengival,
sialorréia,
periodontite, cáries(comuns) - cuidar da
saúde bucal da gestante!
• Pirose: 50% das gestantes, sobretudo após
5º mês.
8. SISTEMA DIGESTIVO
• DRGE: diminuição do tônus do esfíncter
esofagiano inferior por fatores mecânicos e
ação da progesterona - antiácidos e bloq. H2.
• Estômago: elevado pelo aumento uterino,
motilidade diminuída, tempo de esvaziamento
aumentado, havendo grande produção de
muco com pouco HCl.
• Alças
de
delgado
empurradas
para
cima/esquerda - cólon se eleva levando o
apêndice para cima/direita (atenção para
topografia apendicite gestação!).
• Intestino tem trânsito enlentecido (útero/ação
progesterona),
gerando
constipação
e
meteorismo - orientar chás/alimentação - evitar
laxantes.
9. PELE E ANEXOS
• Hiperpigmentação da pele, sobretudo na
gestante mais exposta ao sol e em geral no
último trimestre. O local mais freqüente é a
face - cloasma, também ocorrendo em vulva,
cicatrizes, nevos, linha alba e aréola.
• Pontilhado (glândulas) ao redor da aréola =
Sinal de Hunter.
• Estrias são comuns, em geral após 6º mês, em
abdômen e mamas. Ocorre por distensão da
pele, com rotura do tecido sub-epitelial(derme).
Com o tempo melhoram, porém, não revertem
(profilaxia? = não engordar/óleo/hidratante).
9. PELE E ANEXOS
• Hipertricose: em geral de grau leve, com pêlos
na face, abdômen, etc. Reverte após parto.
• Eritema palmar: comum, acentuando-se com
decorrer da gesta (aumento vascularização).
• Glândulas sudoríparas e sebáceas: sofrem
hipertrofia e hiperfunção, com aumento da
sudorese e secreção sebácea.
10. OSSOS E ARTICULAÇÕES
• Alta demanda fetal de cálcio - grau discreto de
osteopenia, sendo raros distúrbios graves
como osteomalacia ou osteoporose.
• Articulações tem maior mobilidade na
gestação, sobretudo nas articulações sacroilíacas e sínfise púbica.
• Mudanças na postura da gestante favorecem
dor cervical e seguimentos inferiores da coluna.
• Modificações articulares provenientes ação
estrogênio que ocasiona retenção líquida no
tecido conjuntivo articular.
11. SISTEMA NERVOSO

• Podem ocorrer distúrbios passageiros da
função motora, sensitiva ou mental como:
tremores,
contraturas,
hiperemese,
parestesias, hipotonia gastrintestinal e vesical,
alterações vasomotoras, convulsões, etc.
• Difícil diferenciação entre fisiologia e patologia.
• Fisiopatologia não é bem estabelecida:
convulsões = podem ocorrer por retenção
hídrica ou hiperventilação; Enxaquecas =
retenção hídrica.
• Alterações de humor, depressão, e reações
maníacas podem ser causadas por alterações
bioquímicas.
• Sonolência, fadiga e lentidão psicomotora são
típicas da ação da progesterona.
12. ÓRGÃOS DOS SENTIDOS
• Aumento da vascularização destes órgãos.
• Hipertensão ocular no último trimestre,
decorrente de espasmos /estreitamentos
arteriolares localizados - achados também
ocorrem na DHEG.
• Hipersecreção lacrimal é freqüente - raras
patologias oculares na gestação.
• Epistaxe é comum pelo aumento da
vascularização das mucosas de modo geral, o
que também favorece obstrução nasal e rinite.
12. ÓRGÃOS DOS SENTIDOS
• Hipo ou anosmia por edema e congestão,
impedindo as partículas de odor de chegarem
às terminações do nervo olfatório.
• Diminuição da acuidade auditiva durante a
gestação, zumbidos e vertigens.
• Parestesias em extremidades, alterando o tato.
• Alterações gustativas.
Modificações sistêmicas da gestação

Modificações sistêmicas da gestação

  • 1.
  • 2.
    IMPORTÂNCIA • Modificações doorganismo materno no sentido de nutrir de forma eficiente o feto, que tem demanda nutricional crescente, sendo priorizado pelo metabolismo materno. • Maior exigência muitas vezes atinge os limites da capacidade funcional de alguns órgãos maternos. • Desencadeamento quando função limítrofe ou piora de patologias preexistentes. Ex: IC, CI, IR, Asma, etc.
  • 3.
    ADAPTAÇÃO MATERNA ÀGESTAÇÃO MODIFICAÇÕES NA GESTAÇÃO SINAIS E SINTOMAS LIMITE ENTRE FISIOLOGIA E PATOLOGIA
  • 4.
    1. POSTURA EDEAMBULAÇÃO • Aumento uterino/saída da pelve - aumento das mamas = centro de gravidade desviado para frente, corpo se joga para trás compensação involuntária (objeto pesado carregado diante do abdômen c/ 2 mãos). • Queixas comuns: cervicalgia e lombalgia. • Deambulação = andar dos "gansos“ - passos curtos, base alargada, ângulo dos pés mais aberto (+ direita - destrodesvio uterino).
  • 5.
    2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS •Anemia ferropriva: microcitose, hipocromia, hb<11g% - maior necessidade do ferro. • Anemia Megaloblástica: comum, demanda aumentada de ácido fólico na gravidez. • Anemia é quase fisiológica, porém, deve-se suplementar ferro/ác. fólico a fim de prevenir agravamento. • Outro fator que contribui para redução do htc/hb é a hemodiluição, sobretudo no final da gravidez.
  • 6.
    2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS •Elevação dos leucócitos: às custas de neutrófilos, chegando a 12 mil/mm 3 ou mesmo a 20-30 mil/ mm3 no parto, normalizando em 6-7 dias. • Plaquetas: podem diminuir discretamente no 3º trimestre ( coag. intrav.). • Redução das proteínas plasmáticas: sobretudo da albumina, reduzindo a pressão coloidosmótica. • Lipídios: triglicerídios, colesterol - também estão aumentados.
  • 7.
    2. ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS •Fatores da coagulação: estão, de forma geral, aumentados e, os anticoagulantes diminuídos, o que confere à gravidez um “estado de hipercoagulabilidade”, garantindo controle das perdas sangüíneas após o secundamento. • Estado de hipercoagulabilidade começa a reverter cerca de 1 hora após o parto. • Parto normal: perda de 500ml de sangue. • Cesárea: perda de 1000ml de sangue, em média.
  • 8.
    3. SISTEMA CARDIOVASCULAR ÍndicesCardiovasculares Resistência vascular periférica Volume sangüíneo Débito cardíaco Volume-minuto Freqüência cardíaca Pressão arterial Resistência vascular pulmonar Alteração Diminuída Aumentado Aumentado Aumentado Aumentada Diminuída Diminuída
  • 9.
    3. SISTEMA CARDIOVASCULAR •Diafragma se eleva e o coração fica mais horizontalizado. • Volume cardíaco, assim como o volume sistólico estão aumentados. • Pode haver hipertrofia cardíaca na gravidez. • Sopros sistólicos podem ocorrer devido a hipercinesia / hipoviscosidade do sangue (hemodiluição / Anemia). • Extrasistolia e Taquicardia paroxística podem surgir. • ECG alterado pode ocorrer (desvio do eixo p/esquerda, inversão da onda T em D3).
  • 10.
    3. SISTEMA CARDIOVASCULAR •Volume-minuto está aumentado. • No decúbito dorsal, por compressão da veia cava e redução do retorno venoso, há redução do volume-minuto. • “Síndrome de hipotensão supina“ - lipotímia por reflexo vaso-vagal, bradicardia e hipotensão. • No parto/cesárea: pode ser necessário deslocar manualmente o útero para a esquerda na ocorrência de hipotensão.
  • 11.
    3. SISTEMA CARDIOVASCULAR •Redução da resistência vascular periférica: hiporeatividade vascular a angiotensina II. • Aumento do volume plasmático: alteração no sistema renina-angiotensina-aldosterona e ação da progesterona e estrogênio aumentados – vasodilatação, retenção Na e H2O. • Pressão venosa MMII: 3 vezes maior na gravidez pela compressão da cava e vasos pélvicos, dificultando o retorno venoso, aumentando a incidência/piora de varizes, hemorróidas e causando edema MMII.
  • 12.
    3. SISTEMA CARDIOVASCULAR •Vascularização da pele: aumentada, especialmente em extremidades. • Grávida queixa de calor nas extremidades finalidade de dissipar calor excessivo no feto. • Aumento cerca 500ml para pele, variando com a temperatura ambiente.
  • 13.
    4. SISTEMA URINÁRIO •80% tem dilatação ureteral, sobretudo à direita pelo destrodesvio uterino - bloqueio mecânico do fluxo ureteral. • Cruzamento das veias ovarianas sobre os ureteres também colaboram com o bloqueio mecânico. • Retardo fluxo urinário = maior predisposição da grávida a ter ITU. • Bexiga elevada pelo útero - incompetência válvulas ureterovesicais - refluxo de urina = predisposição PNA. • Fluxo plasmático renal e a taxa de filtração glomerular estão aumentados.
  • 14.
    4. SISTEMA URINÁRIO •DCE aumentada - utilizada para medir função renal. • Creatinina e uréia estão reduzidas para cerca de 2/3. A redução da uréia se deve ao aumento de sua depuração e a baixa degradação de proteínas. • Redução dos uratos na urina pela sua maior reabsorção pelo rim. • Filtração glicose rim  50% - capacidade reabsorção tubular permanece igual = glicosúria fisiológica. • Atenção!!! Glicosúria pode estar relacionada com estado pré-diabético da gestante.
  • 15.
    4. SISTEMA URINÁRIO •Cuidar níveis de creatinina e uréia!!! Já que baixam na gravidez, valores normais não gravídicos podem significar algum grau de IR em gestantes. • Níveis endógenos elevados ácido úrico (>4,5) podem significar sinal precoce de préeclâmpsia. • Proteinúria até 500mg/24hs = normal.
  • 16.
    5. SISTEMA RESPIRATÓRIO •Abertura últimas costelas - diafragma se eleva em 4 cm, aumentando seu diâmetro transverso em 2 cm. • Volume-minuto de ventilação aumenta clinicamente notado como hiperventilação (discreto aumento FR), com conseqüente redução da pCO2. • Progesterona elevada estimula centro respiratório por reduzir seu limiar de sensibilidade ao CO2, mantendo a hiperventilação.
  • 17.
    5. SISTEMA RESPIRATÓRIO •Consumo de O2 aumenta 20-30%. • Volume corrente também aumenta - maior dilatação das vias aéreas e melhor distribuição dos gases no pulmão. • Todavia, é comum sensação de dispnéia, mais no final da gestação - incursão diafragmática está reduzida – respiração predomínio torácico. • Saturação arterial de oxigênio e sensação de dispnéia, não se alteram com mudanças posturais – exceto em gestantes muito obesas ou em posição supina. • Queixa de dispnéia está presente em 60-70%.
  • 18.
    6. EQÜILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO •Hiperventilação, com eliminação de CO 2, leva à constante alcalose respiratória. • Aumento dos ácidos metabólicos para tentar compensar alcalose respiratória. • Ácidos permanecem sempre um pouco aumentados, pois, hiperventilação prevalece, havendo sempre algum grau de alcalose a ser compensada. • Gestante mantém PH sangüíneo sempre no limite superior da normalidade – ácidos não são suficientes para compensar totalmente a alcalose, a qual prevalece discretamente.
  • 19.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Feto exige nutrição do organismo materno 150Kcal/dia a mais para suprir maior gasto energético e necessidades do feto. • Feto necessita de glicose e aminoácidos para seu crescimento, extraindo-os da mãe constantemente = Parasitismo verdadeiro. • Mãe poupa glicose p/ feto, reduzindo seu consumo periférico - ação de hormônios antiinsulínicos como HLP, estrogênio, progesterona, cortisol, prolactina e glucagon.
  • 20.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Hormônios causam resistência periférica à insulina, o que estimula a produção de mais insulina. • Conseqüência: Hiperinsulinismo + resistência periférica à insulina - mantém certo grau de hiperglicemia materna para que não falte glicose para o feto. • Glicose vai para o feto por difusão facilitada, sendo que o feto apresenta glicemia cerca de 20 mg% abaixo da mãe. • Pacientes com deficiência na produção de insulina não terão hiperinsulinismo = DMG.
  • 21.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Ácidos graxos livres não atravessam a placenta - não são úteis ao feto - mãe armazena ácidos graxos para sua própria reserva a fim de suprir carência destes nutrientes ao final da gestação e puerpério (hormônios/lactação). • Cálcio: retido pelo organismo materno visando reservas para a lactação. • Fósforo: demanda para tecido ósseo e metabolismo energético cresce no último trimestre -uso de polivitamínicos na gestação!
  • 22.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Iodo: excretado em maior quantidade na urina, assim, a gestante é carente de iodo, devendo ser também suplementado. • Magnésio: está diminuído, podendo a gestante ter mialgia em função desta carência. • Hipovitaminose A: ocorre e pode estar relacionada com defeitos na embriogênese, resultando em anomalias congênitas. • Carência de vitaminas do complexo B: necessárias ao metabolismo energético – suplementar!
  • 23.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Carência de ácido fólico: além de causar anemia, precocemente na gestação, pode causar malformações do tubo neural (olhos e face), além de RCIU. • Carência de vitamina C: ocorre e deve ser suplementada, pois, em graus elevados, pode ocasionar abortamento e/ou morte fetal. • Vitamina D: importante para absorção do cálcio e fósforo, essenciais para a estrutura óssea, tendo sua demanda aumentada. • Vitamina E: aumentam seus níveis na gestação - fator protetor de abortamento e de envelhecimento precoce da placenta.
  • 24.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Vitamina K: fundamental aumentada na gestação no mecanismo anti- hemorrágico. • Mecanismo hidroeletrolítico: sistema reninaangiotensina-aldosterona está hiperativo, aumentando a reabsorção tubular de sódio volume plasmático aumentado, precisando de maior quantidade de sódio a fim de manter a osmolaridade do plasma.
  • 25.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •70% do aumento de peso na grávida é água. • Pelo aumento do volume plasmático, há redistribuição de fluidos entre os espaços intra e extracelular, e intersticial, este último causando edema fisiológico(tornozelo) cuidado c/ edema mais intenso/generalizado - pode estar associado a DHEG. • Enzimas: envolvidas na nutrição, como a glicose-6-fosfatase (glicose), desidrogenases (Krebs) e fosfatase alcalina (transporte ativo), estão elevadas na gestação.
  • 26.
    7. ADAPTAÇÕES METABÓLICAS •Enzimas: Plasminogênio (lise fibrina melhora fluxo), colinesterase e histaminase (regulam tono vascular) e fosfatase ácida (desintoxicação celular) - muito importantes para gestação - estão elevadas. • Ocitocinase: está bastante aumentada no início da gravidez, diminuindo próximo ao termo, tendo a função de inibir a ocitocina, evitando o desencadeamento precoce do parto. • Hormônios tireoidianos: BHCG e estrógenos competem nos receptores de TSH – hiperfunção.
  • 27.
    8. SISTEMA DIGESTIVO •Secreção e absorção estão pouco ou nada alteradas. • Motilidade bastante diminuída. • Muita fome e sede - muda qualitativamente alimentação - avidez por frutas ácidas, alimentos condimentados, conservas, café, frituras e etc. • Aversão a certos alimentos, podendo ocorrer náuseas e vômitos. • Boca: pode haver hiperemia, edema e sangramento gengival, sialorréia, periodontite, cáries(comuns) - cuidar da saúde bucal da gestante! • Pirose: 50% das gestantes, sobretudo após 5º mês.
  • 28.
    8. SISTEMA DIGESTIVO •DRGE: diminuição do tônus do esfíncter esofagiano inferior por fatores mecânicos e ação da progesterona - antiácidos e bloq. H2. • Estômago: elevado pelo aumento uterino, motilidade diminuída, tempo de esvaziamento aumentado, havendo grande produção de muco com pouco HCl. • Alças de delgado empurradas para cima/esquerda - cólon se eleva levando o apêndice para cima/direita (atenção para topografia apendicite gestação!). • Intestino tem trânsito enlentecido (útero/ação progesterona), gerando constipação e meteorismo - orientar chás/alimentação - evitar laxantes.
  • 29.
    9. PELE EANEXOS • Hiperpigmentação da pele, sobretudo na gestante mais exposta ao sol e em geral no último trimestre. O local mais freqüente é a face - cloasma, também ocorrendo em vulva, cicatrizes, nevos, linha alba e aréola. • Pontilhado (glândulas) ao redor da aréola = Sinal de Hunter. • Estrias são comuns, em geral após 6º mês, em abdômen e mamas. Ocorre por distensão da pele, com rotura do tecido sub-epitelial(derme). Com o tempo melhoram, porém, não revertem (profilaxia? = não engordar/óleo/hidratante).
  • 30.
    9. PELE EANEXOS • Hipertricose: em geral de grau leve, com pêlos na face, abdômen, etc. Reverte após parto. • Eritema palmar: comum, acentuando-se com decorrer da gesta (aumento vascularização). • Glândulas sudoríparas e sebáceas: sofrem hipertrofia e hiperfunção, com aumento da sudorese e secreção sebácea.
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    10. OSSOS EARTICULAÇÕES • Alta demanda fetal de cálcio - grau discreto de osteopenia, sendo raros distúrbios graves como osteomalacia ou osteoporose. • Articulações tem maior mobilidade na gestação, sobretudo nas articulações sacroilíacas e sínfise púbica. • Mudanças na postura da gestante favorecem dor cervical e seguimentos inferiores da coluna. • Modificações articulares provenientes ação estrogênio que ocasiona retenção líquida no tecido conjuntivo articular.
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    11. SISTEMA NERVOSO •Podem ocorrer distúrbios passageiros da função motora, sensitiva ou mental como: tremores, contraturas, hiperemese, parestesias, hipotonia gastrintestinal e vesical, alterações vasomotoras, convulsões, etc. • Difícil diferenciação entre fisiologia e patologia. • Fisiopatologia não é bem estabelecida: convulsões = podem ocorrer por retenção hídrica ou hiperventilação; Enxaquecas = retenção hídrica. • Alterações de humor, depressão, e reações maníacas podem ser causadas por alterações bioquímicas. • Sonolência, fadiga e lentidão psicomotora são típicas da ação da progesterona.
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    12. ÓRGÃOS DOSSENTIDOS • Aumento da vascularização destes órgãos. • Hipertensão ocular no último trimestre, decorrente de espasmos /estreitamentos arteriolares localizados - achados também ocorrem na DHEG. • Hipersecreção lacrimal é freqüente - raras patologias oculares na gestação. • Epistaxe é comum pelo aumento da vascularização das mucosas de modo geral, o que também favorece obstrução nasal e rinite.
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    12. ÓRGÃOS DOSSENTIDOS • Hipo ou anosmia por edema e congestão, impedindo as partículas de odor de chegarem às terminações do nervo olfatório. • Diminuição da acuidade auditiva durante a gestação, zumbidos e vertigens. • Parestesias em extremidades, alterando o tato. • Alterações gustativas.