Metodologia Da  Investigação Científica (aplicada às ciências humanas)
As ciências humanas têm um problema, epistemologicamente decisivo, na sua raiz: A proximidade / identidade entre o objecto de estudo e o sujeito que investiga. O homem estuda o homem
"Sou humano, e nada do que é humano me é estranho“ Terêncio
Esta proximidade entre sujeito e objecto levanta uma série de problemas que pode constituir um sério obstáculo à investigação: Perigo de contaminação dos dados observacionais com elementos “subjectivos”, ou seja, inerentes ao observador e à forma como ele reage emocionalmente ao observado. Possibilidade de  adulteração dos dados observacionais com valorações decorrentes de sistemas valorativos inerentes à cultura do observador. Incapacidade do observador se desligar do observado, por viver no mesmo contexto histórico (sócio-cultural).
Perigo de   alteração da situação observada, quando há uma interacção entre o observador e o observado. Dificuldade (ou impossibilidade, ética ou funcional) de comprovar experimentalmente as hipóteses. Dinamicidade das situações observacionais: a realidade humana está em constante transformação. Condicionamento dos comportamentos observados – as pessoas se se souberem objecto de investigação, podem alterar, mesmo que inconscientemente, os seus comportamentos.
A extrema complexidade dos fenómenos humanos (cada homem é, em si mesmo, um universo imenso), torna muito difícil isolar variáveis que permitam uma análise estrutural desses mesmos fenómenos, bem como a formulação de uma explicação (causal) para a sua ocorrência.
As ciências humanas são  INTERSUBJECTIVAS
Ou seja: O observador e o observado não são independentes: partilham a mesma natureza e são ambos seres dotados duma consciência intencional, estando por isso em constante interacção. O observador e o observado são ambos sujeitos, conscientes e agentes que interagem numa mesma situação, embora assumam papéis diferentes.
Assim, A base das  ciências naturais  é a  explicação , enquanto que, nas  ciências humanas , é a  compreensão .
Explicar é estabelecer nexos causais entre os fenómenos, é responder à questão “Porquê?” – é indicar, para cada conjunto de fenómenos, a causa que os produz e que, por isso, é a sua razão de ser. A generalização é, por esta razão, inerente à explicação: uma vez descoberta a causa de um fenómeno particular, ficamos a conhecer a causa de todos os fenómenos do mesmo tipo (do tipo a que pertence o fenómeno particular cuja causa descobrimos).
Compreender é ser capaz de estabelecer nexos significativos entre os fenómenos humanos (que são sempre culturais) e entre estes e o observador, sem   anular a singularidade, mas antes, procurando iluminá-la a partir dum contexto que permita interpretá-la sem a deturpar e sem a reduzir.
Procura-se assim encontrar formas de enquadrar a singularidade num quadro geral, sem que se perca de vista a riqueza e a complexidade dos fenómenos humanos.
Os actos humanos, sendo intencionais, não têm apenas um  « porquê?»  ,  mas também, um   «para quê?»  ( e, muitas vezes um   «para quem?»  ),  não podendo ser explicados, como se explicam os fenómenos naturais…
Por isso, As ciências humanas recorrem a uma ampla gama de métodos de investigação e de intervenção…

Metodologia

  • 1.
    Metodologia Da Investigação Científica (aplicada às ciências humanas)
  • 2.
    As ciências humanastêm um problema, epistemologicamente decisivo, na sua raiz: A proximidade / identidade entre o objecto de estudo e o sujeito que investiga. O homem estuda o homem
  • 3.
    "Sou humano, enada do que é humano me é estranho“ Terêncio
  • 4.
    Esta proximidade entresujeito e objecto levanta uma série de problemas que pode constituir um sério obstáculo à investigação: Perigo de contaminação dos dados observacionais com elementos “subjectivos”, ou seja, inerentes ao observador e à forma como ele reage emocionalmente ao observado. Possibilidade de adulteração dos dados observacionais com valorações decorrentes de sistemas valorativos inerentes à cultura do observador. Incapacidade do observador se desligar do observado, por viver no mesmo contexto histórico (sócio-cultural).
  • 5.
    Perigo de alteração da situação observada, quando há uma interacção entre o observador e o observado. Dificuldade (ou impossibilidade, ética ou funcional) de comprovar experimentalmente as hipóteses. Dinamicidade das situações observacionais: a realidade humana está em constante transformação. Condicionamento dos comportamentos observados – as pessoas se se souberem objecto de investigação, podem alterar, mesmo que inconscientemente, os seus comportamentos.
  • 6.
    A extrema complexidadedos fenómenos humanos (cada homem é, em si mesmo, um universo imenso), torna muito difícil isolar variáveis que permitam uma análise estrutural desses mesmos fenómenos, bem como a formulação de uma explicação (causal) para a sua ocorrência.
  • 7.
    As ciências humanassão INTERSUBJECTIVAS
  • 8.
    Ou seja: Oobservador e o observado não são independentes: partilham a mesma natureza e são ambos seres dotados duma consciência intencional, estando por isso em constante interacção. O observador e o observado são ambos sujeitos, conscientes e agentes que interagem numa mesma situação, embora assumam papéis diferentes.
  • 9.
    Assim, A basedas ciências naturais é a explicação , enquanto que, nas ciências humanas , é a compreensão .
  • 10.
    Explicar é estabelecernexos causais entre os fenómenos, é responder à questão “Porquê?” – é indicar, para cada conjunto de fenómenos, a causa que os produz e que, por isso, é a sua razão de ser. A generalização é, por esta razão, inerente à explicação: uma vez descoberta a causa de um fenómeno particular, ficamos a conhecer a causa de todos os fenómenos do mesmo tipo (do tipo a que pertence o fenómeno particular cuja causa descobrimos).
  • 11.
    Compreender é sercapaz de estabelecer nexos significativos entre os fenómenos humanos (que são sempre culturais) e entre estes e o observador, sem anular a singularidade, mas antes, procurando iluminá-la a partir dum contexto que permita interpretá-la sem a deturpar e sem a reduzir.
  • 12.
    Procura-se assim encontrarformas de enquadrar a singularidade num quadro geral, sem que se perca de vista a riqueza e a complexidade dos fenómenos humanos.
  • 13.
    Os actos humanos,sendo intencionais, não têm apenas um « porquê?» , mas também, um «para quê?» ( e, muitas vezes um «para quem?» ), não podendo ser explicados, como se explicam os fenómenos naturais…
  • 14.
    Por isso, Asciências humanas recorrem a uma ampla gama de métodos de investigação e de intervenção…