SlideShare uma empresa Scribd logo
Princípios da Farmacologia
Profa. Elisabeth F Schwartz

Para entender as ações de uma droga, é necessário considerar os efeitos
produzidos no sistema biológico em vários níveis de complexidade de
organização. Os níveis principais são: moléculas biológicas, estruturas
subcelulares, células, células organizadas (tecidos e órgãos), organismos intactos
e interação entre organismos.
Nível molecular: Farmacologia molecular é o estudo da interação de
moléculas de droga e moléculas do sistema biológico. Os alvos moleculares de
ação de drogas são os receptores, as enzimas, os sistemas de transporte e
componentes moleculares do aparato genético.
Estruturas subcelulares: Atuando em mitocôndrias, microtúbulos e
lisossomos, por exemplo. Em vesículas neurais de acetilcolina, de adrenalina,
vesículas dos grânulos dos mastócitos, etc.
Células: Ação de drogas em músculo, em nervo, etc.
Tecidos ou órgãos: Apesar das drogas atuarem em um determinado tipo de
célula, o nível de complexidade do sistema pode ser de tal forma que um
mecanismo de controle (autorregulação, ou feedback) pode ser desencadeado.
Assim, a compreensão do mecanismos a nível de tecido ou órgão deve ser
considerado.
Organismo intacto: Drogas atuando em mecanismos homeostáticos (sistema
de controle integrado). Por exemplo, quando uma droga que relaxa musculatura
lisa atua na parede do vasos sangüíneos, causa dilatação, e, consequentemente,
vai desencadear uma aceleração reflexa da freqüência cardíaca.
Interação entre organismos: Podem ser divididas em dois tipos: 1) aquelas
que afetam a relação entre diferentes tipos de organismos, 2) aquelas que afetam
relações sociais. Exemplo do 1º tipo, drogas que são utilizadas para controle de
pragas. Do 2º tipo, as drogas “sociais”, como o álcool, por exemplo e as drogas
que afetam as atitudes do organismos, como sedativos, antidepressivos, etc.
O efeito de uma droga depende do grau pré-existente de atividade no
sistema no qual ela atua.
Drogas podem atuar em mecanismos físico-químicos não-específicos, como
por exemplo: 1) atuando em virtude de propriedades osmóticas; 2)atuando em
virtude de sua atividade ácida ou básica; 3) agentes redutores ou oxidantes; 4)
precipitantes de proteínas; 5) substâncias que funcionam como barreira física; 6)
adsorventes; 7) surfactantes; 8) drogas radioativas; 9) anestésicos inespecíficos
(nitrogênio, xenônio...).
A maior parte das drogas produz seu efeito por meio de interações químicas
mais ou menos específicas com constituintes dos tecidos. Essas interações
envolvem ligações químicas entre as moléculas da droga e moléculas do sistema
biológico. Ligações covalentes são ligações fortes, onde elétrons são mutualmente
compartilhados nas órbitas mais superficiais. Ligações eletrostáticas são formadas
pela força atrativa entre cargas elétricas opostas. Ligações hidrofóbicas ocorrem
quando camadas de água estrutural associadas com grupos hidrofóbicos de 2
moléculas separadas entram em contato. Há uma tendência da água se mover
entre os grupos hidrofóbicos e formar uma única estrutura ao redor de ambas.
Agentes quelantes são componentes que seqüestram íons metais
polivalentes formando 2 ou mais ligações coordenadas ou uma combinação de
ligações coordenadas e iônicas. São agentes quelantes: derivados da
etilenedianima (EDTA, por exemplo), desferrioxamina (ferro), agentes quelantes
contendo enxofre (dietilditiocarbamato).
Enzimas como alvos primários para a ação de drogas:
Drogas atuando primariamente na inibição de enzimas por meio de
diferentes mecanismos, como, inibição competitiva, substratos alternativos,
inibidores enzimáticos irreversíveis, atuação em co-fatores, etc.
Receptores como alvos primários para a ação de drogas:
O conceito original de receptor foi introduzido independentemente por
Langley (1852-1926) e Ehrlich (1854-1915). Para Langley que estava interessado
no sistema nervoso autônomo, “havia uma combinação química entre a droga e
um constituinte da célula- a substância receptora”. Ehrlich estava interessado em
corantes celulares e na resposta imune contra bactérias e contra venenos de
serpentes. Ele postulava que atividades específicas da célula poderiam ser
intermediadas por “cadeias laterais” ou “receptores” aos quais o grupo haptofórico
da droga ou toxina iria atacar e que a droga ou toxina também possuíam um grupo
toxofílico. Uma analogia à ação de uma droga em um receptor é aquela da chave
e fechadura. Esta analogia foi primeiramente proposta por Fischer em 1894 para
ação de enzimas. A interação de drogas com receptores se assemelha
grandemente à interação de substratos com enzimas. Entretanto, há algumas
diferenças importantes, a principal delas é que “enzimas alteram substratos e
drogas alteram receptores”. A conseqüência da formação do complexo enzimasubstrato é a liberação de uma enzima livre e produtos da reação catalisada.
Geralmente, não há grande dificuldade em quantificar a taxa de reação
enzimática. A conseqüência da formação do complexo droga-receptor é uma
resposta, que pode ser medida, mas a relação entre o evento primário (formação
do complexo) e os eventos sucessivos que culminam com a resposta quantificável
só foi bem estabelecida nas últimas décadas, para algumas ações mediadas por
receptores.
Propriedades dos receptores:
Sensibilidade: Muitas drogas produzem efeitos marcantes em concentrações
bastante baixas, ou em pequenas doses. A energia para a resposta não é suprida
pela droga ou sua combinação com o receptor. A combinação da droga com o
receptor requer amplificação para induzir a resposta: isso pode ser uma ação de
disparo, liberando energia potencial armazenada na célula alvo, ou pode ser
originada de uma cascata de amplificação (uma série de mudanças, cada uma
com um fator de amplificação pequeno).
Seletividade: Respostas envolvendo um dado tipo de receptor são somente
elicitadas por uma pequena gama de substâncias químicas com grupos estruturais
e propriedades elétricas semelhantes. Seletividade é maior com agonistas (drogas
que produzem uma resposta) do que com antagonistas (drogas que bloqueiam
respostas aos agonistas).
Especificidade: A resposta das células a qualquer dado tipo de agonista
agindo no mesmo conjunto de receptores é sempre a mesma, sendo determinada
pelas propriedades das células.
Receptores são complexos de macromoléculas que interagem com drogas e
essa interação fornece um estímulo que provavelmente envolve uma mudança
conformacional no receptor ou em seus ambiente imediato.
Se o receptor de dois ou mais agonistas for o mesmo, a ordem de potência
deve ser a mesma; se for diferente, se a ordem de potência difere, os receptores
devem ser diferentes. Variantes de receptores que têm um número de agonistas
em comum são denominados de isoreceptores ou isoceptores (por exemplo,
receptores adrenérgicos).
No estudo da cinética da interação droga-receptor, alguns conceitos devem
ser conhecidos. Biofase, ou fase biologicamente ativa, designa o meio ambiente
em que a droga está na posição de interagir com o receptor sem barreiras
difusionais interferindo. Na maior parte das preparações de tecido isolado, a
concentração da droga na biofase é dada por sua concentração na solução salina
que banha o tecido. Quando uma droga é estudada em sistemas que são mais
complicados que os tecidos, outros fatores devem ser considerados, como a
absorção, a distribuição, o metabolismo e a excreção (fatores farmacodinâmicos).
Agonista é a droga que atua em receptores e elicita uma resposta que pode
ser um aumento ou uma diminuição em uma manifestação particular da atividade
celular ou de células às quais os receptores estão associados. Agonista é uma
droga que atua em um conjunto específico de receptores de uma dada célula (ou
população de células) de modo que o complexo agonista-receptor desencadeia
uma resposta quando os receptores não estão engajados em interações com
drogas de origem exógena ou endógena, e o agonista é isento de outras ações no
sistema em estudo que poderiam influenciar a resposta disparada pela interação
específica da interação agonista-receptor.
A relação droga-receptor pode ocorrer segundo duas teorias principais: teoria
da ocupação, onde a resposta é função da ocupação dos receptores pelo
agonista, e teoria da taxa, onde a resposta é uma função da taxa de ocupação dos
receptores pelo agonista.
Relação linear entre ocupação do receptor e resposta, com a resposta
máxima ocorrendo quando todos os receptores estão ocupados. O efeito
observado é linearmente proporcional à ocupação do receptor e a resposta
máxima é alcançada quando o número total de receptores é ocupado. Nesse
caso, deve-se assumir que: 1) um estímulo “tudo-ou-nada” é elicitado pela
combinação de cada receptor com um agonista; 2) ocorre somação desses
estímulos individuais; 3) o efeito é linearmente proporcional ao número de
estímulos; 4) a resposta máxima ocorre quando cada receptor é ocupado por um
agonista; 5) o complexo agonista-receptor é formado por ligações química
reversíveis prontamente e rapidamente; 6) a ocupação de um receptor não afeta a
tendência de outros receptores serem ocupados. Por meio da equação
matemática que explica essa teoria, observa-se que a plotagem da porcentagem
de resposta x concentração do agonista produz uma curva hiperbólica. A plotagem
da percentagem de resposta x o logaritmo da concentração do agonista produz
uma curva sigmóide simétrica. Assim, a constante de dissociação para a interação
agonista-receptor é igual à concentração do agonista que produz 50% da
resposta. A porção central da curva sigmóide, correspondendo às respostas de 20
a 80% da máxima, é um linha reta.
O antagonista competitivo é a droga que interage reversivelmente com o
receptor para formar o complexo, mas o complexo antagonista-receptor não
produz uma resposta. A interação antagonista-receptor é caracterizada por uma
constante de dissociação, mas a atividade intrínseca do antagonista é zero.
Quando se constrói curvas concentração de agonista x ocupação de receptores
por agonista (ou resposta produzida), na presença de concentrações diferentes de
antagonista competitivo, obtêm-se curvas com mesma forma, com mesma
resposta máxima, com porções lineares paralelas, mas com deslocamento à
direita ou à esquerda. Ou seja, curvas log da concentração x resposta são
deslocadas para à direita na presença do antagonista competitivo, mas a resposta
máxima permanece a mesma e a porção linear permanece paralela a aquela do
agonista sozinho. O efeito do antagonista pode ser sobreposto pelo aumento na
concentração do agonista.
Quando um antagonista forma uma ligação forte com o receptor, a taxa de
dissociação do complexo antagonista-receptor é tão lenta que é virtualmente zero.
Nesse caso, o antagonista é denominado de irreversível e o antagonismo não é
sobreposto pelo aumento na concentração do agonista. O grau de antagonismo
aumenta com o aumento na concentração de antagonista. A população de
receptores disponível para a interação com agonista é reduzida, portanto, a
resposta máxima também é reduzida. A ocupação dos receptores pelo antagonista
irreversível pode ser reduzida pela presença simultânea de elevadas
concentrações do agonista ou de um antagonista competitivo.
Agonista parcial (agonista dual) é aquele que atua formando o complexo
agonista-receptor e desencadeia a resposta, mas não produz a mesma resposta
do que agonistas mais ativos. Por isso pode ser denominado agonista e
antagonista (agonista dual). Atividade intrínseca (α) é a força do estímulo
farmacológico produzido pela ocupação do receptor. Para agonistas ativos α=1,
para dualistas 1>α>0, para antagonistas α=0.
Teoria da ocupação com relação não-linear entre a ocupação do receptor e a
resposta. Uma teoria alternativa proposta por Stephenson (1956) diz que: 1) Um
efeito máximo pode ser produzido por um agonista quando somente uma pequena
proporção de receptores está ocupada; 2) a resposta não é linearmente
proporcional ao número de receptores ocupados; 3) drogas diferentes podem tem
capacidades variáveis para iniciar uma resposta e consequentemente ocupar
proporções diferentes de receptores quando produzindo respostas iguais. A
capacidade de uma droga iniciar uma resposta assim que ocupa o sítio do
receptor é denominada eficácia. Um agonista para o qual a reposta máxima é
menor do que aquela produzida por um agonista altamente ativo atuando em um
mesmo conjunto de receptores é denominado de agonista parcial. Quando um
agonista parcial está produzindo sua resposta máxima, todos os receptores estão
ocupados, mas a eficácia é tal que o estímulo produzido não é suficiente para
gerar a resposta máxima potencialmente obtida pelo sistema. Para um agonista
altamente ativo com uma grande eficácia, a resposta máxima será produzida por
uma concentração que não ocupa todos os receptores. Os receptores que
permanecem
desocupados são chamados de receptores sobressalentes
(receptores reservas, spare receptors). Um agonista com eficácia de 100 ocupará
cerca de 10% dos receptores quando usado em uma concentração suficiente para
produzir uma resposta máxima. Agonistas altamente ativos podem ocupar 0,1%
dos receptores quando em concentração suficiente para produzir resposta
máxima, portanto, uma eficácia da ordem de 10 000.
Antagonistas irreversíveis podem ser utilizados para avaliar a afinidade e a
eficácia do agonista.
Teoria de ação de droga baseada na taxa. O princípio básico desta teoria é
que o estímulo proporcionado por uma droga agonista é proporcional à taxa de
combinações entre os receptores e as drogas (ao invés da proporção de
receptores ocupados), e cada associação entre uma droga e um receptor resulta
em um quantum de estimulação.
De acordo com a teoria de ocupação, a resposta cresce exponencialmente
até um platô com a adição da droga, e decresce exponencialmente com a
remoção da droga. A cinética da resposta de acordo com a teoria da taxa é muito
diferente. No tempo=0, no momento de adição da droga, a resposta é 0, mas com
a adição da droga, a resposta cresce imediatamente até o pico e, então, decresce
exponencialmente até um platô de equilíbrio. O declínio a partir do pico até o platô
é denominado de “enfraquecimento”. Na remoção da droga, a teoria de taxa,
prevê que a resposta deve cair para zero imediatamente.
Na teoria de taxa, o antagonista deve ter uma ação agonista vestigial, no
momento da aplicação, uma vez que é determinado apenas pela taxa de
associação.
As principais diferenças entre as teorias de ação de drogas surgem da
compreensão incompleta da ligação entre a formação do complexo receptor-droga
e a resposta. Algumas teorias são apropriadas para alguns sistemas drogasreceptores, mas não apropriados para outros.
Dedução da natureza do sítio do receptor baseada em relações estruturafunção. A compreensão da forma física e das estruturas químicas do sítio receptor
é baseada no princípio de que o receptor é complementar às drogas que
interagem com ele, assumindo estudos conformacionais, da estrutura eletrônica
das drogas, especialmente com agonistas altamente potentes, que podem permitir
deduções sobre o receptor. Na caracterização de receptores em termos de
relações estrutura-função, a informação obtida do agonista é geralmente mais útil
do que a de antagonistas. No geral, potentes agonistas agem em uma maneira
altamente específica com o receptor. No entanto, muitos antagonistas são
inespecíficos, ou seja, são freqüentemente multivalentes, bloqueando as ações de
diferentes tipos de agonistas em seus respectivos receptores. O grau em que
drogas antagonistas apresentam seletividade é determinado pela extensão em
que eles se combinam especificamente com os mesmos grupos funcionais do sítio
receptor dos agonistas. Antagonistas multivalentes se combinam não somente
com o sítio específico, mas também com grupos acessórios de ligação adjacentes
ao receptor. No geral, antagonistas relativamente seletivos têm afinidades maiores
aos sítios de ligação do que potente agonistas. A alta afinidade de antagonistas
seletivos potentes se deve à combinação das interações entre os grupos de
ligação da região receptora além daquelas dos grupos de ligação acessórios.
Tipos de estruturas. Série homóloga. Diferenças na estrutura entre membros
de uma série homóloga são de vários tipos: 1) tamanho na cadeia lateral; 2)
separação de dois grupos carregados; 3) tamanho de um grupo ionizado; 4) grau
de substituição e tamanho de substituintes no átomo nitrogênio amino; 5)
mascaramento dos grupos hidroxila por alquilação; 6) mudança na forma de uma
cadeia alquila... Substituição halostérica. Isósteres são átomos, grupos de átomos
ou moléculas, com semelhança em tamanho ou forma, mas com diferentes
propriedades elétricas. Isômeros ópticos. Diferenças nos pares de isômeros
ópticos (enantiômeros). Drogas restritas conformacionalmente. Agonistas com
estruturas rígidas podem fornecer informações sobre a organização espacial do
receptor. Isômeros geométricos. Alterações na conformação trans e cis.
Aspectos dinâmicos das interações droga-receptor. Efeito cooperativo entre
grupos de ligação de um receptor. Fortes agonistas interagem simultaneamente
com vários grupos de ligação de cada sítio receptor. A perda de um destes grupos
funcionais, ou a atenuação da intensidade dessa ligação com o receptor, diminui a
potência. A diminuição da potência pode ser resultado de uma perda da eficácia,
assim como de uma diminuição na afinidade. Assim, há um efeito cooperativo
entre os grupos de ligação quando eles estão engajados em uma interação com
um agonista forte. Por exemplo: acetilcolinesterase contém um sítio aniônico e um
sítio éster; a perda de um grupo reduz a taxa de inibição da acetilcolinesterase em
400 vezes. Encaixe induzido e mudanças conformacionais no receptor. O sítio
receptor somente adota a conformação apropriada na presença de uma droga que
interage. A conseqüência da interação provoca uma mudança conformacional
subsequente: isso é observado inteiramente com um agonista, menos com um
agonista parcial e inibido com um antagonista. A mudança conformacional na
molécula receptora pode estar ligada a uma mudança conformacional em um
sistema enzimático ou um sistema de transporte. A mudança conformacional
induzida por uma droga no receptor pode ocorrer como resultado de mudanças na
distribuição eletrônica da molécula quando as ligações entre a porção receptora e
o agonista são formadas.
Um receptor é uma forma de transdutor que é ativado pela interação com um
agonista e modula alguma parte de mecanismos celulares para desencadear uma
resposta característica, e a ativação envolve uma mudança conformacional. A
mudança conformacional no receptor pode resultar de uma alteração nas
propriedades da membrana celular, afetando sua permeabilidade passiva ou suas
propriedades de transporte ativo, ou pode estar relacionada à ativação de uma
enzima.
Na teoria da ocupação, a mudança conformacional no mecanismo mediado
por resposta persiste enquanto o sítio receptor estiver ocupado. Na teoria de taxa,
cada quantum de excitação (ou seja, cada associação entre agonista e receptor)
produz uma mudança momentânea na permeabilidade ou no movimento iônico. O
mecanismo de abertura de um canal iônico envolve um complexo macromolecular
constituído de uma porção receptora e uma porção ionófora. Uma proposta
alternativa seria que uma mudança conformacional na molécula receptora
resultaria no aparecimento de um canal iônico.
Sistemas de segundos mensageiros. Muitos hormônios, neurotransmissores
ou autacóides atuam em receptores específicos: a presença ou ausência do
receptor específico ao agonista endógeno é o determinante primário da resposta.
A conseqüência imediata do complexo receptor-agonista é a ativação da enzima
adenilato ciclase e isso é seguido da conversão de ATP em AMPcíclico. O
segundo mensageiro, AMPcíclico, ativa outras enzimas, e isso, por sua vez,
produz a resposta característica da célula. Outro sistema de segundo mensageiro
envolvendo GMPcíclico foi identificado em vários tecidos. Quando os dois
sistemas (AMPcíclico e GMPcíclico) estão presentes, eles estão ligados a
receptores por meio dos quais drogas produzem efeitos opostos.
Adições sucessivas de uma mesma dose de um agonista potente, como
acetilcolina ou histamina, geralmente produzem respostas constantes, desde que
sejam utilizadas concentrações modestas, o tempo de exposição não seja tão
prolongado e um período de repouso longo seja permitido a fim de que o tecido se
recupere da resposta. No entanto, com algumas drogas, a resposta torna-se
menor. Esse fenômeno é conhecido como taquifilaxia (do grego: proteção
rápida).Taquifilaxia implica em uma diminuição consideravelmente rápida na
resposta, enquanto que tolerância é geralmente empregada para descrever uma
diminuição mais gradual na eficiência da droga adicionada repetitivamente durante
um período de tempo mais longo. Taquifilaxia específica a um tipo de receptor
pode ser obtida em músculo liso com o uso de serotonina, sem afetar a resposta a
outros agonistas. É mais difícil se obter taquifilaxia com histamina e quase
impóssível com acetilcolina. Quando doses extremamente elevadas de acetilcolina
são usadas, o tecido torna-se menos sensível, mas não a todos os agonistas; isso
é uma desensibilização não-específica. Isso pode ser devido à perda de potássio
intracelular. Um tipo muito diferente de taquifilaxia é aquele desencadeado por
drogas que agem indiretamente, ou seja, aquelas cuja atividade farmacológica
leva à liberação de um agente ativo no tecido. O termo tolerância é geralmente
utilizado para aquelas drogas aplicadas clinicamente em drogas cada vez maiores
para produzir o efeito desejado. Por exemplo: morfina e drogas relacionadas,
drogas bloqueadoras de adrenalina que são usadas no tratamento da hipertensão.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Adaptação celular
Adaptação celularAdaptação celular
Adaptação celular
LarissaComparini
 
Junção Neuromuscular
Junção NeuromuscularJunção Neuromuscular
Junção Neuromuscular
Hugo Fialho
 
Fisiologia celular
Fisiologia celularFisiologia celular
Fisiologia celular
Tenobio T. Coelho
 
Hemograma
HemogramaHemograma
Patologia geral
Patologia geralPatologia geral
Patologia geral
Gildo Crispim
 
1 introducao ao estudo da fisiopatologia
1 introducao ao estudo da fisiopatologia1 introducao ao estudo da fisiopatologia
1 introducao ao estudo da fisiopatologia
Marcio Loss
 
Aula 4 gastrite
Aula 4 gastriteAula 4 gastrite
Aula 4 gastrite
Adelane Rocha
 
Exames de sangue para avaliação da tireóide
Exames de sangue para avaliação da tireóideExames de sangue para avaliação da tireóide
Exames de sangue para avaliação da tireóide
adrianomedico
 
Introdução a microbiologia dos alimentos
Introdução a microbiologia dos alimentosIntrodução a microbiologia dos alimentos
Introdução a microbiologia dos alimentos
Priscilla Maria Carvalho Oliveira
 
Osteoporose
Osteoporose Osteoporose
Osteoporose
pauloalambert
 
Carcinogênese
CarcinogêneseCarcinogênese
Carcinogênese
Faculdade Guaraí
 
Aula 1 introducao patologia
Aula 1  introducao patologiaAula 1  introducao patologia
Aula 1 introducao patologia
Sebastiao Margarida
 
Bioquimica introducao
Bioquimica introducaoBioquimica introducao
Bioquimica introducao
Richele Soares
 
Farmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemiasFarmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemias
Ricardo Alanís
 
Hemossedimentação
HemossedimentaçãoHemossedimentação
Hemossedimentação
Gabriella Lourenço
 
Aula biologia celular
Aula   biologia celularAula   biologia celular
Aula biologia celular
santhdalcin
 
Doenças mitocondriais
Doenças mitocondriaisDoenças mitocondriais
Doenças mitocondriais
Dr. Rafael Higashi
 
3 inflamacao -mv
3 inflamacao -mv3 inflamacao -mv
3 inflamacao -mv
Tamiris Ferreira
 
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.BarreiroCap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
Maria Luiza
 
Aines
AinesAines
Aines
lidypvh
 

Mais procurados (20)

Adaptação celular
Adaptação celularAdaptação celular
Adaptação celular
 
Junção Neuromuscular
Junção NeuromuscularJunção Neuromuscular
Junção Neuromuscular
 
Fisiologia celular
Fisiologia celularFisiologia celular
Fisiologia celular
 
Hemograma
HemogramaHemograma
Hemograma
 
Patologia geral
Patologia geralPatologia geral
Patologia geral
 
1 introducao ao estudo da fisiopatologia
1 introducao ao estudo da fisiopatologia1 introducao ao estudo da fisiopatologia
1 introducao ao estudo da fisiopatologia
 
Aula 4 gastrite
Aula 4 gastriteAula 4 gastrite
Aula 4 gastrite
 
Exames de sangue para avaliação da tireóide
Exames de sangue para avaliação da tireóideExames de sangue para avaliação da tireóide
Exames de sangue para avaliação da tireóide
 
Introdução a microbiologia dos alimentos
Introdução a microbiologia dos alimentosIntrodução a microbiologia dos alimentos
Introdução a microbiologia dos alimentos
 
Osteoporose
Osteoporose Osteoporose
Osteoporose
 
Carcinogênese
CarcinogêneseCarcinogênese
Carcinogênese
 
Aula 1 introducao patologia
Aula 1  introducao patologiaAula 1  introducao patologia
Aula 1 introducao patologia
 
Bioquimica introducao
Bioquimica introducaoBioquimica introducao
Bioquimica introducao
 
Farmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemiasFarmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemias
 
Hemossedimentação
HemossedimentaçãoHemossedimentação
Hemossedimentação
 
Aula biologia celular
Aula   biologia celularAula   biologia celular
Aula biologia celular
 
Doenças mitocondriais
Doenças mitocondriaisDoenças mitocondriais
Doenças mitocondriais
 
3 inflamacao -mv
3 inflamacao -mv3 inflamacao -mv
3 inflamacao -mv
 
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.BarreiroCap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
Cap01 Quimica Medicinal-Eliezer J.Barreiro
 
Aines
AinesAines
Aines
 

Semelhante a Princípios da Farmacologia

Farmacologia
Farmacologia Farmacologia
Farmacologia
kkf Ribeiro
 
Farmacologia 04 farmacodinâmica
Farmacologia 04   farmacodinâmicaFarmacologia 04   farmacodinâmica
Farmacologia 04 farmacodinâmica
Jucie Vasconcelos
 
Aula 1 Biomedicina
Aula 1 BiomedicinaAula 1 Biomedicina
Aula 1 Biomedicina
Caio Maximino
 
Aula 1 Enfermagem
Aula 1 EnfermagemAula 1 Enfermagem
Aula 1 Enfermagem
Caio Maximino
 
Aula 1 Cf1
Aula 1 Cf1Aula 1 Cf1
Aula 1 Cf1
Caio Maximino
 
Farmacodinâmica
FarmacodinâmicaFarmacodinâmica
Farmacodinâmica
Rosangela Helena Sizilio
 
Farmacodinâmica.pptx
Farmacodinâmica.pptxFarmacodinâmica.pptx
Farmacodinâmica.pptx
Jackesamiacastilho2
 
FARMACODINAMICA.pptx
FARMACODINAMICA.pptxFARMACODINAMICA.pptx
FARMACODINAMICA.pptx
MoniqueSilva303698
 
2 aula psicofarmacologia
2 aula psicofarmacologia2 aula psicofarmacologia
2 aula psicofarmacologia
joanesantonio
 
Farmacologia Geral - Exercícios.doc
Farmacologia Geral - Exercícios.docFarmacologia Geral - Exercícios.doc
Farmacologia Geral - Exercícios.doc
Allyf Ferreira
 
Farmacodinâmica 2011 2
Farmacodinâmica 2011 2Farmacodinâmica 2011 2
Farmacodinâmica 2011 2
Carlos Collares
 
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
Marcelo Zanotti da Silva
 
Comunicação celular
Comunicação celularComunicação celular
Comunicação celular
Nathalia Fuga
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Aroldo Gavioli
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ
 
Cinética química
Cinética químicaCinética química
Cinética química
kirkfc
 
Cinética química
Cinética químicaCinética química
Cinética química
kirkfc
 
Conceitos basicos de_toxicologia
Conceitos basicos de_toxicologiaConceitos basicos de_toxicologia
Conceitos basicos de_toxicologia
Adenir Lobo Silva
 
Farmacodinâmica
FarmacodinâmicaFarmacodinâmica
Farmacodinâmica
TunneyGourmets
 

Semelhante a Princípios da Farmacologia (20)

Farmacologia
Farmacologia Farmacologia
Farmacologia
 
Farmacologia 04 farmacodinâmica
Farmacologia 04   farmacodinâmicaFarmacologia 04   farmacodinâmica
Farmacologia 04 farmacodinâmica
 
Aula 1 Biomedicina
Aula 1 BiomedicinaAula 1 Biomedicina
Aula 1 Biomedicina
 
Aula 1 Enfermagem
Aula 1 EnfermagemAula 1 Enfermagem
Aula 1 Enfermagem
 
Aula 1 Cf1
Aula 1 Cf1Aula 1 Cf1
Aula 1 Cf1
 
Farmacodinâmica
FarmacodinâmicaFarmacodinâmica
Farmacodinâmica
 
Farmacodinâmica.pptx
Farmacodinâmica.pptxFarmacodinâmica.pptx
Farmacodinâmica.pptx
 
FARMACODINAMICA.pptx
FARMACODINAMICA.pptxFARMACODINAMICA.pptx
FARMACODINAMICA.pptx
 
2 aula psicofarmacologia
2 aula psicofarmacologia2 aula psicofarmacologia
2 aula psicofarmacologia
 
Farmacologia Geral - Exercícios.doc
Farmacologia Geral - Exercícios.docFarmacologia Geral - Exercícios.doc
Farmacologia Geral - Exercícios.doc
 
Farmacodinâmica 2011 2
Farmacodinâmica 2011 2Farmacodinâmica 2011 2
Farmacodinâmica 2011 2
 
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
[Instituto Interage - Curso de Psicofarmacologia] Aula 1/2
 
Comunicação celular
Comunicação celularComunicação celular
Comunicação celular
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
 
Cinética química
Cinética químicaCinética química
Cinética química
 
Cinética química
Cinética químicaCinética química
Cinética química
 
Conceitos basicos de_toxicologia
Conceitos basicos de_toxicologiaConceitos basicos de_toxicologia
Conceitos basicos de_toxicologia
 
Farmacodinâmica
FarmacodinâmicaFarmacodinâmica
Farmacodinâmica
 

Mais de Railenne De Oliveira Celestino

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POPPROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
Railenne De Oliveira Celestino
 
Manual de Boas Práticas De Dispensação
Manual de Boas Práticas  De Dispensação  Manual de Boas Práticas  De Dispensação
Manual de Boas Práticas De Dispensação
Railenne De Oliveira Celestino
 
Manual de Boas Práticas De Dispensação Para Farmácias e Drogarias
Manual de Boas Práticas  De Dispensação  Para Farmácias e DrogariasManual de Boas Práticas  De Dispensação  Para Farmácias e Drogarias
Manual de Boas Práticas De Dispensação Para Farmácias e Drogarias
Railenne De Oliveira Celestino
 
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e SanitáriaEstudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
Railenne De Oliveira Celestino
 
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICAESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
Railenne De Oliveira Celestino
 
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão LivrePrática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
Railenne De Oliveira Celestino
 
Relatório de Aula Prática PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
Relatório de Aula Prática   PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇASRelatório de Aula Prática   PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
Relatório de Aula Prática PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
Railenne De Oliveira Celestino
 
exercício leite
exercício leite exercício leite
Relatório de Aula Prática FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
Relatório de Aula Prática   FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCALRelatório de Aula Prática   FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
Relatório de Aula Prática FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
Railenne De Oliveira Celestino
 
EXERCICIO LEITE
EXERCICIO LEITEEXERCICIO LEITE
Modelo de apresentação 2
Modelo de apresentação 2Modelo de apresentação 2
Modelo de apresentação 2
Railenne De Oliveira Celestino
 
Rdc17 DOCUMENTAÇÃO
Rdc17 DOCUMENTAÇÃORdc17 DOCUMENTAÇÃO
Rdc17 DOCUMENTAÇÃO
Railenne De Oliveira Celestino
 
Vias de acesso NE
Vias de acesso NEVias de acesso NE
RDC Nº 17/2010
RDC Nº 17/2010RDC Nº 17/2010

Mais de Railenne De Oliveira Celestino (14)

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POPPROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
 
Manual de Boas Práticas De Dispensação
Manual de Boas Práticas  De Dispensação  Manual de Boas Práticas  De Dispensação
Manual de Boas Práticas De Dispensação
 
Manual de Boas Práticas De Dispensação Para Farmácias e Drogarias
Manual de Boas Práticas  De Dispensação  Para Farmácias e DrogariasManual de Boas Práticas  De Dispensação  Para Farmácias e Drogarias
Manual de Boas Práticas De Dispensação Para Farmácias e Drogarias
 
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e SanitáriaEstudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
Estudo de caso 01– Legislação Profissional e Sanitária
 
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICAESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
ESTUDO DIRIGIDO BOTÂNICA
 
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão LivrePrática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
Prática: Montagem de Lâminas Histológicas com Cortes à Mão Livre
 
Relatório de Aula Prática PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
Relatório de Aula Prática   PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇASRelatório de Aula Prática   PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
Relatório de Aula Prática PROCESSAMENTO MÍNINO DE FRUTOS E HORTALIÇAS
 
exercício leite
exercício leite exercício leite
exercício leite
 
Relatório de Aula Prática FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
Relatório de Aula Prática   FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCALRelatório de Aula Prática   FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
Relatório de Aula Prática FABRICAÇÃO DE QUEIJO MINAS FRESCAL
 
EXERCICIO LEITE
EXERCICIO LEITEEXERCICIO LEITE
EXERCICIO LEITE
 
Modelo de apresentação 2
Modelo de apresentação 2Modelo de apresentação 2
Modelo de apresentação 2
 
Rdc17 DOCUMENTAÇÃO
Rdc17 DOCUMENTAÇÃORdc17 DOCUMENTAÇÃO
Rdc17 DOCUMENTAÇÃO
 
Vias de acesso NE
Vias de acesso NEVias de acesso NE
Vias de acesso NE
 
RDC Nº 17/2010
RDC Nº 17/2010RDC Nº 17/2010
RDC Nº 17/2010
 

Último

D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
eaiprofpolly
 
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
LeticiaRochaCupaiol
 
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdfUFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
Manuais Formação
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
MarcosPaulo777883
 
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdfUFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
Manuais Formação
 
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números RacionaisPotenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
wagnermorais28
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Érika Rufo
 
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptxPP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdfTestes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
lveiga112
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
LucianaCristina58
 
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptxAula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
edivirgesribeiro1
 
Leonardo da Vinci .pptx
Leonardo da Vinci                  .pptxLeonardo da Vinci                  .pptx
Leonardo da Vinci .pptx
TomasSousa7
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
TomasSousa7
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
SILVIAREGINANAZARECA
 
Atividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º anoAtividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º ano
fernandacosta37763
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
TomasSousa7
 
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vidakarl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
KleginaldoPaz2
 
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
MessiasMarianoG
 
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptxReino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
CarinaSantos916505
 
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do AssaréFamílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
profesfrancleite
 

Último (20)

D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
 
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
1ª LEI DE OHN, CARACTERISTICAS IMPORTANTES.
 
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdfUFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
 
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdfUFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
UFCD_3546_Prevenção e primeiros socorros_geriatria.pdf
 
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números RacionaisPotenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
 
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptxPP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
 
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdfTestes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
 
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptxAula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
Aula história , caracteristicas e esteriótipos em relação a DANÇA DE SALAO.pptx
 
Leonardo da Vinci .pptx
Leonardo da Vinci                  .pptxLeonardo da Vinci                  .pptx
Leonardo da Vinci .pptx
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
 
Atividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º anoAtividade de reforço de matemática 2º ano
Atividade de reforço de matemática 2º ano
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
 
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vidakarl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
karl marx biografia resumida com suas obras e história de vida
 
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
 
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptxReino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
Reino-Vegetal plantas e demais conceitos .pptx
 
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do AssaréFamílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
Famílias Que Contribuíram Para O Crescimento Do Assaré
 

Princípios da Farmacologia

  • 1. Princípios da Farmacologia Profa. Elisabeth F Schwartz Para entender as ações de uma droga, é necessário considerar os efeitos produzidos no sistema biológico em vários níveis de complexidade de organização. Os níveis principais são: moléculas biológicas, estruturas subcelulares, células, células organizadas (tecidos e órgãos), organismos intactos e interação entre organismos. Nível molecular: Farmacologia molecular é o estudo da interação de moléculas de droga e moléculas do sistema biológico. Os alvos moleculares de ação de drogas são os receptores, as enzimas, os sistemas de transporte e componentes moleculares do aparato genético. Estruturas subcelulares: Atuando em mitocôndrias, microtúbulos e lisossomos, por exemplo. Em vesículas neurais de acetilcolina, de adrenalina, vesículas dos grânulos dos mastócitos, etc. Células: Ação de drogas em músculo, em nervo, etc. Tecidos ou órgãos: Apesar das drogas atuarem em um determinado tipo de célula, o nível de complexidade do sistema pode ser de tal forma que um mecanismo de controle (autorregulação, ou feedback) pode ser desencadeado. Assim, a compreensão do mecanismos a nível de tecido ou órgão deve ser considerado. Organismo intacto: Drogas atuando em mecanismos homeostáticos (sistema de controle integrado). Por exemplo, quando uma droga que relaxa musculatura lisa atua na parede do vasos sangüíneos, causa dilatação, e, consequentemente, vai desencadear uma aceleração reflexa da freqüência cardíaca. Interação entre organismos: Podem ser divididas em dois tipos: 1) aquelas que afetam a relação entre diferentes tipos de organismos, 2) aquelas que afetam relações sociais. Exemplo do 1º tipo, drogas que são utilizadas para controle de pragas. Do 2º tipo, as drogas “sociais”, como o álcool, por exemplo e as drogas que afetam as atitudes do organismos, como sedativos, antidepressivos, etc. O efeito de uma droga depende do grau pré-existente de atividade no sistema no qual ela atua. Drogas podem atuar em mecanismos físico-químicos não-específicos, como por exemplo: 1) atuando em virtude de propriedades osmóticas; 2)atuando em virtude de sua atividade ácida ou básica; 3) agentes redutores ou oxidantes; 4) precipitantes de proteínas; 5) substâncias que funcionam como barreira física; 6) adsorventes; 7) surfactantes; 8) drogas radioativas; 9) anestésicos inespecíficos (nitrogênio, xenônio...). A maior parte das drogas produz seu efeito por meio de interações químicas mais ou menos específicas com constituintes dos tecidos. Essas interações envolvem ligações químicas entre as moléculas da droga e moléculas do sistema biológico. Ligações covalentes são ligações fortes, onde elétrons são mutualmente compartilhados nas órbitas mais superficiais. Ligações eletrostáticas são formadas pela força atrativa entre cargas elétricas opostas. Ligações hidrofóbicas ocorrem
  • 2. quando camadas de água estrutural associadas com grupos hidrofóbicos de 2 moléculas separadas entram em contato. Há uma tendência da água se mover entre os grupos hidrofóbicos e formar uma única estrutura ao redor de ambas. Agentes quelantes são componentes que seqüestram íons metais polivalentes formando 2 ou mais ligações coordenadas ou uma combinação de ligações coordenadas e iônicas. São agentes quelantes: derivados da etilenedianima (EDTA, por exemplo), desferrioxamina (ferro), agentes quelantes contendo enxofre (dietilditiocarbamato). Enzimas como alvos primários para a ação de drogas: Drogas atuando primariamente na inibição de enzimas por meio de diferentes mecanismos, como, inibição competitiva, substratos alternativos, inibidores enzimáticos irreversíveis, atuação em co-fatores, etc. Receptores como alvos primários para a ação de drogas: O conceito original de receptor foi introduzido independentemente por Langley (1852-1926) e Ehrlich (1854-1915). Para Langley que estava interessado no sistema nervoso autônomo, “havia uma combinação química entre a droga e um constituinte da célula- a substância receptora”. Ehrlich estava interessado em corantes celulares e na resposta imune contra bactérias e contra venenos de serpentes. Ele postulava que atividades específicas da célula poderiam ser intermediadas por “cadeias laterais” ou “receptores” aos quais o grupo haptofórico da droga ou toxina iria atacar e que a droga ou toxina também possuíam um grupo toxofílico. Uma analogia à ação de uma droga em um receptor é aquela da chave e fechadura. Esta analogia foi primeiramente proposta por Fischer em 1894 para ação de enzimas. A interação de drogas com receptores se assemelha grandemente à interação de substratos com enzimas. Entretanto, há algumas diferenças importantes, a principal delas é que “enzimas alteram substratos e drogas alteram receptores”. A conseqüência da formação do complexo enzimasubstrato é a liberação de uma enzima livre e produtos da reação catalisada. Geralmente, não há grande dificuldade em quantificar a taxa de reação enzimática. A conseqüência da formação do complexo droga-receptor é uma resposta, que pode ser medida, mas a relação entre o evento primário (formação do complexo) e os eventos sucessivos que culminam com a resposta quantificável só foi bem estabelecida nas últimas décadas, para algumas ações mediadas por receptores. Propriedades dos receptores: Sensibilidade: Muitas drogas produzem efeitos marcantes em concentrações bastante baixas, ou em pequenas doses. A energia para a resposta não é suprida pela droga ou sua combinação com o receptor. A combinação da droga com o receptor requer amplificação para induzir a resposta: isso pode ser uma ação de disparo, liberando energia potencial armazenada na célula alvo, ou pode ser originada de uma cascata de amplificação (uma série de mudanças, cada uma com um fator de amplificação pequeno). Seletividade: Respostas envolvendo um dado tipo de receptor são somente elicitadas por uma pequena gama de substâncias químicas com grupos estruturais e propriedades elétricas semelhantes. Seletividade é maior com agonistas (drogas
  • 3. que produzem uma resposta) do que com antagonistas (drogas que bloqueiam respostas aos agonistas). Especificidade: A resposta das células a qualquer dado tipo de agonista agindo no mesmo conjunto de receptores é sempre a mesma, sendo determinada pelas propriedades das células. Receptores são complexos de macromoléculas que interagem com drogas e essa interação fornece um estímulo que provavelmente envolve uma mudança conformacional no receptor ou em seus ambiente imediato. Se o receptor de dois ou mais agonistas for o mesmo, a ordem de potência deve ser a mesma; se for diferente, se a ordem de potência difere, os receptores devem ser diferentes. Variantes de receptores que têm um número de agonistas em comum são denominados de isoreceptores ou isoceptores (por exemplo, receptores adrenérgicos). No estudo da cinética da interação droga-receptor, alguns conceitos devem ser conhecidos. Biofase, ou fase biologicamente ativa, designa o meio ambiente em que a droga está na posição de interagir com o receptor sem barreiras difusionais interferindo. Na maior parte das preparações de tecido isolado, a concentração da droga na biofase é dada por sua concentração na solução salina que banha o tecido. Quando uma droga é estudada em sistemas que são mais complicados que os tecidos, outros fatores devem ser considerados, como a absorção, a distribuição, o metabolismo e a excreção (fatores farmacodinâmicos). Agonista é a droga que atua em receptores e elicita uma resposta que pode ser um aumento ou uma diminuição em uma manifestação particular da atividade celular ou de células às quais os receptores estão associados. Agonista é uma droga que atua em um conjunto específico de receptores de uma dada célula (ou população de células) de modo que o complexo agonista-receptor desencadeia uma resposta quando os receptores não estão engajados em interações com drogas de origem exógena ou endógena, e o agonista é isento de outras ações no sistema em estudo que poderiam influenciar a resposta disparada pela interação específica da interação agonista-receptor. A relação droga-receptor pode ocorrer segundo duas teorias principais: teoria da ocupação, onde a resposta é função da ocupação dos receptores pelo agonista, e teoria da taxa, onde a resposta é uma função da taxa de ocupação dos receptores pelo agonista. Relação linear entre ocupação do receptor e resposta, com a resposta máxima ocorrendo quando todos os receptores estão ocupados. O efeito observado é linearmente proporcional à ocupação do receptor e a resposta máxima é alcançada quando o número total de receptores é ocupado. Nesse caso, deve-se assumir que: 1) um estímulo “tudo-ou-nada” é elicitado pela combinação de cada receptor com um agonista; 2) ocorre somação desses estímulos individuais; 3) o efeito é linearmente proporcional ao número de estímulos; 4) a resposta máxima ocorre quando cada receptor é ocupado por um agonista; 5) o complexo agonista-receptor é formado por ligações química reversíveis prontamente e rapidamente; 6) a ocupação de um receptor não afeta a tendência de outros receptores serem ocupados. Por meio da equação matemática que explica essa teoria, observa-se que a plotagem da porcentagem de resposta x concentração do agonista produz uma curva hiperbólica. A plotagem
  • 4. da percentagem de resposta x o logaritmo da concentração do agonista produz uma curva sigmóide simétrica. Assim, a constante de dissociação para a interação agonista-receptor é igual à concentração do agonista que produz 50% da resposta. A porção central da curva sigmóide, correspondendo às respostas de 20 a 80% da máxima, é um linha reta. O antagonista competitivo é a droga que interage reversivelmente com o receptor para formar o complexo, mas o complexo antagonista-receptor não produz uma resposta. A interação antagonista-receptor é caracterizada por uma constante de dissociação, mas a atividade intrínseca do antagonista é zero. Quando se constrói curvas concentração de agonista x ocupação de receptores por agonista (ou resposta produzida), na presença de concentrações diferentes de antagonista competitivo, obtêm-se curvas com mesma forma, com mesma resposta máxima, com porções lineares paralelas, mas com deslocamento à direita ou à esquerda. Ou seja, curvas log da concentração x resposta são deslocadas para à direita na presença do antagonista competitivo, mas a resposta máxima permanece a mesma e a porção linear permanece paralela a aquela do agonista sozinho. O efeito do antagonista pode ser sobreposto pelo aumento na concentração do agonista. Quando um antagonista forma uma ligação forte com o receptor, a taxa de dissociação do complexo antagonista-receptor é tão lenta que é virtualmente zero. Nesse caso, o antagonista é denominado de irreversível e o antagonismo não é sobreposto pelo aumento na concentração do agonista. O grau de antagonismo aumenta com o aumento na concentração de antagonista. A população de receptores disponível para a interação com agonista é reduzida, portanto, a resposta máxima também é reduzida. A ocupação dos receptores pelo antagonista irreversível pode ser reduzida pela presença simultânea de elevadas concentrações do agonista ou de um antagonista competitivo. Agonista parcial (agonista dual) é aquele que atua formando o complexo agonista-receptor e desencadeia a resposta, mas não produz a mesma resposta do que agonistas mais ativos. Por isso pode ser denominado agonista e antagonista (agonista dual). Atividade intrínseca (α) é a força do estímulo farmacológico produzido pela ocupação do receptor. Para agonistas ativos α=1, para dualistas 1>α>0, para antagonistas α=0. Teoria da ocupação com relação não-linear entre a ocupação do receptor e a resposta. Uma teoria alternativa proposta por Stephenson (1956) diz que: 1) Um efeito máximo pode ser produzido por um agonista quando somente uma pequena proporção de receptores está ocupada; 2) a resposta não é linearmente proporcional ao número de receptores ocupados; 3) drogas diferentes podem tem capacidades variáveis para iniciar uma resposta e consequentemente ocupar proporções diferentes de receptores quando produzindo respostas iguais. A capacidade de uma droga iniciar uma resposta assim que ocupa o sítio do receptor é denominada eficácia. Um agonista para o qual a reposta máxima é menor do que aquela produzida por um agonista altamente ativo atuando em um mesmo conjunto de receptores é denominado de agonista parcial. Quando um agonista parcial está produzindo sua resposta máxima, todos os receptores estão ocupados, mas a eficácia é tal que o estímulo produzido não é suficiente para
  • 5. gerar a resposta máxima potencialmente obtida pelo sistema. Para um agonista altamente ativo com uma grande eficácia, a resposta máxima será produzida por uma concentração que não ocupa todos os receptores. Os receptores que permanecem desocupados são chamados de receptores sobressalentes (receptores reservas, spare receptors). Um agonista com eficácia de 100 ocupará cerca de 10% dos receptores quando usado em uma concentração suficiente para produzir uma resposta máxima. Agonistas altamente ativos podem ocupar 0,1% dos receptores quando em concentração suficiente para produzir resposta máxima, portanto, uma eficácia da ordem de 10 000. Antagonistas irreversíveis podem ser utilizados para avaliar a afinidade e a eficácia do agonista. Teoria de ação de droga baseada na taxa. O princípio básico desta teoria é que o estímulo proporcionado por uma droga agonista é proporcional à taxa de combinações entre os receptores e as drogas (ao invés da proporção de receptores ocupados), e cada associação entre uma droga e um receptor resulta em um quantum de estimulação. De acordo com a teoria de ocupação, a resposta cresce exponencialmente até um platô com a adição da droga, e decresce exponencialmente com a remoção da droga. A cinética da resposta de acordo com a teoria da taxa é muito diferente. No tempo=0, no momento de adição da droga, a resposta é 0, mas com a adição da droga, a resposta cresce imediatamente até o pico e, então, decresce exponencialmente até um platô de equilíbrio. O declínio a partir do pico até o platô é denominado de “enfraquecimento”. Na remoção da droga, a teoria de taxa, prevê que a resposta deve cair para zero imediatamente. Na teoria de taxa, o antagonista deve ter uma ação agonista vestigial, no momento da aplicação, uma vez que é determinado apenas pela taxa de associação. As principais diferenças entre as teorias de ação de drogas surgem da compreensão incompleta da ligação entre a formação do complexo receptor-droga e a resposta. Algumas teorias são apropriadas para alguns sistemas drogasreceptores, mas não apropriados para outros. Dedução da natureza do sítio do receptor baseada em relações estruturafunção. A compreensão da forma física e das estruturas químicas do sítio receptor é baseada no princípio de que o receptor é complementar às drogas que interagem com ele, assumindo estudos conformacionais, da estrutura eletrônica das drogas, especialmente com agonistas altamente potentes, que podem permitir deduções sobre o receptor. Na caracterização de receptores em termos de relações estrutura-função, a informação obtida do agonista é geralmente mais útil do que a de antagonistas. No geral, potentes agonistas agem em uma maneira altamente específica com o receptor. No entanto, muitos antagonistas são inespecíficos, ou seja, são freqüentemente multivalentes, bloqueando as ações de diferentes tipos de agonistas em seus respectivos receptores. O grau em que drogas antagonistas apresentam seletividade é determinado pela extensão em que eles se combinam especificamente com os mesmos grupos funcionais do sítio receptor dos agonistas. Antagonistas multivalentes se combinam não somente com o sítio específico, mas também com grupos acessórios de ligação adjacentes ao receptor. No geral, antagonistas relativamente seletivos têm afinidades maiores
  • 6. aos sítios de ligação do que potente agonistas. A alta afinidade de antagonistas seletivos potentes se deve à combinação das interações entre os grupos de ligação da região receptora além daquelas dos grupos de ligação acessórios. Tipos de estruturas. Série homóloga. Diferenças na estrutura entre membros de uma série homóloga são de vários tipos: 1) tamanho na cadeia lateral; 2) separação de dois grupos carregados; 3) tamanho de um grupo ionizado; 4) grau de substituição e tamanho de substituintes no átomo nitrogênio amino; 5) mascaramento dos grupos hidroxila por alquilação; 6) mudança na forma de uma cadeia alquila... Substituição halostérica. Isósteres são átomos, grupos de átomos ou moléculas, com semelhança em tamanho ou forma, mas com diferentes propriedades elétricas. Isômeros ópticos. Diferenças nos pares de isômeros ópticos (enantiômeros). Drogas restritas conformacionalmente. Agonistas com estruturas rígidas podem fornecer informações sobre a organização espacial do receptor. Isômeros geométricos. Alterações na conformação trans e cis. Aspectos dinâmicos das interações droga-receptor. Efeito cooperativo entre grupos de ligação de um receptor. Fortes agonistas interagem simultaneamente com vários grupos de ligação de cada sítio receptor. A perda de um destes grupos funcionais, ou a atenuação da intensidade dessa ligação com o receptor, diminui a potência. A diminuição da potência pode ser resultado de uma perda da eficácia, assim como de uma diminuição na afinidade. Assim, há um efeito cooperativo entre os grupos de ligação quando eles estão engajados em uma interação com um agonista forte. Por exemplo: acetilcolinesterase contém um sítio aniônico e um sítio éster; a perda de um grupo reduz a taxa de inibição da acetilcolinesterase em 400 vezes. Encaixe induzido e mudanças conformacionais no receptor. O sítio receptor somente adota a conformação apropriada na presença de uma droga que interage. A conseqüência da interação provoca uma mudança conformacional subsequente: isso é observado inteiramente com um agonista, menos com um agonista parcial e inibido com um antagonista. A mudança conformacional na molécula receptora pode estar ligada a uma mudança conformacional em um sistema enzimático ou um sistema de transporte. A mudança conformacional induzida por uma droga no receptor pode ocorrer como resultado de mudanças na distribuição eletrônica da molécula quando as ligações entre a porção receptora e o agonista são formadas. Um receptor é uma forma de transdutor que é ativado pela interação com um agonista e modula alguma parte de mecanismos celulares para desencadear uma resposta característica, e a ativação envolve uma mudança conformacional. A mudança conformacional no receptor pode resultar de uma alteração nas propriedades da membrana celular, afetando sua permeabilidade passiva ou suas propriedades de transporte ativo, ou pode estar relacionada à ativação de uma enzima. Na teoria da ocupação, a mudança conformacional no mecanismo mediado por resposta persiste enquanto o sítio receptor estiver ocupado. Na teoria de taxa, cada quantum de excitação (ou seja, cada associação entre agonista e receptor) produz uma mudança momentânea na permeabilidade ou no movimento iônico. O mecanismo de abertura de um canal iônico envolve um complexo macromolecular constituído de uma porção receptora e uma porção ionófora. Uma proposta
  • 7. alternativa seria que uma mudança conformacional na molécula receptora resultaria no aparecimento de um canal iônico. Sistemas de segundos mensageiros. Muitos hormônios, neurotransmissores ou autacóides atuam em receptores específicos: a presença ou ausência do receptor específico ao agonista endógeno é o determinante primário da resposta. A conseqüência imediata do complexo receptor-agonista é a ativação da enzima adenilato ciclase e isso é seguido da conversão de ATP em AMPcíclico. O segundo mensageiro, AMPcíclico, ativa outras enzimas, e isso, por sua vez, produz a resposta característica da célula. Outro sistema de segundo mensageiro envolvendo GMPcíclico foi identificado em vários tecidos. Quando os dois sistemas (AMPcíclico e GMPcíclico) estão presentes, eles estão ligados a receptores por meio dos quais drogas produzem efeitos opostos. Adições sucessivas de uma mesma dose de um agonista potente, como acetilcolina ou histamina, geralmente produzem respostas constantes, desde que sejam utilizadas concentrações modestas, o tempo de exposição não seja tão prolongado e um período de repouso longo seja permitido a fim de que o tecido se recupere da resposta. No entanto, com algumas drogas, a resposta torna-se menor. Esse fenômeno é conhecido como taquifilaxia (do grego: proteção rápida).Taquifilaxia implica em uma diminuição consideravelmente rápida na resposta, enquanto que tolerância é geralmente empregada para descrever uma diminuição mais gradual na eficiência da droga adicionada repetitivamente durante um período de tempo mais longo. Taquifilaxia específica a um tipo de receptor pode ser obtida em músculo liso com o uso de serotonina, sem afetar a resposta a outros agonistas. É mais difícil se obter taquifilaxia com histamina e quase impóssível com acetilcolina. Quando doses extremamente elevadas de acetilcolina são usadas, o tecido torna-se menos sensível, mas não a todos os agonistas; isso é uma desensibilização não-específica. Isso pode ser devido à perda de potássio intracelular. Um tipo muito diferente de taquifilaxia é aquele desencadeado por drogas que agem indiretamente, ou seja, aquelas cuja atividade farmacológica leva à liberação de um agente ativo no tecido. O termo tolerância é geralmente utilizado para aquelas drogas aplicadas clinicamente em drogas cada vez maiores para produzir o efeito desejado. Por exemplo: morfina e drogas relacionadas, drogas bloqueadoras de adrenalina que são usadas no tratamento da hipertensão.