SOARES, George. Cibercultura, mídia locativa e redes sociais: estudo de caso do
Twitter do Centro de Operações Rio. Orientador: Prof.ª Dr.ª Sonia Virginia Moreira.
Rio de Janeiro: UERJ/FCS, 2012, 54p. Monografia.


INTRODUÇÃO

              A área da Comunicação é dinâmica e sujeita às constantes modificações devido
ao modo como seus objetos de estudo se dispõem no mundo contemporâneo. Este
trabalho pretende identificar como se dá o diálogo da mídia locativa com as redes
sociais, dois temas atuais na área no processo de construção da notícia. Neste contexto é
enfatizado a ideia de que os atores, humanos e não humanos, estão constantemente
ligados a uma rede social de elementos (materiais e imateriais). Sua essência é
puramente construtivista e, portanto, sempre demandando novos prismas para entender
melhor o agenciamento social, porque a teoria do ator-rede inclui a dinâmica de atores
não-humanos na rede de relações. Sob este viés, a área da Comunicação, embora com
uma bibliografia sobre a temática, ainda carece de novas visões acadêmicas.

              Para atingirmos nosso objetivo, iremos analisar o perfil do Twitter do Centro de
Operações Rio1, órgão vinculado à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Criado em
dezembro de 2010, ele tem como objetivo trazer melhorias para a vida do cidadão
carioca, não somente no que tange à tecnologia, mas às facilidades de conseguir uma
informação de forma correta, rápida e personalizada. Em seu plano de comunicação, as
redes sociais fazem parte da “linha de frente” para a comunicação do instituto com a
população. Assim, iremos pontuar cada aspecto do perfil, expondo neste estudo todo o
mecanismo de personalização da notícia. Por se tratar de um tema amplo, discorreremos
brevemente sobre tipos e aplicações das mídias locativas a fim de ilustrar suas
possibilidades na ciberurbe, isto é, a ontologia da cidade não se restringe ao território
físico, mas sim a eventos dinâmicos atrelados aos objetos e localidades desta cidade.
Esta definição foi criada pelo professor da Universidade Federal da Bahia, André
Lemos, em seu livro “Ciberurbe: A cidade na sociedade da Informação”. O interesse
por este tema ocorreu devido ao autor trabalhar no Centro de Operações Rio. Assim,
nós podemos ver a evolução do órgão municipal e realização de protocolos nas redes
sociais e web. A nossa intenção com este trabalho de conclusão de curso é dar
continuidade ao estudo em um projeto de pós-graduação.
                                                            
1
    www.twitter.com/operacoesrio
Este trabalho se divide em quatro capítulos: sendo que os dois primeiros tratam
de uma ambientação com os temas de mídia locativa e redes sociais, em especial, o
Twitter. O terceiro capítulo discorre sobre o Centro de Operações Rio e como as redes
sociais estão incorporadas no seu coditiano e no conceito de Cidade Inteligente2. O
quarto e último capítulo consiste em um estudo de caso do Centro de Operações Rio,
em que damos ênfase ao monitoramento de redes sociais e o processo de tomada de
decisão operacional de maneira a identificar os elementos responsáveis pelo processo de
construção de notícia e informação personalizada. Utilizando os temas tratados nos
capítulos anteriores pretende-se aferir como as mídias locativas “permitem a troca de
informação em mobilidade fornecendo dados dinâmicos sobre um determinado
ambiente, resignificando-o” (LEMOS, 2007) e de que maneira isto se configura no
Centro de Operações Rio.

              No primeiro capítulo, falaremos sobre a questão do Twitter como uma das redes
sociais. Discorreremos sobre um breve histórico sobre o Twitter e sua relação com o
“fazer jornalismo”. O segundo capítulo trabalha com o conceito de mídia locativa.
Iremos contextualizar o termo nas áreas da Sociologia e Comunicação. Para tanto, nos
respaldaremos nos textos de André Lemos, Alain Bourdin e Marshall McLuhan. Por
meio desses autores verificamos que debate em torno do termo “mídia locativa” é ainda
controverso, mas necessário para estabelecer o fio norteador para uma análise restritiva,
dada a extensão do tema e suas especificidades. Discorreremos sobre a questão do QR-
Code, ferramenta para identificar peças de automóveis hoje difundida no ramo da
publicidade e ainda timidademente na área do jornalismo. Aqui, teremos a oportunidade
de apresentar um breve histórico sobre os tipos de mídia locativa existentes. A extensa
possibilidade de aplicarmos as mídias locativas faz com que revisemos parte das
bibliografias que abordam a temática hoje e, como nos diz Lemos, “relativizar as
teorias, cujo pessimismo das novas tecnologias de comunicação não deu a cibercultura
com visões deturpadas sobre a decadência do corpo, o colapso dos espaços geográficos
e a perda de significados”. Deste modo, a socialidade contemporânea se configura de
forma a se adaptar neste novo cenário. Falaremos, ainda, sobre a problemática dos
territórios informacionais a partir de Lemos (2005). Assim, veremos que o que

                                                            
2
  Smart Cities é um conceito desenvolvido pela empresa de tecnologia americana IBM. Mais informações disponível
em: http://www.nytimes.com/2012/03/04/business/ibm-takes-smarter-cities-concept-to-rio-de-
janeiro.html?pagewanted=all
consideramos como “urbano”, hoje, é uma paisagem em que qualquer indivíduo pode
poduzir notícia, no sentido defendido por Nelson Traquina e sua teoria oganizacional.
Assim, segundo ele, as notícias são o resultado de processos de interação social que têm
lugar dentro da empresa jornalística. Portanto, essa interação que se refere Traquina
dependerá da independência do veículo (aqui visto como as mídias locativas) e de sua
posição sócio-política cultural. Esse segundo agirá diretamente na produção e
interpretação dos fatos, e o fator econômico ganhará força e espaço. É assim que,
reforça Lemos, a dinâmica das mídias locativas reforçam a comunhão entre a urbis e o
virtual. A seguir, abordaremos o ramo do jornalismo móvel e como as tecnologias atuais
auxiliam na produção de notícia.
       O terceiro capítulo é reservado ao Centro de Operações Rio. Por sua recente
inauguração e a minha participação no cotidiano do instituto, esta monografia é o
primeiro trabalho acadêmico sobre o órgão. Na seção, discorreremos sobre o papel do
Twitter no planejamento e nas estratégias de comunicação, principalmente no que
consideramos como “comunicação de crises”. Utilizaremos como exemplo a divulgação
de informações durante os Jogos Mundiais Militares de 2011 e a Conferência das
Nações Unidades para o Desenvolvimento Sustentável – Rio+20.
       A seguir, no quarto capítulo, realizaremos um exame minucioso das mídias
locativas, em associação às redes sociais, nos respaldando pela área do Jornalismo
Participativo. Como objeto para exemplificar nosso texto, acompanhamos um
gerenciamento de crise e sua conseguinte comunicação dentro do Centro de Operações
Rio. O evento escolhido foi um incêndio em um prédio comercial em Copacabana. A
escolha não se deu a esmo: o evento aconteceu no dia 6 de julho, data do aniversário de
120 anos do bairro e véspera do início do período eleitoral no Rio de Janeiro.
 

Estudo de caso: introdução

  • 1.
    SOARES, George. Cibercultura,mídia locativa e redes sociais: estudo de caso do Twitter do Centro de Operações Rio. Orientador: Prof.ª Dr.ª Sonia Virginia Moreira. Rio de Janeiro: UERJ/FCS, 2012, 54p. Monografia. INTRODUÇÃO A área da Comunicação é dinâmica e sujeita às constantes modificações devido ao modo como seus objetos de estudo se dispõem no mundo contemporâneo. Este trabalho pretende identificar como se dá o diálogo da mídia locativa com as redes sociais, dois temas atuais na área no processo de construção da notícia. Neste contexto é enfatizado a ideia de que os atores, humanos e não humanos, estão constantemente ligados a uma rede social de elementos (materiais e imateriais). Sua essência é puramente construtivista e, portanto, sempre demandando novos prismas para entender melhor o agenciamento social, porque a teoria do ator-rede inclui a dinâmica de atores não-humanos na rede de relações. Sob este viés, a área da Comunicação, embora com uma bibliografia sobre a temática, ainda carece de novas visões acadêmicas. Para atingirmos nosso objetivo, iremos analisar o perfil do Twitter do Centro de Operações Rio1, órgão vinculado à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Criado em dezembro de 2010, ele tem como objetivo trazer melhorias para a vida do cidadão carioca, não somente no que tange à tecnologia, mas às facilidades de conseguir uma informação de forma correta, rápida e personalizada. Em seu plano de comunicação, as redes sociais fazem parte da “linha de frente” para a comunicação do instituto com a população. Assim, iremos pontuar cada aspecto do perfil, expondo neste estudo todo o mecanismo de personalização da notícia. Por se tratar de um tema amplo, discorreremos brevemente sobre tipos e aplicações das mídias locativas a fim de ilustrar suas possibilidades na ciberurbe, isto é, a ontologia da cidade não se restringe ao território físico, mas sim a eventos dinâmicos atrelados aos objetos e localidades desta cidade. Esta definição foi criada pelo professor da Universidade Federal da Bahia, André Lemos, em seu livro “Ciberurbe: A cidade na sociedade da Informação”. O interesse por este tema ocorreu devido ao autor trabalhar no Centro de Operações Rio. Assim, nós podemos ver a evolução do órgão municipal e realização de protocolos nas redes sociais e web. A nossa intenção com este trabalho de conclusão de curso é dar continuidade ao estudo em um projeto de pós-graduação.                                                              1 www.twitter.com/operacoesrio
  • 2.
    Este trabalho sedivide em quatro capítulos: sendo que os dois primeiros tratam de uma ambientação com os temas de mídia locativa e redes sociais, em especial, o Twitter. O terceiro capítulo discorre sobre o Centro de Operações Rio e como as redes sociais estão incorporadas no seu coditiano e no conceito de Cidade Inteligente2. O quarto e último capítulo consiste em um estudo de caso do Centro de Operações Rio, em que damos ênfase ao monitoramento de redes sociais e o processo de tomada de decisão operacional de maneira a identificar os elementos responsáveis pelo processo de construção de notícia e informação personalizada. Utilizando os temas tratados nos capítulos anteriores pretende-se aferir como as mídias locativas “permitem a troca de informação em mobilidade fornecendo dados dinâmicos sobre um determinado ambiente, resignificando-o” (LEMOS, 2007) e de que maneira isto se configura no Centro de Operações Rio. No primeiro capítulo, falaremos sobre a questão do Twitter como uma das redes sociais. Discorreremos sobre um breve histórico sobre o Twitter e sua relação com o “fazer jornalismo”. O segundo capítulo trabalha com o conceito de mídia locativa. Iremos contextualizar o termo nas áreas da Sociologia e Comunicação. Para tanto, nos respaldaremos nos textos de André Lemos, Alain Bourdin e Marshall McLuhan. Por meio desses autores verificamos que debate em torno do termo “mídia locativa” é ainda controverso, mas necessário para estabelecer o fio norteador para uma análise restritiva, dada a extensão do tema e suas especificidades. Discorreremos sobre a questão do QR- Code, ferramenta para identificar peças de automóveis hoje difundida no ramo da publicidade e ainda timidademente na área do jornalismo. Aqui, teremos a oportunidade de apresentar um breve histórico sobre os tipos de mídia locativa existentes. A extensa possibilidade de aplicarmos as mídias locativas faz com que revisemos parte das bibliografias que abordam a temática hoje e, como nos diz Lemos, “relativizar as teorias, cujo pessimismo das novas tecnologias de comunicação não deu a cibercultura com visões deturpadas sobre a decadência do corpo, o colapso dos espaços geográficos e a perda de significados”. Deste modo, a socialidade contemporânea se configura de forma a se adaptar neste novo cenário. Falaremos, ainda, sobre a problemática dos territórios informacionais a partir de Lemos (2005). Assim, veremos que o que                                                              2 Smart Cities é um conceito desenvolvido pela empresa de tecnologia americana IBM. Mais informações disponível em: http://www.nytimes.com/2012/03/04/business/ibm-takes-smarter-cities-concept-to-rio-de- janeiro.html?pagewanted=all
  • 3.
    consideramos como “urbano”,hoje, é uma paisagem em que qualquer indivíduo pode poduzir notícia, no sentido defendido por Nelson Traquina e sua teoria oganizacional. Assim, segundo ele, as notícias são o resultado de processos de interação social que têm lugar dentro da empresa jornalística. Portanto, essa interação que se refere Traquina dependerá da independência do veículo (aqui visto como as mídias locativas) e de sua posição sócio-política cultural. Esse segundo agirá diretamente na produção e interpretação dos fatos, e o fator econômico ganhará força e espaço. É assim que, reforça Lemos, a dinâmica das mídias locativas reforçam a comunhão entre a urbis e o virtual. A seguir, abordaremos o ramo do jornalismo móvel e como as tecnologias atuais auxiliam na produção de notícia. O terceiro capítulo é reservado ao Centro de Operações Rio. Por sua recente inauguração e a minha participação no cotidiano do instituto, esta monografia é o primeiro trabalho acadêmico sobre o órgão. Na seção, discorreremos sobre o papel do Twitter no planejamento e nas estratégias de comunicação, principalmente no que consideramos como “comunicação de crises”. Utilizaremos como exemplo a divulgação de informações durante os Jogos Mundiais Militares de 2011 e a Conferência das Nações Unidades para o Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. A seguir, no quarto capítulo, realizaremos um exame minucioso das mídias locativas, em associação às redes sociais, nos respaldando pela área do Jornalismo Participativo. Como objeto para exemplificar nosso texto, acompanhamos um gerenciamento de crise e sua conseguinte comunicação dentro do Centro de Operações Rio. O evento escolhido foi um incêndio em um prédio comercial em Copacabana. A escolha não se deu a esmo: o evento aconteceu no dia 6 de julho, data do aniversário de 120 anos do bairro e véspera do início do período eleitoral no Rio de Janeiro.