Desenvolvimento e
Sustentabilidade
Aula 12 – Educação Ambiental e
Sustentabilidade
Vitor Vieira Vasconcelos
São Bernardo do Campo - SP
Agosto de 2019
Texto base
Lima, Gustavo F.C., 2009. Educação
ambiental crítica: do socioambientalismo
às sociedades sustentáveis. Educação e
Pesquisa, 35(1), pp.145-163.
Perguntas iniciais
 Como a educação influencia os valores e
atitudes das pessoas frente ao
desenvolvimento e à sustentabilidade?
 Como a educação ambiental poderia
auxiliar sociedades a alcançar a
sustentabilidade?
Ambientes da Educação Ambiental
 Escola
 Universidade
 Trabalho
 Ambiente familiar
 Relações sociais em geral
Formal
Não -
Formal
Contexto da Educação Ambiental
 Influenciada pelo contexto histórico e social
 Reflete as relações entre o ser humano e a
natureza
 Disputa discursiva e política
• Estabelecimento dos conteúdos curriculares
• Produção de material didático
• Avaliação educacional
o Estudantes
o Professores
o Instituições de ensino
Concepções de Ambiente na
Educação Ambiental
Ambiente Relação
Natureza Preservação e apreciação
Recurso Gerenciamento
Problema Resolução
Lugar para viver Cuidar do lugar
Biosfera Planeta a ser cohabitado
Projeto coletivo Engajamento
Sauvé, L., 1997. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma
análise complexa. Revista de educação pública, 6(10), pp.72-102.
Correntes de educação ambiental
 Educação conservacionista
 Educação ao ar livre
 Educação experiencialista
 Educação ambiental crítica
 Educação ambiental transformadora
 Educação ambiental emancipatória
 Ecopedagogia
 Alfabetização ecológica
 Pedagogia da Terra
 Educação sustentável
Matriz
conservacionista
Matriz
crítica
Objetivos da Educação Ambiental
 Sensibilização ambiental
• Os problemas ambientais são relevantes
• Valores em relação aos seres vivos
• Solidariedade intra e inter geracional
 Compreensão ambiental
• Elementos e processos ambientais
 Responsabilidade ambiental
• Impactos de suas escolhas no ambiente
• Atitudes em prol da resolução dos problemas ambientais
 Competência Ambiental
• Capacidade de avaliar, agir e transformar os sistemas
 Cidadania Ambiental
• Articulação coletiva
• Atuar pelos direitos e deveres da coletividade
• Emancipação de injustiças socioambientais
Educação
ambiental
conservacionista
Educação
ambiental
crítica
Matrizes da educação ambiental
Krasilchik Krasilchik, M. and Silva Ferreira, R., 2009. Concepções de educação ambiental na televisão
educativa do Brasil. Enseñanza de las ciencias, (VIII Congreso Internacional sobre Investigación en la
Didáctica de las Ciencias), pp.1172-1176.
Conservacionista Pragmática Crítica
Dicotomia ser
humano-ambiente
Ser humano como
destruidor
Retorno à natureza
primitiva
Ser humano reduzido
à sua dimensão
biológica
Antropocentrismo
Ser humano capaz de
usar sem destruir
Perspectiva fatalista
(proteger o ambiente
para sobreviver)
Lei de ação e reação
(natureza vingativa)
Ser humano como
biológico e social
Complexidade
sistêmica
Ser humano vive em
uma teia de relações
sociais, naturais e
culturais
Relação
historicamente
determinada
Ser humano como bio-
psíquico-social,
dotado de emoções
Matrizes da educação ambiental
Krasilchik Krasilchik, M. and Silva Ferreira, R., 2009. Concepções de educação ambiental na televisão
educativa do Brasil. Enseñanza de las ciencias, (VIII Congreso Internacional sobre Investigación en la
Didáctica de las Ciencias), pp.1172-1176.
Conservacionista Pragmática Crítica
Questões que
envolvem conflito
social não são
abordadas
Padrões de
comportamento
maniqueístas
(bom x mal)
Todos são igualmente
responsáveis pelos
problemas e pela
qualidade ambiental
Conflito apresentado
como “falso consenso”
Solução depende do
querer fazer
Ênfase nos
comportamentos
individuais
Relação direta entre
informação e mudança
de comportamento
Questões controversas
apresentadas na
perspectiva dos vários
sujeitos sociais
Discussão da
desigualdade do
acesso a recursos
naturais e da
distribuição dos riscos
Formação de valores e
atitudes para ética
ambiental e justiça
ambiental
Matriz Conservacionista
Aprender sobre o ambiente
Aprender através do ambiente
Aprender para o ambiente
Jickling, B., & Spork, H. (1998). Education for the environment: A critique. Environmental Education Research, 4(3), 309-327.
Gough, N. (1987) Learning with environments: towards an ecological paradigm of education, in: I. Robottom (Ed.) Environmental Education:
practice and possibility (Geelong, Deakin University Press).
Lucas, A.M. (1979) Environment and Environmental Education: conceptual issues and curriculum implications (Melbourne, Australian
International Press and Publications).
Aprender com o ambiente
Educação
Transmissiva
Educação
Transformativa
Antropocêntrico
Ecocêntrico
Fundamentos da Educação Ambiental
 Transdisciplinaridade
 Complexidade sistêmica
 Refletir sobre as relações sociedade-natureza
 Refletir sobre as finalidades humanas
• Disciplinar: exploração científica e
especializada de um domínio de estudo
• Multidisciplinar: um objeto de estudo é
investigado por diversas disciplinas, mas elas
não conversam entre si
• Interdisciplinar: diálogo entre disciplinas,
mas cada um mantém a sua fronteira de estudo
• Transdisciplinar: integração total, com
eliminação das fronteiras estáveis entre as
disciplinas. O conhecimento é construído de
forma conjunta
PIAGET, Jean; DUCKWORTH, Eleanor. Genetic epistemology. American Behavioral Scientist, v. 13, n. 3, p. 459-480, 1970.
Abordagem Sistêmica da Educação Ambiental
I. Visita a um ambiente
II. Estabelecer interrelações entre os diversos elementos
no ambiente
III. Expandir essas interrelações em escalas mais amplas
até chegar na escala global
 Possibilidade holística, com relações:
• Não apenas físicas, químicas e biológicas (ciências naturais)
• Afetivas
• Econômicas
• Culturais e Espirituais
 Crítica: abordagem cognitiva, mas não enfoca ação
Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental
Education, 10(1), 11-37.
Giordan, A. & Souchon, C. (1991). Une éducation pour l’environnement. Collection Giordan, A.; Martinand, J. L. “Guides pratiques.” Nice: Les Z’Éditions
Educação Ambiental orientada a Valores
 Repensar a relação entre seres humanos e natureza
• Ética do cuidado com a natureza
 Ecocivismo: valores e atitudes socioambientalmente
responsáveis
 Debates sobre polêmicas de bioética ambiental:
• Alimentos transgênicos
• Experimentação científica em animais
• Sofrimento dos animais na cadeia produtiva de alimentos
 Crítica:
• Qual o limite entre educação ética e doutrinação moral?
Kronlid, D. O., Öhman, J. (2013). An environmental ethical conceptual framework for research on sustainability and
environmental education. Environmental Education Research, 19(1), 21-44.
Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian
Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37.
Jean-Jacques Rousseau
 Contato com a natureza desenvolve a harmonia
natural do ser humano, longe das ilusões e corrupções da
sociedade
 Educação pela interação com o ambiente
• Raciocínio integrado à percepção e ação
 Espiritualidade como sentimento de união e completude
com a natureza
• Contrário à educação religiosa católica
(1712 – 1778)
Rousseau, J. J. (1762). Emile ou De L’éducation. A. Belin
Ecologia Profunda
 Ética ecocentrista em vez do antropocentrismo
• Todos os seres vivos (incluindo seres humanos) têm a
mesma importância
 Aprofundar a conexão ética e emocional da
pessoa com os demais seres vivos
 Leva a mudanças de atitude
• Participação em movimentos
ambientais
• Redução da natalidade
• Estilo de vida simples
Fonte de satisfação
pessoal, e não
obrigação
Næss, Arne (1973). "The shallow and the deep, long‐range ecology movement. A
summary". Inquiry. 16 (1–4): 95–100
Educação Ambiental Naturalista
 Atividades ao ar livre para aumentar ligação entre as
pessoas e a natureza
• Prazer na relação com o meio ambiente
• Sentir o corpo no ambiente
 Role Playing Game (RPG) ou Teatro de Improvisação em
ambientes naturais, representando seres vivos ou
entidades da natureza
• Se colocar no lugar dos outros seres vivos
• Atribuir valor intrínseco a outras formas de vida
 Críticas devido a romantização e naturalização
• Pouco enfoque em conflitos sociais e relações de poder
• Pouco enfoque no ambiente cultural construído
(exemplo: ambientes urbanos e rurais)
Matre, S. (1990). Earth education: A new beginning. Warrenville, IL: The Institute for Earth Education.
Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37.
Ecocriticismo Literário
 Trabalhos em interpretação de textos e redação,
valorizando:
• Conexão emocional do ser humano com a natureza
• Reflexão sobre os problemas ambientais
 Livros clássicos:
• Walden: a vida nos bosques (1854). Henry Thoreau
• Primavera Silenciosa (1963). Rachel Carlson
• Ecotopia (1975). Ernst Callenbach
 Ramo acadêmico de interpretação e crítica literária
Meeker, Joseph W. "The Comedy of Survival: Studies in Literary Ecology." New York: Scribner's, 1972.
Glotfelty, Cheryll and Harold Fromm (Eds). The Ecocriticism Reader: Landmarks in Literary Ecology. Athens and
London: University of Georgia, 1996.
Garrard, Greg, Ecocriticism. New York: Routledge, 2004.
Educação Ambiental para Conservação de Recursos
 Responsabilidade social no consumo e produção
 Dos 3 aos 6 R’s:
• Repensar: valores relacionados ao consumo e produção
• Recusar: não escolher produtos antiecológicos
• Reduzir: consumo e poluição
• Reutilizar
• Reciclar
• Recuperar: mitigar os impactos do consumo
 Crítica:
• Ver a natureza como recurso (valor instrumental) e não como
valor intrínseco (direito de existência do ser vivo)
• Valores de controle da natureza, e não de pertencimento
Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical
Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37.
Sachs, W. (2000). Le développement: Une idéologie en ruine. In W. Sachs & G. Esteva (Eds.), Des ruines du
développement (pp. 13-81). Montréal: Écosociété.
Ecopedagogia
 Promoção da vida para desenvolver o sentido de existência
• A Terra como um único organismo vivo
• “Cultivo” em vez de “conquista” da Terra
 Equilíbrio dinâmico para desenvolver a sensibilidade social
• Equilíbrio econômico deve preservar o equilíbrio social e ecológico
 Congruência harmônica que desenvolve ternura e deslumbramento
• Sentir-se como um ser vivo junto aos demais no planeta
• Vinculação emocional com a natureza
 Ética integral (valores da consciência ecológica) que desenvolve a capacidade de
autorrealização
 Racionalidade intuitiva que desenvolve a capacidade de atuar como
ser humano integral
• Reconhece os limites da lógica e não ignora a afetividade
• Capacidade de transformar a ordem e a desordem no mundo
 Consciência planetária que desenvolve a solidariedade planetária
• Participação no devir do mundo pela cidadania planetária
Gutiérrez, Francisco 1994 Pedagogia para el Desarrollo Sostenible. Heredia, Costa Rica: Editorialpec.
Gadotti, Moacir. Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação sustentável. CLACSO, 2000.
Ecopedagogia
Viver no planeta Terra
Viver com o planeta Terra
Viver para o planeta Terra
Pérez, F. G., & Rojas, C. P. (2016). Ecopedagogía y ciudadanía planetaria. De La Salle Ediciones.
Pedagogia de Paulo Freire
Diálogo sobre como os estudantes
sentem e entendem o mundo
Reflexão sobre objetivos para buscar
uma vida melhor
Produzir conhecimento e ação
coletivos para atingir esses objetivos
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - Saberes Necessários à Prática Educativa. Editora Paz e Terra. Coleção Saberes. 1996
Exemplo de um projeto de educação ambiental
1. Visita a um rio poluído na comunidade
https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/analise-rio-poluido.htm
Freitas, E. Análise de um rio poluído. Em: Brasil Escola. Estratégias de Ensino – Geografia.
Exemplo de um projeto de educação ambiental
1. Visita a um rio poluído na comunidade
2. Diálogo sobre a relação dos participantes com esse
ambiente
3. Pesquisa coletiva sobre os processos físicos e sociais
envolvidos
4. Diálogo sobre como a situação pode ser melhorada
5. Proposição, planejamento e execução de projetos
coletivos:
A. Mutirão de limpeza do rio
B. Campanha com a comunidade
C. Ação política com governo e representantes políticos
Atividade
Em grupos de 4 estudantes:
Imagine e descreva um exemplo de como
poderia ser realizada uma proposta ou
atividade de educação ambiental aplicada
com base na pedagogia de Paulo Freire
Jickling, B. and Wals, A.E., 2008. Globalization and environmental education: Looking beyond sustainable development. Journal of Curriculum Studies, 40(1), pp.1-21.
Hesselink, F., van Kempen, P. P. and Wals, A. (2000) ESDebate: International On-line Debate on Education for Sustainable Development (Gland, Switzerland: International
Union for the Conservation of Nature).
Educação para o Desenvolvimento Sustentável
 Estimular a implementação das agendas internacionais
 Apoio da ONU e outros financiadores
 Relações com a Educação Ambiental (EA)
EDS dentro de EA EA dentro de EDS
Intercessão parcial entre EA e EDS
EDS como evolução de EA
Tratado sobre Educação Ambiental
para Sociedades Sustentáveis
Conselho da Terra - 1992
 Respeito à diversidade cultural
 Cada comunidade escolhe seu modelo de
sustentabilidade
 Escolha da comunidade pode incluir ou não um
modelo de desenvolvimento
Earth Council. Treaty on environmental education for sustainable societies and global responsability. Brazil: Non Governmental
Organizations (NGO´s) International, June 1992
Lima, G.F.C., 2009. Educação ambiental crítica: do socioambientalismo às sociedades sustentáveis. Educação e Pesquisa, 35(1), pp.145-163.
Sauvé, L., 1997. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma análise complexa. Revista de educação pública, 6(10), pp.72-102.
Jickling, B. and Wals, A.E., 2008. Globalization and environmental education: Looking beyond sustainable development. Journal of
Curriculum Studies, 40(1), pp.1-21.
Boff, L. 2012. Sustentabilidade – O que é e O que não é.Editora Vozes, 2012.
Popularidade em 2018 (Google Trends)
Environmental
education
88%
Education for
sustainability
5%
Education for
sustainable
development
7%
Educação
ambiental
96%
Educação para a
sustentabilidade
2%
Educação para o
desenvolvimento
sustentável
2%
Mundo
Brasil
Dúvidas?
Comentários?
Obrigado!
Vitor Vieira Vasconcelos
vitor.v.v@gmail.com

Educação ambiental e sustentabilidade

  • 1.
    Desenvolvimento e Sustentabilidade Aula 12– Educação Ambiental e Sustentabilidade Vitor Vieira Vasconcelos São Bernardo do Campo - SP Agosto de 2019
  • 2.
    Texto base Lima, GustavoF.C., 2009. Educação ambiental crítica: do socioambientalismo às sociedades sustentáveis. Educação e Pesquisa, 35(1), pp.145-163.
  • 3.
    Perguntas iniciais  Comoa educação influencia os valores e atitudes das pessoas frente ao desenvolvimento e à sustentabilidade?  Como a educação ambiental poderia auxiliar sociedades a alcançar a sustentabilidade?
  • 4.
    Ambientes da EducaçãoAmbiental  Escola  Universidade  Trabalho  Ambiente familiar  Relações sociais em geral Formal Não - Formal
  • 5.
    Contexto da EducaçãoAmbiental  Influenciada pelo contexto histórico e social  Reflete as relações entre o ser humano e a natureza  Disputa discursiva e política • Estabelecimento dos conteúdos curriculares • Produção de material didático • Avaliação educacional o Estudantes o Professores o Instituições de ensino
  • 6.
    Concepções de Ambientena Educação Ambiental Ambiente Relação Natureza Preservação e apreciação Recurso Gerenciamento Problema Resolução Lugar para viver Cuidar do lugar Biosfera Planeta a ser cohabitado Projeto coletivo Engajamento Sauvé, L., 1997. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma análise complexa. Revista de educação pública, 6(10), pp.72-102.
  • 7.
    Correntes de educaçãoambiental  Educação conservacionista  Educação ao ar livre  Educação experiencialista  Educação ambiental crítica  Educação ambiental transformadora  Educação ambiental emancipatória  Ecopedagogia  Alfabetização ecológica  Pedagogia da Terra  Educação sustentável Matriz conservacionista Matriz crítica
  • 8.
    Objetivos da EducaçãoAmbiental  Sensibilização ambiental • Os problemas ambientais são relevantes • Valores em relação aos seres vivos • Solidariedade intra e inter geracional  Compreensão ambiental • Elementos e processos ambientais  Responsabilidade ambiental • Impactos de suas escolhas no ambiente • Atitudes em prol da resolução dos problemas ambientais  Competência Ambiental • Capacidade de avaliar, agir e transformar os sistemas  Cidadania Ambiental • Articulação coletiva • Atuar pelos direitos e deveres da coletividade • Emancipação de injustiças socioambientais Educação ambiental conservacionista Educação ambiental crítica
  • 9.
    Matrizes da educaçãoambiental Krasilchik Krasilchik, M. and Silva Ferreira, R., 2009. Concepções de educação ambiental na televisão educativa do Brasil. Enseñanza de las ciencias, (VIII Congreso Internacional sobre Investigación en la Didáctica de las Ciencias), pp.1172-1176. Conservacionista Pragmática Crítica Dicotomia ser humano-ambiente Ser humano como destruidor Retorno à natureza primitiva Ser humano reduzido à sua dimensão biológica Antropocentrismo Ser humano capaz de usar sem destruir Perspectiva fatalista (proteger o ambiente para sobreviver) Lei de ação e reação (natureza vingativa) Ser humano como biológico e social Complexidade sistêmica Ser humano vive em uma teia de relações sociais, naturais e culturais Relação historicamente determinada Ser humano como bio- psíquico-social, dotado de emoções
  • 10.
    Matrizes da educaçãoambiental Krasilchik Krasilchik, M. and Silva Ferreira, R., 2009. Concepções de educação ambiental na televisão educativa do Brasil. Enseñanza de las ciencias, (VIII Congreso Internacional sobre Investigación en la Didáctica de las Ciencias), pp.1172-1176. Conservacionista Pragmática Crítica Questões que envolvem conflito social não são abordadas Padrões de comportamento maniqueístas (bom x mal) Todos são igualmente responsáveis pelos problemas e pela qualidade ambiental Conflito apresentado como “falso consenso” Solução depende do querer fazer Ênfase nos comportamentos individuais Relação direta entre informação e mudança de comportamento Questões controversas apresentadas na perspectiva dos vários sujeitos sociais Discussão da desigualdade do acesso a recursos naturais e da distribuição dos riscos Formação de valores e atitudes para ética ambiental e justiça ambiental
  • 11.
    Matriz Conservacionista Aprender sobreo ambiente Aprender através do ambiente Aprender para o ambiente Jickling, B., & Spork, H. (1998). Education for the environment: A critique. Environmental Education Research, 4(3), 309-327. Gough, N. (1987) Learning with environments: towards an ecological paradigm of education, in: I. Robottom (Ed.) Environmental Education: practice and possibility (Geelong, Deakin University Press). Lucas, A.M. (1979) Environment and Environmental Education: conceptual issues and curriculum implications (Melbourne, Australian International Press and Publications). Aprender com o ambiente Educação Transmissiva Educação Transformativa Antropocêntrico Ecocêntrico
  • 12.
    Fundamentos da EducaçãoAmbiental  Transdisciplinaridade  Complexidade sistêmica  Refletir sobre as relações sociedade-natureza  Refletir sobre as finalidades humanas
  • 13.
    • Disciplinar: exploraçãocientífica e especializada de um domínio de estudo • Multidisciplinar: um objeto de estudo é investigado por diversas disciplinas, mas elas não conversam entre si • Interdisciplinar: diálogo entre disciplinas, mas cada um mantém a sua fronteira de estudo • Transdisciplinar: integração total, com eliminação das fronteiras estáveis entre as disciplinas. O conhecimento é construído de forma conjunta PIAGET, Jean; DUCKWORTH, Eleanor. Genetic epistemology. American Behavioral Scientist, v. 13, n. 3, p. 459-480, 1970.
  • 14.
    Abordagem Sistêmica daEducação Ambiental I. Visita a um ambiente II. Estabelecer interrelações entre os diversos elementos no ambiente III. Expandir essas interrelações em escalas mais amplas até chegar na escala global  Possibilidade holística, com relações: • Não apenas físicas, químicas e biológicas (ciências naturais) • Afetivas • Econômicas • Culturais e Espirituais  Crítica: abordagem cognitiva, mas não enfoca ação Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37. Giordan, A. & Souchon, C. (1991). Une éducation pour l’environnement. Collection Giordan, A.; Martinand, J. L. “Guides pratiques.” Nice: Les Z’Éditions
  • 15.
    Educação Ambiental orientadaa Valores  Repensar a relação entre seres humanos e natureza • Ética do cuidado com a natureza  Ecocivismo: valores e atitudes socioambientalmente responsáveis  Debates sobre polêmicas de bioética ambiental: • Alimentos transgênicos • Experimentação científica em animais • Sofrimento dos animais na cadeia produtiva de alimentos  Crítica: • Qual o limite entre educação ética e doutrinação moral? Kronlid, D. O., Öhman, J. (2013). An environmental ethical conceptual framework for research on sustainability and environmental education. Environmental Education Research, 19(1), 21-44. Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37.
  • 16.
    Jean-Jacques Rousseau  Contatocom a natureza desenvolve a harmonia natural do ser humano, longe das ilusões e corrupções da sociedade  Educação pela interação com o ambiente • Raciocínio integrado à percepção e ação  Espiritualidade como sentimento de união e completude com a natureza • Contrário à educação religiosa católica (1712 – 1778) Rousseau, J. J. (1762). Emile ou De L’éducation. A. Belin
  • 17.
    Ecologia Profunda  Éticaecocentrista em vez do antropocentrismo • Todos os seres vivos (incluindo seres humanos) têm a mesma importância  Aprofundar a conexão ética e emocional da pessoa com os demais seres vivos  Leva a mudanças de atitude • Participação em movimentos ambientais • Redução da natalidade • Estilo de vida simples Fonte de satisfação pessoal, e não obrigação Næss, Arne (1973). "The shallow and the deep, long‐range ecology movement. A summary". Inquiry. 16 (1–4): 95–100
  • 18.
    Educação Ambiental Naturalista Atividades ao ar livre para aumentar ligação entre as pessoas e a natureza • Prazer na relação com o meio ambiente • Sentir o corpo no ambiente  Role Playing Game (RPG) ou Teatro de Improvisação em ambientes naturais, representando seres vivos ou entidades da natureza • Se colocar no lugar dos outros seres vivos • Atribuir valor intrínseco a outras formas de vida  Críticas devido a romantização e naturalização • Pouco enfoque em conflitos sociais e relações de poder • Pouco enfoque no ambiente cultural construído (exemplo: ambientes urbanos e rurais) Matre, S. (1990). Earth education: A new beginning. Warrenville, IL: The Institute for Earth Education. Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37.
  • 19.
    Ecocriticismo Literário  Trabalhosem interpretação de textos e redação, valorizando: • Conexão emocional do ser humano com a natureza • Reflexão sobre os problemas ambientais  Livros clássicos: • Walden: a vida nos bosques (1854). Henry Thoreau • Primavera Silenciosa (1963). Rachel Carlson • Ecotopia (1975). Ernst Callenbach  Ramo acadêmico de interpretação e crítica literária Meeker, Joseph W. "The Comedy of Survival: Studies in Literary Ecology." New York: Scribner's, 1972. Glotfelty, Cheryll and Harold Fromm (Eds). The Ecocriticism Reader: Landmarks in Literary Ecology. Athens and London: University of Georgia, 1996. Garrard, Greg, Ecocriticism. New York: Routledge, 2004.
  • 20.
    Educação Ambiental paraConservação de Recursos  Responsabilidade social no consumo e produção  Dos 3 aos 6 R’s: • Repensar: valores relacionados ao consumo e produção • Recusar: não escolher produtos antiecológicos • Reduzir: consumo e poluição • Reutilizar • Reciclar • Recuperar: mitigar os impactos do consumo  Crítica: • Ver a natureza como recurso (valor instrumental) e não como valor intrínseco (direito de existência do ser vivo) • Valores de controle da natureza, e não de pertencimento Sauvé, L. (2005). Currents in Environmental Education: Mapping a Complex and Evolving Pedagogical Field. Canadian Journal of Environmental Education, 10(1), 11-37. Sachs, W. (2000). Le développement: Une idéologie en ruine. In W. Sachs & G. Esteva (Eds.), Des ruines du développement (pp. 13-81). Montréal: Écosociété.
  • 21.
    Ecopedagogia  Promoção davida para desenvolver o sentido de existência • A Terra como um único organismo vivo • “Cultivo” em vez de “conquista” da Terra  Equilíbrio dinâmico para desenvolver a sensibilidade social • Equilíbrio econômico deve preservar o equilíbrio social e ecológico  Congruência harmônica que desenvolve ternura e deslumbramento • Sentir-se como um ser vivo junto aos demais no planeta • Vinculação emocional com a natureza  Ética integral (valores da consciência ecológica) que desenvolve a capacidade de autorrealização  Racionalidade intuitiva que desenvolve a capacidade de atuar como ser humano integral • Reconhece os limites da lógica e não ignora a afetividade • Capacidade de transformar a ordem e a desordem no mundo  Consciência planetária que desenvolve a solidariedade planetária • Participação no devir do mundo pela cidadania planetária Gutiérrez, Francisco 1994 Pedagogia para el Desarrollo Sostenible. Heredia, Costa Rica: Editorialpec. Gadotti, Moacir. Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação sustentável. CLACSO, 2000.
  • 22.
    Ecopedagogia Viver no planetaTerra Viver com o planeta Terra Viver para o planeta Terra Pérez, F. G., & Rojas, C. P. (2016). Ecopedagogía y ciudadanía planetaria. De La Salle Ediciones.
  • 23.
    Pedagogia de PauloFreire Diálogo sobre como os estudantes sentem e entendem o mundo Reflexão sobre objetivos para buscar uma vida melhor Produzir conhecimento e ação coletivos para atingir esses objetivos FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - Saberes Necessários à Prática Educativa. Editora Paz e Terra. Coleção Saberes. 1996
  • 24.
    Exemplo de umprojeto de educação ambiental 1. Visita a um rio poluído na comunidade https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/analise-rio-poluido.htm Freitas, E. Análise de um rio poluído. Em: Brasil Escola. Estratégias de Ensino – Geografia.
  • 25.
    Exemplo de umprojeto de educação ambiental 1. Visita a um rio poluído na comunidade 2. Diálogo sobre a relação dos participantes com esse ambiente 3. Pesquisa coletiva sobre os processos físicos e sociais envolvidos 4. Diálogo sobre como a situação pode ser melhorada 5. Proposição, planejamento e execução de projetos coletivos: A. Mutirão de limpeza do rio B. Campanha com a comunidade C. Ação política com governo e representantes políticos
  • 26.
    Atividade Em grupos de4 estudantes: Imagine e descreva um exemplo de como poderia ser realizada uma proposta ou atividade de educação ambiental aplicada com base na pedagogia de Paulo Freire
  • 27.
    Jickling, B. andWals, A.E., 2008. Globalization and environmental education: Looking beyond sustainable development. Journal of Curriculum Studies, 40(1), pp.1-21. Hesselink, F., van Kempen, P. P. and Wals, A. (2000) ESDebate: International On-line Debate on Education for Sustainable Development (Gland, Switzerland: International Union for the Conservation of Nature). Educação para o Desenvolvimento Sustentável  Estimular a implementação das agendas internacionais  Apoio da ONU e outros financiadores  Relações com a Educação Ambiental (EA) EDS dentro de EA EA dentro de EDS Intercessão parcial entre EA e EDS EDS como evolução de EA
  • 28.
    Tratado sobre EducaçãoAmbiental para Sociedades Sustentáveis Conselho da Terra - 1992  Respeito à diversidade cultural  Cada comunidade escolhe seu modelo de sustentabilidade  Escolha da comunidade pode incluir ou não um modelo de desenvolvimento Earth Council. Treaty on environmental education for sustainable societies and global responsability. Brazil: Non Governmental Organizations (NGO´s) International, June 1992 Lima, G.F.C., 2009. Educação ambiental crítica: do socioambientalismo às sociedades sustentáveis. Educação e Pesquisa, 35(1), pp.145-163. Sauvé, L., 1997. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma análise complexa. Revista de educação pública, 6(10), pp.72-102. Jickling, B. and Wals, A.E., 2008. Globalization and environmental education: Looking beyond sustainable development. Journal of Curriculum Studies, 40(1), pp.1-21. Boff, L. 2012. Sustentabilidade – O que é e O que não é.Editora Vozes, 2012.
  • 29.
    Popularidade em 2018(Google Trends) Environmental education 88% Education for sustainability 5% Education for sustainable development 7% Educação ambiental 96% Educação para a sustentabilidade 2% Educação para o desenvolvimento sustentável 2% Mundo Brasil
  • 30.