ENFERMAGEM 2009
Psicologia Aplicada à Enfermagem
Acadêmicos :
Biata dos Santos Barbosa
Max Francisco de Araújo
  Monica Antonio Maria
 Paulo Almir P. Carrilho
    Rafael de Oliveira
A Doença Crônica e o
Ciclo de Vida Familiar
Principais características da condição de
               doença crônica

• caráter permanente;

• incapacidade residual;

• longa duração;

• caráter recorrente;

• dependência contínua de medicamentos;

• quase sempre é incurável, irreversível e degenerativa.
Eventos que contribuem para a eminência
      da condição crônica (antecedentes)
• herança genética;

• alto nível de estresse;

• causas congênitas;

• estilo de vida não saudável;

• idade avançada;

• não aderência ao tratamento;

• doenças;

• fatores ambientais, psicossociais, econômicos e
  culturais;
                                                    (MARCON et al, 2005)
Principais eventos consequentes à
                  condição crônica
• modificações físicas, sociais e
  psicológicas;
• mudanças no estilo de vida;
• incapacidade/inabilidade;
• necessidade de cuidados com a saúde;
• aderir a tratamento contínuo;
• mudança na imagem corporal e
  desgastes de sentimentos;
• estigma;
• depressão;
• desordens músculo-esqueléticas,
  circulatórias, respiratórias e digestivas;
• dependência.
                                               (MARCON et al, 2005)
O enfrentamento da doença pelo paciente
Fases diante do diagnóstico

• Choque: estupefação e
  desorientação do doente, revelando
  sentimentos de indiferença face à
  situação.

• Reação de defrontar: pensamento
  desorganizado e sentimentos de
  perda, desamparo e desespero.

• Retraimento: negação da doença
  diagnosticada e das suas
  implicações.


(SHONTZ, 1999 apud SANTOS, 2004)
O paciente passa a enfrentar alterações
no estilo de vida provocadas por certas
restrições decorrentes da presença da
patologia, das necessidades terapêuticas
e de controle clínico, além da necessidade
de submeter-se a internações hospitalares
recorrentes.



Assim, é preciso aprender a manter suas
condições de morbidez em equilíbrio e
experimentar novas possibilidades de
vida.


(SILVA et al, 2002)
O processo do adoecer é acompanhado de
insegurança e ansiedade, provocando no
paciente a sensação de que seus projetos
de vida não serão concretizados.
Dependendo da gravidade e incapacidade
provocada pela doença o paciente acaba
afastado do seu convívio pessoal,
profissional e social.
(OLIVIERI, 1985 apud SILVA et al, 2002)



A adaptação à incapacidade é difícil,
produz uma sensação de perda que é
reflexo, não só da alteração de uma função
física, como também de uma forma de vida,
surgem     os    medos      resultantes     da
indefinição das capacidades econômicas e
da aceitação familiar, social, e profissional.
(SANTOS, 2004)
Assim, a doença crônica traz
consigo perdas sucessivas de
independência e controle,
gera sensações de luto e,
como tal, sentimentos de
ansiedade, tristeza, irritação e
medo. Saber viver com a
doença crônica depende das
características individuais, da
forma como ela é aceita e do
que se espera da vida.




(SANTOS, 2004)
Na maioria das vezes o paciente
necessita         compartilhar     este
enfrentamento com sua família ou com
as pessoas que fazem parte do seu ciclo
social primário, buscando apoio e ajuda
para a sua readaptação individual e
familiar.
(SILVA et al, 2002)

Ter família é ter a certeza de que possui
alguém com quem se possa partilhar
sentimentos de alegria, tristeza, medos e
perdas. É ter a presença segura de
alguém que é querido, que apóia e que
cuida, se necessário. É a forma de
ultrapassar o isolamento físico e social
tão comum no doente crônico, permitindo
usufruir de uma visão mais aberta ao
mundo que nos rodeia.
(SANTOS, 2004)
O enfrentamento pela família
A saúde familiar significa a soma da
saúde dos indivíduos que a
compõem (ELSEN, 1994 apud SILVA
et al, 2002).

Qualquer pessoa que viva em família
é influenciada pelo comportamento
dos outros, sendo este conjunto de
relações      que        define      o
comportamento      familiar.    Phipps
(1995) reforça esta idéia através do
princípio da casualidade, em que
este descreve a família como um
grupo de pessoas relacionadas entre
si, de tal forma que qualquer
alteração surgida num determinado
membro implica o surgimento de
modificação nos outros restantes
elementos (SANTOS, 2004).
A família também caracteriza-se por
ser um corpo, mas um corpo social,
ou seja, uma rede de interações
que pode assumir diferentes
formas; que possui objetivos e toma
decisões enquanto grupo; tem uma
estrutura de funcionamento interno
constituída por posições e papéis,
possuindo      várias   atribuições,
inclusive cuidado de saúde de seus
membros (NITSCHKE,1999 apud
CECAGNO et al, 2004).

Assim, se apresenta como uma
rede de poder e de decisão sobre
seus atos (ELSEN, 1994 apud
CECAGNO et al, 2004).
Nas doenças de início agudo, as mudanças afetivas e instrumentais ficam
comprimidas em um tempo muito curto, o que exige rápida mobilização da
família e capacidade de administrar a crise.


Em face da doença crônica um dos objetivos essenciais é a família lidar
com as demandas desenvolvimentais da doença sem que seus membros
sacrifiquem seu próprio desenvolvimento ou o desenvolvimento da família
como um sistema.
                                                    (ROLLAND, 2001)




                                Dentro da família, o familiar prestador
                                dos cuidados será provavelmente o
                                elemento mais afetado pela ansiedade e
                                pelo stress.
                                                     (SANTOS, 2004)
A família tem sido apontada,
na maioria das vezes, como
a primeira e a mais
constante unidade de saúde
para seus membros. Ela é
um sistema cultural de
cuidado à saúde, diferente e
complementar ao sistema
profissional. O cuidado da
família é identificado como
parte integrante do cuidado
popular.


(MARCON et al, 2005)
É importante observar que as famílias continuam com as mesmas
funções desempenhadas por outras famílias, porém a estas é
acrescentada mais uma atribuição, o cuidar na doença. Isso as leva
a uma condição de maior fragilidade em vários aspectos,
comprometendo sua atuação como unidade familiar, assim como o
seu próprio viver.

Nessas condições, a família encontra-se em situação de risco, ou
seja, com maior vulnerabilidade, pois a doença crônica suga as
suas energias, já que, ao manifestar suas diferentes alterações,
transforma seu contexto e cotidiano.

Assim, doenças crônicas significam para a família algo que precisa
ser aceito e compreendido, pois, afinal, uma vez instalada, a família
passará a conviver com esta situação cotidianamente.

                                             (MARCON et al, 2005)
As doenças crônicas podem se apresentar
            de três formas distintas:
1. PROGRESSIVA: ausência de intervalos de
alívio dos sintomas, aumento da incapacidade
acarretando efeitos progressivos e severos.
Ocorre contínua adaptação familiar e mudança
de papéis e na disposição para utilizar
recursos externos (ex: Alzheimer).

2. CONSTANTE: são aquelas em que,
tipicamente, ocorre um evento inicial e depois
o curso biológico se estabiliza com uma
limitação funcional residual. Pode haver
exaustão familiar, porém sem a tensão de
mudança de papéis (ex: AVC).

3. REINCIDENTE OU EPISÓDICA: períodos estáveis de duração variada
com períodos de exacerbação dos sintomas, requer flexibilidade para o
movimento de ir e vir entre as formas de organização familiar (ex: asma).

                                       (MARCON et al, 2005; ROLLAND, 2001)
Quando a doença se torna crônica
passa     a   representar  despesas
contínuas no orçamento familiar,
significando corte de suprimento de
outras necessidades.



A doença representa um grande risco
para a desestruturação familiar quando
o paciente é também a pessoa
provedora      das       necessidades
familiares. A pessoa doente pode
perder seu lugar simbólico na família.



(SILVA et al, 2002)
A família ajuda a reorganizar os
recursos materiais e emocionais
para suportar e superar a situação.
A raiva e o ressentimento
acompanham esses momentos,
podendo direcionar-se à família
e/ou profissionais. Num outro
momento um pacto com Deus e
promessas para obter a cura sem
dor e evitando a morte. A
passividade     e/ou    depressão
sobrevêm, seguidas pela aceitação
da realidade e da morte. É
relevante a esperança nesse
percurso.

(FREITAS; MENDES, 1999)
Fases de adaptação da família:

•   A primeira: enfrentar a realidade, durante o período do diagnóstico,
    quando o paciente ainda está ativo e mantém as funções habituais no
    meio familiar.

•   A segunda: reorganização durante o período que antecede a morte. O
    paciente suspende as funções familiares habituais e vê-se na
    contingência de receber cuidados médicos em casa ou no hospital.

•   A terceira: é a perda e coincide com a iminência da morte e com a
    própria morte. A família experimenta a perda e a solidão da separação.
    Os membros podem ter atingido os limites da sua capacidade de
    suporte e inicialmente confessar o alívio que sentem perante a morte
    do doente.

•   A quarta: tem a ver com o restabelecimento, é a etapa final de
    adaptação da família, desenvolvendo-se depois de concluído o luto
    com sucesso.

    (MARQUES, 1991 apud SANTOS, 2004)
As famílias ficam presas entre
desejo de intimidade e um
impulso     para    afastar-se,
emocionalmente, do membro
doente (ROLLAND, 2001).

É     próprio   da   existência
humana, quando um ente
familiar     adoece,    buscar
cooperação e envolvimento de
todos na perspectiva de
encontrar resoluções para as
dificuldades, sejam elas de
ordem estrutural ou emocional
(SILVA et al, 2002).
Também as famílias necessitam de ser cuidadas,
escutadas e apoiadas. Lidar com uma situação de
doença crônica torna-se muito dispendioso, em termos
de ordem física, emocional e econômica.

(SANTOS, 2004)
Papel do profissional de saúde e da
               comunidade
Quando se transfere um doente para a família, é o mesmo
que transferi-lo para o meio mais óbvio e natural, no
entanto, estes tendem a manter-se na comunidade e no
seu domicílio levando frequentemente ao aumento da
dependência dos serviços de saúde.

(SANTOS, 2004)
As estruturas familiares nem
sempre dão conta de sozinhas
sustentarem essas situações.
Elas precisam do apoio dos
profissionais   de      saúde,
especialmente no que se
relaciona às necessidades de
educação em saúde para evitar
as frequentes re-internações,
bem como de suporte e
colaboração de outras pessoas
de sua comunidade (redes
sociais).

(SILVA et al, 2002)
A ajuda que extrapola a esfera familiar é
chamada de rede social. Constitui-se em
uma rede de apoio, seja apenas para
estar junto do paciente por ocasião das
internações hospitalares, seja para
proporcionar-lhe cuidado, ou até para
ajuda financeira.
(SILVA et al, 2002)



A família volta-se internamente para
atender às necessidades individuais de
seus membros e para solidarizar-se
como grupo. Ao mesmo tempo, sente
necessidade de estabelecer relações
sociais com as demais        pessoas e
instituições da comunidade. (ELSEN,
1994 apud SILVA et al, 2002)
As doenças crônicas constituem
motivo de preocupação para os
profissionais de saúde, seja por
seus aspectos limitantes, pelas
conseqüências de seu tratamento,
ainda que ambulatorialmente, pelo
desgaste e sofrimento da pessoa
acometida, seja pelo fato de que,
grande       parte   dos     recursos
financeiros e humanos dos serviços
públicos, em função da demanda,
priorize atividades de cunho curativo
e de reabilitação, ao invés de ações
preventivas e de promoção da
saúde.

(MARCON et al, 2005)
O cuidado em domicílio exige
romper barreiras, conhecer a
família no seu cotidiano,
respeitar suas crenças, suas
cultura e seus valores os quais
envolvem o ser humano.

Para se efetivar com sucesso
o tratamento dispensado, a
equipe de saúde deve interagir
com a família, tentando
identificar suas necessidades,
dificuldades,      expectativas,
possibilidades e limitações.



(CECAGNO et al, 2004)
O enfermeiro, ao assumir o
cuidado de pessoas em "condição
crônica", deve diferenciar o que é
objetivo para si e a situação real
em que vivem essas pessoas e
famílias, considerando fatores
culturais, religiosos, sociais e
psicológicos      nas    condutas
expressas, que demanda atenção
profissional.

(FREITAS; MENDES, 1999)
Promover uma abordagem centrada na família cuidadora, numa
perspectiva holística, promovendo uma prestação de cuidados dirigida
às reais necessidades de cuidados de saúde, de uma forma
continuada no tempo e integrada entre as diversas áreas da saúde e
do apoio social, através de uma equipe pluridisciplinar.

(SANTOS, 2004)
É importante também maior apoio político ao desenvolvimento de
redes de apoio social local às pessoas e familiares com doença
crônica, pois são estas associações de doentes e instituições de
solidariedade social, cujo trabalho assenta muitas vezes num regime
de voluntariado, que fazem apelo aos direitos dos doentes e famílias,
exigem respeito pela pessoa, justiça, liberdade, autonomia e tolerância,
de forma a manterem ou atingirem um lugar social digno. A sua força
desenvolve-se no acolhimento e escuta personalizada de quem sofre e
das respectivas famílias.


(SANTOS, 2004)
Referências Bibliográficas
CECAGNO, S. et al. Compreendendo o contexto familiar no processo saúde-
doença. Acta Scientiarum. Health Sciences Maringá, v. 26, nº 1, p. 107-112,
2004.

FREITAS, M. C.; MENDES, M. M. R. Condições crônicas de saúde e o cuidado
de enfermagem. Rev. Latino Americana Enf., Ribeirão Preto, v.7, nº5, 1999.

MARCON, S. S. et al. Vivência e reflexões de um grupo de estudos junto às
famílias que enfrentam a situação crônica de saúde. Rev. Texto Contexto Enf.,
Florianópolis, v.14, 2005.

ROLLAND, J. S. Doença crônica e o ciclo de vida familiar. In: CARTER, B.;
McGOLDUCK, M. e cols. As mudanças no ciclo familiar. Porto Alegre: Artes
Médicas, 2001.

SANTOS, P. A doença crônica e incapacitante dependente na família.
Trabalho apresentado no curso de mestrado em saúde pública. Lisboa, 2004.

SILVA, L. F. et al. Doença crônica: o enfrentamento pela família. Acta Paul.
Enf., São Paulo, v.15, nº1, p.40-47, 2002.

Doenças crônicas.

  • 1.
  • 2.
    Acadêmicos : Biata dosSantos Barbosa Max Francisco de Araújo Monica Antonio Maria Paulo Almir P. Carrilho Rafael de Oliveira
  • 3.
    A Doença Crônicae o Ciclo de Vida Familiar
  • 4.
    Principais características dacondição de doença crônica • caráter permanente; • incapacidade residual; • longa duração; • caráter recorrente; • dependência contínua de medicamentos; • quase sempre é incurável, irreversível e degenerativa.
  • 5.
    Eventos que contribuempara a eminência da condição crônica (antecedentes) • herança genética; • alto nível de estresse; • causas congênitas; • estilo de vida não saudável; • idade avançada; • não aderência ao tratamento; • doenças; • fatores ambientais, psicossociais, econômicos e culturais; (MARCON et al, 2005)
  • 6.
    Principais eventos consequentesà condição crônica • modificações físicas, sociais e psicológicas; • mudanças no estilo de vida; • incapacidade/inabilidade; • necessidade de cuidados com a saúde; • aderir a tratamento contínuo; • mudança na imagem corporal e desgastes de sentimentos; • estigma; • depressão; • desordens músculo-esqueléticas, circulatórias, respiratórias e digestivas; • dependência. (MARCON et al, 2005)
  • 7.
    O enfrentamento dadoença pelo paciente Fases diante do diagnóstico • Choque: estupefação e desorientação do doente, revelando sentimentos de indiferença face à situação. • Reação de defrontar: pensamento desorganizado e sentimentos de perda, desamparo e desespero. • Retraimento: negação da doença diagnosticada e das suas implicações. (SHONTZ, 1999 apud SANTOS, 2004)
  • 8.
    O paciente passaa enfrentar alterações no estilo de vida provocadas por certas restrições decorrentes da presença da patologia, das necessidades terapêuticas e de controle clínico, além da necessidade de submeter-se a internações hospitalares recorrentes. Assim, é preciso aprender a manter suas condições de morbidez em equilíbrio e experimentar novas possibilidades de vida. (SILVA et al, 2002)
  • 9.
    O processo doadoecer é acompanhado de insegurança e ansiedade, provocando no paciente a sensação de que seus projetos de vida não serão concretizados. Dependendo da gravidade e incapacidade provocada pela doença o paciente acaba afastado do seu convívio pessoal, profissional e social. (OLIVIERI, 1985 apud SILVA et al, 2002) A adaptação à incapacidade é difícil, produz uma sensação de perda que é reflexo, não só da alteração de uma função física, como também de uma forma de vida, surgem os medos resultantes da indefinição das capacidades econômicas e da aceitação familiar, social, e profissional. (SANTOS, 2004)
  • 10.
    Assim, a doençacrônica traz consigo perdas sucessivas de independência e controle, gera sensações de luto e, como tal, sentimentos de ansiedade, tristeza, irritação e medo. Saber viver com a doença crônica depende das características individuais, da forma como ela é aceita e do que se espera da vida. (SANTOS, 2004)
  • 11.
    Na maioria dasvezes o paciente necessita compartilhar este enfrentamento com sua família ou com as pessoas que fazem parte do seu ciclo social primário, buscando apoio e ajuda para a sua readaptação individual e familiar. (SILVA et al, 2002) Ter família é ter a certeza de que possui alguém com quem se possa partilhar sentimentos de alegria, tristeza, medos e perdas. É ter a presença segura de alguém que é querido, que apóia e que cuida, se necessário. É a forma de ultrapassar o isolamento físico e social tão comum no doente crônico, permitindo usufruir de uma visão mais aberta ao mundo que nos rodeia. (SANTOS, 2004)
  • 12.
    O enfrentamento pelafamília A saúde familiar significa a soma da saúde dos indivíduos que a compõem (ELSEN, 1994 apud SILVA et al, 2002). Qualquer pessoa que viva em família é influenciada pelo comportamento dos outros, sendo este conjunto de relações que define o comportamento familiar. Phipps (1995) reforça esta idéia através do princípio da casualidade, em que este descreve a família como um grupo de pessoas relacionadas entre si, de tal forma que qualquer alteração surgida num determinado membro implica o surgimento de modificação nos outros restantes elementos (SANTOS, 2004).
  • 13.
    A família tambémcaracteriza-se por ser um corpo, mas um corpo social, ou seja, uma rede de interações que pode assumir diferentes formas; que possui objetivos e toma decisões enquanto grupo; tem uma estrutura de funcionamento interno constituída por posições e papéis, possuindo várias atribuições, inclusive cuidado de saúde de seus membros (NITSCHKE,1999 apud CECAGNO et al, 2004). Assim, se apresenta como uma rede de poder e de decisão sobre seus atos (ELSEN, 1994 apud CECAGNO et al, 2004).
  • 14.
    Nas doenças deinício agudo, as mudanças afetivas e instrumentais ficam comprimidas em um tempo muito curto, o que exige rápida mobilização da família e capacidade de administrar a crise. Em face da doença crônica um dos objetivos essenciais é a família lidar com as demandas desenvolvimentais da doença sem que seus membros sacrifiquem seu próprio desenvolvimento ou o desenvolvimento da família como um sistema. (ROLLAND, 2001) Dentro da família, o familiar prestador dos cuidados será provavelmente o elemento mais afetado pela ansiedade e pelo stress. (SANTOS, 2004)
  • 15.
    A família temsido apontada, na maioria das vezes, como a primeira e a mais constante unidade de saúde para seus membros. Ela é um sistema cultural de cuidado à saúde, diferente e complementar ao sistema profissional. O cuidado da família é identificado como parte integrante do cuidado popular. (MARCON et al, 2005)
  • 16.
    É importante observarque as famílias continuam com as mesmas funções desempenhadas por outras famílias, porém a estas é acrescentada mais uma atribuição, o cuidar na doença. Isso as leva a uma condição de maior fragilidade em vários aspectos, comprometendo sua atuação como unidade familiar, assim como o seu próprio viver. Nessas condições, a família encontra-se em situação de risco, ou seja, com maior vulnerabilidade, pois a doença crônica suga as suas energias, já que, ao manifestar suas diferentes alterações, transforma seu contexto e cotidiano. Assim, doenças crônicas significam para a família algo que precisa ser aceito e compreendido, pois, afinal, uma vez instalada, a família passará a conviver com esta situação cotidianamente. (MARCON et al, 2005)
  • 17.
    As doenças crônicaspodem se apresentar de três formas distintas: 1. PROGRESSIVA: ausência de intervalos de alívio dos sintomas, aumento da incapacidade acarretando efeitos progressivos e severos. Ocorre contínua adaptação familiar e mudança de papéis e na disposição para utilizar recursos externos (ex: Alzheimer). 2. CONSTANTE: são aquelas em que, tipicamente, ocorre um evento inicial e depois o curso biológico se estabiliza com uma limitação funcional residual. Pode haver exaustão familiar, porém sem a tensão de mudança de papéis (ex: AVC). 3. REINCIDENTE OU EPISÓDICA: períodos estáveis de duração variada com períodos de exacerbação dos sintomas, requer flexibilidade para o movimento de ir e vir entre as formas de organização familiar (ex: asma). (MARCON et al, 2005; ROLLAND, 2001)
  • 18.
    Quando a doençase torna crônica passa a representar despesas contínuas no orçamento familiar, significando corte de suprimento de outras necessidades. A doença representa um grande risco para a desestruturação familiar quando o paciente é também a pessoa provedora das necessidades familiares. A pessoa doente pode perder seu lugar simbólico na família. (SILVA et al, 2002)
  • 19.
    A família ajudaa reorganizar os recursos materiais e emocionais para suportar e superar a situação. A raiva e o ressentimento acompanham esses momentos, podendo direcionar-se à família e/ou profissionais. Num outro momento um pacto com Deus e promessas para obter a cura sem dor e evitando a morte. A passividade e/ou depressão sobrevêm, seguidas pela aceitação da realidade e da morte. É relevante a esperança nesse percurso. (FREITAS; MENDES, 1999)
  • 20.
    Fases de adaptaçãoda família: • A primeira: enfrentar a realidade, durante o período do diagnóstico, quando o paciente ainda está ativo e mantém as funções habituais no meio familiar. • A segunda: reorganização durante o período que antecede a morte. O paciente suspende as funções familiares habituais e vê-se na contingência de receber cuidados médicos em casa ou no hospital. • A terceira: é a perda e coincide com a iminência da morte e com a própria morte. A família experimenta a perda e a solidão da separação. Os membros podem ter atingido os limites da sua capacidade de suporte e inicialmente confessar o alívio que sentem perante a morte do doente. • A quarta: tem a ver com o restabelecimento, é a etapa final de adaptação da família, desenvolvendo-se depois de concluído o luto com sucesso. (MARQUES, 1991 apud SANTOS, 2004)
  • 21.
    As famílias ficampresas entre desejo de intimidade e um impulso para afastar-se, emocionalmente, do membro doente (ROLLAND, 2001). É próprio da existência humana, quando um ente familiar adoece, buscar cooperação e envolvimento de todos na perspectiva de encontrar resoluções para as dificuldades, sejam elas de ordem estrutural ou emocional (SILVA et al, 2002).
  • 22.
    Também as famíliasnecessitam de ser cuidadas, escutadas e apoiadas. Lidar com uma situação de doença crônica torna-se muito dispendioso, em termos de ordem física, emocional e econômica. (SANTOS, 2004)
  • 23.
    Papel do profissionalde saúde e da comunidade Quando se transfere um doente para a família, é o mesmo que transferi-lo para o meio mais óbvio e natural, no entanto, estes tendem a manter-se na comunidade e no seu domicílio levando frequentemente ao aumento da dependência dos serviços de saúde. (SANTOS, 2004)
  • 24.
    As estruturas familiaresnem sempre dão conta de sozinhas sustentarem essas situações. Elas precisam do apoio dos profissionais de saúde, especialmente no que se relaciona às necessidades de educação em saúde para evitar as frequentes re-internações, bem como de suporte e colaboração de outras pessoas de sua comunidade (redes sociais). (SILVA et al, 2002)
  • 25.
    A ajuda queextrapola a esfera familiar é chamada de rede social. Constitui-se em uma rede de apoio, seja apenas para estar junto do paciente por ocasião das internações hospitalares, seja para proporcionar-lhe cuidado, ou até para ajuda financeira. (SILVA et al, 2002) A família volta-se internamente para atender às necessidades individuais de seus membros e para solidarizar-se como grupo. Ao mesmo tempo, sente necessidade de estabelecer relações sociais com as demais pessoas e instituições da comunidade. (ELSEN, 1994 apud SILVA et al, 2002)
  • 26.
    As doenças crônicasconstituem motivo de preocupação para os profissionais de saúde, seja por seus aspectos limitantes, pelas conseqüências de seu tratamento, ainda que ambulatorialmente, pelo desgaste e sofrimento da pessoa acometida, seja pelo fato de que, grande parte dos recursos financeiros e humanos dos serviços públicos, em função da demanda, priorize atividades de cunho curativo e de reabilitação, ao invés de ações preventivas e de promoção da saúde. (MARCON et al, 2005)
  • 27.
    O cuidado emdomicílio exige romper barreiras, conhecer a família no seu cotidiano, respeitar suas crenças, suas cultura e seus valores os quais envolvem o ser humano. Para se efetivar com sucesso o tratamento dispensado, a equipe de saúde deve interagir com a família, tentando identificar suas necessidades, dificuldades, expectativas, possibilidades e limitações. (CECAGNO et al, 2004)
  • 28.
    O enfermeiro, aoassumir o cuidado de pessoas em "condição crônica", deve diferenciar o que é objetivo para si e a situação real em que vivem essas pessoas e famílias, considerando fatores culturais, religiosos, sociais e psicológicos nas condutas expressas, que demanda atenção profissional. (FREITAS; MENDES, 1999)
  • 29.
    Promover uma abordagemcentrada na família cuidadora, numa perspectiva holística, promovendo uma prestação de cuidados dirigida às reais necessidades de cuidados de saúde, de uma forma continuada no tempo e integrada entre as diversas áreas da saúde e do apoio social, através de uma equipe pluridisciplinar. (SANTOS, 2004)
  • 30.
    É importante tambémmaior apoio político ao desenvolvimento de redes de apoio social local às pessoas e familiares com doença crônica, pois são estas associações de doentes e instituições de solidariedade social, cujo trabalho assenta muitas vezes num regime de voluntariado, que fazem apelo aos direitos dos doentes e famílias, exigem respeito pela pessoa, justiça, liberdade, autonomia e tolerância, de forma a manterem ou atingirem um lugar social digno. A sua força desenvolve-se no acolhimento e escuta personalizada de quem sofre e das respectivas famílias. (SANTOS, 2004)
  • 32.
    Referências Bibliográficas CECAGNO, S.et al. Compreendendo o contexto familiar no processo saúde- doença. Acta Scientiarum. Health Sciences Maringá, v. 26, nº 1, p. 107-112, 2004. FREITAS, M. C.; MENDES, M. M. R. Condições crônicas de saúde e o cuidado de enfermagem. Rev. Latino Americana Enf., Ribeirão Preto, v.7, nº5, 1999. MARCON, S. S. et al. Vivência e reflexões de um grupo de estudos junto às famílias que enfrentam a situação crônica de saúde. Rev. Texto Contexto Enf., Florianópolis, v.14, 2005. ROLLAND, J. S. Doença crônica e o ciclo de vida familiar. In: CARTER, B.; McGOLDUCK, M. e cols. As mudanças no ciclo familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001. SANTOS, P. A doença crônica e incapacitante dependente na família. Trabalho apresentado no curso de mestrado em saúde pública. Lisboa, 2004. SILVA, L. F. et al. Doença crônica: o enfrentamento pela família. Acta Paul. Enf., São Paulo, v.15, nº1, p.40-47, 2002.