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Primeira República
3º ANO “A”
O que é República?
   República é o regime político em que o chefe de
Estado é eleito pelo povo de forma direta ou indireta, por
meio de uma assembleia representativa, para cumprir
um mandato por “tempo determinado”. A república pode
ser parlamentarista, sistema em que o poder se
concentra no Parlamento, ou Presidencialista, em que o
Chefe de Estado detém também a chefia de governo. Por
definição, a organização política republicana está
voltada para a gestão do interesse comum da
sociedade.
1. A Proclamação da República
  A resistência dos setores conservadores do Estado
brasileiro à abolição da escravatura fazia sentido. A
sobrevivência do império se entrelaçava à do escravismo,
numa imagem invertida da articulação entre os
movimentos abolicionista e republicano. Quando os
escravos foram libertos, a vitória republicana tornou-se
uma questão de tempo.
Proclamação da República, pintura
    de Benedito Calixto, 1893
Na década de 1860, uma cisão do Partido Liberal criou
o Partido Liberal Radical. A nova organização
reinvidicou reformas políticas e econômicas, como a
abolição da escravidão, maior autonomia para as
províncias e a extinção do Poder Moderador. Na década
de 1870, o grupo liberal radical deu origem ao Partido
Republicano.
   Nos últimos anos do império, as campanhas dos
abolicionistas e dos republicanos se esforçavam
mutuamente. Mobilizações, comícios e conferências
agitaram as ruas do Rio de Janeiro, onde alguns líderes
abolicionistas, como Silva Jardim, propunham uma
aproximação com os setores populares da sociedade.
Outros republicanos procuravam obter o apoio do
Exército, temendo não ter forças suficientes para
derrubar o regime. A Monarquia brasileira caía em
profundo descrédito, inclusive por parte dos
monarquistas, que deferiam duras críticas ao imperador.
   Muitos militares encontravam no positivismo a
justificativa teórica para sua convicção de que o Exército
deveria ocupar papel de maior destaque na sociedade
brasileira. Associadas aos ideais republicanos, essas
noções fizeram numerosos adeptos na Escola Militar e
nos quartéis.
Positivismo
   Doutrina filosófica que surgiu na França, no século XIX,
sob orientação de Auguste Comte. O Positivismo afirma que
o único conhecimento válido é aquele alcançado pela ciência.
Comte defendia a ideia de que o altruísmo deveria se sobrepor
ao egoísmo para a sociedade alcançar o bem comum. O
positivismo teve em Benjamim Constant, participante da
proclamação da República, um dos seus principais
representantes no Brasil. O lema Ordem e Progresso da
bandeira brasileira tem inspiração positivista.
O Exército, que conquistara prestígio depois da
Guerra do Paraguai, passou a ocupar no imaginário
social a ideia de “salvador da pátria”. A propaganda
republicana, as críticas à família real e o crescimento do
prestígio do Exército incentivaram o Clube Militar,
fundado em 1887 e presidido por Deodoro da Fonseca, a
conspirar contra a realeza.
   O ano de 1889 foi marcado por boatos e conversações
sigilosas. Difundiram-se notícias de que o governo
estaria disposto a reaparelhar a Guarda Nacional para
conter os republicanos e também a deslocar os militares
mais radicais para guarnições em áreas distantes do Rio
de Janeiro.
No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro
da Fonseca, escolhido para liderar o golpe militar,
dissolveu o gabinete imperial e proclamou a República
no Brasil. Para que não houvesse dúvidas quanto ao
sentido da manifestação das tropas, a “proclamação civil
da República” foi feira na Câmara dos Vereadores do Rio
de Janeiro pelo abolicionista José do Patrocínio, com
apoio de membros do Partido Republicano.
   Nesse primeiro momento, apesar das divergências que
existiam entre os diversos partidários do republicanismo,
os representantes do Exército contaram com o apoio de
grande parte da elite cafeicultora do oeste paulista – para
quem o império representava um entrave à
modernização econômica e à maior autonomia.
Também obtiveram a simpatia de setores da
incipiente classe média, desejosa de maior participação
política. As camadas populares não participaram da
derrubada      do    imperador.   Indo    ainda    mais
longe, Aristides Lobo, ministro do interior do governo
provisório de Deodoro da Fonseca, comentou: “o povo
assistiu bestializado”.
   A República resultou da incapacidade da Monarquia
de se reformular e lidar com as mudanças sociais e
econômicas que vinham ocorrendo nos últimos anos do
império.
1º Resumo
            1. O Declínio do Segundo Reinado

   A crise do Império foi resultado das transformações
processadas na economia e na sociedade, a partir do
século XIX, somando-se conduziram importantes
setores da sociedade a uma conclusão: a Monarquia
precisava ser superada para dar lugar a um outro regime
político mais adaptado aos problemas da época.
   A crise do Império foi marcada por uma série de
questões que desembocaram na Proclamação da
República.
1.1 Questão Abolicionista

   Os senhores de escravos não se conformaram com a
abolição da escravidão e com o fato de não terem sido
indenizados. Sentindo-se abandonados pela Monarquia
passaram a apoiar a causa republicana, surgindo os
chamados Republicanos de 13 de Maio (chamada
assim por causa da data em que a Lei Áurea foi assinada).
As principais leis que contribuíram para o fim da
escravidão no Brasil foram:
 1850: Lei Eusébio de Queiroz
 1871: Lei do Ventre Livre
 1885: Lei dos Sexagenários
 1888: Lei Áurea
1.2 Questão Religiosa

   A questão religiosa consistiu num conflito entre dois
bispos, D. Vital e D. Macedo Costa, que insistiram em
aplicar no país determinações papais que não haviam
obtido a aprovação (placet) do Imperador, como
determinava a constituição. Esse poder de veto imperial
chamava-se beneplácito.
   Processados e condenados, o assunto serviu para
afastar a igreja do trono.
1.3 Questão Militar

   Durante o Império havia sido aprovado o projeto
Montepio, pelo qual as famílias dos militares mortos ou
mutilados na Guerra do Paraguai recebiam uma pensão.
A guerra terminara em 1870 e em 1883 o montepio ainda
não estava pago. Os militares encarregaram então o
tenente-coronel Sena Madureira de defender os seus
direitos. Este, depois de se pronunciar pela imprensa,
atacando o projeto Montepio, foi punido.
A partir de então, os militares ficaram proibidos de
dar declarações à imprensa sem prévia autorização
imperial.
   O descaso que alguns políticos e ministros
conservadores tinham pelo Exército levava-os a punir
elevados oficiais, por motivos qualificados como
indisciplina militar. As punições disciplinares conferidas
ao tenente-coronel Ernesto Augusto de Cunha Matos,
provocou revolta em importantes chefes do Exército,
como o Marechal Deodoro da Fonseca.
Deodoro da Fonseca: executor de uma
mudança construída ao longo do tempo
2. Proclamação da República

   O     Governo     Imperial,    percebendo,     embora
tardiamente, a difícil situação em que se encontrava com
o isolamento da Monarquia, apresentou à Câmara dos
Deputados um programa de reformas políticas; do qual
constavam: liberdade de fé religiosa; liberdade de ensino
e seu aperfeiçoamento; autonomia das Províncias;
mandato temporário dos senadores.
   Entretanto, as reformas chegaram tarde demais. No
dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da
Fonseca     assumiu       o    comando      das    tropas
revoltadas, ocupando o Quartel General do Rio de
Janeiro.
Na noite do dia 15, constituiu-se o Governo Provisório
da República dos Estados Unidos do Brasil. D. Pedro II,
que estava em Petrópolis durante estes acontecimentos,
recebeu, no dia seguinte, um respeitoso documento do
novo Governo, solicitando que ele se retirasse do País,
juntamente com sua família.
   Proclamada a República, no mesmo dia 15 de
novembro de 1889, forma-se um governo provisório,
sendo o chefe do governo Marechal Deodoro da Fonseca.
2. Os primeiros tempos da
República
  A transição para o novo regime foi feita sem grandes
conflitos, alterações socioeconômicas ou participação
popular. O Brasil continuou a ser um país
agroexportador, longe dos interesses dos que defendiam
um projeto de ampla industrialização. A República
brasileira também não incorporou em seu projeto
político as classes menos favorecidas da população. Isso
gerou descontentamentos nos grupos que desejavam
modificações estruturais mais profundas com o advento
do regime republicano.
Dessa forma, o modelo da República que se instalou
em território nacional não representava o pensamento
de todos os que haviam se engajado em sua defesa desde
o período imperial.
   Ainda assim, a proclamação da República inaugurou
uma nova ordem política no país. O centralismo,
presente no período imperial, foi substituído pelo
federalismo, defendido principalmente pelas elites do
oeste paulista e de Minas Gerais. O poder político passou
a ser controlado pelas oligarquias rurais. Todavia, isso
não aconteceu de imediato. Os dois governos iniciais do
Brasil foram constituídos pelos militares: os marechais
Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
Esse período da Primeira República (1889-1894)
correspondeu à República da Espada, sob a hegemonia
do Exército.
   Até que fossem realizadas eleições e o país tivesse uma
nova Constituição, o marechal Deodoro da Fonseca
liderou um Governo Provisório (1889-1891).
   O marechal dissolveu as assembleias provinciais e as
câmaras municipais, demitiu os presidentes das
províncias e indicou novos dirigentes para eles. Uma
elite civil (ligada aos grandes proprietários) e militar
(principalmente do Exército) assumiu o aparelho
administrativo, e os municípios tornaram-se peças
fundamentais no cenário público em decorrência da
autonomia política e financeira que adquiriram com o
federalismo.
As negociações políticas na Primeira República
envolveram os vários partidos republicanos de expressão
regional ou estadual, como o mineiro, o paulista e o
fluminense.
   Dentre os partidos republicanos, destacou-se o PRP
(paulista), elemento fundamental nas articulações
políticas do período. O PRP representava a centro
econômico mais importante do Brasil naquele momento:
o oeste paulista cafeicultor. Apoiado por MG, favoreceu
vários presidentes ao país, conseguindo manter a
hegemonia paulista praticamente se oposição até 1930.
Alegoria da República, quadro de Manuel Lopes
Rodrigues pertencente ao acervo do Museu de Arte da Bahia
2.1 A crise econômica
  As reformas político-administrativas do Estado foram
seguidas por medidas econômicas também necessárias
ao funcionamento da República. Uma das primeiras
decisões tomadas pelo então ministro da Fazenda, Rui
Barbosa, em 1890, foi a política de incentivo à criação de
empresas industriais e comerciais no país.
  Rui Barbosa acreditava que o melhor estímulo à
industrialização seria acabar com a falta de crédito no
país. Para isso, ele permitiu que alguns bancos privados
emitissem papel-moeda.
Esse dinheiro seria emprestado, o que na visão do
ministro, mobilizaria a economia brasileira. Na verdade,
a facilidade de crédito induziu o surgimento de empresas
“fantasmas” – que só existiam no papel -, cujas ações
eram negociadas na Bolsa de Valores e se valorizavam
sem a menor fiscalização do governo. Centenas de
pessoas passaram a aplicar suas reservas na Bolsa,
adquirindo ações baratas para posterior revenda. Esse
clima de especulação criado pela abundância de
negócios e empresas ficou conhecido como
Encilhamento. A especulação era favorecida pela
abundância de dinheiro circulando no país.
Encilhamento
   O term0 é uma alusão ao hipódromo, local onde os cavalos
são encilhados e preparados para a corrida.
Os falsos empreendedores, que captava empréstimos
sem jamais investir num negócio, tivera altos lucros
durante o Encilhamento.
   Além de contribuir para a especulação, a nova política
econômica fez aumentar a inflação. O resultado final foi
uma grande crise: a moeda perdeu valor, as importações
cresceram, empresas e bancos faliram e os cofres
públicos ficaram vazios.
2.2 A primeira Constituição
Republicana
   No final de 1890, Deodoro da Fonseca convocou
eleições para a Assembeia Constituinte, que no início de
1891 promulgou a Constituição Republicana do Brasil.
A carta refletiu a hegemonia dos defensores do
liberalismo de influência norte-americana.
   Após a promulgação da Constituição, os progressistas
escolheram o novo presidente. Como naquela época era
permitido votar em candidatos de chapas diferentes, o
cargo de presidente da República foi ocupado pelo
marechal Deodoro da Fonseca e o de vice-presidente
pelo marechal Floriano Peixoto.
2.3 O governo constitucional de
Deodoro
   O marechal Deodoro permaneceu na presidência da
República após a promulgação da Constituição, em 1891.
Graças à pressão dos militares sobre os deputados, ele
acabou eleito com uma pequena vantagem em relação ao
seu oponente, Prudente de Morais – representante dos
cafeicultores.
   O fracasso da política econômica de Rui Barbosa,
somado à nomeação de ministros conservadores, como o
barão de Lucena, um antigo monarquista que passou a
ocupar o cargo de ministro da Fazenda, desgastou a
autoridade de Deodoro, que passou a enfrentar forte
oposição no Congresso e gerou uma crise política.
A tensão cresceu quando, em 3 de novembro de 1891,
um decreto do Executivo fechou o Congresso,
anunciando a convocação de novas eleições e uma
revisão constitucional.
   A resistência ao autoritarismo do governo federal foi
organizada por SP, MG, RJ, PE e PA, com a apoio da
Marinha e de setores do Exército. Paralelamente a essa
movimentação, os ferroviários deflagraram uma greve na
estrada de ferro Central do Brasil, o que trazia sérios
riscos para o abastecimento da capital federal. Doente e
receando uma guerra civil, Deodoro renunciou em 23 de
novembro de 1891.
   A renúncia de Deodoro levou à presidência da
República Floriano Peixoto.
Marechal Deodoro da Fonseca
2.4 O governo de Floriano Peixoto
   Para conseguir apoio popular, Floriano tomou
medidas como diminuição dos preços dos aluguéis das
casas dos operários, isenção de impostos sobre a carne
para baratear o produto e controle dos preços dos
gêneros de primeira necessidade. Outras iniciativas
visavam combater os efeitos do Encilhamento, tais como
incentivar a industrialização e fiscalização e aplicação do
erário público. Mas essas medidas não foram suficientes
para evitar uma forte oposição civil e militar sob a forma
de movimentos rebeldes, como a Revolução Federalista,
no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, no Rio de
Janeiro.
2.5 A Revolução Federalista
   De 1893 a 1895, as terras do Sul serviram de cenário
aos violentos combates da Revolução Federalista,
travados entre os partidários de oligarcas gaúchos: de um
lado, os federalistas (maragatos), liderados por Gaspar
Silveira Martins; de outro, os republicanos (chimangos
ou pica-paus), seguidores do positivista Júlio de
Castilhos. Os federalistas defendiam a instalação de um
regime parlamentarista nos moldes do que existiu no
Segundo Reinado.
Já os republicanos defendiam um presidencialismo
forte, centralizador, no estilo do governo de Floriano
Peixoto.
   O confronto ultrapassou as fronteiras gaúchas,
estendendo-se a Santa Catarina, ao Paraná e até ao
Uruguai. Embora Floriano tivesse enviado tropas
federais aos estados sulistas, somente em 1895, no
governo de Prudente de Morais, é que seria assinado um
acordo de paz na região.
2.6 A Revolta da Armada
   Em agosto de 1893 ocorreu a Revolta da Armada. O
movimento resultou da disputa pelo poder entre os
oficiais do Exército e da Marinha, representantes de
grupos sociais distintos: enquanto a força terrestre
reunia basicamente elementos dos setores médios, a
Marinha, mais elitista, representava as classes
oligárquicas. Também contribuiu para conflito o fato de
o almirante Custódio de Mello, ministro da Marinha, ser
candidato à sucessão de Floriano, mas este apoiava o civil
Prudente de Morais.
No dia 13 de setembro, navios da Armada começaram
a bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Contando com
o apoio de São Paulo e a adesão popular, o governo tratou
de organizar uma reação à revolta. Os rebeldes abriram
novas frentes de batalha no Sul do país, mas não
puderam resistir à contraofensiva governamental. Em
março de 1894, a rebelião estava vencida e, pela força, a
República consolidava-se.
   O rigor de Floriano Peixoto ante os dois movimentos
revolucionários valeu-lhe o cognome “Marechal de
Ferro”.
2º Resumo
           1. República da Espada (1889-1894)
                 1.1 Governo de Deodoro
  1ª Fase: Governo Provisório

• Decreto de banimento da Família Real
• Convocação da Assembleia Constituinte
• Resistências à República, na Marinha
• Eleição indireta de Deodoro
• Encilhamento (Rui Barbosa)
2ª Fase: Governo Constitucional

 Crise econômica
 Oposição dos cafeicultores
 Fechamento do Congresso
 1ª Revolta da Armada (Custódio de Melo)
 Renúncia de Deodoro
2.2 Governo de Floriano Peixoto

 Assumiu inicialmente sob apoio dos cafeicultores
paulistas
 Não cumpriu a Constituição no que tange às novas
eleições
 Perda do apoio dos cafeicultores
 2ª Revolta da Armada
 Revolução Federalista no sul do país
 Reconquista do apoio da elite cafeeira
 Congelamento de aluguéis e gêneros alimentícios
 Consolidador da República
2.3 Características da Constituição de 1891

 Copiada da constituição dos Estados Unidos
 Adotou o sistema presidencialista
 Fim do poder moderador
 Legislativo federal bicameral e estadual unicameral
 Voto aberto e universal masculino para os maiores de
21 anos alfabetizados
 Fim do voto censitário
 Separação Igreja e Estado
 Mandato de 4 anos para presidente
3. A República das Oligarquias
   Enquanto o Exército esmagava os focos de
descontentamento armado, os grupos oligárquicos,
principalmente o cafeeiro, preparavam-se para assumir
o controle da República.
   No processo sucessório à presidência, o grupo mais
beneficiado foi o paulista, que apoiou Floriano e, nas
eleições de 01/03/1894, elegeu Prudente de Morais,
ligado ao PRP. A partir desse momento, o poder político
passou a ser controlado pelas elites agrárias,
notadamente de MG e SP, no período que ficou
conhecido como República Oligárquica.
3.1 Mecanismos de sustentação
política
   Para garantissem-se no poder, as elites rurais criaram
três instrumentos: a política dos governadores, a política
do café com leite e a Comissão de Verificação de Poderes.
   Constituída no governo de Campos Sales (1898-1902),
a política dos governadores consistia em um acordo
firmado entre o presidente da República e os presidentes
de estado (governadores), para que estes apoiassem
candidatos ao congresso – senadores e deputados – fiéis
ao governo federal. Em troca, o Executivo não interferiria
nas eleições estaduais, garantindo a permanência dos
mesmos grupos no poder.
Para viabilizar a política dos governadores, o governo
federal criou a Comissão Verificadora de Poderes.
Composta por 5 parlamentares, essa Comissão ganhou o
direito de diplomar os candidatos que interessavam ao
governo federal e “degolar” os opositores, ou seja,
impedir que eles tomassem posse. Para isso, dizia-se que
candidatos haviam cometido irregularidades durante a
campanha eleitoral, algo corriqueiro em um período em
que fraudes e outras ilegalidades definiam as eleições em
todos os níveis. Apenas os deputados e senadores
coniventes com a política federal eram legitimados para
assumir cargos públicos. Desse modo, o Executivo podia
contar com um Congresso, sempre disposto a aprovar os
projetos do governo.
A consolidação do compromisso entre o governo
federal e os presidentes de estado facilitou o predomínio
político dos dois estados mais fortes da época: MG e SP.
Além de economicamente dominantes, eles garantiam o
maior número de cadeiras no Congresso Nacional. A
chamada política do café com leite consistiu na
alternância de paulistas e mineiros na presidência da
República durante toda a Primeira República.
O Coronelismo
   O coronelismo é um dos elementos fundamentais para se
compreender o funcionamento da República das Oligarquias.
O título de coronel surgiu no período regencial. Era
normalmente concedido aos grandes fazendeiros que
patrocinavam a Guarda Nacional, responsável pela
manutenção da ordem interna do país, reprimindo as revoltas
sociais.
   Com a proclamação da República e o fim da Guarda
Nacional, os coronéis mantiveram o prestígio e o respeito
desde então. Esses indivíduos cultivavam a prática política
da troca de favores e dessa mantinham sob sua ‘proteção’ uma
série de afilhados em troca de obediência.
Os coronéis exerciam sua influência política na vizinhança
de suas propriedades rurais – áreas consideradas como
currais eleitorais. No período de eleição, os dependentes do
coronel votavam nos candidatos apoiados por ele, em uma
prática que ficou conhecida como voto de cabresto. Essa
indução de escolha era facilitada pelo sistema eleitoral em
vigor, no qual o voto era aberto. Para votar, o cidadão dirigia-
se à mesa eleitoral, escrevia o nome do candidato e assinava
ao lado. Como era fácil saber em quem o eleitor tinha votado,
o coronel podia pressioná-lo. Esse sistema, que favorecia a
fraude eleitoral, garantindo a perpetuação das oligarquias
rurais no poder.
O coronelismo facilitou a corrupção e o uso de cargos
públicos para conquistar privilégios privados. Essas são
práticas que continuam presentes no Brasil e em vários países
do mundo na atualidade.
Voto de Cabresto
3.1 A primazia do setor primário
   Durante a Primeira República, o estímulo às
atividades agroexportadoras esteve entre as prioridades
do governo federal. O café , o “ouro verde”, representou o
principal produto de exportação. No início do século XX,
o café já havia se expandindo para diversas áreas de
cultivo além de São Paulo, como por exemplo, Minas
Gerais.
   A cultura cafeeira beneficiou-se da abertura de linhas
de crédito, dos preços favoráveis no mercado
internacional e do grande contingente de imigrantes
europeus, empregados como mão de obra nos cafezais.
A maioria dos imigrantes utilizados nas fazendas de
café provinha de regiões rurais do continente. Eles
entraram no país durante o fim do século XIX e início do
XX e contribuíram para aumentar o número da
população brasileira. Nesse período, o Brasil recebeu
grande quantidade de italianos, espanhóis, portugueses,
entre outros, que foram trabalhar nos cafezais de SP, MG
e RJ. Com o passar dos anos, muitos dos imigrantes
abandonaram os cafezais e seguiram em direção às
cidades, em busca de melhores condição de vida e
trabalho.
Já no início do século XX, entre 1901 e 1909, a lavoura
cafeeira enfrentou momentos de crise provenientes da
superprodução, responsável pela queda nos preços e
pelos gastos com o armazenamento do produto. Por isso,
os governos estaduais decidiram interferir no mercado e
garantir um preço mínimo para o café.
   Para evitar prejuízos aos cafeicultores, o governo
federal firmou em 1906, na cidade paulista de Taubaté,
um acordo com os presidentes de estado de SP, MG e RJ.
O Convênio de Taubaté determinou que os governos
dos três estados comprariam a safra prevista de café por
um preço fixado com antecedência, de maneira que
evitasse a desvalorização;
que seriam solicitados empréstimos no exterior para os
governos estaduais, a fim de que estes pudessem adquirir
o produto; e que os estoques seriam armazenados e
fornecidos mais tarde ao mercado de acorde com a
procura.
   Com esse mecanismo, ao cofres públicos seriam
onerados, uma vez que os estados teriam de contrair
dívidas no exterior para a compra das safras, e os gastos
seriam repassados ao povo por meio do aumento dos
impostos.
   Além do café, o Brasil exportava em grande
quantidade borracha, cacau e cana-de-açúcar. Desde os
tempos do império, o látex era extraído de seringueiras
espalhadas pela floresta amazônica.
Porém, no início do século XX, o crescimento da
indústria automobilística favoreceu e bom preço da
borracha no mercado externo e, com isso, levou ao
aumento ao aumento do extrativismo, especialmente
entre 1905 e 1913. Mas, a partir desse ano, a produção
brasileira entrou em declínio por causa da concorrência
da produção dos seringais cultivados na Ásia pelos
ingleses.
  Também originário da Amazônia, utilizando
principalmente pela industria do chocolate, o cacau
ocupou igualmente posição de destaque na pauta de
exportações. Aclimatado no sul da Bahia, no final do
império a região tornou-se a principal produtora do
país.
Incorporada à economia desde os tempos coloniais, a
cana-de-açúcar teve alguns momentos de expansão
durante a República Oligárquica, principalmente nos
anos 1920. Entretanto, o uso de açúcar de beterraba na
Europa determinou a queda nas exportações e nos
preços do produto, direcionando a produção para o
mercado interno.
3.4 O desenvolvimento industrial
   Em decorrência da própria estrutura econômica do
país, predominantemente agrícola desde os tempos
coloniais, nas quatro décadas da Primeira República a
indústria brasileira esteve relegada ao segundo plano.
   Entretanto, a concentração de capitais acabou
contribuindo para a expansão da atividade industrial em
algumas cidades (São Paulo e Rio de Janeiro) e regiões
brasileiras (RS, PE, MG, PR, BA e SC). Foram
basicamente iniciativas localizadas, por vezes
complementares à agricultura, que não representaram
uma industrialização efetiva.
O dinheiro necessário às instalações industriais
provinha de investidores brasileiros, principalmente
cafeicultores, imigrantes enriquecidos e do capital
financeiro internacional. À medida que aumentava o
número de empresas, cresciam o mercado de trabalho, a
população urbana, o comércio e a prestação de serviços.
   A maior concentração de estabelecimentos industriais
ocorreu no RJ e em SP. Pode-se afirmar que, em SP, o
capital industrial nasceu do capital cafeeiro: as crises
periódicas de superprodução de café abriram caminho
para o deslocamento de capitais para novas áreas de
investimentos, entre elas o setor industrial. Foi o caso da
indústria têxtil, que se originou, em grande parte, do
comércio de tecidos.
Mulheres e crianças formavam um segmento
importante da mão de obra empregada nas fábricas e em
geral recebiam salários mais baixos para tarefas similares
àquelas exercidas pelos homens adultos.
   As condições de trabalho eram rigorosas, às vezes
brutais: a jornada variava entre 10 e 12 horas diárias e os
operários constantemente eram punidos multas ou
agressões físicas. Não havia legislação trabalhista que
garantisse ao assalariado descanso semanal, férias ou
remunerações.
   O tamanho das fábricas variava: desde pequenas
oficinas até indústrias que reuniam centenas de
operários.
Os investimentos concentravam-se em indústrias
leves de bens de consumo – setores têxtil, de alimento,
bebidas, calçados, chapéus e fumo – que tinham custos
iniciais relativamente pequenos e não demandavam
tecnologia sofisticada.
   Durante a 1ª Guerra Mundial, a necessidade de
substituir importações acabou ampliando a variedade de
itens produzidos, tais como cimento, ferro, aço, e papel.
Nos anos 1920, algumas empresas estrangeiras chegaram
a finalizar no Brasil produtos químicos e farmacêuticos;
outras se estabeleceram nos ramos de carnes congeladas
e de mineração.
3.5 A modernização nas cidades
   Entre o fim do século XIX e início do século XX,
cidades brasileiras como Rio e São Paulo passaram por
um processo de modernização, inspirado no que ocorreu
em Paris entre 1853 e 1870. A capital francesa urbanizada
servia de modelo para outras cidades do mundo, com
seus bulevares, ruas largas repletas de cafés e butiques.
O contraste entre o cenário luxuoso de Paris e as vielas
estreitas, sujas, sem saneamento e iluminação do Rio de
Janeiro era evidente.
Apesar disso, homens de negócios, grandes
proprietários, altos funcionários e políticos influentes,
acompanhados de suas famílias, exibiam hábitos e moda
europeus. Essa atitude, que vinha desde os últimos anos
do império, acentuou-se durante a fase republicana.
   Graças ao esforço modernizador empreendido pelos
governos, verificamos a criação de novos bairros, a
expansão de serviços de esgotos, água canalizada e
transporte coletivo nas principais cidades do Brasil. Em
MG, um projeto urbanístico gestado por engenheiros deu
origem a Belo Horizonte.
   No centro do Rio, áreas ocupadas desordenadamente
foram desapropriadas e as habitações coletivas
demolidas para dar espaço às novas avenidas e aos
estabelecimentos.
Havia um esforço para eliminar tudo o que
representasse entrave ao progresso e fugisse dos padrões
de beleza e higiene.
   Alguns dos indivíduos desalojados durante as
reformas foram abrigar-se nas recentes vilas operárias,
nos subúrbios da cidade. Outros se transferiram para as
encostas dos morros e beira dos rios, em locais
desvalorizados. Os antigos e decadentes casebres deram
lugar a imponentes edificações e a ruas mais largas,
propícias para a circulação dos bondes elétricos, de finais
do século XX, e para o incipiente fluxo de automóveis,
introduzidos no início do século XX nas grandes cidades
brasileiras.
Ainda no Rio, em 1904, surgiu a Avenida Central
(atual Avenida Rio Branco), planejada para dar maior
acessibilidade ao porto da cidade. Em São Paulo, foram
feitos grandes projetos arquitetônicos, liderados por
Ramos de Azevedo. Também data dessa época a
ocupação mais efetiva da Avenida Paulista.
   As principais cidades brasileiras, agora reformuladas,
tornaram-se locais de intensa circulação de pessoas,
ideias e mercadorias – estas últimas expostas em
profusão nas vitrines das lojas. Os artigos de luxo,
considerados da “última moda”, chegavam da Europa nos
portos do Rio e de São Paulo e impulsionavam as vendas.
Nesse período, eram importados roupas, móveis, livros,
objetos de decoração etc.
Apesar dos esforços empregados na modernização, as
grandes cidades da Primeira República enfrentavam
problemas com a criminalidade e com a inundações. As
enchentes preocupavam os moradores,               como
denunciava Lima Barreto, falando sobre o Rio de Janeiro
em 1915.
As enchentes no Rio de Janeiro
   “As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no
nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da
suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção
das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas
inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas
perdas de haveres e destruição de imóveis.
   De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter
compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. [...]
   O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares [praças], dos
freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais
ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está
acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma
vergonha! [...]
O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo
embelezamento da cidade, descurou completamente de
solucionar esse defeito do nosso Rio.
   Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que
recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o
seu principal defeito a vencer era esse acidente das
inundações.
   Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os
aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de
essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica,
financeira e social.”

        BARRETO, Lima. Vida urbana. P. 18. Versão digitalizada do site Domínio
   Público. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 28 nov. 2009.
3.6 A imprensa na Primeira
República
  Desde os tempos da colônia, existiam pequenos
diários que circulavam pelo território da América
portuguesa. Mas foi somente após a criação da Imprensa
Régia, durante a presença da Corte portuguesa no Brasil,
que houve acréscimo na produção gráfica, com o
aparecimento de jornais de publicação mais regular.
  Em fins do século XIX, já no império, a imprensa
aperfeiçoou-se: houve melhorias nas técnicas de
produção e impressão e aumento nas tiragens de
exemplares.
Nesse mesmo período, jornais como o Estado de S.
Paulo (cujo nome original até 18/11/1889 era Província de
São Paulo) e outros faziam severas críticas ao governo
imperial e contribuíram para a divulgação dos ideais
republicanos no país.
  Após a proclamação da República, em 1889, parte da
imprensa ajudou a criar entre os brasileiros uma imagem
positiva do regime, associando-se à modernidade e ao
progresso.
  Acompanhando o processo de melhorias nas oficinas
gráficas, surgiu também maior número de revistas de
cunho literário, político, satírico e as que traziam
variedades. A Kosmos, lançada em 1904 no RJ, por
exemplo, era produzida em papel especial e tinha projeto
gráfico elaborado.
4. Os movimentos sociais na
República das Oligarquias
   Durante o período que compreende a República
Oligárquica ocorreu uma série de movimentos sociais
que refletia a frustração da sociedade com política
implementada pelas elites brasileiras. Por meio deles,
camponeses,      operários,    marinheiros e pobres
expressavam      suas    reivindicações,    normalmente
associadas às precárias condições de vida e de trabalho.
   Os movimentos populares da Primeira República
revelavam, também, o enorme descaso do governo
diante das necessidades básicas dos setores menos
favorecidos da população.
4.1 Movimentos rurais
   Nas três primeiras décadas da República, o Brasil era
um país tipicamente agrário. Calcula-se que cerca de
70% da população habitava o campo nesse período.
Homens, mulheres e crianças viviam em condições de
miséria e sofrimento, vinculados às atividades agrícolas.
A maioria dos produtores rurais não era proprietária das
terras em que trabalhava e não tinha acesso à assistência
médica e à educação. Esse cenário desfavorável
contribuiu de forma significativa para a origem das
agitações sociais que ocorreram na zona rural durante a
Primeira República.
Para o historiador Boris Fausto, esses movimentos
podem divididos em três grandes grupos: “os que
combinaram conteúdo religioso com carência social; os
que combinaram conteúdo religioso com reivindicação
social; os que expressaram reivindicações sociais sem
conteúdo religioso”.
Guerra do Canudos (1893-1897)
   O movimento de Canudos ocorreu em 1893, no interior da
Bahia, em um arraial fundado pelo beato Antônio Vicente
Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro.
   Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 1830,
Conselheiro foi comerciante, caixeiro e escrivão. Abandonado
pela esposa, decidiu sair pelo sertão como pregador. Em
meados de 1874, já caminhava pelo interior acompanhado de
alguns fiéis e nos dez anos seguintes percorreu os sertões do
Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia construindo e
reformando capelas, igrejas e cemitérios.
Criticado pela Igreja, Conselheiro e seus seguidores
fixaram-se numa fazenda abandonada, próxima ao Rio
Vaza-Barris, interior da Bahia. Nesse lugar, conhecido
com Canudos, fundaram o arraial de Belo Monte.
   Formado por casas construídas em regime de mutirão,
dividindo os frutos do trabalho na terra e amparando os
idosos e doentes, o povoado atraiu muita gente. A
população do núcleo chegou a atingir 30 mil pessoas.
Marcada por forte misticismo, essa gente acreditava que
Conselheiro era um enviado divino que traria a paz, a
fartura e a felicidade.
Além da agricultura, o povoado dedicava-se ao
artesanato e criava animais, que complementavam a
alimentação e forneciam couro, utilizado como matéria-
prima. O excedente da produção era vendido nos
municípios vizinhos. No arraial havia duas escolas, lojas,
oficinas e diversas moradias. A administração era da
competência de Conselheiro e de doze chefes, que
cuidavam das finanças, das construções, dos registros de
nascimento, entre outras atividades. Não havia polícia
nem impostos.
Aos olhos dos fazendeiros, do governo e do clero, a
comunidade de Canudos era um péssimo exemplo. Os
fazendeiros temiam perder a mão de obra, o governo não
aceitava a autonomia de Canudos e a Igreja ressentia-se
da liderança espiritual de Conselheiro.
   Quatro expedições foram organizadas pelo governo
estadual e federal e enviadas à região para prender
Antônio Conselheiro e acabar com a comunidade de
Canudos entre 1896 e 1897. As três primeiras falharam
em seus objetivos. Os sertanejos mostravam grande
coragem e habilidade militar, fustigando as tropas com
ataques inesperados.
A repercussão da terceira derrota foi enorme, e não
tardou para que a imprensa e políticos atribuíssem a
Conselheiro a intenção de restaurar o império. Foi nesse
clima de franca hostilidade que o governo federal
resolveu destruir o arraial. Para isso, organizou nova
expedição, comandada pelo general Artur Oscar de
Andrade Guimarães. Cerca de 7 mil soldados com 18
canhões investiram contra Canudos. Os combates
iniciaram-se em junho, e em agosto chegou à região o
ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, à
frente de mais 3 mil soldados.
Em outubro, quando ocorreu a ofensiva final contra
Canudos, praticamente toda a população local já havia
sido exterminada. Os poucos sobreviventes foram feitos
prisioneiros.
   A Guerra de Canudos foi relatada pelo engenheiro e
escritos Euclides da Cunha, enviado em 1897 pelo jornal
O Estado de S. Paulo para cobrir os acontecimentos na
região. Dessa experiência, surgiu a obra Os sertões.
A Guerra do Contestado (1912-
1916)
   Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e a
fronteira da Argentina, a região do Contestado era
disputada por Santa Catarina e Paraná por causa da rica
floresta existente e da extensa plantação de erva-mate. A
área atraiu grandes companhias, que expulsavam os
posseiros locais.
   A situação agravou-se com a construção de um trecho
da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.
No final da obra, grande parte dos trabalhadores
contratados tinha o projeto de permanecer na região.
Contudo, os especuladores e as grandes companhias
madeireiras exigiram a saída imediata deles, impedindo-
os de ocupar os trechos próximos à ferrovia.
   A multiplicação do número de trabalhadores sem-
terra criou um clima propício a agitações e conflitos. Foi
nesse contexto que surgiu Miguel Lucena Boaventura,
ex-soldado do Exército que se fazia chamar de “monge”
José Maria.
Beato e curandeiro, o “monge” ajudava os caboclos e
pregava uma sociedade igualitária. Seu propósito era
resistir aos que pretendiam expulsar a população que
seguiu o líder confiante na promessa de justiça divina.
   Os primeiros choques armados ocorreram em 1912. De
um lado, a milícia da Monarquia Celeste, cujos
integrantes raspavam o cabelo e ficaram conhecidos
como “pelados”; do outro, os “peludos”, que eram
jagunços contratados pelas empresas, policiais e
soldados do Exército.
Apesar de inferiorizada em armas e equipamentos, a
irmandade cabocla resistiu até 1915, quando o general
Setembrino de Carvalho, à frente de 7 mil soldados e
com o apoio da artilharia e da aviação, forçou os
sobreviventes a renderem-se.
  A Guerra dos Pelados estendeu-se por mais de 250 mil
quilômetros quadrados e matou cerca de 6 mil pessoas.
O cangaço
   O movimento conhecido como cangaço teve início no
final do século XIX, estendendo-se até meados da década
de 1940. Os cangaceiros integravam grupos armados
violentos, que sobreviviam por meio de saques e
pilhagens. Em geram, homens e mulheres do sertão
aderiam ao cangaço para fugir da miséria ou para vingar-
se de alguém poderoso.
Os primeiros bandos de cangaceiros atuavam
vinculados às ordens de um coronel, na defesa constante
ou esporádica de seus interesses. Esses jagunços agiram
muitas vezes em conflitos que envolviam brigas entre
famílias e rivalidades entre oligarquias locais.
   No final do século XIX, formaram-se bandos de
cangaceiros independentes, que não se subordinavam a
nenhum chefe local.
   Dentre estes últimos, o mais conhecido é Virgulino
Ferreira da Silva, o Lampião, personagem de aventuras
cantadas nos versos de literatura de cordel. Lampião
assumiu a liderança do seu grupo em 1922.
Alguns escritores afirmam ter sido Lampião uma
espécie de Robin Hood da caatinga, alguém que atacava
e roubava os fazendeiros em nome dos pobres.
Entretanto, outros pesquisadores do cangaço não
compartilham dessa opinião.
  Os bandos de cangaceiros eram perseguidos pelas
“patrulhas volantes” das polícias estaduais, mas
conseguiam esgueirar-se pela caatinga. Essa forças
policiais agiam com tanta brutalidade quanto os
cangaceiros, e no meio dessa luta as maiores vítimas
eram os sertanejos.
Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros
morreram numa emboscada em 1938. O cangaço perdeu
força na década seguinte, quando o governo federal
organizou melhor a repressão e as indústrias do Sudeste
absorveram mão de obra nordestina. Ao criar novas
oportunidades de trabalho, as fábricas atraíram
sertanejos que deixaram de ver no cangaço um meio de
sobrevivência.
4.2 Movimentos urbanos
  A aceleração do desenvolvimento industrial foi
acompanhada pelo processo de crescimento das cidades,
principalmente no Sul e Sudeste. A população carioca
quase triplicou entre 1900 e 1920, chegando a mais de 1,4
milhão de habitantes. São Paulo passou de 40 mil para
889 mil e Porto Alegre de 74 mil para 256 mil habitantes
no mesmo período. Belém, Recife e Salvador também
apresentaram crescimento expressivo.
As cidades brasileiras possuíam uma composição
social bastante diversificada, com operários, burguesia
industrial, mercantil e financeira, camadas médias
(professores, médicos, advogados, engenheiros),
funcionários públicos, intelectuais, setores populares e
segmentos marginalizados, como os moradores de rua.
   A modernização difundida entre o fim do século XIX e
início do século XX nos grandes centros urbanos não
contemplou todas as regiões e camadas sociais da mesma
maneira.
Ao contrário, muitos indivíduos pobres viram-se
desajolados de suas habitações, pressionados pelo
desemprego, pelas péssimas condições de vida e pelos
baixos salários. Foi nesse contexto que parte da
população urbana menos privilegiada demonstrou sua
insatisfação por meio dos movimentos sociais que
ocorreram durante a Primeira República.
A Revolta da Vacina (1904)
   Durante o governo de Rodrigues Alves (1902-1906), o
saneamento e a modernização do Rio de Janeiro
tornaram-se prioridades. Nessa época, os serviços
públicos urbanos eram muitos precários. A falta de
tratamento de água e esgoto, principalmente nos
arredores das cidades e nos cortiços, agrava a falta de
higiene. Tais condições contribuíram para a
disseminação de doenças e epidemias – sarampo, febre
tifoide, tuberculose, varíola – que vitimavam milhares de
pessoas.
As benfeitorias eram necessárias até mesmo para
melhorar a imagem da capital federal no exterior. Para
efetivá-las, o presidente recorreu a empréstimos
estrangeiros.
   O prefeito do Rio, Pereira Passos, mandou derrubar
casebres e cortiços para abrir avenidas, expulsando parte
da população, que se mudou para os morros. Praças,
cemitérios e canais de drenagem foram reformados,
proibiu-se a circulação de mendigos e animais e foram
instituídas visitas domiciliares de agentes sanitaristas
para remover tudo que fosse considerado prejudicial à
higiene. A população se revoltava com as vistorias nas
casas feitas sem nenhum esclarecimento.
O combate as epidemias foi entregue ao médico
sanitarista Oswaldo Cruz, que passou a implementar
uma série de medidas de higiene pública com o objetivo
de combater a febre amarela, a peste bubônica e a
varíola.
  No Congresso e na imprensa surgiram manifestações
contrárias ao “despotismo sanitário” de Oswaldo Cruz.
Em 1904, a aprovação do projeto de vacinação
obrigatória contra a varíola para os brasileiros com mais
de seis meses de idade acendeu o estopim da revolta
popular, que culminou em novembro com a Revolta da
Vacina.
Durante mais de uma semana a população enfrentou a
polícia nas ruas, organizando barricadas, lutas corporais
e quebradeiras. Depois de retomar o controle da
cidade, o governo prendeu mais de mil pessoas e as
deportou para o território do Acre.
A Revolta da Chibata (1910)
   No início do século XX, os marinheiros de baixa
patente levavam uma vida de parcos salários, exaustiva
jornada de trabalho e castigos corporais por
desobediência ao regulamento da Marinha – uma
penalidade abolida desde a proclamação da República,
mas que, na prática, continuava a vigorar na frota de
guerra brasileira.
   Os marinheiros eram na maioria negros e mestiços,
geralmente recrutados à força e pressionados pela
famílias a ingressar nas Forças Armadas.
Em 1910, os marinheiros dos encouraçados Minas
Gerais e São Paulo revoltaram-se no Rio de Janeiro,
chefiados pelo gaúcho João Cândido Felisberto,
apelidado Almirante Negro, e reivindicavam o fim dos
castigos corporais, folgas semanais e melhores salários.
Os rebeldes enviaram um telegrama ao presidente da
República, Hermes da Fonseca (1910-1914), comunicando
a decisão de bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso
não fossem atendidas suas solicitações.
   A revolta recebeu o apoio de deputados de oposição,
que pressionaram o governo federal a ceder às exigências
dos marinheiros. O Congresso votou o fim dos castigos
corporais na Marinha e anistiou os participantes da
revolta.
Entretanto, o decreto de anistia foi descumprido e o
governo passou a perseguir e prender os marujos. Uma
suposta revolta também integrada por marinheiros na
Ilha das Cobras foi o fato culminante para a perseguição
e prisão dos rebeldes.
   O governo ordenou que o Exército atacasse a ilha e
derrotasse seus opositores. Os poucos sobreviventes
foram deportados para a Amazônia, para trabalhos
forçados nos seringais. O Almirante Negro foi julgado
em 1912 e inocentado.
Charge      de      Loureiro
publicada em O Malho,
1910.
Revolta da Chibata: diante
da ameaça de bombardeio
do Rio de Janeiro, o governo
concedeu      anistia    aos
revoltosos, mas retrocedeu
posteriormente.
4.3 O movimento operário
   A Constituição de 1891 pouco se preocupava com
questões sociais. Por isso, as relações de trabalho nas
cidades eram definidas pela emergente burguesia
industrial, mercantil e financeira. O operariado
brasileiro foi formado basicamente pelos imigrantes,
somados a trabalhadores provenientes de regiões mais
pobres do Brasil.
Num primeiro momento, surgiram as ligas operárias e
as sociedades de resistência. De modo geral,
reivindicavam melhores salários, menor jornada de
trabalho, assistência ao trabalhador doente ou
acidentado e regulamentação do trabalho feminino e
infantil. Logo em seguida começaram a ser organizados
sindicatos, primeiro por ofício e depois por uma mesma
atividade econômica, que atuaram por meio de greves e
manifestações        de     caráter      acentuadamente
reivindicatório. À frente dessas mobilizações, militantes
anarquistas e socialistas desenvolviam um importante
trabalho de conscientização política.
4.4 As influências do anarquismo e
do socialismo
   O PSB foi fundado em 1902 com um programa
marxista. Nas suas lutas no Brasil, os socialistas daquela
época enfatizaram problemas econômicos e a
necessidade de mudanças sociais.
   O anarquismo foi a mais importante corrente
organizatória do movimento operário no início da
República. Propunha mudanças na estrutura da
sociedade para substituir o Estado burguês por uma
forma de cooperação entre indivíduos livres.
Além de criarem ligas de resistência e sindicatos, os
militantes anarquistas organizaram greves que visavam
reivindicações imediatas e o fortalecimento da
solidariedade entre os trabalhadores. Também fizeram
da imprensa operária um meio eficaz de difusão e
propaganda. Dentre os periódicos anarquistas,
destacaram-se: A Lanterna (1873), La Battaglia,
publicado de 1904 a 1912, e La Barricata (1904-1919). Os
socialistas, por sua vez, publicaram entre 1900 e 1915 o
semanário Avanti (mais tarde Avante), que chegou a
circular diariamente.
4.5 As greves
   As mobilizações e greves operárias durante a
República Oligárquica giraram em torno de
reivindicações salariais, melhores condições de trabalho,
reconhecimento dos direitos trabalhistas e sindicais e
uma legislação previdenciária. Elas representaram o
principal instrumento de resistência dos trabalhadores
desde o início do regime republicano até
aproximadamente os anos 1920.
A maior mobilização do proletariado brasileiro no
período viria com a Greve Geral de julho de 1917, iniciada
na cidade de São Paulo e com repercussões no restante
do país. Dela participaram operários da indústria têxtil e
alimentícia, gráficos e ferroviários. Em São Paulo os
grevistas entraram em choque com forças policiais, e
deste confronto resultou a morte de um operário, cujo
enterro paralisou a cidade.
   O movimento terminou com um acordo de aumento
salarial e a promessa do atendimento de outras
reivindicações dos trabalhadores. As paralisações de
inspiração anarquista estenderam-se até 1919, em São
Paulo e em outros estados.
Durante os anos 1920, ocorreram greves em reação às
péssimas condições de trabalho, aos salários baixos e ao
custo de vida elevado. Algumas categorias obtiveram
conquistas, mas o país continuou sem ter uma legislação
trabalhista até 1943, quando foi promulgada a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
4.6 Surgem os comunistas
   Poucos meses depois da greve de 1917, mobilizações de
maior impacto derrubaram a ordem burguesa na Rússia
e levaram os operários ao poder. Nos anos seguintes, a
influência da Revolução Russa estendeu-se ao
movimento operário internacional. Vários grupos
passaram a se mobilizar no intuito de formar um partido
semelhante ao Partido Bolchevique, que liderou a
revolução socialista na Rússia. Em 1921 já existiam
grupos comunistas nas cidades do Rio, Recife, Juiz de
Fora, São Paulo e Santos. Em 1922, foi fundado o PCB,
que se constituiu posteriormente, numa organização de
âmbito nacional
5. O tenentismo
6. A crise dos anos 1920
7. A semana de Arte Moderna
7.1 Os herdeiros da Semana de
Arte Moderna
3º Resumo
1. República Oligárquica (1894-1930)
Resumo Geral
Lembre-se!
• Um golpe militar derrubou a Monarquia e estabeleceu no
Brasil o regime republicano, em 15 de novembro de 1889.
Apesar da mudança da forma de governo, o poder
permaneceu nas mãos das elites brasileiras, garantindo a
manutenção da desigualdade social.
• Durante o fim do século XIX e início do século XX, os
centros urbanos brasileiros passaram por um processo de
modernização que transformou o cenário de cidades com Rio
e São Paulo, mas as melhorias realizadas não beneficiaram
grande parte da população.
• A Primeira República (1889-1930) foi uma época de
intensos movimentos sociais que revelavam a indignação
popular perante as políticas públicas adotadas pelos
governantes, mas também foi um período de grande
efervescência cultural, representada pela Semana de Arte
Moderna de 1822.
QUESTÕES
(PARTE 1)
1. (UFGO)
I. A suspensão dos alvarás que proibiam as manufaturas no
Brasil permitiu que o país tivesse um considerável
desenvolvimento industrial.
II. A pequena dimensão do mercado interno brasileiro e o
baixo poder aquisitivo da população foram fatores que
tolheram o desenvolvimento industrial brasileiro.
III. O grande momento no processo industrial brasileiro foi a
II Guerra Mundial, quando se instaurou um sistema que
significava mudança na estrutura da economia,
principalmente em seu aspecto qualitativo.

a) I, II e III são corretas
b) I, II e III são incorretas
c) I e II são corretas
d) I e III são corretas
e) II e III são corretas
2. (MACK)
I. As facções liberal e realista da época da independência
brasileira conciliaram suas divergências para organizar e
manter a unidade política do país.
II. Segundo alguns historiadores, Deodoro e Floriano
desempenharam papel de simples substitutos do Poder
Moderador, na mesma tradição centralizadora do Império,
sem alterar as estruturas do país.
III. Os ressentimentos dos oficiais com a chamada Questão
Militar, de 1884 – 1885, foram capitalizados em prol da causa
republicana.

a) I, II e III são corretas
b) I, II e III são incorretas
c) I e II são corretas
d) I e III são corretas
e) II e III são corretas
3.(UnB)
I. A principal característica da economia brasileira, segundo
Celso Furtado, na primeira metade do século XX, é a
emergência de um sistema cujo principal centro dinâmico é o
mercado interno.
II. Ao desenvolvimento industrial brasileiro que sucede à
prosperidade cafeeira, corresponde uma acentuada
concentração regional de renda.
III. A integração do Nordeste à economia industrializada
obedece a um planejamento prioritário que se iniciou no
governo Vargas.

a) I, II e III são corretas
b) I, II e III são incorretas
c) I e II são corretas
d) I e III são corretas
e) II e III são corretas
4. (PUCC)
I. A crescente procura de áreas favoráveis ao cultivo do
café contribuiu para o povoamento da costa paulistana,
em princípios do século XX.
II. O excesso de produção cafeeira agravou os problemas
financeiros da República Velha.
III. A decadência do café nas regiões do Vale do Paraíba
se iniciou a partir da queda da Bolsa em 1929.

a) I, II e III são corretas
b) I, II e III são incorretas
c) I e II são corretas
d) I e III são corretas
e) II e III são corretas
5. (FUVEST)
I. O debate sucessório de 1910 se caracterizou pela reação às
“candidaturas oficiais”.
II. As dissensões entre os grupos militares e oligarquia
tradicional, que apoiaram a candidatura Hermes da Fonseca,
culminaram na intranquilidade política que caracterizou seu
quadriênio.
III. O grupo mineiro do “Jardim da Infância” representou, no
governo Afonso Pena, a reação ao “Bloco” de Pinheiro
Machado.

a) I, II e III são corretas
b) I, II e III são incorretas
c) I e II são corretas
d) I e III são corretas
e) II e III são corretas
6. (PUC) A Rebelião de Canudos foi fruto:
a) Do fanatismo religioso de populares sem condições
econômicas de subsistência;
b) Do desejo de restaurar a monarquia portuguesa no
Brasil;
c) Da conspiração de grupos conservadores;
d) Da organização de grupos de jagunços no sertão;
e) N.D.A
7. (FMU) Rui Barbosa teve atuação destacada como
ministro da Fazenda do Governo Provisório. Entre as
medidas que implantou salienta-se:
a) Ampliação do crédito à lavoura, com indenização aos
donos de escravos, em conseqüência da abolição;
b) Reforma do sistema de crédito, com incentivo ao setor
industrial;
c) Política tarifária, estimulando a importação de bens
de consumo interno;
d) Organização da legislação de sociedades anônimas,
visando atrair investimentos estrangeiros no setor
industrial.
8. (PUC) A base da economia brasileira durante a
Primeira República foi o café e isto se deveu:
a) À mudança de regime político, à liberdade de ação
dada aos proprietários pela Constituição e aos
assalariados italianos;
b) Ao incentivo dado aos plantadores de café, á aceitação
do nosso produto pela Inglaterra e à libertação dos
escravos;
c) À decadência da industrialização, à Guerra de
Secessão dos Estados Unidos e à decadência da
mineração;
d) À qualidade das terras, ao clima favorável, à imigração
européia e à aceitação do nosso produto no mercado
externo.
e) N.D.A
9. (PUC) O tenentismo constituiu um dos elementos
básicos:
a) Da revolução brasileira de 1930;
b) Da guerra contra Rosas e Oribe;
c) Da guerra do Paraguai;
d) Da Questão Militar do II Reinado;
e) N.D.A
10. (FACULDADES OBJETIVO) A partir da Revolução de
1930, desenvolveu-se definitivamente um novo setor na
economia brasileira:
a) café
b) indústria urbana
c) indústria do açúcar
d) Exportação
e) N.D.A
QUESTÕES
(PARTE 2)
Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam
direitos de cidadania garantidos pela Constituição da época.
As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira
República, foram causadas pela permanência de:
(A) hierarquias sociais herdadas do escravismo
(B) privilégios econômicos mantidos pelo Exército
(C) dissidências políticas relacionadas ao federalismo
(D) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas
QUESTÕES
(PARTE 3)
COMENTÁRIO QUESTÃO ANTERIOR:

O episódio conhecido como Revolta da Chibata
correspondeu a uma sublevação armada de marinheiros.
Descontentes com as condições precárias de trabalho
que então vigoravam na Marinha, os revoltosos exigiram
melhorias, alegando os direitos constitucionais
garantidos pela ordem política republicana. Entre os
problemas enfrentados pelos marinheiros, muitos,
naquele momento, afrodescendentes, destacava-se a
aplicação de castigos físicos, representando, para os
grupos hierarquicamente subalternos, a permanência de
heranças escravistas e a limitação do pleno exercício da
cidadania.
1- Proclamada a República inicia-se um novo período na
História política do Brasil: “A República Velha ou
Primeira República”.
A respeito dos primórdios da República é correto
afirmar. A fase e o primeiro presidente da República
foram respectivamente

a)República Oligárquica e Hermes da Fonseca
b)República da Espada e Deodoro da Fonseca
c)República da Espada e Floriano Peixoto
d)República Oligárquica e Prudente de Morais
e)República da Espada e Campos Sales.
2- A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir
do governo de Campos Salles, caracterizava-se por:

a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse
resultado de um consenso entre os governadores e desta
forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do
Presidente da República e impedir a formação de novas
lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os
governos federal, estadual e municipal para manter os grupos
políticos no poder.
d) tornar os governadores representantes de um federalismo
liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças
políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das
oligarquias locais e promover a renovação dos grupos
políticos e lideranças locais.
3- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o
aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes
potências, pela energia implacável e eficaz de sua política
saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos
movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no
contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a
Revolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. A
revolta da vacina.
De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de
Canudos e o do Contestado foram vistos internacionalmente como
MOVIMENTOS :
a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo
rumo às cidades logo após a abolição.
b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos
populares dificultavam a modernização do país.
c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.
d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para
dar lugar ao trabalho livre e à república.
e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-
americano no Brasil.
4- Os movimentos messiânicos eram mais comuns do Brasil do que
imaginávamos. Além de Canudos, várias revoltas envolvendo
seguidores destes movimentos eclodiram durante a primeira
metade de século passado. Como o Messianismo foi possível?

a)Devido a concentração latifundiária, o estado de miséria dos
camponeses, a prática do coronelismo e a forte religiosidade
popular.
b)Devido unicamente a religiosidade do sertanejo que encontrava
nas práticas do messias um conforto para a vida miserável que
estava submetido.
c)Devido ao grande poder dos líderes messiânicos cujo prestígio era
medido pela quantidade de eleitores que controlasse conseguindo
desta forma se eleger para os cargos políticos.
d)Em virtude do temor que as profecias dos beatos causavam à
população mais pobre, preferindo resignar-se a vida de
peregrinações e orações para salvação da alma.
e)Em razão do clima de insegurança que assolava o campo causado
pelo banditismo obrigando a população mais pobre abrigarem-se
nos movimentos messiânicos para se proteger.
5-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem
que impedia a representatividade política da maioria da população,
principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos
definir o coronelismo como:
a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder
federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos
seus respectivos Estados.
b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder
estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos
utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e
sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na
prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local,
grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os
currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.
e)Sistema de poder político que arregimentava grande número de
seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os
mais pobres a se submeterem ao seu controle.
6- A Primeira República ou República Velha foi um período da
História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do
ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na
prática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quais
podemos caracterizar a Primeira República estão:
I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas
rurais e manipulavam as eleições;
II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o
governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo
grupo político no poder.
III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão
presidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais que
alternavam-se na presidência da República.
IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que
possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da
Primeira República.
V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período,
devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado
efetuado pela Comissão de Verificação.
I, II E III ESTÃO CORRETAS.
7-Embora fossem movimentos ligados a questão agrária e a falta de
justiça no campo Canudos e o Cangaço possuem finalidades
distintas. Em relação a esta diferenciação dos objetivos do Cangaço
e de Canudos podemos afirmar como correto que:
a)O cangaceiro tinha um fim social na sua prática, pois busca a
posse da terra e a justiça social, saqueando e roubando dos ricos
para doar aos pobres. Eram considerados os justiceiros pobres.
b)O cangaceiro não tinha nenhum fim social na sua prática, não
busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta
simplesmente pela sobrevivência praticando a violência.
c)O cangaceiro é um tipo de bandido social que procura aplicar a
justiça contra os desmandos dos poderosos no sertão nordestino.
d)Canudos não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca
a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente
pela sobrevivência praticando o fanatismo religioso.
e)Canudos tinha um fim social, mas não busca a posse da terra
apenas a justiça social mesmo que fosse alcançada por métodos
violentos justificados pelo fanatismo religioso.
8- Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativa
INCORRETA.
A) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro.
B) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça e
a miséria persistente na região.
C) Caracterizou-se como um movimento de caráter
messiânico.
D) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”,
do escritor Euclides da Cunha.
E) Os revoltosos de Canudos receberam apoio
incondicional dos coronéis da região.
9) Os vaqueiros e os peões do interior escutavam o
Conselheiro em silêncio, intrigados, atemorizados,
comovidos... Alguma vez, alguém o interrompia para tirar
uma dúvida. Terminaria o século? Chegaria o mundo ao ano
1900? Ele respondia (...) Em 1896, mil rebanhos correriam da
praia para o sertão e o mar se tornaria sertão e o sertão mar
(...). Mario Vargas Llosa
O carismático Antonio Conselheiro, de que fala o texto
acima, liderou a Revolta de Canudos em 1897. Podemos
apontar como principais fatores da revolta:
a) o crescimento e a modernização da economia nordestina.
b) o apoio incondicional do sertanejo à Monarquia.
c) a impossibilidade de adaptação do sertanejo aos valores
republicanos.
d) o abandono em que vivia o sertanejo, o coronelismo e a
luta pelo acesso à terra.
e) a oposição contra a Igreja Católica, aliada dos
monarquistas.
10) (UFRJ97)- “Canudos ficava num cenário que lembrava as
paisagens descritas na Bíblia: uma região árida repleta de caatingas,
rodeada por cinco serras ásperas e atravessada por um rio, o Vaza-
Barris. Decidido a permanecer naquela autêntica fortaleza natural,
e isso não deve ter escapado à percepção de Conselheiro, ele e seu
grupo entraram em ação para construir uma comunidade onde
estivessem livres do incômodo das autoridades religiosas católicas e
políticas, bem como das leis republicanas, dos "coronéis", dos juízes,
dos impostos, da justiça arbitrária, da política etc”.
(COSTA, Nicola S. Canudos – Ordem e Progresso no Sertão. São
Paulo, Moderna, 1990.)
O movimento de Canudos (1896-97), liderado pelo beato Antônio
Vicente Mendes Maciel, o "Antônio Conselheiro", no sertão
nordestino, é um dos mais conhecidos exemplos de movimentos
místico-populares que marcou o início da República no Brasil. As
problemáticas sociais que deram vida àquele movimento
permanecem, até hoje, em grande parte sem solução.
A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudos
incomodava as “autoridades políticas locais e religiosas”.
QUESTÃO ANTERIOR:
A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado
de Canudos incomodava as "autoridades políticas locais
e religiosas”.

Permitir o acesso a terra e combater a injustiça.
Ao permitir o acesso a terra a experiência de Canudos
acabava na prática com a dependência dos sertanejos aos
favores do coronel destruía o esquema de manutenção
do poder das elites políticas ao reagir em relação a
sujeição da população pobre ao mando dos coronéis
e padres representantes do poder vigente.
QUESTÕES
(PARTE 4)
1) (UFS) - "...o chefe político lhes dava roupa, cachaça e
uma papeleta de voto..." Ao texto pode-se associar, na
evolução política brasileira, o:

a) mercantilismo e a Colônia
b) encilhamento e o Império
c) centralismo e a Regência
d) coronelismo e a República Velha
e) caudilhismo e a República Nova
2) (UNIFENAS) - O objetivo da Coluna Prestes, que na
década de 1920 percorreu milhares de quilômetros pelo
Brasil, era:

a) combater o sistema oligárquico vigente;
b) apoiar a campanha civilista;
c) defender a ordem no governo Artur Bernardes;
d) promover a constitucionalização do País;
e) reagir contra a ditadura quase declarada do governo
Artur Bernardes.
3) (UNESP)-A Semana de Arte Moderna de 1922, que
reuniu em São Paulo escritores e artistas, foi um
movimento:
a) influenciado pelo cinema internacional e pelas idéias
propagadas nas Universidades de São Paulo e do Rio de
Janeiro
b) de renovação das formas de expressão com a
introdução de modelos norte-americanos;
c) de contestação aos velhos padrões estéticos, as
estruturas mentais tradicionais e um esforço de repensar
a realidade brasileira;
d) desencadeado pelos regionalismos nordestinos e
gaúcho, que defendiam os valores tradicionais;
e) de defesa do realismo e do naturalismo contra as
velhas tendências românticas.
4) (FATEC) - O episódio de Canudos foi:
a) o resultado da introdução de tecnologia moderna e de
forma capitalista no Nordeste, alterando sua tradicional
estrutura latifundiária. Daí o caráter monarquista do
movimento de Antônio Conselheiro;
b) um incidente diplomático em que se envolveram o Brasil e
a Argentina, devido à disputa fronteiriça de Canudos;
c) a revolta militar contra o governo de Prudente de Morais,
ocorrida no Estado de São Paulo, em 1901, liderada por
Antônio Conselheiro;
d) o escândalo financeiro provocado pelo ministro
Bernardino de Campos, durante a presidência de Prudente de
Morais;
e) a revolta ocorrida no sertão da Bahia, nos últimos anos do
século XIX, em que os sertanejos, sob a liderança de Antônio
Conselheiro, resistiram durante meses a várias expedições
militares enviadas pelos governos estadual e federal;
5) (MACKENZIE) - Governadores de São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro reuniram-se no Convênio de Taubaté, em
1906, tendo em vista:
a) impedir qualquer intervenção do Estado na economia
cafeeira;
b) criar mecanismos que evitassem a queda do café, através
da compra de estoques excedentes pelo governo com
empréstimos externos;
c) evitar novos cultivos, reduzir financiamento, visando
ajustar oferta e procura sem intervenção do governo;
d) atuar no mercado externo, reduzindo a concorrência de
outros países produtores de café e expandindo o mercado
interno;
e) defender uma política agrícola voltada para a policultura,
rompendo com a dependência em relação ao café, nosso
produto chave na balança de pagamentos.
6) (FUVEST) -Caracteriza o processo eleitoral durante a
primeira República, em contraste com o vigente no
Segundo Reinado:
a) a ausência de fraudes, com a instituição do voto
secreto e a criação do Tribunal Superior Eleitoral;
b) a ausência de interferência das oligarquias regionais,
ao se realizarem as eleições nos grandes centros urbanos;
c) o crescimento do número de eleitores, com a extinção
do voto censitário e a extensão do direito do voto às
mulheres;
d) a possibilidade de eleições distritais e a criação de
novos partidos políticos para as eleições proporcionais;
e) a maior participação dos eleitores das áreas urbanas
ao se abolir o voto censitário e se limitar aos
alfabetizados.
7)(UFS) -O Brasil a partir da primeira Guerra Mundial
(1914/1918) e em decorrência de seus efeitos, sofreu
diversas transformações, dentre elas:
a) o incremento da política de incentivo à produção de
soja;
b) o fim do monopólio estatal sobre as atividades
extrativistas;
c) a aceleração do processo de industrialização no eixo
São Paulo/Rio de Janeiro;
d) a eliminação das barreiras alfandegárias entre zona
rural e zona urbana;
e) o aprofundamento do fenômeno da ruralização no
eixo Norte/Nordeste.
8-(MACKENZIE) - Em 3 de outubro eclodiu a revolução
de 1930, pondo fim à República Velha. Dentre as causas
deste episódio histórico destacamos:
a) a vitória da oposição nas eleições e o temor de
revanchismos nas oligarquias derrotadas;
b) a dissidência das oligarquias nas eleições de 1930,
fortalecendo a Aliança Liberal, derrotada, contudo, pela
fraude da máquina do governo;
c) o programa da Aliança Liberal não identificado com as
classes médias urbanas;
d) a sólida situação econômica do núcleo cafeeiro no
início da década de trinta;
e) o apoio dos jovens militares, tenentistas, à política
oligárquica nos anos vinte.
QUESTÕES
(PARTE 5)
I. Na primeira República a expressão "socialização de perdas" pode ser
aplicada às sucessivas compras de excedentes da produção da indústria
leve nacional por parte do governo.
II. Apesar de seus limites regionais, a burguesia do café constitui-se numa
classe articulada, capaz de expressar seus interesses através do PRP
(Partido Republicano Paulista) e de suas associações de classe.
III. Controlados por uma elite reduzida, os partidos republicanos
decidiam os destinos da política nacional e indicavam os candidatos à
presidência da República.
IV. A República concretizou a autonomia estadual, dando plena expansão
aos interesses de cada região. No plano político, houve a formação de
partidos republicanos restritos a cada Estado, sendo que fracassaram ou
tiveram vida efêmera as tentativas de organização de partidos nacionais.
V. A maioria da população brasileira votou, ao longo da Primeira
República, para a escolha de seus representantes junto às Assembléias
Legislativas, Câmara do Deputados, Senado e Presidência da República,
sendo que o presidente eleito indicava os Governadores.

Acerca da Primeira República (1889-1930) é correto APENAS o afirmado
em:
II, III e IV
PUC SP JULHO 2005
A Constituição brasileira de 1891:
a) permitiu a plena democratização do país, com a
superação do regime militar.
b) criou um quarto poder, o Moderador, que atribuía
plenos poderes ao Imperador.
c) separou o Estado, agora republicano, da Igreja
Católica.
d) manteve a permissão para a existência de mão de obra
escrava.
e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo.

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Brasil - Primeira república

  • 3. O que é República? República é o regime político em que o chefe de Estado é eleito pelo povo de forma direta ou indireta, por meio de uma assembleia representativa, para cumprir um mandato por “tempo determinado”. A república pode ser parlamentarista, sistema em que o poder se concentra no Parlamento, ou Presidencialista, em que o Chefe de Estado detém também a chefia de governo. Por definição, a organização política republicana está voltada para a gestão do interesse comum da sociedade.
  • 4. 1. A Proclamação da República A resistência dos setores conservadores do Estado brasileiro à abolição da escravatura fazia sentido. A sobrevivência do império se entrelaçava à do escravismo, numa imagem invertida da articulação entre os movimentos abolicionista e republicano. Quando os escravos foram libertos, a vitória republicana tornou-se uma questão de tempo.
  • 5. Proclamação da República, pintura de Benedito Calixto, 1893
  • 6. Na década de 1860, uma cisão do Partido Liberal criou o Partido Liberal Radical. A nova organização reinvidicou reformas políticas e econômicas, como a abolição da escravidão, maior autonomia para as províncias e a extinção do Poder Moderador. Na década de 1870, o grupo liberal radical deu origem ao Partido Republicano. Nos últimos anos do império, as campanhas dos abolicionistas e dos republicanos se esforçavam mutuamente. Mobilizações, comícios e conferências agitaram as ruas do Rio de Janeiro, onde alguns líderes abolicionistas, como Silva Jardim, propunham uma aproximação com os setores populares da sociedade.
  • 7. Outros republicanos procuravam obter o apoio do Exército, temendo não ter forças suficientes para derrubar o regime. A Monarquia brasileira caía em profundo descrédito, inclusive por parte dos monarquistas, que deferiam duras críticas ao imperador. Muitos militares encontravam no positivismo a justificativa teórica para sua convicção de que o Exército deveria ocupar papel de maior destaque na sociedade brasileira. Associadas aos ideais republicanos, essas noções fizeram numerosos adeptos na Escola Militar e nos quartéis.
  • 8. Positivismo Doutrina filosófica que surgiu na França, no século XIX, sob orientação de Auguste Comte. O Positivismo afirma que o único conhecimento válido é aquele alcançado pela ciência. Comte defendia a ideia de que o altruísmo deveria se sobrepor ao egoísmo para a sociedade alcançar o bem comum. O positivismo teve em Benjamim Constant, participante da proclamação da República, um dos seus principais representantes no Brasil. O lema Ordem e Progresso da bandeira brasileira tem inspiração positivista.
  • 9. O Exército, que conquistara prestígio depois da Guerra do Paraguai, passou a ocupar no imaginário social a ideia de “salvador da pátria”. A propaganda republicana, as críticas à família real e o crescimento do prestígio do Exército incentivaram o Clube Militar, fundado em 1887 e presidido por Deodoro da Fonseca, a conspirar contra a realeza. O ano de 1889 foi marcado por boatos e conversações sigilosas. Difundiram-se notícias de que o governo estaria disposto a reaparelhar a Guarda Nacional para conter os republicanos e também a deslocar os militares mais radicais para guarnições em áreas distantes do Rio de Janeiro.
  • 10. No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, escolhido para liderar o golpe militar, dissolveu o gabinete imperial e proclamou a República no Brasil. Para que não houvesse dúvidas quanto ao sentido da manifestação das tropas, a “proclamação civil da República” foi feira na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo abolicionista José do Patrocínio, com apoio de membros do Partido Republicano. Nesse primeiro momento, apesar das divergências que existiam entre os diversos partidários do republicanismo, os representantes do Exército contaram com o apoio de grande parte da elite cafeicultora do oeste paulista – para quem o império representava um entrave à modernização econômica e à maior autonomia.
  • 11. Também obtiveram a simpatia de setores da incipiente classe média, desejosa de maior participação política. As camadas populares não participaram da derrubada do imperador. Indo ainda mais longe, Aristides Lobo, ministro do interior do governo provisório de Deodoro da Fonseca, comentou: “o povo assistiu bestializado”. A República resultou da incapacidade da Monarquia de se reformular e lidar com as mudanças sociais e econômicas que vinham ocorrendo nos últimos anos do império.
  • 12.
  • 13. 1º Resumo 1. O Declínio do Segundo Reinado A crise do Império foi resultado das transformações processadas na economia e na sociedade, a partir do século XIX, somando-se conduziram importantes setores da sociedade a uma conclusão: a Monarquia precisava ser superada para dar lugar a um outro regime político mais adaptado aos problemas da época. A crise do Império foi marcada por uma série de questões que desembocaram na Proclamação da República.
  • 14. 1.1 Questão Abolicionista Os senhores de escravos não se conformaram com a abolição da escravidão e com o fato de não terem sido indenizados. Sentindo-se abandonados pela Monarquia passaram a apoiar a causa republicana, surgindo os chamados Republicanos de 13 de Maio (chamada assim por causa da data em que a Lei Áurea foi assinada). As principais leis que contribuíram para o fim da escravidão no Brasil foram:  1850: Lei Eusébio de Queiroz  1871: Lei do Ventre Livre  1885: Lei dos Sexagenários  1888: Lei Áurea
  • 15. 1.2 Questão Religiosa A questão religiosa consistiu num conflito entre dois bispos, D. Vital e D. Macedo Costa, que insistiram em aplicar no país determinações papais que não haviam obtido a aprovação (placet) do Imperador, como determinava a constituição. Esse poder de veto imperial chamava-se beneplácito. Processados e condenados, o assunto serviu para afastar a igreja do trono.
  • 16. 1.3 Questão Militar Durante o Império havia sido aprovado o projeto Montepio, pelo qual as famílias dos militares mortos ou mutilados na Guerra do Paraguai recebiam uma pensão. A guerra terminara em 1870 e em 1883 o montepio ainda não estava pago. Os militares encarregaram então o tenente-coronel Sena Madureira de defender os seus direitos. Este, depois de se pronunciar pela imprensa, atacando o projeto Montepio, foi punido.
  • 17. A partir de então, os militares ficaram proibidos de dar declarações à imprensa sem prévia autorização imperial. O descaso que alguns políticos e ministros conservadores tinham pelo Exército levava-os a punir elevados oficiais, por motivos qualificados como indisciplina militar. As punições disciplinares conferidas ao tenente-coronel Ernesto Augusto de Cunha Matos, provocou revolta em importantes chefes do Exército, como o Marechal Deodoro da Fonseca.
  • 18. Deodoro da Fonseca: executor de uma mudança construída ao longo do tempo
  • 19. 2. Proclamação da República O Governo Imperial, percebendo, embora tardiamente, a difícil situação em que se encontrava com o isolamento da Monarquia, apresentou à Câmara dos Deputados um programa de reformas políticas; do qual constavam: liberdade de fé religiosa; liberdade de ensino e seu aperfeiçoamento; autonomia das Províncias; mandato temporário dos senadores. Entretanto, as reformas chegaram tarde demais. No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca assumiu o comando das tropas revoltadas, ocupando o Quartel General do Rio de Janeiro.
  • 20. Na noite do dia 15, constituiu-se o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil. D. Pedro II, que estava em Petrópolis durante estes acontecimentos, recebeu, no dia seguinte, um respeitoso documento do novo Governo, solicitando que ele se retirasse do País, juntamente com sua família. Proclamada a República, no mesmo dia 15 de novembro de 1889, forma-se um governo provisório, sendo o chefe do governo Marechal Deodoro da Fonseca.
  • 21. 2. Os primeiros tempos da República A transição para o novo regime foi feita sem grandes conflitos, alterações socioeconômicas ou participação popular. O Brasil continuou a ser um país agroexportador, longe dos interesses dos que defendiam um projeto de ampla industrialização. A República brasileira também não incorporou em seu projeto político as classes menos favorecidas da população. Isso gerou descontentamentos nos grupos que desejavam modificações estruturais mais profundas com o advento do regime republicano.
  • 22. Dessa forma, o modelo da República que se instalou em território nacional não representava o pensamento de todos os que haviam se engajado em sua defesa desde o período imperial. Ainda assim, a proclamação da República inaugurou uma nova ordem política no país. O centralismo, presente no período imperial, foi substituído pelo federalismo, defendido principalmente pelas elites do oeste paulista e de Minas Gerais. O poder político passou a ser controlado pelas oligarquias rurais. Todavia, isso não aconteceu de imediato. Os dois governos iniciais do Brasil foram constituídos pelos militares: os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
  • 23. Esse período da Primeira República (1889-1894) correspondeu à República da Espada, sob a hegemonia do Exército. Até que fossem realizadas eleições e o país tivesse uma nova Constituição, o marechal Deodoro da Fonseca liderou um Governo Provisório (1889-1891). O marechal dissolveu as assembleias provinciais e as câmaras municipais, demitiu os presidentes das províncias e indicou novos dirigentes para eles. Uma elite civil (ligada aos grandes proprietários) e militar (principalmente do Exército) assumiu o aparelho administrativo, e os municípios tornaram-se peças fundamentais no cenário público em decorrência da autonomia política e financeira que adquiriram com o federalismo.
  • 24. As negociações políticas na Primeira República envolveram os vários partidos republicanos de expressão regional ou estadual, como o mineiro, o paulista e o fluminense. Dentre os partidos republicanos, destacou-se o PRP (paulista), elemento fundamental nas articulações políticas do período. O PRP representava a centro econômico mais importante do Brasil naquele momento: o oeste paulista cafeicultor. Apoiado por MG, favoreceu vários presidentes ao país, conseguindo manter a hegemonia paulista praticamente se oposição até 1930.
  • 25. Alegoria da República, quadro de Manuel Lopes Rodrigues pertencente ao acervo do Museu de Arte da Bahia
  • 26. 2.1 A crise econômica As reformas político-administrativas do Estado foram seguidas por medidas econômicas também necessárias ao funcionamento da República. Uma das primeiras decisões tomadas pelo então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, em 1890, foi a política de incentivo à criação de empresas industriais e comerciais no país. Rui Barbosa acreditava que o melhor estímulo à industrialização seria acabar com a falta de crédito no país. Para isso, ele permitiu que alguns bancos privados emitissem papel-moeda.
  • 27. Esse dinheiro seria emprestado, o que na visão do ministro, mobilizaria a economia brasileira. Na verdade, a facilidade de crédito induziu o surgimento de empresas “fantasmas” – que só existiam no papel -, cujas ações eram negociadas na Bolsa de Valores e se valorizavam sem a menor fiscalização do governo. Centenas de pessoas passaram a aplicar suas reservas na Bolsa, adquirindo ações baratas para posterior revenda. Esse clima de especulação criado pela abundância de negócios e empresas ficou conhecido como Encilhamento. A especulação era favorecida pela abundância de dinheiro circulando no país.
  • 28. Encilhamento O term0 é uma alusão ao hipódromo, local onde os cavalos são encilhados e preparados para a corrida.
  • 29. Os falsos empreendedores, que captava empréstimos sem jamais investir num negócio, tivera altos lucros durante o Encilhamento. Além de contribuir para a especulação, a nova política econômica fez aumentar a inflação. O resultado final foi uma grande crise: a moeda perdeu valor, as importações cresceram, empresas e bancos faliram e os cofres públicos ficaram vazios.
  • 30. 2.2 A primeira Constituição Republicana No final de 1890, Deodoro da Fonseca convocou eleições para a Assembeia Constituinte, que no início de 1891 promulgou a Constituição Republicana do Brasil. A carta refletiu a hegemonia dos defensores do liberalismo de influência norte-americana. Após a promulgação da Constituição, os progressistas escolheram o novo presidente. Como naquela época era permitido votar em candidatos de chapas diferentes, o cargo de presidente da República foi ocupado pelo marechal Deodoro da Fonseca e o de vice-presidente pelo marechal Floriano Peixoto.
  • 31. 2.3 O governo constitucional de Deodoro O marechal Deodoro permaneceu na presidência da República após a promulgação da Constituição, em 1891. Graças à pressão dos militares sobre os deputados, ele acabou eleito com uma pequena vantagem em relação ao seu oponente, Prudente de Morais – representante dos cafeicultores. O fracasso da política econômica de Rui Barbosa, somado à nomeação de ministros conservadores, como o barão de Lucena, um antigo monarquista que passou a ocupar o cargo de ministro da Fazenda, desgastou a autoridade de Deodoro, que passou a enfrentar forte oposição no Congresso e gerou uma crise política.
  • 32. A tensão cresceu quando, em 3 de novembro de 1891, um decreto do Executivo fechou o Congresso, anunciando a convocação de novas eleições e uma revisão constitucional. A resistência ao autoritarismo do governo federal foi organizada por SP, MG, RJ, PE e PA, com a apoio da Marinha e de setores do Exército. Paralelamente a essa movimentação, os ferroviários deflagraram uma greve na estrada de ferro Central do Brasil, o que trazia sérios riscos para o abastecimento da capital federal. Doente e receando uma guerra civil, Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891. A renúncia de Deodoro levou à presidência da República Floriano Peixoto.
  • 34. 2.4 O governo de Floriano Peixoto Para conseguir apoio popular, Floriano tomou medidas como diminuição dos preços dos aluguéis das casas dos operários, isenção de impostos sobre a carne para baratear o produto e controle dos preços dos gêneros de primeira necessidade. Outras iniciativas visavam combater os efeitos do Encilhamento, tais como incentivar a industrialização e fiscalização e aplicação do erário público. Mas essas medidas não foram suficientes para evitar uma forte oposição civil e militar sob a forma de movimentos rebeldes, como a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro.
  • 35. 2.5 A Revolução Federalista De 1893 a 1895, as terras do Sul serviram de cenário aos violentos combates da Revolução Federalista, travados entre os partidários de oligarcas gaúchos: de um lado, os federalistas (maragatos), liderados por Gaspar Silveira Martins; de outro, os republicanos (chimangos ou pica-paus), seguidores do positivista Júlio de Castilhos. Os federalistas defendiam a instalação de um regime parlamentarista nos moldes do que existiu no Segundo Reinado.
  • 36. Já os republicanos defendiam um presidencialismo forte, centralizador, no estilo do governo de Floriano Peixoto. O confronto ultrapassou as fronteiras gaúchas, estendendo-se a Santa Catarina, ao Paraná e até ao Uruguai. Embora Floriano tivesse enviado tropas federais aos estados sulistas, somente em 1895, no governo de Prudente de Morais, é que seria assinado um acordo de paz na região.
  • 37. 2.6 A Revolta da Armada Em agosto de 1893 ocorreu a Revolta da Armada. O movimento resultou da disputa pelo poder entre os oficiais do Exército e da Marinha, representantes de grupos sociais distintos: enquanto a força terrestre reunia basicamente elementos dos setores médios, a Marinha, mais elitista, representava as classes oligárquicas. Também contribuiu para conflito o fato de o almirante Custódio de Mello, ministro da Marinha, ser candidato à sucessão de Floriano, mas este apoiava o civil Prudente de Morais.
  • 38. No dia 13 de setembro, navios da Armada começaram a bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Contando com o apoio de São Paulo e a adesão popular, o governo tratou de organizar uma reação à revolta. Os rebeldes abriram novas frentes de batalha no Sul do país, mas não puderam resistir à contraofensiva governamental. Em março de 1894, a rebelião estava vencida e, pela força, a República consolidava-se. O rigor de Floriano Peixoto ante os dois movimentos revolucionários valeu-lhe o cognome “Marechal de Ferro”.
  • 39. 2º Resumo 1. República da Espada (1889-1894) 1.1 Governo de Deodoro 1ª Fase: Governo Provisório • Decreto de banimento da Família Real • Convocação da Assembleia Constituinte • Resistências à República, na Marinha • Eleição indireta de Deodoro • Encilhamento (Rui Barbosa)
  • 40. 2ª Fase: Governo Constitucional  Crise econômica  Oposição dos cafeicultores  Fechamento do Congresso  1ª Revolta da Armada (Custódio de Melo)  Renúncia de Deodoro
  • 41. 2.2 Governo de Floriano Peixoto  Assumiu inicialmente sob apoio dos cafeicultores paulistas  Não cumpriu a Constituição no que tange às novas eleições  Perda do apoio dos cafeicultores  2ª Revolta da Armada  Revolução Federalista no sul do país  Reconquista do apoio da elite cafeeira  Congelamento de aluguéis e gêneros alimentícios  Consolidador da República
  • 42. 2.3 Características da Constituição de 1891  Copiada da constituição dos Estados Unidos  Adotou o sistema presidencialista  Fim do poder moderador  Legislativo federal bicameral e estadual unicameral  Voto aberto e universal masculino para os maiores de 21 anos alfabetizados  Fim do voto censitário  Separação Igreja e Estado  Mandato de 4 anos para presidente
  • 43. 3. A República das Oligarquias Enquanto o Exército esmagava os focos de descontentamento armado, os grupos oligárquicos, principalmente o cafeeiro, preparavam-se para assumir o controle da República. No processo sucessório à presidência, o grupo mais beneficiado foi o paulista, que apoiou Floriano e, nas eleições de 01/03/1894, elegeu Prudente de Morais, ligado ao PRP. A partir desse momento, o poder político passou a ser controlado pelas elites agrárias, notadamente de MG e SP, no período que ficou conhecido como República Oligárquica.
  • 44. 3.1 Mecanismos de sustentação política Para garantissem-se no poder, as elites rurais criaram três instrumentos: a política dos governadores, a política do café com leite e a Comissão de Verificação de Poderes. Constituída no governo de Campos Sales (1898-1902), a política dos governadores consistia em um acordo firmado entre o presidente da República e os presidentes de estado (governadores), para que estes apoiassem candidatos ao congresso – senadores e deputados – fiéis ao governo federal. Em troca, o Executivo não interferiria nas eleições estaduais, garantindo a permanência dos mesmos grupos no poder.
  • 45. Para viabilizar a política dos governadores, o governo federal criou a Comissão Verificadora de Poderes. Composta por 5 parlamentares, essa Comissão ganhou o direito de diplomar os candidatos que interessavam ao governo federal e “degolar” os opositores, ou seja, impedir que eles tomassem posse. Para isso, dizia-se que candidatos haviam cometido irregularidades durante a campanha eleitoral, algo corriqueiro em um período em que fraudes e outras ilegalidades definiam as eleições em todos os níveis. Apenas os deputados e senadores coniventes com a política federal eram legitimados para assumir cargos públicos. Desse modo, o Executivo podia contar com um Congresso, sempre disposto a aprovar os projetos do governo.
  • 46. A consolidação do compromisso entre o governo federal e os presidentes de estado facilitou o predomínio político dos dois estados mais fortes da época: MG e SP. Além de economicamente dominantes, eles garantiam o maior número de cadeiras no Congresso Nacional. A chamada política do café com leite consistiu na alternância de paulistas e mineiros na presidência da República durante toda a Primeira República.
  • 47. O Coronelismo O coronelismo é um dos elementos fundamentais para se compreender o funcionamento da República das Oligarquias. O título de coronel surgiu no período regencial. Era normalmente concedido aos grandes fazendeiros que patrocinavam a Guarda Nacional, responsável pela manutenção da ordem interna do país, reprimindo as revoltas sociais. Com a proclamação da República e o fim da Guarda Nacional, os coronéis mantiveram o prestígio e o respeito desde então. Esses indivíduos cultivavam a prática política da troca de favores e dessa mantinham sob sua ‘proteção’ uma série de afilhados em troca de obediência.
  • 48. Os coronéis exerciam sua influência política na vizinhança de suas propriedades rurais – áreas consideradas como currais eleitorais. No período de eleição, os dependentes do coronel votavam nos candidatos apoiados por ele, em uma prática que ficou conhecida como voto de cabresto. Essa indução de escolha era facilitada pelo sistema eleitoral em vigor, no qual o voto era aberto. Para votar, o cidadão dirigia- se à mesa eleitoral, escrevia o nome do candidato e assinava ao lado. Como era fácil saber em quem o eleitor tinha votado, o coronel podia pressioná-lo. Esse sistema, que favorecia a fraude eleitoral, garantindo a perpetuação das oligarquias rurais no poder.
  • 49. O coronelismo facilitou a corrupção e o uso de cargos públicos para conquistar privilégios privados. Essas são práticas que continuam presentes no Brasil e em vários países do mundo na atualidade.
  • 51. 3.1 A primazia do setor primário Durante a Primeira República, o estímulo às atividades agroexportadoras esteve entre as prioridades do governo federal. O café , o “ouro verde”, representou o principal produto de exportação. No início do século XX, o café já havia se expandindo para diversas áreas de cultivo além de São Paulo, como por exemplo, Minas Gerais. A cultura cafeeira beneficiou-se da abertura de linhas de crédito, dos preços favoráveis no mercado internacional e do grande contingente de imigrantes europeus, empregados como mão de obra nos cafezais.
  • 52. A maioria dos imigrantes utilizados nas fazendas de café provinha de regiões rurais do continente. Eles entraram no país durante o fim do século XIX e início do XX e contribuíram para aumentar o número da população brasileira. Nesse período, o Brasil recebeu grande quantidade de italianos, espanhóis, portugueses, entre outros, que foram trabalhar nos cafezais de SP, MG e RJ. Com o passar dos anos, muitos dos imigrantes abandonaram os cafezais e seguiram em direção às cidades, em busca de melhores condição de vida e trabalho.
  • 53. Já no início do século XX, entre 1901 e 1909, a lavoura cafeeira enfrentou momentos de crise provenientes da superprodução, responsável pela queda nos preços e pelos gastos com o armazenamento do produto. Por isso, os governos estaduais decidiram interferir no mercado e garantir um preço mínimo para o café. Para evitar prejuízos aos cafeicultores, o governo federal firmou em 1906, na cidade paulista de Taubaté, um acordo com os presidentes de estado de SP, MG e RJ. O Convênio de Taubaté determinou que os governos dos três estados comprariam a safra prevista de café por um preço fixado com antecedência, de maneira que evitasse a desvalorização;
  • 54. que seriam solicitados empréstimos no exterior para os governos estaduais, a fim de que estes pudessem adquirir o produto; e que os estoques seriam armazenados e fornecidos mais tarde ao mercado de acorde com a procura. Com esse mecanismo, ao cofres públicos seriam onerados, uma vez que os estados teriam de contrair dívidas no exterior para a compra das safras, e os gastos seriam repassados ao povo por meio do aumento dos impostos. Além do café, o Brasil exportava em grande quantidade borracha, cacau e cana-de-açúcar. Desde os tempos do império, o látex era extraído de seringueiras espalhadas pela floresta amazônica.
  • 55. Porém, no início do século XX, o crescimento da indústria automobilística favoreceu e bom preço da borracha no mercado externo e, com isso, levou ao aumento ao aumento do extrativismo, especialmente entre 1905 e 1913. Mas, a partir desse ano, a produção brasileira entrou em declínio por causa da concorrência da produção dos seringais cultivados na Ásia pelos ingleses. Também originário da Amazônia, utilizando principalmente pela industria do chocolate, o cacau ocupou igualmente posição de destaque na pauta de exportações. Aclimatado no sul da Bahia, no final do império a região tornou-se a principal produtora do país.
  • 56. Incorporada à economia desde os tempos coloniais, a cana-de-açúcar teve alguns momentos de expansão durante a República Oligárquica, principalmente nos anos 1920. Entretanto, o uso de açúcar de beterraba na Europa determinou a queda nas exportações e nos preços do produto, direcionando a produção para o mercado interno.
  • 57. 3.4 O desenvolvimento industrial Em decorrência da própria estrutura econômica do país, predominantemente agrícola desde os tempos coloniais, nas quatro décadas da Primeira República a indústria brasileira esteve relegada ao segundo plano. Entretanto, a concentração de capitais acabou contribuindo para a expansão da atividade industrial em algumas cidades (São Paulo e Rio de Janeiro) e regiões brasileiras (RS, PE, MG, PR, BA e SC). Foram basicamente iniciativas localizadas, por vezes complementares à agricultura, que não representaram uma industrialização efetiva.
  • 58. O dinheiro necessário às instalações industriais provinha de investidores brasileiros, principalmente cafeicultores, imigrantes enriquecidos e do capital financeiro internacional. À medida que aumentava o número de empresas, cresciam o mercado de trabalho, a população urbana, o comércio e a prestação de serviços. A maior concentração de estabelecimentos industriais ocorreu no RJ e em SP. Pode-se afirmar que, em SP, o capital industrial nasceu do capital cafeeiro: as crises periódicas de superprodução de café abriram caminho para o deslocamento de capitais para novas áreas de investimentos, entre elas o setor industrial. Foi o caso da indústria têxtil, que se originou, em grande parte, do comércio de tecidos.
  • 59. Mulheres e crianças formavam um segmento importante da mão de obra empregada nas fábricas e em geral recebiam salários mais baixos para tarefas similares àquelas exercidas pelos homens adultos. As condições de trabalho eram rigorosas, às vezes brutais: a jornada variava entre 10 e 12 horas diárias e os operários constantemente eram punidos multas ou agressões físicas. Não havia legislação trabalhista que garantisse ao assalariado descanso semanal, férias ou remunerações. O tamanho das fábricas variava: desde pequenas oficinas até indústrias que reuniam centenas de operários.
  • 60. Os investimentos concentravam-se em indústrias leves de bens de consumo – setores têxtil, de alimento, bebidas, calçados, chapéus e fumo – que tinham custos iniciais relativamente pequenos e não demandavam tecnologia sofisticada. Durante a 1ª Guerra Mundial, a necessidade de substituir importações acabou ampliando a variedade de itens produzidos, tais como cimento, ferro, aço, e papel. Nos anos 1920, algumas empresas estrangeiras chegaram a finalizar no Brasil produtos químicos e farmacêuticos; outras se estabeleceram nos ramos de carnes congeladas e de mineração.
  • 61. 3.5 A modernização nas cidades Entre o fim do século XIX e início do século XX, cidades brasileiras como Rio e São Paulo passaram por um processo de modernização, inspirado no que ocorreu em Paris entre 1853 e 1870. A capital francesa urbanizada servia de modelo para outras cidades do mundo, com seus bulevares, ruas largas repletas de cafés e butiques. O contraste entre o cenário luxuoso de Paris e as vielas estreitas, sujas, sem saneamento e iluminação do Rio de Janeiro era evidente.
  • 62. Apesar disso, homens de negócios, grandes proprietários, altos funcionários e políticos influentes, acompanhados de suas famílias, exibiam hábitos e moda europeus. Essa atitude, que vinha desde os últimos anos do império, acentuou-se durante a fase republicana. Graças ao esforço modernizador empreendido pelos governos, verificamos a criação de novos bairros, a expansão de serviços de esgotos, água canalizada e transporte coletivo nas principais cidades do Brasil. Em MG, um projeto urbanístico gestado por engenheiros deu origem a Belo Horizonte. No centro do Rio, áreas ocupadas desordenadamente foram desapropriadas e as habitações coletivas demolidas para dar espaço às novas avenidas e aos estabelecimentos.
  • 63. Havia um esforço para eliminar tudo o que representasse entrave ao progresso e fugisse dos padrões de beleza e higiene. Alguns dos indivíduos desalojados durante as reformas foram abrigar-se nas recentes vilas operárias, nos subúrbios da cidade. Outros se transferiram para as encostas dos morros e beira dos rios, em locais desvalorizados. Os antigos e decadentes casebres deram lugar a imponentes edificações e a ruas mais largas, propícias para a circulação dos bondes elétricos, de finais do século XX, e para o incipiente fluxo de automóveis, introduzidos no início do século XX nas grandes cidades brasileiras.
  • 64. Ainda no Rio, em 1904, surgiu a Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), planejada para dar maior acessibilidade ao porto da cidade. Em São Paulo, foram feitos grandes projetos arquitetônicos, liderados por Ramos de Azevedo. Também data dessa época a ocupação mais efetiva da Avenida Paulista. As principais cidades brasileiras, agora reformuladas, tornaram-se locais de intensa circulação de pessoas, ideias e mercadorias – estas últimas expostas em profusão nas vitrines das lojas. Os artigos de luxo, considerados da “última moda”, chegavam da Europa nos portos do Rio e de São Paulo e impulsionavam as vendas. Nesse período, eram importados roupas, móveis, livros, objetos de decoração etc.
  • 65. Apesar dos esforços empregados na modernização, as grandes cidades da Primeira República enfrentavam problemas com a criminalidade e com a inundações. As enchentes preocupavam os moradores, como denunciava Lima Barreto, falando sobre o Rio de Janeiro em 1915.
  • 66. As enchentes no Rio de Janeiro “As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis. De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. [...] O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares [praças], dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! [...]
  • 67. O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social.” BARRETO, Lima. Vida urbana. P. 18. Versão digitalizada do site Domínio Público. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 28 nov. 2009.
  • 68. 3.6 A imprensa na Primeira República Desde os tempos da colônia, existiam pequenos diários que circulavam pelo território da América portuguesa. Mas foi somente após a criação da Imprensa Régia, durante a presença da Corte portuguesa no Brasil, que houve acréscimo na produção gráfica, com o aparecimento de jornais de publicação mais regular. Em fins do século XIX, já no império, a imprensa aperfeiçoou-se: houve melhorias nas técnicas de produção e impressão e aumento nas tiragens de exemplares.
  • 69. Nesse mesmo período, jornais como o Estado de S. Paulo (cujo nome original até 18/11/1889 era Província de São Paulo) e outros faziam severas críticas ao governo imperial e contribuíram para a divulgação dos ideais republicanos no país. Após a proclamação da República, em 1889, parte da imprensa ajudou a criar entre os brasileiros uma imagem positiva do regime, associando-se à modernidade e ao progresso. Acompanhando o processo de melhorias nas oficinas gráficas, surgiu também maior número de revistas de cunho literário, político, satírico e as que traziam variedades. A Kosmos, lançada em 1904 no RJ, por exemplo, era produzida em papel especial e tinha projeto gráfico elaborado.
  • 70. 4. Os movimentos sociais na República das Oligarquias Durante o período que compreende a República Oligárquica ocorreu uma série de movimentos sociais que refletia a frustração da sociedade com política implementada pelas elites brasileiras. Por meio deles, camponeses, operários, marinheiros e pobres expressavam suas reivindicações, normalmente associadas às precárias condições de vida e de trabalho. Os movimentos populares da Primeira República revelavam, também, o enorme descaso do governo diante das necessidades básicas dos setores menos favorecidos da população.
  • 71. 4.1 Movimentos rurais Nas três primeiras décadas da República, o Brasil era um país tipicamente agrário. Calcula-se que cerca de 70% da população habitava o campo nesse período. Homens, mulheres e crianças viviam em condições de miséria e sofrimento, vinculados às atividades agrícolas. A maioria dos produtores rurais não era proprietária das terras em que trabalhava e não tinha acesso à assistência médica e à educação. Esse cenário desfavorável contribuiu de forma significativa para a origem das agitações sociais que ocorreram na zona rural durante a Primeira República.
  • 72. Para o historiador Boris Fausto, esses movimentos podem divididos em três grandes grupos: “os que combinaram conteúdo religioso com carência social; os que combinaram conteúdo religioso com reivindicação social; os que expressaram reivindicações sociais sem conteúdo religioso”.
  • 73. Guerra do Canudos (1893-1897) O movimento de Canudos ocorreu em 1893, no interior da Bahia, em um arraial fundado pelo beato Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro. Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 1830, Conselheiro foi comerciante, caixeiro e escrivão. Abandonado pela esposa, decidiu sair pelo sertão como pregador. Em meados de 1874, já caminhava pelo interior acompanhado de alguns fiéis e nos dez anos seguintes percorreu os sertões do Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia construindo e reformando capelas, igrejas e cemitérios.
  • 74. Criticado pela Igreja, Conselheiro e seus seguidores fixaram-se numa fazenda abandonada, próxima ao Rio Vaza-Barris, interior da Bahia. Nesse lugar, conhecido com Canudos, fundaram o arraial de Belo Monte. Formado por casas construídas em regime de mutirão, dividindo os frutos do trabalho na terra e amparando os idosos e doentes, o povoado atraiu muita gente. A população do núcleo chegou a atingir 30 mil pessoas. Marcada por forte misticismo, essa gente acreditava que Conselheiro era um enviado divino que traria a paz, a fartura e a felicidade.
  • 75. Além da agricultura, o povoado dedicava-se ao artesanato e criava animais, que complementavam a alimentação e forneciam couro, utilizado como matéria- prima. O excedente da produção era vendido nos municípios vizinhos. No arraial havia duas escolas, lojas, oficinas e diversas moradias. A administração era da competência de Conselheiro e de doze chefes, que cuidavam das finanças, das construções, dos registros de nascimento, entre outras atividades. Não havia polícia nem impostos.
  • 76. Aos olhos dos fazendeiros, do governo e do clero, a comunidade de Canudos era um péssimo exemplo. Os fazendeiros temiam perder a mão de obra, o governo não aceitava a autonomia de Canudos e a Igreja ressentia-se da liderança espiritual de Conselheiro. Quatro expedições foram organizadas pelo governo estadual e federal e enviadas à região para prender Antônio Conselheiro e acabar com a comunidade de Canudos entre 1896 e 1897. As três primeiras falharam em seus objetivos. Os sertanejos mostravam grande coragem e habilidade militar, fustigando as tropas com ataques inesperados.
  • 77. A repercussão da terceira derrota foi enorme, e não tardou para que a imprensa e políticos atribuíssem a Conselheiro a intenção de restaurar o império. Foi nesse clima de franca hostilidade que o governo federal resolveu destruir o arraial. Para isso, organizou nova expedição, comandada pelo general Artur Oscar de Andrade Guimarães. Cerca de 7 mil soldados com 18 canhões investiram contra Canudos. Os combates iniciaram-se em junho, e em agosto chegou à região o ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, à frente de mais 3 mil soldados.
  • 78. Em outubro, quando ocorreu a ofensiva final contra Canudos, praticamente toda a população local já havia sido exterminada. Os poucos sobreviventes foram feitos prisioneiros. A Guerra de Canudos foi relatada pelo engenheiro e escritos Euclides da Cunha, enviado em 1897 pelo jornal O Estado de S. Paulo para cobrir os acontecimentos na região. Dessa experiência, surgiu a obra Os sertões.
  • 79. A Guerra do Contestado (1912- 1916) Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e a fronteira da Argentina, a região do Contestado era disputada por Santa Catarina e Paraná por causa da rica floresta existente e da extensa plantação de erva-mate. A área atraiu grandes companhias, que expulsavam os posseiros locais. A situação agravou-se com a construção de um trecho da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.
  • 80. No final da obra, grande parte dos trabalhadores contratados tinha o projeto de permanecer na região. Contudo, os especuladores e as grandes companhias madeireiras exigiram a saída imediata deles, impedindo- os de ocupar os trechos próximos à ferrovia. A multiplicação do número de trabalhadores sem- terra criou um clima propício a agitações e conflitos. Foi nesse contexto que surgiu Miguel Lucena Boaventura, ex-soldado do Exército que se fazia chamar de “monge” José Maria.
  • 81. Beato e curandeiro, o “monge” ajudava os caboclos e pregava uma sociedade igualitária. Seu propósito era resistir aos que pretendiam expulsar a população que seguiu o líder confiante na promessa de justiça divina. Os primeiros choques armados ocorreram em 1912. De um lado, a milícia da Monarquia Celeste, cujos integrantes raspavam o cabelo e ficaram conhecidos como “pelados”; do outro, os “peludos”, que eram jagunços contratados pelas empresas, policiais e soldados do Exército.
  • 82. Apesar de inferiorizada em armas e equipamentos, a irmandade cabocla resistiu até 1915, quando o general Setembrino de Carvalho, à frente de 7 mil soldados e com o apoio da artilharia e da aviação, forçou os sobreviventes a renderem-se. A Guerra dos Pelados estendeu-se por mais de 250 mil quilômetros quadrados e matou cerca de 6 mil pessoas.
  • 83. O cangaço O movimento conhecido como cangaço teve início no final do século XIX, estendendo-se até meados da década de 1940. Os cangaceiros integravam grupos armados violentos, que sobreviviam por meio de saques e pilhagens. Em geram, homens e mulheres do sertão aderiam ao cangaço para fugir da miséria ou para vingar- se de alguém poderoso.
  • 84. Os primeiros bandos de cangaceiros atuavam vinculados às ordens de um coronel, na defesa constante ou esporádica de seus interesses. Esses jagunços agiram muitas vezes em conflitos que envolviam brigas entre famílias e rivalidades entre oligarquias locais. No final do século XIX, formaram-se bandos de cangaceiros independentes, que não se subordinavam a nenhum chefe local. Dentre estes últimos, o mais conhecido é Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, personagem de aventuras cantadas nos versos de literatura de cordel. Lampião assumiu a liderança do seu grupo em 1922.
  • 85. Alguns escritores afirmam ter sido Lampião uma espécie de Robin Hood da caatinga, alguém que atacava e roubava os fazendeiros em nome dos pobres. Entretanto, outros pesquisadores do cangaço não compartilham dessa opinião. Os bandos de cangaceiros eram perseguidos pelas “patrulhas volantes” das polícias estaduais, mas conseguiam esgueirar-se pela caatinga. Essa forças policiais agiam com tanta brutalidade quanto os cangaceiros, e no meio dessa luta as maiores vítimas eram os sertanejos.
  • 86. Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros morreram numa emboscada em 1938. O cangaço perdeu força na década seguinte, quando o governo federal organizou melhor a repressão e as indústrias do Sudeste absorveram mão de obra nordestina. Ao criar novas oportunidades de trabalho, as fábricas atraíram sertanejos que deixaram de ver no cangaço um meio de sobrevivência.
  • 87. 4.2 Movimentos urbanos A aceleração do desenvolvimento industrial foi acompanhada pelo processo de crescimento das cidades, principalmente no Sul e Sudeste. A população carioca quase triplicou entre 1900 e 1920, chegando a mais de 1,4 milhão de habitantes. São Paulo passou de 40 mil para 889 mil e Porto Alegre de 74 mil para 256 mil habitantes no mesmo período. Belém, Recife e Salvador também apresentaram crescimento expressivo.
  • 88. As cidades brasileiras possuíam uma composição social bastante diversificada, com operários, burguesia industrial, mercantil e financeira, camadas médias (professores, médicos, advogados, engenheiros), funcionários públicos, intelectuais, setores populares e segmentos marginalizados, como os moradores de rua. A modernização difundida entre o fim do século XIX e início do século XX nos grandes centros urbanos não contemplou todas as regiões e camadas sociais da mesma maneira.
  • 89. Ao contrário, muitos indivíduos pobres viram-se desajolados de suas habitações, pressionados pelo desemprego, pelas péssimas condições de vida e pelos baixos salários. Foi nesse contexto que parte da população urbana menos privilegiada demonstrou sua insatisfação por meio dos movimentos sociais que ocorreram durante a Primeira República.
  • 90. A Revolta da Vacina (1904) Durante o governo de Rodrigues Alves (1902-1906), o saneamento e a modernização do Rio de Janeiro tornaram-se prioridades. Nessa época, os serviços públicos urbanos eram muitos precários. A falta de tratamento de água e esgoto, principalmente nos arredores das cidades e nos cortiços, agrava a falta de higiene. Tais condições contribuíram para a disseminação de doenças e epidemias – sarampo, febre tifoide, tuberculose, varíola – que vitimavam milhares de pessoas.
  • 91. As benfeitorias eram necessárias até mesmo para melhorar a imagem da capital federal no exterior. Para efetivá-las, o presidente recorreu a empréstimos estrangeiros. O prefeito do Rio, Pereira Passos, mandou derrubar casebres e cortiços para abrir avenidas, expulsando parte da população, que se mudou para os morros. Praças, cemitérios e canais de drenagem foram reformados, proibiu-se a circulação de mendigos e animais e foram instituídas visitas domiciliares de agentes sanitaristas para remover tudo que fosse considerado prejudicial à higiene. A população se revoltava com as vistorias nas casas feitas sem nenhum esclarecimento.
  • 92. O combate as epidemias foi entregue ao médico sanitarista Oswaldo Cruz, que passou a implementar uma série de medidas de higiene pública com o objetivo de combater a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. No Congresso e na imprensa surgiram manifestações contrárias ao “despotismo sanitário” de Oswaldo Cruz. Em 1904, a aprovação do projeto de vacinação obrigatória contra a varíola para os brasileiros com mais de seis meses de idade acendeu o estopim da revolta popular, que culminou em novembro com a Revolta da Vacina.
  • 93. Durante mais de uma semana a população enfrentou a polícia nas ruas, organizando barricadas, lutas corporais e quebradeiras. Depois de retomar o controle da cidade, o governo prendeu mais de mil pessoas e as deportou para o território do Acre.
  • 94. A Revolta da Chibata (1910) No início do século XX, os marinheiros de baixa patente levavam uma vida de parcos salários, exaustiva jornada de trabalho e castigos corporais por desobediência ao regulamento da Marinha – uma penalidade abolida desde a proclamação da República, mas que, na prática, continuava a vigorar na frota de guerra brasileira. Os marinheiros eram na maioria negros e mestiços, geralmente recrutados à força e pressionados pela famílias a ingressar nas Forças Armadas.
  • 95. Em 1910, os marinheiros dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo revoltaram-se no Rio de Janeiro, chefiados pelo gaúcho João Cândido Felisberto, apelidado Almirante Negro, e reivindicavam o fim dos castigos corporais, folgas semanais e melhores salários. Os rebeldes enviaram um telegrama ao presidente da República, Hermes da Fonseca (1910-1914), comunicando a decisão de bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso não fossem atendidas suas solicitações. A revolta recebeu o apoio de deputados de oposição, que pressionaram o governo federal a ceder às exigências dos marinheiros. O Congresso votou o fim dos castigos corporais na Marinha e anistiou os participantes da revolta.
  • 96. Entretanto, o decreto de anistia foi descumprido e o governo passou a perseguir e prender os marujos. Uma suposta revolta também integrada por marinheiros na Ilha das Cobras foi o fato culminante para a perseguição e prisão dos rebeldes. O governo ordenou que o Exército atacasse a ilha e derrotasse seus opositores. Os poucos sobreviventes foram deportados para a Amazônia, para trabalhos forçados nos seringais. O Almirante Negro foi julgado em 1912 e inocentado.
  • 97. Charge de Loureiro publicada em O Malho, 1910. Revolta da Chibata: diante da ameaça de bombardeio do Rio de Janeiro, o governo concedeu anistia aos revoltosos, mas retrocedeu posteriormente.
  • 98. 4.3 O movimento operário A Constituição de 1891 pouco se preocupava com questões sociais. Por isso, as relações de trabalho nas cidades eram definidas pela emergente burguesia industrial, mercantil e financeira. O operariado brasileiro foi formado basicamente pelos imigrantes, somados a trabalhadores provenientes de regiões mais pobres do Brasil.
  • 99.
  • 100. Num primeiro momento, surgiram as ligas operárias e as sociedades de resistência. De modo geral, reivindicavam melhores salários, menor jornada de trabalho, assistência ao trabalhador doente ou acidentado e regulamentação do trabalho feminino e infantil. Logo em seguida começaram a ser organizados sindicatos, primeiro por ofício e depois por uma mesma atividade econômica, que atuaram por meio de greves e manifestações de caráter acentuadamente reivindicatório. À frente dessas mobilizações, militantes anarquistas e socialistas desenvolviam um importante trabalho de conscientização política.
  • 101. 4.4 As influências do anarquismo e do socialismo O PSB foi fundado em 1902 com um programa marxista. Nas suas lutas no Brasil, os socialistas daquela época enfatizaram problemas econômicos e a necessidade de mudanças sociais. O anarquismo foi a mais importante corrente organizatória do movimento operário no início da República. Propunha mudanças na estrutura da sociedade para substituir o Estado burguês por uma forma de cooperação entre indivíduos livres.
  • 102. Além de criarem ligas de resistência e sindicatos, os militantes anarquistas organizaram greves que visavam reivindicações imediatas e o fortalecimento da solidariedade entre os trabalhadores. Também fizeram da imprensa operária um meio eficaz de difusão e propaganda. Dentre os periódicos anarquistas, destacaram-se: A Lanterna (1873), La Battaglia, publicado de 1904 a 1912, e La Barricata (1904-1919). Os socialistas, por sua vez, publicaram entre 1900 e 1915 o semanário Avanti (mais tarde Avante), que chegou a circular diariamente.
  • 103. 4.5 As greves As mobilizações e greves operárias durante a República Oligárquica giraram em torno de reivindicações salariais, melhores condições de trabalho, reconhecimento dos direitos trabalhistas e sindicais e uma legislação previdenciária. Elas representaram o principal instrumento de resistência dos trabalhadores desde o início do regime republicano até aproximadamente os anos 1920.
  • 104. A maior mobilização do proletariado brasileiro no período viria com a Greve Geral de julho de 1917, iniciada na cidade de São Paulo e com repercussões no restante do país. Dela participaram operários da indústria têxtil e alimentícia, gráficos e ferroviários. Em São Paulo os grevistas entraram em choque com forças policiais, e deste confronto resultou a morte de um operário, cujo enterro paralisou a cidade. O movimento terminou com um acordo de aumento salarial e a promessa do atendimento de outras reivindicações dos trabalhadores. As paralisações de inspiração anarquista estenderam-se até 1919, em São Paulo e em outros estados.
  • 105. Durante os anos 1920, ocorreram greves em reação às péssimas condições de trabalho, aos salários baixos e ao custo de vida elevado. Algumas categorias obtiveram conquistas, mas o país continuou sem ter uma legislação trabalhista até 1943, quando foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
  • 106. 4.6 Surgem os comunistas Poucos meses depois da greve de 1917, mobilizações de maior impacto derrubaram a ordem burguesa na Rússia e levaram os operários ao poder. Nos anos seguintes, a influência da Revolução Russa estendeu-se ao movimento operário internacional. Vários grupos passaram a se mobilizar no intuito de formar um partido semelhante ao Partido Bolchevique, que liderou a revolução socialista na Rússia. Em 1921 já existiam grupos comunistas nas cidades do Rio, Recife, Juiz de Fora, São Paulo e Santos. Em 1922, foi fundado o PCB, que se constituiu posteriormente, numa organização de âmbito nacional
  • 108.
  • 109.
  • 110.
  • 111.
  • 112. 6. A crise dos anos 1920
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  • 114. 7. A semana de Arte Moderna
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  • 116.
  • 117.
  • 118.
  • 119. 7.1 Os herdeiros da Semana de Arte Moderna
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  • 121.
  • 122. 3º Resumo 1. República Oligárquica (1894-1930)
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  • 124.
  • 126.
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  • 129. Lembre-se! • Um golpe militar derrubou a Monarquia e estabeleceu no Brasil o regime republicano, em 15 de novembro de 1889. Apesar da mudança da forma de governo, o poder permaneceu nas mãos das elites brasileiras, garantindo a manutenção da desigualdade social. • Durante o fim do século XIX e início do século XX, os centros urbanos brasileiros passaram por um processo de modernização que transformou o cenário de cidades com Rio e São Paulo, mas as melhorias realizadas não beneficiaram grande parte da população. • A Primeira República (1889-1930) foi uma época de intensos movimentos sociais que revelavam a indignação popular perante as políticas públicas adotadas pelos governantes, mas também foi um período de grande efervescência cultural, representada pela Semana de Arte Moderna de 1822.
  • 131. 1. (UFGO) I. A suspensão dos alvarás que proibiam as manufaturas no Brasil permitiu que o país tivesse um considerável desenvolvimento industrial. II. A pequena dimensão do mercado interno brasileiro e o baixo poder aquisitivo da população foram fatores que tolheram o desenvolvimento industrial brasileiro. III. O grande momento no processo industrial brasileiro foi a II Guerra Mundial, quando se instaurou um sistema que significava mudança na estrutura da economia, principalmente em seu aspecto qualitativo. a) I, II e III são corretas b) I, II e III são incorretas c) I e II são corretas d) I e III são corretas e) II e III são corretas
  • 132. 2. (MACK) I. As facções liberal e realista da época da independência brasileira conciliaram suas divergências para organizar e manter a unidade política do país. II. Segundo alguns historiadores, Deodoro e Floriano desempenharam papel de simples substitutos do Poder Moderador, na mesma tradição centralizadora do Império, sem alterar as estruturas do país. III. Os ressentimentos dos oficiais com a chamada Questão Militar, de 1884 – 1885, foram capitalizados em prol da causa republicana. a) I, II e III são corretas b) I, II e III são incorretas c) I e II são corretas d) I e III são corretas e) II e III são corretas
  • 133. 3.(UnB) I. A principal característica da economia brasileira, segundo Celso Furtado, na primeira metade do século XX, é a emergência de um sistema cujo principal centro dinâmico é o mercado interno. II. Ao desenvolvimento industrial brasileiro que sucede à prosperidade cafeeira, corresponde uma acentuada concentração regional de renda. III. A integração do Nordeste à economia industrializada obedece a um planejamento prioritário que se iniciou no governo Vargas. a) I, II e III são corretas b) I, II e III são incorretas c) I e II são corretas d) I e III são corretas e) II e III são corretas
  • 134. 4. (PUCC) I. A crescente procura de áreas favoráveis ao cultivo do café contribuiu para o povoamento da costa paulistana, em princípios do século XX. II. O excesso de produção cafeeira agravou os problemas financeiros da República Velha. III. A decadência do café nas regiões do Vale do Paraíba se iniciou a partir da queda da Bolsa em 1929. a) I, II e III são corretas b) I, II e III são incorretas c) I e II são corretas d) I e III são corretas e) II e III são corretas
  • 135. 5. (FUVEST) I. O debate sucessório de 1910 se caracterizou pela reação às “candidaturas oficiais”. II. As dissensões entre os grupos militares e oligarquia tradicional, que apoiaram a candidatura Hermes da Fonseca, culminaram na intranquilidade política que caracterizou seu quadriênio. III. O grupo mineiro do “Jardim da Infância” representou, no governo Afonso Pena, a reação ao “Bloco” de Pinheiro Machado. a) I, II e III são corretas b) I, II e III são incorretas c) I e II são corretas d) I e III são corretas e) II e III são corretas
  • 136. 6. (PUC) A Rebelião de Canudos foi fruto: a) Do fanatismo religioso de populares sem condições econômicas de subsistência; b) Do desejo de restaurar a monarquia portuguesa no Brasil; c) Da conspiração de grupos conservadores; d) Da organização de grupos de jagunços no sertão; e) N.D.A
  • 137. 7. (FMU) Rui Barbosa teve atuação destacada como ministro da Fazenda do Governo Provisório. Entre as medidas que implantou salienta-se: a) Ampliação do crédito à lavoura, com indenização aos donos de escravos, em conseqüência da abolição; b) Reforma do sistema de crédito, com incentivo ao setor industrial; c) Política tarifária, estimulando a importação de bens de consumo interno; d) Organização da legislação de sociedades anônimas, visando atrair investimentos estrangeiros no setor industrial.
  • 138. 8. (PUC) A base da economia brasileira durante a Primeira República foi o café e isto se deveu: a) À mudança de regime político, à liberdade de ação dada aos proprietários pela Constituição e aos assalariados italianos; b) Ao incentivo dado aos plantadores de café, á aceitação do nosso produto pela Inglaterra e à libertação dos escravos; c) À decadência da industrialização, à Guerra de Secessão dos Estados Unidos e à decadência da mineração; d) À qualidade das terras, ao clima favorável, à imigração européia e à aceitação do nosso produto no mercado externo. e) N.D.A
  • 139. 9. (PUC) O tenentismo constituiu um dos elementos básicos: a) Da revolução brasileira de 1930; b) Da guerra contra Rosas e Oribe; c) Da guerra do Paraguai; d) Da Questão Militar do II Reinado; e) N.D.A
  • 140. 10. (FACULDADES OBJETIVO) A partir da Revolução de 1930, desenvolveu-se definitivamente um novo setor na economia brasileira: a) café b) indústria urbana c) indústria do açúcar d) Exportação e) N.D.A
  • 142. Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela Constituição da época. As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de: (A) hierarquias sociais herdadas do escravismo (B) privilégios econômicos mantidos pelo Exército (C) dissidências políticas relacionadas ao federalismo (D) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas
  • 144. COMENTÁRIO QUESTÃO ANTERIOR: O episódio conhecido como Revolta da Chibata correspondeu a uma sublevação armada de marinheiros. Descontentes com as condições precárias de trabalho que então vigoravam na Marinha, os revoltosos exigiram melhorias, alegando os direitos constitucionais garantidos pela ordem política republicana. Entre os problemas enfrentados pelos marinheiros, muitos, naquele momento, afrodescendentes, destacava-se a aplicação de castigos físicos, representando, para os grupos hierarquicamente subalternos, a permanência de heranças escravistas e a limitação do pleno exercício da cidadania.
  • 145. 1- Proclamada a República inicia-se um novo período na História política do Brasil: “A República Velha ou Primeira República”. A respeito dos primórdios da República é correto afirmar. A fase e o primeiro presidente da República foram respectivamente a)República Oligárquica e Hermes da Fonseca b)República da Espada e Deodoro da Fonseca c)República da Espada e Floriano Peixoto d)República Oligárquica e Prudente de Morais e)República da Espada e Campos Sales.
  • 146. 2- A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do governo de Campos Salles, caracterizava-se por: a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder. b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal; c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder. d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas; e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.
  • 147. 3- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes potências, pela energia implacável e eficaz de sua política saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a Revolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina. De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de Canudos e o do Contestado foram vistos internacionalmente como MOVIMENTOS : a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo rumo às cidades logo após a abolição. b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos populares dificultavam a modernização do país. c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz. d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para dar lugar ao trabalho livre e à república. e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte- americano no Brasil.
  • 148. 4- Os movimentos messiânicos eram mais comuns do Brasil do que imaginávamos. Além de Canudos, várias revoltas envolvendo seguidores destes movimentos eclodiram durante a primeira metade de século passado. Como o Messianismo foi possível? a)Devido a concentração latifundiária, o estado de miséria dos camponeses, a prática do coronelismo e a forte religiosidade popular. b)Devido unicamente a religiosidade do sertanejo que encontrava nas práticas do messias um conforto para a vida miserável que estava submetido. c)Devido ao grande poder dos líderes messiânicos cujo prestígio era medido pela quantidade de eleitores que controlasse conseguindo desta forma se eleger para os cargos políticos. d)Em virtude do temor que as profecias dos beatos causavam à população mais pobre, preferindo resignar-se a vida de peregrinações e orações para salvação da alma. e)Em razão do clima de insegurança que assolava o campo causado pelo banditismo obrigando a população mais pobre abrigarem-se nos movimentos messiânicos para se proteger.
  • 149. 5-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como: a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados. b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições. c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos. d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor. e)Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle.
  • 150. 6- A Primeira República ou República Velha foi um período da História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na prática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quais podemos caracterizar a Primeira República estão: I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições; II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo grupo político no poder. III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão presidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais que alternavam-se na presidência da República. IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da Primeira República. V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período, devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado efetuado pela Comissão de Verificação. I, II E III ESTÃO CORRETAS.
  • 151. 7-Embora fossem movimentos ligados a questão agrária e a falta de justiça no campo Canudos e o Cangaço possuem finalidades distintas. Em relação a esta diferenciação dos objetivos do Cangaço e de Canudos podemos afirmar como correto que: a)O cangaceiro tinha um fim social na sua prática, pois busca a posse da terra e a justiça social, saqueando e roubando dos ricos para doar aos pobres. Eram considerados os justiceiros pobres. b)O cangaceiro não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando a violência. c)O cangaceiro é um tipo de bandido social que procura aplicar a justiça contra os desmandos dos poderosos no sertão nordestino. d)Canudos não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando o fanatismo religioso. e)Canudos tinha um fim social, mas não busca a posse da terra apenas a justiça social mesmo que fosse alcançada por métodos violentos justificados pelo fanatismo religioso.
  • 152. 8- Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativa INCORRETA. A) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro. B) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça e a miséria persistente na região. C) Caracterizou-se como um movimento de caráter messiânico. D) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha. E) Os revoltosos de Canudos receberam apoio incondicional dos coronéis da região.
  • 153. 9) Os vaqueiros e os peões do interior escutavam o Conselheiro em silêncio, intrigados, atemorizados, comovidos... Alguma vez, alguém o interrompia para tirar uma dúvida. Terminaria o século? Chegaria o mundo ao ano 1900? Ele respondia (...) Em 1896, mil rebanhos correriam da praia para o sertão e o mar se tornaria sertão e o sertão mar (...). Mario Vargas Llosa O carismático Antonio Conselheiro, de que fala o texto acima, liderou a Revolta de Canudos em 1897. Podemos apontar como principais fatores da revolta: a) o crescimento e a modernização da economia nordestina. b) o apoio incondicional do sertanejo à Monarquia. c) a impossibilidade de adaptação do sertanejo aos valores republicanos. d) o abandono em que vivia o sertanejo, o coronelismo e a luta pelo acesso à terra. e) a oposição contra a Igreja Católica, aliada dos monarquistas.
  • 154. 10) (UFRJ97)- “Canudos ficava num cenário que lembrava as paisagens descritas na Bíblia: uma região árida repleta de caatingas, rodeada por cinco serras ásperas e atravessada por um rio, o Vaza- Barris. Decidido a permanecer naquela autêntica fortaleza natural, e isso não deve ter escapado à percepção de Conselheiro, ele e seu grupo entraram em ação para construir uma comunidade onde estivessem livres do incômodo das autoridades religiosas católicas e políticas, bem como das leis republicanas, dos "coronéis", dos juízes, dos impostos, da justiça arbitrária, da política etc”. (COSTA, Nicola S. Canudos – Ordem e Progresso no Sertão. São Paulo, Moderna, 1990.) O movimento de Canudos (1896-97), liderado pelo beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o "Antônio Conselheiro", no sertão nordestino, é um dos mais conhecidos exemplos de movimentos místico-populares que marcou o início da República no Brasil. As problemáticas sociais que deram vida àquele movimento permanecem, até hoje, em grande parte sem solução. A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudos incomodava as “autoridades políticas locais e religiosas”.
  • 155. QUESTÃO ANTERIOR: A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudos incomodava as "autoridades políticas locais e religiosas”. Permitir o acesso a terra e combater a injustiça. Ao permitir o acesso a terra a experiência de Canudos acabava na prática com a dependência dos sertanejos aos favores do coronel destruía o esquema de manutenção do poder das elites políticas ao reagir em relação a sujeição da população pobre ao mando dos coronéis e padres representantes do poder vigente.
  • 157. 1) (UFS) - "...o chefe político lhes dava roupa, cachaça e uma papeleta de voto..." Ao texto pode-se associar, na evolução política brasileira, o: a) mercantilismo e a Colônia b) encilhamento e o Império c) centralismo e a Regência d) coronelismo e a República Velha e) caudilhismo e a República Nova
  • 158. 2) (UNIFENAS) - O objetivo da Coluna Prestes, que na década de 1920 percorreu milhares de quilômetros pelo Brasil, era: a) combater o sistema oligárquico vigente; b) apoiar a campanha civilista; c) defender a ordem no governo Artur Bernardes; d) promover a constitucionalização do País; e) reagir contra a ditadura quase declarada do governo Artur Bernardes.
  • 159. 3) (UNESP)-A Semana de Arte Moderna de 1922, que reuniu em São Paulo escritores e artistas, foi um movimento: a) influenciado pelo cinema internacional e pelas idéias propagadas nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro b) de renovação das formas de expressão com a introdução de modelos norte-americanos; c) de contestação aos velhos padrões estéticos, as estruturas mentais tradicionais e um esforço de repensar a realidade brasileira; d) desencadeado pelos regionalismos nordestinos e gaúcho, que defendiam os valores tradicionais; e) de defesa do realismo e do naturalismo contra as velhas tendências românticas.
  • 160. 4) (FATEC) - O episódio de Canudos foi: a) o resultado da introdução de tecnologia moderna e de forma capitalista no Nordeste, alterando sua tradicional estrutura latifundiária. Daí o caráter monarquista do movimento de Antônio Conselheiro; b) um incidente diplomático em que se envolveram o Brasil e a Argentina, devido à disputa fronteiriça de Canudos; c) a revolta militar contra o governo de Prudente de Morais, ocorrida no Estado de São Paulo, em 1901, liderada por Antônio Conselheiro; d) o escândalo financeiro provocado pelo ministro Bernardino de Campos, durante a presidência de Prudente de Morais; e) a revolta ocorrida no sertão da Bahia, nos últimos anos do século XIX, em que os sertanejos, sob a liderança de Antônio Conselheiro, resistiram durante meses a várias expedições militares enviadas pelos governos estadual e federal;
  • 161. 5) (MACKENZIE) - Governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se no Convênio de Taubaté, em 1906, tendo em vista: a) impedir qualquer intervenção do Estado na economia cafeeira; b) criar mecanismos que evitassem a queda do café, através da compra de estoques excedentes pelo governo com empréstimos externos; c) evitar novos cultivos, reduzir financiamento, visando ajustar oferta e procura sem intervenção do governo; d) atuar no mercado externo, reduzindo a concorrência de outros países produtores de café e expandindo o mercado interno; e) defender uma política agrícola voltada para a policultura, rompendo com a dependência em relação ao café, nosso produto chave na balança de pagamentos.
  • 162. 6) (FUVEST) -Caracteriza o processo eleitoral durante a primeira República, em contraste com o vigente no Segundo Reinado: a) a ausência de fraudes, com a instituição do voto secreto e a criação do Tribunal Superior Eleitoral; b) a ausência de interferência das oligarquias regionais, ao se realizarem as eleições nos grandes centros urbanos; c) o crescimento do número de eleitores, com a extinção do voto censitário e a extensão do direito do voto às mulheres; d) a possibilidade de eleições distritais e a criação de novos partidos políticos para as eleições proporcionais; e) a maior participação dos eleitores das áreas urbanas ao se abolir o voto censitário e se limitar aos alfabetizados.
  • 163. 7)(UFS) -O Brasil a partir da primeira Guerra Mundial (1914/1918) e em decorrência de seus efeitos, sofreu diversas transformações, dentre elas: a) o incremento da política de incentivo à produção de soja; b) o fim do monopólio estatal sobre as atividades extrativistas; c) a aceleração do processo de industrialização no eixo São Paulo/Rio de Janeiro; d) a eliminação das barreiras alfandegárias entre zona rural e zona urbana; e) o aprofundamento do fenômeno da ruralização no eixo Norte/Nordeste.
  • 164. 8-(MACKENZIE) - Em 3 de outubro eclodiu a revolução de 1930, pondo fim à República Velha. Dentre as causas deste episódio histórico destacamos: a) a vitória da oposição nas eleições e o temor de revanchismos nas oligarquias derrotadas; b) a dissidência das oligarquias nas eleições de 1930, fortalecendo a Aliança Liberal, derrotada, contudo, pela fraude da máquina do governo; c) o programa da Aliança Liberal não identificado com as classes médias urbanas; d) a sólida situação econômica do núcleo cafeeiro no início da década de trinta; e) o apoio dos jovens militares, tenentistas, à política oligárquica nos anos vinte.
  • 166. I. Na primeira República a expressão "socialização de perdas" pode ser aplicada às sucessivas compras de excedentes da produção da indústria leve nacional por parte do governo. II. Apesar de seus limites regionais, a burguesia do café constitui-se numa classe articulada, capaz de expressar seus interesses através do PRP (Partido Republicano Paulista) e de suas associações de classe. III. Controlados por uma elite reduzida, os partidos republicanos decidiam os destinos da política nacional e indicavam os candidatos à presidência da República. IV. A República concretizou a autonomia estadual, dando plena expansão aos interesses de cada região. No plano político, houve a formação de partidos republicanos restritos a cada Estado, sendo que fracassaram ou tiveram vida efêmera as tentativas de organização de partidos nacionais. V. A maioria da população brasileira votou, ao longo da Primeira República, para a escolha de seus representantes junto às Assembléias Legislativas, Câmara do Deputados, Senado e Presidência da República, sendo que o presidente eleito indicava os Governadores. Acerca da Primeira República (1889-1930) é correto APENAS o afirmado em: II, III e IV
  • 167. PUC SP JULHO 2005 A Constituição brasileira de 1891: a) permitiu a plena democratização do país, com a superação do regime militar. b) criou um quarto poder, o Moderador, que atribuía plenos poderes ao Imperador. c) separou o Estado, agora republicano, da Igreja Católica. d) manteve a permissão para a existência de mão de obra escrava. e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo.