SAÚDE MENTAL- I
Professora: Daiane Campos
Objetivos
Após a aula o aluno deverá ser capaz de:
Diferenciar os conceitos de Saúde Mental e Transtorno Mental
Conhecer a epidemiologia e impacto dos transtornos mentais
Saúde Mental
Forma como uma pessoa reage às exigências, desafios e
mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e
emoções.
Diariamente, vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins,
mas que fazem parte da vida
Como lidamos com essas emoções é o que determina como está
a qualidade da nossa saúde mental
ALEGRIA TRISTEZ
A
FRUSTRAÇÃ
O
MEDO FELICIDADE RAIVA
SATISFAÇÃ
O
Saúde Mental
A saúde mental contempla, entre outros fatores
A nossa capacidade de sensação de bem-estar e
harmonia
A nossa habilidade de manejar de forma positiva as
adversidades e conflitos
O reconhecimento e respeito dos nossos limites e
deficiências
Nossa satisfação em viver, compartilhar e se
relacionar com os outros
Saúde Mental
Estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas
próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser
produtivo e contribuir com a sua comunidade
Sofrimento Mental
“evidente sofrimento subjetivo que não
chegam a caracterizar um transtorno
mental”
• Luto
• Separação
• Perda do emprego
• Gravidez indesejada
• Conflitos amorosos
• Situações estressantes
• Sobrecarga do cuidado
• Catástrofes (RIBEIRO, 2007)
Transtornos Mentais
Alterações do funcionamento da mente que prejudicam o
desempenho da pessoa na vida familiar, social, pessoal, no
trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na
possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na
possibilidade de ter prazer na vida em geral. Isto significa que os
transtornos mentais não deixam nenhum aspecto da condição
humana intocado
Amaral, 2011
“condições clinicamente significativas
caracterizadas por alterações do modo
de pensar e do humor (emoções) e/ou
do comportamento associados à
angústia pessoal e/ou deterioração do
funcionamento psíquico global (social,
familiar, ocupacional, pessoal).”
(WHO, 2001)
Transtornos Mentais
Atributos individuais - habilidade para
manejar os próprios pensamentos,
emoções, comportamentos e interação com
outras pessoas
Fatores sociais, culturais, econômicos,
políticos e ambientais (políticas nacionais,
proteção social, padrões de moradia,
condições de trabalho e suporte social
(WHO, 2013)
Determinantes de Saúde Mental e
Transtorno Mental
Fatores de Risco
ESTRESSE
GENÉTICA
NUTRIÇÃO
INFECÇÕES
PERINATAIS
EXPOSIÇÃO
A PERIGOS
AMBIENTAIS
 Indivíduos morando em situação de pobreza
 Pessoas com doenças crônicas de saúde
 Lactentes e crianças expostos a maus tratos e
negligência
 Adolescentes expostos pela primeira vez ao uso de
drogas
(WHO, 2013)
Grupos vulneráveis
 Pessoas que vivenciam discriminação e violação dos direitos humanos
 População indígena
 Idosos
 Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (travestis,
transexuais)
 Prisioneiros
 Pessoas expostas a conflitos, desastres e outras
emergências humanitárias
(WHO, 2013)
Grupos vulneráveis
Cerca de 700 milhões de pessoas sofrem de perturbações
mentais, neurológicas ou comportamentais, menos de um
terço recebe tratamento adequado (OMS, 2013)
mais comuns os transtornos de ansiedade (9%)
os transtornos somatoformes (3%) e
os transtornos depressivos (2.6%)
FEMININO
MASCULINO dependência ao álcool (8%) seguido
dos transtornos de ansiedade ( 4.3%)
Epidemiologia
Impacto dos transtornos mentais
Interferem consideravelmente
Capacidade de aprendizado das crianças
Funcionamento dos adultos na família
Trabalho
Sociedade
Depressão - é um transtorno comum e estima-se que mais de
300 milhões de pessoas sofram com ela e aproximadamente
800 mil mortes/ano
OMS, 2018
Impacto dos transtornos mentais
Baixos níveis de reconhecimento e de acesso a cuidados
para depressão e ansiedade resultam em uma perda
econômica global de um trilhão de dólares todos os anos.
Cada dólar investido na ampliação do tratamento para
transtornos mentais comuns, como depressão e
ansiedade, resulta em um retorno de quatro dólares em
melhores condições de saúde e capacidade de trabalho
para a população .
OMS, 2017
Phillippe Pinel (1745 -1826) foi um médico francês, diretor do manicônio de
Bicêtre. Realizou a primeira tentativa séria de classificar doenças mentais
Considerado por muitos o pai da psiquiatria
Sintonizado com os ideais revolucionários franceses de liberdade, igualdade
e fraternidade, preconizou o tratamento moral para os alienados e
desacorrentou os loucos em Paris
Alienados
Idade Moderna (Sec. XV a XVIII)
• Até meados do século XIX os doentes mentais viviam pelas
ruas
• Vinda família real – foram encarcerados nas prisões ou
reclusos em celas especiais das “Santas Casas de
Misericórdia” - (Fase Higienista)
No Brasil
• 1890 - Decreto nº 142-A. O Hospício de Pedro II foi
desanexado da Santa Casa da Misericórdia e passou a ser
denominado Hospício Nacional de Alienados, entre
janeiro de 1890 e novembro de 1894, teriam sido internados
no Hospício Nacional 3.201 pacientes
No Brasil
• Sistema de cuidado hospitalar para os doentes mentais cresceu...
...mas a população de doentes mentais cresceu mais rápido
 Instituições tornaram-se superlotadas e deficientes em
pessoal;
 Condições deterioraram;
 Cuidado terapêutico reverteu ao cuidado custodial;
 Esses hospitais constituíram o principal recurso para
os doentes mentais por muito tempo.
Sec XIX
A assistência ao doente mental .....
Psiquiatria Comunitária – Inglaterra
Psiquiatria de Setor – França
Psiquiatria Democrática – Itália
Psiquiatria na Comunidade – Estados Unidos
Revolução Tranquila - Canadá
Desinstitucionalização
Substituição do tratamento hospitalar para
uma rede de atendimento na comunidade
Após 2ª Guerra Mundial
MUDANÇA NO PARADIGMA DO CUIDADO EM
SAÚDE MENTAL
Do asilo
PARA A
COMUNIDADE
REFORMA PSIQUIÁTRICA
https://www.youtube.com/watch?v=56tOYJqPsMM 0:21- 4:07
1º momento: crítica ao modelo de assistência centrado no hospital
psiquiátrico(1978 -1991)
-Declaração de Caracas (1990): documento que marca as reformas na
atenção à saúde mental nas Américas.
-"A reestruturação da atenção psiquiátrica implica a revisão crítica do
papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na prestação
dos serviços (OMS, 1990)."
A Reforma Psiquiátrica no Brasil
2º momento: Lei Federal 10.216/2001 - Dispõe sobre a
proteção e os direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial
em saúde mental.
Número de
leitos
hospitalares
Serviços de
saúde mental
na comunidade
Relacionamento profissional
/paciente/cliente/família/sociedade
A Reforma Psiquiátrica no Brasil
Principais aspectos da Lei 10.216/01
• Reorientação do modelo assistencial
• Direitos dos usuários: melhor tratamento (preferencialmente em
serviços comunitários de saúde mental), inserção na comunidade,
informação sobre o tratamento (os menos invasivos) – direito a
cuidados integrais
• Responsabilidade do Estado para desenvolver políticas públicas
para esta população
Principais aspectos da Lei 10.216/01
•Internação como último recurso terapêutico
• Proibição de internações em instituições asilares
• Políticas específicas para pacientes longamente internados
Principais aspectos da Lei 10.216/01
Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo
médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.
Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação
psiquiátrica:
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do
usuário;
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do
usuário e a pedido de terceiro; e
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
3º momento: Rede de Atenção Psicossocial
Integralidade - A atenção à
saúde inclui tanto os meios
curativos quanto os
preventivos; tanto os
individuais quanto os
coletivos.
Eqüidade - Todos devem ter
igualdade de oportunidade
em usar o sistema de saúde
A Reforma Psiquiátrica no Brasil
Política Nacional de Saúde Mental
 Ação do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da
Saúde
 Estratégias e Diretrizes adotadas pelo país para organizar a
assistência às pessoas com necessidades de tratamento e
cuidados específicos em saúde mental
 Abrange a atenção a pessoas com necessidades relacionadas
a TM
2003- LEI No 10.708 - JULHO Institui o auxílio-reabilitação
psicossocial para pacientes acometidos de transtornos
mentais egressos de internações – Programa de Volta para
Casa
2011- Portaria Nº 3.088, DEZEMBRO – Institui a Rede de
Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de
crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de
Saúde
2011- Portaria Nº 3.089, DEZEMBRO - Estabelece novo tipo
de financiamento dos Centros de Atenção Psicossocial
(CAPS)
2011- Portaria Nº 3.090, DEZEMBRO - Estabelece que os
Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs), sejam definidos
em tipo I e II, destina recurso financeiro para incentivo e
custeio dos SRTs, e dá outras providências.
2011- Portaria Nº 3.088, DEZEMBRO – Institui a Rede
de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento
ou transtorno mental e com necessidades decorrentes
do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do
Sistema Único de Saúde
• Ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral;
• Promover a vinculação das pessoas com transtornos mentais e
com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas e suas famílias aos pontos de atenção;
• Garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das
redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio
do acolhimento, do acompanhamento contínuo e da atenção às
urgências.
2012- Portaria Nº 121, DEZEMBRO – Institui a Unidade
de Acolhimento para pessoas com necessidades
decorrentes do uso de Crack, Álcool e Outras Drogas
(Unidade de Acolhimento), no componente de atenção
residencial de caráter transitório da Rede de Atenção
Psicossocial.
• As ações a serem desenvolvidas pelas Unidades de Acolhimento e o
tempo de permanência de cada usuário deverão estar previstas no
Projeto Terapêutico Singular
• O Projeto Terapêutico Singular será formulado no âmbito da Unidade
de Acolhimento com a participação do Centro de Atenção
Psicossocial
• Conjunto de propostas e condutas terapêuticas articuladas em
discussão coletiva interdisciplinar - dispositivo potencial para o
planejamento das ações em saúde
Rede de Atenção Psicossocial
 Atenção Básica
 Atenção Psicossocial Especializada
 Atenção de urgência e emergência
 Atenção Residencial de Caráter Transitório
 Atenção Hospitalar
 Reabilitação Psicossocial
Componentes
Rede de Atenção Psicossocial
Pontos de Atenção
 Unidade Básica de Saúde
 Centro de Atenção Psicossocial
 SAMU 192, Unidade de Pronto Atendimento, Pronto Socorro,
 Centros de Atenção Psicossocial
 Serviços de Atenção em Regime Residencial
 Enfermaria Especializada;
 Residências Terapêuticas; Programa de Volta para Casa
 Empreendimentos solidários e cooperativas sociais
CAPS I - Equipe técnica mínima (9), atendimento 20 pacientes por turno, limite máximo
30 (trinta) pacientes/dia, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos;
CAPS II- Equipe técnica mínima (12), 30 (trinta) pacientes por turno, tendo como limite
máximo 45, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, durante os cinco dias úteis da
semana, podendo comportar um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas;
CAPS III - Equipe técnica mínima (16), 40 (quarenta) pacientes por turno, tendo como limite
máximo 60 (sessenta) pacientes/dia,máximo 05 (cinco) leitos, para eventual repouso e/ou
observação durante 24 horas diariamente
CAPS i II - Equipe técnica mínima (11), serviço de atenção psicossocial para atendimentos a
crianças e adolescentes, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, 15 (quinze) crianças e/ou
adolescentes por turno, limite máximo 25 pacientes/dia;
CAPS AD II- Equipe técnica mínima (13), Serviço de atenção psicossocial para atendimento
de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas,
02 (dois) a 04 (quatro) leitos para desintoxicação e repouso, 8:00 às 18:00 horas, em 02
(dois) turnos, durante os cinco dias úteis da semana, podendo comportar um terceiro turno
funcionando até às 21:00 horas
Portaria n.º 336/GM Em 19 de fevereiro de 2002
Rede APS- Atenção psicossocial - Até 20.000 habitantes
CAPS I – Atenção psicossocial e ações de saúde mental - 20.000 e
70.000 habitantes
CAPS II, CAPS AD e Rede APS- ações de saúde mental -70.000 a
200.000 habitantes
CAPS II, CAPS III, CAPS AD, CAPSi, e Rede APS- ações de saúde
mental e capacitação do SAMU- Mais de 200.000 habitantes
Hospitais psiquiátricos especializados e Hospitais Gerais –
suporte casos de internação
A composição da rede deve ser definida seguindo estes parâmetros
mas também atendendo a realidade local
Descentralização político-administrativa – os municípios são responsáveis por fazer a gestão dos
serviços
Hierarquização e regionalização – assistência primária no território onde as pessoas vivem
Conjunto de ações que buscam o fortalecimento, a
inclusão e o exercício de direitos de cidadania de
pacientes e familiares, mediante a criação e o
desenvolvimento de iniciativas articuladas com os
recursos do território nos campos do trabalho,
habitação, educação, cultura, segurança e direitos
humanos
Ministério da Saúde
Reabilitação Psicossocial
 NÃO SIGNIFICA substituir uma desabilitação por uma habilitação. Não
se trata simplesmente de recuperar habilidades perdidas em
consequência da instauração de um processo de adoecimento
psíquico grave
 OFERECER AO USUÁRIO OPORTUNIDADES para que ele possa
aumentar suas trocas de recursos materiais e afetivos, em que se
estabelece como decisiva a perspectiva da negociação
 TRATA-SE NÃO DE CONDUZI-LO A DETERMINADA META
ESTABELECIDA A PRIORI, em um referencial da normalidade, mas de
convidálo a exercer plenamente aquilo, seja pouco ou muito, do que
seja capaz.
Reabilitação Psicossocial
 REABILITAR não se reduz a repor mais ou menos bem uma perda e
sim trabalhar na direção da construção de vínculos sociais possíveis.
Para alguns pacientes, especialmente aqueles com alto risco de
exclusão social e prejuízo de sua autonomia, pequenas mudanças
podem significar grandes avanços
 POR EXEMPLO, a simples circulação de um paciente psicótico pela
cidade, que antes não saía de seu quarto, pode representar um
movimento importante na construção de novas perspectivas de trocas
e de inserção social
SARACENO, 1996,
PITTA,1996
Reabilitação Psicossocial
Mentes abertas cultivam almas saudáveis.as cultivam almas
saudáveis.

Aula saúde mental I e II

  • 1.
  • 2.
    Objetivos Após a aulao aluno deverá ser capaz de: Diferenciar os conceitos de Saúde Mental e Transtorno Mental Conhecer a epidemiologia e impacto dos transtornos mentais
  • 3.
    Saúde Mental Forma comouma pessoa reage às exigências, desafios e mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções. Diariamente, vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins, mas que fazem parte da vida Como lidamos com essas emoções é o que determina como está a qualidade da nossa saúde mental ALEGRIA TRISTEZ A FRUSTRAÇÃ O MEDO FELICIDADE RAIVA SATISFAÇÃ O
  • 4.
    Saúde Mental A saúdemental contempla, entre outros fatores A nossa capacidade de sensação de bem-estar e harmonia A nossa habilidade de manejar de forma positiva as adversidades e conflitos O reconhecimento e respeito dos nossos limites e deficiências Nossa satisfação em viver, compartilhar e se relacionar com os outros
  • 5.
    Saúde Mental Estado debem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade
  • 6.
    Sofrimento Mental “evidente sofrimentosubjetivo que não chegam a caracterizar um transtorno mental” • Luto • Separação • Perda do emprego • Gravidez indesejada • Conflitos amorosos • Situações estressantes • Sobrecarga do cuidado • Catástrofes (RIBEIRO, 2007)
  • 7.
    Transtornos Mentais Alterações dofuncionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, social, pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral. Isto significa que os transtornos mentais não deixam nenhum aspecto da condição humana intocado Amaral, 2011
  • 8.
    “condições clinicamente significativas caracterizadaspor alterações do modo de pensar e do humor (emoções) e/ou do comportamento associados à angústia pessoal e/ou deterioração do funcionamento psíquico global (social, familiar, ocupacional, pessoal).” (WHO, 2001) Transtornos Mentais
  • 9.
    Atributos individuais -habilidade para manejar os próprios pensamentos, emoções, comportamentos e interação com outras pessoas Fatores sociais, culturais, econômicos, políticos e ambientais (políticas nacionais, proteção social, padrões de moradia, condições de trabalho e suporte social (WHO, 2013) Determinantes de Saúde Mental e Transtorno Mental
  • 10.
  • 11.
     Indivíduos morandoem situação de pobreza  Pessoas com doenças crônicas de saúde  Lactentes e crianças expostos a maus tratos e negligência  Adolescentes expostos pela primeira vez ao uso de drogas (WHO, 2013) Grupos vulneráveis
  • 12.
     Pessoas quevivenciam discriminação e violação dos direitos humanos  População indígena  Idosos  Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (travestis, transexuais)  Prisioneiros  Pessoas expostas a conflitos, desastres e outras emergências humanitárias (WHO, 2013) Grupos vulneráveis
  • 13.
    Cerca de 700milhões de pessoas sofrem de perturbações mentais, neurológicas ou comportamentais, menos de um terço recebe tratamento adequado (OMS, 2013) mais comuns os transtornos de ansiedade (9%) os transtornos somatoformes (3%) e os transtornos depressivos (2.6%) FEMININO MASCULINO dependência ao álcool (8%) seguido dos transtornos de ansiedade ( 4.3%) Epidemiologia
  • 14.
    Impacto dos transtornosmentais Interferem consideravelmente Capacidade de aprendizado das crianças Funcionamento dos adultos na família Trabalho Sociedade Depressão - é um transtorno comum e estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ela e aproximadamente 800 mil mortes/ano OMS, 2018
  • 15.
    Impacto dos transtornosmentais Baixos níveis de reconhecimento e de acesso a cuidados para depressão e ansiedade resultam em uma perda econômica global de um trilhão de dólares todos os anos. Cada dólar investido na ampliação do tratamento para transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, resulta em um retorno de quatro dólares em melhores condições de saúde e capacidade de trabalho para a população . OMS, 2017
  • 16.
    Phillippe Pinel (1745-1826) foi um médico francês, diretor do manicônio de Bicêtre. Realizou a primeira tentativa séria de classificar doenças mentais Considerado por muitos o pai da psiquiatria Sintonizado com os ideais revolucionários franceses de liberdade, igualdade e fraternidade, preconizou o tratamento moral para os alienados e desacorrentou os loucos em Paris Alienados Idade Moderna (Sec. XV a XVIII)
  • 17.
    • Até meadosdo século XIX os doentes mentais viviam pelas ruas • Vinda família real – foram encarcerados nas prisões ou reclusos em celas especiais das “Santas Casas de Misericórdia” - (Fase Higienista) No Brasil
  • 18.
    • 1890 -Decreto nº 142-A. O Hospício de Pedro II foi desanexado da Santa Casa da Misericórdia e passou a ser denominado Hospício Nacional de Alienados, entre janeiro de 1890 e novembro de 1894, teriam sido internados no Hospício Nacional 3.201 pacientes No Brasil
  • 19.
    • Sistema decuidado hospitalar para os doentes mentais cresceu... ...mas a população de doentes mentais cresceu mais rápido  Instituições tornaram-se superlotadas e deficientes em pessoal;  Condições deterioraram;  Cuidado terapêutico reverteu ao cuidado custodial;  Esses hospitais constituíram o principal recurso para os doentes mentais por muito tempo. Sec XIX
  • 20.
    A assistência aodoente mental .....
  • 21.
    Psiquiatria Comunitária –Inglaterra Psiquiatria de Setor – França Psiquiatria Democrática – Itália Psiquiatria na Comunidade – Estados Unidos Revolução Tranquila - Canadá Desinstitucionalização Substituição do tratamento hospitalar para uma rede de atendimento na comunidade Após 2ª Guerra Mundial
  • 22.
    MUDANÇA NO PARADIGMADO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL Do asilo
  • 23.
  • 24.
  • 25.
    1º momento: críticaao modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico(1978 -1991) -Declaração de Caracas (1990): documento que marca as reformas na atenção à saúde mental nas Américas. -"A reestruturação da atenção psiquiátrica implica a revisão crítica do papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na prestação dos serviços (OMS, 1990)." A Reforma Psiquiátrica no Brasil
  • 26.
    2º momento: LeiFederal 10.216/2001 - Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Número de leitos hospitalares Serviços de saúde mental na comunidade Relacionamento profissional /paciente/cliente/família/sociedade A Reforma Psiquiátrica no Brasil
  • 27.
    Principais aspectos daLei 10.216/01 • Reorientação do modelo assistencial • Direitos dos usuários: melhor tratamento (preferencialmente em serviços comunitários de saúde mental), inserção na comunidade, informação sobre o tratamento (os menos invasivos) – direito a cuidados integrais • Responsabilidade do Estado para desenvolver políticas públicas para esta população
  • 28.
    Principais aspectos daLei 10.216/01 •Internação como último recurso terapêutico • Proibição de internações em instituições asilares • Políticas específicas para pacientes longamente internados
  • 29.
    Principais aspectos daLei 10.216/01 Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
  • 30.
    3º momento: Redede Atenção Psicossocial Integralidade - A atenção à saúde inclui tanto os meios curativos quanto os preventivos; tanto os individuais quanto os coletivos. Eqüidade - Todos devem ter igualdade de oportunidade em usar o sistema de saúde A Reforma Psiquiátrica no Brasil
  • 31.
    Política Nacional deSaúde Mental  Ação do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Saúde  Estratégias e Diretrizes adotadas pelo país para organizar a assistência às pessoas com necessidades de tratamento e cuidados específicos em saúde mental  Abrange a atenção a pessoas com necessidades relacionadas a TM
  • 32.
    2003- LEI No10.708 - JULHO Institui o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações – Programa de Volta para Casa 2011- Portaria Nº 3.088, DEZEMBRO – Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde 2011- Portaria Nº 3.089, DEZEMBRO - Estabelece novo tipo de financiamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) 2011- Portaria Nº 3.090, DEZEMBRO - Estabelece que os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs), sejam definidos em tipo I e II, destina recurso financeiro para incentivo e custeio dos SRTs, e dá outras providências.
  • 33.
    2011- Portaria Nº3.088, DEZEMBRO – Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde • Ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral; • Promover a vinculação das pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção; • Garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do acompanhamento contínuo e da atenção às urgências.
  • 34.
    2012- Portaria Nº121, DEZEMBRO – Institui a Unidade de Acolhimento para pessoas com necessidades decorrentes do uso de Crack, Álcool e Outras Drogas (Unidade de Acolhimento), no componente de atenção residencial de caráter transitório da Rede de Atenção Psicossocial. • As ações a serem desenvolvidas pelas Unidades de Acolhimento e o tempo de permanência de cada usuário deverão estar previstas no Projeto Terapêutico Singular • O Projeto Terapêutico Singular será formulado no âmbito da Unidade de Acolhimento com a participação do Centro de Atenção Psicossocial • Conjunto de propostas e condutas terapêuticas articuladas em discussão coletiva interdisciplinar - dispositivo potencial para o planejamento das ações em saúde
  • 35.
    Rede de AtençãoPsicossocial  Atenção Básica  Atenção Psicossocial Especializada  Atenção de urgência e emergência  Atenção Residencial de Caráter Transitório  Atenção Hospitalar  Reabilitação Psicossocial Componentes
  • 36.
    Rede de AtençãoPsicossocial Pontos de Atenção  Unidade Básica de Saúde  Centro de Atenção Psicossocial  SAMU 192, Unidade de Pronto Atendimento, Pronto Socorro,  Centros de Atenção Psicossocial  Serviços de Atenção em Regime Residencial  Enfermaria Especializada;  Residências Terapêuticas; Programa de Volta para Casa  Empreendimentos solidários e cooperativas sociais
  • 37.
    CAPS I -Equipe técnica mínima (9), atendimento 20 pacientes por turno, limite máximo 30 (trinta) pacientes/dia, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos; CAPS II- Equipe técnica mínima (12), 30 (trinta) pacientes por turno, tendo como limite máximo 45, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, durante os cinco dias úteis da semana, podendo comportar um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas; CAPS III - Equipe técnica mínima (16), 40 (quarenta) pacientes por turno, tendo como limite máximo 60 (sessenta) pacientes/dia,máximo 05 (cinco) leitos, para eventual repouso e/ou observação durante 24 horas diariamente CAPS i II - Equipe técnica mínima (11), serviço de atenção psicossocial para atendimentos a crianças e adolescentes, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, 15 (quinze) crianças e/ou adolescentes por turno, limite máximo 25 pacientes/dia; CAPS AD II- Equipe técnica mínima (13), Serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, 02 (dois) a 04 (quatro) leitos para desintoxicação e repouso, 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, durante os cinco dias úteis da semana, podendo comportar um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas Portaria n.º 336/GM Em 19 de fevereiro de 2002
  • 38.
    Rede APS- Atençãopsicossocial - Até 20.000 habitantes CAPS I – Atenção psicossocial e ações de saúde mental - 20.000 e 70.000 habitantes CAPS II, CAPS AD e Rede APS- ações de saúde mental -70.000 a 200.000 habitantes CAPS II, CAPS III, CAPS AD, CAPSi, e Rede APS- ações de saúde mental e capacitação do SAMU- Mais de 200.000 habitantes Hospitais psiquiátricos especializados e Hospitais Gerais – suporte casos de internação A composição da rede deve ser definida seguindo estes parâmetros mas também atendendo a realidade local Descentralização político-administrativa – os municípios são responsáveis por fazer a gestão dos serviços Hierarquização e regionalização – assistência primária no território onde as pessoas vivem
  • 39.
    Conjunto de açõesque buscam o fortalecimento, a inclusão e o exercício de direitos de cidadania de pacientes e familiares, mediante a criação e o desenvolvimento de iniciativas articuladas com os recursos do território nos campos do trabalho, habitação, educação, cultura, segurança e direitos humanos Ministério da Saúde Reabilitação Psicossocial
  • 40.
     NÃO SIGNIFICAsubstituir uma desabilitação por uma habilitação. Não se trata simplesmente de recuperar habilidades perdidas em consequência da instauração de um processo de adoecimento psíquico grave  OFERECER AO USUÁRIO OPORTUNIDADES para que ele possa aumentar suas trocas de recursos materiais e afetivos, em que se estabelece como decisiva a perspectiva da negociação  TRATA-SE NÃO DE CONDUZI-LO A DETERMINADA META ESTABELECIDA A PRIORI, em um referencial da normalidade, mas de convidálo a exercer plenamente aquilo, seja pouco ou muito, do que seja capaz. Reabilitação Psicossocial
  • 41.
     REABILITAR nãose reduz a repor mais ou menos bem uma perda e sim trabalhar na direção da construção de vínculos sociais possíveis. Para alguns pacientes, especialmente aqueles com alto risco de exclusão social e prejuízo de sua autonomia, pequenas mudanças podem significar grandes avanços  POR EXEMPLO, a simples circulação de um paciente psicótico pela cidade, que antes não saía de seu quarto, pode representar um movimento importante na construção de novas perspectivas de trocas e de inserção social SARACENO, 1996, PITTA,1996 Reabilitação Psicossocial
  • 42.
    Mentes abertas cultivamalmas saudáveis.as cultivam almas saudáveis.