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Teorias da Comunicação
A Sociedade em Rede
Prof. Ms. Elizeu Silva
A SOCIEDADE EM REDE
Manuel Castells: Sociólogo espanhol, professor de
Comunicação da Universidade da Califórnia do Sul.
Criou o conceito de “capitalismo informacional”, que
assume a tecnologia da informação como paradigma
das mudanças sociais no mundo capitalista desde
1980.
Manuel Castells, 1942
(Espanha)
A SOCIEDADE EM REDE
Há uma transformação tecnológica de dimensões históricas em curso
atualmente: a integração de vários modos de comunicação em uma rede
interativa.
Pela primeira vez na história, um mesmo sistema é capaz de integrar
comunicação humana nas modalidades escrita, oral e audiovisual. Surge
uma nova forma de comunicação baseada em hipertexto e
metalinguagem.
A SOCIEDADE EM REDE
A integração potencial de texto, imagens e sons no mesmo sistema –
interagindo a partir de pontos múltiplos, no tempo escolhido (real ou
atrasado) em uma rede global, em condições de acesso aberto e de preço
acessível – muda de forma fundamental o caráter da comunicação.
A SOCIEDADE EM REDE
“A nova mídia determina uma audiência segmentada, diferenciada. Já não é
mais uma audiência de massa [no sentido clássico]. A nova mídia não é mais
mídia de massa no sentido tradicional do envio de um número limitado de
mensagens a uma audiência homogênea de massa. Devido à multiplicidade de
mensagens e fontes, a própria audiência torna-se mais seletiva. A audiência
tende a escolher suas mensagens, aprofundando a segmentação da sociedade e
intensificando o relacionamento individual entre o emissor e o receptor”.
Françoise Sabbah.
A SOCIEDADE EM REDE
Com a nova mídia, ocorre a evolução de uma sociedade de massa a uma
sociedade segmentada, resultante das novas tecnologias de comunicação, que
enfocam a informação especializada, diversificada, tornando a audiência cada
vez mais segmentada por ideologias, valores, gostos e estilos de vida. Youichi
Ito.
A SOCIEDADE EM REDE
A constelação da internet
A internet é a espinha dorsal da comunicação global mediada por
computadores (CMC). Na Era da Informação, as diversas possibilidades
proporcionadas pela internet fazem dela o principal meio de comunicação
interativo universal – via computador.
A SOCIEDADE EM REDE
Diferentemente dos outros meios, os consumidores da internet são também
produtores de conteúdos. São eles que dão forma à teia.
Atualmente, milhões de usuários do mundo inteiro produzem conteúdos
sobre todo o espectro da cultura humana (política, religião, artes, sexo
etc). Uma parte considerável das comunicações que acontecem na rede
surge espontaneamente – ou seja, não dependente da planificação dos
escritórios de mídia e de conteúdo.
A SOCIEDADE EM REDE
A rede é especialmente apropriada para a geração de laços fracos múltiplos.
Os laços fracos são úteis no fornecimento de informações e na abertura de
novas oportunidades a baixo custo.
A PRIVATIZAÇÃO DA SOCIABILIDADE
Luís Mauro Sá Martino: Graduado em
Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero
(1998), com Mestrado (2001) e Doutorado
(2004) em Ciências Sociais pela PUC-SP. Pós-
Doutorado na School of Political, Social and
International Studies na University of East
Anglia, na Inglaterra (2008-2009). Professor do
PPG em Comunicação da Cásper Líbero.
Luís Mauro Sá Martino (Brasil)
A PRIVATIZAÇÃO DA SOCIABILIDADE
A nova mídia é constituída de redes sociais interpessoais, em sua maioria
baseadas em laços fracos, diversificadíssimas e especializadíssimas.
Segundo Wellman, “não são imitações de outras formas de vida, mas têm
sua própria dinâmica”.
• Não existem pela inexistência de outras formas de sociabilidade.
• Reforçam a tendência de “privatização da sociabilidade” – ou seja,
reconstrução das redes sociais ao redor do indivíduo, o
desenvolvimento de comunidades pessoais.
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
André Lemos: Engenheiro, mestre em
Política de Ciência e Tecnologia pela
COPPE/UFRJ e doutor em Sociologia pela
Université Paris V (René Descartes - 1995),
pós-doutor pelas University of Alberta e
Mcgill University no Canadá (2007-2008).
Professor associado da Faculdade de
Comunicação da Universidade Federal da
Bahia e pesquisador do CNPq.
André Lemos (Brasil)
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de
práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de
informação a partir das tecnologias digitais.
Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha
contorno planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as
novas mídias (Lev Manovich).
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
A cibercultura caracteriza-se por três “leis” fundadoras:
• A liberação do pólo da emissão.
• O princípio de conexão em rede.
• A reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais.
Essa leis vão nortear os processos de “re-mixagem” contemporâneos.
Sob o prisma de uma fenomenologia do social, esse tripé (emissão,
conexão, reconfiguração) tem como pressuposto uma mudança social na
vivência do espaço e do tempo.
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
Na cibercultura, novos critérios de criação, criatividade e obra emergem
consolidando, a partir das últimas décadas do século XX, essa cultura
remix.
Por remix compreendemos as possibilidades de apropriação, desvios e
criação livre (que começam com a música, com os DJ’s no hip hop e os
Sound Systems) a partir de outros formatos, modalidades ou tecnologias,
potencializados pelas características das ferramentas digitais e pela
dinâmica da sociedade contemporânea.
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
Agora o lema da cibercultura é “a informação quer ser livre”. E ela não
pode ser considerada uma commodite como laranjas ou bananas. Busca-
se assim, processos para criar e favorecer “inteligências coletivas”
(Lévy) ou “conectivas” (Kerkhove).
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
A nova dinâmica técnico-social da cibercultura instaura assim, não uma
novidade, mas uma radicalidade: uma estrutura midiática ímpar na
história da humanidade onde, pela primeira vez, qualquer indivíduo
pode, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos
formatos e modulações, para qualquer lugar do planeta e alterar,
adicionar e colaborar com pedaços de informação criados por outros.
A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM
A cibercultura tem criado o que se vem chamando de “citizen media”, ou
“mídia do cidadão”, em que cada usuário é estimulado a produzir,
distribuir e reciclar conteúdos digitais, sejam eles textos literários,
protestos políticos, matérias jornalísticas, emissões sonoras, filmes
caseiros, fotos ou música.
CIBERCULTURA
Pierre Levy: Filósofo e sociólogo, estuda o
impacto da internet sobre a sociedade.
Professor do Departamento de Hipermídia
da Universidade de Paris VIII. Pesquisa a
inteligência coletiva focando em um
contexto antropológico, e é um dos
principais filósofos da mídia atualmente.
Pierre Levy, 1956 (França)
CIBERCULTURA
O termo ciberespaço especifica não apenas a infraestrutura material da
comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações
que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e
alimentam esse universo.
Cibercultura especifica o conjunto de técnicas (materiais e
intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de
valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do
ciberespaço.
CIBERCULTURA
• A cibertecnologia é buscada por Estados em busca de potência
econômica e supremacia militar.
• Responde aos propósitos de desenvolvedores e usuários que
procuram aumentar a autonomia dos indivíduos e multiplicar suas
faculdades cognitivas.
• Encarna o ideal de cientistas, artistas, gerentes e ativistas da rede
que desejam melhorar a colaboração entre as pessoas, que exploram
e dão vida a diferentes formas de inteligência coletiva e distribuída.
CIBERCULTURA
A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma
evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma
cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas. E
digo condicionada, não determinada. Essa diferença é fundamental.
CIBERCULTURA
A inteligência coletiva é um dos principais motores da cibercultura. De
fato, o estabelecimento de uma sinergia entre competências, recursos e
projetos, a constituição e manutenção dinâmicas de memórias em
comum, a ativação de modos de cooperação flexíveis e transversais, a
distribuição coordenada dos centros de decisão opõem-se à separação
estanque entre as atividades, às compartimentalizações, à opacidade da
organização social.
CIBERCULTURA
A cada minuto que passa, novas pessoas passam a acessar a Internet,
novos computadores são interconectados, novas informações são
injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se
torna "universal", e menos o mundo informacional se torna totalizável.
O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha diretriz.
CIBERCULTURA
Essa mídia tende à interconexão geral das informações, da máquinas e
dos homens. E portanto se, como afirmava McLuhan, "a mídia é a
mensagem", a mensagem dessa mídia é o universal, transparente e
ilimitada.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
Henry Jenkins: Na cultura da convergência,
as novas e as velhas mídias colidem, mídia
corporativa e mídia alternativa se cruzam, o
poder do produtor de mídia e o poder do
consumidor interagem de maneiras
imprevisíveis.
Vivemos a era da convergência dos meios de
comunicação, da cultura participativa e da
inteligência coletiva.
Henry Jenkins, 1958 (EUA)
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de
múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos
mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos
meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das
experiências de entretenimento que desejam.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
A palavra convergência define transformações tecnológicas,
mercadológicas, culturais e sociais.
Convergência não deve ser compreendida apenas como um processo
tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos.
Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural, à
medida que consumidores são incentivados a procurar novas
informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia
dispersos.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas
sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em
vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como
ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como
participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras,
que nenhum de nós entende por completo.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais
sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos
cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com
outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir
de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático
e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa
vida cotidiana.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
O consumo tornou-se um processo coletivo – e é isso o entendemos
por inteligência coletiva, expressão cunhada pelo ciberteórico francês
Pierre Lévy. Nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe
alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos
recursos e unirmos nossas habilidades.
Estamos aprendendo a usar esse poder em nossas interações diárias
dentro da cultura da convergência.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
“Um processo chamado “convergência de modos” está tornando
imprecisas as fronteiras entre os meios de comunicação, mesmo entre
as comunicações ponto a ponto, tais como o correio, o telefone e o
telégrafo, e as comunicações de massa, como a imprensa, o rádio e a
televisão. Um único meio físico – sejam fios, cabos ou ondas – pode
transportar serviços que no passado eram oferecidos separadamente”.
(Cont.)
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
“De modo inverso, um serviço que no passado era oferecido por um
único meio – seja a radiodifusão, a imprensa ou a telefonia – agora
pode ser oferecido de várias formas físicas diferentes. Assim, a relação
um a um que existia entre um meio de comunicação e seu uso está se
corroendo”. Ithiel de Sola Pool (MIT), em Technologies of Freedom
(1983).
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
A velha ideia da convergência era a de que todos os aparelhos iriam
convergir num único aparelho central que faria tudo para você (à la
controle remoto universal). O que estamos vendo hoje é o hardware
divergindo, enquanto o conteúdo converge. [...]
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
A convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança
tecnológica. A convergência altera a relação entre tecnologias
existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência
altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os
consumidores processam a notícia e o entretenimento. Lembrem-se
disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final.
Não haverá uma caixa preta que controlará o fluxo midiático para
dentro de nossas casas.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
Graças à proliferação de canais e à portabilidade das novas tecnologias
de informática e telecomunicações, estamos entrando numa era em que
haverá mídias em todos os lugares. A convergência não é algo que vai
acontecer um dia, quando tivermos banda larga suficiente ou quando
descobrirmos a configuração correta dos aparelhos. Prontos ou não, já
estamos vivendo numa cultura da convergência.
A SOCIEDADE EM REDE
Referências
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 7ª edição, São Paulo, ed. Paz e Terra, 2003
LEVY, Pierre. Cibercultura. Coleção Trans. São Paulo, Ed. 34, 2010.
LEMOS, André. Ciber-cultura-remix. Artigo escrito para apresentação no seminário “Sentidos e
Processos” na mostra “Cinético Digital’, no Centro Itaú Cultural. A mesa tinha como tema: “Redes:
criação e reconfiguração”, São Paulo, Itaú Cultural, agosto de 2005.
MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. 5ª edição,
Petrópolis, ed. Vozes, 2014.

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Aula 15 A Sociedade em Rede

  • 1. Teorias da Comunicação A Sociedade em Rede Prof. Ms. Elizeu Silva
  • 2. A SOCIEDADE EM REDE Manuel Castells: Sociólogo espanhol, professor de Comunicação da Universidade da Califórnia do Sul. Criou o conceito de “capitalismo informacional”, que assume a tecnologia da informação como paradigma das mudanças sociais no mundo capitalista desde 1980. Manuel Castells, 1942 (Espanha)
  • 3. A SOCIEDADE EM REDE Há uma transformação tecnológica de dimensões históricas em curso atualmente: a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa. Pela primeira vez na história, um mesmo sistema é capaz de integrar comunicação humana nas modalidades escrita, oral e audiovisual. Surge uma nova forma de comunicação baseada em hipertexto e metalinguagem.
  • 4. A SOCIEDADE EM REDE A integração potencial de texto, imagens e sons no mesmo sistema – interagindo a partir de pontos múltiplos, no tempo escolhido (real ou atrasado) em uma rede global, em condições de acesso aberto e de preço acessível – muda de forma fundamental o caráter da comunicação.
  • 5. A SOCIEDADE EM REDE “A nova mídia determina uma audiência segmentada, diferenciada. Já não é mais uma audiência de massa [no sentido clássico]. A nova mídia não é mais mídia de massa no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa. Devido à multiplicidade de mensagens e fontes, a própria audiência torna-se mais seletiva. A audiência tende a escolher suas mensagens, aprofundando a segmentação da sociedade e intensificando o relacionamento individual entre o emissor e o receptor”. Françoise Sabbah.
  • 6. A SOCIEDADE EM REDE Com a nova mídia, ocorre a evolução de uma sociedade de massa a uma sociedade segmentada, resultante das novas tecnologias de comunicação, que enfocam a informação especializada, diversificada, tornando a audiência cada vez mais segmentada por ideologias, valores, gostos e estilos de vida. Youichi Ito.
  • 7. A SOCIEDADE EM REDE A constelação da internet A internet é a espinha dorsal da comunicação global mediada por computadores (CMC). Na Era da Informação, as diversas possibilidades proporcionadas pela internet fazem dela o principal meio de comunicação interativo universal – via computador.
  • 8. A SOCIEDADE EM REDE Diferentemente dos outros meios, os consumidores da internet são também produtores de conteúdos. São eles que dão forma à teia. Atualmente, milhões de usuários do mundo inteiro produzem conteúdos sobre todo o espectro da cultura humana (política, religião, artes, sexo etc). Uma parte considerável das comunicações que acontecem na rede surge espontaneamente – ou seja, não dependente da planificação dos escritórios de mídia e de conteúdo.
  • 9. A SOCIEDADE EM REDE A rede é especialmente apropriada para a geração de laços fracos múltiplos. Os laços fracos são úteis no fornecimento de informações e na abertura de novas oportunidades a baixo custo.
  • 10. A PRIVATIZAÇÃO DA SOCIABILIDADE Luís Mauro Sá Martino: Graduado em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (1998), com Mestrado (2001) e Doutorado (2004) em Ciências Sociais pela PUC-SP. Pós- Doutorado na School of Political, Social and International Studies na University of East Anglia, na Inglaterra (2008-2009). Professor do PPG em Comunicação da Cásper Líbero. Luís Mauro Sá Martino (Brasil)
  • 11. A PRIVATIZAÇÃO DA SOCIABILIDADE A nova mídia é constituída de redes sociais interpessoais, em sua maioria baseadas em laços fracos, diversificadíssimas e especializadíssimas. Segundo Wellman, “não são imitações de outras formas de vida, mas têm sua própria dinâmica”. • Não existem pela inexistência de outras formas de sociabilidade. • Reforçam a tendência de “privatização da sociabilidade” – ou seja, reconstrução das redes sociais ao redor do indivíduo, o desenvolvimento de comunidades pessoais.
  • 12. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM André Lemos: Engenheiro, mestre em Política de Ciência e Tecnologia pela COPPE/UFRJ e doutor em Sociologia pela Université Paris V (René Descartes - 1995), pós-doutor pelas University of Alberta e Mcgill University no Canadá (2007-2008). Professor associado da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e pesquisador do CNPq. André Lemos (Brasil)
  • 13. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contorno planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias (Lev Manovich).
  • 14. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM A cibercultura caracteriza-se por três “leis” fundadoras: • A liberação do pólo da emissão. • O princípio de conexão em rede. • A reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. Essa leis vão nortear os processos de “re-mixagem” contemporâneos. Sob o prisma de uma fenomenologia do social, esse tripé (emissão, conexão, reconfiguração) tem como pressuposto uma mudança social na vivência do espaço e do tempo.
  • 15. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM Na cibercultura, novos critérios de criação, criatividade e obra emergem consolidando, a partir das últimas décadas do século XX, essa cultura remix. Por remix compreendemos as possibilidades de apropriação, desvios e criação livre (que começam com a música, com os DJ’s no hip hop e os Sound Systems) a partir de outros formatos, modalidades ou tecnologias, potencializados pelas características das ferramentas digitais e pela dinâmica da sociedade contemporânea.
  • 16. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM Agora o lema da cibercultura é “a informação quer ser livre”. E ela não pode ser considerada uma commodite como laranjas ou bananas. Busca- se assim, processos para criar e favorecer “inteligências coletivas” (Lévy) ou “conectivas” (Kerkhove).
  • 17. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM A nova dinâmica técnico-social da cibercultura instaura assim, não uma novidade, mas uma radicalidade: uma estrutura midiática ímpar na história da humanidade onde, pela primeira vez, qualquer indivíduo pode, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações, para qualquer lugar do planeta e alterar, adicionar e colaborar com pedaços de informação criados por outros.
  • 18. A REDE COMO ESPAÇO DE REMIXAGEM A cibercultura tem criado o que se vem chamando de “citizen media”, ou “mídia do cidadão”, em que cada usuário é estimulado a produzir, distribuir e reciclar conteúdos digitais, sejam eles textos literários, protestos políticos, matérias jornalísticas, emissões sonoras, filmes caseiros, fotos ou música.
  • 19. CIBERCULTURA Pierre Levy: Filósofo e sociólogo, estuda o impacto da internet sobre a sociedade. Professor do Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris VIII. Pesquisa a inteligência coletiva focando em um contexto antropológico, e é um dos principais filósofos da mídia atualmente. Pierre Levy, 1956 (França)
  • 20. CIBERCULTURA O termo ciberespaço especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Cibercultura especifica o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.
  • 21. CIBERCULTURA • A cibertecnologia é buscada por Estados em busca de potência econômica e supremacia militar. • Responde aos propósitos de desenvolvedores e usuários que procuram aumentar a autonomia dos indivíduos e multiplicar suas faculdades cognitivas. • Encarna o ideal de cientistas, artistas, gerentes e ativistas da rede que desejam melhorar a colaboração entre as pessoas, que exploram e dão vida a diferentes formas de inteligência coletiva e distribuída.
  • 22. CIBERCULTURA A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas. E digo condicionada, não determinada. Essa diferença é fundamental.
  • 23. CIBERCULTURA A inteligência coletiva é um dos principais motores da cibercultura. De fato, o estabelecimento de uma sinergia entre competências, recursos e projetos, a constituição e manutenção dinâmicas de memórias em comum, a ativação de modos de cooperação flexíveis e transversais, a distribuição coordenada dos centros de decisão opõem-se à separação estanque entre as atividades, às compartimentalizações, à opacidade da organização social.
  • 24. CIBERCULTURA A cada minuto que passa, novas pessoas passam a acessar a Internet, novos computadores são interconectados, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna "universal", e menos o mundo informacional se torna totalizável. O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha diretriz.
  • 25. CIBERCULTURA Essa mídia tende à interconexão geral das informações, da máquinas e dos homens. E portanto se, como afirmava McLuhan, "a mídia é a mensagem", a mensagem dessa mídia é o universal, transparente e ilimitada.
  • 26. CULTURA DA CONVERGÊNCIA Henry Jenkins: Na cultura da convergência, as novas e as velhas mídias colidem, mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis. Vivemos a era da convergência dos meios de comunicação, da cultura participativa e da inteligência coletiva. Henry Jenkins, 1958 (EUA)
  • 27. CULTURA DA CONVERGÊNCIA Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam.
  • 28. CULTURA DA CONVERGÊNCIA A palavra convergência define transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais. Convergência não deve ser compreendida apenas como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia dispersos.
  • 29. CULTURA DA CONVERGÊNCIA A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo.
  • 30. CULTURA DA CONVERGÊNCIA A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.
  • 31. CULTURA DA CONVERGÊNCIA O consumo tornou-se um processo coletivo – e é isso o entendemos por inteligência coletiva, expressão cunhada pelo ciberteórico francês Pierre Lévy. Nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades. Estamos aprendendo a usar esse poder em nossas interações diárias dentro da cultura da convergência.
  • 32. CULTURA DA CONVERGÊNCIA “Um processo chamado “convergência de modos” está tornando imprecisas as fronteiras entre os meios de comunicação, mesmo entre as comunicações ponto a ponto, tais como o correio, o telefone e o telégrafo, e as comunicações de massa, como a imprensa, o rádio e a televisão. Um único meio físico – sejam fios, cabos ou ondas – pode transportar serviços que no passado eram oferecidos separadamente”. (Cont.)
  • 33. CULTURA DA CONVERGÊNCIA “De modo inverso, um serviço que no passado era oferecido por um único meio – seja a radiodifusão, a imprensa ou a telefonia – agora pode ser oferecido de várias formas físicas diferentes. Assim, a relação um a um que existia entre um meio de comunicação e seu uso está se corroendo”. Ithiel de Sola Pool (MIT), em Technologies of Freedom (1983).
  • 34. CULTURA DA CONVERGÊNCIA A velha ideia da convergência era a de que todos os aparelhos iriam convergir num único aparelho central que faria tudo para você (à la controle remoto universal). O que estamos vendo hoje é o hardware divergindo, enquanto o conteúdo converge. [...]
  • 35. CULTURA DA CONVERGÊNCIA A convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. A convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. Lembrem-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. Não haverá uma caixa preta que controlará o fluxo midiático para dentro de nossas casas.
  • 36. CULTURA DA CONVERGÊNCIA Graças à proliferação de canais e à portabilidade das novas tecnologias de informática e telecomunicações, estamos entrando numa era em que haverá mídias em todos os lugares. A convergência não é algo que vai acontecer um dia, quando tivermos banda larga suficiente ou quando descobrirmos a configuração correta dos aparelhos. Prontos ou não, já estamos vivendo numa cultura da convergência.
  • 37. A SOCIEDADE EM REDE Referências CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 7ª edição, São Paulo, ed. Paz e Terra, 2003 LEVY, Pierre. Cibercultura. Coleção Trans. São Paulo, Ed. 34, 2010. LEMOS, André. Ciber-cultura-remix. Artigo escrito para apresentação no seminário “Sentidos e Processos” na mostra “Cinético Digital’, no Centro Itaú Cultural. A mesa tinha como tema: “Redes: criação e reconfiguração”, São Paulo, Itaú Cultural, agosto de 2005. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. 5ª edição, Petrópolis, ed. Vozes, 2014.