As festas da Antiguidade: Roma Prof. Ms. Fabio Augusto de Oliveira Santos
FESTIVIDADES RELIGIOSAS No início do mundo romano, havia poucas festividades. Algumas sobreviveram até finais do Império pagão, preservando a memória da fertilidade e os ritos propiciatórios de um primitivo povo agrícola.  A incorporação de novos deuses e ritos incrementou o calendário religioso e chegou a ser tão excessivo em número de festas religiosas que ultrapassaram aos dias dedicados ao trabalho.
Entre as festividades religiosas romanas mais importantes figuravam as Saturnais, as Lupercais, a Equiria e os jogos Seculares.
As  Saturnais  se celebravam durante sete dias, de 17 a 23 de dezembro, durante o período em que começava o Solstício de Inverno. De grande importância eram essas festas, porque toda a atividade econômica se alterava: tudo se suspendia e os escravos ficavam livres, embora por um curto espaço de tempo. Predominava um ambiente de alegria e presentes eram trocados.
As  Lupercais  era uma antiga celebração na qual originalmente se honrava a Luperco, um Deus pastoril. A festividade se celebrava em 15 de fevereiro na gruta de Lupercal situada no monte Palatino.
A  Equiria , era celebrada de 27 de fevereiro a 14 de março. Esse era um festival em honra ao Deus Marte. Fevereiro e Março apareciam como a época do ano em que se preparavam novas campanhas militares. Um dos sítios das celebrações era conhecido como Campo de Marte e era onde realizavam-se corridas de cavalos, que definiam claramente essa celebração.
Os Jogos Seculares incluíam espetáculos atléticos e sacrifícios. A festa era realizada em intervalos regulares.
Ambarvais:  Festas celebradas em Roma e destinadas a chamar a proteção dos deuses, principalmente de Ceres, sobre a terra, de modo que se afastassem os furores de Marte e as colheitas fossem boas e os campos férteis.
Caprotinas : Festas que, em Julho e entre os antigos Romanos, se celebravam em honra de Juno. Deusa Juno,  mulher de Júpiter e  rainha dos Deuses.
Compitais:  Festas romanas, em honra dos deuses Lares das encruzilhadas das ruas ou caminhos.
Florálias:  Antigas festas em honra de Flora, que se celebravam em Roma, na Primavera.
Fontinais:  Festas que se celebravam em honra das ninfas das fontes.
Junónias:  Antigas festas em honra de Juno.
Lamptérias:  Antigas festas, com iluminações, em honra de Baco, depois das vindimas.
Latinas -  Festas em honra de Júpiter, que os Romanos celebravam no Lácio.
Palília -  Festa dos pastores em honra de  Palés  e que se celebrava em Roma a 21 de Abril,  aniversário da fundação da cidade. Ramálias -  Festas que se celebravam em Roma, em honra de  Ariadne e de Baco , e nas quais se levavam cepas de videiras carregadas de cachos de uvas. Outras festas romanas
Quinquátrias -  Festas que se celebravam em Roma, durante cinco dias, de quatro em quatro anos, em honra de  Palas.   Parílias -  Festa que as damas grávidas da antiga Roma celebravam para terem  partos felizes.   Paganálias -  Antigas festas em honra de  Ceres , também chamadas  paganais . Portunais -  Antigas festas romanas em honra de Portuno, deus dos portos.
Fontanálias -  Festas celebradas em Roma a 13 de Outubro de cada ano, em honra das ninfas das águas; celebravam-se no monte Celius. Vulcanais -  Festas anuais que se celebravam em Roma, a 23 de Agosto, em honra de Vulcano.  Vinálias -  Nome dado, na antiga Roma, às festas que se celebravam em Setembro, no começo da vindima, e em Maio, quando se procedia à prova do vinho novo.
Vicenálias -  Festas que na antiga Roma se celebravam de vinte em vinte anos, em geral de carácter religioso, que, por decisão do Senado, tinham por fim implorar aos deuses a conservação da saúde do imperador. Venerais -  Festas romanas que eram em honra da deusa Vénus. Vestálias -  Antigas festas pagãs em honra de Vesta. Vacunais   f. pl.  Festas que se celebravam em Roma, em honra de Vacuna, principalmente entre as populações de origem sabina.
Targélias   -  Antigas festas áticas que eram celebradas em honra de Diana. Septimátrias -  Antigas festas romanas que se celebravam em honra de Minerva, no sétimo dia depois dos idos. Sabázias -  Antigas festas de Gregos e Romanos em honra de Baco e de Júpiter. Regifúgio  - Festa anual celebrada na antiga Roma, a 24 de Fevereiro, em comemoração da expulsão dos Tarquínios.
TEXTO: AS FESTAS IMPERIAIS NA ROMA ANTIGA - OS  DECENNALIA  E OS JOGOS SECULARES DE  SEPTÍMIO SEVERO
QUEM FOI SEPTÍMIO SEVERO? Imperador romano (193-211), fundador da dinastia dos Severos (193-235). Iniciou sua carreira militar como questor em Roma (169), degrau necessário para a posterior participação no Senado.  Tornou-se pretor (177), comandante de legião na Síria (180-182) e nomeado governador da Galia (184). Em 193 foi proclamado imperador por suas tropas.
Após batalhas no Egito e na Síria, voltou a Roma (203) para  celebrar o jubileu de dez anos de governo , com a construção de um magnífico arco do triunfo e participar da  celebração dos Jogos Seculares  (204).  A volta triunfal de SEPTÍMIO SEVERO à cidade de Roma
As festas romanas Serviam de cenário para a apresentação das boas qualidades, da imagem idealizada do soberano. Nos momentos festivos, ele era a imagem  da generosidade , ao promover distribuições de dinheiro e alimentos,  da força , ao ser aclamado pelas legiões e pela plebe urbana,  do pontificado , ao realizar importantes ritos religiosos, responsáveis por garantir o apoio das divindades à continuidade do Império.
“ Na ocasião do décimo aniversário de sua ascensão ao poder, Severo presenteou o conjunto daqueles que se beneficiavam das distribuições de trigo (a plebe frumentária) e os soldados da Guarda Pretoriana com moedas de ouro em igual número aos anos de seu reinado. Ele vangloriou-se de sua generosidade, e, de fato, nenhum Imperador anterior tinha gasto tanto dinheiro com a população. Estima-se que gastou no total duzentos milhões de sestércios (cinqüenta milhões de dracmas)”  (Dion Cássio, LXXVII, 1.1).
“ As núpcias de Antonino, filho de Severo, e de Plautila, filha de Plautiano, foram celebradas neste momento. E Plautiano deu a sua filha um dote suficiente para garantir o casamento de cinqüenta princesas. Nós vimos os presentes quando foram carregados do Forum para o Palácio”  (Dion Cássio, LXXVII, 1.2).
“ E nós participamos juntos de um banquete, em parte real em parte com um estilo bárbaro, no qual foram servidos não somente todas as costumeiras carnes cozidas, mas também carne crua e diversos animais ainda vivos”  (Dion Cássio, LXXVII, 1.3).
“ Neste tempo, ocorreram todos os tipos de espetáculos em honra do retorno de Severo, da comemoração de seus dez primeiros anos no poder e de suas vitórias. Nestes espetáculos, lutaram uns com os outros, a um sinal dado, sessenta javalis selvagens de Plautiano, junto com vários outros animais selvagens, que foram mortos, incluindo entre eles um elefante e um corocottas. Este último animal é uma espécie indiana, que foi introduzida em Roma neste momento pela primeira vez, segundo meu conhecimentos. Tinha a cor de uma leoa e de um tigre combinados, e a aparência geral destes animais, como também de um cachorro e de uma raposa, curiosamente listrado. (Dion Cássio, LXXVII, 1.4-5).
No centro do anfiteatro foi construído um grande receptáculo de água dentro do qual se construiu um navio, e este navio era capaz de receber e de liberar quatrocentas feras de uma só vez. Depois o navio foi bruscamente escondido na água, e de dentro dele passaram a surgir na arena ursos, leoas, panteras, leões, avestruzes, asnos selvagens, bisões (este é uma espécie de boi estrangeiro em espécie e aparência). Então, setecentos animais ao todo, entre selvagens e domesticados, um de cada vez ou ao mesmo tempo, foram sendo abatidos, enquanto corriam para todos os lados. Para corresponder a duração da festa, que durou sete dias, o número de animais abatidos foi sete vezes cem”  (Dion Cássio, LXXVII, 1.4-5).
Os Jogos Seculares “ (Severo) tentava, ganhar o favor do povo oferecendo continuamente magníficos espetáculos de todo o tipo. Celebrou os jogos triunfais, para os quais fez vir atores e gladiadores de todas as partes. Vimos durante seu governo representações de todo o tipo de espetáculos, em todos os teatros simultaneamente, e cerimônias religiosas celebradas durante toda a noite, a imitação dos mistérios. Elas se chamaram, então, de Jogos Seculares porque se celebraram quando haviam passado três gerações desde os últimos, segundo se dizia. Os mensageiros foram de um lado a outro de Roma e da Península Itálica, convocando a todos os que encontravam para contemplar jogos que nunca haviam visto antes e que nunca mais veriam. Assim, recordavam que o intervalo entre uma celebração e a seguinte ia além da vida de um homem”  (Herodiano, III, 8.9- 10).
Era assegurar a sobrevivência da cidade até o século seguinte. Uma preocupação predominante era obter o favor dos deuses para que os cidadãos fossem poupados de doenças e de epidemias. Era importante também garantir em algum momento da festa o culto à  Dea Roma,  a própria encarnação do poder da cidade frente ao Império conquistado, e o culto à Juno  Moneta,  a representação da riqueza e da abundância imperiais (Brind’Amour, 1972:1334-1417). O objetivo fundamental das celebrações seculares
Um dos fatores mais importantes dos Jogos Seculares Era garantir a proteção dos deuses para mais cento e dez anos de abundância para o Império e seus habitantes. Severo não perdeu a ocasião de inaugurar por ocasião dos Jogos, uma nova era de alegria e de fecundidade que todo o Império esperava, sendo isso comprovado por meio de um prodígioo final da guerra contra os Partos – a vitória romana era um bom sinal da proteção dos deuses aos novos tempos de paz.
Finalizando... Como afirma A . Momigliano, as estátuas, os templos, os sacerdotes, os jogos, os sacrifícios e outros atos cerimoniais que se executavam em honra do Imperador ajudavam a fazê-lo presente: também ajudavam o povo a expressar seu próprio interesse na conservação do mundo em que viviam. Comemorar o governante era também festejar a manutenção da situação vigente, ou seja perceber como o espaço festivo era utilizado para construir a imagem de um ídolo.

As festas da antiguidade

  • 1.
    As festas daAntiguidade: Roma Prof. Ms. Fabio Augusto de Oliveira Santos
  • 2.
    FESTIVIDADES RELIGIOSAS Noinício do mundo romano, havia poucas festividades. Algumas sobreviveram até finais do Império pagão, preservando a memória da fertilidade e os ritos propiciatórios de um primitivo povo agrícola. A incorporação de novos deuses e ritos incrementou o calendário religioso e chegou a ser tão excessivo em número de festas religiosas que ultrapassaram aos dias dedicados ao trabalho.
  • 3.
    Entre as festividadesreligiosas romanas mais importantes figuravam as Saturnais, as Lupercais, a Equiria e os jogos Seculares.
  • 4.
    As Saturnais se celebravam durante sete dias, de 17 a 23 de dezembro, durante o período em que começava o Solstício de Inverno. De grande importância eram essas festas, porque toda a atividade econômica se alterava: tudo se suspendia e os escravos ficavam livres, embora por um curto espaço de tempo. Predominava um ambiente de alegria e presentes eram trocados.
  • 5.
    As Lupercais era uma antiga celebração na qual originalmente se honrava a Luperco, um Deus pastoril. A festividade se celebrava em 15 de fevereiro na gruta de Lupercal situada no monte Palatino.
  • 6.
    A Equiria, era celebrada de 27 de fevereiro a 14 de março. Esse era um festival em honra ao Deus Marte. Fevereiro e Março apareciam como a época do ano em que se preparavam novas campanhas militares. Um dos sítios das celebrações era conhecido como Campo de Marte e era onde realizavam-se corridas de cavalos, que definiam claramente essa celebração.
  • 7.
    Os Jogos Secularesincluíam espetáculos atléticos e sacrifícios. A festa era realizada em intervalos regulares.
  • 8.
    Ambarvais: Festascelebradas em Roma e destinadas a chamar a proteção dos deuses, principalmente de Ceres, sobre a terra, de modo que se afastassem os furores de Marte e as colheitas fossem boas e os campos férteis.
  • 9.
    Caprotinas : Festasque, em Julho e entre os antigos Romanos, se celebravam em honra de Juno. Deusa Juno, mulher de Júpiter e rainha dos Deuses.
  • 10.
    Compitais: Festasromanas, em honra dos deuses Lares das encruzilhadas das ruas ou caminhos.
  • 11.
    Florálias: Antigasfestas em honra de Flora, que se celebravam em Roma, na Primavera.
  • 12.
    Fontinais: Festasque se celebravam em honra das ninfas das fontes.
  • 13.
    Junónias: Antigasfestas em honra de Juno.
  • 14.
    Lamptérias: Antigasfestas, com iluminações, em honra de Baco, depois das vindimas.
  • 15.
    Latinas - Festas em honra de Júpiter, que os Romanos celebravam no Lácio.
  • 16.
    Palília - Festa dos pastores em honra de Palés e que se celebrava em Roma a 21 de Abril, aniversário da fundação da cidade. Ramálias - Festas que se celebravam em Roma, em honra de Ariadne e de Baco , e nas quais se levavam cepas de videiras carregadas de cachos de uvas. Outras festas romanas
  • 17.
    Quinquátrias - Festas que se celebravam em Roma, durante cinco dias, de quatro em quatro anos, em honra de Palas. Parílias - Festa que as damas grávidas da antiga Roma celebravam para terem partos felizes. Paganálias - Antigas festas em honra de Ceres , também chamadas paganais . Portunais - Antigas festas romanas em honra de Portuno, deus dos portos.
  • 18.
    Fontanálias - Festas celebradas em Roma a 13 de Outubro de cada ano, em honra das ninfas das águas; celebravam-se no monte Celius. Vulcanais - Festas anuais que se celebravam em Roma, a 23 de Agosto, em honra de Vulcano. Vinálias - Nome dado, na antiga Roma, às festas que se celebravam em Setembro, no começo da vindima, e em Maio, quando se procedia à prova do vinho novo.
  • 19.
    Vicenálias - Festas que na antiga Roma se celebravam de vinte em vinte anos, em geral de carácter religioso, que, por decisão do Senado, tinham por fim implorar aos deuses a conservação da saúde do imperador. Venerais - Festas romanas que eram em honra da deusa Vénus. Vestálias - Antigas festas pagãs em honra de Vesta. Vacunais f. pl. Festas que se celebravam em Roma, em honra de Vacuna, principalmente entre as populações de origem sabina.
  • 20.
    Targélias - Antigas festas áticas que eram celebradas em honra de Diana. Septimátrias - Antigas festas romanas que se celebravam em honra de Minerva, no sétimo dia depois dos idos. Sabázias - Antigas festas de Gregos e Romanos em honra de Baco e de Júpiter. Regifúgio - Festa anual celebrada na antiga Roma, a 24 de Fevereiro, em comemoração da expulsão dos Tarquínios.
  • 21.
    TEXTO: AS FESTASIMPERIAIS NA ROMA ANTIGA - OS DECENNALIA E OS JOGOS SECULARES DE SEPTÍMIO SEVERO
  • 22.
    QUEM FOI SEPTÍMIOSEVERO? Imperador romano (193-211), fundador da dinastia dos Severos (193-235). Iniciou sua carreira militar como questor em Roma (169), degrau necessário para a posterior participação no Senado. Tornou-se pretor (177), comandante de legião na Síria (180-182) e nomeado governador da Galia (184). Em 193 foi proclamado imperador por suas tropas.
  • 23.
    Após batalhas noEgito e na Síria, voltou a Roma (203) para celebrar o jubileu de dez anos de governo , com a construção de um magnífico arco do triunfo e participar da celebração dos Jogos Seculares (204). A volta triunfal de SEPTÍMIO SEVERO à cidade de Roma
  • 24.
    As festas romanasServiam de cenário para a apresentação das boas qualidades, da imagem idealizada do soberano. Nos momentos festivos, ele era a imagem da generosidade , ao promover distribuições de dinheiro e alimentos, da força , ao ser aclamado pelas legiões e pela plebe urbana, do pontificado , ao realizar importantes ritos religiosos, responsáveis por garantir o apoio das divindades à continuidade do Império.
  • 25.
    “ Na ocasiãodo décimo aniversário de sua ascensão ao poder, Severo presenteou o conjunto daqueles que se beneficiavam das distribuições de trigo (a plebe frumentária) e os soldados da Guarda Pretoriana com moedas de ouro em igual número aos anos de seu reinado. Ele vangloriou-se de sua generosidade, e, de fato, nenhum Imperador anterior tinha gasto tanto dinheiro com a população. Estima-se que gastou no total duzentos milhões de sestércios (cinqüenta milhões de dracmas)” (Dion Cássio, LXXVII, 1.1).
  • 26.
    “ As núpciasde Antonino, filho de Severo, e de Plautila, filha de Plautiano, foram celebradas neste momento. E Plautiano deu a sua filha um dote suficiente para garantir o casamento de cinqüenta princesas. Nós vimos os presentes quando foram carregados do Forum para o Palácio” (Dion Cássio, LXXVII, 1.2).
  • 27.
    “ E nósparticipamos juntos de um banquete, em parte real em parte com um estilo bárbaro, no qual foram servidos não somente todas as costumeiras carnes cozidas, mas também carne crua e diversos animais ainda vivos” (Dion Cássio, LXXVII, 1.3).
  • 28.
    “ Neste tempo,ocorreram todos os tipos de espetáculos em honra do retorno de Severo, da comemoração de seus dez primeiros anos no poder e de suas vitórias. Nestes espetáculos, lutaram uns com os outros, a um sinal dado, sessenta javalis selvagens de Plautiano, junto com vários outros animais selvagens, que foram mortos, incluindo entre eles um elefante e um corocottas. Este último animal é uma espécie indiana, que foi introduzida em Roma neste momento pela primeira vez, segundo meu conhecimentos. Tinha a cor de uma leoa e de um tigre combinados, e a aparência geral destes animais, como também de um cachorro e de uma raposa, curiosamente listrado. (Dion Cássio, LXXVII, 1.4-5).
  • 29.
    No centro doanfiteatro foi construído um grande receptáculo de água dentro do qual se construiu um navio, e este navio era capaz de receber e de liberar quatrocentas feras de uma só vez. Depois o navio foi bruscamente escondido na água, e de dentro dele passaram a surgir na arena ursos, leoas, panteras, leões, avestruzes, asnos selvagens, bisões (este é uma espécie de boi estrangeiro em espécie e aparência). Então, setecentos animais ao todo, entre selvagens e domesticados, um de cada vez ou ao mesmo tempo, foram sendo abatidos, enquanto corriam para todos os lados. Para corresponder a duração da festa, que durou sete dias, o número de animais abatidos foi sete vezes cem” (Dion Cássio, LXXVII, 1.4-5).
  • 30.
    Os Jogos Seculares“ (Severo) tentava, ganhar o favor do povo oferecendo continuamente magníficos espetáculos de todo o tipo. Celebrou os jogos triunfais, para os quais fez vir atores e gladiadores de todas as partes. Vimos durante seu governo representações de todo o tipo de espetáculos, em todos os teatros simultaneamente, e cerimônias religiosas celebradas durante toda a noite, a imitação dos mistérios. Elas se chamaram, então, de Jogos Seculares porque se celebraram quando haviam passado três gerações desde os últimos, segundo se dizia. Os mensageiros foram de um lado a outro de Roma e da Península Itálica, convocando a todos os que encontravam para contemplar jogos que nunca haviam visto antes e que nunca mais veriam. Assim, recordavam que o intervalo entre uma celebração e a seguinte ia além da vida de um homem” (Herodiano, III, 8.9- 10).
  • 31.
    Era assegurar asobrevivência da cidade até o século seguinte. Uma preocupação predominante era obter o favor dos deuses para que os cidadãos fossem poupados de doenças e de epidemias. Era importante também garantir em algum momento da festa o culto à Dea Roma, a própria encarnação do poder da cidade frente ao Império conquistado, e o culto à Juno Moneta, a representação da riqueza e da abundância imperiais (Brind’Amour, 1972:1334-1417). O objetivo fundamental das celebrações seculares
  • 32.
    Um dos fatoresmais importantes dos Jogos Seculares Era garantir a proteção dos deuses para mais cento e dez anos de abundância para o Império e seus habitantes. Severo não perdeu a ocasião de inaugurar por ocasião dos Jogos, uma nova era de alegria e de fecundidade que todo o Império esperava, sendo isso comprovado por meio de um prodígioo final da guerra contra os Partos – a vitória romana era um bom sinal da proteção dos deuses aos novos tempos de paz.
  • 33.
    Finalizando... Como afirmaA . Momigliano, as estátuas, os templos, os sacerdotes, os jogos, os sacrifícios e outros atos cerimoniais que se executavam em honra do Imperador ajudavam a fazê-lo presente: também ajudavam o povo a expressar seu próprio interesse na conservação do mundo em que viviam. Comemorar o governante era também festejar a manutenção da situação vigente, ou seja perceber como o espaço festivo era utilizado para construir a imagem de um ídolo.