UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – UNICAMP
CENTRO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA – CESET




       ST302 – RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS I




                                    PROF. MILTON GIACON JÚNIOR




                                                             1
Apresentação.


                 Estas notas de aula, têm a finalidade de auxiliar ao aluno, no acompanhamento da
matéria de Resistência dos Materiais no dia a dia da escola. Nela procuramos apresentar a matéria de
uma forma resumida e clara. Constam resumos da teoria e alguns exemplos de exercícios resolvidos Não
é nossa pretensão apresentar aqui um tratado sobre a matéria, mas simplesmente tentar derrubar aquela
imagem corrente, que coloca Resistência dos Materiais como complicada e de difícil compreensão. O que
ocorre é que devido ao despreparo do aluno nas matérias básicas, fica de fato difícil ao aluno acompanhar
o desenrolar da matéria sem uma devida dedicação, pois são necessários conceitos firmes nas áreas de
Física e Matemática, principalmente, além de uma boa dose de atenção e bom senso.
                 A finalidade de uma boa escola, é desenvolver no aluno a capacidade de se virar
sozinho e não ficar dependente de professores, ou se ater somente àquilo que há nos cadernos e livros ou
nos exemplos resolvidos em sala, mas prepará-lo para o dia a dia profissional, onde todos os dias sua
capacidade será testada na solução de problemas inesperados que se apresentem diariamente e cuja
solução dependa exclusivamente da sua própria iniciativa e onde o profissional deve às vezes estudar
matérias que se apresentam até publicadas em outras línguas .
                 Juntos nós chegaremos lá.

                          Boa Sorte.




                                                                                                       2
Antes de começarmos a matéria propriamente dita, vamos rever rapidamente alguns conceitos
bastantes importantes para nós.
FORÇA : É uma grandeza vetorial, caracterizada pôr sua direção, intensidade e sentido.

MOMENTO : De uma força F em relação a um ponto O é um vetor tal que a sua intensidade é igual
ao produto do módulo da força pela sua distância ao ponto º




                                                                      F




                o
                                     Z




                                       M=F.z




BINÁRIO :




                                                                                       F




                                              o


                                                              Z
                                                          2
                                                      Z                   Z




                                  M0 = F.z 2 F.z 1
                                            -                         M0
                                                                       = F( z 2 z 1
                                                                              -   )= F.z




RESULTANTE DE FORÇAS :



                                                                                                    F   2




                          F                   F               F                                F1           F3
                              2                   3               4
   F
       1                                                                                            R            F   4




MOMENTO RESULTANTE :



                     0
                2m                2m
           4t            1n              5t

                     4



                                                                  ∑M          = 5 x 2 – 4 x 2 – 4 x 1 = - 2 tfm


                                                                                                                         3
CONDIÇÕES DE EQUILIBRIO :




                 Y                                     ∑Fx = 0
                      F2
                           F3
                                                      ∑Fy = 0        ⇒ ∑F = 0
                     F1
                           F4
                                                      ∑M = 0
             0                  X




        Todos estes conceitos apresentados acima, já devem ser do conhecimento da maioria dos alunos
que já os viram em Física ou Matemática, porém os que se apresentam a seguir, já são de um
conhecimento mais restrito à área técnica e portanto devemos nos ater mais a eles, pois se tratam de
conceitos novos e com os quais os alunos devem já ir se habituando.
        Vejamos então alguns deles:

BARRA : Elemento da estrutura que transmite apenas esforços de tração e compressão.
CHAPA : Elemento que serve para transmitir todos os esforços existentes nas estruturas.
NÓ : É uma articulação através da qual , unem-se duas ou mais barras pela extremidade.
VÍNCULO : Apoios e articulações pelos quais são unidas as chapas entre si ou com a chapa terra

          Veremos no transcorrer do curso que barras e chapas são desenhadas de maneiras distintas.
Porém os nós e os vínculos recebem a mesma representação, devendo ficar bem claro que a diferença é o
fato de uma une peças sujeitas somente esforços de tração e compressão e a outra peças sujeitas a todos
os tipos de esforços que ocorram na estrutura.
         Com a utilização das peças descritas acima, poderemos representar através de um desenho,
qualquer tipo de estrutura, devendo porém tomar cuidado de utilizar as representação específica para cada
caso.
         Vejamos então a representação das ligações das estruturas com o solo (chapa terra ), que por
ligarem chapas denominam-se VINCULOS .

VINCULAÇÃO DAS ESTRUTURAS:

1.   APOIO MÓVEL


                                              O   U              O   U



                                       R




2.   APOIO FIXO.




                                                                     O   U
                                              R


                                                         R




                                                                                                       4
3. ENGASTE:




                                                                         P


         H



                     M




                 Vejamos como funciona :

Exemplo : Calcule os valores das rações de apoio.
1)                                                                                                   2)



                                                                                                3)
                         4tf                       4 2
                                       45°




                                                       3tf




                    3m                                        2m




                                             3tf

                                                                                                2m


                                                                   3tf
                                                                                                2m

                                                                               3tf




                         2m                   2m                   2m            2m




         Ficando claro como as estruturas se ligam e como ocorrem as ligações entre elas , deveremos
estudar agora quais os efeitos que as cargas externas provocam internamente nas estruturas e para isso
vamos estudar os esforços solicitantes, que são o resultado interno das cargas externas.

                                                                              ESFORÇOS SOLICITANTES

        Suponhamos, uma viga (chapa ) sujeita a varias cargas e suportada por dois apoios, um fixo e
outro móvel como no desenho abaixo.



                                                         P1              P2           P3   P4        Pn




                               R   3


                                              R    1
                                                                                                     R    2




         Se no traço indicado, seccionarmos a peça, ela evidentemente cairá, o que não ocorria antes do
seccionamento, indicando ocorrerem ali esforços que não permitiam a separação da mesmas. Estes
esforços, denominam-se ESFORÇOS SOLICITANTES e representam aqueles esforços que ocorrem
internamente às peças e são devidos à interação entre as partículas dos materiais que a compõe; interação
esta que não permite a separação das partes sem que haja sobre elas um força de elevado valor.




                                                                                                              5
P1           P2           P3   P   4   Pn




                   R   3

                                   R   1                                          R    2




         Na realidade, ocorrem ali, esforços atuando em todas as direções e que devem ser agrupados
segundo algum critério para facilitar o nosso entendimento. Assim, agrupou-se estes esforços em várias
categorias , associando-se a elas um tipo de carga específico, como vemos abaixo.

FORÇA NORMAL : N é a resultante das forças horizontais que atuam na secção.
FORÇA CORTANTE : Q é a resultante das forças verticais que atuam na secção.
MOMENTO FLETOR : Mf ou M é a resultante dos momentos fletores atuando na secção
MOMENTO TORÇOR: Mt é a resultante dos momentos torçores que atuam na secção.




                                                                          Mt



              Q                                                           Mt


                  N




SIMPLIFICAÇÃO NO CASO PLANO: Com a finalidade de facilitar nosso trabalho, vamos agrupar
as cargas, conforme o plano em que atuam e estudá-las . Verificamos que os esforços Mf, Q e N atuam no
plano de cargas ( do papel ) e Mt no plano perpendicular a ele. Estudaremos inicialmente os três
primeiros e oportunamente Mt.
         Deveremos ainda separá-las conforme os              tipos de apoios, vejamos portanto a
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTRUTURAS:
         Para a equação         B = 3C + 2N          onde B - no. de barras da estrutura
                                                            C - no. de chapas da estrutura
                                                            N - no. de nós da estrutura.
Quando ocorrer:
         B < 3C + 2N ⇒          Estrutura Hipostática
         B = 3C + 2N ⇒          Estrutura Isostática
         B > 3C + 2N ⇒          Estrutura Hiperestática

ESTRUTURA HIPOSTÁTICA: Quando o numero de reações de apoio é menor que o número de
equações de equilíbrio




                           F                                 F
                               1                                 2




                           R                    R
                               1
                                                    1




                                                                                                    6
ESTRUTURA ISOSTÁTICA : Quando o número de reações de apoio é igual que o número de equações.




                                                    F                               F                   F
                                                        1                               2                   2




                    R
                        1                       R                                                               R
                                                    2                                                               3




ESTRUTURA HIPERESTÁTICA : Quando o número de reações de apoio e maior que o numero de
equações( este caso será estudado em Estática)




            R   1           R       2                                       R       3                               R   4




         Trabalharemos, por enquanto, somente com problemas isostáticos, veremos os casos
hiperestáticos oportunamente.
         Para a resolução das equações, deveremos seguir os seguintes passos:
         1. Identificar os tipos de vínculos;
         2. Isolar o sistema, locando forças e reações;
         3. Escrever e montar as equações de equilíbrio estático da estrutura;
         4. Efetuar os cálculos;
         5. Substituir os valores numéricos das equações;
         6. Efetuar a verificação dos cálculos;
         7. Desenhar os diagramas.

        Vejamos como se escrevem as equações que serão utilizadas para o desenho dos diagramas.

        FORÇA CORTANTE E MOMENTO - EQUAÇÕES




                                                                    Y
                                                                                            a
                                                                                                                            P               c             P
                                                                                                                                1
                                                                                                                                                a             2




                                R                                                                                                               a                                     X
                                        3
                                                                                                            x


                                                                R       1
                                                                                                                                                                          R       2


                                                                                                                                    L




         A viga está em equilíbrio sob a ação de P1 e P2 e das reações de apoio R1 e R2. Seccionando-se
a viga em a-a, distante x de R1 deveremos introduzir Q e M para que haja equilíbrio.
         Assim:




                                                            a                                                                   M       M                                     b
                                                                                                P   1                                                             P   2




                                                                                                                        Q
                                                                                x
                                                                                                                                                                                          R   1



                                        R                                                                                                           L-x
                                            1




                                                                                                                                                                                                  7
MOMENTO FLETOR (M): O momento M da figura é chamado Momento Fletor da secção a-a, (seu
     valor é obtido com a utilização da equação da estática M=0). O seu valor é produzido por todos os
     esforços que atuam na parte da viga, que se conservou em equilírio, depois que se abandonou a outra
     parte e que produzem momento em a-a . Deve-se sempre considerar apenas uma parte da viga , à
     esquerda ou à direita do ponto para o qual se deseja o valor de M.
              Neste caso o momento é calculado: Mc= R1.x – P1.(x-a) ou Mc= R2.(1-x) – P2.[(1-x) – b]
     CONVENÇÃO DE SINAIS:
     M > 0 tração nas fibras inferiores.                            M < 0 tração nas fibras superiores.




     FORÇA CORTANTE ( Q ): A força cortante Q é chamada Força Cortante da secção a-a ( seu valor é
     obtido com a utilização da equação da estática Fv = 0). O seu valor é obtido com a somatória de todas
     as componentes verticais que atuam à esquerda ou à direita de a-a . Aqui, também deveremos considerar
     apenas uma parte da viga, à esquerda ou à direita do ponto para o qual se deseja o valor de Q.
               Fv = 0 -Q + R1 – P1 = 0        Q = R1 – P1

                                                  +                               _


     CONVENÇÃO DE SINAIS:
     Exercícios: Escrever as equações para : ( desprezar o peso próprio)

     1)                                                                      2)
                                                                                                     q




                             X




                   L




     3)


                                                  P
                                      X                     X
                                          1                     2




     Vamos ver as aplicações práticas.
     Traçar os diagramas de M, N e Q. para:
     1)                                                                                    2)

                                                                                      3)


                                                      3tf                                          4tf         4 2

                                                                                                         45°




                                 3m                                 2m




     3tf

                                              2
                                              m
             3tf
                                              2
                                              m
                       3tf



                                                                         FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR - RELAÇÕES
2m    2m     2m         2m
                                                                         DIFERENCIAIS



                                                                                                                     8
Quando vamos representar os diagramas, é usual que apareçam cargas distribuídas, devendo-se então
lançar mão das relações diferenciais para que se entenda o procedimento.


                                                                                         pdx
                                                                          M                       M+dM
                                                                              Q
                                                                     X
                                                                                                         X
                                                                                               Q+dQ
                                                          L

                                                 X                            X     dx

                                                     dx




Equilibrando-se o elemento vem:

∑Fv = 0     Q – ( Q+ dQ) – pdx = 0. E daí                       - dQ – pdx = 0      de onde vem               p = - dQ_   I
                                                                                                                   dx

∑Mx = 0      M – ( M + dM ) + pdx . dx + ( Q + dQ).dx
                                0    2       0
            M – M – dM + pdx2+ Qdx + dQdx                                         Q = dM         II
                              2                                                      dx
          Derivando-se II em relação a x teremos :

   d2M = dQ = -p               d2M = -p
    dx dx                       dx

Obs.: Quando M é máx. ⇒ dM = 0                       ⇒ Q=0.
                        dx

                                                     MOMENTO ESTÁTICO

Momento estático: O momento estático de um elemento de área em relação a um eixo, situado no mesmo
plano que a superfície considerada, é o produto da área do elemento pela sua distância ao eixo
considerado.


                   Y




                       X
                           Y
                                                              dMx = ydS             dMy = xdS
               0                 X



Momento estático: O momento estático de uma superfície de área em relação a um eixo, situado no
mesmo plano que a superfície considerada, é a integral dos momentos estáticos de todos os elementos de
uperfície finita.
                                     Y




                                                                     Mx = ∫dMx = y.dS                        My = ∫d My = xdS
                                         X
                                             Y




                                 0               X




                                                                                                                                9
CENTRO DE GRAVIDADE DE UMA SUPERFICIE PLANA

Mx = y.S ⇒ y = Mx = 1 . ∫yds
               S    S




Exemplos :
1) Calcular a posição do C.G.                                    2)
                     5                   3        5
                                         0
                                                      3
                                                      4

                                                      6                                 12


                                                      5

                                                      5
                                                                                        2
                     5               2        1                                6   6    2
                                     5        0



3)                                                               4)
             5 5 5

        5                                                                          5




                                                                                   30
        45




                                         5
                                                                                   5
                                         5
                                                                           5   2   5
                             5                                                 0
                             0




5)



                                         17




                                         5




                                         15



                         5       3
                                 0




                                                                                             10

Apostila r i

  • 1.
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DECAMPINAS – UNICAMP CENTRO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA – CESET ST302 – RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS I PROF. MILTON GIACON JÚNIOR 1
  • 2.
    Apresentação. Estas notas de aula, têm a finalidade de auxiliar ao aluno, no acompanhamento da matéria de Resistência dos Materiais no dia a dia da escola. Nela procuramos apresentar a matéria de uma forma resumida e clara. Constam resumos da teoria e alguns exemplos de exercícios resolvidos Não é nossa pretensão apresentar aqui um tratado sobre a matéria, mas simplesmente tentar derrubar aquela imagem corrente, que coloca Resistência dos Materiais como complicada e de difícil compreensão. O que ocorre é que devido ao despreparo do aluno nas matérias básicas, fica de fato difícil ao aluno acompanhar o desenrolar da matéria sem uma devida dedicação, pois são necessários conceitos firmes nas áreas de Física e Matemática, principalmente, além de uma boa dose de atenção e bom senso. A finalidade de uma boa escola, é desenvolver no aluno a capacidade de se virar sozinho e não ficar dependente de professores, ou se ater somente àquilo que há nos cadernos e livros ou nos exemplos resolvidos em sala, mas prepará-lo para o dia a dia profissional, onde todos os dias sua capacidade será testada na solução de problemas inesperados que se apresentem diariamente e cuja solução dependa exclusivamente da sua própria iniciativa e onde o profissional deve às vezes estudar matérias que se apresentam até publicadas em outras línguas . Juntos nós chegaremos lá. Boa Sorte. 2
  • 3.
    Antes de começarmosa matéria propriamente dita, vamos rever rapidamente alguns conceitos bastantes importantes para nós. FORÇA : É uma grandeza vetorial, caracterizada pôr sua direção, intensidade e sentido. MOMENTO : De uma força F em relação a um ponto O é um vetor tal que a sua intensidade é igual ao produto do módulo da força pela sua distância ao ponto º F o Z M=F.z BINÁRIO : F o Z 2 Z Z M0 = F.z 2 F.z 1 - M0 = F( z 2 z 1 - )= F.z RESULTANTE DE FORÇAS : F 2 F F F F1 F3 2 3 4 F 1 R F 4 MOMENTO RESULTANTE : 0 2m 2m 4t 1n 5t 4 ∑M = 5 x 2 – 4 x 2 – 4 x 1 = - 2 tfm 3
  • 4.
    CONDIÇÕES DE EQUILIBRIO: Y ∑Fx = 0 F2 F3 ∑Fy = 0 ⇒ ∑F = 0 F1 F4 ∑M = 0 0 X Todos estes conceitos apresentados acima, já devem ser do conhecimento da maioria dos alunos que já os viram em Física ou Matemática, porém os que se apresentam a seguir, já são de um conhecimento mais restrito à área técnica e portanto devemos nos ater mais a eles, pois se tratam de conceitos novos e com os quais os alunos devem já ir se habituando. Vejamos então alguns deles: BARRA : Elemento da estrutura que transmite apenas esforços de tração e compressão. CHAPA : Elemento que serve para transmitir todos os esforços existentes nas estruturas. NÓ : É uma articulação através da qual , unem-se duas ou mais barras pela extremidade. VÍNCULO : Apoios e articulações pelos quais são unidas as chapas entre si ou com a chapa terra Veremos no transcorrer do curso que barras e chapas são desenhadas de maneiras distintas. Porém os nós e os vínculos recebem a mesma representação, devendo ficar bem claro que a diferença é o fato de uma une peças sujeitas somente esforços de tração e compressão e a outra peças sujeitas a todos os tipos de esforços que ocorram na estrutura. Com a utilização das peças descritas acima, poderemos representar através de um desenho, qualquer tipo de estrutura, devendo porém tomar cuidado de utilizar as representação específica para cada caso. Vejamos então a representação das ligações das estruturas com o solo (chapa terra ), que por ligarem chapas denominam-se VINCULOS . VINCULAÇÃO DAS ESTRUTURAS: 1. APOIO MÓVEL O U O U R 2. APOIO FIXO. O U R R 4
  • 5.
    3. ENGASTE: P H M Vejamos como funciona : Exemplo : Calcule os valores das rações de apoio. 1) 2) 3) 4tf 4 2 45° 3tf 3m 2m 3tf 2m 3tf 2m 3tf 2m 2m 2m 2m Ficando claro como as estruturas se ligam e como ocorrem as ligações entre elas , deveremos estudar agora quais os efeitos que as cargas externas provocam internamente nas estruturas e para isso vamos estudar os esforços solicitantes, que são o resultado interno das cargas externas. ESFORÇOS SOLICITANTES Suponhamos, uma viga (chapa ) sujeita a varias cargas e suportada por dois apoios, um fixo e outro móvel como no desenho abaixo. P1 P2 P3 P4 Pn R 3 R 1 R 2 Se no traço indicado, seccionarmos a peça, ela evidentemente cairá, o que não ocorria antes do seccionamento, indicando ocorrerem ali esforços que não permitiam a separação da mesmas. Estes esforços, denominam-se ESFORÇOS SOLICITANTES e representam aqueles esforços que ocorrem internamente às peças e são devidos à interação entre as partículas dos materiais que a compõe; interação esta que não permite a separação das partes sem que haja sobre elas um força de elevado valor. 5
  • 6.
    P1 P2 P3 P 4 Pn R 3 R 1 R 2 Na realidade, ocorrem ali, esforços atuando em todas as direções e que devem ser agrupados segundo algum critério para facilitar o nosso entendimento. Assim, agrupou-se estes esforços em várias categorias , associando-se a elas um tipo de carga específico, como vemos abaixo. FORÇA NORMAL : N é a resultante das forças horizontais que atuam na secção. FORÇA CORTANTE : Q é a resultante das forças verticais que atuam na secção. MOMENTO FLETOR : Mf ou M é a resultante dos momentos fletores atuando na secção MOMENTO TORÇOR: Mt é a resultante dos momentos torçores que atuam na secção. Mt Q Mt N SIMPLIFICAÇÃO NO CASO PLANO: Com a finalidade de facilitar nosso trabalho, vamos agrupar as cargas, conforme o plano em que atuam e estudá-las . Verificamos que os esforços Mf, Q e N atuam no plano de cargas ( do papel ) e Mt no plano perpendicular a ele. Estudaremos inicialmente os três primeiros e oportunamente Mt. Deveremos ainda separá-las conforme os tipos de apoios, vejamos portanto a CLASSIFICAÇÃO DAS ESTRUTURAS: Para a equação B = 3C + 2N onde B - no. de barras da estrutura C - no. de chapas da estrutura N - no. de nós da estrutura. Quando ocorrer: B < 3C + 2N ⇒ Estrutura Hipostática B = 3C + 2N ⇒ Estrutura Isostática B > 3C + 2N ⇒ Estrutura Hiperestática ESTRUTURA HIPOSTÁTICA: Quando o numero de reações de apoio é menor que o número de equações de equilíbrio F F 1 2 R R 1 1 6
  • 7.
    ESTRUTURA ISOSTÁTICA :Quando o número de reações de apoio é igual que o número de equações. F F F 1 2 2 R 1 R R 2 3 ESTRUTURA HIPERESTÁTICA : Quando o número de reações de apoio e maior que o numero de equações( este caso será estudado em Estática) R 1 R 2 R 3 R 4 Trabalharemos, por enquanto, somente com problemas isostáticos, veremos os casos hiperestáticos oportunamente. Para a resolução das equações, deveremos seguir os seguintes passos: 1. Identificar os tipos de vínculos; 2. Isolar o sistema, locando forças e reações; 3. Escrever e montar as equações de equilíbrio estático da estrutura; 4. Efetuar os cálculos; 5. Substituir os valores numéricos das equações; 6. Efetuar a verificação dos cálculos; 7. Desenhar os diagramas. Vejamos como se escrevem as equações que serão utilizadas para o desenho dos diagramas. FORÇA CORTANTE E MOMENTO - EQUAÇÕES Y a P c P 1 a 2 R a X 3 x R 1 R 2 L A viga está em equilíbrio sob a ação de P1 e P2 e das reações de apoio R1 e R2. Seccionando-se a viga em a-a, distante x de R1 deveremos introduzir Q e M para que haja equilíbrio. Assim: a M M b P 1 P 2 Q x R 1 R L-x 1 7
  • 8.
    MOMENTO FLETOR (M):O momento M da figura é chamado Momento Fletor da secção a-a, (seu valor é obtido com a utilização da equação da estática M=0). O seu valor é produzido por todos os esforços que atuam na parte da viga, que se conservou em equilírio, depois que se abandonou a outra parte e que produzem momento em a-a . Deve-se sempre considerar apenas uma parte da viga , à esquerda ou à direita do ponto para o qual se deseja o valor de M. Neste caso o momento é calculado: Mc= R1.x – P1.(x-a) ou Mc= R2.(1-x) – P2.[(1-x) – b] CONVENÇÃO DE SINAIS: M > 0 tração nas fibras inferiores. M < 0 tração nas fibras superiores. FORÇA CORTANTE ( Q ): A força cortante Q é chamada Força Cortante da secção a-a ( seu valor é obtido com a utilização da equação da estática Fv = 0). O seu valor é obtido com a somatória de todas as componentes verticais que atuam à esquerda ou à direita de a-a . Aqui, também deveremos considerar apenas uma parte da viga, à esquerda ou à direita do ponto para o qual se deseja o valor de Q. Fv = 0 -Q + R1 – P1 = 0 Q = R1 – P1 + _ CONVENÇÃO DE SINAIS: Exercícios: Escrever as equações para : ( desprezar o peso próprio) 1) 2) q X L 3) P X X 1 2 Vamos ver as aplicações práticas. Traçar os diagramas de M, N e Q. para: 1) 2) 3) 3tf 4tf 4 2 45° 3m 2m 3tf 2 m 3tf 2 m 3tf FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR - RELAÇÕES 2m 2m 2m 2m DIFERENCIAIS 8
  • 9.
    Quando vamos representaros diagramas, é usual que apareçam cargas distribuídas, devendo-se então lançar mão das relações diferenciais para que se entenda o procedimento. pdx M M+dM Q X X Q+dQ L X X dx dx Equilibrando-se o elemento vem: ∑Fv = 0 Q – ( Q+ dQ) – pdx = 0. E daí - dQ – pdx = 0 de onde vem p = - dQ_ I dx ∑Mx = 0 M – ( M + dM ) + pdx . dx + ( Q + dQ).dx 0 2 0 M – M – dM + pdx2+ Qdx + dQdx Q = dM II 2 dx Derivando-se II em relação a x teremos : d2M = dQ = -p d2M = -p dx dx dx Obs.: Quando M é máx. ⇒ dM = 0 ⇒ Q=0. dx MOMENTO ESTÁTICO Momento estático: O momento estático de um elemento de área em relação a um eixo, situado no mesmo plano que a superfície considerada, é o produto da área do elemento pela sua distância ao eixo considerado. Y X Y dMx = ydS dMy = xdS 0 X Momento estático: O momento estático de uma superfície de área em relação a um eixo, situado no mesmo plano que a superfície considerada, é a integral dos momentos estáticos de todos os elementos de uperfície finita. Y Mx = ∫dMx = y.dS My = ∫d My = xdS X Y 0 X 9
  • 10.
    CENTRO DE GRAVIDADEDE UMA SUPERFICIE PLANA Mx = y.S ⇒ y = Mx = 1 . ∫yds S S Exemplos : 1) Calcular a posição do C.G. 2) 5 3 5 0 3 4 6 12 5 5 2 5 2 1 6 6 2 5 0 3) 4) 5 5 5 5 5 30 45 5 5 5 5 2 5 5 0 0 5) 17 5 15 5 3 0 10