SlideShare uma empresa Scribd logo
Cana-de-açucar
Importância Econômica da Cana-de-açucar
Introdução
        A cana-de-açúcar, Saccharum officinarum L., uma antiga fonte de energia para os seres
humanos e, mais recentemente, um substituto para combustível fóssil para veículos automotores, foi
primeiro cultivado no Sul da Ásia Leste e Índia Ocidental. Ao redor de 327 BC essa era um
importante cultivo no subcontinente africano. A cana foi introduzida ao Egito ao redor de 647 a.D.
e, aproximadamente um século depois a Espanha (755 A.D.).

Distribuição Global de Cana-de-açucar
        Desde então, o cultivo de cana de açúcar foi estendido a quase todas as regiões tropicais e
subtropicais. Portugueses e Espanhóis a levaram ao Mundo Novo no inicio do século XVI. Essa foi
introduzida aos Estados Unidos da América (Louisiana) ao redor de 1741. Os países de cultivo de
cana de açúcar no mundo encontram-se entre a latitude 36.7° norte e 31.0° sul da linha do
Equador estendendo-se de zonas tropicais a subtropicais. A Figura a seguir ilustra a distribuição de
cana de açúcar no mundo. Cana de açúcar é um recurso agrícola natural e renovável porque produz
açúcar, além de biocombustível, fibra, fertilizante e uma miríade de derivados/co-produtos com
sustentabilidade ecológica.
        O suco da cana de açúcar é usado para fazer açúcar branco, açúcar mascavo (Khandsari),
Jaggery (Gur) e etanol. Os derivados principais da indústria de açúcar são bagaço e melaço. Melaço,
o derivado principal, é a mais importante matéria prima para álcool e, portanto para as indústrias
baseadas no álcool. Excesso de bagaço está agora sendo usado como matéria prima na indústria de
papel. Além disso, a geração de potência usando bagaço como combustível é considerado possível
na maioria das usinas de cana.

Produção de cana-de-açucar no Brasil
http://www.portalunica.com.br/portalunica/?Secao=referência&SubSecao=estatísticas&SubSubSec
ao=produção%20Brasil
Cultura da cana-de-açucar

Origem

A cana-de-açucar no mundo
         A palavra que originou o nome açúcar é, provavelmente, 'grão', 'sarkar', em sânscrito. No
leste da Índia, o açúcar era chamado 'shekar', enquanto os povos árabes o conheciam como 'al
zucar', que se transformou no espanhol 'azucar', e daí, 'açúcar', em português. Na França, o açúcar é
chamado de 'sucre' e, na Alemanha, de 'zücker', daí o inglês 'sugar'.
         Não se pode definir com precisão a época do surgimento da cana-de-açúcar no mundo,
tampouco dizer, com exatidão, seu berço geográfico. Alguns pesquisadores admitem que a cana-de-
açúcar tenha surgido primeiramente na Polinésia; outros arriscam a Papua Nova Guiné. Para esses
estudiosos, a primeira aparição da cana no mundo se deu há 6 mil anos. A maior parte dos
historiadores, porém, aceita a tese de surgimento da cana entre 10 e 12 mil anos atrás e data em
3.000 a.C. o caminho percorrido pela cana da Península Malaia e Indochina até a Baía de Bengala.
A origem asiática da planta é consensual. A cana foi introduzida na China por volta de 800 a.C. e o
açúcar cru já era produzido em 400 a.C. Porém, só a partir de 700 d.C. o produto começou a ser
comercializado.
         A cana e o seu doce caldo foram mantidos em segredo, já que os povos distantes do
comércio entre os asiáticos pagavam altas somas em troca de produtos luxuosos. E o açúcar era um
deles. A comercialização do açúcar a partir de 700 enriqueceu os árabes e o produto da cana entrou
na lista de preciosidades a que os países ocidentais quase não tinham acesso. A cana continuou sua
viagem rumo ao Ocidente, passando pela África do Norte até alcançar o Marrocos. Depois, sul da
Espanha, por volta de 755, e à Sicília em 950. O primeiro registro da chegada do açúcar na
Inglaterra é de 1099 e, em 1150 a Espanha já investia em uma florescente indústria canavieira. Em
1319, um quilo de açúcar valia, aproximadamente, US$ 100. Isso manteve o status de artigo de luxo
atribuído ao produto da cana e, mais tarde, motivou o aproveitamento de colônias conquistadas para
a implantação de cultivares da cana-de-açúcar.
         Em 1425, D. Henrique (Príncipe Português) mandou buscar na Sicília as primeiras mudas
de cana, que plantou na Ilha da Madeira. Começou, assim, a formação dos primeiros canaviais do
Atlântico, que chegaram às Canárias (1480), Cabo Verde (1490) e Açores.
         No século XV, todo o açúcar produzido na Europa, era refinado em Veneza e isso anulava a
possibilidade de diminuição de custos de transporte. Mesmo com os plantios recentes das
metrópoles européias, o refino do açúcar ainda era um entrave.
         No Novo Mundo , a primeira inserção da cana deveu-se a Cristóvão Colombo, levada em
sua segunda viagem marítima, em 1493, e plantada na República Dominicana, na ilha de La
Española, e no Haiti. Daí, a gramínea expandiu-se para Cuba (1516) e México (1520). O primeiro
engenho do continente foi instalado em La Española, em 1516.
         A cana chegou ao Brasil por ordem do rei D. Manuel, introduzida na Capitania de São
Vicente pelo governador-geral Martim Afonso de Souza, em 1532, tornando-se a primeira atividade
agrícola do País. A cana também se adaptou bem ao clima e ao solo de massapé nordestino, com a
vantagem de contar com a produção mais próxima do mercado consumidor europeu.
         Em 1600, as lavouras e indústrias da cana do Novo Mundo já haviam se tornado o
investimento mais lucrativo do globo e o Brasil tornou-se o maior produtor de açúcar do mundo.
Em 1613, o novo engenho de três cilindros foi implantado no Brasil, o que consolidou a posição de
liderança como produtor e a liderança comercial da metrópole.
         A cultura da cana, foi introduzida na Louisiana, em 1751; no Havaí, em 1802; e na
Austrália, em 1823. Também foram criadas outras técnicas de extração, e a descoberta de mais uma
função para a cana, ou melhor, para o seu bagaço, em 1838, na Martinica, a produção de papel.
A cana-de-açucar no Brasil
        As primeiras mudas chegaram em 1532, na expedição de Martim Afonso de Souza. Aqui, a
planta espalhou-se no solo fértil de massapê, com a ajuda do clima tropical quente e úmido e da
mão-de-obra escrava trazida da África. Era o início do primeiro ciclo econômico brasileiro, o 'Ciclo
da Cana-de-Açúcar'. A colônia enriqueceu Portugal e polvilhou o açúcar brasileiro - assim como
aquele produzido na América Central, por franceses, espanhóis e ingleses - em toda a Europa.
        A capitania mais importante na época do ciclo da cana era a de Pernambuco, onde foi
implantado o primeiro centro açucareiro do Brasil. Depois a Capitania da Bahia de Todos os Santos,
e com o desmatamento da Mata Atlântica, os canaviais expandiram-se pela costa brasileira. Mas,
para que a cultura prosperasse, foi necessária a criação de engenhos: as 'fábricas' onde a cana virava
açúcar. Essas instalações sustentaram a economia açucareira brasileira até o desenvolvimento de
novas técnicas em colônias de países concorrentes. Os engenhos e vilas surgidos com a expansão do
cultivo de cana-de-açúcar foram responsáveis pelo desenvolvimento da produção, do comércio e da
cultura do Nordeste brasileiro.

                              Morfologia da cana-de-açúcar
Colmo: Se desenvolve á partir da gema do tolete de cana. Quando a cana é plantada, cada gema
pode formar um colmo primário. Colmos secundários chamados de "perfilhos" podem se formar a
partir as gemas subterrâneas do colmo primário. Além disso, perfilhos podem formar-se á partir das
gemas subterrâneas dos colmos secundários. O colmo é formado por nós e entrenós. O nó é onde a
folha está presa ao colmo e onde as gemas e a raiz primária são encontradas. Uma cicatriz da folha
pode ser encontrada no nó das folhas quando estas caem. O comprimento e o diâmetro dos nós e
entrenós variam muito de com as cultivares e as condições de cultivo.
         As cores do colmo vistas nos entrenós dependem das cultivares de cana e das condições
ambientais. Por exemplo, a exposição dos entrenós ao sol pode resultar em uma alteração completa
de cor. A mesma cultivar cultivada em climas diferentes pode exibir cores diferentes.
Todas as cores do talo derivam de dois pigmentos básicos: a cor vermelha da antocianina e o verde
da clorofila. A proporção de concentração desses dois pigmentos produz cores de verde ao
vermelho púrpuro ao vermelho para quase preto. Colmos amarelos indicam uma relativa falta
desses pigmentos. A superfície dos entrenós, com a exceção do anel de crescimento, é mais ou
menos coberta por cera. A quantidade de cera depende da variedade.
         O topo do colmo é relativamente baixo em sacarose e, portanto tem pouco valor industrial.
O 1/3 superior do colmo, porém, contém muitas gemas e um bom suprimento de nutrientes, o que o
torna valioso na propagação da cana (plantio). Dois tipos de rachaduras podem ser encontradas na
superfície do Colmo; rachaduras inofensivas com pequenas espirais, que são restritas a epiderme, e
rachaduras de crescimento que podem ser profundas e ocorrem ao longo de toda a extensão do
entrenó. Rachaduras de crescimento são prejudiciais pois permitem aumento de perda de água ,
exposição do colmo para microrganismos e insetos. Rachaduras de crescimento dependem da
variedade e condições de crescimento.
Folhas: A folha da cana-de-açúcar é dividida em duas partes: bainha e lâmina. A bainha, cobre
completamente o colmo, estendendo-se sobre pelo menos um entrenó completo. As folhas se
desenvolvem de forma alternada, nos nós, portanto formando duas fileiras em lados opostos. A
primeira folha de cima para baixo do colmo com aurículas bem visíveis é designada +1. Para baixo
elas recebem, sucessivamente, os números +2, e +3. Para cima, 0, -1, -2 etc. A folha com a aurícula
visível (+3) é a considerada adulta e usada em determinações (avaliação do estado nutricional;
índice de área foliar) A planta madura de cana de açúcar tem uma superfície foliar, em media, de
0,5 metros quadrado, nas folhas superiores. O número de folhas verdes por colmo é ao redor de
dez,(6 a 12) dependendo da variedade e condições de crescimento. O número de folhas é menor em
condições de déficit hídrico ou em temperaturas baixas. As folhas velhas ao receberem pouca
intensidade luminosa, tornam-se senescentes. As folhas verdes do topo são eretas, com o ápice
curvo, podendo as demais serem mais ou menos eretas. Bonnett (1998), ao relatou que em
temperaturas médias baixas, inferiores a 8 ºC, o desenvolvimento das folhas de alguns cultivares foi
prejudicado. Sinclair et al. (2004), ao estudar o efeito das temperaturas mínimas ideais para o
desenvolvimento das folhas, encontrou limites diferentes de temperatura para cada cultivar
avaliado, tendo observado que a temperatura base para desenvolvimento dos aparatos foliares
estaria em torno de 10 ºC, variando conforme o cultivar.

Inflorescência: Quando a planta da cana-de-açúcar atinge uma maturação relativa de
desenvolvimento, seu ponto de crescimento pode, sob certo fotoperíodo e condições de umidade do
solo, passar de vegetativo para reprodutivo. O ponto de crescimento para de formar folhas e começa
a produzir uma inflorescência. A cana é uma planta de dias curtos. Suas condições fotoperiódicas
são alcançáveis nos trópicos. A inflorescência da cana de açúcar é uma panícula aberta. Cada
panícula possui milhares de flores, cada uma capaz de produzir uma semente. Os sementes são
extremamente pequenas e cerca de 250 sementes pesam 1 grama. Para a produção comercial de
cana-de-açúcar, o desenvolvimento da inflorescência tem pouca importância econômica. O
florescimento é importante para cruzamento e produção de variedades híbridas. Geralmente dias
com duração de 12,5 horas e temperaturas noturnas entre 20° e 25° C induzirão o início do
florescimento. Condições de crescimento ótimas na fase vegetativa (solo fértil, suprimento
abundante de nitrogênio e umidade) restringem a inflorescência enquanto condições de estresse
induzem a formação de florescimento.

Raízes: As primeiras raízes formadas são as raízes do tolete, que emergem de banda de raiz
primárias acima da cicatriz da folha nos nós do tolete. Raízes do tolete podem emergir dentro de 24
horas após o plantio. Essas raízes são finas e com muitas ramificações, que sustentam a planta em
crescimento nas primeiras semanas depois da brotação. Raízes do broto são tipos secundários de
raízes, que emergem da base do novo colmo 5 - 7 dias após o plantio. Esta raízes são mais grossas
que as raízes do tolete e vão formar o sistema de raiz principal da planta. As raízes do tolete
continuam a crescer por um período de 6 - 15 dias após o plantio, a maioria desaparecendo aos 60 -
90 dias enquanto o sistema de raízes do broto desenvolve-se e apropria-se do suprimento de água e
nutrientes. Até a idade de três meses, as raízes do tolete contêm menos que 2% da massa seca da
raiz.

                 Estádios de desenvolvimento da cana-de-açucar
        A Cana-de-açúcar tem essencialmente quatro estádios de desenvolvimento: brotação,
perfilhamento (formação), crescimento dos colmos e maturação. O conhecimento prévio desses
estádios de desenvolvimento ajudará a gerenciar melhor o cultivo.

Brotação e Estabelecimento : A brotação vai do plantio até a completa brotação das gemas.
Conforme as condições do solo, a brotação começa de 7 a 10 dias após o plantio e geralmente dura
ao redor de 30-35 dias. A brotação da gema é influenciada por fatores externos e internos. Os
fatores externos são a umidade do solo, temperatura do solo e aeração. Os fatores internos são a
saúde da gema, a umidade do tolete, a redução do conteúdo de açúcar do tolete e o estado nutritivo
do tolete. A Temperatura ideal para a brotação é de 28 - 30o C. A temperatura básica para brotação
é ao redor de 12o C. Solo úmido e calor asseguram uma brotação rápida. Os resultados da brotação
resultam em uma respiração aumentada e assim uma boa aeração do solo é importante. Portanto,
solos porosos bem estruturados facilitam uma melhor brotação. Conforme as condições do solo,
considera-se que cerca de 60 por cento das brotações serão efetivamente estabelecidas.

Perfilhamento : O perfilhamento começa ao redor de 40 dias depois do plantio e pode durar até
120 dias. O perfilhamento proporciona ao cultivo o número de colmos necessários para uma boa
produção. Vários fatores tais como cultivar, luz, temperatura, irrigação (umidade do solo) e
adubação influenciam o perfilhamento. Luz é o mais importante fator externo que influencia o
perfilhamento. É de extrema importância ter a luminosidade adequada alcançando a base da planta
durante o período de perfilhamento. Temperatura ao redor de 30o C é considerada ideal para o
perfilhamento. Temperatura abaixo de 20o C retarda o perfilhamento. Perfilhos formados mais cedo
ajudam a produzir colmos mais grossos e mais pesados. Perfilhos formados mais tarde morrem ou
permanecem curtos ou imaturos. A população de perfilho máxima é alcançada ao redor de 90 - 120
dias depois do plantio. Ao redor de 150 - 180 dias, pelo menos 50 por cento dos brotos(perfilhos)
morrem e uma população estável é estabelecida.
        Práticas de cultivo tais como espaçamento, tempo de fertirrigação, disponibilidade de água
e controle de plantas daninhas influenciam o perfilhamento. Embora 6 - 8 perfilhos são produzidos
de uma gema, no final somente 1.5 a 2 perfilhos por gema restam para formar colmos. O cultivo de
cana-soca produz muito mais e mais cedo o perfilhamento que um cultivo de cana-planta.

Crescimento dos Colmos : A fase de crescimento dos colmos começa a partir de 120 dias depois
do plantio e dura até 270 dias em um cultivo de 12 meses. Durante o período anterior , no
perfilhamento, ocorre uma estabilização. Do total de perfilhos produzidos somente 40 - 50%
sobrevivem até 150 dias para formar colmos. Essa é a fase mais importante do cultivo onde ocorre a
formação e alongamento do colmo e assim resultando na produção da cana. A produção foliar é
freqüente e rápida durante essa fase com IAF alcançando ao redor de 6 - 7. Sob condições
favoráveis, os colmos crescem rapidamente quase que de 4 - 5 entrenós por mês. Irrigação,
fertirrigação, calor, umidade e condições climáticas solares favorecem um melhor alongamento de
cana. Falta de umidade reduz a extensão dos entrenós. Uma temperatura ao redor de 30o C com uma
umidade ao redor de 80% é o ideal para esta fase.

Maturação: A fase de maturação em um cultivo de doze meses dura ao redor de três meses
começando de 270 - 360 dias. A síntese de açúcar e acumulo rápido de açúcar acontece durante essa
fase, e o crescimento vegetativo é reduzido. Conforme a maturação avança, açucares simples
(monossacarídeo, frutose e glicose) são convertidos na cana de açúcar(sacarose, um dissacarídeo).
A maturação da cana acontece de baixo para cima e assim a parte de baixo contém mais açúcar que
a porção de cima. Bastante luminosidade, céu limpo, noites frescas e dias quentes e clima seco são
altamente benéficos para a maturação.

                    Ecofisiologia da cultura da cana-de-açucar
Introdução: A cana-de-açúcar se desenvolve no mundo entre a latitude 36.7° N e 31.0° S, do nível
do mar até 1000m de altitude ou um pouco mais. É considerada essencialmente como uma planta
tropical. É um cultivo de longa duração e, portanto convive com todas as estações, chuvosa, inverno
e verão durante seu ciclo de vida.

Clima: Os principais componentes climáticos que controlam o crescimento, a produção e qualidade
da cana são: temperatura, luz e umidade disponível. A planta vive melhor em áreas ensolaradas
quentes e tropicais. O clima "ideal" para máxima produção de açúcar da cana-de- açúcar é
caracterizado como: Uma estação longa, quente com alta incidência de radiação solar e umidade
adequada (chuva) - a planta usa de 148 a 300g de água para produzir 1.0g de substância seca. Uma
estação razoavelmente seca, ensolarada e fresca, mas sem geada para amadurecimento e cultivo – a
porcentagem de umidade cai de forma regular ao longo da vida da planta, de 83% em uma cana
muito jovem para 71% em cana madura, enquanto a sacarose cresce de menos que 10 para mais de
45% do peso seco. Livre de tufões e furacões (ventos fortes)
Chuva: Um total de chuva entre 1100 e 1500 mm é suficiente se a distribuição for adequada
(abundante nos meses de crescimento vegetativo seguido por um período de amadurecimento).
Durante o período de crescimento ativo, a chuva favorece um crescimento rápido da cana,
alongamento da cana e formação de entrenós. Durante o período de amadurecimento, não é
desejável muita chuva porque isso causa a baixa da qualidade do suco, aumenta o crescimento
vegetativo, e aumento da umidade do tecido. Isto também prejudica a colheita e operações de
transporte.

Temperatura: O desenvolvimento está intimamente ligado à temperatura. A temperatura ideal para
brotação de cortes no caule é de 32° a 38°C. Diminui abaixo de 25°C, e é reduzida acima de 35°C e
praticamente para quando a temperatura está acima de 38°C. Temperaturas acima de 38°C reduzem
a fotossíntese e aumentam a respiração. Para amadurecimento, as temperaturas devem ser
relativamente baixas ( 12° a 14°C são desejáveis), pois diminui o desenvolvimento vegetativo e
aumenta a sacarose da cana. Em temperaturas altas uma reversão da sacarose em frutose e glicose
pode ocorrer além do aumento da fotorespiração, o que diminui o acúmulo de açucares.

Umidade relativa: Alta umidade (80 - 85%) favorece um alongamento de cana rápido durante o
período de crescimento. Um valor moderado de 45 - 65 % junto com um suprimento de água
limitado é favorável durante a fase de amadurecimento.

Luz Solar : A Cana-de-açúcar é uma planta que necessita muita luz solar. Ela se desenvolve bem
em áreas que recebem energia solar de 18 - 36 MJ/m2. Sendo uma planta C4, a cana de açúcar é
capaz de produzir altos índices de fotossintéticos e o processo mostra uma variação de alta
saturação em relação à luz. O perfilhamento é afetado por intensidade e duração do brilho do sol.
Alta intensidade de luz e longa duração promovem o perfilhamento enquanto dias curtos e nublados
diminuem. O crescimento do colmo aumenta quando a luz do dia está entre uma faixa de 10 - 14
horas. O aumento do índice de área da foliar é rápido durante o terceiro e quinto mês, e alcança seus
valores de pico durante a fase inicial de crescimento dos colmos.

Requerimentos climáticos ideais: A radiação total média recebida em 12 meses de crescimento
tem sido estimada ao redor de 6350 MJ/m2. Ao redor de 60% dessa radiação foi interceptada por
uma cobertura durante as fases de crescimento. A produção de matéria seca total mostrou uma
relação linear com o PAR interceptado e o teste de correlação resultou R2 valor de 0.913.

Porém, a proporção de conversão de energia em termos de produção de matéria seca por unidade de
radiação interceptada mostrou uma resposta quadrática com porcentagem de intercessão de luz
indicando que a proporção de conversão de energia aumentou de forma linear até 50% da
intercessão de luz e acima desse nível; a proporção da conversão fotossintética da radiação solar é
reduzida
        No cultivo de cana de açúcar, a cobertura superior de 6 folhas interceptam 70% da radiação
e a proporção fotossintética das folhas inferiores diminuiu devido ao sombreamento. Locais que tem
um período de crescimento curto beneficiam-se de um espaçamento mais próximo para interceptar
uma quantidade maior de radiação solar e produzir maiores resultados. Porém com uma estação de
crescimento longo o espaçamento maior é melhor para evitar sombreamento e mortalidade dos
perfilhos. Por sua vez a proporção de conversão de energia em termos de produção de matéria seca
por unidade de radiação interceptada mostrou uma resposta quadrática com a porcentagem de
intercessão de luz. Isto indica que a proporção de conversão de energia aumentou de forma linear
até 50% da intercessão de luz e acima desse nível; a proporção da conversão fotossintética da
radiação solar é reduzida. Algumas estimativas mostram que 80% da perda de água são associadas
com energia solar, 14% com vento e 6% com temperatura e umidade. Altas velocidades de vento
excedendo 60-km/hora são prejudiciais às canas em crescimento, uma vez que elas causam
acamamento e quebra da cana. Também, ventos aumentam a perda de umidade das plantas e assim
agravam os feitos de doenças de estresse de umidade.

Efeito do clima na produção de cana de açúcar e do açúcar: A produtividade e a qualidade do
suco de cana de açúcar são profundamente influenciadas pelas condições climáticas prevalecentes
durante os vários sub-períodos do crescimento do cultivo. A concentração do açúcar é maior
quando o clima é seco com baixa umidade; horas de radiação solar, noites frescas com variações
diurnas frescas e muito pouca chuva durante o período de amadurecimento. Essas condições
favorecem o acúmulo alto de açúcar.

                                Plantio da cana-de-açucar
Clima: O clima ideal é aquele que apresenta duas estações distintas, uma quente e úmida, para
proporcionar a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e
seca, para promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos.
Solo: Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade de retenção são os
ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos
arenosos e menos férteis, como os de cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável
superficial ou mal drenados, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar.
         Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que constituem a maioria das
nossas explorações, a declividade máxima deverá estar em torno de 12% ; declividade acima desse
limite apresentam restrições às práticas mecânicas. Para culturas mecanizadas, com adoção de
colheitadeiras automotrizes, o limite máximo de declividade cai para 8 a 10%. Tendo a cana um
sistema radicular profundo, um ciclo vegetativo econômico de 4,5 anos ou mais e uma intensa
mecanização que se processa durante esse preríodo, o preparo do solo deve ser profundo e
esmerado.
         No preparo do solo, temos de considerar duas situações distintas:
– a cana vai ser implantada pela primeira vez;
– o terreno já se encontra ocupado com cana.
         Quando a cana vai ser implantada pela primeira vez. Fazer uma aração profunda, com
bastante antecedência do plantio, visando à destruição, incorporação e decomposição dos restos
culturais existentes, seguida de gradagem, com o objetivo de completar a primeira operação. Se
constatada a existência de uma camada impermeável, seu rompimento é feito através de
subsolagem, que só é aconselhada quando a camada adensada se localizar a uma profundidade entre
20 e 50 cm da superfície e com solo seco. Nas vésperas do plantio, faz-se nova gradagem, visando
ao acabamento do preparo do terreno e à eliminação de ervas daninhas.
         Se o terreno já se encontra ocupado com cana. O primeiro passo é a destruição da soqueira,
que deve ser realizada logo após a colheita. Essa operação pode ser feita por meio de aração rasa
(15-20 cm) nas linhas de cana, seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada, enxada
rotativa ou uso de herbicida. Se confirmada a compactação do solo, a subsolagem torna-se
necessária. Nas vésperas do plantio procede-se a uma aração profunda (25-30 cm), por meio de
arado ou grade pesada. Seguem-se as gradagens necessárias, visando manter o terreno destorroado e
apto ao plantio.
Plantio Direto: Atualmente esta técnica esta sendo implementada na cultura da cana-de-açucar,
principalmente com máquinas plantadoras especiais.

Calagem: A aplicação de calcário é determinada pela análise química do solo, devendo ser
utilizado para elevar a saturação por bases a 60%. A época mais indicada para aplicação do calcário
vai desde o último corte da cana, durante a reforma do canavial, até antes da última gradagem de
preparo do terreno. Dentro desse período, quanto mais cedo executada maior será sua eficiência.
Adubação.
Adubação: Considera-se duas situações distintas, adubação para cana-planta e para cana-soca. Para
cana-planta, o fertilizante deverá ser aplicado no fundo do sulco de plantio, após a sua abertura, ou
por meio de adubadeiras conjugadas aos sulcadores em operação dupla. Para cana-planta aplicar
mais 30 a 60 kg/ha de N, em cobertura, durante o mês de abril; em solo arenoso dividir a cobertura,
aplicando metade do N em abril e a outra metade em setembro - outubro. Adubações pesadas de
K2O devem ser parceladas, colocando no sulco de plantio até 100 kg/ha e o restante juntamente com
o N em cobertura, durante o mês de abril.
        Para cana-soca, a adubação deve ser feita durante os primeiros tratos culturais, em ambos os
lados da linha de cana; quando aplicada superficialmente, deve ser bem misturada com a terra ou
alocada até a profundidade de 15 cm.

Uso de Resíduos da Agroindústria Canavieira: Pode-se substituir a adubação química das socas
pela aplicação de vinhaça, cuja quantidade por hectare esta na dependência da composição química
da vinhaça e da necessidade da lavoura em nutrientes. Os sistemas básicos de aplicação são por
infiltração, por veículos e aspersão.
         A torta de filtro (úmida) pode ser aplicada em área total (80-100 t/ha), em pré-plantio, no
sulco de plantio (15-30 t/ha) ou nas entrelinhas (40-50 t/ha). Metade do fósforo aí contido pode ser
deduzido da adubação fosfatada recomendada. (Boletim Técnico 100 IAC, 1996)

Época de plantio: Existem duas épocas para a região Centro-Sul:
–setembro-outubro
–janeiro a março.
        Setembro-outubro não é a época mais recomendada, é indicada em casos de necessidade
urgente de matéria prima, quer por recente instalação ou ampliação do setor industrial, quer por
comprometimento de safra devido à ocorrência de adversidade climática. Plantios efetuados nessa
época propiciam menor produtividade agrícola e expõem a lavoura à maior incidência de ervas
daninhas, pragas, assoreamento dos sulcos e retardam a próxima colheita.
        Janeiro a março é feito o plantio da cana de "ano e meio", (+ recomendado tecnicamente).
Além de não apresentar os inconvenientes da outra época, permite um melhor aproveitamento do
terreno com plantio de outras culturas. Em regiões quentes, como o oeste do Estado de São Paulo,
essa época pode ser estendida para os meses subseqüentes, desde que haja umidade suficiente.

Espaçamento e profundidade de plantio: O espaçamento entre os sulcos de plantio é de 0,9 a
1,40 m, sua profundidade de 20 a 25 cm e a largura é proporcionada pela abertura das asas do
sulcador num ângulo de 45º, com pequenas variações para mais ou para menos, dependendo da
textura do solo.

Plantio: Os colmos com idade de 10 a 12 meses são colocados no fundo do sulco, sempre cruzando
a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados, com podão, em toletes de
aproximadamente de três gemas. A densidade do plantio é em torno de 12 gemas por metro linear
de sulco, que, dependendo da variedade e do seu desenvolvimento vegetativo, corresponde a um
gasto de 7-10 toneladas por hectare. Os toletes são cobertos com uma camada de terra de 7 cm,
devendo ser ligeiramente compactada. Dependendo do tipo de solo e das condições climáticas
reinantes, pode haver uma variação na espessura dessa camada.

Produção da muda de cana para o plantio: Após, em média, quatro ou cinco cortes consecutivos,
a lavoura canavieira precisa ser renovada. A taxa de renovação está ao redor de 15 a 20% da área
total cultivada, exigindo grandes quantidades de mudas. A boa qualidade das mudas é o fator de
produção de mais baixo custo e que maior retorno econômico proporciona ao agricultor,
principalmente quando produzida por ele próprio.
Formação do viveiro de mudas: Ojetivos: Renovação do canavial (após 4º ou 5° corte); Sanidade
da lavoura ; Aumentar o número de cortes; Menor tempo de implantação do canavial; Método de
renovação de menor custo
–Tratamento térmico para raquitismo: Submeter o colmo à temperatura de 50,5°C por 2horas
–Extração das gemas Gemas + zona radicular, Tratamento para raquitismo em banho com fungicida
(10 a 15 min). Os brotadores devem ser de areia, com boa drenagem. Após brotação as mudas são
transferidas para saquinhos plásticos. A época de transplante é na fase de “esporão” com as folhas
fechadas. Realizar adubação nitrogenada na fase de produção da muda para acelerar o crescimento
–Viveiro multiplicador primário Os esporão são transferidos para este local, o espaçamento de 50 a
75 cm na linha. Após 20 dias se faz o plantio no viveiro multiplicador secundário. O material a ser
transferido para o campo é destacado da touceira, sem o uso de ferramentas, quebrando os colmos
manualmente. O colmo é plantado com a palha e os colmos.
Viveiro primário : Inicia-se a colheita dos colmos por meio de ferramentas (podão). Inicia-se
quando o viveiro multiplicador já atingiu o tamanho ideal dentro do planejamento da propriedade .
As mudas podem ir ainda para um viveiro secundário (1:2000)
Viveiro multiplicador secundário : Viveiro permanente para a multiplicação de mudas.

Tratos Culturais: Os tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das ervas
daninhas, adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária para controlar a
incidência do carvão. O período crítico da cultura, devido à concorrência de plantas daninhas, vai da
emergência aos 90 dias de idade. O controle mais eficiente é o químico, através da aplicação de
herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área total. Dependendo das condições de
aplicação, infestação e eficiência do herbicida, há necessidade de uma ou mais capinas mecânicas e
catação manual até o fechamento da lavoura. A partir dai a infestação é praticamente nula.
         Instalada a cultura, após o surgimento do mato, procede-se seu controle mecanicamente,
com o emprego de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo complementado
com capina manual nas linhas de plantio, evitando, assim, o assoreamento do sulco. Essa operação é
repetida quantas vezes forem necessárias. As soqueiras exigem enleiramento do "paliço",
permeabilização do solo, controle das ervas daninhas, adubação e vigilância sanitária.
         Após a colheita da cana, ficam no terreno restos de palha, folhas e pontas, cuja permanência
prejudica a nova brotação e dificulta os tratos culturais. A maneira de eliminar esse material (paliço)
seria a queima pelo fogo, porém essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela
acarreta, como falhas na brotação futura, perdas de umidade e matéria orgânica do solo e quebra do
equilíbrio biológico. O enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço" deixando
duas, quatro ou seis ruas livres, dependendo da quantidade desse material. É realizado por
enleiradeira, implemento leve com pouca exigência de potência.
         Após a colheita da cana, o solo fica superficialmente compactado dificultando a penetração
de água, ar e fertilizantes. Pode-se usar implementos que realizam simultaneamente, operações de
escarificação, adubação, cultivo e preparo do terreno para receber a capina química. Normalmente,
essa prática, conhecida como operação tríplice, seguida do cultivo químico, é suficiente para manter
a soqueira no limpo. Devido ao rápido crescimento das soqueiras, o número de capinas exigidos é
menor que o da cana planta.

Maturadores Químicos: São produtos com a propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana
induzindo a translocação e o armazenamento dos açúcares. É um instrumento auxiliar no
planejamento da colheita e no manejo varietal. Há uma ação inibidora do florescimento, em alguns
casos, viabilizando a utilização de variedades com este comportamento.
–Produtos comerciais utilizados como maturadores: Ethepon, Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e
Moddus.
–O uso desses produtos, pode representar acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose.
Colheita da cana-de-açucar
        A colheita inicia-se em maio e em algumas unidades sucroalcooleiras em abril,
prolongando-se até novembro, período em que a planta atinge o ponto de maturação, devendo,
sempre que possível, antecipar o fim da safra, por ser um período bastante chuvoso, que dificulta o
transporte de matéria prima e faz cair o rendimento industrial. Uma colheita apropriada deve
garantir:
–Colher a cana no pico da maturidade (ex: evitar cortar a cana antes do tempo ou tarde demais)
–Cortar a cana a um nível próximo ao solo para que internódios de baixo ricos em açúcar seja
colhido.
–Poda na altura certa para que os internódios imaturos superiores sejam eliminados
–Limpeza apropriada da cana para remover folhas, cinzas, raízes etc.
–Entrega rápida da cana colhida para a usina.

Métodos para se determinar a época certa da colheita de cana :
Idade do cultivo: A colheita é feita baseada na idade das plantas. Os agricultores que cultivam uma
variedade em particular são geralmente experientes com o tempo de colheita. Esse não é um método
científico uma vez que a época de plantio, as práticas de gerenciamento do cultivo e as condições
climáticas influenciam na maturação.
Sintomas visuais: Amarelamento e ressecamento das folhas, som metálico das canas maduras
quando batidas, aparência de açúcar cristal brilhando quando a cana madura é cortada de forma
inclinada e segurada contra o sol, são alguns parâmetros visuais para se determinar a maturação da
cana.
Parâmetros de qualidade: Os parâmetros importantes de qualidade da cana de açúcar para
verificar maturação são o Brix, pol ou porcentagem de sacarose e pureza da sacarose.
Determinação do Estágio de Maturação: O ponto de maturação pode ser determinado pelo
refratômetro de campo e complementado pela análise de laboratório. Com a adoção do sistema de
pagamento pelo teor de sacarose, há necessidade de o produtor conciliar alta produtividade agrícola
com elevado teor de sacarose na época da colheita. O refratômetro fornece diretamente a
porcentagem de sólidos solúveis do caldo (Brix). O Brix esta estreitamente correlacionado ao teor
de sacarose da cana. A maturação ocorre da base para o ápice do colmo. A cana imatura apresenta
valores bastante distintos nesses seguimentos, os quais vão se aproximando no processo de
maturação. Assim, o critério mais racional de estimar a maturação pelo refratômetro de campo é
pelo índice de maturação (IM), que fornece o quociente da relação.
                                    IM = Brix da ponta do colmo
                                         Brix da base do colmo
Admitem-se para a cana-de-açúcar, os seguintes estágios de maturação




       As determinações tecnológicas em laboratório (brix, pol, açúcares redutores e pureza)
fornecem dados mais precisos da maturação, sendo, a rigor, uma confirmação do refratômetro de
campo.
Operação de Corte manual: O corte pode ser manual, com um rendimento médio de 5 a 6
toneladas/homem/dia, ou mecanicamente, através de colhedoras.

UTILIZAÇÃO DO FOGO EM CULTURA DE CANA-DE-AÇUCAR
         A queima da palha da cana-de-açúcar anteriormente à colheita é prática usual na maioria
dos países produtores. Os países que fazem o corte de cana crua (sem queimar) o fazem por motivos
bastante específicos.
MOTIVOS DA QUEIMA NA COLHEITA MANUAL
         Vários são os motivos para a utilização da queima da palha de cana antes de se efetuar o
corte manual. Entre eles, podemos destacar:
– Segurança do trabalhador;
– Rendimento do corte;
– Eliminação de impurezas.
MOTIVOS DA QUEIMA NA COLHEITA MECÂNICA
         A colheita mecânica, independente de cana crua ou queimada, impõe algumas condições
para sua viabilidade como
–formato dos talhões,
–declividade máxima do terreno,
–preparo de solo diferenciado etc.
         Por isso, sua utilização não pode ser implantada rapidamente nem pode ser da área total.
Os principais motivos de se queimar antes da colheita mecanizada são:
– Eliminação de impurezas;
– Rendimento;
– Perdas.
DESVANTAGENS DA QUEIMA
         Apesar de usar uma prática generalizada a queima de cana apresenta algumas desvantagens,
entre elas:
–O fogo conduz à exsudação da água e açúcares, predispondo os colmos à deterioração microbiana;
–As folhas e bainhas secas e parcialmente verdes que são eliminadas pelo fogo poderiam ser
utilizadas como cobertura morta, incorporada ao solo ou até mesmo como fonte energética;
–Os produtos da queima (gases e partículas) podem atingir cidades e populações.


Operação de Corte mecanizada: Existem basicamente dois tipos: colhedoras para cana inteira,
com rendimento operacional médio em condições normais de 20 t/hora, e colhedoras para cana
picada (automotrizes), com rendimento de 15 a 20 t/hora.
        Após o corte, a cana-de-açúcar deve ser transportada o mais rápido possível ao setor
industrial, por meio de caminhão ou carreta tracionada por trator.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto  Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
Geagra UFG
 
CULTURA DO TRIGO
CULTURA DO TRIGOCULTURA DO TRIGO
CULTURA DO TRIGO
Rose vargas
 
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZA CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
ANTONIO INACIO FERRAZ
 
CANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
CANA DE AÇÚCAR Plantio à ColheitaCANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
CANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
GETA - UFG
 
cultura do arroz slide simplificado
cultura do arroz slide simplificadocultura do arroz slide simplificado
cultura do arroz slide simplificado
Andre Vinicius
 
Fenologia e Fisiologia do Girassol
Fenologia e Fisiologia do GirassolFenologia e Fisiologia do Girassol
Fenologia e Fisiologia do Girassol
Geagra UFG
 
ILP - Lourival Vilela
ILP - Lourival VilelaILP - Lourival Vilela
ILP - Lourival Vilela
ANCP Ribeirão Preto
 
A cultura do Milho
A cultura do MilhoA cultura do Milho
A cultura do Milho
Killer Max
 
Classificação de doenças de McNew
Classificação de doenças de McNewClassificação de doenças de McNew
Classificação de doenças de McNew
Giovani de Oliveira Arieira
 
Sistemas de irrigação
Sistemas de irrigaçãoSistemas de irrigação
Sistemas de irrigação
GETA - UFG
 
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptxAULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
DaiaraMendes
 
Estados Fenológicos do Milho
Estados Fenológicos do MilhoEstados Fenológicos do Milho
Estados Fenológicos do Milho
Alex Furquim Pereira
 
A cultura do sorgo flavio tardin
A cultura do sorgo  flavio tardinA cultura do sorgo  flavio tardin
A cultura do sorgo flavio tardin
rancholandy
 
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJAINTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
Geagra UFG
 
Cultura da Mandioca
Cultura da MandiocaCultura da Mandioca
Cultura da Mandioca
João Felix
 
Fertilidade do Solo
Fertilidade do SoloFertilidade do Solo
Fertilidade do Solo
Gustavo Avila
 
Manejo Integrado de Pragas no Arroz
Manejo Integrado de Pragas no ArrozManejo Integrado de Pragas no Arroz
Manejo Integrado de Pragas no Arroz
Geagra UFG
 
Pragas da cana
Pragas da canaPragas da cana
Pragas da cana
Agricultura Sao Paulo
 
A cultura da banana minicurso
A cultura da banana   minicursoA cultura da banana   minicurso
A cultura da banana minicurso
Ernane Nogueira Nunes
 
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptxNUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
Geagra UFG
 

Mais procurados (20)

Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto  Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
Manejo de Doenças no Sorgo e Milheto
 
CULTURA DO TRIGO
CULTURA DO TRIGOCULTURA DO TRIGO
CULTURA DO TRIGO
 
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZA CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ
 
CANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
CANA DE AÇÚCAR Plantio à ColheitaCANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
CANA DE AÇÚCAR Plantio à Colheita
 
cultura do arroz slide simplificado
cultura do arroz slide simplificadocultura do arroz slide simplificado
cultura do arroz slide simplificado
 
Fenologia e Fisiologia do Girassol
Fenologia e Fisiologia do GirassolFenologia e Fisiologia do Girassol
Fenologia e Fisiologia do Girassol
 
ILP - Lourival Vilela
ILP - Lourival VilelaILP - Lourival Vilela
ILP - Lourival Vilela
 
A cultura do Milho
A cultura do MilhoA cultura do Milho
A cultura do Milho
 
Classificação de doenças de McNew
Classificação de doenças de McNewClassificação de doenças de McNew
Classificação de doenças de McNew
 
Sistemas de irrigação
Sistemas de irrigaçãoSistemas de irrigação
Sistemas de irrigação
 
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptxAULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
AULA CULTURA DO ARROZ 2º ANO (1)-1.pptx
 
Estados Fenológicos do Milho
Estados Fenológicos do MilhoEstados Fenológicos do Milho
Estados Fenológicos do Milho
 
A cultura do sorgo flavio tardin
A cultura do sorgo  flavio tardinA cultura do sorgo  flavio tardin
A cultura do sorgo flavio tardin
 
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJAINTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
INTRODUÇÃO À CULTURA DA SOJA
 
Cultura da Mandioca
Cultura da MandiocaCultura da Mandioca
Cultura da Mandioca
 
Fertilidade do Solo
Fertilidade do SoloFertilidade do Solo
Fertilidade do Solo
 
Manejo Integrado de Pragas no Arroz
Manejo Integrado de Pragas no ArrozManejo Integrado de Pragas no Arroz
Manejo Integrado de Pragas no Arroz
 
Pragas da cana
Pragas da canaPragas da cana
Pragas da cana
 
A cultura da banana minicurso
A cultura da banana   minicursoA cultura da banana   minicurso
A cultura da banana minicurso
 
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptxNUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE SORGO E MILHETO.pptx
 

Destaque

08 preparo_cana
08  preparo_cana08  preparo_cana
08 preparo_cana
Clauber Dalmas Rodrigues
 
Caldo de cana
Caldo de canaCaldo de cana
Caldo de cana
Ortalc Engenharia
 
Preparo da Cana-de-açúcar
Preparo da Cana-de-açúcarPreparo da Cana-de-açúcar
Preparo da Cana-de-açúcar
Clauber Dalmas Rodrigues
 
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
Tuane Paixão
 
Energia do bagaço
Energia do bagaçoEnergia do bagaço
Gv 06 regulagem e controle 2
Gv 06 regulagem e controle 2Gv 06 regulagem e controle 2
Gv 06 regulagem e controle 2
Luiz Carlos Martinelli Júnior
 
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeiraEspecificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
Victor Said
 
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energiaSistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
Spraying Systems do Brasil
 
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
CTBE - Brazilian Bioethanol Sci&Tech Laboratory
 
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e AlcoolAutomação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
Mario Martins
 
ANalisis y propuesta de molino para palenques
ANalisis y propuesta de molino para palenquesANalisis y propuesta de molino para palenques
ANalisis y propuesta de molino para palenques
GUSTAVO CURIEL AVILES
 
Bagazo caña cemento
Bagazo caña cementoBagazo caña cemento
Bagazo caña cemento
odhiles
 
DSF 2012 - INDT
DSF 2012 - INDTDSF 2012 - INDT
DSF 2012 - INDT
Paragon Tecnologia Ltda
 
DSF 2012 - Vale
DSF 2012 - ValeDSF 2012 - Vale
DSF 2012 - Vale
Paragon Tecnologia Ltda
 
2015 09 Power Engineering
2015 09 Power Engineering2015 09 Power Engineering
2015 09 Power Engineering
Luiz Carlos Martinelli Júnior
 
Apresentação - CEVSS
Apresentação - CEVSSApresentação - CEVSS
Apresentação - CEVSS
riciware
 
industria azucarera
industria azucareraindustria azucarera
industria azucarera
oscararuiz
 
Productos derivados caña i unidad 2
Productos derivados caña  i unidad 2Productos derivados caña  i unidad 2
Productos derivados caña i unidad 2
julio ulacio
 
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler EfficiencyDetermining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
Cleaver-Brooks
 

Destaque (20)

08 preparo_cana
08  preparo_cana08  preparo_cana
08 preparo_cana
 
Caldo de cana
Caldo de canaCaldo de cana
Caldo de cana
 
Preparo da Cana-de-açúcar
Preparo da Cana-de-açúcarPreparo da Cana-de-açúcar
Preparo da Cana-de-açúcar
 
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
57768 1289 28.02.2012 13.34.08_01_introducao_r1 (1)
 
Energia do bagaço
Energia do bagaçoEnergia do bagaço
Energia do bagaço
 
Organizando
OrganizandoOrganizando
Organizando
 
Gv 06 regulagem e controle 2
Gv 06 regulagem e controle 2Gv 06 regulagem e controle 2
Gv 06 regulagem e controle 2
 
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeiraEspecificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
Especificações técnicas de uma malha de controle de uma caldeira
 
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energiaSistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
Sistema de Limpeza de Esteirão reduz 50% de consumo de energia
 
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
A Visão da DEDINI: hidrólise ácida, uma experiência prática (o processo DHR)
 
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e AlcoolAutomação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
Automação de Termeletricas em Usinas de Açucar e Alcool
 
ANalisis y propuesta de molino para palenques
ANalisis y propuesta de molino para palenquesANalisis y propuesta de molino para palenques
ANalisis y propuesta de molino para palenques
 
Bagazo caña cemento
Bagazo caña cementoBagazo caña cemento
Bagazo caña cemento
 
DSF 2012 - INDT
DSF 2012 - INDTDSF 2012 - INDT
DSF 2012 - INDT
 
DSF 2012 - Vale
DSF 2012 - ValeDSF 2012 - Vale
DSF 2012 - Vale
 
2015 09 Power Engineering
2015 09 Power Engineering2015 09 Power Engineering
2015 09 Power Engineering
 
Apresentação - CEVSS
Apresentação - CEVSSApresentação - CEVSS
Apresentação - CEVSS
 
industria azucarera
industria azucareraindustria azucarera
industria azucarera
 
Productos derivados caña i unidad 2
Productos derivados caña  i unidad 2Productos derivados caña  i unidad 2
Productos derivados caña i unidad 2
 
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler EfficiencyDetermining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
Determining the Best Heat Recovery System to Maximize Boiler Efficiency
 

Semelhante a Apostila de cana de açucar

APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
Antonio Inácio Ferraz
 
Trabalho de cana_de_açucar
Trabalho de cana_de_açucarTrabalho de cana_de_açucar
Trabalho de cana_de_açucar
Cynthia Candida
 
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasilantonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
ANTONIO INACIO FERRAZ
 
A evolução do açúcar.
A evolução do açúcar.A evolução do açúcar.
A evolução do açúcar.
Jean Paulo Mendes Alves
 
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E JuCivilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
valdeniDinamizador
 
01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café
Gislan Rocha
 
01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café
Gislan Rocha
 
Apostila a cultura do café
Apostila a cultura do caféApostila a cultura do café
Apostila a cultura do café
Weliton Nogueira
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ
 
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
scazuzza
 
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origemRevista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
Luiz Valeriano
 
Trabalho mara
Trabalho maraTrabalho mara
Trabalho mara
Giga Informatica
 
Ana Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
Ana Paula AjksjihduihuihjdsaidjAna Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
Ana Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
Mara Sandra
 
Historia do cafe
Historia do cafeHistoria do cafe
Historia do cafe
Rê 2011
 
História do café
História do caféHistória do café
História do café
Francisco Cleber Soares Souza
 
O início da colonização brasileira
O início da colonização brasileiraO início da colonização brasileira
O início da colonização brasileira
Eefg Tj
 
Chocolate
ChocolateChocolate
Chocolate
Maria Antonieta
 
Fibras naturais
Fibras naturaisFibras naturais
Fibras naturais
Heliana Fornitani
 
O Café
O CaféO Café
O Café
MaisVitamina
 
Breve histórico da cana-de-açúcar
Breve histórico da cana-de-açúcarBreve histórico da cana-de-açúcar
Breve histórico da cana-de-açúcar
Clauber Dalmas Rodrigues
 

Semelhante a Apostila de cana de açucar (20)

APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
APOSTILA DE CANA-DE-AÇÚCAR-ANTONIO INACIO FERRAZ, TÉCNICO EM ELETRONICAE AGRO...
 
Trabalho de cana_de_açucar
Trabalho de cana_de_açucarTrabalho de cana_de_açucar
Trabalho de cana_de_açucar
 
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasilantonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
antonio inacio ferraz, técnico erm agropecuária-cana-de-açúcar no Brasil
 
A evolução do açúcar.
A evolução do açúcar.A evolução do açúcar.
A evolução do açúcar.
 
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E JuCivilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
Civilizacao Do Acucar Arielly E Naara E Ju
 
01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café
 
01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café01 apostila a cultura do café
01 apostila a cultura do café
 
Apostila a cultura do café
Apostila a cultura do caféApostila a cultura do café
Apostila a cultura do café
 
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
 
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
Historiadocafe 110806080133-phpapp02(2)
 
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origemRevista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
Revista Cafés de Rondônia 2018: Aroma, sabor e origem
 
Trabalho mara
Trabalho maraTrabalho mara
Trabalho mara
 
Ana Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
Ana Paula AjksjihduihuihjdsaidjAna Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
Ana Paula Ajksjihduihuihjdsaidj
 
Historia do cafe
Historia do cafeHistoria do cafe
Historia do cafe
 
História do café
História do caféHistória do café
História do café
 
O início da colonização brasileira
O início da colonização brasileiraO início da colonização brasileira
O início da colonização brasileira
 
Chocolate
ChocolateChocolate
Chocolate
 
Fibras naturais
Fibras naturaisFibras naturais
Fibras naturais
 
O Café
O CaféO Café
O Café
 
Breve histórico da cana-de-açúcar
Breve histórico da cana-de-açúcarBreve histórico da cana-de-açúcar
Breve histórico da cana-de-açúcar
 

Último

Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
MarcosPaulo777883
 
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
AntnioManuelAgdoma
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
joseanesouza36
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
LucianaCristina58
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
JoeteCarvalho
 
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
eaiprofpolly
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
TomasSousa7
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
SILVIAREGINANAZARECA
 
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo FreireLivro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
WelberMerlinCardoso
 
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
PatriciaZanoli
 
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptxPP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdfcronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
todorokillmepls
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Érika Rufo
 
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert EinsteinA Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
WelberMerlinCardoso
 
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdfTestes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
lveiga112
 
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
YeniferGarcia36
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Professor Belinaso
 
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
TomasSousa7
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Mary Alvarenga
 

Último (20)

Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
 
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
 
slides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentarslides de Didática 2.pdf para apresentar
slides de Didática 2.pdf para apresentar
 
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua PortuguesaD20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
D20 - Descritores SAEB de Língua Portuguesa
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
 
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo FreireLivro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Livro: Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
 
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
2020_09_17 - Biomas Mundiais [Salvo automaticamente].pptx
 
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptxPP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
PP Slides Lição 11, Betel, Ordenança para exercer a fé, 2Tr24.pptx
 
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdfcronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
cronograma-enem-2024-planejativo-estudos.pdf
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
 
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert EinsteinA Evolução da história da Física - Albert Einstein
A Evolução da história da Física - Albert Einstein
 
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdfTestes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
Testes + soluções_Mensagens12 )11111.pdf
 
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
000. Para rezar o terço - Junho - mês do Sagrado Coração de Jesús.pdf
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
 
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, Central Gospel, Os Mortos Em CRISTO, 2Tr24.pptx
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
 

Apostila de cana de açucar

  • 2. Importância Econômica da Cana-de-açucar Introdução A cana-de-açúcar, Saccharum officinarum L., uma antiga fonte de energia para os seres humanos e, mais recentemente, um substituto para combustível fóssil para veículos automotores, foi primeiro cultivado no Sul da Ásia Leste e Índia Ocidental. Ao redor de 327 BC essa era um importante cultivo no subcontinente africano. A cana foi introduzida ao Egito ao redor de 647 a.D. e, aproximadamente um século depois a Espanha (755 A.D.). Distribuição Global de Cana-de-açucar Desde então, o cultivo de cana de açúcar foi estendido a quase todas as regiões tropicais e subtropicais. Portugueses e Espanhóis a levaram ao Mundo Novo no inicio do século XVI. Essa foi introduzida aos Estados Unidos da América (Louisiana) ao redor de 1741. Os países de cultivo de cana de açúcar no mundo encontram-se entre a latitude 36.7° norte e 31.0° sul da linha do Equador estendendo-se de zonas tropicais a subtropicais. A Figura a seguir ilustra a distribuição de cana de açúcar no mundo. Cana de açúcar é um recurso agrícola natural e renovável porque produz açúcar, além de biocombustível, fibra, fertilizante e uma miríade de derivados/co-produtos com sustentabilidade ecológica. O suco da cana de açúcar é usado para fazer açúcar branco, açúcar mascavo (Khandsari), Jaggery (Gur) e etanol. Os derivados principais da indústria de açúcar são bagaço e melaço. Melaço, o derivado principal, é a mais importante matéria prima para álcool e, portanto para as indústrias baseadas no álcool. Excesso de bagaço está agora sendo usado como matéria prima na indústria de papel. Além disso, a geração de potência usando bagaço como combustível é considerado possível na maioria das usinas de cana. Produção de cana-de-açucar no Brasil http://www.portalunica.com.br/portalunica/?Secao=referência&SubSecao=estatísticas&SubSubSec ao=produção%20Brasil
  • 3. Cultura da cana-de-açucar Origem A cana-de-açucar no mundo A palavra que originou o nome açúcar é, provavelmente, 'grão', 'sarkar', em sânscrito. No leste da Índia, o açúcar era chamado 'shekar', enquanto os povos árabes o conheciam como 'al zucar', que se transformou no espanhol 'azucar', e daí, 'açúcar', em português. Na França, o açúcar é chamado de 'sucre' e, na Alemanha, de 'zücker', daí o inglês 'sugar'. Não se pode definir com precisão a época do surgimento da cana-de-açúcar no mundo, tampouco dizer, com exatidão, seu berço geográfico. Alguns pesquisadores admitem que a cana-de- açúcar tenha surgido primeiramente na Polinésia; outros arriscam a Papua Nova Guiné. Para esses estudiosos, a primeira aparição da cana no mundo se deu há 6 mil anos. A maior parte dos historiadores, porém, aceita a tese de surgimento da cana entre 10 e 12 mil anos atrás e data em 3.000 a.C. o caminho percorrido pela cana da Península Malaia e Indochina até a Baía de Bengala. A origem asiática da planta é consensual. A cana foi introduzida na China por volta de 800 a.C. e o açúcar cru já era produzido em 400 a.C. Porém, só a partir de 700 d.C. o produto começou a ser comercializado. A cana e o seu doce caldo foram mantidos em segredo, já que os povos distantes do comércio entre os asiáticos pagavam altas somas em troca de produtos luxuosos. E o açúcar era um deles. A comercialização do açúcar a partir de 700 enriqueceu os árabes e o produto da cana entrou na lista de preciosidades a que os países ocidentais quase não tinham acesso. A cana continuou sua viagem rumo ao Ocidente, passando pela África do Norte até alcançar o Marrocos. Depois, sul da Espanha, por volta de 755, e à Sicília em 950. O primeiro registro da chegada do açúcar na Inglaterra é de 1099 e, em 1150 a Espanha já investia em uma florescente indústria canavieira. Em 1319, um quilo de açúcar valia, aproximadamente, US$ 100. Isso manteve o status de artigo de luxo atribuído ao produto da cana e, mais tarde, motivou o aproveitamento de colônias conquistadas para a implantação de cultivares da cana-de-açúcar. Em 1425, D. Henrique (Príncipe Português) mandou buscar na Sicília as primeiras mudas de cana, que plantou na Ilha da Madeira. Começou, assim, a formação dos primeiros canaviais do Atlântico, que chegaram às Canárias (1480), Cabo Verde (1490) e Açores. No século XV, todo o açúcar produzido na Europa, era refinado em Veneza e isso anulava a possibilidade de diminuição de custos de transporte. Mesmo com os plantios recentes das metrópoles européias, o refino do açúcar ainda era um entrave. No Novo Mundo , a primeira inserção da cana deveu-se a Cristóvão Colombo, levada em sua segunda viagem marítima, em 1493, e plantada na República Dominicana, na ilha de La Española, e no Haiti. Daí, a gramínea expandiu-se para Cuba (1516) e México (1520). O primeiro engenho do continente foi instalado em La Española, em 1516. A cana chegou ao Brasil por ordem do rei D. Manuel, introduzida na Capitania de São Vicente pelo governador-geral Martim Afonso de Souza, em 1532, tornando-se a primeira atividade agrícola do País. A cana também se adaptou bem ao clima e ao solo de massapé nordestino, com a vantagem de contar com a produção mais próxima do mercado consumidor europeu. Em 1600, as lavouras e indústrias da cana do Novo Mundo já haviam se tornado o investimento mais lucrativo do globo e o Brasil tornou-se o maior produtor de açúcar do mundo. Em 1613, o novo engenho de três cilindros foi implantado no Brasil, o que consolidou a posição de liderança como produtor e a liderança comercial da metrópole. A cultura da cana, foi introduzida na Louisiana, em 1751; no Havaí, em 1802; e na Austrália, em 1823. Também foram criadas outras técnicas de extração, e a descoberta de mais uma função para a cana, ou melhor, para o seu bagaço, em 1838, na Martinica, a produção de papel.
  • 4. A cana-de-açucar no Brasil As primeiras mudas chegaram em 1532, na expedição de Martim Afonso de Souza. Aqui, a planta espalhou-se no solo fértil de massapê, com a ajuda do clima tropical quente e úmido e da mão-de-obra escrava trazida da África. Era o início do primeiro ciclo econômico brasileiro, o 'Ciclo da Cana-de-Açúcar'. A colônia enriqueceu Portugal e polvilhou o açúcar brasileiro - assim como aquele produzido na América Central, por franceses, espanhóis e ingleses - em toda a Europa. A capitania mais importante na época do ciclo da cana era a de Pernambuco, onde foi implantado o primeiro centro açucareiro do Brasil. Depois a Capitania da Bahia de Todos os Santos, e com o desmatamento da Mata Atlântica, os canaviais expandiram-se pela costa brasileira. Mas, para que a cultura prosperasse, foi necessária a criação de engenhos: as 'fábricas' onde a cana virava açúcar. Essas instalações sustentaram a economia açucareira brasileira até o desenvolvimento de novas técnicas em colônias de países concorrentes. Os engenhos e vilas surgidos com a expansão do cultivo de cana-de-açúcar foram responsáveis pelo desenvolvimento da produção, do comércio e da cultura do Nordeste brasileiro. Morfologia da cana-de-açúcar Colmo: Se desenvolve á partir da gema do tolete de cana. Quando a cana é plantada, cada gema pode formar um colmo primário. Colmos secundários chamados de "perfilhos" podem se formar a partir as gemas subterrâneas do colmo primário. Além disso, perfilhos podem formar-se á partir das gemas subterrâneas dos colmos secundários. O colmo é formado por nós e entrenós. O nó é onde a folha está presa ao colmo e onde as gemas e a raiz primária são encontradas. Uma cicatriz da folha pode ser encontrada no nó das folhas quando estas caem. O comprimento e o diâmetro dos nós e entrenós variam muito de com as cultivares e as condições de cultivo. As cores do colmo vistas nos entrenós dependem das cultivares de cana e das condições ambientais. Por exemplo, a exposição dos entrenós ao sol pode resultar em uma alteração completa de cor. A mesma cultivar cultivada em climas diferentes pode exibir cores diferentes. Todas as cores do talo derivam de dois pigmentos básicos: a cor vermelha da antocianina e o verde da clorofila. A proporção de concentração desses dois pigmentos produz cores de verde ao vermelho púrpuro ao vermelho para quase preto. Colmos amarelos indicam uma relativa falta desses pigmentos. A superfície dos entrenós, com a exceção do anel de crescimento, é mais ou menos coberta por cera. A quantidade de cera depende da variedade. O topo do colmo é relativamente baixo em sacarose e, portanto tem pouco valor industrial. O 1/3 superior do colmo, porém, contém muitas gemas e um bom suprimento de nutrientes, o que o torna valioso na propagação da cana (plantio). Dois tipos de rachaduras podem ser encontradas na superfície do Colmo; rachaduras inofensivas com pequenas espirais, que são restritas a epiderme, e rachaduras de crescimento que podem ser profundas e ocorrem ao longo de toda a extensão do entrenó. Rachaduras de crescimento são prejudiciais pois permitem aumento de perda de água , exposição do colmo para microrganismos e insetos. Rachaduras de crescimento dependem da variedade e condições de crescimento. Folhas: A folha da cana-de-açúcar é dividida em duas partes: bainha e lâmina. A bainha, cobre completamente o colmo, estendendo-se sobre pelo menos um entrenó completo. As folhas se desenvolvem de forma alternada, nos nós, portanto formando duas fileiras em lados opostos. A primeira folha de cima para baixo do colmo com aurículas bem visíveis é designada +1. Para baixo elas recebem, sucessivamente, os números +2, e +3. Para cima, 0, -1, -2 etc. A folha com a aurícula visível (+3) é a considerada adulta e usada em determinações (avaliação do estado nutricional; índice de área foliar) A planta madura de cana de açúcar tem uma superfície foliar, em media, de 0,5 metros quadrado, nas folhas superiores. O número de folhas verdes por colmo é ao redor de dez,(6 a 12) dependendo da variedade e condições de crescimento. O número de folhas é menor em condições de déficit hídrico ou em temperaturas baixas. As folhas velhas ao receberem pouca intensidade luminosa, tornam-se senescentes. As folhas verdes do topo são eretas, com o ápice
  • 5. curvo, podendo as demais serem mais ou menos eretas. Bonnett (1998), ao relatou que em temperaturas médias baixas, inferiores a 8 ºC, o desenvolvimento das folhas de alguns cultivares foi prejudicado. Sinclair et al. (2004), ao estudar o efeito das temperaturas mínimas ideais para o desenvolvimento das folhas, encontrou limites diferentes de temperatura para cada cultivar avaliado, tendo observado que a temperatura base para desenvolvimento dos aparatos foliares estaria em torno de 10 ºC, variando conforme o cultivar. Inflorescência: Quando a planta da cana-de-açúcar atinge uma maturação relativa de desenvolvimento, seu ponto de crescimento pode, sob certo fotoperíodo e condições de umidade do solo, passar de vegetativo para reprodutivo. O ponto de crescimento para de formar folhas e começa a produzir uma inflorescência. A cana é uma planta de dias curtos. Suas condições fotoperiódicas são alcançáveis nos trópicos. A inflorescência da cana de açúcar é uma panícula aberta. Cada panícula possui milhares de flores, cada uma capaz de produzir uma semente. Os sementes são extremamente pequenas e cerca de 250 sementes pesam 1 grama. Para a produção comercial de cana-de-açúcar, o desenvolvimento da inflorescência tem pouca importância econômica. O florescimento é importante para cruzamento e produção de variedades híbridas. Geralmente dias com duração de 12,5 horas e temperaturas noturnas entre 20° e 25° C induzirão o início do florescimento. Condições de crescimento ótimas na fase vegetativa (solo fértil, suprimento abundante de nitrogênio e umidade) restringem a inflorescência enquanto condições de estresse induzem a formação de florescimento. Raízes: As primeiras raízes formadas são as raízes do tolete, que emergem de banda de raiz primárias acima da cicatriz da folha nos nós do tolete. Raízes do tolete podem emergir dentro de 24 horas após o plantio. Essas raízes são finas e com muitas ramificações, que sustentam a planta em crescimento nas primeiras semanas depois da brotação. Raízes do broto são tipos secundários de raízes, que emergem da base do novo colmo 5 - 7 dias após o plantio. Esta raízes são mais grossas que as raízes do tolete e vão formar o sistema de raiz principal da planta. As raízes do tolete continuam a crescer por um período de 6 - 15 dias após o plantio, a maioria desaparecendo aos 60 - 90 dias enquanto o sistema de raízes do broto desenvolve-se e apropria-se do suprimento de água e nutrientes. Até a idade de três meses, as raízes do tolete contêm menos que 2% da massa seca da raiz. Estádios de desenvolvimento da cana-de-açucar A Cana-de-açúcar tem essencialmente quatro estádios de desenvolvimento: brotação, perfilhamento (formação), crescimento dos colmos e maturação. O conhecimento prévio desses estádios de desenvolvimento ajudará a gerenciar melhor o cultivo. Brotação e Estabelecimento : A brotação vai do plantio até a completa brotação das gemas. Conforme as condições do solo, a brotação começa de 7 a 10 dias após o plantio e geralmente dura ao redor de 30-35 dias. A brotação da gema é influenciada por fatores externos e internos. Os fatores externos são a umidade do solo, temperatura do solo e aeração. Os fatores internos são a saúde da gema, a umidade do tolete, a redução do conteúdo de açúcar do tolete e o estado nutritivo do tolete. A Temperatura ideal para a brotação é de 28 - 30o C. A temperatura básica para brotação é ao redor de 12o C. Solo úmido e calor asseguram uma brotação rápida. Os resultados da brotação resultam em uma respiração aumentada e assim uma boa aeração do solo é importante. Portanto, solos porosos bem estruturados facilitam uma melhor brotação. Conforme as condições do solo, considera-se que cerca de 60 por cento das brotações serão efetivamente estabelecidas. Perfilhamento : O perfilhamento começa ao redor de 40 dias depois do plantio e pode durar até 120 dias. O perfilhamento proporciona ao cultivo o número de colmos necessários para uma boa
  • 6. produção. Vários fatores tais como cultivar, luz, temperatura, irrigação (umidade do solo) e adubação influenciam o perfilhamento. Luz é o mais importante fator externo que influencia o perfilhamento. É de extrema importância ter a luminosidade adequada alcançando a base da planta durante o período de perfilhamento. Temperatura ao redor de 30o C é considerada ideal para o perfilhamento. Temperatura abaixo de 20o C retarda o perfilhamento. Perfilhos formados mais cedo ajudam a produzir colmos mais grossos e mais pesados. Perfilhos formados mais tarde morrem ou permanecem curtos ou imaturos. A população de perfilho máxima é alcançada ao redor de 90 - 120 dias depois do plantio. Ao redor de 150 - 180 dias, pelo menos 50 por cento dos brotos(perfilhos) morrem e uma população estável é estabelecida. Práticas de cultivo tais como espaçamento, tempo de fertirrigação, disponibilidade de água e controle de plantas daninhas influenciam o perfilhamento. Embora 6 - 8 perfilhos são produzidos de uma gema, no final somente 1.5 a 2 perfilhos por gema restam para formar colmos. O cultivo de cana-soca produz muito mais e mais cedo o perfilhamento que um cultivo de cana-planta. Crescimento dos Colmos : A fase de crescimento dos colmos começa a partir de 120 dias depois do plantio e dura até 270 dias em um cultivo de 12 meses. Durante o período anterior , no perfilhamento, ocorre uma estabilização. Do total de perfilhos produzidos somente 40 - 50% sobrevivem até 150 dias para formar colmos. Essa é a fase mais importante do cultivo onde ocorre a formação e alongamento do colmo e assim resultando na produção da cana. A produção foliar é freqüente e rápida durante essa fase com IAF alcançando ao redor de 6 - 7. Sob condições favoráveis, os colmos crescem rapidamente quase que de 4 - 5 entrenós por mês. Irrigação, fertirrigação, calor, umidade e condições climáticas solares favorecem um melhor alongamento de cana. Falta de umidade reduz a extensão dos entrenós. Uma temperatura ao redor de 30o C com uma umidade ao redor de 80% é o ideal para esta fase. Maturação: A fase de maturação em um cultivo de doze meses dura ao redor de três meses começando de 270 - 360 dias. A síntese de açúcar e acumulo rápido de açúcar acontece durante essa fase, e o crescimento vegetativo é reduzido. Conforme a maturação avança, açucares simples (monossacarídeo, frutose e glicose) são convertidos na cana de açúcar(sacarose, um dissacarídeo). A maturação da cana acontece de baixo para cima e assim a parte de baixo contém mais açúcar que a porção de cima. Bastante luminosidade, céu limpo, noites frescas e dias quentes e clima seco são altamente benéficos para a maturação. Ecofisiologia da cultura da cana-de-açucar Introdução: A cana-de-açúcar se desenvolve no mundo entre a latitude 36.7° N e 31.0° S, do nível do mar até 1000m de altitude ou um pouco mais. É considerada essencialmente como uma planta tropical. É um cultivo de longa duração e, portanto convive com todas as estações, chuvosa, inverno e verão durante seu ciclo de vida. Clima: Os principais componentes climáticos que controlam o crescimento, a produção e qualidade da cana são: temperatura, luz e umidade disponível. A planta vive melhor em áreas ensolaradas quentes e tropicais. O clima "ideal" para máxima produção de açúcar da cana-de- açúcar é caracterizado como: Uma estação longa, quente com alta incidência de radiação solar e umidade adequada (chuva) - a planta usa de 148 a 300g de água para produzir 1.0g de substância seca. Uma estação razoavelmente seca, ensolarada e fresca, mas sem geada para amadurecimento e cultivo – a porcentagem de umidade cai de forma regular ao longo da vida da planta, de 83% em uma cana muito jovem para 71% em cana madura, enquanto a sacarose cresce de menos que 10 para mais de 45% do peso seco. Livre de tufões e furacões (ventos fortes)
  • 7. Chuva: Um total de chuva entre 1100 e 1500 mm é suficiente se a distribuição for adequada (abundante nos meses de crescimento vegetativo seguido por um período de amadurecimento). Durante o período de crescimento ativo, a chuva favorece um crescimento rápido da cana, alongamento da cana e formação de entrenós. Durante o período de amadurecimento, não é desejável muita chuva porque isso causa a baixa da qualidade do suco, aumenta o crescimento vegetativo, e aumento da umidade do tecido. Isto também prejudica a colheita e operações de transporte. Temperatura: O desenvolvimento está intimamente ligado à temperatura. A temperatura ideal para brotação de cortes no caule é de 32° a 38°C. Diminui abaixo de 25°C, e é reduzida acima de 35°C e praticamente para quando a temperatura está acima de 38°C. Temperaturas acima de 38°C reduzem a fotossíntese e aumentam a respiração. Para amadurecimento, as temperaturas devem ser relativamente baixas ( 12° a 14°C são desejáveis), pois diminui o desenvolvimento vegetativo e aumenta a sacarose da cana. Em temperaturas altas uma reversão da sacarose em frutose e glicose pode ocorrer além do aumento da fotorespiração, o que diminui o acúmulo de açucares. Umidade relativa: Alta umidade (80 - 85%) favorece um alongamento de cana rápido durante o período de crescimento. Um valor moderado de 45 - 65 % junto com um suprimento de água limitado é favorável durante a fase de amadurecimento. Luz Solar : A Cana-de-açúcar é uma planta que necessita muita luz solar. Ela se desenvolve bem em áreas que recebem energia solar de 18 - 36 MJ/m2. Sendo uma planta C4, a cana de açúcar é capaz de produzir altos índices de fotossintéticos e o processo mostra uma variação de alta saturação em relação à luz. O perfilhamento é afetado por intensidade e duração do brilho do sol. Alta intensidade de luz e longa duração promovem o perfilhamento enquanto dias curtos e nublados diminuem. O crescimento do colmo aumenta quando a luz do dia está entre uma faixa de 10 - 14 horas. O aumento do índice de área da foliar é rápido durante o terceiro e quinto mês, e alcança seus valores de pico durante a fase inicial de crescimento dos colmos. Requerimentos climáticos ideais: A radiação total média recebida em 12 meses de crescimento tem sido estimada ao redor de 6350 MJ/m2. Ao redor de 60% dessa radiação foi interceptada por uma cobertura durante as fases de crescimento. A produção de matéria seca total mostrou uma relação linear com o PAR interceptado e o teste de correlação resultou R2 valor de 0.913. Porém, a proporção de conversão de energia em termos de produção de matéria seca por unidade de radiação interceptada mostrou uma resposta quadrática com porcentagem de intercessão de luz indicando que a proporção de conversão de energia aumentou de forma linear até 50% da intercessão de luz e acima desse nível; a proporção da conversão fotossintética da radiação solar é reduzida No cultivo de cana de açúcar, a cobertura superior de 6 folhas interceptam 70% da radiação e a proporção fotossintética das folhas inferiores diminuiu devido ao sombreamento. Locais que tem um período de crescimento curto beneficiam-se de um espaçamento mais próximo para interceptar uma quantidade maior de radiação solar e produzir maiores resultados. Porém com uma estação de crescimento longo o espaçamento maior é melhor para evitar sombreamento e mortalidade dos perfilhos. Por sua vez a proporção de conversão de energia em termos de produção de matéria seca por unidade de radiação interceptada mostrou uma resposta quadrática com a porcentagem de intercessão de luz. Isto indica que a proporção de conversão de energia aumentou de forma linear até 50% da intercessão de luz e acima desse nível; a proporção da conversão fotossintética da radiação solar é reduzida. Algumas estimativas mostram que 80% da perda de água são associadas com energia solar, 14% com vento e 6% com temperatura e umidade. Altas velocidades de vento excedendo 60-km/hora são prejudiciais às canas em crescimento, uma vez que elas causam
  • 8. acamamento e quebra da cana. Também, ventos aumentam a perda de umidade das plantas e assim agravam os feitos de doenças de estresse de umidade. Efeito do clima na produção de cana de açúcar e do açúcar: A produtividade e a qualidade do suco de cana de açúcar são profundamente influenciadas pelas condições climáticas prevalecentes durante os vários sub-períodos do crescimento do cultivo. A concentração do açúcar é maior quando o clima é seco com baixa umidade; horas de radiação solar, noites frescas com variações diurnas frescas e muito pouca chuva durante o período de amadurecimento. Essas condições favorecem o acúmulo alto de açúcar. Plantio da cana-de-açucar Clima: O clima ideal é aquele que apresenta duas estações distintas, uma quente e úmida, para proporcionar a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos. Solo: Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade de retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis, como os de cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável superficial ou mal drenados, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar. Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que constituem a maioria das nossas explorações, a declividade máxima deverá estar em torno de 12% ; declividade acima desse limite apresentam restrições às práticas mecânicas. Para culturas mecanizadas, com adoção de colheitadeiras automotrizes, o limite máximo de declividade cai para 8 a 10%. Tendo a cana um sistema radicular profundo, um ciclo vegetativo econômico de 4,5 anos ou mais e uma intensa mecanização que se processa durante esse preríodo, o preparo do solo deve ser profundo e esmerado. No preparo do solo, temos de considerar duas situações distintas: – a cana vai ser implantada pela primeira vez; – o terreno já se encontra ocupado com cana. Quando a cana vai ser implantada pela primeira vez. Fazer uma aração profunda, com bastante antecedência do plantio, visando à destruição, incorporação e decomposição dos restos culturais existentes, seguida de gradagem, com o objetivo de completar a primeira operação. Se constatada a existência de uma camada impermeável, seu rompimento é feito através de subsolagem, que só é aconselhada quando a camada adensada se localizar a uma profundidade entre 20 e 50 cm da superfície e com solo seco. Nas vésperas do plantio, faz-se nova gradagem, visando ao acabamento do preparo do terreno e à eliminação de ervas daninhas. Se o terreno já se encontra ocupado com cana. O primeiro passo é a destruição da soqueira, que deve ser realizada logo após a colheita. Essa operação pode ser feita por meio de aração rasa (15-20 cm) nas linhas de cana, seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada, enxada rotativa ou uso de herbicida. Se confirmada a compactação do solo, a subsolagem torna-se necessária. Nas vésperas do plantio procede-se a uma aração profunda (25-30 cm), por meio de arado ou grade pesada. Seguem-se as gradagens necessárias, visando manter o terreno destorroado e apto ao plantio. Plantio Direto: Atualmente esta técnica esta sendo implementada na cultura da cana-de-açucar, principalmente com máquinas plantadoras especiais. Calagem: A aplicação de calcário é determinada pela análise química do solo, devendo ser utilizado para elevar a saturação por bases a 60%. A época mais indicada para aplicação do calcário vai desde o último corte da cana, durante a reforma do canavial, até antes da última gradagem de preparo do terreno. Dentro desse período, quanto mais cedo executada maior será sua eficiência. Adubação.
  • 9. Adubação: Considera-se duas situações distintas, adubação para cana-planta e para cana-soca. Para cana-planta, o fertilizante deverá ser aplicado no fundo do sulco de plantio, após a sua abertura, ou por meio de adubadeiras conjugadas aos sulcadores em operação dupla. Para cana-planta aplicar mais 30 a 60 kg/ha de N, em cobertura, durante o mês de abril; em solo arenoso dividir a cobertura, aplicando metade do N em abril e a outra metade em setembro - outubro. Adubações pesadas de K2O devem ser parceladas, colocando no sulco de plantio até 100 kg/ha e o restante juntamente com o N em cobertura, durante o mês de abril. Para cana-soca, a adubação deve ser feita durante os primeiros tratos culturais, em ambos os lados da linha de cana; quando aplicada superficialmente, deve ser bem misturada com a terra ou alocada até a profundidade de 15 cm. Uso de Resíduos da Agroindústria Canavieira: Pode-se substituir a adubação química das socas pela aplicação de vinhaça, cuja quantidade por hectare esta na dependência da composição química da vinhaça e da necessidade da lavoura em nutrientes. Os sistemas básicos de aplicação são por infiltração, por veículos e aspersão. A torta de filtro (úmida) pode ser aplicada em área total (80-100 t/ha), em pré-plantio, no sulco de plantio (15-30 t/ha) ou nas entrelinhas (40-50 t/ha). Metade do fósforo aí contido pode ser deduzido da adubação fosfatada recomendada. (Boletim Técnico 100 IAC, 1996) Época de plantio: Existem duas épocas para a região Centro-Sul: –setembro-outubro –janeiro a março. Setembro-outubro não é a época mais recomendada, é indicada em casos de necessidade urgente de matéria prima, quer por recente instalação ou ampliação do setor industrial, quer por comprometimento de safra devido à ocorrência de adversidade climática. Plantios efetuados nessa época propiciam menor produtividade agrícola e expõem a lavoura à maior incidência de ervas daninhas, pragas, assoreamento dos sulcos e retardam a próxima colheita. Janeiro a março é feito o plantio da cana de "ano e meio", (+ recomendado tecnicamente). Além de não apresentar os inconvenientes da outra época, permite um melhor aproveitamento do terreno com plantio de outras culturas. Em regiões quentes, como o oeste do Estado de São Paulo, essa época pode ser estendida para os meses subseqüentes, desde que haja umidade suficiente. Espaçamento e profundidade de plantio: O espaçamento entre os sulcos de plantio é de 0,9 a 1,40 m, sua profundidade de 20 a 25 cm e a largura é proporcionada pela abertura das asas do sulcador num ângulo de 45º, com pequenas variações para mais ou para menos, dependendo da textura do solo. Plantio: Os colmos com idade de 10 a 12 meses são colocados no fundo do sulco, sempre cruzando a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados, com podão, em toletes de aproximadamente de três gemas. A densidade do plantio é em torno de 12 gemas por metro linear de sulco, que, dependendo da variedade e do seu desenvolvimento vegetativo, corresponde a um gasto de 7-10 toneladas por hectare. Os toletes são cobertos com uma camada de terra de 7 cm, devendo ser ligeiramente compactada. Dependendo do tipo de solo e das condições climáticas reinantes, pode haver uma variação na espessura dessa camada. Produção da muda de cana para o plantio: Após, em média, quatro ou cinco cortes consecutivos, a lavoura canavieira precisa ser renovada. A taxa de renovação está ao redor de 15 a 20% da área total cultivada, exigindo grandes quantidades de mudas. A boa qualidade das mudas é o fator de produção de mais baixo custo e que maior retorno econômico proporciona ao agricultor, principalmente quando produzida por ele próprio.
  • 10. Formação do viveiro de mudas: Ojetivos: Renovação do canavial (após 4º ou 5° corte); Sanidade da lavoura ; Aumentar o número de cortes; Menor tempo de implantação do canavial; Método de renovação de menor custo –Tratamento térmico para raquitismo: Submeter o colmo à temperatura de 50,5°C por 2horas –Extração das gemas Gemas + zona radicular, Tratamento para raquitismo em banho com fungicida (10 a 15 min). Os brotadores devem ser de areia, com boa drenagem. Após brotação as mudas são transferidas para saquinhos plásticos. A época de transplante é na fase de “esporão” com as folhas fechadas. Realizar adubação nitrogenada na fase de produção da muda para acelerar o crescimento –Viveiro multiplicador primário Os esporão são transferidos para este local, o espaçamento de 50 a 75 cm na linha. Após 20 dias se faz o plantio no viveiro multiplicador secundário. O material a ser transferido para o campo é destacado da touceira, sem o uso de ferramentas, quebrando os colmos manualmente. O colmo é plantado com a palha e os colmos. Viveiro primário : Inicia-se a colheita dos colmos por meio de ferramentas (podão). Inicia-se quando o viveiro multiplicador já atingiu o tamanho ideal dentro do planejamento da propriedade . As mudas podem ir ainda para um viveiro secundário (1:2000) Viveiro multiplicador secundário : Viveiro permanente para a multiplicação de mudas. Tratos Culturais: Os tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das ervas daninhas, adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária para controlar a incidência do carvão. O período crítico da cultura, devido à concorrência de plantas daninhas, vai da emergência aos 90 dias de idade. O controle mais eficiente é o químico, através da aplicação de herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área total. Dependendo das condições de aplicação, infestação e eficiência do herbicida, há necessidade de uma ou mais capinas mecânicas e catação manual até o fechamento da lavoura. A partir dai a infestação é praticamente nula. Instalada a cultura, após o surgimento do mato, procede-se seu controle mecanicamente, com o emprego de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo complementado com capina manual nas linhas de plantio, evitando, assim, o assoreamento do sulco. Essa operação é repetida quantas vezes forem necessárias. As soqueiras exigem enleiramento do "paliço", permeabilização do solo, controle das ervas daninhas, adubação e vigilância sanitária. Após a colheita da cana, ficam no terreno restos de palha, folhas e pontas, cuja permanência prejudica a nova brotação e dificulta os tratos culturais. A maneira de eliminar esse material (paliço) seria a queima pelo fogo, porém essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela acarreta, como falhas na brotação futura, perdas de umidade e matéria orgânica do solo e quebra do equilíbrio biológico. O enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço" deixando duas, quatro ou seis ruas livres, dependendo da quantidade desse material. É realizado por enleiradeira, implemento leve com pouca exigência de potência. Após a colheita da cana, o solo fica superficialmente compactado dificultando a penetração de água, ar e fertilizantes. Pode-se usar implementos que realizam simultaneamente, operações de escarificação, adubação, cultivo e preparo do terreno para receber a capina química. Normalmente, essa prática, conhecida como operação tríplice, seguida do cultivo químico, é suficiente para manter a soqueira no limpo. Devido ao rápido crescimento das soqueiras, o número de capinas exigidos é menor que o da cana planta. Maturadores Químicos: São produtos com a propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana induzindo a translocação e o armazenamento dos açúcares. É um instrumento auxiliar no planejamento da colheita e no manejo varietal. Há uma ação inibidora do florescimento, em alguns casos, viabilizando a utilização de variedades com este comportamento. –Produtos comerciais utilizados como maturadores: Ethepon, Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e Moddus. –O uso desses produtos, pode representar acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose.
  • 11. Colheita da cana-de-açucar A colheita inicia-se em maio e em algumas unidades sucroalcooleiras em abril, prolongando-se até novembro, período em que a planta atinge o ponto de maturação, devendo, sempre que possível, antecipar o fim da safra, por ser um período bastante chuvoso, que dificulta o transporte de matéria prima e faz cair o rendimento industrial. Uma colheita apropriada deve garantir: –Colher a cana no pico da maturidade (ex: evitar cortar a cana antes do tempo ou tarde demais) –Cortar a cana a um nível próximo ao solo para que internódios de baixo ricos em açúcar seja colhido. –Poda na altura certa para que os internódios imaturos superiores sejam eliminados –Limpeza apropriada da cana para remover folhas, cinzas, raízes etc. –Entrega rápida da cana colhida para a usina. Métodos para se determinar a época certa da colheita de cana : Idade do cultivo: A colheita é feita baseada na idade das plantas. Os agricultores que cultivam uma variedade em particular são geralmente experientes com o tempo de colheita. Esse não é um método científico uma vez que a época de plantio, as práticas de gerenciamento do cultivo e as condições climáticas influenciam na maturação. Sintomas visuais: Amarelamento e ressecamento das folhas, som metálico das canas maduras quando batidas, aparência de açúcar cristal brilhando quando a cana madura é cortada de forma inclinada e segurada contra o sol, são alguns parâmetros visuais para se determinar a maturação da cana. Parâmetros de qualidade: Os parâmetros importantes de qualidade da cana de açúcar para verificar maturação são o Brix, pol ou porcentagem de sacarose e pureza da sacarose. Determinação do Estágio de Maturação: O ponto de maturação pode ser determinado pelo refratômetro de campo e complementado pela análise de laboratório. Com a adoção do sistema de pagamento pelo teor de sacarose, há necessidade de o produtor conciliar alta produtividade agrícola com elevado teor de sacarose na época da colheita. O refratômetro fornece diretamente a porcentagem de sólidos solúveis do caldo (Brix). O Brix esta estreitamente correlacionado ao teor de sacarose da cana. A maturação ocorre da base para o ápice do colmo. A cana imatura apresenta valores bastante distintos nesses seguimentos, os quais vão se aproximando no processo de maturação. Assim, o critério mais racional de estimar a maturação pelo refratômetro de campo é pelo índice de maturação (IM), que fornece o quociente da relação. IM = Brix da ponta do colmo Brix da base do colmo Admitem-se para a cana-de-açúcar, os seguintes estágios de maturação As determinações tecnológicas em laboratório (brix, pol, açúcares redutores e pureza) fornecem dados mais precisos da maturação, sendo, a rigor, uma confirmação do refratômetro de campo.
  • 12. Operação de Corte manual: O corte pode ser manual, com um rendimento médio de 5 a 6 toneladas/homem/dia, ou mecanicamente, através de colhedoras. UTILIZAÇÃO DO FOGO EM CULTURA DE CANA-DE-AÇUCAR A queima da palha da cana-de-açúcar anteriormente à colheita é prática usual na maioria dos países produtores. Os países que fazem o corte de cana crua (sem queimar) o fazem por motivos bastante específicos. MOTIVOS DA QUEIMA NA COLHEITA MANUAL Vários são os motivos para a utilização da queima da palha de cana antes de se efetuar o corte manual. Entre eles, podemos destacar: – Segurança do trabalhador; – Rendimento do corte; – Eliminação de impurezas. MOTIVOS DA QUEIMA NA COLHEITA MECÂNICA A colheita mecânica, independente de cana crua ou queimada, impõe algumas condições para sua viabilidade como –formato dos talhões, –declividade máxima do terreno, –preparo de solo diferenciado etc. Por isso, sua utilização não pode ser implantada rapidamente nem pode ser da área total. Os principais motivos de se queimar antes da colheita mecanizada são: – Eliminação de impurezas; – Rendimento; – Perdas. DESVANTAGENS DA QUEIMA Apesar de usar uma prática generalizada a queima de cana apresenta algumas desvantagens, entre elas: –O fogo conduz à exsudação da água e açúcares, predispondo os colmos à deterioração microbiana; –As folhas e bainhas secas e parcialmente verdes que são eliminadas pelo fogo poderiam ser utilizadas como cobertura morta, incorporada ao solo ou até mesmo como fonte energética; –Os produtos da queima (gases e partículas) podem atingir cidades e populações. Operação de Corte mecanizada: Existem basicamente dois tipos: colhedoras para cana inteira, com rendimento operacional médio em condições normais de 20 t/hora, e colhedoras para cana picada (automotrizes), com rendimento de 15 a 20 t/hora. Após o corte, a cana-de-açúcar deve ser transportada o mais rápido possível ao setor industrial, por meio de caminhão ou carreta tracionada por trator.