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A Poesia Trovadoresca
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A Poesia Trovadoresca
Como surgiu a poesia trovadoresca, logo de início, tão rica e
elaborada?
A poesia trovadoresca floresce em Portugal e na Galiza, em Castela, Leão e Ara-
gão, desde finais do século XII até meados do século XIV. O
idioma usado por excelência é o galego-português1
, já que o
galego e o português não estavam ainda diversificados.
Podemos distinguir quatro períodos no nosso trovadorismo: o
período pré-afonsino; o período afonsino; o período dionisíaco
e o período pós-dionisíaco, sendo o mais rico o período
afonsino, que abrange os reinados de D. Afonso III (1245 –
1279) e de Afonso X de Castela. Os autores mais antigos que
se conhecem são o rei D. Sancho I (1145 – 1211) e João Soa-
res de Paiva (nascido por volta de 1140). Os cultores desta
poesia chamam-se «trovadores» e «jograis» ou «segréis»,
sendo os primeiros normalmente de origem social elevada e,
como diz Jacinto prado Coelho, «criadores de poesia por
galanteria cortesã e comprazimento estético» e os jograis ou
segréis «homens de condição inferior que ora cantavam música e poesia alheias, ora eles
próprios compunham, para tirarem proveito da sua arte». Estes últimos andavam de cor-
te em corte a distrair e entreter os senhores e eram frequentemente acompanhados por
soldadeiras2
, mulheres que eram remuneradas para cantarem ou dançarem, animando
ainda mais os serões nos castelos.
Origens da Poesia Trovadoresca
Para explicar a sua origem há quatro teses sistematizadas e expostas pelo Prof.
Rodrigues Lapa:
Tese folclórica – explica o nascimento da poesia
trovadoresca a partir das festas pagãs de Maio, da Primavera
e dos cultos de Vénus, Baco e das divindades ligadas à vida.
Tese litúrgica – defende que esta poesia é uma deri-
vação da poesia religiosa, com origem na poesia hebraica e
que o culto à Virgem Maria estaria na base do culto da mu-
lher, da veneração do trovador perante a dama cantada. Tra-
tar-se-ia da profanização da poesia litúrgica a que não seriam
alheias as romarias e peregrinações religiosas, especialmente
a de Santiago de Compostela.
Tese arábica – justifica o aparecimento da poesia dos
1
Galego-português: dialecto falado na Galiza, a norte de Portugal.
2
Soldadeira: que recebe soldo, remuneração.
Figura 1 - Senhor, jogral
e soldadeira, iluminura
do Cancioneiro do Palá-
cio da Ajuda, século XIII,
ANTT, Lisboa
Figura 2 - Castelo
de Almourol
A Poesia Trovadoresca
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trovadores por influência da poesia árabe, o que é defensável dada a supremacia dos
Árabes em vários sectores – química, matemática, agricultura, etc. Porque não na litera-
tura?
Tese médio-latinista – explica o fenómeno trovadoresco a partir da poesia lati-
na sentimental (nomeadamente de Ovídio e Catulo), que teria sido popularizada pelos
goliardos3
e que estaria na origem da poesia provençal.
Embora a origem conserve algum mistério, parece que a hipótese mais provável
pressupõe a combinação da tese folclórica e da tese litúrgica.
Os textos
Os textos conhecidos estão reunidos em quatro Cancioneiros (três de carácter pro-
fano e o último de carácter religioso), muito próximos entre si: Cancioneiro da Ajuda
(CA); Cancioneiro da Biblioteca nacional (antigo Colocci Brancutti) (CBN); Cancionei-
ro da Vaticana (CV) e as Cantigas de Santa Maria.
O Cancioneiro da Ajuda
O Cancioneiro da Ajuda é o mais antigo, provavelmente compilado em finais do
século XIII ou princípios do século XIV, mas o menos completo, pois não inclui a vasta
produção do rei D. Dinis e só contém cantigas de amor. Tem, no entanto, 64 cantigas
não transcritas nos outros cancioneiros e apresenta grande interesse e valor por perten-
cer à época da maioria dos poetas que nele estão representados e por ser um documento
único pela grafia e pela decoração, sobretudo pelas iluminuras4
de grande beleza, que
testemunham aspectos curiosos da vida dos trovadores, jograis e soldadeiras, nos caste-
los onde se exibiam.
Os Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana
Os Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana foram copiados em Itália,
em fins do século XV ou princípios do século XVI, de originais que datam provavel-
mente do século XIV e abrangem todos os géneros e não só as cantigas de amor. Abar-
cam um espaço de tempo muito mais vasto que o Cancioneiro da Ajuda, incluindo poe-
tas anteriores e contemporâneos de D. Afonso III, de D. Dinis e de seus filhos.
O Pergaminho de Vindel
Conhecem-se ainda outras cópias menos completas, de que se salientam: o Per-
gaminho de Vindel (PV), copiado na Galiza em fins de século XIII ou inícios do século
XIV e que inclui as sete cantigas conhecidas de Martim Codax, seis das quais estão
3
Goliardos: monges errantes, antepassados dos trovadores.
4
Iluminuras: pinturas a cores nos manuscritos medievais.
A Poesia Trovadoresca
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acompanhadas da respectiva notação musical. Este valioso documento só foi descoberto
em 1914 pelo livreiro espanhol que lhe deu o nome, Pedro Vindel.
As Cantigas de Santa Maria
As Cantigas de Santa Maria são quatro manuscritos que contêm apenas poesias re-
ligiosas dedicadas à Virgem, da autoria do rei Afonso X, o Sábio, de Castela (reinado
entre 1221 e 1284), avô do nosso rei D. Dinis.
Os géneros e variedades
Nos Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana estão representados três
géneros diferentes de composição: cantigas de amigo, cantigas de amor, cantigas de
escárnio e maldizer, géneros que já são referenciados no tratado poético truncado, do
século XIV, de autor anónimo, que faz parte do próprio Cancioneiro da Biblioteca Na-
cional – Arte de Trovar.
Como dizem António José Saraiva e Óscar Lopes, na História da Literatura Por-
tuguesa: «A diferença entre as cantigas de amor e as de amigo consiste, segundo o
mesmo tratado, em que nestas se supõe que fala uma mulher, ao passo que naquelas o
trovador fala em seu próprio nome. As cantigas de amigo são, portanto, quanto ao tema,
cantigas de mulher e o nome por que são conhecidas designa o seu objecto, o amigo ou
amado, geralmente referido logo no primeiro verso.»
As cantigas de amor
Os trovadores chamaram cantigas de amor às composições
em que o poeta exprime os seus sentimentos por uma dama,
reflectindo a maioria das vezes um amor infeliz, incompreendido e
insatisfeito. Perante a senhor, o poeta apaixonado humilha-se,
suplica e adora como um vassalo o seu suserano. Frequentemente diz
só lhe restar morrer de amor ao aperceber-se da indiferença, frieza e
distanciamento da amada. As cantigas de amor galego-portuguesas
reflectem forte influência provençal, não só a nível do conteúdo
como a nível formal.
Na História da Literatura Portuguesa, António José Saraiva e
Óscar Lopes afirmam: «Quanto aos temas, elaboraram os Provençais
o ideal ao amor cortês, tão diferente do idílio rudimentar nas
margens dos rios ou à beira das fontes que os cantares de amigo nos
deixam entrever. Não se trata agora de uma experiência sentimental
a dois, mas de uma aspiração sem correspondência, a um objecto
inatingível, de um estado de tensão que, para se manter, nunca
pode chegar ao fim do desejo. Manter este estado de tensão
parece ser o ideal do verdadeiro amador e do verdadeiro poeta,
como se o movesse o amor do amor mais do que o amor a uma
Figura 3 - Relicário
da rainha Santa
Isabel, inícios do
século XV, MNMC,
Coimbra
A Poesia Trovadoresca
7/12
Que soidade de mha senhor ei,
quando me nembra d’ela qual a vi
e que me nembra que bem a oí
falar, e, por quantro bem d’ela sei
rog’ueu a Deus, que end’á o poder
que mha leixe, se lhi prouguer, veer.
......................
D. Dinis (CV 119; CBN 481)
mulher (...). Todo um código de obrigações preceituava o “serviço” do amador, que, por
exemplo, devia guardar segredo sobre a identidade
da dama, coibindo toda a expansão pública da
paixão (o autodomínio, ou mesura, era a sua
qualidade suprema) e que não podia ausentar-se
sem sua autorização (...). A este ideal de amor
corresponde certo tipo idealizado de mulher que
atingiu mais tarde a máxima depuração na Beatriz
de Dante ou na Laura de Petrarca: os cabelos de
ouro, o sereno e luminoso olhar, a mansidão e a dignidade do gesto, o riso subtil e dis-
creto.»
As cantigas de amigo
Nas cantigas de amigo, o trovador expressa, pela boca de uma donzela, a menina,
os sentimentos que supõe que esta sente em relação ao amado e os estados emocionais
experimentados por ela, que padeceria a paixão amorosa – a coita5
de amor. As varie-
dades principais são a alva, alba ou alvorada, a barcarola ou marinha, a bailia ou bailada
e a cantiga de romaria.
As alvas, ou albas, são as cantigas em que aparece o romper do dia, a alvorada,
como momento de separação e despedida de dois apaixonados:
Levad’amigo, que dormide ‘las manhãas frias:
tôdalas aves do mundo d’amor diziam:
leda mh and’eu.
………….
Nuno Fernandez Torneol
(CV 242; CBN 604)
As barcarolas, ou marinhas, são chamadas assim por nelas predominarem os
motivos marinhos, referentes ao mar ou ao rio, onde a donzela
vai esperar o amigo ou lamentar-se da sua ausência.
Ondas do mar de Vigo,
se vistes, meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo!
.................
Martin Codax
(CV 884; CBN 127)
As bailias, ou bailadas, são toadas simples que acompanhavam a melodia de dan-
ça. Daí a importância que nelas tem o aspecto musical realçado pelo paralelismo e exis-
tência indispensável do refrão. Ao contrário das anteriores, em que o tom é triste, o tema
é a alegria de viver e amar.
Bailemos nós já todas três, ai amigas
so aquestas aveleneiras frolidas;
5
Coita: desgosto, dor.
Figura 4 - Cena marítima,
iluminura do Missal do Lor-
vão, ANTT, Lisboa
A Poesia Trovadoresca
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e quem for velida como nós velidas,
se amigo amar,
so aquestas aveleneiras frolidas;
verrá bailar
....................
Aires Nunez de santiago
(CV 462; CBN 818)
Nas cantigas de romaria, ou romarias, mencionam-se festas e peregrinações a
santuários e capelas onde a donzela vai cumprir promessas, rezar pelo amigo ou sim-
plesmente distrair-se em locais de culto que ainda hoje perduram.
Pois nossas madres vam a San Simon
de Val de Prados candeas queimas,
nós, as meninas, punhemos d’andar
com nossas madres, e elas enton
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninas, bailaremos i
.....................
Pêro de Viviãez
(CV 336; CBN 698)
As cantigas de amigo são de raiz peninsular, originárias da Galiza e Norte de Por-
tugal, e apresentam uma simplicidade e espontaneidade notáveis, em oposição ao pala-
cianismo e convencionalismo das cantigas de amor.
Cantigas de escárnio e da maldizer
Em paralelo com o lirismo representado pelas cantigas de amigo e de amor, des-
envolve-se desde cedo, na mesma época, um género satírico revelado nas cantigas de
escárnio e nas cantigas de maldizer. Nestas cantigas, as de maldizer, o trovador troça
das pessoas ou das acções de determinados indivíduos, em termos directos e «a desco-
berto», enquanto nas cantigas de escárnio o poeta recorre ao duplo sentido das palavras,
criticando e escarnecendo de alguém «per palavras cubertas», conforme diz a Arte de
Trovar do Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Ao contrário da composição satírica de
origem provençal – «o sirventês», de carácter social e correctivo, abordando assuntos de
interesse geral, a nossa produção satírica cai essencialmente na critica individual e utili-
za a ironia, o chiste e até a linguagem obscena com o intuito de ferir.
Cantiga de escárnio Cantiga de maldizer
O que foi passar a serra Foi um dia Lopo jograr
e non quis servir a terra a casa dum infançon cantar
e ora entra na guerra, e mandou-lhe ele por don dar
que faroneja? três couces na garganta,
Pois ele agora tão muito erra, e foi-lhe escasso, a meu cuidar,
maldito seja! Segundo como ele canta
................. ....................
Afonso X, o Sábio6
Martin Soarez
(CV 77; CBN 439) (CV 974)
6
Nota: Afonso X, abandonado e traído por muitos dos seus cavaleiros na luta contra os mouros andaluzes
(1260), amaldiçoa os traidores e critica a sua cobardia.
A Poesia Trovadoresca
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Estrutura formal
As cantigas trovadorescas classificam-se, formalmente, em cantigas de refrão e de
mestria, de acordo com a existência ou ausência de estribilho. Nas cantigas de amigo,
em especial nas de construção paralelística7
, o refrão é um elemento de particular
importância. Nas cantigas de amor e nas de escárnio e de maldizer, de modelo mais
próximo de provençal, verifica-se um maior artificio e menos repetições, sendo as can-
tigas de mestria as mais elaboradas. O verso preferido pelos trovadores nas cantigas de
amigo e nas satíricas é o redondilho maior (verso de sete sílabas) ou o redondilho
menor, de carácter menos cortês, enquanto para as cantigas de amor preferiam o verso
octossílabo (verso de oito sílabas) ou decassílabo (verso de dez sílabas), metros mais
cultos, importados de França. Como artifícios poéticos mais usados, salientam-se: a
finda – verso(s) remate, complemento do corpo da cantiga; o dobre – repetição simétri-
ca da mesma palavra na estrofe; o mosdobre – repetição de várias formas de uma famí-
lia vocabular, em especial de um verbo; a palavra-perduda – verso que não rima no
corpo da estrofe; e o leixa-prem – repetição de todo ou parte do último verso da estrofe
anterior, na estrofe seguinte.
A estrutura das cantigas quanto à forma e ao conteúdo, está presente na seguinte
tabela:
Cantigas de amigo
Cantigas de
amor
Cantigas de escár-
nio e de maldizer
Sujeito A donzela
O trovador apai-
xonado
1ª ou 3ª pessoa
Objecto
O «amigo», o ama-
do
A «senhor», a
dama
E. – pessoa(s) não
identificada(s)
M. – pessoa(s) iden-
tificada(s)
Caracterização
do sujeito
Jovem, bonita, gra-
ciosa, «velida»,
«louçana»,...
Aflito, humilde,
cativo, coitado,...
Frequentemente não
caracterizado
Caracterização
do objecto
Mentiroso, traidor,
formoso...
Bondosa, leal,
sociável, sensata,
«comprida de
bem», «a melhor»
Desleal, traidor,
ladrão, dissimulado,
covarde, vaidoso...
C
O
N
T
E
Ú
D
O
Relação sujei-
to/objecto
y
y
y Amor espontâ-
neo e natural
y
y
y Plano de igual-
dade entre sujeito e
objecto
y
y
y Vassalagem
y
y
y Inferioridade
do sujeito em rela-
ção ao objecto
y
y
y Crítica
y
y
y Denúncia de víci-
os e defeitos
7
Construção paralelística: estrutura fónica e semântica que se baseia na repetição.
A Poesia Trovadoresca
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Temas
Saudades
Tristeza da ausên-
cia
Preocupação
Alegria de amar
vingança
Amor: - infeliz
- não cor-
respondido
- frustrado
Desespero
Crítica: - individual
- social
- política
Cenário/ambiente
y
y
y Campo
y
y
y Mar
y
y
y Ambiente rural
e doméstico
y
y
y Natureza confi-
dente
y
y
y A corte
y
y
y Ambiente pa-
laciano
y
y
y Natureza con-
vencional
y
y
y A vida da época
sociedade medie-
val
F
O
R
M
A
Estrutura
Paralelismo:
- perfeito
- imperfeito
Cantiga de refrão
Verso redondilho
menor (5 sílabas)
Redondilho maior
(7 sílabas)
Cantiga de mestria
Cantiga com dobre, mosdobre, finda,
leixa-prem...
Verso octossílabo
Verso decassílabo
Valor da poesia trovadoresca medieval
A poesia trovadoresca medieval tem valor linguístico
porque atesta o desenvolvimento e importância do galego-
português no território peninsular e europeu. Apresenta tam-
bém interesse artístico, pois representa os primeiros passos
da literatura nacional. Além disso, tem interesse social e
histórico porque nos permite conhecer alguns costumes e
usos da época (divertimentos, vestuário, ocupações, etc.), os
sentimentos, as relações sociais, o papel feminino e alguns
acontecimentos histórico-políticos.
Figura 5 - Capela
românica de S. Pedro
de Arganil

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  • 1. A Poesia Trovadoresca 4/12 A Poesia Trovadoresca Como surgiu a poesia trovadoresca, logo de início, tão rica e elaborada? A poesia trovadoresca floresce em Portugal e na Galiza, em Castela, Leão e Ara- gão, desde finais do século XII até meados do século XIV. O idioma usado por excelência é o galego-português1 , já que o galego e o português não estavam ainda diversificados. Podemos distinguir quatro períodos no nosso trovadorismo: o período pré-afonsino; o período afonsino; o período dionisíaco e o período pós-dionisíaco, sendo o mais rico o período afonsino, que abrange os reinados de D. Afonso III (1245 – 1279) e de Afonso X de Castela. Os autores mais antigos que se conhecem são o rei D. Sancho I (1145 – 1211) e João Soa- res de Paiva (nascido por volta de 1140). Os cultores desta poesia chamam-se «trovadores» e «jograis» ou «segréis», sendo os primeiros normalmente de origem social elevada e, como diz Jacinto prado Coelho, «criadores de poesia por galanteria cortesã e comprazimento estético» e os jograis ou segréis «homens de condição inferior que ora cantavam música e poesia alheias, ora eles próprios compunham, para tirarem proveito da sua arte». Estes últimos andavam de cor- te em corte a distrair e entreter os senhores e eram frequentemente acompanhados por soldadeiras2 , mulheres que eram remuneradas para cantarem ou dançarem, animando ainda mais os serões nos castelos. Origens da Poesia Trovadoresca Para explicar a sua origem há quatro teses sistematizadas e expostas pelo Prof. Rodrigues Lapa: Tese folclórica – explica o nascimento da poesia trovadoresca a partir das festas pagãs de Maio, da Primavera e dos cultos de Vénus, Baco e das divindades ligadas à vida. Tese litúrgica – defende que esta poesia é uma deri- vação da poesia religiosa, com origem na poesia hebraica e que o culto à Virgem Maria estaria na base do culto da mu- lher, da veneração do trovador perante a dama cantada. Tra- tar-se-ia da profanização da poesia litúrgica a que não seriam alheias as romarias e peregrinações religiosas, especialmente a de Santiago de Compostela. Tese arábica – justifica o aparecimento da poesia dos 1 Galego-português: dialecto falado na Galiza, a norte de Portugal. 2 Soldadeira: que recebe soldo, remuneração. Figura 1 - Senhor, jogral e soldadeira, iluminura do Cancioneiro do Palá- cio da Ajuda, século XIII, ANTT, Lisboa Figura 2 - Castelo de Almourol
  • 2. A Poesia Trovadoresca 5/12 trovadores por influência da poesia árabe, o que é defensável dada a supremacia dos Árabes em vários sectores – química, matemática, agricultura, etc. Porque não na litera- tura? Tese médio-latinista – explica o fenómeno trovadoresco a partir da poesia lati- na sentimental (nomeadamente de Ovídio e Catulo), que teria sido popularizada pelos goliardos3 e que estaria na origem da poesia provençal. Embora a origem conserve algum mistério, parece que a hipótese mais provável pressupõe a combinação da tese folclórica e da tese litúrgica. Os textos Os textos conhecidos estão reunidos em quatro Cancioneiros (três de carácter pro- fano e o último de carácter religioso), muito próximos entre si: Cancioneiro da Ajuda (CA); Cancioneiro da Biblioteca nacional (antigo Colocci Brancutti) (CBN); Cancionei- ro da Vaticana (CV) e as Cantigas de Santa Maria. O Cancioneiro da Ajuda O Cancioneiro da Ajuda é o mais antigo, provavelmente compilado em finais do século XIII ou princípios do século XIV, mas o menos completo, pois não inclui a vasta produção do rei D. Dinis e só contém cantigas de amor. Tem, no entanto, 64 cantigas não transcritas nos outros cancioneiros e apresenta grande interesse e valor por perten- cer à época da maioria dos poetas que nele estão representados e por ser um documento único pela grafia e pela decoração, sobretudo pelas iluminuras4 de grande beleza, que testemunham aspectos curiosos da vida dos trovadores, jograis e soldadeiras, nos caste- los onde se exibiam. Os Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana Os Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana foram copiados em Itália, em fins do século XV ou princípios do século XVI, de originais que datam provavel- mente do século XIV e abrangem todos os géneros e não só as cantigas de amor. Abar- cam um espaço de tempo muito mais vasto que o Cancioneiro da Ajuda, incluindo poe- tas anteriores e contemporâneos de D. Afonso III, de D. Dinis e de seus filhos. O Pergaminho de Vindel Conhecem-se ainda outras cópias menos completas, de que se salientam: o Per- gaminho de Vindel (PV), copiado na Galiza em fins de século XIII ou inícios do século XIV e que inclui as sete cantigas conhecidas de Martim Codax, seis das quais estão 3 Goliardos: monges errantes, antepassados dos trovadores. 4 Iluminuras: pinturas a cores nos manuscritos medievais.
  • 3. A Poesia Trovadoresca 6/12 acompanhadas da respectiva notação musical. Este valioso documento só foi descoberto em 1914 pelo livreiro espanhol que lhe deu o nome, Pedro Vindel. As Cantigas de Santa Maria As Cantigas de Santa Maria são quatro manuscritos que contêm apenas poesias re- ligiosas dedicadas à Virgem, da autoria do rei Afonso X, o Sábio, de Castela (reinado entre 1221 e 1284), avô do nosso rei D. Dinis. Os géneros e variedades Nos Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana estão representados três géneros diferentes de composição: cantigas de amigo, cantigas de amor, cantigas de escárnio e maldizer, géneros que já são referenciados no tratado poético truncado, do século XIV, de autor anónimo, que faz parte do próprio Cancioneiro da Biblioteca Na- cional – Arte de Trovar. Como dizem António José Saraiva e Óscar Lopes, na História da Literatura Por- tuguesa: «A diferença entre as cantigas de amor e as de amigo consiste, segundo o mesmo tratado, em que nestas se supõe que fala uma mulher, ao passo que naquelas o trovador fala em seu próprio nome. As cantigas de amigo são, portanto, quanto ao tema, cantigas de mulher e o nome por que são conhecidas designa o seu objecto, o amigo ou amado, geralmente referido logo no primeiro verso.» As cantigas de amor Os trovadores chamaram cantigas de amor às composições em que o poeta exprime os seus sentimentos por uma dama, reflectindo a maioria das vezes um amor infeliz, incompreendido e insatisfeito. Perante a senhor, o poeta apaixonado humilha-se, suplica e adora como um vassalo o seu suserano. Frequentemente diz só lhe restar morrer de amor ao aperceber-se da indiferença, frieza e distanciamento da amada. As cantigas de amor galego-portuguesas reflectem forte influência provençal, não só a nível do conteúdo como a nível formal. Na História da Literatura Portuguesa, António José Saraiva e Óscar Lopes afirmam: «Quanto aos temas, elaboraram os Provençais o ideal ao amor cortês, tão diferente do idílio rudimentar nas margens dos rios ou à beira das fontes que os cantares de amigo nos deixam entrever. Não se trata agora de uma experiência sentimental a dois, mas de uma aspiração sem correspondência, a um objecto inatingível, de um estado de tensão que, para se manter, nunca pode chegar ao fim do desejo. Manter este estado de tensão parece ser o ideal do verdadeiro amador e do verdadeiro poeta, como se o movesse o amor do amor mais do que o amor a uma Figura 3 - Relicário da rainha Santa Isabel, inícios do século XV, MNMC, Coimbra
  • 4. A Poesia Trovadoresca 7/12 Que soidade de mha senhor ei, quando me nembra d’ela qual a vi e que me nembra que bem a oí falar, e, por quantro bem d’ela sei rog’ueu a Deus, que end’á o poder que mha leixe, se lhi prouguer, veer. ...................... D. Dinis (CV 119; CBN 481) mulher (...). Todo um código de obrigações preceituava o “serviço” do amador, que, por exemplo, devia guardar segredo sobre a identidade da dama, coibindo toda a expansão pública da paixão (o autodomínio, ou mesura, era a sua qualidade suprema) e que não podia ausentar-se sem sua autorização (...). A este ideal de amor corresponde certo tipo idealizado de mulher que atingiu mais tarde a máxima depuração na Beatriz de Dante ou na Laura de Petrarca: os cabelos de ouro, o sereno e luminoso olhar, a mansidão e a dignidade do gesto, o riso subtil e dis- creto.» As cantigas de amigo Nas cantigas de amigo, o trovador expressa, pela boca de uma donzela, a menina, os sentimentos que supõe que esta sente em relação ao amado e os estados emocionais experimentados por ela, que padeceria a paixão amorosa – a coita5 de amor. As varie- dades principais são a alva, alba ou alvorada, a barcarola ou marinha, a bailia ou bailada e a cantiga de romaria. As alvas, ou albas, são as cantigas em que aparece o romper do dia, a alvorada, como momento de separação e despedida de dois apaixonados: Levad’amigo, que dormide ‘las manhãas frias: tôdalas aves do mundo d’amor diziam: leda mh and’eu. …………. Nuno Fernandez Torneol (CV 242; CBN 604) As barcarolas, ou marinhas, são chamadas assim por nelas predominarem os motivos marinhos, referentes ao mar ou ao rio, onde a donzela vai esperar o amigo ou lamentar-se da sua ausência. Ondas do mar de Vigo, se vistes, meu amigo! E ai Deus, se verrá cedo! ................. Martin Codax (CV 884; CBN 127) As bailias, ou bailadas, são toadas simples que acompanhavam a melodia de dan- ça. Daí a importância que nelas tem o aspecto musical realçado pelo paralelismo e exis- tência indispensável do refrão. Ao contrário das anteriores, em que o tom é triste, o tema é a alegria de viver e amar. Bailemos nós já todas três, ai amigas so aquestas aveleneiras frolidas; 5 Coita: desgosto, dor. Figura 4 - Cena marítima, iluminura do Missal do Lor- vão, ANTT, Lisboa
  • 5. A Poesia Trovadoresca 8/12 e quem for velida como nós velidas, se amigo amar, so aquestas aveleneiras frolidas; verrá bailar .................... Aires Nunez de santiago (CV 462; CBN 818) Nas cantigas de romaria, ou romarias, mencionam-se festas e peregrinações a santuários e capelas onde a donzela vai cumprir promessas, rezar pelo amigo ou sim- plesmente distrair-se em locais de culto que ainda hoje perduram. Pois nossas madres vam a San Simon de Val de Prados candeas queimas, nós, as meninas, punhemos d’andar com nossas madres, e elas enton queimen candeas por nós e por si e nós, meninas, bailaremos i ..................... Pêro de Viviãez (CV 336; CBN 698) As cantigas de amigo são de raiz peninsular, originárias da Galiza e Norte de Por- tugal, e apresentam uma simplicidade e espontaneidade notáveis, em oposição ao pala- cianismo e convencionalismo das cantigas de amor. Cantigas de escárnio e da maldizer Em paralelo com o lirismo representado pelas cantigas de amigo e de amor, des- envolve-se desde cedo, na mesma época, um género satírico revelado nas cantigas de escárnio e nas cantigas de maldizer. Nestas cantigas, as de maldizer, o trovador troça das pessoas ou das acções de determinados indivíduos, em termos directos e «a desco- berto», enquanto nas cantigas de escárnio o poeta recorre ao duplo sentido das palavras, criticando e escarnecendo de alguém «per palavras cubertas», conforme diz a Arte de Trovar do Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Ao contrário da composição satírica de origem provençal – «o sirventês», de carácter social e correctivo, abordando assuntos de interesse geral, a nossa produção satírica cai essencialmente na critica individual e utili- za a ironia, o chiste e até a linguagem obscena com o intuito de ferir. Cantiga de escárnio Cantiga de maldizer O que foi passar a serra Foi um dia Lopo jograr e non quis servir a terra a casa dum infançon cantar e ora entra na guerra, e mandou-lhe ele por don dar que faroneja? três couces na garganta, Pois ele agora tão muito erra, e foi-lhe escasso, a meu cuidar, maldito seja! Segundo como ele canta ................. .................... Afonso X, o Sábio6 Martin Soarez (CV 77; CBN 439) (CV 974) 6 Nota: Afonso X, abandonado e traído por muitos dos seus cavaleiros na luta contra os mouros andaluzes (1260), amaldiçoa os traidores e critica a sua cobardia.
  • 6. A Poesia Trovadoresca 9/12 Estrutura formal As cantigas trovadorescas classificam-se, formalmente, em cantigas de refrão e de mestria, de acordo com a existência ou ausência de estribilho. Nas cantigas de amigo, em especial nas de construção paralelística7 , o refrão é um elemento de particular importância. Nas cantigas de amor e nas de escárnio e de maldizer, de modelo mais próximo de provençal, verifica-se um maior artificio e menos repetições, sendo as can- tigas de mestria as mais elaboradas. O verso preferido pelos trovadores nas cantigas de amigo e nas satíricas é o redondilho maior (verso de sete sílabas) ou o redondilho menor, de carácter menos cortês, enquanto para as cantigas de amor preferiam o verso octossílabo (verso de oito sílabas) ou decassílabo (verso de dez sílabas), metros mais cultos, importados de França. Como artifícios poéticos mais usados, salientam-se: a finda – verso(s) remate, complemento do corpo da cantiga; o dobre – repetição simétri- ca da mesma palavra na estrofe; o mosdobre – repetição de várias formas de uma famí- lia vocabular, em especial de um verbo; a palavra-perduda – verso que não rima no corpo da estrofe; e o leixa-prem – repetição de todo ou parte do último verso da estrofe anterior, na estrofe seguinte. A estrutura das cantigas quanto à forma e ao conteúdo, está presente na seguinte tabela: Cantigas de amigo Cantigas de amor Cantigas de escár- nio e de maldizer Sujeito A donzela O trovador apai- xonado 1ª ou 3ª pessoa Objecto O «amigo», o ama- do A «senhor», a dama E. – pessoa(s) não identificada(s) M. – pessoa(s) iden- tificada(s) Caracterização do sujeito Jovem, bonita, gra- ciosa, «velida», «louçana»,... Aflito, humilde, cativo, coitado,... Frequentemente não caracterizado Caracterização do objecto Mentiroso, traidor, formoso... Bondosa, leal, sociável, sensata, «comprida de bem», «a melhor» Desleal, traidor, ladrão, dissimulado, covarde, vaidoso... C O N T E Ú D O Relação sujei- to/objecto y y y Amor espontâ- neo e natural y y y Plano de igual- dade entre sujeito e objecto y y y Vassalagem y y y Inferioridade do sujeito em rela- ção ao objecto y y y Crítica y y y Denúncia de víci- os e defeitos 7 Construção paralelística: estrutura fónica e semântica que se baseia na repetição.
  • 7. A Poesia Trovadoresca 10/12 Temas Saudades Tristeza da ausên- cia Preocupação Alegria de amar vingança Amor: - infeliz - não cor- respondido - frustrado Desespero Crítica: - individual - social - política Cenário/ambiente y y y Campo y y y Mar y y y Ambiente rural e doméstico y y y Natureza confi- dente y y y A corte y y y Ambiente pa- laciano y y y Natureza con- vencional y y y A vida da época sociedade medie- val F O R M A Estrutura Paralelismo: - perfeito - imperfeito Cantiga de refrão Verso redondilho menor (5 sílabas) Redondilho maior (7 sílabas) Cantiga de mestria Cantiga com dobre, mosdobre, finda, leixa-prem... Verso octossílabo Verso decassílabo Valor da poesia trovadoresca medieval A poesia trovadoresca medieval tem valor linguístico porque atesta o desenvolvimento e importância do galego- português no território peninsular e europeu. Apresenta tam- bém interesse artístico, pois representa os primeiros passos da literatura nacional. Além disso, tem interesse social e histórico porque nos permite conhecer alguns costumes e usos da época (divertimentos, vestuário, ocupações, etc.), os sentimentos, as relações sociais, o papel feminino e alguns acontecimentos histórico-políticos. Figura 5 - Capela românica de S. Pedro de Arganil