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Literatura - trovadorismo
A Era Medieval.
Trovadorismo
Primeira escola literária de
Portugal- surgiu na Idade
Média, no período histórico
compreendido entre o começo
do século V e meados do
século XV.
 A atividade literária em Portugal
iniciou em 1198, século XII, quando o
trovador Paio Soares de Taveirós
compôs uma cantiga conhecida como
Cantiga de Garvaia, vocabulário que
designava um luxuoso vestido de
corte, dedicada à Maria Paes Ribeiro.
 A cantiga, oscilando entre ser de
amor e de escárnio, revela tal
complexidade na estrutura e na
composição de imagens, que só
se justificaria num estágio
avançado da arte de poetar.
 Houve antes dessa cantiga,
considerável atividade lírica,
infelizmente desaparecida: os
trovadores memorizavam as
composições que interpretavam,
fossem suas ou alheias, e só em
alguns casos as transcreviam em
cadernos de notas, que extraviavam-
se ou eram postas fora.
 Conhecer um pouco do mundo
Medieval é importante para que
se possa estabelecer parâmetros
e critérios para a compreensão
da literatura daquela época.
Como Portugal só se tornou uma
nação no século XII.
 As relações sociais na Idade
Média eram marcadas pelo
feudalismo. Nesse sistema, os
nobres arrendavam as terras aos
camponeses (servos), mediante
uma espécie de contrato.
Os servos entregavam
produtos de trabalho aos
senhores feudais em troca de
usufruto da terra e proteção.
 A igreja Católica, entidade
religiosa que dominou
inteiramente o espírito da Europa
nesse período, era proprietária de
grandes extensões territoriais e
envolveu-se completamente nas
relações do sistema feudal.
 As composições líricas desse
período denominam-se cantigas,
porque eram cantadas, como na
lírica grega, e acompanhadas por
instrumentos musicais, como
violas de arco, flautas, alaúdes,
pandeiros, saltérios e soalhas.
Os que cultivavam essa
poesia eram denominados-
trovadores.
Os trovadores eram
compositores de ascendência
nobre e que efetivamente,
compunham as cantigas.
Os jograis, artistas da classe
humilde, cantavam
composições próprias ou
alheias em troca de
pagamento;
Os segréis eram artistas da
corte.
Os documentos que restaram
dessa produção literária são
os cancioneiros, coletâneas de
cantigas com características
várias e escritas por diversos
autores.
 Nesse período o gênero narrativo
também foi cultivado, especialmente,
as novelas de cavalaria, pois a idade
Média era a época dos cavaleiros
medievais, a base da força militar dos
senhores dos feudos. Pertencer à
cavalaria significava riqueza, honra e
glória.
Do Trovadorismo galego-
português, os cancioneiros mais
importantes são:
 Cancioneiros da Ajuda –
compilado provavelmente no
século XIII.
 Cancioneiro da Biblioteca
Nacional de Lisboa – conhecido
também pelo nome dos italianos
que o possuíam.
 Cancioneiro Colocci-Brancuti-
compilado provavelmente no
século XV.
Cancioneiro da Vaticana –
organizado provavelmente
também no século XV.
Poesia Trovadoresca
Cantiga de amigo – essas
cantigas refletem o mais
antigo lirismo português. O
trovador procura expressar o
sofrimento amoroso feminino,
por meio do eu lírico, em geral
uma camponesa ou pastora.
 Essas cantigas são consideradas
paralelísticas, pois os versos se
repetem modificando apenas
algumas palavras finas. Nesse
tipo de poesia aparecem os
refrões, isso porque essa
estrutura tem origem popular e
estava ligada ao canto.
Cantiga de amor
Cantigas de influência provençal
refletem um estilo de vida
refinado no ambiente da corte. O
eu lírico é masculino. Em geral,
ele confessa seu amor
angustiante face a uma dama
inacessível aos seus apelos.
 Uma das características das
cantigas de amor é a “coita
d’amor”, ou seja, a dor do amor.
Cantigas de escárnio e de maldizer
 São cantigas satíricas que criticam os
costumes da corte com humor e
ironia. Nas cantigas de escárnio, são
feitas apenas alusões às pessoas
ridicularizadas; nas de maldizer, o
ataque é feito de forma direta e até
com o uso de expressões obsccenas.
A prosa trovadoresca
 Combate entre vilões e heróis, raptos de
donzelas e final feliz: eram os ingredientes
das novelas de cavalaria, histórias
populares da Europa nos séculos XV e
XVI. Feitas para serem lidas em voz alta,
essas narrativas originaram-se dos
antigos poemas de assuntos de guerreiros
denominados canções de gesta.
 Esta literatura constituiu um vigoroso movimento
em toda a cultura européia. Os ingredientes
dessas novelas fantásticas continuam vivos em
muitas manifestações artísticas.
 São relatos em verso dos acontecimentos
históricos e das façanhas de valentes
guerreiros. No ambiente de guerra e conquista
da época, as narrações das canções de gesta
entusiasmavam o público e serviam de exemplo
aos cavaleiros e às tropas sob comando de um
rei.
Amadis de Gaula
 Uma das novelas de cavalaria
mais populares da Europa no
século XV. Amadis é um valente
cavaleiro, apaixonado por Oriana,
de quem era pajem.
Ainda hoje, não se sabe ao
certo se originariamente esta
obra tem autoria portuguesa ou
espanhola. O que se conhece é
que ela é uma obra peninsular e
melhor representa a galanteria
palaciana.
Amadis ordenou-lhe então que pusesse a
donzela de Dinamarca em cima de um
dos cavalos que andavam à solta. E,
pondo Oriana sobre o palafrém da
donzela, partiram de ali tão alegres que
mais não podiam ser. Amadis levava sua
senhora pela rédea. Ela ia-lhe dizendo o
quanto se sentia amedrontada com todos
aqueles cavaleiros mortos e que ainda
estava fora de si. E ele respondeu-lhe:
_ Muito mais espantosa e cruel é aquela
morte em que eu por vós padeço.
Senhora, doei-vos de mim e lembrai-vos
do que me prometestes. Se até aqui me
sustive, foi só porque creio que não
estava em vossa mão o poder de dar-me
mais do que me dáveis. Mas, se de aqui
em diante, vendo-vos, senhora, em tanta
liberdade, não acudísseis ao meu desejo,
Nenhuma cousa bastaria já para me fazer
suportar a vida; antes seria acabada com
a mais rabiosa ânsia que jamais se viu.
João de Barros
Algumas obras
sobre as novelas de cavalaria
 A Morte do Rei Arthur – século XIII
 Contos e Lendas dos Cavaleiros da
Távora Redonda.

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  • 3. Trovadorismo Primeira escola literária de Portugal- surgiu na Idade Média, no período histórico compreendido entre o começo do século V e meados do século XV.
  • 4.  A atividade literária em Portugal iniciou em 1198, século XII, quando o trovador Paio Soares de Taveirós compôs uma cantiga conhecida como Cantiga de Garvaia, vocabulário que designava um luxuoso vestido de corte, dedicada à Maria Paes Ribeiro.
  • 5.  A cantiga, oscilando entre ser de amor e de escárnio, revela tal complexidade na estrutura e na composição de imagens, que só se justificaria num estágio avançado da arte de poetar.
  • 6.  Houve antes dessa cantiga, considerável atividade lírica, infelizmente desaparecida: os trovadores memorizavam as composições que interpretavam, fossem suas ou alheias, e só em alguns casos as transcreviam em cadernos de notas, que extraviavam- se ou eram postas fora.
  • 7.  Conhecer um pouco do mundo Medieval é importante para que se possa estabelecer parâmetros e critérios para a compreensão da literatura daquela época. Como Portugal só se tornou uma nação no século XII.
  • 8.  As relações sociais na Idade Média eram marcadas pelo feudalismo. Nesse sistema, os nobres arrendavam as terras aos camponeses (servos), mediante uma espécie de contrato.
  • 9. Os servos entregavam produtos de trabalho aos senhores feudais em troca de usufruto da terra e proteção.
  • 10.  A igreja Católica, entidade religiosa que dominou inteiramente o espírito da Europa nesse período, era proprietária de grandes extensões territoriais e envolveu-se completamente nas relações do sistema feudal.
  • 11.  As composições líricas desse período denominam-se cantigas, porque eram cantadas, como na lírica grega, e acompanhadas por instrumentos musicais, como violas de arco, flautas, alaúdes, pandeiros, saltérios e soalhas.
  • 12. Os que cultivavam essa poesia eram denominados- trovadores. Os trovadores eram compositores de ascendência nobre e que efetivamente, compunham as cantigas.
  • 13. Os jograis, artistas da classe humilde, cantavam composições próprias ou alheias em troca de pagamento; Os segréis eram artistas da corte.
  • 14. Os documentos que restaram dessa produção literária são os cancioneiros, coletâneas de cantigas com características várias e escritas por diversos autores.
  • 15.  Nesse período o gênero narrativo também foi cultivado, especialmente, as novelas de cavalaria, pois a idade Média era a época dos cavaleiros medievais, a base da força militar dos senhores dos feudos. Pertencer à cavalaria significava riqueza, honra e glória.
  • 16. Do Trovadorismo galego- português, os cancioneiros mais importantes são:  Cancioneiros da Ajuda – compilado provavelmente no século XIII.
  • 17.  Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa – conhecido também pelo nome dos italianos que o possuíam.  Cancioneiro Colocci-Brancuti- compilado provavelmente no século XV.
  • 18. Cancioneiro da Vaticana – organizado provavelmente também no século XV.
  • 19. Poesia Trovadoresca Cantiga de amigo – essas cantigas refletem o mais antigo lirismo português. O trovador procura expressar o sofrimento amoroso feminino, por meio do eu lírico, em geral uma camponesa ou pastora.
  • 20.  Essas cantigas são consideradas paralelísticas, pois os versos se repetem modificando apenas algumas palavras finas. Nesse tipo de poesia aparecem os refrões, isso porque essa estrutura tem origem popular e estava ligada ao canto.
  • 21. Cantiga de amor Cantigas de influência provençal refletem um estilo de vida refinado no ambiente da corte. O eu lírico é masculino. Em geral, ele confessa seu amor angustiante face a uma dama inacessível aos seus apelos.
  • 22.  Uma das características das cantigas de amor é a “coita d’amor”, ou seja, a dor do amor.
  • 23. Cantigas de escárnio e de maldizer  São cantigas satíricas que criticam os costumes da corte com humor e ironia. Nas cantigas de escárnio, são feitas apenas alusões às pessoas ridicularizadas; nas de maldizer, o ataque é feito de forma direta e até com o uso de expressões obsccenas.
  • 24. A prosa trovadoresca  Combate entre vilões e heróis, raptos de donzelas e final feliz: eram os ingredientes das novelas de cavalaria, histórias populares da Europa nos séculos XV e XVI. Feitas para serem lidas em voz alta, essas narrativas originaram-se dos antigos poemas de assuntos de guerreiros denominados canções de gesta.
  • 25.  Esta literatura constituiu um vigoroso movimento em toda a cultura européia. Os ingredientes dessas novelas fantásticas continuam vivos em muitas manifestações artísticas.  São relatos em verso dos acontecimentos históricos e das façanhas de valentes guerreiros. No ambiente de guerra e conquista da época, as narrações das canções de gesta entusiasmavam o público e serviam de exemplo aos cavaleiros e às tropas sob comando de um rei.
  • 26. Amadis de Gaula  Uma das novelas de cavalaria mais populares da Europa no século XV. Amadis é um valente cavaleiro, apaixonado por Oriana, de quem era pajem.
  • 27. Ainda hoje, não se sabe ao certo se originariamente esta obra tem autoria portuguesa ou espanhola. O que se conhece é que ela é uma obra peninsular e melhor representa a galanteria palaciana.
  • 28. Amadis ordenou-lhe então que pusesse a donzela de Dinamarca em cima de um dos cavalos que andavam à solta. E, pondo Oriana sobre o palafrém da donzela, partiram de ali tão alegres que mais não podiam ser. Amadis levava sua senhora pela rédea. Ela ia-lhe dizendo o quanto se sentia amedrontada com todos aqueles cavaleiros mortos e que ainda estava fora de si. E ele respondeu-lhe:
  • 29. _ Muito mais espantosa e cruel é aquela morte em que eu por vós padeço. Senhora, doei-vos de mim e lembrai-vos do que me prometestes. Se até aqui me sustive, foi só porque creio que não estava em vossa mão o poder de dar-me mais do que me dáveis. Mas, se de aqui em diante, vendo-vos, senhora, em tanta liberdade, não acudísseis ao meu desejo,
  • 30. Nenhuma cousa bastaria já para me fazer suportar a vida; antes seria acabada com a mais rabiosa ânsia que jamais se viu. João de Barros
  • 31. Algumas obras sobre as novelas de cavalaria  A Morte do Rei Arthur – século XIII  Contos e Lendas dos Cavaleiros da Távora Redonda.