CRÍTICA LITERÁRIA
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“Na construção de um sentido na
leitura, cada leitor é como um
intérprete particular movido por
um desejo inconsciente que
pertence apenas a ele”.
Kaufman
No estudo sobre Moisés, de
Michelangelo, intrigado por
seus sentimentos, diz:
 Para descobrir a intenção
do autor é preciso
interpretá-la antes,
descobrindo seu
significado e o conteúdo
representado em sua obra.
E assim, saberei porque fui
tão fortemente afetado!
Lógica???
Leitura???
Interpretação???
Ciência???
E você?
Estudo das
patologias???
 A crítica literária era de cunho histórico,
sociológico e biográfico, via a obra
literária de fora.
 O artista tinha o dom, mas era submisso
às normas e rotinas, ficava à mercê de
quem pagava ou patrocinava suas obras.
Depois da passagem do mecenato ao
profissionalismo o autor passou a
entregar-se mais a si mesmo.
 A interpretação passa a fazer parte do
texto.
 Procura-se reconstituir a gênese da obra
por meio da biografia do autor,
articulada à situação recente.
 Textanálise: usa-se o conhecimento sobre a
biografia do autor, principalmente na sua
infância. Mas também é levado em
consideração o fato do desejo dos
personagens ser o do leitor.
 “É possível que exista uma
universalidade na obra para que nela nos
reconheçamos ou para que sejamos
afetados, tocados por algum traço
inscrito na trama do material legado pelo
escritor.”
 “O fantástico e o inconsciente se
comunicam”, ou seja, aquilo que nos
repugna nos causa curiosidade e
interesse.
 “É característica da psicanálise delirar,
tirar o texto de sua trilha.”
 A obra tem múltiplos significados.
Para ele a crítica literária psicanalítica pode
se voltar para quatro partes:
 Autor
 Conteúdo
 Construção formal
 Leitor
Para que a psicanálise existisse foi criado
um método experimental:
 Paciente: levar em consideração tudo o
que ocorre de forma espontânea.
 Analista: não deve privilegiar nenhum
discurso do paciente.
O sonho e sua interpretação: Freud
descobre “esse caminho real que leva ao
inconsciente”:
 A condensação: um único elemento
representa várias associações ligadas
ao conteúdo oculto.
 O deslocamento: “o afeto tem razão”.
 A figurabilidade: pensamentos inconscientes
transformados em linguagem.
Frases e palavras são tratadas como elementos
significantes na sintaxe original do sonho, e não
pelo sentido que têm na língua.
Faz da escrita um trabalho do imaginário pela
língua e da língua pelo imaginário.
 A elaboração secundária: considera-se as obras
de duas maneiras:
- ocultando a verdade nua do inconsciente;
- Relações estreitas de simbolização com o
inconsciente.
 Freud considera sonho uma descarga
psíquica de um desejo em estado de
recalque.
 O texto literário pode tornar mais amplas
as descobertas que são limitadas ao
campo médico.
 Édipo tornar-se-á figura simbólica de
nosso desejo infantil, que segundo Freud,
ele “não tem inconsciente, porque é
nosso inconsciente, [...] um dos papéis
principais que nosso desejo assumiu. E
acaba que o herói é ao mesmo tempo o
investigador e o sujeito investigado.
Em Hamlet os desejos são recalcados.
Lacan transforma sua análise de uma
personagem tomada como pessoa real. Por
exemplo: Hamlet representa o homem
moderno às voltas com o drama do desejo.
 O autor faz uma leitura estrutural
deixando de lado o estudo psicológico
das personagens.
 Lacan rejeita análises das singularidades
de um discurso inconsciente. Para ele, “o
inconsciente está estruturado como uma
linguagem”.
 A psicanálise será mediadora entre a
obra e seus leitores.
 A literatura é um grande reservatório de
material clínico; o conhecimento
psicanalítico teria um certo poder de tirar
da ficção sua parte de verdade.
“A crítica literária psicanalítica tem
apresentado modificações: antes se privilegiava a
leitura preocupada em captar as motivações do
autor, dando lugar a uma interpretação
psicologizante do texto, uma psicografia; hoje, se
usa o método interpretativo aplicado ao texto
literário privilegiando o método psicanalítico de
pesquisa inconsciente”
(BARTUCCI, 1996)
 A psicobiografia baseia-se em “estudar as leis
do psiquismos humano em indivíduos
excepcionais”.
 Dominique Fernandes, redefine os princípios
da psicobiografia: o homem está na origem da
obra, mas o que é esse homem só pode ser
captado na obra.
 A escrita autobiográfica é a reescrita de uma
infância e de uma história que todos nós
remanejamos em narrativa.
 Quanto ao desvio interpretativo, Freud
levantou-se contra a tradução direta dos
símbolos nos sonhos: para ele, um símbolo só
encontra seu verdadeiro significado no
contexto singular de um sonho ou de um
conflito psíquico de um sujeito que sonha.
 Sua análise constrói uma leitura dupla
simultânea da obra, a partir das ambiguidades
de palavras, de imagens, de falas e de situações
narrativas.
 Para que se faça a leitura estrutural de um texto
é necessário que correlacione diferentes textos
de um mesmo autor, para descobrir uma
estrutura psíquica particular.
Nos estudos de Norma Píngaro: “o discurso
é incompleto. Nem o texto nos diz tudo nem nós
ao abordá-lo psicanaliticamente seremos capazes
de tudo apreender ou analisar. Não é possível
tratar o texto de forma fechada, rígida, com um
único sentido, considerado correto a partir
daquele que interpreta. O que importa é que a
obra deve ser considerada um texto em aberto,
oferecendo-se àquele que o lê e foi por ele
seduzido.”
 CARVALHO, Ana Cecília. É possível uma
crítica literária psicanalítica? Disponível em:
http://revistapercurso.uol.com.br/pdfs/p22_tex
to07.pdf Acesso em 11 mai. 2014.
 Freud (Globo Ciência). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=l7Npum
QibGk Acesso em 11 mai. 2014

A Crítica Psicanalítica

  • 1.
  • 4.
    “Na construção deum sentido na leitura, cada leitor é como um intérprete particular movido por um desejo inconsciente que pertence apenas a ele”. Kaufman
  • 5.
    No estudo sobreMoisés, de Michelangelo, intrigado por seus sentimentos, diz:  Para descobrir a intenção do autor é preciso interpretá-la antes, descobrindo seu significado e o conteúdo representado em sua obra. E assim, saberei porque fui tão fortemente afetado!
  • 7.
  • 9.
     A críticaliterária era de cunho histórico, sociológico e biográfico, via a obra literária de fora.
  • 10.
     O artistatinha o dom, mas era submisso às normas e rotinas, ficava à mercê de quem pagava ou patrocinava suas obras. Depois da passagem do mecenato ao profissionalismo o autor passou a entregar-se mais a si mesmo.
  • 11.
     A interpretaçãopassa a fazer parte do texto.  Procura-se reconstituir a gênese da obra por meio da biografia do autor, articulada à situação recente.
  • 13.
     Textanálise: usa-seo conhecimento sobre a biografia do autor, principalmente na sua infância. Mas também é levado em consideração o fato do desejo dos personagens ser o do leitor.
  • 14.
     “É possívelque exista uma universalidade na obra para que nela nos reconheçamos ou para que sejamos afetados, tocados por algum traço inscrito na trama do material legado pelo escritor.”
  • 17.
     “O fantásticoe o inconsciente se comunicam”, ou seja, aquilo que nos repugna nos causa curiosidade e interesse.
  • 18.
     “É característicada psicanálise delirar, tirar o texto de sua trilha.”
  • 19.
     A obratem múltiplos significados.
  • 20.
    Para ele acrítica literária psicanalítica pode se voltar para quatro partes:  Autor  Conteúdo  Construção formal  Leitor
  • 22.
    Para que apsicanálise existisse foi criado um método experimental:  Paciente: levar em consideração tudo o que ocorre de forma espontânea.  Analista: não deve privilegiar nenhum discurso do paciente.
  • 23.
    O sonho esua interpretação: Freud descobre “esse caminho real que leva ao inconsciente”:  A condensação: um único elemento representa várias associações ligadas ao conteúdo oculto.  O deslocamento: “o afeto tem razão”.
  • 24.
     A figurabilidade:pensamentos inconscientes transformados em linguagem. Frases e palavras são tratadas como elementos significantes na sintaxe original do sonho, e não pelo sentido que têm na língua. Faz da escrita um trabalho do imaginário pela língua e da língua pelo imaginário.  A elaboração secundária: considera-se as obras de duas maneiras: - ocultando a verdade nua do inconsciente; - Relações estreitas de simbolização com o inconsciente.
  • 25.
     Freud considerasonho uma descarga psíquica de um desejo em estado de recalque.
  • 27.
     O textoliterário pode tornar mais amplas as descobertas que são limitadas ao campo médico.
  • 28.
     Édipo tornar-se-áfigura simbólica de nosso desejo infantil, que segundo Freud, ele “não tem inconsciente, porque é nosso inconsciente, [...] um dos papéis principais que nosso desejo assumiu. E acaba que o herói é ao mesmo tempo o investigador e o sujeito investigado.
  • 29.
    Em Hamlet osdesejos são recalcados. Lacan transforma sua análise de uma personagem tomada como pessoa real. Por exemplo: Hamlet representa o homem moderno às voltas com o drama do desejo.
  • 30.
     O autorfaz uma leitura estrutural deixando de lado o estudo psicológico das personagens.  Lacan rejeita análises das singularidades de um discurso inconsciente. Para ele, “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”.
  • 32.
     A psicanáliseserá mediadora entre a obra e seus leitores.  A literatura é um grande reservatório de material clínico; o conhecimento psicanalítico teria um certo poder de tirar da ficção sua parte de verdade.
  • 33.
    “A crítica literáriapsicanalítica tem apresentado modificações: antes se privilegiava a leitura preocupada em captar as motivações do autor, dando lugar a uma interpretação psicologizante do texto, uma psicografia; hoje, se usa o método interpretativo aplicado ao texto literário privilegiando o método psicanalítico de pesquisa inconsciente” (BARTUCCI, 1996)
  • 34.
     A psicobiografiabaseia-se em “estudar as leis do psiquismos humano em indivíduos excepcionais”.  Dominique Fernandes, redefine os princípios da psicobiografia: o homem está na origem da obra, mas o que é esse homem só pode ser captado na obra.
  • 35.
     A escritaautobiográfica é a reescrita de uma infância e de uma história que todos nós remanejamos em narrativa.
  • 36.
     Quanto aodesvio interpretativo, Freud levantou-se contra a tradução direta dos símbolos nos sonhos: para ele, um símbolo só encontra seu verdadeiro significado no contexto singular de um sonho ou de um conflito psíquico de um sujeito que sonha.
  • 37.
     Sua análiseconstrói uma leitura dupla simultânea da obra, a partir das ambiguidades de palavras, de imagens, de falas e de situações narrativas.
  • 38.
     Para quese faça a leitura estrutural de um texto é necessário que correlacione diferentes textos de um mesmo autor, para descobrir uma estrutura psíquica particular.
  • 39.
    Nos estudos deNorma Píngaro: “o discurso é incompleto. Nem o texto nos diz tudo nem nós ao abordá-lo psicanaliticamente seremos capazes de tudo apreender ou analisar. Não é possível tratar o texto de forma fechada, rígida, com um único sentido, considerado correto a partir daquele que interpreta. O que importa é que a obra deve ser considerada um texto em aberto, oferecendo-se àquele que o lê e foi por ele seduzido.”
  • 40.
     CARVALHO, AnaCecília. É possível uma crítica literária psicanalítica? Disponível em: http://revistapercurso.uol.com.br/pdfs/p22_tex to07.pdf Acesso em 11 mai. 2014.  Freud (Globo Ciência). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=l7Npum QibGk Acesso em 11 mai. 2014