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Volume 14 Número 4 Páginas 107-114 2011
ISSN 1415-2177
DOI:10.4034/RBCS.2010.14.04.15
REVISÃO
Revision
Revista Brasileira de Ciências da Saúde
O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento
das Lesões Cancerígenas
The Double Role of Inflammation in the Emergence
of Cancerous Lesions
ROSIMAR DE CASTRO BARRETO1
GIUSEPPE A. SCARANO PEREIRA1
LINO JOÃO DACOSTA1
HELLEN ROSI BARRETO B. CAVALCANTI2
Professor Doutor Associado do Departamento de Clínica e Odontologia Social/CCS/UFPB
Aluna do Curso de Odontologia - UNIPÊ – PB
1
2
RESUMO
Nesta revisão, ficou demonstrado que da mesma maneira
que as células imunológicas agem para reparar os tecidos
afetados, as células cancerígenas produzem desorde-
nadamente os fatores da inflamação para manter o
crescimento e desenvolvimento da lesão tumoral. Elas
produzem exageradamente as mesmas substâncias
inflamatórias como citocinas, prostaglandinas e leucotrienos,
as quais normalmente desempenham a reparação natural
dos tecidos. O câncer vai se servir dessas substâncias
para induzir sua própria proliferação e tornar permeáveis as
barreiras que o cercam. Assim, o processo que permite ao
sistema imunológico reparar lesões e destruir os agentes
agressores em todos os recônditos do organismo é desviado
em favor das células cancerosas. E graças à inflamação,
elas vão se infiltrar nos tecidos vizinhos, penetrar no fluxo
sanguíneo e linfático para originar as metástases. O excesso
dessas substâncias inflamatórias nos tecidos contíguos
acarreta o bloqueio de um processo natural que se chama
apoptose, ou seja, o suicídio celular geneticamente
programado, contribuindo assim para a proliferação anárquica
dos tecidos. As células cancerosas se veem assim
protegidas da destruição celular, e o tumor vai cada vez
mais, ganhando tamanho e corpo.
DESCRITORES
Inflamação. Câncer. Imunologia.
SUMMARY
This review demonstrated that in the same way the immune
cells act to repair the affected tissues, cancer cells produce
disorderly inflammation factors to sustain growth and
development of the tumor. They produce exaggeratedly the
same inflammatory substances such as cytokines,
prostaglandins and leukotrienes, which usually play the
natural tissue repair. The cancer uses those substances to
induce its own proliferation and to make permeable barriers
surrounding it. Then the process that allows the immune
system to repair damage and to destroy aggressors in all
reaches of the body is skewed in favor of cancerous cells.
And due to inflammation, such cells will infiltrate through
surrounding tissues, penetrate into lymphatic and blood flow
until give rise to metastases. The excess of these inflammatory
substances in the surrounding tissues, leads to blockage of
a natural process called apoptosis, or genetically programmed
cell suicide, thereby contributing to the uncontrolled
proliferation of tissues. Cancerous cells are thus protected
from cell destruction, and the tumor will increasingly gaining
size and body.
DESCRIPTORS
Inflammation. Cancer. Immunology.
http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rbcs
BARRETO et al.
108 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011
T
odos os organismos vivos são naturalmente
capazes de restaurar seus tecidos após
ocorrência de um dano, o mecanismo central
responsável por esta reparação é a inflamação. Quando
um tecido é afetado através de pancada, corte ou
queimadura desencadeando uma infecção e inflamação,
esta é imediatamente detectada pelas plaquetas do
sangue que se aglutinam em torno do local danificado.
Ao se juntarem, elas liberam uma substância química, o
“fator de crescimento derivado das plaquetas” (PDGF)
que tem como função alertar as células brancas do
sistema imunológico. Estas, por sua vez, irão produzir
uma série de mediadores químicos: citocinas, quimio-
cinas, prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanos que
têm múltiplos efeitos, e irão orientar o processo de
reparação tecidual. Em seguida, tornam os tecidos
adjacentes permeáveis para que as células imunológicas
possam penetrar e chegar ao local para destruir os
agentes agressores, induzindo no local uma neo
formação de pequenos vasos sanguíneos, de forma a
permitir a chegada de oxigênio e nutrientes no local da
lesão a ser reparada.
Esses mecanismos são absolutamente essenciais
para manutenção da integridade do organismo humano
bem como a sua reconstrução permanente diante das
inevitáveis agressões. Quando bem regulados e em
equilíbrio com as outras funções celulares, esses
processos são harmoniosos e auto-limitados, parando
tão logo as reparações teciduais tenham sido efetuadas.
As células imunológicas que tinham sido
ativadas diante dos agentes agressores se recolocam
em estado de vigília a fim de evitar que, no impulso,
ataquem os tecidos sadios.
Diante do exposto, é sabido que as lesões cance-
rígenas aproveitam da deficiência desses mecanismos
de reparação para invadir e disseminar pelo organismo
levando-o à morte. Esta dupla face da inflamação
prevista para garantir a reparação tecidual visando a
cura, pode sofrer mudanças na sua orientação, e passar
a colaborar com o crescimento da lesão cancerígena.
VIRCHOW, (1863), observou que diversos
pacientes pareciam ter desenvolvido câncer, no local
onde anteriormente, tinham recebido um traumatismo,
ou onde existia uma lesão persistente que nunca
cicatrizava.
Cerca um século depois DVORAK, (1986),
emérito professor de patologia da Faculdade de
Medicina de Harvard, retomou essa hipótese, apoiando-
se desta vez em argumentos baseados em seu artigo
intitulado “Tumores, feridas que não curam”
Baseado nisso, JUNIOR PEEK et al., (2005),
demonstraram que o papel desempenhado pela
inflamação no desenvolvimento do câncer é considerado
de tão grande importância que, nos Estados Unidos, o
Instituto Nacional do Câncer redigiu um relatório a fim
de fazer a maior divulgação possível, a uma pesquisa
ainda desconhecida dos médicos oncologistas. Este
documento descreve com grande precisão, os proces-
sos pelos quais as células cancerosas conseguem
confundir e perverter os mecanismos de cura do
organismo. Demonstrando que da mesma maneira que
as células imunológicas agem para reparar as lesões, as
células cancerosas devem produzir os fatores da
inflamação para sustentar e manter de forma execrável o
crescimento tumoral em desenvolvimento.
Elas produzem exageradamente as mesmas
substâncias inflamatórias, que desempenham o papel
natural na reparação das feridas (citocinas, prostaglan-
dinas e leucotrienos), agindo como agentes químicos
que favorecem a multiplicação celular. O câncer vai se
servir dessas substâncias para induzir sua própria
proliferação e tornar permeáveis as barreiras que o cer-
cam. Assim, o processo que permite ao sistema imuno-
lógico reparar lesões e destruir os agentes agressores
em todos os recônditos do organismo é desviado em
favor das células cancerosas, que vão se apoderar dele
para proliferar e se propagar. Graças à inflamação, elas
vão se infiltrar nos tecidos vizinhos e penetrar no fluxo
sanguíneo e linfático para disseminar e originar as
metástases.
O excesso dessas substâncias acarreta por sua
vez, nos tecidos contíguos, o bloqueio de um processo
natural, a apoptose, ou seja, o suicídio celular genetica-
mente programado para a proliferação anárquica dos
tecidos.As células cancerosas se veem assim protegidas
da destruição celular, e o tumor vai ganhando tamanho.
REVISÃODALITERATURA
Revendo o mecanismo da inflamação e o
aparecimento das lesões tumorais HUANG et al., (1998),
MANTOVANI et al., (1993), descreveram que as
formações tumorais provocam um efeito grave sobre o
organismo, desarmando e enfraquecendo as células
imunológicas presentes nas proximidades da lesão. Em
suma, pode-se dizer que ocorre uma super produção de
fatores inflamatórios que tem como finalidade
desorientar as células de defesa. Os glóbulos brancos e
as células Natural Killer Cell (NK) são neutralizados,
parando de lutar contra o tumor, que se desenvolve,
aumentando gradativamente.As células exterminadoras
O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas
RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 109
naturais ou células NK são um tipo de glóbulos brancos
responsáveis pela defesa específica do organismo. Têm
um papel importante no combate às infecções virais e
célulastumorais.Identificadaspelaprimeiravezem1975,
foram rotuladas de exterminadoras naturais pela sua
atividade citotóxica contra células tumorais de diferentes
linhagens, sem a necessidade de reconhecimento prévio
de um antígeno específico, contrariamente ao
funcionamento dos linfócitosTauxiliar, que tem a função
de coordenar a defesa imunológica contra vírus,
bactérias e fungos, principalmente através da produção
e liberação de substâncias chamadas citocinas. Ainda
ataca células que se tornam anormais, geralmente as
tumorais ou infectadas por vírus.
Elas são ativadas em resposta a diversos
estímulos, nomeadamente por citocina produzidos por
outros elementos do sistema imunitário, por estimulação
dos receptores de Imunoglobulinas FcR, presentes na
sua membrana celular, e pelos receptores de ativação
ou inibição, específicos das células NK.As células NK
são citotóxicas e identificam as células que estão conta-
minadas com vírus, e consequentemente comprometidas
e as destroem. São componentes importantes na defesa
imunitária não especifica, originárias da medula óssea,
são descritas como grandes e granulares. Estas células
não destroem os microorganismos patogênicos
diretamente, tendo uma função mais relacionada com a
destruição de células infectadas ou que possam ser
cancerígenas.
BAXEVANIS et al., (1993), relatam que quanto
mais o tumor cresce, mais ele induz a inflamação, que
por sua vez estimula o seu crescimento. Segundo
MARX, (2004), isto significa dizer que quanto mais os
cânceres conseguem induzir e aumentar a reação local
inflamatória, maior é a agressão do tumor, e maior a sua
capacidade de se propagar por longas distâncias, alcan-
çando os vasos sanguíneos e gânglios linfáticos,
semeando as metástases. O processo é tão crucial e
violento que o nível da produção de fatores de infla-
mação pelos tumores permite antever a duração da
sobrevida do paciente nos numerosos tipos de cânceres
(cólon, seio, próstata, útero, estômago, e cérebro).
WALLACE,(2002).
Oncologistas escoceses (Glasgow), fizeram uma
avaliação e passaram a medir os indicadores de inflama-
ção no sangue de pacientes que sofriam de diversos
tipos de cânceres. Eles mostraram que os pacientes cujo
nível de inflamação era mais baixo tinham duas vezes
mais chances do que os outros de estarem ainda vivos
mesmo após vários anos. Estabeleceram um cálculo
muito simples para avaliar o risco pessoal em função de
dois testes sanguíneos do nível de inflamação:
proteína C-reativa – PCR < 10 mg/L e albumina > 35 g/L
= risco mínimo
– PCR > 10 mg/L ou albumina < 35 g/
L = risco médio
– PCR > 10 mg/L e albumina < 35 mg/
L = risco elevado.
Esses indicadores segundo CRUMLEY et al.,
2006, FORREST et al., (2004) são fáceis de aferir, e
constituem uma excelente forma para se fazer a avaliação
das chances de sobrevida do paciente ao invés de levar
em consideração o estado de saúde geral da pessoa no
momento do diagnóstico.
PAILLAUD (2003), tinha feito a mesma desco-
berta: medindo o grau da inflamação, assim, conseguiu
prever com cerca de 90% de certeza, quais dentre seus
pacientes que sofriam de câncer avançado, estariam
vivos alguns anos depois.
Estudos realizados por HARRIS et al., (1999),
THUN (1996) chegaram a concluir que as pessoas que
tomam regularmente medicamentos antiinflamatórios
(Advil, Brufen, Ibuprofen, Indocid, Nifluril, Upfen,
Voltaren) são menos vulneráveis ao câncer do que as
que não tomam, visto que, estes medicamentos irão
impedir a síntese de prostagladinas e consequente inibir
a produção dos mediadores químicos da inflamação
(quimiocinas, leucotrienos e tromboxanos) contribuindo
de forma negativa para o desenvolvimento e propagação
das células tumorais. Infelizmente, esses medicamentos
apresentam efeitos secundários assim como risco de
úlcera no estômago e de gastrite. O surgimento dos
novos antiinflamatórios, como o Vioxx, Celebrex,
apresenta menos efeito irritante sobre a mucosa gástrica,
e são potentes inibidores da nefástica Cox-2, a enzima
produzida pelos tumores que funciona como acele-
radora da produção de substâncias pró-inflamatórias
que contribuem diretamente para o desenvolvimento
do tumor. Atualmente diversos projetos de pesquisa
visam explorar os seus possíveis efeitos protetores
contra o câncer, o que tem possibilitado resultados
bastante encorajadores. Contudo, na prática ficou
demonstrado riscos de problemas renais e cardiovas-
culares. Constatou-se que o consumo elevado do
remédio, dobra os riscos de infartos e derrames. Uma
das hipóteses mais prováveis é que, ao inibir a ação da
enzima COX-2, uma das responsáveis pela dor e pela
inflamação, o remédio possa estimular a formação de
trombos como também aumente a pressão arterial e
consequentemente forçando os rins a trabalhar mais,
levando a um quadro de insuficiência renal.
KARIN, GRETEN, (2005) pesquisadores da
BARRETO et al.
110 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011
Universidade de San Diego, em colaboração com uma
grande fundação alemã, (A Deutsch
Forschungsgemeinschaft), mostraram que, bastava
bloquear a fabricação de uma das principais citocinas
pró-inflamatórias, chamada NF-kappaB, para destruir a
maior parte das células cancerosas e impedi-las de
produzir metástases. O NF-kappaB é uma espécie de
mensageiro do câncer. Seu papel central é hoje tão bem
conhecido que BALDWIN, (2001) chegou a declarar
que “Quase todos os agentes anticancerígenos são
inibidores de NF-kappaB”.
MARX (2004), relata que a indústria farma-
cêutica, atualmente está à procura de novos medica-
mentos inibidores do NF-kappaB, muito embora diversas
drogas naturais sejam conhecidas, algumas já ampla-
mente disponíveis no mercado.
As catequinas do chá verde e o resveratrol do
vinho tinto, certamente atuam como substâncias
antioxidante. Estudos indicam que as catequinas são
os compostos mais ativos presentes no chá verde e que
podem atuar na inibição de carcinógenos e no desen-
volvimento dos tumores. As catequinas exibem ainda
propriedades antioxidantes, semelhantes às das
vitaminas C (ácido escórbico) e E (tocoferol), que ajudam
a inibir a ação dos radicais livres, protegendo o
organismo de algumas doenças, como o câncer. O vinho
tinto é fonte de trans-resveratrol e fitoalexina que além
do efeito antioxidante é também quimioprotetor . Estudo
experimental, tem demonstrado que o resveratrol pode
inibir a proliferação celular, induzir apoptose e bloquear
a progressão do ciclo celular em numerosos tipos
celulares de câncer humano.
GILMORE et al., (2002), descreveu que o NF-
kappaB está constitutivamente ativado em uma grande
variedade de tumores humanos: tumor de mama, ovário,
próstata, rins, fígado, pâncreas, colon-reto, tireoide,
melanoma, linfoma de Hodgkin e não Hodgkin, leucemia
linfoblastica aguda, leucemia mielogena aguda, astro-
citoma, glioblastoma e tumores de cabeça e pescoço.
Muito importante e desconcertante é a ativação
do NF-kappaB em células cancerosas humanas, por
vários agentes quimioterápicos e pela radioterapia, o
que impede parcialmente ou totalmente que estes tipos
de tratamento induzam a morte da célula maligna.
Compreendemos também o porquê da existência, na
atualidade, de grande número de tumores multiresis-
tentes à quimioterapia e à radioterapia. É comum
combinar radioterapia com cirurgia, quimioterapia,
terapia hormonal ou alguma mistura dos três. A
radioterapia funciona danificando o DNA das células.
As células cancerosas se reproduzem mais, porém têm
menor capacidade de reparar danos comparadas à
células sadias. O dano ao DNA é herdado através da
divisão celular, que é transferido a outras células
cancerosas, fazendo elas morrerem ou se reproduzirem
mais lentamente. Uma das principais limitações da
radioterapia é que as células de tumores sólidos ficam
deficientes em oxigênio, o que as torna mais resistentes
aos efeitos da radiação, uma vez que o oxigênio torna
os danos ao DNA permanentes.
A quimioterapia e a radioterapia são fatores de
agressão do mais alto grau, desencadeiam e exacerbam
os mecanismos de sobrevivência e tornam as células
que não morreram resistentes ao tratamento subse-
qüente. Devemos nos lembrar que as células cancerosas
quando agredidas também aumentam a geração de
outras substâncias como o fator de transcrição nuclear
NF-kappaB o qual também é um fator de sobrevivência
das células normais, e que as células malignas sabem
muito bem como utilizar (FELIPPE, 2005).
Numerosos estudos indicam que a ativação do
NF-kappaB pode bloquear as vias de sinalização da
morte celular. Sua ativação protege as células da cascata
apoptótica induzida pelo TNF alfa e outros estímulos.
Ele ativa a TRAF 1 e 2 as quais bloqueiam a capacidade
do TNF induzir a ativação da caspase 8 (cascata
apoptótica) e também ativa vários genes antiapo-
ptóticos, como por ex. o Bcl-2. Ele ainda antagoniza a
função do gene p53 ( gene apoptótico), possivelmente
por competição cruzada pelos co-ativadores transcri-
pcionais. O fator de transcrição nuclear da família NF-
kappaB, está implicado na ativação de genes associados
à proliferação celular, angiogênese, metástase e supres-
são da apoptose, isto é, este fator promove a oncogê-
nese e a resistência do câncer à terapia anti neoplásica.
KARIN (2002) considera o NF-kappaB como o principal
culpado do câncer. Os fatores nucleares da família
kappaB, permanecem inativos no citoplasma até
acontecer a sua ativação por um dos fatores descritos
acima. O ativador transcripcional NF-kappaB é um
heterodímero de p65 - p50 e foi o primeiro fator trans-
cripcional latente descoberto por SEN, BALTIMORE,
(1986).
O fator ativo migra para o núcleo e provoca a
ativação transcripcional de genes associados com a
proliferação celular, a angiogênese, as metástases e a
supressão da apoptose. Ele pode controlar a progressão
do ciclo celular e possivelmente a diferenciação celular.
O NF-kappaB ativado, promove a oncogênese e a
resistência à terapêutica clínica anti-câncer. Ele pode
estar ativo em 85% dos cânceres humanos e muitos
acreditam que seja o principal culpado pela iniciação e
manutenção desta doença.
RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 111
O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas
O TNF-alfa necessita ainda ser mais estudado e
melhor compreendido. Ele somente funciona como pró
apoptótico via cascata das caspases quando o NF-
kappaB está inibido. Quando ele está no meio intersticial
do tumor, funciona como promotor do câncer. Em altas
concentrações no sangue, provoca caquexia e não
consegue induzir apoptose tumoral quando o NF-
kappaB está ativado.
A inibição das proteinas de transdução de sinal
das vias que levam à ativação do NF-kappaB, tem sido
utilizada há muitos anos para combater a doença
inflamatória e mais recentemente também tem mostrado
seu papel benéfico no tratamento do câncer humano.
Na verdade existe uma íntima relação entre a inflamação
crônica e o câncer que foi primeiro sugerida por Galeno
(180DC) e posteriormente confirmada porVirchow.
O trióxido de arsênio, licor de Fowler, largamente
usado no século 19 como antiinflamatório foi utilizado
também naquela época no tratamento da leucemia
mieloide crônica. Mais recentemente WAXMAN,
ANDERSON (2001), relatou os efeitos benéficos do
trióxidodearsênionaleucemiapromielocítica.Emestudo
multicêntrico nos Estados Unidos, NIU (1999), constatou
85% de completa remissão da leucemia promielocítica
aguda recidivada com este agente, o qual já foi aprovado
pelo FDA americano. Esta substância também é eficaz
no mieloma múltiplo refratário. HUSSEIN, (2001) relata
que atualmente está também sendo testada em tumores
sólidos.
A talidomida é outro agente em uso clínico, que
inibe o NF-kappaB. SINGHAL (1999), obteve com a
talidomida, completa remissão em 32% dos casos de
mieloma múltiplo refratário à terapia habitual.Aeficácia
aumentou combinando-se a talidomida com outros
agentes inibidores do NF como a dexametasona, que
atua inibindo os fatores da inflamação do mesmo modo
dos (AINES) antiinflamatórios não hormonais.
RAJKUMAR, (2001). PRO (2001), obteve bons resulta-
dos no linfoma de Hodgkin e em linfomas não Hodgkin.
FINE, (2000), obteve uma boa estabilização na evolução
de gliomas de alto grau. Os mesmos efeitos foram
conseguidos por FIGY, (2001), no câncer avançado de
próstata.
CALCAGNI,ELENKOV,(2006),GLASER,(2005).
relatam que o controle dos processos inflamatórios no
nosso corpo não é levado em consideração, e que não
se procura efetivamente eliminar as toxinas pró-
inflamatórias de nosso organismo, bem como adotar uma
alimentação saudável, isenta de radicais livres, voltada
para o combate do câncer e também livrar-se do estresse
cotidiano mantendo o equilíbrio psíquico e emocional.
Quase todos os cânceres são causados por
anomalias no material genético de células transformadas.
Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de
agentes carcinógenos, como o tabagismo, radiação,
substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros
tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas
através de erros na replicação do DNA, ou são herdadas,
e consequentemente presente em todas as células.
As interações complexas entre carcinógenos e o
genoma hospedeiro podem explicar porque somente
alguns desenvolvem câncer após a exposição a um
carcinógeno conhecido.
Novos aspectos da genética da patogênese do
câncer, como a metilação do DNAe os microRNAs estão
cada vez mais sendo reconhecidos como importantes
para o processo.
As anomalias genéticas encontradas no câncer
afetam tipicamente duas classes gerais de genes. Os
genes promotores de câncer, oncogenes, estão geral-
mente ativados nas células cancerígenas, fornecendo a
estas células novas propriedades, como o crescimento
e divisão hiperativa, proteção contra morte celular
programada, perda do respeito aos limites teciduais
normais e a habilidade de se tornarem estáveis em
diversos ambientes teciduais. Os genes supressores de
tumor estão geralmente inativados nas células cance-
rígenas, resultando na perda das funções normais destas
células, como uma replicação de DNA acurada, controle
sobre o ciclo celular, orientação e aderência nos tecidos
e interação com as células protetoras do sistema imune.
O cancer é fundamentalmente uma doença
genética. Em células normais, o crescimento celular é
controlado por diversos fatores. Vários deles promovem
o crescimento e multiplicação celulares como ohormônio
do crescimento, hormônio da tiróide (t3/t4), insulina, e
fatores locais como citocinas.
A atividade de cada célula é dirigida pelo seu
DNA.Ao longo da embriogênese, à medida que células
cada vez mais diferenciadas se originam dozigoto, alguns
genes tornam-se ativos enquanto outros são inativados,
de acordo com a função final da célula. Mas cada célula
mantém sempre uma cópia do genoma completo no seu
núcleo.
Ao longo da nossa vida, milhões de células do
nosso organismo sofrem pequenas mutações, essas
células normalmente se autodestroem pela atividade de
proteínas geradas a partir de genes anti-tumorais do
DNA, o p53. Nenhuma célula se torna neoplásica apenas
com uma mutação. Normalmente são necessárias várias
ocorrências para haver desregulação do ciclo celular e
proliferação excessiva, e ainda mais outras para que haja
112 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011
BARRETO et al.
invasão dos orgãos adjacentes ou distantes constituin-
do as metástases.
Exames genéticos
Alguns exames genéticos para pessoas de alto-
risco já estão disponíveis para alguns casos de mutações
genéticas relacionadas ao câncer. Portadores de
mutações genéticas que apresentam risco aumentado
de incidência de câncer podem se submeter a uma
inspeção mais detalhada com prevenção química,
radioterápica ou cirúrgicas corrigindo ou estagnando o
processo, podendo assim, salvar a vida destas pessoas
(Quadro 1).
TRATAMENTO
Atualmente, mesmo com os avanços da ciência
e da tecnologia, o câncer ainda é uma das doenças mais
temidas pela humanidade. Em muitos dos casos não é
curável, mas quando diagnosticado precocemente tem-
se um grande índice de cura, no entanto é muito
desgastante para o paciente provocando distúrbios
psíquicos e emocionais. Pensando nisso, a comunidade
científica vive pesquisando e fazendo inúmeros testes
visando diminuir o sofrimento de quem padece desta
doença, Além dos tratamentos cirúrgicos, radiote-
rápicos, quimioterápicos, corte do suprimento san-
guíneo no local da lesão levando ao envelhecimento
precoce e morte da célula cancerígena. Está sendo testa-
do e empregado em alguns cânceres, ondas de ultra
som com capacidade de destruir as células cance-
rígenas. Estas ondas sonoras de alta frequência tornam
possível o tratamento sem a necessidade de cirurgia.
O equipamento utilizado é diferente dos demais,
já que tem capacidade de focar até mil feixes em um
único ponto. O calor produzido faz com que as células
cancerígenas sejam queimadas sem que os tecidos
próximos sejam afetados. Infelizmente este tratamento
não é viável para todos os pacientes. Requer um estudo
minucioso de cada caso, para depois ser definido o
tratamento. No estudo são levados em consideração o
local e tamanho do tumor. Mesmo com todas essas
informações, ainda existem questões a serem estudadas,
no entanto o mais importante é que estamos no caminho
certo. Se tudo correr bem, em um futuro bem próximo
pacientes poderão ser tratados do câncer sem a neces-
sidade de submeter-se a cirurgia.
CONCLUSÃO
Levando em consideração os fatos de importân-
cia, observados e relatados na literatura pode-se aferir
que:
Existe uma íntima relação entre a inflamação
crônica e o câncer, fato sugerido por Galeno
desde (180.D.C) e confirmado por Wirchow
o pai da patologia moderna;
As lesões cancerígenas aproveitam do dese-
quilíbrio do mecanismo natural de defesa,
para invadir o organismo e levá-lo à morte;
Osmediadoresquímicosdainflamação,fazem
jogo duplo, desempenhando papel nocivo
no aparecimento e desenvolvimento das
lesões cancerígenas;
O excesso da produção de mediadores da
inflamação produzido pelas células cance-
rígenas, acarretam o bloqueio do suicídio
celular (apoptose) genéticamente progra-
mado;
As pessoas que tomam regularmente medica-
mentos antiinflamatórios são menos vulne-
ráveis ao câncer do que as que não tomam;
A maioria dos cânceres são causados por
anomalias no material genético de células
transformadas;
São necessárias várias ocorrências de
mutação genética para haver desregulação
do ciclo celular, e mais outras, para que haja
invasão dos orgãos adjacentes constituindo
as metástases.
Quando diagnosticado precocemente são
totalmente curáveis.
O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas
RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 113
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Correspondência
Departamento de Clínica e Odontologia Social
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Campus I – Castelo Branco
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  • 1. Volume 14 Número 4 Páginas 107-114 2011 ISSN 1415-2177 DOI:10.4034/RBCS.2010.14.04.15 REVISÃO Revision Revista Brasileira de Ciências da Saúde O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas The Double Role of Inflammation in the Emergence of Cancerous Lesions ROSIMAR DE CASTRO BARRETO1 GIUSEPPE A. SCARANO PEREIRA1 LINO JOÃO DACOSTA1 HELLEN ROSI BARRETO B. CAVALCANTI2 Professor Doutor Associado do Departamento de Clínica e Odontologia Social/CCS/UFPB Aluna do Curso de Odontologia - UNIPÊ – PB 1 2 RESUMO Nesta revisão, ficou demonstrado que da mesma maneira que as células imunológicas agem para reparar os tecidos afetados, as células cancerígenas produzem desorde- nadamente os fatores da inflamação para manter o crescimento e desenvolvimento da lesão tumoral. Elas produzem exageradamente as mesmas substâncias inflamatórias como citocinas, prostaglandinas e leucotrienos, as quais normalmente desempenham a reparação natural dos tecidos. O câncer vai se servir dessas substâncias para induzir sua própria proliferação e tornar permeáveis as barreiras que o cercam. Assim, o processo que permite ao sistema imunológico reparar lesões e destruir os agentes agressores em todos os recônditos do organismo é desviado em favor das células cancerosas. E graças à inflamação, elas vão se infiltrar nos tecidos vizinhos, penetrar no fluxo sanguíneo e linfático para originar as metástases. O excesso dessas substâncias inflamatórias nos tecidos contíguos acarreta o bloqueio de um processo natural que se chama apoptose, ou seja, o suicídio celular geneticamente programado, contribuindo assim para a proliferação anárquica dos tecidos. As células cancerosas se veem assim protegidas da destruição celular, e o tumor vai cada vez mais, ganhando tamanho e corpo. DESCRITORES Inflamação. Câncer. Imunologia. SUMMARY This review demonstrated that in the same way the immune cells act to repair the affected tissues, cancer cells produce disorderly inflammation factors to sustain growth and development of the tumor. They produce exaggeratedly the same inflammatory substances such as cytokines, prostaglandins and leukotrienes, which usually play the natural tissue repair. The cancer uses those substances to induce its own proliferation and to make permeable barriers surrounding it. Then the process that allows the immune system to repair damage and to destroy aggressors in all reaches of the body is skewed in favor of cancerous cells. And due to inflammation, such cells will infiltrate through surrounding tissues, penetrate into lymphatic and blood flow until give rise to metastases. The excess of these inflammatory substances in the surrounding tissues, leads to blockage of a natural process called apoptosis, or genetically programmed cell suicide, thereby contributing to the uncontrolled proliferation of tissues. Cancerous cells are thus protected from cell destruction, and the tumor will increasingly gaining size and body. DESCRIPTORS Inflammation. Cancer. Immunology. http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rbcs
  • 2. BARRETO et al. 108 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 T odos os organismos vivos são naturalmente capazes de restaurar seus tecidos após ocorrência de um dano, o mecanismo central responsável por esta reparação é a inflamação. Quando um tecido é afetado através de pancada, corte ou queimadura desencadeando uma infecção e inflamação, esta é imediatamente detectada pelas plaquetas do sangue que se aglutinam em torno do local danificado. Ao se juntarem, elas liberam uma substância química, o “fator de crescimento derivado das plaquetas” (PDGF) que tem como função alertar as células brancas do sistema imunológico. Estas, por sua vez, irão produzir uma série de mediadores químicos: citocinas, quimio- cinas, prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanos que têm múltiplos efeitos, e irão orientar o processo de reparação tecidual. Em seguida, tornam os tecidos adjacentes permeáveis para que as células imunológicas possam penetrar e chegar ao local para destruir os agentes agressores, induzindo no local uma neo formação de pequenos vasos sanguíneos, de forma a permitir a chegada de oxigênio e nutrientes no local da lesão a ser reparada. Esses mecanismos são absolutamente essenciais para manutenção da integridade do organismo humano bem como a sua reconstrução permanente diante das inevitáveis agressões. Quando bem regulados e em equilíbrio com as outras funções celulares, esses processos são harmoniosos e auto-limitados, parando tão logo as reparações teciduais tenham sido efetuadas. As células imunológicas que tinham sido ativadas diante dos agentes agressores se recolocam em estado de vigília a fim de evitar que, no impulso, ataquem os tecidos sadios. Diante do exposto, é sabido que as lesões cance- rígenas aproveitam da deficiência desses mecanismos de reparação para invadir e disseminar pelo organismo levando-o à morte. Esta dupla face da inflamação prevista para garantir a reparação tecidual visando a cura, pode sofrer mudanças na sua orientação, e passar a colaborar com o crescimento da lesão cancerígena. VIRCHOW, (1863), observou que diversos pacientes pareciam ter desenvolvido câncer, no local onde anteriormente, tinham recebido um traumatismo, ou onde existia uma lesão persistente que nunca cicatrizava. Cerca um século depois DVORAK, (1986), emérito professor de patologia da Faculdade de Medicina de Harvard, retomou essa hipótese, apoiando- se desta vez em argumentos baseados em seu artigo intitulado “Tumores, feridas que não curam” Baseado nisso, JUNIOR PEEK et al., (2005), demonstraram que o papel desempenhado pela inflamação no desenvolvimento do câncer é considerado de tão grande importância que, nos Estados Unidos, o Instituto Nacional do Câncer redigiu um relatório a fim de fazer a maior divulgação possível, a uma pesquisa ainda desconhecida dos médicos oncologistas. Este documento descreve com grande precisão, os proces- sos pelos quais as células cancerosas conseguem confundir e perverter os mecanismos de cura do organismo. Demonstrando que da mesma maneira que as células imunológicas agem para reparar as lesões, as células cancerosas devem produzir os fatores da inflamação para sustentar e manter de forma execrável o crescimento tumoral em desenvolvimento. Elas produzem exageradamente as mesmas substâncias inflamatórias, que desempenham o papel natural na reparação das feridas (citocinas, prostaglan- dinas e leucotrienos), agindo como agentes químicos que favorecem a multiplicação celular. O câncer vai se servir dessas substâncias para induzir sua própria proliferação e tornar permeáveis as barreiras que o cer- cam. Assim, o processo que permite ao sistema imuno- lógico reparar lesões e destruir os agentes agressores em todos os recônditos do organismo é desviado em favor das células cancerosas, que vão se apoderar dele para proliferar e se propagar. Graças à inflamação, elas vão se infiltrar nos tecidos vizinhos e penetrar no fluxo sanguíneo e linfático para disseminar e originar as metástases. O excesso dessas substâncias acarreta por sua vez, nos tecidos contíguos, o bloqueio de um processo natural, a apoptose, ou seja, o suicídio celular genetica- mente programado para a proliferação anárquica dos tecidos.As células cancerosas se veem assim protegidas da destruição celular, e o tumor vai ganhando tamanho. REVISÃODALITERATURA Revendo o mecanismo da inflamação e o aparecimento das lesões tumorais HUANG et al., (1998), MANTOVANI et al., (1993), descreveram que as formações tumorais provocam um efeito grave sobre o organismo, desarmando e enfraquecendo as células imunológicas presentes nas proximidades da lesão. Em suma, pode-se dizer que ocorre uma super produção de fatores inflamatórios que tem como finalidade desorientar as células de defesa. Os glóbulos brancos e as células Natural Killer Cell (NK) são neutralizados, parando de lutar contra o tumor, que se desenvolve, aumentando gradativamente.As células exterminadoras
  • 3. O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 109 naturais ou células NK são um tipo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa específica do organismo. Têm um papel importante no combate às infecções virais e célulastumorais.Identificadaspelaprimeiravezem1975, foram rotuladas de exterminadoras naturais pela sua atividade citotóxica contra células tumorais de diferentes linhagens, sem a necessidade de reconhecimento prévio de um antígeno específico, contrariamente ao funcionamento dos linfócitosTauxiliar, que tem a função de coordenar a defesa imunológica contra vírus, bactérias e fungos, principalmente através da produção e liberação de substâncias chamadas citocinas. Ainda ataca células que se tornam anormais, geralmente as tumorais ou infectadas por vírus. Elas são ativadas em resposta a diversos estímulos, nomeadamente por citocina produzidos por outros elementos do sistema imunitário, por estimulação dos receptores de Imunoglobulinas FcR, presentes na sua membrana celular, e pelos receptores de ativação ou inibição, específicos das células NK.As células NK são citotóxicas e identificam as células que estão conta- minadas com vírus, e consequentemente comprometidas e as destroem. São componentes importantes na defesa imunitária não especifica, originárias da medula óssea, são descritas como grandes e granulares. Estas células não destroem os microorganismos patogênicos diretamente, tendo uma função mais relacionada com a destruição de células infectadas ou que possam ser cancerígenas. BAXEVANIS et al., (1993), relatam que quanto mais o tumor cresce, mais ele induz a inflamação, que por sua vez estimula o seu crescimento. Segundo MARX, (2004), isto significa dizer que quanto mais os cânceres conseguem induzir e aumentar a reação local inflamatória, maior é a agressão do tumor, e maior a sua capacidade de se propagar por longas distâncias, alcan- çando os vasos sanguíneos e gânglios linfáticos, semeando as metástases. O processo é tão crucial e violento que o nível da produção de fatores de infla- mação pelos tumores permite antever a duração da sobrevida do paciente nos numerosos tipos de cânceres (cólon, seio, próstata, útero, estômago, e cérebro). WALLACE,(2002). Oncologistas escoceses (Glasgow), fizeram uma avaliação e passaram a medir os indicadores de inflama- ção no sangue de pacientes que sofriam de diversos tipos de cânceres. Eles mostraram que os pacientes cujo nível de inflamação era mais baixo tinham duas vezes mais chances do que os outros de estarem ainda vivos mesmo após vários anos. Estabeleceram um cálculo muito simples para avaliar o risco pessoal em função de dois testes sanguíneos do nível de inflamação: proteína C-reativa – PCR < 10 mg/L e albumina > 35 g/L = risco mínimo – PCR > 10 mg/L ou albumina < 35 g/ L = risco médio – PCR > 10 mg/L e albumina < 35 mg/ L = risco elevado. Esses indicadores segundo CRUMLEY et al., 2006, FORREST et al., (2004) são fáceis de aferir, e constituem uma excelente forma para se fazer a avaliação das chances de sobrevida do paciente ao invés de levar em consideração o estado de saúde geral da pessoa no momento do diagnóstico. PAILLAUD (2003), tinha feito a mesma desco- berta: medindo o grau da inflamação, assim, conseguiu prever com cerca de 90% de certeza, quais dentre seus pacientes que sofriam de câncer avançado, estariam vivos alguns anos depois. Estudos realizados por HARRIS et al., (1999), THUN (1996) chegaram a concluir que as pessoas que tomam regularmente medicamentos antiinflamatórios (Advil, Brufen, Ibuprofen, Indocid, Nifluril, Upfen, Voltaren) são menos vulneráveis ao câncer do que as que não tomam, visto que, estes medicamentos irão impedir a síntese de prostagladinas e consequente inibir a produção dos mediadores químicos da inflamação (quimiocinas, leucotrienos e tromboxanos) contribuindo de forma negativa para o desenvolvimento e propagação das células tumorais. Infelizmente, esses medicamentos apresentam efeitos secundários assim como risco de úlcera no estômago e de gastrite. O surgimento dos novos antiinflamatórios, como o Vioxx, Celebrex, apresenta menos efeito irritante sobre a mucosa gástrica, e são potentes inibidores da nefástica Cox-2, a enzima produzida pelos tumores que funciona como acele- radora da produção de substâncias pró-inflamatórias que contribuem diretamente para o desenvolvimento do tumor. Atualmente diversos projetos de pesquisa visam explorar os seus possíveis efeitos protetores contra o câncer, o que tem possibilitado resultados bastante encorajadores. Contudo, na prática ficou demonstrado riscos de problemas renais e cardiovas- culares. Constatou-se que o consumo elevado do remédio, dobra os riscos de infartos e derrames. Uma das hipóteses mais prováveis é que, ao inibir a ação da enzima COX-2, uma das responsáveis pela dor e pela inflamação, o remédio possa estimular a formação de trombos como também aumente a pressão arterial e consequentemente forçando os rins a trabalhar mais, levando a um quadro de insuficiência renal. KARIN, GRETEN, (2005) pesquisadores da
  • 4. BARRETO et al. 110 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 Universidade de San Diego, em colaboração com uma grande fundação alemã, (A Deutsch Forschungsgemeinschaft), mostraram que, bastava bloquear a fabricação de uma das principais citocinas pró-inflamatórias, chamada NF-kappaB, para destruir a maior parte das células cancerosas e impedi-las de produzir metástases. O NF-kappaB é uma espécie de mensageiro do câncer. Seu papel central é hoje tão bem conhecido que BALDWIN, (2001) chegou a declarar que “Quase todos os agentes anticancerígenos são inibidores de NF-kappaB”. MARX (2004), relata que a indústria farma- cêutica, atualmente está à procura de novos medica- mentos inibidores do NF-kappaB, muito embora diversas drogas naturais sejam conhecidas, algumas já ampla- mente disponíveis no mercado. As catequinas do chá verde e o resveratrol do vinho tinto, certamente atuam como substâncias antioxidante. Estudos indicam que as catequinas são os compostos mais ativos presentes no chá verde e que podem atuar na inibição de carcinógenos e no desen- volvimento dos tumores. As catequinas exibem ainda propriedades antioxidantes, semelhantes às das vitaminas C (ácido escórbico) e E (tocoferol), que ajudam a inibir a ação dos radicais livres, protegendo o organismo de algumas doenças, como o câncer. O vinho tinto é fonte de trans-resveratrol e fitoalexina que além do efeito antioxidante é também quimioprotetor . Estudo experimental, tem demonstrado que o resveratrol pode inibir a proliferação celular, induzir apoptose e bloquear a progressão do ciclo celular em numerosos tipos celulares de câncer humano. GILMORE et al., (2002), descreveu que o NF- kappaB está constitutivamente ativado em uma grande variedade de tumores humanos: tumor de mama, ovário, próstata, rins, fígado, pâncreas, colon-reto, tireoide, melanoma, linfoma de Hodgkin e não Hodgkin, leucemia linfoblastica aguda, leucemia mielogena aguda, astro- citoma, glioblastoma e tumores de cabeça e pescoço. Muito importante e desconcertante é a ativação do NF-kappaB em células cancerosas humanas, por vários agentes quimioterápicos e pela radioterapia, o que impede parcialmente ou totalmente que estes tipos de tratamento induzam a morte da célula maligna. Compreendemos também o porquê da existência, na atualidade, de grande número de tumores multiresis- tentes à quimioterapia e à radioterapia. É comum combinar radioterapia com cirurgia, quimioterapia, terapia hormonal ou alguma mistura dos três. A radioterapia funciona danificando o DNA das células. As células cancerosas se reproduzem mais, porém têm menor capacidade de reparar danos comparadas à células sadias. O dano ao DNA é herdado através da divisão celular, que é transferido a outras células cancerosas, fazendo elas morrerem ou se reproduzirem mais lentamente. Uma das principais limitações da radioterapia é que as células de tumores sólidos ficam deficientes em oxigênio, o que as torna mais resistentes aos efeitos da radiação, uma vez que o oxigênio torna os danos ao DNA permanentes. A quimioterapia e a radioterapia são fatores de agressão do mais alto grau, desencadeiam e exacerbam os mecanismos de sobrevivência e tornam as células que não morreram resistentes ao tratamento subse- qüente. Devemos nos lembrar que as células cancerosas quando agredidas também aumentam a geração de outras substâncias como o fator de transcrição nuclear NF-kappaB o qual também é um fator de sobrevivência das células normais, e que as células malignas sabem muito bem como utilizar (FELIPPE, 2005). Numerosos estudos indicam que a ativação do NF-kappaB pode bloquear as vias de sinalização da morte celular. Sua ativação protege as células da cascata apoptótica induzida pelo TNF alfa e outros estímulos. Ele ativa a TRAF 1 e 2 as quais bloqueiam a capacidade do TNF induzir a ativação da caspase 8 (cascata apoptótica) e também ativa vários genes antiapo- ptóticos, como por ex. o Bcl-2. Ele ainda antagoniza a função do gene p53 ( gene apoptótico), possivelmente por competição cruzada pelos co-ativadores transcri- pcionais. O fator de transcrição nuclear da família NF- kappaB, está implicado na ativação de genes associados à proliferação celular, angiogênese, metástase e supres- são da apoptose, isto é, este fator promove a oncogê- nese e a resistência do câncer à terapia anti neoplásica. KARIN (2002) considera o NF-kappaB como o principal culpado do câncer. Os fatores nucleares da família kappaB, permanecem inativos no citoplasma até acontecer a sua ativação por um dos fatores descritos acima. O ativador transcripcional NF-kappaB é um heterodímero de p65 - p50 e foi o primeiro fator trans- cripcional latente descoberto por SEN, BALTIMORE, (1986). O fator ativo migra para o núcleo e provoca a ativação transcripcional de genes associados com a proliferação celular, a angiogênese, as metástases e a supressão da apoptose. Ele pode controlar a progressão do ciclo celular e possivelmente a diferenciação celular. O NF-kappaB ativado, promove a oncogênese e a resistência à terapêutica clínica anti-câncer. Ele pode estar ativo em 85% dos cânceres humanos e muitos acreditam que seja o principal culpado pela iniciação e manutenção desta doença.
  • 5. RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 111 O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas O TNF-alfa necessita ainda ser mais estudado e melhor compreendido. Ele somente funciona como pró apoptótico via cascata das caspases quando o NF- kappaB está inibido. Quando ele está no meio intersticial do tumor, funciona como promotor do câncer. Em altas concentrações no sangue, provoca caquexia e não consegue induzir apoptose tumoral quando o NF- kappaB está ativado. A inibição das proteinas de transdução de sinal das vias que levam à ativação do NF-kappaB, tem sido utilizada há muitos anos para combater a doença inflamatória e mais recentemente também tem mostrado seu papel benéfico no tratamento do câncer humano. Na verdade existe uma íntima relação entre a inflamação crônica e o câncer que foi primeiro sugerida por Galeno (180DC) e posteriormente confirmada porVirchow. O trióxido de arsênio, licor de Fowler, largamente usado no século 19 como antiinflamatório foi utilizado também naquela época no tratamento da leucemia mieloide crônica. Mais recentemente WAXMAN, ANDERSON (2001), relatou os efeitos benéficos do trióxidodearsênionaleucemiapromielocítica.Emestudo multicêntrico nos Estados Unidos, NIU (1999), constatou 85% de completa remissão da leucemia promielocítica aguda recidivada com este agente, o qual já foi aprovado pelo FDA americano. Esta substância também é eficaz no mieloma múltiplo refratário. HUSSEIN, (2001) relata que atualmente está também sendo testada em tumores sólidos. A talidomida é outro agente em uso clínico, que inibe o NF-kappaB. SINGHAL (1999), obteve com a talidomida, completa remissão em 32% dos casos de mieloma múltiplo refratário à terapia habitual.Aeficácia aumentou combinando-se a talidomida com outros agentes inibidores do NF como a dexametasona, que atua inibindo os fatores da inflamação do mesmo modo dos (AINES) antiinflamatórios não hormonais. RAJKUMAR, (2001). PRO (2001), obteve bons resulta- dos no linfoma de Hodgkin e em linfomas não Hodgkin. FINE, (2000), obteve uma boa estabilização na evolução de gliomas de alto grau. Os mesmos efeitos foram conseguidos por FIGY, (2001), no câncer avançado de próstata. CALCAGNI,ELENKOV,(2006),GLASER,(2005). relatam que o controle dos processos inflamatórios no nosso corpo não é levado em consideração, e que não se procura efetivamente eliminar as toxinas pró- inflamatórias de nosso organismo, bem como adotar uma alimentação saudável, isenta de radicais livres, voltada para o combate do câncer e também livrar-se do estresse cotidiano mantendo o equilíbrio psíquico e emocional. Quase todos os cânceres são causados por anomalias no material genético de células transformadas. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de agentes carcinógenos, como o tabagismo, radiação, substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do DNA, ou são herdadas, e consequentemente presente em todas as células. As interações complexas entre carcinógenos e o genoma hospedeiro podem explicar porque somente alguns desenvolvem câncer após a exposição a um carcinógeno conhecido. Novos aspectos da genética da patogênese do câncer, como a metilação do DNAe os microRNAs estão cada vez mais sendo reconhecidos como importantes para o processo. As anomalias genéticas encontradas no câncer afetam tipicamente duas classes gerais de genes. Os genes promotores de câncer, oncogenes, estão geral- mente ativados nas células cancerígenas, fornecendo a estas células novas propriedades, como o crescimento e divisão hiperativa, proteção contra morte celular programada, perda do respeito aos limites teciduais normais e a habilidade de se tornarem estáveis em diversos ambientes teciduais. Os genes supressores de tumor estão geralmente inativados nas células cance- rígenas, resultando na perda das funções normais destas células, como uma replicação de DNA acurada, controle sobre o ciclo celular, orientação e aderência nos tecidos e interação com as células protetoras do sistema imune. O cancer é fundamentalmente uma doença genética. Em células normais, o crescimento celular é controlado por diversos fatores. Vários deles promovem o crescimento e multiplicação celulares como ohormônio do crescimento, hormônio da tiróide (t3/t4), insulina, e fatores locais como citocinas. A atividade de cada célula é dirigida pelo seu DNA.Ao longo da embriogênese, à medida que células cada vez mais diferenciadas se originam dozigoto, alguns genes tornam-se ativos enquanto outros são inativados, de acordo com a função final da célula. Mas cada célula mantém sempre uma cópia do genoma completo no seu núcleo. Ao longo da nossa vida, milhões de células do nosso organismo sofrem pequenas mutações, essas células normalmente se autodestroem pela atividade de proteínas geradas a partir de genes anti-tumorais do DNA, o p53. Nenhuma célula se torna neoplásica apenas com uma mutação. Normalmente são necessárias várias ocorrências para haver desregulação do ciclo celular e proliferação excessiva, e ainda mais outras para que haja
  • 6. 112 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 BARRETO et al. invasão dos orgãos adjacentes ou distantes constituin- do as metástases. Exames genéticos Alguns exames genéticos para pessoas de alto- risco já estão disponíveis para alguns casos de mutações genéticas relacionadas ao câncer. Portadores de mutações genéticas que apresentam risco aumentado de incidência de câncer podem se submeter a uma inspeção mais detalhada com prevenção química, radioterápica ou cirúrgicas corrigindo ou estagnando o processo, podendo assim, salvar a vida destas pessoas (Quadro 1). TRATAMENTO Atualmente, mesmo com os avanços da ciência e da tecnologia, o câncer ainda é uma das doenças mais temidas pela humanidade. Em muitos dos casos não é curável, mas quando diagnosticado precocemente tem- se um grande índice de cura, no entanto é muito desgastante para o paciente provocando distúrbios psíquicos e emocionais. Pensando nisso, a comunidade científica vive pesquisando e fazendo inúmeros testes visando diminuir o sofrimento de quem padece desta doença, Além dos tratamentos cirúrgicos, radiote- rápicos, quimioterápicos, corte do suprimento san- guíneo no local da lesão levando ao envelhecimento precoce e morte da célula cancerígena. Está sendo testa- do e empregado em alguns cânceres, ondas de ultra som com capacidade de destruir as células cance- rígenas. Estas ondas sonoras de alta frequência tornam possível o tratamento sem a necessidade de cirurgia. O equipamento utilizado é diferente dos demais, já que tem capacidade de focar até mil feixes em um único ponto. O calor produzido faz com que as células cancerígenas sejam queimadas sem que os tecidos próximos sejam afetados. Infelizmente este tratamento não é viável para todos os pacientes. Requer um estudo minucioso de cada caso, para depois ser definido o tratamento. No estudo são levados em consideração o local e tamanho do tumor. Mesmo com todas essas informações, ainda existem questões a serem estudadas, no entanto o mais importante é que estamos no caminho certo. Se tudo correr bem, em um futuro bem próximo pacientes poderão ser tratados do câncer sem a neces- sidade de submeter-se a cirurgia. CONCLUSÃO Levando em consideração os fatos de importân- cia, observados e relatados na literatura pode-se aferir que: Existe uma íntima relação entre a inflamação crônica e o câncer, fato sugerido por Galeno desde (180.D.C) e confirmado por Wirchow o pai da patologia moderna; As lesões cancerígenas aproveitam do dese- quilíbrio do mecanismo natural de defesa, para invadir o organismo e levá-lo à morte; Osmediadoresquímicosdainflamação,fazem jogo duplo, desempenhando papel nocivo no aparecimento e desenvolvimento das lesões cancerígenas; O excesso da produção de mediadores da inflamação produzido pelas células cance- rígenas, acarretam o bloqueio do suicídio celular (apoptose) genéticamente progra- mado; As pessoas que tomam regularmente medica- mentos antiinflamatórios são menos vulne- ráveis ao câncer do que as que não tomam; A maioria dos cânceres são causados por anomalias no material genético de células transformadas; São necessárias várias ocorrências de mutação genética para haver desregulação do ciclo celular, e mais outras, para que haja invasão dos orgãos adjacentes constituindo as metástases. Quando diagnosticado precocemente são totalmente curáveis.
  • 7. O Duplo Papel da Inflamação no Surgimento das Lesões Cancerígenas RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 113 REFERÊNCIAS 1. BALDWIN A. Control of oncogenesis and cancer therapy resistance by the transcription factor NF-kB. - J.Clin. Invest. 107: 241-246, 2001. 2. BAXEVANISCN,RECLOSGJ,GRITZAPISAD,DEDOUSIS GV, MISSITZIS I, PAPAMICHAIL M. Elevated Prostaglandin E2 production by monocytes is responsible for the depressed level of natural killer and lymphokine-activated killer cell function in patients with breast cancer. Cancer, 72(79): 491-50, 1993. 3. CALCAGNI E, ELENKOV I. Stress system activity. Innate and T helper cytokines, and susceptibility to immune- related diseases. Annals of the New York Academy of Sciences, 1069: 62-76, 2006. 4. CRUMLEY ABC, MCMILLAN DC, MCKERNAN M, MCDONALD AC, STUART RC. Evaluation of an inflammation-based prognostic score in patients with inoperable gastro-esophageal cancer. British Journal of Cancer, 94(5): 637-41, 2006. 5. DVORAK HF. Tumors: wounds that do not heal. Similarities between tumor stroma generation and wound healing. New England Journal of Medicine, 315 (26): 1650-9, 1986. 6. FELIPPE JJ. Estratégia Terapêutica para induzir a oxidação intratumoral, inibir o NF-kappaB, aumentar a fluidez de membrana, demetilar o DNA, acetilar o DNA, ativar a delta-6 desaturase e aumentar a oxigenação tissular para provocar : apoptose, inibição da proliferação celular e inibição da angiogênese das células transformadas. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Janeiro. Tema da semana de 03/01/2005. 7. FIGY WD. A randomized phase II trial of thalidomide, an angiogenesis inhibitor, in patients with androgen- independent prostate cancer. - Clin. Cancer Res., 7: 1888-1893, 2001. 8. FINE HA. Phase II trial of the antiangiogenic agent thalidomide in patients with recurrent high-grade gliomas. J. Clin. Oncol.,18: 708-715, 2000. 9. FORREST LM, MCMILLAN DC, MCARDLE CS, ANGERSON WJ, DUNLOP DJ. Comparison of an inflammation-based prognostic score (GPS) with performance status (ECOG) in patients receiving platinum-based chemotherapy for inoperable non-small- cell lung cancer. British Journal of Cancer, 90(9): 1704- 6, 2004. 10. GILMORE T, GAPUZAN ME, KALAITZIDIS D, STARCZYNOWSKI D. Rel/ NF-kB/IkB signal transduction in the generation and treatment of human cancer. Cancer Letters, 181: 1-9, 2002. 11. GLASER R. Stress-associated immune dysregulation and its importance for human health: a personal history of psychoneuroimmunology. Brain, Behavior, Immunity, 19(1): 3-11, 2005. 12. HARRIS RE, KASBARI S, FARRAR WB. Prospective study of nonsteroidal anti-inflammatory drugs and breast cancer. Oncology Reports, 6(1): 71-3, 1999.Available in: Tratamento do Câncer sem Cirurgia – Aparelho de Ultrassom do Icesp. http:// www.essaseoutras. Acessado em: 15/04/201 13. HUANG M, STOLINA M, SHARMA S, MAO, JT, ZHU, L, MILLER, PW, et al. Non-small cell lung cancer cyloo- xygenase-2-dependent regulation of cytokine balance in lymphocytes and macrophages: up-regulation of interleukin 10 and down-regulation of interleukin 12 production. Cancer Research, 58(6): 1208-1216, 1998. 14. HUSSEIN MA. APhase II clinical study of arsenic trioxide (ATO) in patients (pts) with relapsed or refractory multiple myeloma (MM): a preliminary report . American Society of Hematology . Orlando, FL, pp. 378 a., 2001. 15. KARIN M. NF-kB in cancer: from innocent bystander to major culprit . Nat. Rev. Cancer, 2: 301-310, 2002. 16. KARIN M, GRETEN FR, NF-kappaB: linking inflammation and immunity to cancer development and progression. Nature Reviews Immunology, 5(10): 749-59, 2005. 17. MANTOVANI A, BOTTAZI B, COLOTRA F, SOZZANI S, RUCO L. The origin and function of tumor-associated macrophages. Immunology Today, 13(17): 265-70, 1993. 18. MARX J. Cancer research: Inflammation and cancer: the link grows stronger. Science, 306(306); 5698-966, 2004. 19. NIU C. Studies on treatment of acute promyelocytic leukemia with arsenic trioxide: remission induction, follow-up, and molecular monitoring in 11 newly diagnosed and 47 relapsed acute promyelocytic leukemia patients . Blood, 94: 3315-3324, 1999. 20. PAILLAUD E, BORIES P-N, AITA SL et al. Prognostic value of dietary intake and inflammation on survival in patients with advanced cancer: relationship with performance status, pain, and digestive disorders. Nutr Cancer, 45(1): 30-5, 2003. 21. JUNIOR PEEK RM, MOHLA S, DUBOIS RN. Inflammation in the genesis and perpetuation of cancer:summary and recommendations from a national cancer institute- sponsored meeting. Cancer Research, 65(19):8583-6, 2005. 22. PRO, B. Phase II study of thalidomide in patients with recurrent Hodgkin’s disease (HD) and non-Hodgkin’s lymphomas (NHL). - American Society of Hematology. Orlando, FL, pp. 246 b., 2001.
  • 8. BARRETO et al. 114 RbrasciSaúde 14(4):107-114, 2011 23. RAJKUMAR, S.V. Combination therapy with thalidomide plus dexamethasone (Thal/Dex) for newly diagnosed myeloma (MM). - American Society of Hematology . Orlando, FL, pp. 849 a., 2001. 24. SEN R, BALTIMORE D. Inducibility of kappa immunoglobulin enhancer-binding protein NF-kB by a posttranslational mechanism. Cell, (47): 921-928, 1986. 25. SINGHAL S. Antitumor activity of thalidomide in refractory multiple myeloma . N. Engl. J. Med, 341: 1565-1571, 1999. 26. THUN MJ. Nsaid use and decreased risk of gastrointestinal cancers. Gastroenterology Clinics of North America, 25(2): 333-48, 1996. 27. VIRCHOW R. Cellular Pathology as based upon Physiological and Pathological History. Published by J.B. Lippincott, Philadelphia, 1863. 28. WALLACE J. Nutrition and botanical modulation of the inflammatory cascade-eicosanoids, cylooxygenases and lipoxygenases – As an adjunct in cancer therapy. Integrative Cancer Therapies, 1(1): 7-37, 2002. 29. WAXMAN S. Anderson, K. History of development of arsenic derivatives in cancer therapy . Oncologist, 6(2):3-10, 2001. Correspondência Departamento de Clínica e Odontologia Social Centro de Ciências da Saúde/UFPB Campus I – Castelo Branco 58051-900 João Pessoa – Paraíba – Brasil Email rosimar@ccs.ufpb.br