Fungos fitopatogenicos

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Fungos fitopatogenicos

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE AGRONOMIA – ÁREA DE FITOSSANIDADE FITOPATOLOGIA I FUNGOS COMO AGENTES DE DOENÇAS DE PLANTAS Prof. Sami J. Michereff1. INTRODUÇÃO Fungos são organismos eucariontes, 2. CRESCIMENTO DOS FUNGOSaclorofilados, heterotróficos, que se reproduzemsexuada e assexuadamente e cujas estruturas O crescimento dos fungos é constituído dassomáticas são geralmente filamentosas e fases vegetativa e reprodutiva.ramificadas, com parede celular contendo celuloseou quitina, ou ambos. 2.1. Fase Vegetativa Os fungos obtém o alimento seja comosaprófitas, organismos que vivem sobre a matéria Os fungos, em sua maioria, são constituídosorgânica morta, ou como parasitas, que se nutrem de filamentos microscópicos com parede celularda matéria viva. Em ambos os casos, as bem definida, chamados hifas. A célula fúngica ésubstâncias nutritivas são ingeridas por absorção constituída pelos principais componentesapós terem sido parcialmente digeridas por meio encontrados nos organismos eucariotos. A paredede enzimas. celular é composta principalmente por A maioria dos fungos é constituída de espécies polissacarídios, pequena quantidade de lipídios esaprófitas que desempenham a importante função íons orgânicos. A membrana plasmática éde decomposição na biosfera, degradando produtos composta por fosfolipídios e esfingolipídios,orgânicos e devolvendo carbono, nitrogênio e proteínas, além de pequenas quantidades deoutros componentes ao solo, tornando assim carboidratos. O citoplasma apresenta solutosdisponíveis às plantas. Cerca de 100 espécies de dissolvidos, no qual estão imersas organelasfungos produzem doenças no homem e quase o membranosas, como mitocôndrias, complexo demesmo número em animais, a maioria das quais Golgi e microcorpos, assim como estruturas nãosão enfermidades superficiais da pele ou de seus membranosas, como ribossomos, microtubos eapêndices. No entanto, mais de 8.000 espécies de microfilamentos. A célula fúngica apresentafungos causam doenças em plantas, sendo que núcleos dotados de uma membrana nuclear outodas as plantas são atacadas por algum tipo de carioteca (Fig. 1).fungo, e cada um dos fungos parasitas atacam aum ou mais tipos de plantas.Figura 1. Representação esquemática de hifas fúngicas e seus principais componentes. A = estrutura de uma hifa jovem; B = estrutura de uma hifa madura; m = membrana; v = vacúolo; gl = globos lipóides; n = núcleo; c = citoplasma; mi = mitocondria; s = septo; t = trabécula [adaptado de Silveira (1968)]. Dependendo da classe a que pertence o fungo, líquido protoplasmático. A hifa sem septo éa hifa pode ser contínua ou apresentar paredes chamada asseptada, contínua ou cenocítica,transversais que a dividem, denominadas septos, porque os núcleos distribuem-se num protoplasmasendo portanto chamada de hifa septada. Esta comum (Fig. 2).possui um poro em cada septo para passagem do
  2. 2. 2 Figura 2. Tipos de hifas: (A) cenocítica; (B) septada. Os fungos, por serem aclorofilados, não podem • Esclerócios: estruturas macroscópicas formadosutilizar energia solar para sintetizar seu próprio pelo enovelamento de hifas com endurecimento doalimento. A substância de onde os fungos retiram córtex.os nutrientes de que necessitam chama-se • Clamidosporos: estruturas microscópicas,substrato, o qual pode ser o húmus do solo, restos formadas pela diferenciação de células da hifa,de cultura, plantas vivas, etc. As hifas ramificam- com a formação de uma parede espessa.se em todas as direções no substrato, formando omicélio. Todas essas estruturas permanecem em As hifas ou micélio, quanto ao número de repouso quando as condições são desfavoráveis,núcleos, podem ser uninucleadas, binucleadas e entrando em atividade em condições favoráveis.multinucleadas. A extremidade da hifa é a regiãode crescimento. O protoplasma na extremidade dahifa sintetiza um grande número de enzimas eácidos orgânicos que são difundidos no substrato. 2.2. Fase ReprodutivaAs enzimas e ácidos quebram a celulose, amido,açúcares, proteínas, gorduras e outros Os esporos são as estruturas reprodutivas dosconstituintes do substrato, que são utilizados fungos, constituindo a unidade propagativa dacomo alimentos e energia para o crescimento do espécie, cuja função é semelhante a de umafungo. semente, mas difere desta pois não contém um O crescimento do micélio de um fungo embrião pré-formado.parasita pode ser externo ou interno em relação Os esporos são produzidos em ramificaçõesao tecido hospedeiro. O micélio externo ocorre especializadas ou tecidos do talo ou hifa chamadoscomo um denso emaranhado na superfície de esporóforos. Estes, por sua vez, recebemfolhas, caules ou frutos, que não penetra na denominações de acordo com a classe doepiderme dos órgãos e nutre-se através de organismo. Como exemplo temos: conidióforo nosexsudatos (açúcares) da planta. O micélio interno Deuteromicetos e esporangióforo nos Oomicetos.pode ser subepidérmico, quando desenvolve entre O corpo de frutificação de um fungo, comoa cutícula e as células epidermais; intercelular, peritécios, apotécios e picnídios, dão proteção equando penetra no hospedeiro e localiza-se nos apoio às células esporógenas, as quais podem serespaços intercelulares, sem penetrar nas células, agregadas em camadas dentro da cavidade dosendo os nutrientes absorvidos através de órgãos corpo de frutificação ou em camadas na epidermeespeciais chamados haustórios (estruturas do hospedeiro (Ex.: acérvulos). Nos Ascomicetosconstituídas de células da hifa) ou diretamente por as células esporógenas compreendem as ascas,difusão através da parede celular; ou intracelular, enquanto nos Basidiomicetos as basídias.quando penetra dentro da célula hospedeira, Os esporos são comumente unicelulares, masabsorvendo os nutrientes diretamente. Existem em muitas espécies podem ser divididos porespécies que tem capacidade de penetrar septos, formando células. Os esporos podem serdiretamente pela superfície intacta do hospedeiro. móveis (zoosporos) ou imóveis, de paredesEstas espécies apresentam órgãos especiais, espessas ou finas, hialinas ou coloridas, comchamados apressórios, que se fixam na superfície parede celular lisa ou ornamentada, as vezes comdo hospedeiro e no ponto de contato ocorre a apêndice filiforme simples ou ramificado. Emdissolução do tecido formando um pequeno orifício muitas espécies de fungos, a coloração e o número(microscópico) (Fig. 3). de septos dos esporos variam com a idade. No processo de desenvolvimento os fungos Alguns tipos de esporos e estruturas deformam estruturas vegetativas que funcionam frutificação dos principais grupos de fungoscomo estruturas de resistência, tais como: fitopatogênicos estão representados na Fig. 3.• Rizomorfas: estruturas macroscópicas formadaspor hifas entrelaçadas no sentido longitudinal, comcrescimento semelhante a uma raiz.
  3. 3. 3Figura 3. Esporos representativos e estruturas de frutificação dos principais grupos de fungos fitopatogênicos [adaptado de Agrios (1997)]. Os esporos podem ser assexuais e sexuais. A sexuais são resultantes da união de núcleosfase associada com os esporos assexuais e micélio compatíveis, seguido de meiose e mitose.estéril é conhecida como estágio ou fase Os órgãos sexuais do fungo são chamados deimperfeita do fungo, enquanto aquela associada gametângios. O gametângio feminino écom a produção de zigoto e chamada estágio ou denominado oogônio ou ascogônio, enquanto ofase perfeita. gametângio masculino é denominado anterídio Os esporos assexuais são representados por (Fig. 4). As células sexuais ou núcleos que sezoosporos, conidiosporos, uredosporos e outros, fundem na reprodução sexual são chamadosformados pelas transformações do sistema gametas.vegetativo sem haver fusão de núcleos. Os esporos
  4. 4. 4Figura 4. Exemplo de estruturas envolvidas na reprodução sexual de fungos [segundo Krugner & Bacchi (1995)]. Algumas espécies de fungos produzem osgametângios no mesmo talo e são ditos • Parassexualidade: ocorrência dehomotálicos (hermafroditas). Outras formam talos plasmogamia entre duas hifas geneticamentecom sexos agregados e são chamados diferentes, formando um heterocarion, ouheterotálicos (dióicos), isto é, os sexos são seja, presença de dois núcleos geneticamenteagregados em dois indivíduos diferentes, não diferentes na mesma célula. Esta situação depodendo cada talo, ou seja, cada indivíduo, heterocariose termina quando ocorre a uniãoreproduzir-se sexualmente sem o concurso de destes núcleos originando uma célula ou hifaoutro. diplóide, a qual se perpetua por mitose. A maioria dos fungos é eucárpico, ou seja,apenas parte do talo transforma-se na estrutura Os vários processos podem ocorrerreprodutiva. Nos fungos mais inferiores, em simultaneamente no mesmo talo, sem obedeceralgumas espécies, todo talo transforma-se na uma seqüência regular ou em estágios específicos.estrutura reprodutiva, sendo chamadas O ciclo parassexual pode ou não ser acompanhadoholocárpicas. de um ciclo sexual. A parassexualidade constitui Os fungos podem apresentar reprodução um importante mecanismo de variação genéticaassexuada, sexuada e também um mecanismo de para aqueles fungos que não apresentamrecombinação gênica, denominado reprodução sexual ou a apresentam raramente.parassexualidade. Embora os ciclos de vida dos fungos dos distintos grupos variem amplamente, a grande • Reprodução assexuada: muito comum nos maioria passa por uma série de etapas que são fungos, pode ocorrer pela fragmentação do bastante similares (Fig. 5). Assim, a maioria dos micélio (cada fragmento origina novo fungos tem um estádio de esporo que contém um organismo) ou pela produção de esporos núcleo haplóide, que possui uma série de assexuais. Neste tipo de reprodução não cromossomos ou 1N. Os esporos, ao germinar, ocorre fusão de núcleos, somente ocorrendo produzem uma hifa que também contém núcleos mitoses sucessivas. haplóides. A hifa produz novamente esporos haplóides (como sempre ocorre com • Reprodução sexuada: ocorre entre dois Deuteromicetos) ou pode fundir-se com uma hifa esporos móveis ou não, em que três processos para produzir uma hifa fecunda em que os núcleos se sucedem: se fundem para formar um núcleo diplóide, a) Plasmogamia: fusão dos protoplasmas, denominado zigoto, que contém duas séries de resultante da anastomose de duas células. cromossomos ou 2N. Nos Oomicetos, o zigoto se b) Cariogamia: fusão de dois núcleos divide e produz esporos haplóides, que concluem o haplóides (N) e compatíveis, formando um ciclo. Em uma fase breve do ciclo de vida da núcleo diplóide (2N). maioria dos Ascomicetos e em todos os Basidiomicetos, o par de núcleos da hifa c) Meiose: onde o núcleo diplóide (2N) fecundada não se une, mantendo-se separados sofre uma divisão reducional para formar dentro da célula (condição dicariótica ou N+N), dois núcleos haplóides (N), seguindo-se a dividindo-se simultaneamente para produzir mais mitose, embora em alguns casos esta células hifas que contêm pares de núcleos. Nos preceda a meiose. O núcleo haplóide forma Ascomicetos, as hifas dicarióticas se localizam então uma parede que o protege, isoladas no interior de corpos de frutificação, onde recebendo o nome de esporo. originam hifas ascógenas, desde que os núcleos da
  5. 5. 5célula da hifa se una para formar um zigoto (com em qualquer dos casos, os núcleos pareados dasum número diplóide de cromossomos), o qual se células se unem e formam zigotos, dividindo-sedivide meióticamente para produzir ascosporos que meióticamente para produzir basidiosporos, quecontêm núcleos haplóides. contém núcleos haplóides. Nos Deuteromicetos, é Nos Basidiomicetos, esporos haplóides encontrado somente o ciclo assexual, com aproduzem somente pequenas hifas haplóides. seguinte seqüência: esporo haplóide → micélioQuando estas são fecundadas, um micélio haplóide → esporo haplóide.dicariótico (N+N) é produzido e desenvolve-se para O ciclo assexual é o mais comum entre osconstituir a estrutura somática do fungo. Essas fungos, pois pode ser repetido várias vezes durantehifas dicarióticas podem produzir, por via a estação de crescimento, enquanto o ciclo sexualassexual, esporos dicarióticos que desenvolvem ocorre somente uma vez por ano.novamente em um micélio dicariótico. Entretanto,Figura 5. Representação esquemática dos ciclos de vida dos principais grupos de fungos fitopatogênicos [adaptado de Agrios (1997)].3. ECOLOGIA de fungos vive como parasitas de seus hospedeiros, porém continuam vivendo, desenvolvendo-se e A maioria dos fungos fitopatogênicos passa reproduzindo-se sobre os tecidos mortos desteparte de seu ciclo de vida nas plantas que lhe hospedeiro, inclusive podem abandonar essesservem de hospedeiro, e outra parte no solo ou em tecidos e depositarem-se no solo ou em outrosrestos vegetais depositados sobre este substrato. orgãos vegetais em processo de decomposição, nosAlguns fungos passam todo o seu ciclo de vida quais se desenvolvem e reproduzem comosobre o hospedeiro e somente seus esporos se saprófitas estritos. É indispensável que os orgãosdepositam no solo, onde permanecem em vegetais mortos nos quais se desenvolvam essesdormência até que sejam levados a um hospedeiro fungos não pertençam ao hospedeiro que tenhamno qual germinam e se reproduzem. Outros fungos parasitado. Geralmente esses fungos sãodevem passar parte de seu ciclo de vida como patógenos que habitam o solo, possuem umaparasitas de seu hospedeiro e parte como ampla gama de hospedeiros e sobrevivem no solosaprófitas sobre os tecidos mortos depositados no durante vários anos na ausência de seussolo. No entanto, este último grupo de fungos se hospedeiros.mantém em estreita associação com os tecidos do A sobrevivência e a atividade da maioria doshospedeiro, não se desenvolvendo em qualquer fungos fitopatogênicos depende das condiçõesoutro tipo de matéria orgânica. Um terceiro grupo predominantes de temperatura e umidade, ou da presença de água em seu meio ambiente. Um
  6. 6. 6micélio livre sobrevive somente dentro de uma intercelular, micélio intercelular com haustório, oucerta amplitude de temperatura (entre -5 e 45oC). A apressório e micélio intracelular), por aberturasmaioria dos esporos resiste a intervalos bastante naturais (estômatos, lenticelas e hidatódios) ou poramplos de temperatura e umidade, embora ferimentos (artificiais, naturais pela rachadura denecessitem de condições adequadas para germinar. raízes, bem como através da ação do fungo, pelaAlém disso, os fungos inferiores, que produzem morte e maceração das células a frente do seuzoosporos, necessitam de água livre para avanço).produção, movimento e germinação dessasestruturas reprodutivas. Os zoosporos são asúnicas estruturas dos fungos que possuem 4. CLASSIFICAÇÃO DOS FUNGOSmovimento próprio, embora à distâncias muitocurtas. A maioria dos fungos fitopatogênicos Os fungos que causam doenças em plantasnecessita de agentes como o vento, água, insetos, constituem um grupo muito diversificado eaves, outros animais e o homem para poder abundante, motivo pelo qual será apresentadadisseminar de uma planta a outra e inclusive a uma classificação superficial de alguns dosdiferentes partes de uma mesma planta. gêneros fitopatogênicos mais importantes. Embora Os fungos fitopatogênicos podem penetrar no existam várias classificações de fungos, a adotadahospedeiro diretamente (a nível subcuticular, bem na disciplina segue Alexopoulos & Mims (1979).como a nível celular com haustório, micélio Reino: Mycetae (Fungi) Divisões Classes Gymnomicota Myxomicetos - Fungos sem parede celular) - Formam plasmódios multinucleados Mastigomicota Chytridiomicetos - Esporos assexuais móveis por flagelos (zoosporos) Plasmodiophoromicetos Oomicetos Amastigomicota Zygomicetos - Esporos assexuais imóveis Ascomicetos Basidiomicetos DeuteromicetosDIVISÃO: GYMNOMICOTAClasse: MYXOMICETOSCaracterísticas: • Estrutura vegetatica sem parede celular, pleomórfiuca, clamada plasmódio • Formam esporângios • Formam células móveis ou ciliadas a partir de mixamebas • Habitam solos húmidos, humosos, etc. Ex.: Physarum cinereum, causa asfixia em plantas rasteiras.
  7. 7. 7DIVISÃO: MASTIGOMICOTAClasse: CHYTRIDIOMICETOSCaracterísticas: • Micélio ausente ou rudimentar • Formam esporângios dentro dos tecidos do hospedeiro • Formam esporos assexuais móveis, uniflagelados, denominados zoosporos • São holocárpicos (todo o protoplasto se transforma na unidade reprodutiva - esporângio)Ordem: ChytridialesFamília Gênero Espécie DoençaOlpidiaceae Olpidium Olpidium brassicae Podridão em raízes de hortaliçasSynchytriaceae Synchytrium Synchytrium endobioticum Verrugose da batataClasse: PLASMODIOPHOROMICETOSCaracterísticas: • Micélio ausente ou rudimentar • Formam esporângios dentro dos tecidos do hospedeiro • Zoosporos biflagelados • HolocárpicosOrdem: PlasmodiophoralesFamília Gênero Espécie DoençaPlasmodiophoraceae Plasmodiophora Plasmodiophora brassicae Hérnia das crucíferas Spongospora Spongospora subterranea Sarna pulverulenta da batataClasse: OOMICETOSCaracterísticas: • Micélio bem desenvolvido e cenocítico • Eucárpicos • Formam esporângios • Zoosporos biflagelados • Esporos sexuais imóveis, denominados oosporos, que são esporos de resistência capazes de sobreviver no solo e em restos de cultura, em condições adversasOrdem: PeronosporalesFamília Gênero Espécie DoençaPythiaceae Pythium Pythium spp. Podridão, tombamento Phytophthora Phytophthora infestans Requeima da batata Phytophthora palmivora Podridão parda do cacauAlbuginaceae Albugo Albugo ipomoeae-panduranae Ferrugem branca da batata-doce Albugo candida Ferrugem branca do rabanetePeronosporaceae Plasmopara Plasmopara viticola Míldio da videira Peronospora Peronospora tabacina Míldio do fumo Pseudoperonospora Pseudoperonospora cubensis Míldio das cucurbitáceas Bremia Bremia lactucae Míldio da alface Sclerospora Sclerospora graminicols Míldio das gramíneas
  8. 8. 8DIVISÃO: AMASTIGOMICOTAClasse: ZYGOMICETOSCaracterísticas: • Micélio bem desenvolvido e cenocítico • Eucárpicos • Formam esporângios • Esporos assexuados imóveis, denominados aplanosporos ou esporangiosporos • Esporos sexuais denominados zigosporos, que são esporos de resistênciaOrdem: MucoralesFamília Gênero Espécie DoençaMucoraceae Rhizopus Rhizopus stolonifer Podridão de frutos e sementes Mucor Mucor racemosus Podridão em cucurbitáceasFigura 6. Principais espécies das classes Myxomicetos, Chytridiomicetos, Plasmodiophoromicetos, Oomicetos e Zygomicetos que causam doenças em plantas. a = anterídio; gs = esporângio germinando; h = haustório; m = micélio; og = oogônio; os = oosporo; p = plasmódio; pws = pústula com esporângio; rm = rizomicélio; rs = esporo de resistência; rsa = esporângio de resistência; s = esporângio; sp = esporangióforo; th = talo; z = zoosporo; zs = zoosporângio; zy = zigosporo [adaptado de Agrios (1997)].
  9. 9. 9Figura 7. Principais sintomas causados por Myxomicetos, Chytridiomicetos, Plasmodiophoromicetos, Oomicetos e Zygomicetos [adaptado de Agrios (1997)].
  10. 10. 10Classe: ASCOMICETOSCaracterísticas: • Micélio bem desenvolvido e septado, exceto leveduras unicelulares • Esporos chamados ascosporos, formados no interior de ascas, que podem estar livres na superfície do hospedeiro ou dentro de ascocarpos que podem ser: cleistotécios, peritécios, apotécios ou ascostromas Figura 8. Tipos de ascocarpos em Ascomicetos [adaptado de Agrios (1997)].Sub-classe: Hemiascomicetidae - ascas livresOrdem: TaphrinalesFamília Gênero Espécie DoençaTaphrinaceae Taphrina Taphrina deformans Crespeira do pessegueiroSub-classe: Plectomicetidae - cleistotécios ou peritécios com ascas dispersasOrdem: MicroascalesFamília Gênero Espécie DoençaOphiostomataceae Ceratocystis Ceratocystis fimbriata Seca da mangueira Ceratocystis paradoxa Podridão do engaço da bananaSub-classe: Hymenoascomicetidae - cleistotécios ou peritécios com ascas em camada basal, formando himênioOrdem: ErysiphalesFamília Gênero Espécie DoençaErysiphaceae Erysiphe Erysiphe polygoni Oídio em várias culturas Uncinula Uncinula necator Oídio da videira Sphaerotheca Sphaerotheca pannosa Oídio da roseira Leveillula Leveillula taurica Oídio do tomateiroOrdem: ClavicipitalesFamília Gênero Espécie DoençaClavicipitaceae Claviceps Claviceps purpurea Esporão do centeio
  11. 11. 11Ordem: XylariallesFamília Gênero Espécie DoençaXylariaceae Rosellinia Rosellinia necatrix Podridões de raízesPolystigmataceae Glomerella Glomerella cingulata Antracnose em várias culturasPhyllachoraceae Phyllachora Phyllachora mucosa Lixa do coqueiroVenturiaceae Venturia Venturia inaequalis Sarna da macieiraOrdem: DiaporthalesFamília Gênero Espécie DoençaDiaporthaceae Diaporthe Diaporthe citri Melanose dos citrus Diaporthe phaseolorum Cancro da haste do feijoeiro Gaeumannomyces Gaeumannomyces graminis Mal-do-pé do trigoOrdem: HypocrealesFamília Gênero Espécie DoençaNectriaceae Nectria Nectria haematococa Podridão de raízes e cancro Giberella Giberella moniliforme Podridão de espigasOrdem: HelotialesFamília Gênero Espécie DoençaSclerotiniaceae Sclerotinia Sclerotinia sclerotiorum Podridão de raízes e caules Monilinia Monilinia fructicola Podridão parda dos frutosDermateaceae Diplocarpon Diplocarpon roseae Mancha preta da roseiaSub-classe: Loculoascomicetidae - ascostroma com ascas bitunicadasOrdem: MyriangialesFamília Gênero Espécie DoençaMyriangiaceae Elsinoe Elsinoe fawcetti Verrugose da laranja azeda Elsinoe perseae Verrugose do abacateiroOrdem: DothidealesFamília Gênero Espécie DoençaDothideaceae Mycosphaerella Mycosphaerella musicola Sigatoka-amarela da bananeira Mycosphaerella fijiensis Sigatoka-negra da bananeira Microcyclus Microcyclus ulei Mal das folhas da seringueiraVenturiaceae Venturia Venturia inaequalis Sarna da macieira
  12. 12. 12Ordem: PleosporalesFamília Gênero Espécie DoençaPleosporaceae Cochliobolus Cochliobolus carbonum Queima das folhas do milho Didymella Didymella bryoniae Cancro do caule de cucurbitáceas Leptosphaeria Leptosphaeria sacchari Mancha anelar da canaFigura 9. Principais espécies da classe Ascomicetos, destacando a morfologia dos corpos de frutificação, ascas e ascosporos [adaptado de Agrios (1997)].
  13. 13. 13Classe: BASIDIOMICETOSCaracterísticas: • Micélio septado e bem desenvolvido • Formam basídias com basidiosporos. • Esporos do tipo: basidiosporos, eciosporos, uredosporos e teliosporos • Muitos requerem dois hospedeiros para completar o cicloSub-classe: Teliomicetidae - formam teliosporosOrdem: UredinalesFamília Gênero Espécie DoençaPucciniaceae Puccinia Puccinia arachidis Ferrugem do amendoim Puccinia sorghi Ferrugem do milho Puccinia horiana Ferrugem do crisântemo Hemileia Hemileia vastatrix Ferrugem do cafeeiro Uromyces Uromyces appendiculatus Ferrugem do feijoeiro Uromyces fabae Ferrugem da fava Uredo Uredo goeldi Ferrugem do sombreiro Phragmidium Phragmidium fragariae Ferrugem do morangueiroPhakopsoraceae Phakopsora Phakopsora pachyrhizae Ferrugem da soja Cerotelium Cerotelium desmium Ferrugem do algodoeiroOrdem: UstilaginalesFamília Gênero Espécie DoençaUstilaginaceae Ustilago Ustilago scitaminea Carvão da cana-de-açúcar Ustilago maydis Carvão do milhoTilletiaceae Tilletia Tilletia caries Cárie do trigo Entyloma Entyloma vignae Carvão da folha do caupi Urocystis Urocystis cepulae Carvão da cebolaSub-classe: Holobasidiomicetidae - formam basidiocarposOrdem: AgaricalesFamília Gênero Espécie DoençaTricholomataceae Armillaria Armillaria mellea Podridão de raízes Crinipellis Crinipellis perniciosa Vassoura-de-bruxa do cacauOrdem: TulasnellalesFamília Gênero Espécie DoençaCeratobasidiaceae Thanatephorus Thanatephorus cucumeris Mela do feijoeiro
  14. 14. 14Figura 10. Alguns fungos Basidiomicetos fitopatogênicos. a = aécia; as = aeciosporo; b = basídia; bs = basidiosporo; h = hifa; sg = espermagônio; s = espermácia; t = télia; tr = teliosoro; ts = teliosporo; u = uredia; us = uredosporo [adaptado de Agrios (1997)].Figura 11. Sintomas comuns causados por Basidiomicetos [adaptado de Agrios (1997)].
  15. 15. 15Classe: DEUTEROMICETOSCaracterísticas: • Micélio septado e bem desenvolvido • Só possuem reprodução assexual, a fase sexual dos mesmos encontra-se em outras classes como Ascomicetos e Basidiomicetos • Os esporos são produzidos em conidióforos, sendo denominados conidiosporos ou conídiosFigura 12. Tipos de conidióforos e corpos de frutificação assexual produzidos por Deuteromicetos [adaptado de Agrios (1997)].Sub-classe: Hyphomycetidae - conidióforos livres ou formando esporodóquios (estruturas com formato de almofada) ou sinêmios (reunidos em feixe)Ordem: Moniliales - conidióforos livres ou formando esporodóquios ou sinêmiosFamília: Moniliaceae - conidióforos livres, conidióforos e/ou conídios hialinosGênero Espécie DoençaAspergillus Aspergillus niger Mofo negro do bulbo da cebolaBotrytis Botrytis cinerea Mofo cinzento da videiraCylindrocladium Cylindrocladium scoparium Podridão de raízes do eucaliptoGeotrichum Geotrichum candidum Podridão mole em frutos madurosOidium Oidium anacardii Oídio do cajueiroPenicillium Penicillium digitatum Bolor verde ou podridão verde dos citrosPyricularia Pyricularia oryzae Brusone do arrozVerticillium Verticillium albo-atrum Murcha de diversas culturas
  16. 16. 16Família: Dematiaceae - conidióforos livres, conidióforos e/ou conídios escurosGênero Espécie DoençaAlternaria Alternaria solani Pinta preta do tomateiroAsperisporium Asperisporium caricae Varíola do mamoeiroBipolaris Bipolaris oryzae Helmintosporiose do arrozCapnodium Capnodium sp. FumaginaCercospora Cercospora arachidicola Mancha castanha do amendoimCercosporidium Cercosporidium henningsii Mancha parda da mandiocaCladosporium Cladosporium fulvum Mancha de Cladosporium do tomateiroCordana Cordana musae Mancha de Cordana da bananeiraCurvularia Curvularia eragrostidis Pinta preta do inhameDrechslera Drechslera carbonum Queima das folhas do milhoExserohilum Exserohilum turcicum Helmitosporiose do milhoParacercospora Paracercospora musae Sigatoka-negra da bananeiraPseudocercospora Pseudocercospora musae Sigatoka-amarela da bananeiraStemphylium Stemphylium solani Mancha de Stemphylium das solanáceasStigmina Stigmina mangiferae Mancha de Stigmina da folha mangueiraThielaviopsis Thielaviopsis paradoxa Podridão negra do abacaxiFamilia: Stilbelaceae - conidióforos agrupados em sinêmiosGênero Espécie DoençaPhaeoisariopsis Phaeoisariopsis griseola Mancha angular do feijoeiroFamilia: Tuberculariaceae - conidióforos agrupados em esporodóquiosGênero Espécie DoençaFusarium Fusarium moniliforme Tombamento em plântulas e podridão de espigas de milho Fusarium oxysporum Murcha em diversas plantas Fusarium solani Podridões de raízes em diversas culturasSub-classe: Coelomicetidae - conidióforos e conídios produzidos no interior de picnídios (estruturasem forma de pêra, com ostíolo) e acérvulos (estruturas estromáticas, geralmente circulares)Ordem: Sphaeropsidales - conidióforos e conídios produzidos no interior de picnídiosFamília Gênero Espécie DoençaSphaeropsidaceae Ascochyta Ascochyta fabae Queima das folhas da fava Diplodia Diplodia maydis Podridão da espiga e colmo do milho Lasiodiplodia Lasiodiplodia theobromae Podridão basal do abacate e manga Macrophomina Macrophomina phaseolina Podridão de caules Phoma Phoma exigua Podridão de tubérculos de batata Phomopsis Phomopsis citri Melanose dos citros Phyllosticta Phyllosticta maydis Manchas foliares em milho Plenodomus Plenodomus destruens Escurecimento radicular da batata Pyrenochaeta Pyrenochaeta terrestris Raiz rosada da cebola Septoria Septoria lycopersici Septoriose do tomateiro
  17. 17. 17Ordem: Melanconiales - conidióforos e conídios produzidos no interior de acérvulosFamília Gênero Espécie DoençaMelanconiaceae Colletotrichum Colletotrichum coccodes Antracnose do tomateiro Colletotrichum falcatum Podridão vermelha da cana Colletotrichum gloeosporioides Antracnose em várias culturas Pestalotia Pestalotia palmivora Queima das folhas do coqueiro Sphaceloma Sphaceloma fawcetti Verrugose da laranja azeda Sphaceloma perseae Verrugose do abacateiroOrdem: Agonomicetales (Mycelia Sterilia)Características:• Não produzem esporos• Apresentam apenas micélio e estruturas de sobrevivência, como por exemplo escleróciosGênero Espécie DoençaRhizoctonia Rhizoctonia solani Tombamento e podridão de raízesSclerotium Sclerotium rolfsii Podridões de colo e murchas Sclerotium cepivorum Podridão branca da cebola e do alho
  18. 18. 18Figura 13. Agrupamento e morfologia dos principais gêneros de Deuteromicetos fitopatogênicos [adaptado de Agrios (1997)].
  19. 19. 19Figura 14. Principais sintomas causados por alguns Ascomicetos e Basiodiomicetos [adaptado de Agrios (1997)].5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA MENEZES, M.; OLIVEIRA, S.M.A. Fungos fitopatogênicos. Recife: Universidade Federal RuralAGRIOS, G.N. Plant diseases caused by fungi. In: de Pernambuco, 1993. 350p. AGRIOS, G.N. Plant pathology. 4th ed. San Diego: Academic Press, 1997. p.245-406. KRUGNER, T.L.; BACCHI, L.M.A.A. Fungos. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L.ALEXOPOULOS, C.J.; MIMS, C.W. Introductory (Eds.). Manual de fitopatologia: princípios e mycology. 3rd ed. New York: John Wiley & Sons, conceitos. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1995. 1979. 630p. v.1, p.46-96. SILVEIRA, V.D. Lições de micologia. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1968. 301p.

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