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Referências BibliográficasPAPERT, Seymour (1993). A Máquina das Crianças: Repensando a Escola na Era daInformática. Porto ...
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Síntese Crítica ao livro de Seymour Papert "A Máquina das Crianças: Repensando a escola na era da informártica"

  1. 1. Mestrado em Ensino de Matemática no 3º Ciclo e no Secundário Raquel Cristina Sousa CamachoSíntese Crítica ao livro de  Seymour Papert “A Máquina das Crianças  Repensando a escola na era da  informática”  Funchal 2010
  2. 2. Raquel Cristina Sousa CamachoSíntese Crítica ao livro de  Seymour Papert “A Máquina das Crianças  Repensando a escola na era da  informática”  Trabalho académico apresentado na disciplina de Ciências da Educação IV da Universidade da Madeira. Orientador: Professor Carlos Fino Funchal 2010 2
  3. 3. Sumário1. Resumo 42. Síntese Crítica 53. Reflexão Pessoal 134. Referências Bibliográficas 14 3
  4. 4. Resumo O presente trabalho é uma síntese crítica ao livro do pedagogo Seymour Papert,a “Máquina das Crianças – repensando a escola na era da informática”, ondeprocurámos incidir sobre as ideias chave do autor, reflectindo sobre as suas propostas eexplorando novas possibilidades. A implementação de novas tecnologias na sala de aula, o papel do professor e doaluno no processo educativo e a mudança de mentalidade na educação serão alguns dostemas enfoque nesta síntese crítica. 4
  5. 5. Síntese Crítica Papert viveu o período em que os computadores foram inventados e evoluíramnos E.U.A.. E esta era influenciou o autor de tal maneira que foi ele um dosresponsáveis pela implementação da linguagem de programação Logo no ensino.Através da programação Logo, os alunos ganharam a autonomia que era, normalmente,reservada aos adultos, pois programavam um computador e sentiam que estavam acomandar a máquina, algo que, até então, estava destinado apenas aos adultos. Os educadores de hoje enfrentam um grande desafio, já que lidam com aimplementação massiva de novas tecnologias na escola. Observamos que no meioescolar e académico é cada vez mais frequente utilizarmos as novas tecnologias e háinúmeros benefícios em relação a essas novas ferramentas de trabalho, mas também háuma componente negativa. Nas escolas e universidades há agora a tendência de “copiarda internet, colar, enfeitar e imprimir trabalhos escolares”, não respeitando o autor dotrabalho e tomando como seu o trabalho alheio. Mas aprender é muito mais do quecopiar, é através do esforço e persistência que podemos realmente aprender. O papel da escola já não passa apenas por treinar pessoas que vão desempenharuma determinada função para o resto da vida, porque o “emprego para a vida” já nãoexiste. A escola deverá ter o papel de facultar ao indivíduo a “capacidade de aprendernovas habilidades, assimilar novos conceitos, avaliar novas situações, lidar com oinesperado”. Assim, teremos indivíduos competentes e capazes de se adaptar a qualquersituação e, consequentemente, capaz de desempenhar qualquer tarefa que a sociedadelhes confie. Reparamos que não são apenas as mudanças tecnológicas a ocorrer no nossomundo que têm reflexos na educação. Também a própria necessidade do Homem emalterar o seu comportamento, devido às mudanças ambientais e climatéricas, tem tidoum impacto profundo na educação, pois será através da educação que poderemos mudaresse comportamento nocivo e destrutivo que o Homem tem para com o seu planeta. As novas tecnologias abrem um portal para uma nova era, a era da informação.E as novas tecnologias conduzem-nos para um ambiente propício para a aprendizageme, consequentemente, para o ensino por excelência. Assim, o objectivo do autor será tentar perceber o relacionamento entre ascrianças e os computadores e de que forma esta relação influencia a aprendizagem. 5
  6. 6. Papert inicia o seu livro com uma parábola (termo utilizado pelo autor) ondedescreve qual seria a reacção de um grupo de viajantes do tempo oriundos do final doséculo XIX e que teriam a oportunidade de visitar o mundo no final do século XX. Estegrupo era composto por médicos e professores do ensino básico. Papert refere que o grupo de médicos ficaria espantadíssimo com os avanços damedicina e dificilmente conseguiria exercer a sua profissão nesta época com osconhecimentos que tinha. Já o grupo de professores entraria na sala de aula e,desconhecendo apenas uns quantos materiais novos, não teria dificuldade em assumir aaula. Com esta parábola, o autor questiona porque é que as mudanças que severificaram em tantas áreas da actividade humana, não se verificaram também na escolae rotula as pessoas conforme a resposta que dão à sua pergunta em Yearners eSchoolers. Estes neologismos de Papert tornam-se difíceis de traduzir sem perder umpouco do seu sentido na língua original. Paulo Cysneiros atribui ao termo Yearner osignificado de uma pessoa que “deseja fortemente algo difícil de tornar-se realidade”.Schoolers, por seu turno, serão os “defensores da instituição escolar na sua estruturaactual”. Assim, de um lado temos os Schoolers que reconhecem que a escola actual temproblemas e mostram-se interessados em resolvê-los, mas não acreditam numa“megamudança”. Por outro lado, os Yearners querem mudanças, mas respondem queuma megamudança na instituição escolar teria custos muito superiores aos aceitáveis. Os Yearners caracterizam-se por serem pessoas alternativas, mas não têm aintenção de inovar a escola, procuram sim um ensino alternativo. Nos E.U.A. éfrequente os pais manterem os filhos em casa a estudar e estes jovens acabam por nãoter qualquer contacto com o ambiente escolar. Também é recorrente os pais procuraremescolas alternativas para os filhos. No entanto, existe outra categoria de Yearners que mantém uma relação com aescola, digamos, tradicional. Estes Yearners são, habitualmente, professores queconseguem criar programas alternativos dentro do Sistema Escolar. A megamudança proposta por Papert passa necessariamente pela introdução denovas tecnologias na sala de aula e o reconhecimento da importância desta novarealidade na formação das crianças. O autor refere, por exemplo, a importância que osvídeo jogos têm no desenvolvimento intelectual das crianças e como uma ferramentapode ser, ao mesmo tempo, útil à aprendizagem e divertida. No entanto, esse amor das 6
  7. 7. crianças pelo computador é visto, muitas vezes, como um vício, ignorando-se osconhecimentos que as crianças adquirem através das actividades proporcionadas poressa ferramenta. Papert fala na “Máquina do Conhecimento” (uma ideia utópica do autor) queteria por objectivo “tornar todo o conhecimento disponível”. Podemos ver nocomputador uma espécie de “Máquina do Conhecimento”, pois é uma ferramenta quenão só proporciona o divertimento e a motivação necessária ao jovem/criança paraaprender, como também ajuda a responder às perguntas dessas crianças, sem asupervisão de um adulto. Ou seja, proporciona a autonomia necessária para que acriança aprenda sem estar dependente das respostas de um adulto. São muitos os esforços feitos para compreender de que forma ocorrem osfenómenos de aprendizagem, no entanto, segundo Papert, os investigadores na área daEducação abordam o tema de uma forma fria. Papert afirma que há um excessivodistanciamento entre os investigadores da educação e o objecto de estudo, neste caso ascrianças. Noutras áreas científicas esse distanciamento é necessário, pois a compreensãode um fenómeno envolve a objectividade do observador/pesquisador. No entanto, naeducação tem de haver um reconhecimento da “individualidade do estudante”, algo queos professores, a Escola e os investigadores da educação tendem a ignorar. Esta individualidade assume a importância de que a escola veja as crianças comoseres individuais, com pensamento próprio e com reacções diferentes a um mesmoestímulo. Portanto, a escola não pode simplesmente ver os alunos como um grupo deindivíduos cujos comportamentos podem ser comandados. Se fossem proporcionadas as ferramentas necessárias para que as criançaspudessem tomar as rédeas do seu próprio desenvolvimento, poderíamos ter no futurouma sociedade formada por cidadãos competentes, livres, com capacidade de agir porjuízo próprio e capaz de tomar as rédeas da sua aprendizagem. Para Papert a ferramenta que poderá proporcionar esta mudança na educação é ocomputador, pois o computador proporciona às crianças a capacidade de descobrirem epesquisarem segundo os seus próprios interesses. O autor é ainda apologista da ideia de que as tentativas falhadas são uma fontede desenvolvimento inegável e faz uma abordagem às várias tentativas e erros que aHumanidade cometeu aquando da sua ânsia por voar. Papert faz uma transição destaideia para a Educação: porque não incentivar a exploração, mesmo que isso signifique 7
  8. 8. errar e tentar de novo? Não é a partir dos erros que se aprende? E o que dizer dasatisfação que se sente quando finalmente se atinge o que nos tínhamos proposto? Nãose passará o mesmo com as crianças? E o que Papert propõe é isso mesmo, é o incentivo à exploração e à criatividade,já que “entender é inventar”. Neste caminho rumo à exploração, o autor sugere que atecnologia poderá ser a ponte que ligará a escola ao futuro. Nesta fase do livro, Papert fala em mais pormenor sobre a linguagem Logo esobre a sua implementação na sala de aula. Para tal, relata várias experiências vividascom alunos que frequentavam o 4º e 5º anos de escolaridade. Num primeiro relato, o autor refere que dois alunos que nunca tinham falado umcom o outro, viram-se na situação de poderem colaborar num projecto que interessava aambos. Este projecto estava a ser levado a cabo no computador e utilizando a linguagemLogo. Houve, portanto, um incentivo à colaboração e a uma interacção social entre estesjovens, contrariando a ideia actual de que o computador isola as pessoas e que asincentiva a uma vida com pouca interacção social. Uma ideia, na minha opinião, erróneae temos as redes sociais na internet que podem comprovar que o computadorproporciona uma grande interacção social, incentivando até a troca de ideias compessoas de culturas diferentes. Portanto, neste contexto, podemos perceber que ocomputador ajuda a ultrapassar as diferenças. Os alunos referidos neste relato não só interagiram um com o outro, comotambém, através da linguagem Logo e do uso do computador, conseguiramcompreender várias matérias, entre as quais geometria e física. Conseguiram ainda,através dos movimentos que observavam e dominavam através da linguagem Logo noecrã do computador, aplicar a Matemática a algo que eles conseguiam realmentecompreender. Um dos grandes problemas do ensino actual é a falta de motivação dosestudantes que, em parte, é determinada pelo facto de os jovens não perceberem autilidade do que estão a aprender. E os professores tendem a não tentar mudar essaperspectiva. Aqui podemos referir o segundo relato de Papert que faz referência a essecomportamento dos professores. Uma professora, quando questionada sobre o facto deum dos seus alunos não estar a trabalhar com a linguagem Logo, respondeu que o alunojá dominava a linguagem, logo tinha sugerido que ele fizesse outras actividades que nãoestivessem relacionadas com essa linguagem. Portanto, os alunos não têm, segundo a 8
  9. 9. perspectiva de muitos professores, de utilizar os conhecimentos adquiridos, têm apenasde saber. Este é o tipo de “modelo bancário” da educação (metáfora de Paulo Freire) emque “o conhecimento é tratado como dinheiro, para ser guardado num banco para ofuturo”. No entanto, Papert reconhece a existência de outro tipo de professores,professores criativos e que têm vontade de melhorar a educação. A linguagem Logopermitiu a muitos professores criarem modelos de ensino personalizados. Na minha opinião, o autor entra um pouco em contradição neste excerto do livro.Papert refere um dos seus professores preferidos e como este professor teve influênciana sua visão do mundo. Segundo Papert, teria sido a linguagem Logo a proporcionaruma visão mais criativa aos professores que a utilizavam nas suas aulas, mas o professorde Papert não tinha um computador e, mesmo assim, era criativo e conseguia cativar osalunos. Um professor que tenha os meios físicos para incentivar as crianças, mas sendoele um professor sem criatividade, de pouco lhe valem esses meios. Não quero com istodizer que a linguagem Logo não tenha ajudado a emergir a criatividade dos professoresque a utilizaram, apenas entendo que não é uma condição necessária (a utilização dalinguagem Logo) para que isso acontecesse. Embora Papert admita que, no passado, tinha uma especial aversão aosprofessores, confessa que as suas experiências nas salas de aula permitiram-lhe ver umaoutra faceta dos professores. Para Papert é a escola, com a sua estrutura hierarquizada enatureza superficial, que transforma os professores em seres abomináveis. A natureza institucional da escola reflecte-se na hierarquia vigente no meioescolar. A política em vigor controla a directoria que, por sua vez, controla osprofessores. Estes têm o papel de controlar os alunos e treiná-los, pois, segundo aescola, os professores são técnicos. O autor incentiva uma exaltação por parte dos professores para que rejeitem ocontrolo da escola e que dêem azo à sua criatividade e ainda que sejam co-aprendizes nasala de aula. Ou seja, que os professores não tenham receio em mostrar que nãodominam um determinado assunto e que aprendam com os alunos, tal como os alunosaprendem com o professor. Mas, afinal, o que é aprender? Porque não existe uma palavra que defina a artede aprender? Papert propõe uma palavra para uma disciplina sobre a arte de aprender –a Matética. 9
  10. 10. Esta necessidade de encontrar um termo que pudesse colmatar essa lacuna nonosso vocabulário surge do facto de, como dissemos anteriormente, Papert enfatizar ahierarquia na escola e atribuir a essa disposição hierárquica a importância que se dá aoensino e à arte de ensinar (pedagogia) e a pouca ênfase à aprendizagem. Isto porque oprofessor é quem ensina à criança, ou seja, é o sujeito activo, é ele quem está “nocomando e é quem precisa de competência”. O autor defende que deveríamos dar mais ênfase à aprendizagem e é nestecontexto que surge a palavra Matética. Papert faz questão de relacionar a heurística coma matética, mas define claramente que a heurística é a “arte da descoberta intelectual” e,nos dias actuais, é aplicada à resolução de problemas. Enquanto a matética envolvepensar sobre o problema e é isso que “promove a aprendizagem” e não o saber as regraspara resolver um problema. Na matética é, portanto, fundamental “dar-se tempo a si mesmo” para poderobservar e reflectir sobre o problema e promover a discussão, pois a comunicaçãopromove a aprendizagem. Essa comunicação deve ser livre de qualquer repressão eencorajada pelos professores nas suas aulas, já que será através dessa reflexão ediscussão que os alunos vão começar a fazer conexões com outros temas e até comoutros problemas que ajudarão no seu desenvolvimento intelectual. No entanto, na escola actual não é dado tempo suficiente aos alunos parareflectirem sobre os problemas que lhes são propostos, quanto mais para discutiremsobre as possíveis estratégias a seguir. Desta forma, não conseguirão passar por todo oprocesso, de uma beleza e complexidade raras, que permite fazer conexões e abrir novoshorizontes na aprendizagem. Essa é uma das duras críticas de Papert à escola. Numa fase posterior do livro, mas que interpreto que tenha relação com ahierarquia da escola, Papert procura explicar a diferença entre o Instrucionismo eConstrucionismo. Segundo Santanchè e Teixeira (s.d.), o “Instrucionismo fundamenta-se no princípio de que a acção de ensinar é fortemente relacionada com a transmissão deinformação”. O Construcionismo, por seu lado, segundo os mesmo autores,fundamenta-se pela “atitude activa” do aluno que adquire a capacidade de construir “oseu próprio conhecimento”. Seguindo o raciocínio de Papert, o Instrucionismo é a ideologia presente naescola actual, já que o papel principal no processo de ensino-aprendizagem é doprofessor, pois é ele o transmissor de conhecimento. Ao aluno cabe apenas assimilar eassumir como verdade o que o professor transmite. Esta atitude faz do aluno um agente 10
  11. 11. passivo no processo ensino-aprendizagem e dá ênfase à ideia de hierarquia analisadaanteriormente. Para explicar a ideia construcionista, Papert refere um provérbio africano: “seum homem tem fome, poderás dar-lhe um peixe, mas no dia seguinte ele terá fomenovamente. Se lhe deres uma cana de pesca e lhe ensinares a pescar, ele nunca mais teráfome”. Podemos dizer que a atitude de dar o “peixe” assemelha-se à atitudeinstrucionista de “dar conhecimento”. No entanto, essa será uma solução a curto prazo.O construcionismo propõe que sejam fornecidas as ferramentas necessárias para que ascrianças possam descobrir e explorar o conhecimento. Essas ferramentas, segundoPapert, são os computadores. Mas para pescar não são suficientes o conhecimento e asferramentas, é também necessário que pescamos em águas férteis. Isso leva-nos aperceber o conceito de “micromundos” proposto por Papert, como a “Matelândia”, ouseja, as “águas férteis” para “pescar” o conhecimento matemático. Papert propõe, ainda, a criação de uma nova disciplina, a “Cibernética para ascrianças” que pode ser caracterizada como o “grão de conhecimento necessário parauma criança inventar e construir”, sendo que esta disciplina teria conexões com outrasáreas intelectuais. Assim, com a Cibernética os conhecimentos adquiridos seriamrealmente utilizados e não apenas aprendidos. Esta disciplina permitiria às criançasterem um feedback sobre o que aprenderam e não, como acontece na escola actual,absorver o que lhes é transmitido e fechar numa gaveta. Tem de haver uma aplicaçãodaquilo que se aprende e todas as áreas intelectuais têm de estar interligadas paracumprirem o propósito da educação: formar um ser humano na sua totalidade. Podemos dizer que o computador parece ser o meio mais apropriado para seatingir essa ideia, já que permite à criança a liberdade de descobrir novas realidades e,nos dias de hoje, permite uma ligação com o resto do mundo como nunca antes foipossível. No fundo, temos nas nossas mãos a capacidade de conhecer novas culturas,novas maneiras de pensar e essa interacção permite-nos alargar os nossos próprioshorizontes, não ficando presos às ideias “preconcebidas” dos nossos antepassados. A megamudança proposta por Papert é comparada à Perestroika (slogan deGorbachev que significa “reconstruir”). Portanto, Papert não defende apenas umamudança no sistema educacional, mas uma reconstrução do mesmo. O autor é muito crítico em relação à avaliação da escola actual e sobre o que éconsiderado sucesso educacional. Papert faz uma analogia entre os testes (forma de 11
  12. 12. avaliação mais comum) e a história dos pregos da fábrica Ilyanova. O objectivo eraproduzir 100 toneladas de pregos. O director teve a ideia de produzir pregos maiores econseguiu uma produção de 150 toneladas. O director foi recompensado com um bónus,no entanto, os pregos produzidos eram grandes demais para serem utilizados. “Definir sucesso educacional por resultados em exames não é muito diferente decontar pregos fabricados em vez de pregos utilizados”. Portanto, a escola não incentivaa utilização dos conhecimentos adquiridos, apenas mede a quantidade de conhecimentodos alunos nos testes, que sabemos nem sempre corresponder ao real esforço e trabalhodos alunos. Papert propõe que a “única opção racional é investir no encorajamento dadiversidade educacional com um comprometimento dedicado não apenas a expandir osseus benefícios para todos os que o desejam, mas também assegurar que os que optampor não tê-los estejam a fazer uma escolha informada”. Neste contexto, o autor fala dasvantagens das pequenas escolas na Dinamarca que correspondem a escolas alternativas.Estas escolas podem proporcionar essa diversidade de que fala Papert e produzirambientes intelectuais férteis onde a verdadeira “cultura matética” poderia surgir. 12
  13. 13. Reflexão Pessoal Após a leitura do livro “A Máquina das Crianças”, de Seymour Papert, éimpossível não fazer um balanço sobre a nossa educação e apontar algumas críticas aonosso sistema educativo. Papert faz mais do que isso: propõe soluções. A grande solução de Papert é fazer uma megamudança na educação que permitaacabar com a natureza hierárquica da escola. Assim, os professores poderiam dar azo àsua criatividade e serem co-aprendizes na sala de aula. Haveria, portanto, uma partilhade informação entre professor e alunos. Partilho da opinião do autor quando menciona que a verdadeira aprendizagemsurge das tentativas falhadas. Se dermos aos alunos as ferramentas necessárias, elesterão a autonomia para comandar o seu próprio desenvolvimento intelectual, mesmo queisso signifique errar e tentar de novo. Para Papert, a grande ferramenta que poderá proporcionar esta mudança dementalidade na educação é o computador, já que é, ao mesmo tempo, uma ferramentaque traz conhecimento e divertimento às crianças. Concordo, em parte, com esta ideia, mas acrescento que é necessárioproporcionar outras ferramentas que facultem aos alunos outro tipo de experiência. Porexemplo, no estudo da geometria poderíamos utilizar a linguagem Logo para abordar otema, incentivando os alunos a desenvolverem um determinado projecto. E porque nãoincluir nesse projecto uma saída ao exterior da sala e olhar para a geometria na natureza,observando, por exemplo, as plantas? Podemos conciliar o uso das novas tecnologias com as ferramentas que já temos. Penso que o grande desafio nesta ideia de Papert não é implementar oscomputadores na sala de aula, pois isso já acontece nos nossos dias. O grande desafio émudar a mentalidade dos intervenientes de todo o processo educativo, desde oministério, passando pelas direcções das escolas e professores, até chegar aos alunos.Por isso, Papert fala numa reconstrução total da Escola. Mudar mentalidades nunca é fácil, mas a persistência é uma arma poderosa doslutadores. Felizmente, no mundo da educação temos muitos lutadores que tudo farãopara tornar a arte de aprender numa exploração permanente. 13
  14. 14. Referências BibliográficasPAPERT, Seymour (1993). A Máquina das Crianças: Repensando a Escola na Era daInformática. Porto Alegre: Artmed EditoraSítios da Internet:  SANTACHÈ, André ,TEIXEIRA, César (s.d.). Integrando Instrucionismo e Construcionismo em Aplicações Educacionais através do Casa Mágica. Consultado a (2010-05-28) em: http://www.nuppead.unifacs.br/artigos/IntegrandoInstrucionismo.pdf  CYSNEIROS, Paulo Gileno (1999). Resenha Crítica. Consultado a (2010-05- 29) em: http://www.google.pt/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=1&ved=0CBcQFjAA &url=http%3A%2F%2Fwww.sbc.org.br%2Fbibliotecadigital%2Fdownload.php %3Fpaper%3D896&ei=CnwFTLj-Nozb-QbL3vikCg&usg=AFQjCNGV- 4K2bJVqppL3-bRT7MFQz7pFEw&sig2=xm7djTBHhnad4wUkc7i8nA   14

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