Módulo 17: A colonização da América

14.612 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação

Módulo 17: A colonização da América

  1. 1. Módulo 17: A colonização da América portuguesa 13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  2. 2. Conteúdo analítico <ul><li>expansão ultramarina portuguesa, fundamental para o entendimento do processo de colonização do Brasil. </li></ul><ul><li>O capítulo 1 faz a análise das populações indígenas da América portuguesa quando os europeus chegaram às terras brasileiras. Além disso, apresenta a visão europeia a respeito desses povos e de suas culturas. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  3. 3. <ul><li>O capítulo 2 aborda a chegada dos portugueses ao Brasil no contexto de sua expansão marítima. Entre os temas desenvolvidos estão a exploração do pau-brasil, a atuação dos indígenas e o interesse de outros países pela exploração desse bem natural. Já a atuação dos jesuítas e a questão religiosa são analisadas considerando o processo geral de ocupação e colonização empreendido pela Igreja católica, bem como pela Coroa, nobreza e burguesia lusitanas. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  4. 4. <ul><li>As capitanias hereditárias, tema do capítulo 3 , são estudadas, entre outros aspectos, como unidades político-administrativas que sofreram, na costa brasileira, a ação predatória de outros países. Nesse capítulo entende-se também por que a maioria das capitanias pereceu, o que as levou ao fim. O estudo das primeiras estruturas administrativas e políticas centralizadoras, ou seja, os governos-gerais e as câmaras municipais, vai mostrar que o fracasso delas é resultado do fracasso desse sistema “descentralizado”. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  5. 5. <ul><li>O capítulo 4 trata da economia colonial, baseada no mercantilismo; da produção e dos engenhos de açúcar; do trabalho escravo, que permitiu o desenvolvimento da empresa açucareira colonial; de outras atividades econômicas na colônia, como o algodão e o tabaco; da pecuária; e, por fim, das drogas do sertão. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  6. 6. EXPANSÃO ULTRAMARINA Antecedentes <ul><li>Expansão comercial (séc. XII e XIII) </li></ul><ul><li>- Início da formação da burguesia </li></ul><ul><li>Crise do século XIV </li></ul><ul><li>- Desestruturação dos mercados </li></ul><ul><li>consumidores </li></ul>
  7. 7. SÉCULO XIV = PROBLEMAS MERCANTIS <ul><li>Limitação do mercado consumidor. </li></ul><ul><li>Esgotamento das minas de metais </li></ul><ul><li>preciosos. </li></ul><ul><li>Monopólio italiano no MEDITERRÂNEO. </li></ul>VENEZA SÉC. XIV
  8. 8. Capítulo 1 Os povos indígenas do Brasil 13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  9. 9. Capítulo 2 Navegar era preciso <ul><li>Com o poder real centralizado e fortalecido por grupos mercantis, Portugal e Espanha saíram à frente na conquista colonial. Graças ao desenvolvimento da arte náutica e da cartografia e às condições políticas e socioeconômicas favoráveis, ambos financiaram e empreenderam as grandes navegações nos séculos XV e XVI, marco de um novo rumo para a história de muitos povos. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  10. 10. <ul><li>O Tratado de Tordesilhas foi assinado em 1494, antes, portanto, da data oficial de chegada dos europeus à América portuguesa. Esse tratado resultou da insistência do governo português em dividir as terras brasileiras. Mediado pelo papa, favoreceu os espanhóis, que conseguiram ampliar os domínios inicialmente previstos para Portugal. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  11. 11. <ul><li>Em “Sob a égide do espírito missionário”, destaca-se o objetivo do trabalho missionário – “salvar as almas” –, mediante o qual se pretendia a conversão dos índios à cultura europeia e à religião católica. Os padres da Companhia de Jesus – os jesuítas – chegaram ao Brasil em 1549 na comitiva do primeiro governador-geral e dedicaram-se a duas tarefas principais: pregar a fé católica e organizar o sistema educacional. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  12. 12. <ul><li>Em meio aos muitos costumes e línguas dos diferentes povos indígenas, coube ao padre José de Anchieta perceber uma raiz comum aos diversos idiomas falados no Brasil. A essa raiz comum ele chamou tupi, da qual elaborou a primeira gramática. Ao lado do português, o tupi foi falado por muito tempo como língua geral da colônia. Em 1759, no entanto, com a expulsão dos jesuítas, o tupi foi proibido e o português passou a ser o idioma oficial do Brasil. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  13. 13. Colonização Portuguesa na América A Colonização do Brasil foi um processo de povoamento, exploração e dominação do território, já que a Corte Portuguesa acreditava na hipótese de ter o território brasileiro invadido e tomado caso não fosse ocupado. Até 1530, como vimos, o território teve menor interesse do governo, ficando exposto a comerciantes europeus de pau-brasil, expedições exploradoras e degredados que se tornaram conhecedores da cultura indígena.
  14. 14. O interesse inicial era restrito devido a ausência de metais preciosos na região e a maior importância econômica das especiarias orientais. O Brasil virou uma espécie de ponto de parada das caravelas e expedições que iam rumo ao Oriente. Apesar disto, o extrativismo do pau-brasil (especiaria também encontrada na Índia e de importância econômica devido à madeira e à tintura) dava algum lucro aos aventureiros portugueses que por se especializarem neste comércio ficaram conhecidos como brasileiros. O trabalho era feito por [índios através do sistema conhecido como escambo, onde a troca da extração era feita por objetos importantes para os indígenas como espelhos e metais. 
  15. 15. Na primeira carta escrita sobre o Brasil, de Pero Vaz de caminha, ficam claros os interesses econômicos, políticos e religiosos em relação ao Brasil. Caminha afirma não haver ouro nas terras encontradas, maior preocupação mercantil. Além disto, declara ser esta a terra de Portugal, ampliando o Império colonial Português e disserta sobre a população aqui encontrada. Os indígenas eram gentios, dóceis, apesar de exóticos, destinados a catequese católica.
  16. 16. A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA - Sobre os interesses econômicos e catequéticos: “ Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!” (...)
  17. 17. “ E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente, não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, do que entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nós mesmos; por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados e convertidos ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar; porque já então terão mais conhecimentos de nossa fé, pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram.” (...) “ Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé! E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe.
  18. 18. <ul><li>No ano de 1530, Dom João III, rei de Portugal, enviou Martim Afonso de Souza ao Brasil para explorar seu território em busca de minerais e ainda fazer demarcações estratégicas. Com total autonomia dada pelo rei, Martim Afonso designava autoridades e distribuía terras para aqueles que se comprometiam a realizar a missão determinada pelo rei. Assim, iniciava-se a colonização. No litoral paulista foram firmados os primeiros povoados do país, onde as primeiras plantações de cana-de-açúcar foram formadas, além dos primeiros engenhos. Motivos para o início da colonização: </li></ul><ul><li>Tentativa de ocupação de outros países europeus – ameaças estrangeiras sobretudo a partir do interesse de franceses na extração do pau-brasil. </li></ul><ul><li>Possibilidade de achar metais, já que a Espanha já explorava a mineração em áreas americanas. </li></ul><ul><li>Declínio do comércio de especiarias do oriente – menor lucratividade e altos gastos. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>PERÍODO PRÉ-COLONIAL </li></ul><ul><li>CARACTERÍSTICAS </li></ul><ul><li>- Expedições de reconhecimento e defesa </li></ul><ul><li>- Exploração do pau-brasil: </li></ul><ul><li>> monopólio real </li></ul><ul><li>> mão de obra indígena (escambo) </li></ul><ul><li>> instalação de feitorias </li></ul>Colonização Portuguesa
  20. 21. <ul><li>Portugal deu início a colonização do Brasil, entre outro motivos, porque: </li></ul><ul><li>● precisa proteger a colônia das investidas de países estrangeiros </li></ul><ul><li>● o pais estava passando por uma crise econômica devido à decadência do comércio com o oriente. </li></ul><ul><li>● havia esperança em se encontrar metais preciosos no Brasil </li></ul><ul><li>A primeira expedição colonizadora ocorreu em 1530, sob a chefia de Martim Afonso de Souza, que veio para o Brasil com as seguintes atribuições: </li></ul><ul><li>● expulsar piratas das costas brasileiras </li></ul><ul><li>● organizar expedições em busca de ouro </li></ul><ul><li>● iniciar o povoamento da colônia </li></ul><ul><li>● criar organizações administrativas </li></ul>O início da colonização
  21. 22. Capítulo 3 As capitanias hereditárias e o governo-geral <ul><li>Graças às chuvas periódicas e ao solo adequado ao cultivo da cana-de-açúcar, os grandes centros açucareiros instalados na colônia prosperaram na costa das capitanias de Pernambuco e São Vicente. A proximidade dos portos também facilitava o escoamento do produto para os mercados europeus, condições indispensáveis à prosperidade dessas capitanias. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  22. 23. <ul><li>Na capitania de São Vicente, a produção de cana foi obra de Martim Afonso de Sousa, iniciada em 1532 com a fundação do primeiro engenho da Coroa, São Jorge dos Erasmos. Suas ruínas ainda podem ser vistas em Santos, no litoral paulista. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  23. 24. <ul><li>● Sistema através do qual o território foi dividido em faixas invendáveis e doadas a homens de confiança do rei, denominados donatários, cujas principais funções eram: </li></ul><ul><li>. Administrar as terras e protegê-las </li></ul><ul><li>. Exercer a justiça e cobrar impostos </li></ul><ul><li>. Fundar vilas </li></ul><ul><li>. Incentivar a produção de artigos lucrativos </li></ul><ul><li>. Distribuir grandes lotes de terras chamados “sesmarias”, a outros portugueses que quisessem vir para o Brasil. </li></ul><ul><li>● Das capitanias criadas, duas prosperaram. As demais fracassaram, principalmente pelas seguintes razões: </li></ul><ul><li>. Falta de recursos </li></ul><ul><li>. Falta de interesse dos donatários </li></ul><ul><li>. Grandes distâncias entre as capitanias </li></ul><ul><li>. Distância entre a colônia e a metrópole </li></ul>As Capitanias Hereditárias
  24. 26. <ul><li>Diante, porém, do fracasso do sistema das capitanias hereditárias, a Coroa portuguesa criou o governo-geral. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  25. 27. <ul><li>- OBJETIVOS: </li></ul><ul><li>Acompanhar, avaliar e auxiliar o desempenho das capitanias; </li></ul><ul><li>Estimular o desenvolvimento da prioridade econômica: CANA-DE-AÇÚCAR; </li></ul><ul><li>Apoiar o reconhecimento e a exploração do interior do território; </li></ul><ul><li>Promover o povoamento, fundando vilas; </li></ul><ul><li>Controlar a relação com os índios; </li></ul><ul><li>Defender as terras contra estrangeiros. </li></ul><ul><li>- Foram criadas as câmaras municipais e Salvador capital da colônia. </li></ul>O GOVERNO GERAL
  26. 28. Capítulo 4 A América portuguesa e o antigo sistema colonial <ul><li>Portugal fez duas célebres escolhas voltadas para o território brasileiro: o plantio de cana-de-açúcar e a mão-de-obra escrava africana. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  27. 29. <ul><li>As verdadeiras razões pelas quais a mão-de-obra indígena escravizada foi sendo substituída pela africana, bem como as vantajosas relações comerciais de Portugal na costa da África. De fato, não houve tempo para que os indígenas se adaptassem ao trabalho nas lavouras e nas moendas, uma vez que a ganância pelo lucro obrigou Portugal a voltar-se para a exploração do trabalho escravo africano. </li></ul>13/02/11 Professor Jerry Adriano V. Chacon - 3ª série do EM - Colégio Monsenhor Alexandre
  28. 31. AÇÚCAR: A RIQUEZA DO BRASIL <ul><li>A produção de açúcar se tornou uma das prioridades do governo português. </li></ul><ul><li>O nordeste se torna o maior centro produtor do Império Porutuguês. </li></ul><ul><li>Surge a figura do senhor de engenho. </li></ul><ul><li>O engenho: grande propriedade, monocultura, escravista (plantation). </li></ul>
  29. 33. <ul><li>- União Ibérica (1580-1640): período em que Portugal foi anexado pela Espanha. </li></ul><ul><li>- A Espanha proibiu qualquer participação holandesa nos negócios envolvendo a comercialização do açúcar produzido no Brasil. </li></ul><ul><li>- A Holanda, prejudicada com a proibição, invadiu o Nordeste brasileiro (Pernambuco), em 1630, permanecendo na região até 1654. </li></ul>A União Ibérica
  30. 35. SOCIEDADE DO AÇÚCAR <ul><li>Pouca mobilidade social </li></ul><ul><li>Patriarcal </li></ul><ul><li>Relações sociais baseadas em laços de lealdade (compradinho). </li></ul><ul><li>Durante o período colonial brasileiro, a mão-de-obra predominante foi a dos escravos. </li></ul><ul><li>O alto lucro gerado pelo tráfico de escravos africanos motivou a substituição do escravo indígena pelo africano. </li></ul>
  31. 37. O período minerador <ul><li>Os bandeirantes paulistas descobriram ouro no final do século XVII, na região hoje localizada nos Estados de Minas e Goiás. </li></ul><ul><li>A Guerra dos Emboadas: conflito entre paulistas e “emboabas”. Resultou na retirada dos paulistas e na criação da Capitanias das Minas. </li></ul>
  32. 38. A administração aurífera: <ul><ul><li>Intendência das Minas (1702) – órgão criado por Portugal para administrar a região das minas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Divisão em lotes (DATAS); </li></ul></ul><ul><ul><li>Cobrança de impostos: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Quinto (20%). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Casas de Fundição (1720). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Capitação (1735 – imposto sobre escravos) </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>100 arroubas anuais (1500kg/ano). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Derrama (cobrança de impostos atrasados). </li></ul></ul></ul>
  33. 39. Mudanças do Brasil a partir da descoberta de ouro <ul><ul><li>Aumento populacional. </li></ul></ul><ul><ul><li>Aumento do mercado interno. </li></ul></ul><ul><ul><li>Integração econômica </li></ul></ul><ul><ul><li>Integração do sul (gado). </li></ul></ul><ul><ul><li>Deslocamento do eixo econômico (NE – SE). </li></ul></ul><ul><ul><li>Mudança da capital (RJ – 1763). </li></ul></ul><ul><ul><li>Interiorização. </li></ul></ul><ul><ul><li>Urbanização (Vila Rica, Mariana, Sabará, Diamantina...). </li></ul></ul><ul><ul><li>Surgimento de classe média urbana. </li></ul></ul><ul><ul><li>Mobilidade social relativa. </li></ul></ul>
  34. 40. A exploração de diamantes e o Barroco <ul><li>O distrito Diamantino: </li></ul><ul><ul><li>Maior controle de POR. </li></ul></ul><ul><ul><li>Até 1740 cobrava-se o Quinto. </li></ul></ul><ul><ul><li>A partir de 1740: concessão de contrato. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Contratador. </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>A partir de 1771: monopólio de POR. </li></ul></ul><ul><li>A arte na época do ouro: </li></ul><ul><ul><li>Estilo barroco. </li></ul></ul><ul><ul><li>Obras de caráter religioso. </li></ul></ul><ul><ul><li>Antônio Francisco Lisboa – O Aleijadinho (maior representante). </li></ul></ul>
  35. 41. <ul><li>Administração colonial: </li></ul><ul><li>Sistema de capitanias hereditárias – servia ao interesse de proteção e exploração do território sem maiores gastos por parte do governo, delegando tarefas a particulares através das cartas de doações e florais (direitos e deveres do capitão donatário que deveria dar lucro ao governo, através de impostos do comércio dos bens produzidos na colônia em até 5 anos). </li></ul>
  36. 42. Entre os anos de 1534 e 1536, o rei de Portugal D. João III resolveu dividir a terra brasileira em faixas, que partiam do litoral até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Estas enormes faixas de terras, conhecidas como Capitanias Hereditárias, foram doadas para nobres e pessoas de confiança do rei. Estes que recebiam as terras, chamados de donatários, tinham a função de administrar, colonizar, proteger e desenvolver a região. Cabia também aos donatários combater os índios de tribos que tentavam resistir à ocupação do território. Em troca destes serviços, além das terras, os donatários recebiam algumas regalias, como a permissão de explorar as riquezas minerais e vegetais da região. 
  37. 43. <ul><li>As dificuldades de administração das capitanias eram inúmeras. A distância de Portugal, os ataques indígenas, a falta de recursos e de apoio do governo, além da extensão territorial dificultaram muito a implantação do sistema. Com exceção das capitanias de Pernambuco e São Vicente, todas acabaram fracassando. Desta forma, em 1549, o rei de Portugal criou um novo sistema administrativo para o Brasil: o Governo-Geral. Este seria mais centralizador, cabendo ao governador geral as funções antes atribuídas aos donatários. </li></ul>
  38. 44. <ul><li>O documento do Regimento estabelecia o governo geral e as normas jurídicas a vigorar na Colônia. Deixa-se claro que a ação do Governo-geral seria complementar às dos donatários: sem maior interferência na administração das capitanias, deveria criar maior ligação entre elas, bem como prestar-lhes o auxílio da Metrópole. </li></ul><ul><li>A centralização administrativa vem não só em auxílio as demandas dos donatários, mas para aumentar a fiscalização do pacto colonial, e evitar os contrabandos e sonegações constantes. </li></ul>
  39. 45. <ul><li>Os poderes centralizadores do governo geral não diminuíram por completo o poder regional da elite latifundiária do país. As Câmaras Municipais, formada pelos chamados “homens bons”, proprietários de terras e escravos, foram o exemplo mais significativo da manutenção do poder regional. Gozando de ampla autonomia, as Câmaras tinham como funções a administração municipal, a regulamentação das feiras e dos mercados, a execução de obras públicas como estradas e pontes, a limpeza e arborização, e a regulamentação dos ofícios e do comercio local. A renda utilizada para gerir os negócios públicos provinha do patrimônio municipal (em geral resultante do aluguel de prédios ou do arrendamento de pastos) e dos impostos arrecadados à população. </li></ul>
  40. 46. <ul><li>Economia Colonial </li></ul><ul><li>O Brasil se caracterizava como uma colônia de exploração, assegurada pelo pacto colonial, comércio exclusivo entre colônia e metrópole, e o sistema produtivo à base de Plantation. A plantation tem como pilares de caracterização a produção agrícola monocultora, feita em latifúndios (a grande propriedade da terra) e com mão-de-obra escrava. Essa produção em larga-escala é voltada para a exportação monopolizada pela metrópole. Optou-se prioritariamente pela cana-de-açúcar, dado o conhecimento dos portugueses que já exploravam essa especiaria tropical nas ilhas das Antilhas, bem como sua raridade e lucratividade no mercado europeu. </li></ul>
  41. 47. <ul><li>A mão-de-obra utilizada pela lucratividade foi a escrava. A questão da escravidão é um capítulo a parte. A escravização da mão-de-obra indígena foi feita em larga escala no Brasil, apesar dos esforços das missões jesuíticas para a catequese dos índios a partir de 1550. A partir do século XVII, começaram a surgir, principalmente por pressões da Igreja, uma legislação de proteção do indígena contra a escravidão e venda dessas populações. Por outro lado, a legislação deixava uma série de brechas como o caso das guerras justas . </li></ul>
  42. 48. <ul><li>Chamava-se guerra justa toda aquela feita contra tribos indígenas que não aceitassem a imposição da catequese, o que era bem comum. A partir daí, dava-se a justeza da guerra e essa tribo poderia ser escravizada. Acrescenta-se ainda o incentivo de portugueses às rivalidades tribais. A cultura de tribos guerreiras existentes no Brasil foi apropriada pelos portugueses num esforço claro de criar prisioneiros que poderiam ser escravizados. </li></ul>
  43. 49. <ul><li>As representações de banquetes canibais pintadas por Theodore De Bry nos mostra o espanto do olhar europeu sobre o indígena americano. Para os colonizadores era preciso reprimir e escravizar essas populações de hábitos tão diferentes e “aterrorizantes”. A América era como uma bela e perigosa mulher que tinha que ser vencida e domesticada para ser melhor explorada. Para os jesuítas a missão era preciso domesticar para depois inserir o selvagem ao corpo cristão. </li></ul>
  44. 50. <ul><li>A resistência indígena à escravidão era comum. As guerras de resistência aumentavam as taxas de mortalidade que já eram altas pelas doenças e suicídios. Na gravura, vemos um ataque de indígenas a uma povoação de colonos. </li></ul>
  45. 51. <ul><li>O fato é que a densidade demográfica indígena foi se escasseando. As guerras contra o colonizador e inter-tribais, as doenças européias que não encontravam anticorpos nos corpos indígenas, abortos e suicídios coletivos marcavam a violência do massacre das populações indígenas. A proteção jesuítica, ainda que questionada pelas práticas de “descimentos”, missões jesuíticas que alugavam o trabalho indígena, bem como o extrativismo vegetal no norte do país, as chamadas drogas do sertão extraída pela exploração da mão-de-obra indígena em troca da catequese, foi um fator que dificultava a escravidão indígena. </li></ul>
  46. 52. <ul><li>Mais lucrativo já era o tráfico de negros na África. Traficantes lucravam com a venda de negros para os reinos escravistas sub-saarianos. Novas rotas de comércio de negros são feitas para abastecer o mercado da mão-de-obra no Brasil. A chamada diáspora negra abastecia um lucrativo mercado e levava mão-de-obra gratuita ás Américas, Europa e Ásia. </li></ul>
  47. 53. <ul><li>“ O modelo colonial português se caracterizou pelo escravismo colonial que resultou da combinação entre economia açucareira, tráfico negreiro e exclusivismo metropolitano. Não se deve esquecer que a escravidão era uma instituição forte em Portugal, e era considerada justa, pois trazia os infiéis para o seio da Igreja.” (Francisco Carlos T. da Silva, Conquista e colonização da América Portuguesa) </li></ul>
  48. 55. <ul><li>O comércio de escravos era lucrativo em si e feito mesmo antes da necessidade de mão-de-obra no Brasil. Traficantes de várias partes da Europa compravam negros na África em troca de produtos como tabaco e Aguardente.Reis e tribos africanas passaram a fazer parte dos lucros do comércio. A maior parte dos negros traficados eram homens em idade produtiva, o que gerava um problema ainda maior para as tribos africanas. </li></ul>
  49. 56. <ul><li>A resistência negra no Brasil também era grande e diversificada. Além das fugas e da formação de vários quilombos (comunidade de negros fugidos das senzalas), não podemos esquecer da resistência cultural através de hábitos como a culinária e a manutenção da religiosidade africana. Claro que com muitas apropriações e misturas, o negro brasileiro vai deixando de ser africano e criando uma forma de ser e sobreviver na colônia. </li></ul>
  50. 57. <ul><li> Na foto é claro um processo de absorção ou apropriação dos hábitos culturais dos proprietários. Um escravo de ganho podia ter meios para vestir calças bem-postas, paletó de veludo, portar anel, relógio de algibeira e chapéu-coco. Mas tinha de andar descalço, sinal do seu estatuto de escravo. (Foto de Christiano Jr, c. 1860) </li></ul>
  51. 58. <ul><li>Discussões historiográficas sobre a questão do latifúndio, da monocultura e do pacto colonial </li></ul><ul><li>A nova historiografia vem criando recentemente novas abordagens sobre o período colonial que, se não contesta por completo essas estruturas, deixa claro que a realidade colonial era bem mais dinâmica e diversa do que as estruturas. Apesar dos esforços metropolitanos para a manutenção do pacto colonial, devemos compreender que havia um amplo comércio intercolonial, principalmente o que traficava escravos na África ou os produtos ingleses que chegavam no Brasil. </li></ul>
  52. 59. <ul><li>A divisão de terras através da estrutura latifundiária favorecida pela doação das capitanias hereditárias, bem como as chamadas seismarias, ou seja, lotes que variavam de 6 a 24 Km doados pelos capitães donatários para a formação principalmente de engenhos, também sofre abalos. Enquanto os latifúndios povoam o litoral brasileiro, a possibilidade de formação das chamadas brechas camponesas não é descartada. Tal produção cumpria a função de minimizar os custos de manutenção e de reprodução de trabalho para o dono do escravo, ao mesmo tempo em que permitia ao cativo comprar suplementos à sua necessidade ou gosto, como bebidas, roupas, sapatos, jóias, tabaco e até mesmo sua alforria ou a de seus familiares. </li></ul>
  53. 60. <ul><li>Sociedade Patriarcal </li></ul><ul><li>A família era tudo, nada menos. Seguindo a tradição da época em que os portugueses se instalaram no Brasil, a família não se compunha apenas de marido, mulher e filhos. Era um verdadeiro clã, incluindo a esposa, eventuais (e disfarçadas) concubinas, filhos, parentes, padrinhos, afilhados, amigos, dependentes e ex-escravos. Uma imensa legião de agregados submetidos à autoridade indiscutível que emanava da temida e venerada figura do patriarca. Temida, porque possuía o direito de controlar a vida e as propriedades de sua mulher e filhos; venerada, porque o patriarca encarnava, no coração e na mente de seus comandados, todas as virtudes e qualidades possíveis a um ser humano. </li></ul>
  54. 61. <ul><li>&quot;Era o patriarca de um grupo de famílias. (...) Era o Pai, o Sogro, o Avô; mas, antes de tudo, o Amigo e o Conselheiro. Jamais alguém ousou desrespeitá-lo, no lar ou fora dele. (...) Encamava a sabedoria e ninguém dele se aproximava sem que, de imediato, se sentisse envolvido pela confiança que irradiava de sua marcante personalidade&quot;. (Aroldo de Azevedo, referindo-se ao fazendeiro Ignácio Cochrane.) </li></ul><ul><li>E quem era esse patriarca orgulhoso, a quem se submetiam tudo e todos? Era o grande senhor rural, proprietário de terras incomensuráveis, onde se plantavam as bases da economia brasileira: café, cacau, cana-de-açúcar e outras grandes lavouras. Era ele que desde os tempos coloniais e imperiais presidia a única ordem perfeita e íntegra da sociedade brasileira: a organização familiar. </li></ul>
  55. 64. <ul><li>O homem branco é o senhor, dono, proprietário dos cinco outros homens negros e mulatos. Os outros se encontram atrás. O primeiro à esquerda do senhor é mulato, está bem vestido. Ao contrário dos outros, deixou o cabelo meio liso crescer, penteou-o, fez uma risca no lado esquerdo, como o seu senhor. Mas não pode usar sapatos, privilégio e marca distintiva dos livres e libertos. Tirar fotografia era uma operação demorada. Ninguém podia se mexer durante quase dois minutos. Outras tentativa já podiam ter falhado. O fotógrafo Militão, que fez essa foto em São Paulo, deve ter reclamado. Por isso ou por outras razões mais secretas, o senhor está zangado, de cara amarrada. O escravo situado à sua direita, assustado, encolheu-se. Na extrema esquerda, o homem com a varinha na mão - pastor de cabras ou de vaca leiteira na cidade - tem um olhar altivo, talvez porque traga nas mãos o objeto de seu ofício, que o distingue dos outros cativos, paus para toda obra. Na extrema direita, o homem de branco se mexeu: estragou a foto da ordem escravista programada pelo seu senhor. Vai apanhar. No seu rosto fora de foco vislumbra-se o medo. Vai apanhar. </li></ul><ul><li>(Luis Felipe de Alencastro. História da Vida Privada no Brasil, vol. 2, p. 18-19 ) </li></ul>
  56. 65. A fotografia feita no Recife por volta de 1860. Na época era preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto. Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas estavam meio sonolentas, menos agitadas. O menino veio com a sua mucama, enfeitada com a roupa chique, o colar e o broche emprestado pelos pais dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela, podiam estar a mãe, o pai e outros parentes do menino. Talvez por sugestão do fotógrafo, talvez porque tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino inclinou-se e apoiou-se na ama. Segurou a com as duas mãozinhas. Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor.
  57. 66. <ul><li>Fora no vulto da ama, ao lado do berço ou colado a ele nas horas diurnas e noturnas da amamentação, que os seus olhos de bebê haviam se fixado e começado a enxergar o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era coisa sua, por amor e por direito de propriedade. O olhar do menino voa no devaneio da inocência e das coisas postas em seu devido lugar. Ela, ao contrário, não se moveu. Presa à imagem que os senhores queriam fixar, aos gestos codificados de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do menino, está fechada no centro da foto, na altura do ventre, de onde nascera outra criança, da idade daquela. </li></ul>
  58. 67. <ul><li>Manteve o corpo ereto, e do lado esquerdo, onde não se fazia sentir o peso do menino, seu colo, seu pescoço, seu braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram à composição da foto a presença incontida de seu corpo, de sua nudez, de seu ser sozinho, da sua liberdade. </li></ul><ul><li>O mistério dessa foto feita há 130 anos chega até nós. A imagem de uma união paradoxal mas admitida. Uma união fundada no amor presente e na violência pregressa. A violência que fendeu a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está sendo invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil acabe nessa foto. </li></ul><ul><li>(Luis Felipe de Alencastro História da Vida Privada no Brasil, vol. 2, p. 439-440) </li></ul>
  59. 68. <ul><li>Claro que a sociedade colonial brasileira não era feita somente da família patriarcal dos grandes proprietários de terras e de seus escravos. A sociedade estava além de somente a casa-grande e a senzala. Quanto maior era o desenvolvimento da região, maior comércio interno e formação de vilarejos, maior também eram os chamados setores médios da sociedade. Ou seja, os que não eram proprietários, mas também não eram escravos. </li></ul>
  60. 69. <ul><li>A existência de homens livres, ex-escravos que conseguiam ter uma pequena ou média propriedade de terra e produzir uma série de artigos agrícolas como milho, farinha para o abastecimento do mercado interno. O comércio interno, sobretudo em capitanias como a de São Vicente, também se destacava. Fortunas se criaram com o comércio e havia ainda a dinamização da hierarquia social, a medida que grupos sociais médios não escravos e não detentores de escravos surgiam. </li></ul>
  61. 70. <ul><li>Novos grupos sociais surgiam, principalmente em cidades e vilas. Setores médios, comerciantes, vendedores ambulantes, trabalhadores de grosso trato, escravos de ganho e uma infinidade de profissões ganhavam forma na sociedade brasileira, contrariando a historiografia tradicional, que acreditava num Brasil branco (de proprietários) e preto (de escravos). </li></ul>
  62. 71. Escravidão não é tudo a mesma coisa

×