Educar o educador

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Educar o educador
Texto de JOSÉ MANUEL MORAN

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Educar o educador

  1. 1. Educar o educador José Manuel Moran Especialista em mudanças na educação presencial e a distância Texto inspirado no capítulo primeiro do livro: MORAN, José Manuel,MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e MediaçãoPedagógica. 16ª ed. Campinas: Papirus, 2009, p.12-17Aprender a ensinarUm dos eixos das mudanças na educação passa pela transformaçãoda educação em um processo de comunicação autêntica e abertaentre professores e alunos, principalmente, incluindo tambémadministradores, funcionários e a comunidade, principalmente ospais. Só vale a pena ser educador dentro de um contextocomunicacional participativo, interativo, vivencial. Só aprendemosprofundamente dentro deste contexto. Não vale a pena ensinardentro de estruturas autoritárias e ensinar de forma autoritária. Podeaté ser mais eficiente a curto prazo - os alunos aprendemrapidamente determinados conteúdos programáticos - mas nãoaprendem a ser pessoas, a ser cidadãos.Com ou sem tecnologias avançadas podemos vivenciar processosparticipativos de compartilhamento de ensinar e aprender (poderdistribuído) através da comunicação mais aberta, confiante, demotivação constante, de integração de todas as possibilidades daaula-pesquisa/aula-comunicação, num processo dinâmico e amplo deinformação inovadora, reelaborada pessoalmente e em grupo, deintegração do objeto de estudo em todas as dimensões pessoais:cognitivas, emotivas, sociais, éticas e utilizando todas as habilidadesdisponíveis do professor e do aluno.Cada um de nós professores/pais colabora com um pequeno espaço,uma pedra, na construção dinâmica do "mosaico" sensorial-intelectual-emocional de cada aluno. Ele vai organizandocontinuamente seu quadro referencial de valores, idéias, atitudes, apartir de alguns eixos fundamentais comuns como a liberdade, acooperação, a integração pessoal.Só podemos educar para a autonomia, para a liberdade comautonomia e liberdade. Uma das tarefas mais urgentes é educar oeducador/pai para uma nova relação no processo de ensinar eaprender, mais aberta, participativa, respeitosa do ritmo da cadaaluno, das habilidades específicas de cada um.É importante termos educadores/pais com um amadurecimentointelectual, emocional e comunicacional que facilite todo o processode organizar a aprendizagem. Pessoas abertas, sensíveis, humanas,que valorizem mais a busca que o resultado pronto, o estímulo que a
  2. 2. repreensão, o apoio que a crítica, capazes de estabelecer formasdemocráticas de pesquisa e de comunicação.Aprender a ensinarSó podemos ensinar até onde conseguimos aprender. E se temostantas dificuldades em ensinar, entre outras coisas, é porqueaprendemos pouco até agora. Se admitíssemos nossa ignorânciaquase total sobre tudo - tanto docentes como alunos - estaríamosmais abertos para o novo, para aprender. Mas ao pensar quesabemos muito, limitamos nosso foco, repetimos fórmulas,avançamos devagar.Sabemos muito, mas não sabemos o principal. Temos conhecimentospontuais, mas nos falta o referencial maior, o que dá sentido aonosso viver. Por que e para que aprendemos? Quando só temosobjetivos utilitaristas - como conseguir um diploma, um emprego,ganhar dinheiro - isso concentra nossos esforços, mas estreita nossoraio de visão, de percepção.Temos visões parciais, que se constroem com dificuldade e estãoinseridas numa dinâmica informativa volátil. Se aceitamos issoprofundamente e com confiança, poderemos começar a procurar commenos ansiedade, a intercambiar nossas pequenas descobertas, aestarmos mais atentos a tudo, a não acreditar em verdadesdogmáticas, simplistas. Perceberemos que a realidade é muito maiscomplexa do que as explicações científicas e que, ao mesmo tempo,iremos apoiando-nos na ciência para avançar a partir dela sem cairem explicações sem consistência.Ensinar não é só falar, mas comunicar-se com credibilidade. É falarde algo que conhecemos intelectual e vivencialmente e que, pelainteração autêntica, contribua para que os outros e nós mesmosavancemos no grau de compreensão do que existe.Ensinaremos melhor se mantivermos uma atitude inquieta, humilde econfiante com a vida, com os outros e conosco, tentando sempreaprender, comunicar e praticar o que percebemos até onde nos forpossível em cada momento. Isso nos dará muita credibilidade, umadas condições fundamentais para que o ensino aconteça. Seinspirarmos credibilidade, poderemos ensinar de forma mais fácil eabrangente. A credibilidade depende de continuar mantendo a atitudehonesta e autêntica de investigação e de comunicação, algo nãomuito fácil numa sociedade ansiosa por novidades e onde há formasde comunicação dominadas pelo marketing, mais do que pelaautenticidade.Só pessoas livres - ou em processo de libertação - podem educarpara a liberdade, podem educar livremente. Só pessoas livresmerecem o diploma de educadoras. Necessitamos de muitas pessoas
  3. 3. livres na educação que modifiquem as estruturas arcaicas,autoritárias do ensino. Só pessoas autônomas, livres podemtransformar a sociedade.

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