movimentos de vanguarda

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movimentos de vanguarda

  1. 1. VANGUARDAS EUROPEIAS E suas heranças no Brasil
  2. 2. UM AGITADO INÍCIO DE SÉCULO NA EUROPA  No início do séc. XX, a Europa se encontrava em intensa turbulência.  Conflitos políticos entre países vizinhos deram início a desencadeamentos locais que acabaram provocando, em 1914, 1º guerra mundial.  Ao lado da instabilidade política, as pessoas tinham também de construir um novo olhar para a vida, agora transformada pelo impacto das descobertas tecnológicas que começavam a causar espanto.
  3. 3.  Considerando a era da eletricidade, o século viu surgir o telefone, o telégrafo sem fio, o aparelho de raios X, o cinema, o automóvel, o avião, invenções que ampliaram o domínio humano sobre o espaço e o tempo.  A ciência descobriu mundos invisíveis com o auxílio do microscópio: vírus, bactérias, seres minúsculos passaram a ser identificados como inimigos muitas vezes mortais.
  4. 4.  A teoria da relatividade abalou certezas centenárias e provocou uma verdadeira revolução na física.  Quando Ainstein afirmou a relatividade do tempo e da distância, transformou o modo como as pessoas percebiam a realidade e avaliavam o universo.  Nada mais era definitivo, nada era certo.
  5. 5.  Outro grande abalo para a sociedade europeia foi o surgimento da psicanálise.  Quando Freud identificou o inconsciente humano, revelou o impacto dessa força desconhecida sobre as noções tradicionais de identidade, personalidade, responsabilidade e consciência. Mais uma vez as certezas ruíram.
  6. 6.  Os primeiros anos do séc. XX foram o cemitério no qual seriam enterradas as convicções do passado e o berço no qual nasceria um civilização marcada pela incerteza e pela relatividade.
  7. 7. Vanguardas: ventos de inquietação e de mudança  Na três primeiras décadas do séc. XX, diferentes movimentos artísticos, denominados vanguardas, surgiram para estabelecer novas referências para a pintura, a literatura, a música e a escultura.  O novo século precisava criar as próprias referências estéticas.  Nascem os vários “ismos”: CUBISMO, FUTURISMO, EXPRESSIONISMO, DADAÍSMO E SURREALISMO.
  8. 8.  Praticamente todas as vanguardas lançaram manifestos que divulgavam as propostas das novas formas de expressão artística e definiam estratégias formais para alcançá- las.
  9. 9. O Projeto Artístico  Cada uma das vanguardas apresenta um projeto próprio, mas todas têm uma intenção em comum: romper radicalmente com os princípios que orientavam a produção artística do século XIX.  Podemos resumir o projeto artístico das vanguardas como um movimento ousado que quer libertar a arte da necessidade de representar a realidade de modo figurativo e linear.  Toda a produção artística de vanguarda terá um caráter de ruptura, de choque e de abertura.
  10. 10. Os agentes do discurso  Nos últimos anos do séc. XIX, Paris é a capital cultural da Europa e pulsa com a agitação característica da Belle Époque.  A agitação cultural de Paris é imensa e é nesse contexto que as vanguardas são elaboradas.  Surgem então os manifestos como meio de dar maior visibilidade às propostas das diferentes vanguardas. O contexto de circulação dos manifestos é o jornal.
  11. 11.  Ao lado dos manifestos, pinturas e esculturas começam a ser expostas em salões e galerias de arte, provocando grande impacto no público da época.
  12. 12. As Vanguardas e o público  O espírito agressivo das vanguardas, anunciado no manifesto do futurismo, é confirmado pela reação, de modo geral, horrorizada do público à apresentação da primeira obra cubista: o quadro “As senhoras de avignon” de Pablo Picasso, que mostra cinco prostitutas nuas, com o rosto e o corpo deformados.
  13. 13. CUBISMO  O quadro revela de um modo revolucionário de representar a realidade, rompendo com os conceitos tradicionais de harmonia, proporção, beleza e perspectiva. Com essa obra nasce a pintura cubista, e o seu criador, Pablo Picasso, será o grande mestre do Cubismo, que marcou a arte do séc. XX. Além dele, também se destacarão Georges Braque e Juan Gris.
  14. 14. Geoges Braque Juan Gris
  15. 15.  É na poesia que a literatura cubista ganha forma. Explorando a associação entre ilogismo, simultaneidade, instantaneísmo e humor, os poetas cubistas buscam criar novas perspectivas e afirmar a necessidade de manter as coisas permanente relação. hípica Saltos records Cavalos da penha Correm jóqueis de Higienópolis Os magnatas As meninas E a orquestra toca Chá Na sala de cocktails (Oswald de Andrade)
  16. 16.  A composição do poema é claramente cubista.  Para retratar o ambiente de uma corrida de cavalos na hípica, o eu-lírico promove uma “sobreposição” de imagens que deslocam o olhar do leitor da pista, onde estão cavalos e jóqueis, para o público entretido pela orquestra.  O resultado é uma imagem multifacetada, composta de fragmentos de diferentes planos da realidade.
  17. 17. FUTURISMO  EM 1909, A Europa é surpreendida pelo surgimento de uma nova vanguarda: o Futurismo.  Com propostas mais organizadas que o Cubismo, o Futurismo é divulgado através de um manifesto assinado pelo seu líder, Filippo Tommaso Marinetti.
  18. 18.  Marinetti lança mais de 30 manifestos definindo os aspectos da nova vanguarda.  Em todos, mesma proposta violenta de destruição total do passado; o mesmo fascínio pela guerra que promove a aniquilação dos símbolos do passado; a mesma exaltação pelas formas do mundo moderno: automóveis, aviões, em um eterno culto à velocidade que Marinetti, fascinado pelas novas tecnologias, vê como força mística.
  19. 19.  Os futuristas exaltam “bofetada e o soco” como meio de despertar o público da passividade em que se encontra.  Por que o desejo de destruição, o fascínio pela guerra, o amor à violência?
  20. 20.  A exaltação da violência pode ser interpretada como um desejo de levar a humanidade a um ponto sem retorno.  A violência que destrói as certezas e os modelos obriga o leitor a reagir.  O processo de recepção da nova arte passa a ser, assim, mais dinâmico e interativo.  Marinetti recomenda que os textos futuristas destruam a sintaxe, recomenda abolir a pontuação, os adjetivos e os advérbios.  O objetivo é sempre o mesmo: impedir que a literatura continue a exaltar a imobilidade pensativa.
  21. 21.  O lado sombrio do Futurismo surge, na Itália, com a chegada de Mussolini ao poder.  O fascínio de Marinetti pela violência e pela guerra, aliado a um patriotismo exacerbado, faz com que transforme o movimento em uma espécie de porta-voz do regime fascista, a partir de 1919.
  22. 22. EXPRESSIONISMO  Alemanha 1910: o expressionismo surge como uma nova vanguarda toma forma, apresentando-se como reação à estética impressionista de valorização sensorial.  A base do expressionismo é o resultado de um processo criativo que supõe a perda do controle consciente durante a produção da obra de arte.
  23. 23.  A realidade não deve mais ser percebida em planos distintos (físico, psíquico, etc.), mas sim transformada em expressão.  O movimento expressionista é bastante influenciado pela 1º Guerra Mundial, e seus quadros ressaltam um lado obscuro da humanidade, retratando faces marcadas pela angústia e pelo medo.  A mais conhecida tela expressionista é “O grito”, de Edvard Munch.
  24. 24.  Na tela “O grito”, as linhas retorcidas e as cores fortes contribuem para criar um clima de aflição e angústia que parecem ecoar no grito que dá nome à obra.  Em seu diário, Munch escreve sobre o entardecer de Nordstrand, cidade da Noruega, que inspirou o quadro:  “Eu estava a passear cá fora com dois amigos e o sol começava a pôr-se – de repente o céu ficou vermelho, cor de sangue – Eu parei, sentia- me exausto e apoiei-me a uma cerca – havia sangue e línguas de fogo por cima do fiorde azul-escuro e da cidade – os meus amigos continuaram a andar e eu ali fiquei, de pé, a tremer – e senti um grito infindável atravessar a natureza”.
  25. 25.  Os poetas expressionistas aborda, em suas obras, a derrocada do mundo burguês e capitalista, denunciando um universo em crise e a sensação de impotência do homem preso em um mundo “sem alma”.  Há nos textos expressionistas um forte caráter negativista, fazendo com que muitas vezes a representação do mundo se faça de forma grotesca e deformada.
  26. 26.  A literatura expressionista cria também imagens distorcidas da realidade para traduzir as vivências humanas.  Uma passagem do romance Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade, flagra o impacto da Floresta da Tijuca em Fräulein Elza. Contemplando o espetáculo magnífico da natureza brasileira, a alemã é tomada por sensações e impressões que alteram o modo como vê montanhas e árvores.
  27. 27. A luz delirava, apressada a um vago aviso da tarde. Era tal e tanta que embaçava de ouro a amplidão. Se via tudo de longe num halo que divinizava e afastava as coisas mais. Lassitude. No quiriri tecido de ruidinhos abafados, a cidade se movia pesada, lerda. O mar parava azul. [...] Fräulein botara os braços cruzados no parapeito de pedra, fincara o mento aí, nas carnes rijas. E se perdia. Os olhos dela pouco a pouco se fecharam, cega duma vez. A razão pouco a pouco escampou. Desapareceu por fim, escorraçada pela vida excessiva dos sentidos. Das partes profundas do ser lhe viam apelos vagos e decretos fracionados. Se misturavam animalidades e invenções geniais. [...] Adquirira enfim uma alma vegetal. ANDRADE, Mário de. Amar, verbo intransitivo. 18. ed. Belo Horizonte: Vila Rica, 1992. p. 120. (Fragmento)
  28. 28. DADAÍSMO  Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, o romeno Tristan Tzara espanta o mundo com mais uma vanguarda: o Dadaísmo ou Dadá, a mais radical e a menos compreensível de todas as vanguardas.  O Dadá vem para abolir de vez a lógica, a organização, o olhar racional, dando à arte um caráter de espontaneidade total.
  29. 29.  A falta de sentido já é anunciada no nome escolhido para a vanguarda. Dizia Tzara que dada, palavra que encontrou casualmente num dicionário, pode significar: rabo de vaca santa, mãe; certamente; ama- de-leite. Mas acabou afirmando, no movimento dadaísta: DADÁ NÃO SIGNIFICA NADA.
  30. 30.  O principal problema de todas as manifestações artísticas está, segundo os dadaístas, em almejar algo impossível: explicar o ser humano. Em mais uma afirmação retumbante, Tzara decreta: “A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta.”  A falta de lógica e a espontaneidade alcançam na literatura sua expressão máxima.  Em seu último manifesto, Tzara diz que o grande segredo da poesia é que “o pensamento se faz na boca”. para orientar melhor seus seguidores, cria uma receita para fazer um poema dadaísta.
  31. 31. Receita de poema dadaísta Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
  32. 32.  Embora muitas das propostas dadaístas pareçam infantis aos olhos contemporâneos, é preciso levar em consideração o momento em que surgiram. Em uma Europa caótica e em guerra, insistir na falta de lógica e na gratuidade dos acontecimentos talvez não fosse um absurdo, mas o espelho crítico de uma realidade incômoda.
  33. 33. SURREALISMO  O Surrealismo foi, cronologicamente, o último movimento da vanguarda europeia do início do século XX. Note como André Breton (1896 – 1966), autor do primeiro manifesto surrealista, definiu o movimento:  Surrealismo, s.m. Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento.
  34. 34. A persistência da memória (1931), de Salvador Dalí.
  35. 35.  “O Surrealismo não é um estilo. É o grito da mente que se volta para si mesma.” Assim o ator e escritor Antonin Artaud definiu essa vanguarda.  Fortemente ligado às artes visuais, o Surrealismo é uma vanguarda interessada em adquirir um maior conhecimento do ser humano.
  36. 36.  Seus seguidores pretendem, por meio da valorização da fantasia, do sonho, do interesse pela loucura, liberar o inconsciente humano, terreno fértil e ainda muito pouco explorado.  O fascínio pelo inconsciente e por todas as formas que vão além da realidade objetiva aproxima os surrealistas da teoria psicanalítica de Sigmund Freud.
  37. 37. As bases da Psicanálise: o modelo freudiano  Freud propôs um modelo explicativo para a estrutura de nosso “sistema” psíquico. O comportamento humano é visto, nessa teoria, como o resultado da interação entre três partes: id, ego e superego.  O id seria o lado mais agressivo e animalesco, dominado pelos desejos de natureza sexual e livre das imposições culturais e sociais. O id leva a buscar sempre o prazer.  O ego, domínio da percepção, do pensamento e do controle motor, é o encarregado de encontrar formas de alcançar a realização do desejo contido no id.  O superego funciona como o censor do id. É nele que ficam guardadas as proibições, as regras socialmente impostas ao indivíduo.
  38. 38.  Os surrealistas veem a teoria de Freud como sinal de que há muito a ser descoberto sobre o ser humano. Eles acreditam que a razão não é o melhor instrumento para essas descobertas, porque ela ignora nosso universo inconsciente. Por isso, as manifestações artísticas que produzem são um desafio evidente à organização racional do mundo.
  39. 39.  O grande nome da literatura surrealista é André Breton. Em 1924, ele publica em Paris o Manifesto do Surrealismo, em que define o espírito e os objetivos da nova vanguarda.  Na literatura, a liberação do inconsciente deve ser alcançada com o auxílio da escrita automática. No Manifesto, André Breton ensina como usar o automatismo para fazer emergir o inconsciente.
  40. 40. [...] Mandem trazer algo com que escrever, depois de se haverem estabelecido em um lugar tão favorável quanto possível à concentração do espírito sobre si mesmo. Ponham-se no estado mais passivo, ou receptivo que puderem. Façam abstração de seus gênios, de seus talentos e dos de todos os outros. Digam a si mesmos que a literatura é um dos: mais tristes caminhos que levam a tudo. Escrevam depressa, sem um assunto preconcebido, bastante depressa para não conterem e não serem tentados a reler. A primeira frase virá sozinha, tanto é verdade que a cada segundo é uma frase estrangeira ou estranha a nosso pensamento consciente que só pede para se exteriorizar.[...] BRE TON, André.
  41. 41.  O resultado desse processo é sempre um texto em que as relações lógicas não servem de apoio para o leitor, porque as imagens criadas não encontram equivalente no mundo conhecido. Privado das bases racionais de análise, não resta ao leitor outra saída a não ser entregar-se ao universo de sonho proposto pelo texto.
  42. 42. No Brasil, o Surrealismo lança suas raízes na obra do modernista Murilo Mendes, que procura, em vários poemas, construir imagens que trazem à tona o misterioso inconsciente. Aproximação do terror I Dos braços do poeta Pende a ópera do mundo (Tempo, cirurgião do mundo): O abismo bate palmas, A noite aponta o revólver. Ouço a multidão, o coro do universo, O trote das estrelas Já nos subúrbios da caneta: As rosas perderam a fala. Entrega-se a morte a domicílio. Dos braços… Pende a ópera do mundo.
  43. 43.  A sucessão de imagens apresentadas no poema não permite que o leitor componha um quadro único, racional, em que possa perceber as relações lógicas entre as sequências.  a atmosfera criada lembra o espaço do sonho, em que acontecimentos totalmente não relacionados se apresentam encadeados, como se fossem uma sequência lógica.
  44. 44. A HERANÇA BRASILEIRA DAS VANGUARDAS  A principal herança das vanguardas europeias para a literatura brasileira, além da influencia localizada que algumas delas exerceram sobre certos poetas e escritores, é o impulso de destruir os modelos arcaicos, desafiar o gosto estabelecido e propor um olhar inovador para o mundo.  Ruptura e transformação: dois termos que definem bem o espírito da primeira geração modernista.
  45. 45.  Com suas propostas agressivas, iconoclastas, desafiadoras, as vanguardas libertaram a arte dos modelos que, durante séculos, dominaram o olhar dos artistas para a realidade. Em resumo, criaram uma nova arte para um novo mundo e uma nova humanidade.
  46. 46. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: ABAURRE, Maria Luiza. Vanguardas culturais europeias. In: Português: contexto, interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2008. (volume 1). (p. 30-43).

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