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DEISE CRISTINA BEUREN PLETSCH            DENISE CAREN OZÓRIO LEONEL                  MARIELLE SANINI             NÁBILA FE...
DEISE CRISTINA BEUREN PLETSCH                     DENISE CAREN OZÓRIO LEONEL                           MARIELLE SANINI    ...
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, poissem Ele, nada seria possível, e nossos sonhos nãoseriam concretizados.À ...
Deleita-te também no SENHOR, e Ele teconcederá os desejos do teu coração.Entrega o teu caminho, confia nEle, e Ele ofará. ...
RESUMOOs esteroides androgênicos anabólicos (EAA) são substâncias quimicamentesemelhantes à testosterona e que teriam a pr...
ABSTRACTThe anabolic androgenic steroids (AAS) are chemically similar to testosterone andwould have the property to increa...
LISTA DE FIGURASFigura 1-    Estrutura da molécula de colesterol, precursora dos diversos             hormônios esteroides...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASC-17 – Carbono na Posição Dezessete Da Molécula De Colesterol;C-3 – Carbono na Posição Três ...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO.......................................................................................................  ...
11                                   INTRODUÇÃO      Muitas pessoas se preocupam apenas com a beleza externa e com o forma...
12a prática de atividades físicas, a finalidade do uso e o conhecimento dos riscos eefeitos dessas substâncias.      Este ...
131 ESTEROIDES ANABOLIZANTES1.1 O surgimento dos esteroides      Segundo Campbell (2001), com o avanço da tecnologia e a f...
14mostram-se como drogas exclusivas que hoje são consumidas de forma abusivacom o intuito de modificar a forma do corpo, m...
15                         médico russo Serge Voronoff realizou transplantes de testículos de                         maca...
16acabaram    se   infiltrando   ilegalmente   nos esportes,   tanto amadores    comoprofissionais, e hoje influenciam até...
17      A crença no corpo (corpolatria) é contraditória, já que associa a construção dasaúde ao consumo de substâncias quí...
18      Segundo Machado et al (2011) o uso destas drogas também está relacionadodiretamente à construção do ritual da pess...
19mesmo tempo em que reivindica saúde, incentiva a busca por mudanças corporais,veiculando imagem dos últimos padrões esté...
20informações de um órgão para outro. Eles servem como reguladores, pois integram váriasfunções do corpo para criar um equ...
21Figura 1 - Estrutura da molécula de colesterol, precursora dos diversos hormôniosesteroides do organismo humano.        ...
221.5 Mecanismo de atuação dos hormônios esteroides      Segundo Silva e Lima (2007), a testosterona, bem como os outros E...
232 USOS TERAPÊUTICOS      Os EAA têm sido utilizados desde a década de 50, e podem ser utilizadospara os seguintes diagnó...
243 PROBLEMAS COM ANABOLIZANTES E SUA RELAÇÃO COM SUPLEMENTOS3.1   Efeitos Adversos      Atualmente os anabolizantes têm c...
25o uso excessivo dessas substâncias, os usuários conseguem praticar as atividadesfísicas com mais intensidade, deixando a...
26         O paciente passa a se ver magro, disforme, pequeno e fraco, mesmo sendomuito grande e forte. Tal visão faz com ...
27musculação e outras atividades físicas, mantém esse mercado em plenocrescimento.      Ainda que os efeitos adversos de s...
28C. farmacológicos: substâncias com ação farmacológica sobre o sistema nervosocentral (SNC). A cafeína está neste grupo p...
29presença ou não de pró-hormônios (principalmente testosterona e nandrolona) emsuplementos alimentares vendidos a atletas...
305 SAÚDE X APARÊNCIA5.1 Corpo malhado, corpo saudável?         A grande procura da sociedade moderna por um corpo perfeit...
31         Segundo Le Breton (2006), o corpo é a representação das pessoas, como umsímbolo que envolve imagens e sentidos,...
32      A analogia entre atividade física e saúde é justificada por algumas evidênciasde que condições apropriadas de apti...
33      O termo “ficar forte” é um item muito importante no grupo em que os adeptosa musculação querem fazer parte, visto ...
34consigo mesmo. Se existe algum tipo de insatisfação, esta se refletirá naautoimagem. A primeira manifestação da perda da...
35em relação aos homens é um novo quadro que é denominado vigorexia ou dismorfiamuscular (MELIN et al 2002).      Pope et ...
366 MATERIAIS E MÉTODOS      Esse estudo foi realizado no período de 01 a 31 de agosto de 2011 em umapopulação do gênero m...
377 RESULTADOS E DISCUSSÃO      Com a pesquisa foi possível perceber que o maior número (38%) depraticantes de academia en...
38      De acordo com os resultados da figura 6, um impressionante número de 43%, fezou faz uso destas substâncias, que a ...
39      Estes dados estão de acordo com Bragrichevisky (2004), ao expor que amídia, ao mesmo tempo em que reivindica saúde...
40humanos em menores dosagens, o que não deixa de acarretar efeitos adversosseveros a longo prazo (SANTOS, 2006).      Na ...
41       Dos entrevistados que afirmaram já ter utilizado anabolizantes, um númerosignificativo (31%) afirma ter evidencia...
42      Mais uma vez, percebe-se que a falta de informação não é o único motivo doascendente consumo de EAA, mas a negligê...
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44      O Clembuterol citado, é um composto beta-adrenérgico ativo, que possuirápida eliminação, é um fármaco utilizado pa...
45               Figura 15 – Pretende usar anabolizantes? (n=34)             Fonte: Elaboração própria.      Um possível m...
46      8 CONSIDERAÇÕES FINAIS      A revisão bibliográfica trouxe informações grandiosas e fundamentais, porémos resultad...
47                                   REFERÊNCIASALTIMARI, L. R. Efeitos ergogênicos da cafeína sobre o desempenho físico.R...
48CHUNG, B. Muscle dysmorphia:            a   critical   review   of   the   proposedcriteria. Perspect Biology Med, 2001....
49LE BRETON, D. A Sociologia do Corpo. Tradução de Sonia M.S Fuhrmann.Petrópolis: Vozes, 2006.MACHADO, P. F.L. et al. A Ma...
O uso de esteroides anabolizantes por praticantes de academias
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  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS DEISE CRISTINA BEUREN PLETSCH DENISE CAREN OZÓRIO LEONEL MARIELLE SANINI NÁBILA FERNANDA DA SILVAO USO DE ESTEROIDES ANABOLIZANTES POR PRATICANTES DE ACADEMIA EM FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS 2011
  2. 2. DEISE CRISTINA BEUREN PLETSCH DENISE CAREN OZÓRIO LEONEL MARIELLE SANINI NÁBILA FERNANDA DA SILVAO USO DE ESTEROIDES ANABOLIZANTES POR PRATICANTES DE ACADEMIA EM FERNANDÓPOLIS Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientador: Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS 2011
  3. 3. DEISE CRISTINA BEUREN PLETSCH DENISE CAREN OZÓRIO LEONEL MARIELLE SANINI NÁBILA FERNANDA DA SILVAO USO DE ESTEROIDES ANABOLIZANTES POR PRATICANTES DE ACADEMIA EM FERNANDÓPOLIS Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: 21 de novembro de 2011. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. MSc. Giovanni Carlos deOliveiraProfa. Esp. Rosana MatsumiKagesawa MottaProf. MSc. Roney Eduardo Zaparoli Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, poissem Ele, nada seria possível, e nossos sonhos nãoseriam concretizados.À nossa família e amigos, que sempre nos deramapoio, e estiveram presentes acreditando em nossopotencial, sempre incentivando na busca de novasrealizações e descobertas.
  5. 5. Deleita-te também no SENHOR, e Ele teconcederá os desejos do teu coração.Entrega o teu caminho, confia nEle, e Ele ofará. Salmos 37:4-5
  6. 6. RESUMOOs esteroides androgênicos anabólicos (EAA) são substâncias quimicamentesemelhantes à testosterona e que teriam a propriedade de aumentar a força e amassa muscular. Apesar do uso terapêutico, os EAA estão associados a uma sériede efeitos nocivos, e não obstante, são alvos de abuso pelos competidores e maisrecentemente difundido em ambientes de prática de exercícios físicos, em geral. Oobjetivo deste foi avaliar a incidência de EAA, bem como o perfil dos praticantes deatividade física de três academias da cidade de Fernandópolis. Utilizou-se comoinstrumento de coleta de dados, um questionário composto por 25 questões deobjetivas. O grupo de estudo foi constituído por 60 frequentadores de taisacademias. Os dados foram tratados em termos de percentuais. Constatou-se que43% dos entrevistados utilizam ou já utilizaram algum tipo de EAA. O consumo maiordestes produtos ocorreu em jovens com idade de 21 a 25 anos (38%) e nívelsuperior de escolaridade (60%), sendo todos do sexo masculino. Os EAA maisutilizados foram o Durateston® (25%), o Winstrol® (25%) e o Deca-durabolin®(17%). Destaca-se que 38% fazem uso com finalidade estética e 38%, ganho deforça. Dentre os consumidores de EAA, 31% relataram ter evidenciado efeitosadversos como: aumento da libido (23%); aparecimento de acne (17%);dependência (13%); pressão alta (13%); agressividade/alteração do humor (10%);atrofia dos testículos (7%); náuseas e vômitos (7%) e outros (10%). A pesquisamostrou que existe uma significativa utilização de EAA pelos frequentadores dasacademias investigadas na cidade de Fernandópolis. Com base nos dados obtidos,recomenda-se a realização de uma maior fiscalização por parte dos órgãosresponsáveis pela proteção do consumidor, e ressalta-se a necessidade de açõespreventivas e educativas junto à população, como uma forma de proteção para osfrequentadores de academias.PALAVRAS-CHAVE: Esteroides androgênicos anabólicos. Jovens. Academias.Incidência. Estética.
  7. 7. ABSTRACTThe anabolic androgenic steroids (AAS) are chemically similar to testosterone andwould have the property to increase strength and muscle mass. Despite therapy, theAAS are associated with a big number of adverse effects, and yet, are targets ofabuse by competitors, and more recently in an environment of widespread physicalexercise in general. The purpose of this was to evaluate the incidence of AAS andthe profile of practitioners to physical activities in three academies of gym in the cityof Fernandópolis - SP. It was used as an instrument for data collection, aquestionnaire composed of 25 multiple choice questions. The study group consistedof 60 attendees in such academie of gym. The data were treated in terms ofpercentages. It was found that 43% use or have used some type of AAS. Theincreased consumption of these products occurred in youth aged 21 to 25 years(38%) and higher education level. All male. AAS were the most commonly usedDurateston® (25%), Winstrol ® (25%) and Deca-Durabolin ® (17%). It is noteworthythe 38% use with an esthetic purpose and 38% to strength gain. Among consumersof AAS 31% reported having shown adverse effects such as increased libido (23%),appearance of acne (17%), dependence (13%), high blood pressure (13%),aggressiveness / mood changes (10 %), testicular atrophy (7%), nausea andvomiting (7%) and others (10%). Research has shown that there is a significant useof AAS by gym goers in the city of Fernandópolis-SP. Based on the data obtained, itis recommended to carry out further inspection by the supervisory bodies,responsible for the protection of consumer, and emphasize the need for preventivemeasures and education among the population as a form of protection forbodybuilders in gym academies.Keywords: Anabolic androgenic steroids. Young people. Academies. Incidence.Aesthetic.
  8. 8. LISTA DE FIGURASFigura 1- Estrutura da molécula de colesterol, precursora dos diversos hormônios esteroides do organismo humano........................... 21Figura 2- Síntese de esteroides a partir do colesterol..................................... 21Figura 3- Mecanismos de atuação dos hormônios esteroides que levam à alteração na síntese de proteínas.................................................... 22Figura 4- Idade dos pesquisados.................................................................... 37Figura 5- Grau de escolaridade dos entrevistados.......................................... 37Figura 6- Utilização de anabolizantes............................................................. 38Figura 7- Finalidade do uso............................................................................. 38Figura 8- Anabolizantes utilizados................................................................... 39Figura 9- Conhecimento dos efeitos indesejáveis dos anabolizantes............. 40Figura 10- Sintomas indesejáveis evidenciados durante o uso......................... 41Figura 11- Sintomas evidenciados.................................................................... 41Figura 12- Conhecimento dos entrevistados sobre a prevenção de efeitos adversos com o uso de outros produtos.......................................... 42Figura 13- Utilização de outras substâncias associadas à esteroides anabolizantes................................................................................... 43Figura 14- Substâncias associadas a anabolizantes......................................... 43Figura 15- Intenção de uso de anabolizantes................................................... 45
  9. 9. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASC-17 – Carbono na Posição Dezessete Da Molécula De Colesterol;C-3 – Carbono na Posição Três Na Molécula De Colesterol;CID-10 - Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados àSaúde (ou Classificação Internacional de Doenças);COI - Comitê Olímpico Internacional;DSM-IV – Diagnostic and Statistical Manual Disorders (Manual Diagnóstico eEstatístico de Transtornos Mentais 4º Edição);EAA- Esteroides Androgênicos Anabólicos;EUA- Estados Unidos da América;GH – Growth Hormone (hormônio do crescimento);HCG - Gonadotrofina Coriônica Humana;HDL – High Density Lipoprotein (Lipoproteína de alta densidade);HIV - Human Immunodeficiency Virus (vírus da imunodeficiência humana);LDL – Low Density Lipoprotein (Lipoproteína de baixa densidade);OMS- Organização Mundial de Saúde;RBGO- Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia;SIDA - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida;SNC – Sistema Nervoso Central;SP- São Paulo;TA – Transtorno Alimentar;TDC – Transtorno Dismórfico Corporal;THG - Tetrahidrogestinona;TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo.
  10. 10. SUMÁRIOINTRODUÇÃO....................................................................................................... 111 ESTEROIDES ANABOLIZANTES..................................................................... 13 131.1 O surgimento dos esteroides...........................................................................1.2 Ética e estética do esteroide............................................................................ 171.3 Drogas masculinizantes e individualismo........................................................ 191.4 Biossíntese dos hormônios esteroides............................................................ 19 1.5 Mecanismos de atuação dos hormonios esteroides....................................... 22 2 USOS TERAPÊUTICOS.................................................................................... 233 PROBLEMAS COM ANABOLIZANTES E SUA RELAÇÃO COM 24SUPLEMENTOS ...................................................................................................3.1 Efeitos adversos............................................................................................... 243.2 Suplementos alimentares................................................................................. 263.2.1 Suplementos ergogênicos............................................................................ 273.2.2 Suplementos termogênicos........................................................................... 28 4 CLASSIFICAÇÃO DOS ANABOLIZANTES..................................................... 29 5 SAÚDE X APARÊNCIA..................................................................................... 30 5.1 Corpo malhado, corpo saudável?................................................................... 30 5.2 Limites da vigorexia........................................................................................ 346 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................. 367 RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................... 378 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................... 46REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 47APÊNDICE ............................................................................................................. 51
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO Muitas pessoas se preocupam apenas com a beleza externa e com o formatodo corpo, esquecendo-se da saúde. Usam todos os artifícios para deixar o corpolindo, afinal é isto que a grande maioria das pessoas quer. Quando se tem um corpobem definido e com massa muscular, a pessoa é notada em qualquer lugar, o queaumenta a autoconfiança e autoestima. Existem pessoas que se sacrificam para ter um corpo bonito, com horas deacademia, dietas e regimes nutricionais. Já outros, realizam o sonho do corpoperfeito, fazendo uso de métodos nada saudáveis, como o uso esteroidesanabolizantes, que são prejudiciais à saúde, causando vários efeitos adversos comoalgumas características femininas nos homens e vice versa, levando a afinação davoz em homens e engrossamento da voz nas mulheres e muitas vezes atrapalhandoo desenvolvimento sexual. O uso abusivo de anabolizantes também pode causar aumento de pressãosanguínea, acne devido à estimulação das glândulas sebáceas, crescimentoexcessivo do coração, níveis elevados de colesterol ruim, arritmia cardíaca, cãibras,câncer, cansaço, comportamento agressivo, crescimento anormal dos cabelos,esterilidade irreversível, náuseas e vômitos frequêntes, insônia. Diante de todos estes efeitos, será que realmente vale à pena fazer tudo issopara ficar com o corpo lindo? Essa é mais uma das questões a serem abordadas notrabalho presente. Um grande problema é que a busca de corpos esculpidos à base de remédiose drogas está levando jovens de aparência saudável a um vício muitas vezes semvolta. Apesar de não haver estatísticas concretas, sabe-se que vem crescendo onúmero de consumidores da droga, principalmente em academias. E não sãoapenas os atletas em busca de mais força, velocidade, e resistência dos músculosos únicos a usá-las. O abuso desses medicamentos não é novidade, e um dosmaiores problemas, atualmente, é a adesão destas drogas em academiasconvencionais. O presente estudo tem por objetivo investigar a prevalência do uso desubstâncias químicas com a finalidade de modelagem corporal, em especial dosEsteroides Anabólicos Androgênicos (EAA), entre jovens praticantes de academiasna cidade de Fernandópolis, tendo como objetivos específicos, a relação destes com
  12. 12. 12a prática de atividades físicas, a finalidade do uso e o conhecimento dos riscos eefeitos dessas substâncias. Este trabalho foi dividido em cinco capítulos, sendo que o primeiro aborda aorigem dos esteroides anabolizantes, sua síntese em laboratório, modo de ação dosmesmos e o motivo principal de seu uso não médico, onde Transferreti (2002)coloca o corpo como um ídolo, visto que o ser humano passou a adorar e servir opróprio corpo, passando a ignorar o bom senso quanto ao uso indiscriminado de taisdrogas. Já o segundo capítulo comenta a respeito dos usos terapêuticos dos EAA quesegundo Baptista et al (2009) se dão desde a década de 50, afinal, os esteroidesanabolizantes utilizados em doses terapêuticas não são de um todo prejudiciais. No terceiro capítulo os efeitos adversos são evidenciados devido ao seu usonão médico, onde é possível observar o abuso de anabolizantes por indivíduossaudáveis. No mesmo capítulo é feito um breve comentário acerca do uso desuplementos com finalidade de obter massa muscular, o que segundo Altimari(2000) também podem ser considerados drogas terapêuticas. Ainda, Guimarães(2006) afirma que tais suplementos vendidos legalmente podem ter contaminações,e não conter os percentuais das substâncias listadas no rótulo. O quarto capítulo secciona os anabolizantes em classes, tais como,androgênicos, não-androgênicos, e derivados para uso veterinário, comentando omotivo da regulamentação destas substâncias pelos órgãos de vigilância e Ministérioda Saúde, que a princípio apenas deveriam ser utilizadas com finalidade terapêuticano caso de algumas doenças por deficiência ou queda hormonal (ARAUJO;ANDREOLO E SILVA, 2002). No último capítulo, faz-se uma comparação entre saúde e aparência, onde asaúde passa a ser considerada como um prêmio, visto que a prática de atividadesfísicas vem se tornado menos interessante devido ao uso de substâncias com umefeito bem mais rápido do que anos de exercícios a fio (TOSCANO, 2011). O quesegundo Chaves (2010) tem preocupado os médicos. Pope et al (2000) leva aconhecer a instalação de uma doença a Dismorfia Muscular ou vigorexia, que têmdeixado pessoas obsessivas por uma imagem musculosa no espelho.
  13. 13. 131 ESTEROIDES ANABOLIZANTES1.1 O surgimento dos esteroides Segundo Campbell (2001), com o avanço da tecnologia e a facilidade dastelecomunicações, espalhar um estereotipo tido como a imagem da perfeição docorpo, foi algo fácil que alcançou várias culturas. O que é visto como imperfeiçãofísica em indivíduos comuns começa a chocar-se com imagens de “corpos perfeitos”(musculosos, torneados, magros, sem celulites, bronzeados, sempre expressando atal perfeição) em filmes, televisão, computadores, revistas, a imagem de modelos,selecionados com rigor de detalhes, modificadas e aperfeiçoadas por técnicas decomputação gráfica e photoshop, induz à obsessão por este tipo de corpoprovocando uma autoilusão. Transferreti (2002) mostra que esta idolatria às imagens torna as culturasinvestidoras na construção física, o que leva milhares de pessoas a consumiremdiariamente vários tipos de produtos em prol de alguma modificação no corpo:medicamentos, filmes e revistas relacionadas, exercícios, dietas e suplementosalimentares, movimentando a grande e crescente Indústria da saúde. Como afirmaPasquali et al (2011) às fábricas de formas (academias) surgem como grandesindústrias na produção de corpos que sigam os padrões criados pela sociedade. Estes corpos esculturais são considerados como uma espécie de ídolo, já quea publicidade em torno dos mesmos contribui para a formação de tribos como umatentativa de descrever alguma divindade ou poder superior, já que o ser humanosempre teve a necessidade de corporificar tudo àquilo que serve, crê e adora(TRANSFERRETI, 2002). Já para Rocha (1995), a publicidade, aparece como um paradigma dandosentido a todo o processo de “purificação” do corpo, o ascetismo da produção físicavoltado para o consumo. Assim como um índio pode detectar um branco através deseu comportamento ou aparência, podemos, através disto, definir se alguém éfisiculturista ou “marombeiro”, ou se dedica regularmente a musculação eacademias. De acordo com Courtine (1995) como resultado do maior aprendizado epráticas sobre a saúde e a fisiologia humana, os esteroides anabolizantes sintéticos
  14. 14. 14mostram-se como drogas exclusivas que hoje são consumidas de forma abusivacom o intuito de modificar a forma do corpo, mudando a morfologia individual. Taissubstâncias surgiram de pesquisas farmacêuticas realizadas no final do século XIX eprimeira metade do século XX. Conforme Sabino (2004), em 1 de junho de 1889, Charles Edouard Brown-Séquard, um relevante médico e cientista francês, comunicou à Sociedade deBiologia de Paris que estava estudando uma terapia rejuvenescedora do corpo e damente. O cientista de 72 anos estava experimentando, em si mesmo, injeções delíquidos tirados dos testículos de cachorros e porcos da guiné. Tais injeções,segundo seu próprio relato, haviam aumentado sua força física e sua energiaintelectual, fazendo recrudescer suas constipações e aumentando o esguicho de suaurina. Com as experiências adquiridas, Brown-Séquard pode notar a importânciadestas substâncias liberadas por certas glândulas (neste caso, os testículos) e decomo estas substâncias atuavam como reguladores fisiológicos. Depois de tantosexperimentos Séquard, iniciou uma verdadeira corrida em busca de isolar oshormônios (nome dado a tais substâncias em 1905). Em 1896, dois químicos austríacos, Oskar Zoth e Fritz Pregl, perceberam queas injeções de extratos testiculares de touros produziam um significativo ganho deforça em seres humanos. Eles injetavam essas substâncias em si mesmos, emediam através de um instrumento denominado ergógrafo de Mosso, a força deseus dedos médios. A partir dos resultados os cientistas passaram a dar palestras,onde afirmavam que tais substâncias poderiam ser consumidas por atletas paramelhorar seu desempenho em competições e exercícios. Logo, os extratostesticulares mostraram-se como um tipo de elixir de força e juventude, então foramformadas equipes de pesquisa na Europa e nos EUA para descobrir sobre comoproduzí-los em laboratório (SABINO, 2004). Goldenberg apud Sabino (2002) relata que: Em 1913 o médico norte-americano Victor Lespinasse, de Chicago, transplantou um testículo humano para um paciente que havia perdido os seus e sofria de disfunção sexual. Quatro dias após a cirurgia, a capacidade sexual do paciente havia sido segundo o médico, recuperada. Tais experimentos tiveram continuidade e, em 1920, outro médico, Leo Stanley, residente da prisão de S. Quentin na Califórnia, passou a transplantar testículos de animais em presos com problemas de impotência, diabetes, asma, senilidade, paranoia, e grangrena, afirmando que tais operações causavam considerável melhora em seus pacientes. Também, durante a década de 1920, o
  15. 15. 15 médico russo Serge Voronoff realizou transplantes de testículos de macacos em seres humanos. De forma paralela a tais procedimentos, que logo caíram em desuso, outros pesquisadores procuravam isolar, de forma sintética, o hormônio testicular. Em 1911 A. Pezard descobriu que as características sexuais masculinas cresciam proporcionalmente à aplicação de substâncias testiculares em animais, percebendo os efeitos androgênicos – masculinizantes – de tais extratos. Hoberman (1995) conta que durante as duas próximas décadas, muitoscientistas procuraram melhorar os estudos sobre efeitos dos hormônios, visandoisolar o componente químico presente nos testículos de animais e urina humana. Sóem 1931, o cientista alemão Adolf Butenandt conseguiu isolar 15 miligramas dohormônio não testicular, que ele chamou de Androsterona, os 15 miligramas foramisolados a partir de 15.000 litros de urina, de homens que trabalhavam comopoliciais. A testosterona, o hormônio natural masculino, que é bem mais poderoso doque a Androsterona, só foi isolado em laboratório em 1935, pelos pesquisadoresKaroly Gyula David e Ernst Laqueur, financiados pela Organon Company daHolanda. No mesmo ano os pesquisadores Butenandt e Hanisch, financiados pelaSchering Corporation de Berlim, apresentaram os resultado de suas pesquisas sobrea produção de testosterona a partir do colesterol, também em 1935, LeopoldRuizicka e Alfred Wettstein, anunciaram sua descoberta sobre a preparação dohormônio testicular testosterona (Androsten-3one-17-ol) (HOBERMAN,1995). Hoberman (1995) afirma que depois dessas descobertas o mercado queutilizava a testosterona criada em laboratório, cresceu bastante, tanto na medicinacomo na estética, esse crescimento aumentou quando Charles Kochakian descobriuo potencial anabólico da testosterona, essa facilidade e rapidez do crescimentomuscular devido ao uso dessas substâncias atraíram fisiculturistas, atletasprofissionais e amadores de outras modalidades, nessa época, era possível ver suautilização até mesmo entre alunos de colegial e universidades americanas. No anode 1970 o Comitê Olímpico colocou em prática alguns testes para detectar o uso detais substâncias, por atletas, eliminando das competições aqueles que fossem pegoscomo sendo usuários destas drogas. Depois disso, muitos técnicos e atletas, temachado maneiras de burlar estes testes. Sabino (2004) demonstra o quão interessante foi a expansão do uso dessassubstâncias, que a princípio eram apenas direcionadas ao uso farmacológico, mas
  16. 16. 16acabaram se infiltrando ilegalmente nos esportes, tanto amadores comoprofissionais, e hoje influenciam até mesmo na estética, no dia-a-dia de pessoascomuns que desejam melhorar sua aparência. Com o passar do tempo o corpo tornou-se uma maquina produtora dedinheiro, inclusive para uma possível economia libidinal, que aumentou o consumode tudo que fosse relacionado à modificação do corpo (SAFATLE, 2007). Com isso,os anabolizantes apresentam-se como uma forma de alcançar um corpoconsiderado perfeito, ou simplesmente diferente, e que seriam utilizados para darmanutenção, no corpo, que agora com a autoidolatria, é considerado veículo deprazer e auto-expressão, produtor de uma sociedade individualista e racionalizante(SABINO, 2004). Knopp (2006) faz menção de um aspecto que pode facilmente ser percebidona propaganda de imagens, onde os rótulos de produtos, capas de revistas,protagonistas de outdoors, são atores, cantores, modelos e atrizes, pessoasproduzidas, que espelham os padrões de beleza que a sociedade colocou comosavoir vivre. Surge daí a necessidade de os indivíduos adotarem como objetivo aresponsabilidade de desenhar o seu próprio corpo, criando assim, seu passaportepara sistema. No sistema de economia que se expressa por meio de imagens, no casocorpos, pessoas comuns são incitadas a consumir e acabam se sujeitando a dietas,exercícios, medicamentos, clínicas de estética e academias, sendo considerada umaespécie de classe que visa conquistar respeito e admiração utilizando suaaparência. Hoje o corpo é visto como uma matéria prima, ou como algo imperfeitoque pode se tornar perfeito, praticamente imortal através da ciência e da tecnologia.E assim a mídia utilizando de uma perspectiva social, manipula indiretamente amente das pessoas, considerando vencedores aqueles que se encaixam no perfilpor elas estipulado (CABEDA, 2004). Meurer et al., (2008) enfatiza que a mídia sempre foi tendenciosa, e como osaber e a prática relacionados ao uso dos esteroides anabolizantes fazem parte doprocesso de culto ao corpo, já que são utilizados como instrumentos pelos seususuários, sempre em busca deste paraíso onde seus corpos e suas imagens sãointercambiáveis, como se fossem moedas. Isto acaba educando, moldando egovernando as pessoas, e assim, o corpo não pode deixar de ser relacionado compoder, colocando cada individuo no seu lugar no espectro social.
  17. 17. 17 A crença no corpo (corpolatria) é contraditória, já que associa a construção dasaúde ao consumo de substâncias químicas – fármacos. Buscando o inalcançável,pessoas ingerem cada vez mais produtos “mágicos” aprovados pela ciência paramelhorar sua aparência. Essa cultura de se automedicar da sociedade coloca ofármaco como fetiche, fórmula milagrosa, para muitos que não se enquadram nospadrões de beleza, isto é sinônimo de felicidade. Infelizmente esse mito de que afelicidade ou a saúde possam ser encontradas e compradas em consultórios,drogarias ou contrabandeadas em academias de fitness ressalta que a busca dafelicidade está na sua própria destruição (SABINO, 2002). 1.2 Ética e estética do esteroide Os fisiculturistas utilizam com regularidade fármacos, drogas masculinizantes,visto que são compostos geralmente constituídos por hormônios masculinossintéticos, virilizantes que provocam não só o aumento da massa muscular, mastambém a maior expressividade de características sexuais masculinas (aumento depêlos por todo o corpo, voz mais grave, etc.). O mesmo autor, sugere que é precisoentender que o uso destas substâncias está diretamente ligado à visão de mundo dogrupo mencionado, que tende a classificar indivíduos de acordo com a suaaparência (BAGRICHEVISKY, 2004). Sabino (2004) comenta: Estas substâncias hormonais são para uso em seres humanos, porém alguns praticantes utilizam hormônios fabricados para cavalos e para uso veterinário, em geral, como o Equifort e o Androgenol por acharem mais potentes que as substâncias direcionadas para humanos. Na primeira semana de agosto do ano de 2000 a imprensa brasileira noticiou a morte do estudante Jean Mendonça de Mesquita, de 23 anos, lutador de jiu-jitsu que participava de um campeonato no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro, devido ao uso de Potenay uma substância indicada para cavalos anêmicos. O atleta teve infarto quando se preparava para lutar. Esta substância (Potenay) não é anabolizante, mas indica a tendência, entre os marombeiros, de usar remédios para cavalos pensando alcançar maior eficácia. O Potenay é uma substância vitamínica injetável com alto teor de anfetamina podendo causar arritmia cardíaca. O consumo de produtos para cavalos e animais de grande porte tem aumentado entre os frequentadores assíduos das academias de musculação e fitness. Xampus, pomadas, vitaminas, esteroides anabolizantes e até mesmo rações têm sido consumidos por estas pessoas devido à representação social de força que tais substâncias portam.
  18. 18. 18 Segundo Machado et al (2011) o uso destas drogas também está relacionadodiretamente à construção do ritual da pessoa, além de sugerirem uma hiper-masculinização da estética em academias, o que mostra o consumo desta novaclasse de drogas, que não deixam de ser um problema de saúde pública. Comomostram pesquisas, além de drogas anabolizantes, os praticantes de musculação,também fazem o uso de suplementos, como por exemplo, a Creatina que é muitoutilizada. A faixa etária dos consumidores potenciais destes componentes químicosvaria entre 18 e 26 anos principalmente, e na maioria das vezes, fazem o uso comobjetivo de ganhar massa muscular. Substâncias que causam dependência, tolerância e/ou síndrome deabstinência, são consideradas tóxicos. E visto que qualquer substância que,introduzida no organismo, altere seu metabolismo, e sentidos é classificada comodroga. Pode se afirmar que os esteroides anabolizantes conduzem a dependênciapsicológica, tolerância e ainda alteram o metabolismo orgânico, são consideradosdrogas tóxicas (OMS, 2011). Sabino (2004) mostra o chocante relato de dois jovens: “Ah, cara, tenho 20 anos, se quando eu tiver trinta, trinta e dois, eu tiver doente, foda-se... isso é um risco. A vida é isso: temos que correr riscos, certo? Se quisermos conseguir as coisas... eu não vou é ficar feio, gordo, sem pegar ninguém, apanhando dos outros, sem conseguir emprego, sem ser respeitado agora, esperando chegar aos 30, 40 com saúde... e se eu não chegar lá, e se eu morrer de tiro na rua, com tanto assalto e briga que tem por aí... se eu for atropelado? Entendeu? Então eu uso bomba mesmo e que se dane o mundo!” (Pedro, 20 anos, Estudante). Ainda: “(...) de que adianta viver muito e ser um fracassado? Um infeliz que não pega mulher, não consegue ser respeitado, não consegue se olhar no espelho? É melhor viver pouco e feliz do que muito e desgraçado. Se o diabo aparecesse para mim e dissesse: „cara, vou te dar tudo que você quiser, mas vou deixar você viver só mais dez anos‟ eu ia topar na hora! (Mario, 27 anos, Personal Trainner). Bagrichevisky (2004) escreveu que os bodybuilders não nascem, sãoconstruídos. Isto não ocorre de uma hora para outra, diz. Esta construção demoraanos, e horas por dia, drogas e exercícios são as bases dessas edificaçõesmonstruosas. Com isso vêm as consequências, tais como, lesões por esforçorepetitivo, bursites, artrites, tendinites, hepatites medicamentosas, hipertensão, entreoutros efeitos adversos. Tais riscos representam barreiras a serem superadas,significam até aquisição de respeito no âmbito social das academias. A mídia, ao
  19. 19. 19mesmo tempo em que reivindica saúde, incentiva a busca por mudanças corporais,veiculando imagem dos últimos padrões estéticos. Essa imposição subliminar daforma física tem incentivado ao consumo de drogas e da automutilação devido aexercícios exagerados. Segundo O Globo (2003): O uso de esteroides (Dianabol) foi detectado de fato em 1956 nos jogos de Moscou. Desde então o uso de tais substâncias tem crescido entre os atletas, não apenas fazendo parte dos rituais de treinamento e competições, mas contribuindo para a formação de uma espécie de indústria de subversão de testes antidoping. Esta indústria, formada por técnicos, médicos, laboratórios, pesquisadores e nutricionistas, busca subverter os testes criando substâncias esteroides que não podem ser detectadas, a princípio, em exames de sangue e urina. O último caso, divulgado em outubro de 2003 na mídia, foi a da tetrahidrogestinona ou THG; essa nova molécula reúne os esteroides Gestrinona e Trembolona. Em seu núcleo, há quatro anéis de benzeno aos quais o metil e o hidroxil estão ligados. Grupos adicionais de metil ou etil – átomos de três carbonos e seis de hidrogrogênio foram somados para criar esse novo esteroide. Tal combinação possibilitou que o novo esteroide sintético não fosse detectado nos exames tradicionais antidoping. O uso da substância foi descoberto devido ao fato de um técnico, não identificado, ter feito a denúncia à Agência Americana Antidoping, de que atletas americanos e estrangeiros estavam utilizando uma substância que não era detectada. O técnico enviou uma seringa com resquícios da substância que foi analisada pelas autoridades, e detectou a nova droga. 1.3 Drogas Masculinizantes e Individualismo É interessante observar que em academias, o individuo é consideradoresponsável pelo seu corpo, inclusive pelos efeitos que podem o acompanhar, tudoisto é algo que costuma ser reconhecido ao se comparar seu corpo agora, ao seucorpo antes de começar a malhar. Tal visão individualista dá a pessoa, a capacidadede decidir qual será seu destino. O corpo aparece como objeto sobre o qual atua opoder da mídia (GOLDENBERG, 2006). 1.4 Biossíntese dos hormônios esteroides No organismo os hormônios são produzidos por várias glândulas de secreção dosistema endócrino. Juntamente com o sistema nervoso, os hormônios transportam
  20. 20. 20informações de um órgão para outro. Eles servem como reguladores, pois integram váriasfunções do corpo para criar um equilíbrio adequado. (SILVA; LIMA, 2007). Silva e Lima (2007) afirmam ainda, que quando preciso, os hormônios sãoexcretados para controle de uma reação particular em determinadas células. Sãoliberados, conduzidos pelo sangue até seu alvo, realizam sua tarefa, e são ligeiramenteinativados. Os esteroides hormonais podem ser classificados em: glicocorticosteroides,esteroides cujo papel primordial envolve o equilíbrio da glicose; mineralocorticoides, queexercem seu efeito na manutenção do equilíbrio mineral, como a retenção de sal; e osque exibem atividade estrogênica ou androgênica (MARQUES, 2003). De acordo com Oliveira et al., (2006), os principais hormônios esteroides são:aldosterona, cortisol, estradiol, progesterona e testosterona, sendo este último, o principalhormônio masculino, e o androgênio mais importante secretado pelos testículos. A testosterona é um esteroide de 19 carbonos sintetizado a partir do colesterol(SILVA; LIMA, 2007). É responsável pelo desenvolvimento das características sexuaisrelacionadas à masculinidade durante e após a puberdade (SANTOS et al., 2006). Eleeleva o crescimento dos músculos, fígado e rins estimulando a síntese proteica. Já osestrógenos, hormônios sexuais femininos, são esteroides de 18 carbonos que têm comobase o estradiol que é produzido nos ovários a partir da testosterona (SILVA; LIMA,2007). Todos os hormônios esteroides são derivados do colesterol, o mais importanteesterol (lipídio estrutural existentes em membranas de muitas das células eucarióticas),composto de 27 átomos de carbono; um grupo cabeça-polar (grupo hidroxila em C-3) eum corpo não-polar (o núcleo esteroide e uma cadeia lateral hidrocarbonada em C-17),como mostra a seguir:
  21. 21. 21Figura 1 - Estrutura da molécula de colesterol, precursora dos diversos hormôniosesteroides do organismo humano. Fonte: SILVA; LIMA, 2007. A síntese dos esteroides exige a retirada dos carbonos da cadeia alquila ligada noC-17 do anel D (SILVA; LIMA, 2007). Estruturalmente os esteroides se distinguem quanto ao número e a posição dosgrupos funcionais, ao grau de saturação e à extensão da cadeia alquila lateral ligada aocarbono 17, como mostra a figura abaixo: Figura 2 - Síntese de esteroides a partir do colesterol Fonte: ARAÚJO, 2003.
  22. 22. 221.5 Mecanismo de atuação dos hormônios esteroides Segundo Silva e Lima (2007), a testosterona, bem como os outros EAA, se ligamcom grande afinidade a um receptor específico situado nas células-alvo da musculaturaesquelética e em outros órgãos, formando um complexo esteroide-receptor, que incita omecanismo genético do núcleo celular a produzir ácido ribonucleico com mais rapidez.Este ácido faz com que os ribossomos da célula sintetizem mais proteínas, como porexemplo, a actina e a miosina, proteínas responsáveis pela contração muscular, quepodem originar mais força. Devido à alta lipofilicidade dos hormônios esteroides, eles não se solubilizamfacilmente em fluídos extracelulares, por isso, são transportados pela corrente sanguíneapor meio de proteínas carreadoras específicas, até penetrar nas células-alvo. Uma vez nonúcleo, se ligam a proteínas receptoras de alta especificidade, induzindo a alteraçõesgênicas e metabólicas. Essa grande afinidade dos hormônios com seus receptoresgarante que baixas concentrações sejam suficientes para uma boa responsividade(SILVA; LIMA, 2007). Nas células-alvo, esses hormônios atravessam facilmente a membranaplasmática por simples difusão, para se ligarem em suas proteínas receptorasespecíficas no núcleo. O esquema simplificado do mecanismo de atuação doshormônios esteroides pode ser observado na figura a seguir:Figura 3 - Mecanismo de atuação dos hormônios esteroides que levam à alteraçãona síntese de proteínas. Fonte: SILVA; LIMA, 2007.
  23. 23. 232 USOS TERAPÊUTICOS Os EAA têm sido utilizados desde a década de 50, e podem ser utilizadospara os seguintes diagnósticos que segundo Baptista et al (2009): Deficiências androgênicas como: hipogonadismo, puberdade e crescimento retardados, micropênis neonatal, deficiência androgênica parcial em homens idosos, deficiência androgênica secundária a doenças crônicas, na contracepção hormonal masculina e na deficiência endócrina testicular. Hipopituitarismo: (insuficiência global da hipófise anterior) administração de androgênios juntamente com somatotropina, tiroxina e um corticosteroide. Andropausa: tratamento com testosterona devido a uma diminuição da libido, da produção de sêmen, da espermatogênese, da atividade sexual e da massa muscular, a partir dos 50-60 anos, cujo principal sintoma é a impotência sexual. Osteoporose Pós-menopausa: para tratamento (de modo controlado), pois o balanço de azoto torna-se positivo, o que estimula a retenção de fósforo e cálcio e assim a formação de osso. Anemia: no tratamento de anemias refratárias, pois estimula a produção de eritropoietina e também em anemia por falência da medula óssea, mielofibrose, anemias associadas à insuficiência renal crônica e anemia aplásica. Carcinoma da mama metastásico: inoperável e onde a radioterapia não tem indicação, foram observados efeitos positivos em 30% dos casos (em mulheres). Angioedema hereditário: edemas na pele e mucosas. Carecem de um inibidor funcional do primeiro componente do complemento ou concentrações diminutas do inibidor e os androgênios aumentam a concentração desta proteína. Uso no catabolismo: em situações de desnutrição crônica, caquexia cancerosa, SIDA e em jovens em puberdade com baixa estatura. Rendimento energético: utilizados por atletas para melhorar o rendimento físico, mas de modo controlado. Insuficiência renal aguda: por causarem diminuição da produção de ureia, com consequente diminuição das diálises necessárias. Em casos de xaropeia: relacionada ao HIV em pacientes hipogonadais e eugonadais e da fadiga em pacientes com doença renal crônica submetidos à diálise, associada à cirrose alcoólica, à doença obstrutiva pulmonar crônica e por fim sarcopenia em pacientes com queimaduras graves. Síndrome de Turner: no tratamento da baixa estatura e em crianças com puberdade e crescimento retardados. Distrofia muscular de Duchenne: efeitos benéficos no retardo da fraqueza muscular com evidência de acelerar o crescimento linear.
  24. 24. 243 PROBLEMAS COM ANABOLIZANTES E SUA RELAÇÃO COM SUPLEMENTOS3.1 Efeitos Adversos Atualmente os anabolizantes têm causado um grande número de efeitos nãodesejáveis, efeitos psicológicos são raros, porém existentes (MOREAU, 2003). O uso abusivo dessas substâncias vem provocando certos tipos de distúrbioscomportamentais endócrinos, cardiovasculares, hepáticos e musculoesqueléticos.Distúrbios endócrinos como: acne, atrofia dos testículos, queda de cabelo,impotência sexual, redução do volume de esperma, ginecomastia, masculinizaçãodas mulheres, crescimento do clitóris, irregularidade menstrual. distúrbioscardiovasculares: ocorrem edemas devido à má circulação, hipertensão, aumento delipídeos no sangue podem levar a risco de doenças cardiovasculares, tais comoaumento do colesterol total, LDL e triglicérides e diminuição de HDL; distúrbioshepáticos: aumento das enzimas do fígado, icterícia, raramente câncer do fígado;distúrbios musculoesqueléticos: lesões osteomusculares, epífises, interrupção docrescimento dos ossos (SILVA; LIMA, 2007). Os esteroides anabólicos androgênicos podem ser administrados pela viaoral ou via intramuscular. As drogas administradas por via intramuscular sãoderivadas da testosterona produzidas em laboratório, são bem duradouros, já osanabolizantes por via oral tem um tempo menor de duração e são derivadosalcalinizados. Um dos sintomas mais frequentes são queixas de agressividadeexacerbada, irritabilidade, agitação motora e o aumento ou diminuição da libido(MARTINS, 2005). Nos Estados Unidos, a utilização dos esteroides anabolizantes por viaintramuscular tem sido cerca 50%, e dentre estes 20% fazem o compartilhamento deseringas, aumentando o risco de contração de doenças. Em decorrência disto, foramrelatados alguns casos em atletas de fisiculturismo e levantamento de peso, efeitoscomo, infecção por HIV, hepatite B e C, formação de abscessos e infecção porCândida abicans (ANDRADE et al., 2002). Os anabolizantes conhecidos como bombas, têm sido visados para um ganhosúbito de massa muscular, maior do que o obtido através de exercícios físicos. Com
  25. 25. 25o uso excessivo dessas substâncias, os usuários conseguem praticar as atividadesfísicas com mais intensidade, deixando assim os mesmos com uma maior motivação(CHAVES, 2010). O crescimento muscular não é um dos efeitos principais para o uso deesteroides anabolizantes. Acima foram citados efeitos adversos fisiológicos, a seguirserão citados efeitos adversos psicológicos, dentre eles: transtorno de humor,mania, transtorno bipolar, uma possível depressão profunda, desde mania etranstorno bipolar até depressão profunda, atos agressivos, mudanças detemperamento, síndromes comportamentais, aumento da irritabilidade, raiva ehostilidade, ciúme patológico e alterações da libido (MOREAU et al., 2003). Com o uso delongado de anabolizantes, os efeitos adversos se evoluem decomportamentos agressivos para violentos, hostis para antissociais. Uma dasprincipais consequências destes acessos de fúria são homicídio, suicídio e abusoinfantil. Com o uso indiscriminado de tais substâncias o usuário tende a terconsequências mais graves, e isso pode acarretar em sintomas de um transtornodismórfico corporal (TDC), dismorfia muscular (MARTINS, 2005). O TDC provoca no doente uma percepção da sua imagem refletida noespelho diferente da realidade, normalmente essas distorções não passam deimaginação. Martins et al (2005), a partir desse conhecimento, compara: [...] ambos se caracterizam por pensamentos desagradáveis indesejados que conduzem a comportamentos compulsivos e repetitivos, tomando tempo e causando sofrimento, vergonha, baixa autoestima e, em casos mais graves, isolamento social e total incapacidade funcional. As vivências de incompletude que precedem certos comportamentos repetitivos no TOC ocorrem de forma semelhante no TDC, no sentido de gerar uma sensação incômoda constante de que algo não está “em ordem” ou “como deveria estar”. Ambos parecem priorizar impressões internas, ignorando percepções reais ou a opinião alheia (pacientes com TDC desconsideram o que estão vendo no espelho da mesma forma que pacientes com TOC desconsideram que a porta já está chaveada e voltam a verificar várias vezes). O TDC se preocupa com assuntos referentes ao corpo, pacientes que sofremde TOC também demonstram obsessões relacionadas a estes conteúdos. Adismorfia muscular é um dos tipos de TDC‟s que está relacionado à má utilização deesteroides anabolizantes, sendo que a mesma não se restringe a partes isoladas docorpo (SILVA; LIMA, 2007).
  26. 26. 26 O paciente passa a se ver magro, disforme, pequeno e fraco, mesmo sendomuito grande e forte. Tal visão faz com que o individuo se sinta envergonhado deseu próprio corpo, procurando se esconder, não frequentar ambientes públicos,principalmente se for necessária à exposição do corpo, como por exemplo: praias eacademias. Passam a utilizar várias camadas de roupas para parecerem maiores(SILVA; LIMA, 2007).3.2 Suplementos Alimentares Todos os EAA e grande parte dos suplementos nutricionais são utilizadospara elevar os níveis de testosterona no organismo, aumentando assim acapacidade do atleta para construir a massa muscular magra. Outros suplementosnutricionais são utilizados para aumentar a quantidade de energia disponível paratreinos ou competição (ROSS et al, 2003). No Brasil, os esteroides estão restritamente disponíveis através de prescriçãomédica com retenção da cópia carbonada da receita em duas vias (SILVA; LIMA,2007). Não existindo qualquer condição na qual EAA devam ser administrados aindivíduos sadios (CARVALHO, 2003), porém, suplementos nutricionais sãoamplamente disponíveis para todos os consumidores com a regulamentaçãorelativamente escassa. Os esteroides estão associados a uma variedade de efeitos adversos quepodem levar a mudanças físicas, distúrbios psicológicos, morbidade e mesmomortalidade, por este motivo, as substâncias conhecidas como suplementosalimentares vêm sendo largamente utilizadas por frequentadores de academiascomo uma opção mais saudável do que os EAA para ganho de massa muscular(ROSS et al., 2003). Segundo Pedrosa, O. P. et al. [200-?], motivadas por propagandas eindicações de amigos, todos os dias, milhões de pessoas, tanto atletas como nãoatletas, procuram lojas especializadas em suplementos alimentares, na busca deprodutos para melhorar seu desempenho e sua estética. Essa busca desequilibradapor um corpo escultural aliada ao baixo nível de conhecimento dos praticantes de
  27. 27. 27musculação e outras atividades físicas, mantém esse mercado em plenocrescimento. Ainda que os efeitos adversos de suplementos alimentares não sejam tãobem estudados, presume-se serem igualmente perigosos. Contudo, para muitosatletas, os potenciais benefícios dessas substâncias parecem superar os riscos aelas associados. (ROSS et al. 2003). Os Suplementos Alimentares podem ser classificados em: ergogênicos etermogênicos.3.2.1 Suplementos Ergogênicos Santos (2002) conceitua os suplementos ergogênicos como substâncias queaprimoram o desempenho de um atleta. Diminuem o cansaço muscular e,consequentemente, melhoram o desempenho físico, sobretudo em atividades delonga duração. No esporte de alto nível, o uso desses agentes significa uma das grandespreocupações na área de Ciências do Esporte no combate ao dopping, e também nouso indiscriminado de drogas e suplementos nutricionais com objetivos meramenteestéticos. Foi estabelecido pela Medicina Esportiva um conceito para o termo agenteergogênico: “Agente ergogênico abrange todo e qualquer mecanismo, efeito fisiológico, nutricional ou farmacológico que seja capaz de melhorar as performances nas atividades físicas esportivas, ou mesmo ocupacionais”. (NETO, 2001). Neto (2001) afirma estarem os agentes em questão, subdivididos em trêsgrupos:A. fisiológicos: compreende mecanismos fisiológicos para o aperfeiçoamento odesempenho físico.B. nutricionais: o consumo de nutrientes que possuem variável nível de eficiência éo que caracteriza essas substâncias. Como a creatina, uma das mais referidas naliteratura científica e largamente utilizada pelos praticantes de atividades físicas.(SANTOS et al. 2002).
  28. 28. 28C. farmacológicos: substâncias com ação farmacológica sobre o sistema nervosocentral (SNC). A cafeína está neste grupo por seus efeitos farmacológicos de açãoestimulante. Ela é capaz de incitar ou restabelecer as funções cerebrais e bulbares,sem, contudo, ser considerada uma droga terapêutica. Entretanto, é por muitos,vista como um ergogênico nutricional, pois várias bebidas diariamente consumidas(como café, refrigerantes, energéticos, chocolates) possuem em sua composição asubstância em questão (ALTIMARI, 2000).3.2.2 Suplementos Termogênicos Segundo Santos (2002), são substâncias que elevam a temperatura corpórea,causando maior queima de calorias. Atuam no metabolismo de gorduras,transformando-as em energia disponível. A L-carnitina, por exemplo, é umaminoácido que auxilia no metabolismo de ácidos graxos, transformando a gorduraarmazenada em energia disponível. Alguns autores afirmam que muitos suplementos não conferem qualquerdesempenho ou benefício para a saúde, e alguns podem realmente ser prejudiciaisà saúde quando ingerido em doses elevadas por períodos prolongados (MAUGHAN,2005). Alguns deles não contêm quantidades significativas dos ingredientes listadosno rótulo. Enquanto outros contêm doses excessivas de ingredientes potencialmentetóxicos devido a eventuais contaminações destes produtos, já que as empresas queos produzem não são obrigadas a declarar sua composição na íntegra, além demuitas não seguirem as normas técnicas adequadas para produção de substânciasem laboratório (GUIMARÃES, 2006). Estudos detectaram esteroides ou precursores de hormônios presentes emsuplementos alimentares, sem que estes sejam indicados em seus rótulos. Acomissão médica do Comitê Olímpico Internacional (COI), tendo em vista asdeficiências da legislação de vários países, que refletiam em controle de qualidadede produção, decidiu alertar quanto aos riscos do consumo destes produtos (SIMONP. et al. 2006). Um estudo financiado pelo COI, realizada com 634 suplementos alimentares,provenientes de 215 fornecedores, de 13 países, tinha como objetivo, verificar a
  29. 29. 29presença ou não de pró-hormônios (principalmente testosterona e nandrolona) emsuplementos alimentares vendidos a atletas. Este estudo mostrou que, dos 634suplementos avaliados, 94 (14,8%) apresentavam em sua composição, precursoresde hormônios não descritos em seus rótulos. Dentre eles, 24,5% continhamprecursores de testosterona e 24,5% precursores de nandrolona (FERREIRA, 2010). Existem, sim, benefícios no emprego de suplementos nutricionais, mas osriscos potenciais são reais (CARVALHO, 2003). Por esse motivo, é essencial que a utilização de suplementos sejarecomendada e monitorada por um profissional capacitado. Também é indispensávelconhecer a composição do produto, bem como suas indicações. Lembrando quetodo suplemento deve seguir padrões de qualidade durante sua fabricação, para quesuas características e eficácia sejam garantidas (SILVA; LIMA, 2007).4 CLASSIFICAÇÃO DOS ANABOLIZANTES Segundo Araújo; Andreolo e Silva (2002), os anabolizantes podem serclassificados em EAA, com ação semelhante ao hormônio testosterona(hemogenin®, deca-durabolim®, durateston®, etc.); Hormônio do Crescimento (GH),que são anabolizantes proteicos, não androgênicos; Produtos derivados dehormônios, como os hormônios de uso veterinário (equipoise®, equipost®, equifort®,winstrol®, etc.). De acordo com Silva e Lima (2007), no Brasil, o uso indiscriminado deanabolizantes tem sido preocupante não só a competidores profissionais e sim ajovens frequentadores de academias, que por quererem ganhar massa e músculosmais rapidamente, tem feito o uso dessas substâncias de forma exagerada e quasesempre orientados por treinadores e professores, sem saber da gravidade de seusefeitos adversos, onde os mesmos indicam quais usar e onde comprar sem receita. No ano de 2000, os anabolizantes foram regulamentados pelo Ministério daSaúde, onde a venda dessas drogas começou a ser feita através da retenção dacópia carbonada da receita, porém, infelizmente não é possível fazer o controle dadistribuição dessas substâncias no meio de pessoas que fazem o uso contínuo, jáque a maioria delas é obtida de forma ilegal (TOLEDO, 2005).
  30. 30. 305 SAÚDE X APARÊNCIA5.1 Corpo malhado, corpo saudável? A grande procura da sociedade moderna por um corpo perfeito, produzidapela mídia, revistas, novelas e filmes tem ocasionado a falta de bom senso ediscernimento, aonde o importante é estar dentro dos exemplos determinados,independente das consequências que podem surgir. Ver essas imagens quando seestá em pleno crescimento leva os adolescentes e homens jovens a desenvolver acrença de que assim, é como um homem ideal deveria ser. Como consequênciaproduz frustração e insegurança por não se ver suficientemente bem (CHAVES,2010). Um corpo esculpido com muitas horas de malhação, não é considerado emalguns casos sinônimo evidente de saúde. Em muitos episódios, o método paraalcançar a perfeição física, exigida para se adequar nos padrões de beleza de hoje,tem no fundo sérios problemas de autoimagem, que são mais claros naadolescência. Na prática, esse problema de percepção se traduz em doiscomportamentos que preocupam os médicos: o abuso na prática de atividadesesportivas, o consumo de esteroides anabolizantes e suplementos alimentares(CHAVES, 2010). Algumas pesquisas realizadas sobre a construção do corpo no Brasilobservou que essa valorização do corpo se alastra como sinônimo de juventude,força e beleza, de uma forma que, se você não se cuidar passa ser atípico(GOLDENBERG, 2005). A idéia de culto ao corpo vai ser aqui abordada, sob a perspectiva de Castro(2003), que aponta o culto ao corpo como: Um tipo de relação dos indivíduos com seus corpos que tem como preocupação básica o seu modelamento, a fim de aproximá-lo o máximo possível do padrão de beleza estabelecido pela sociedade. De modo geral, o culto ao corpo envolve não só a prática de atividade física, mas também as dietas, as cirurgias plásticas, o uso de produtos cosméticos, enfim tudo que responda á preocupação de se ter um corpo bonito e saudável.
  31. 31. 31 Segundo Le Breton (2006), o corpo é a representação das pessoas, como umsímbolo que envolve imagens e sentidos, passíveis de unir uma variedade deculturas. Uma realidade mutante que se estrutura a partir das representaçõessimbólicas, dos imaginários conforme a sociedade determina. O corpo é a ligaçãocom o lugar e o tempo em que a existência toma forma, na qual produz sentido econsequentemente insere o indivíduo no interior do espaço social. Santos (2008) sugere que a imagem do corpo saudável está fortementeligada ao movimento na era moderna, em que se torna uma verdadeira batalhacontra o sedentarismo dos corpos. A saúde é monitorada e sistematicamentetrabalhada, no intuito de ser conquistada e alcançada, como um bem ou umarecompensa por um trabalho bem executado. Atualmente, sobre os conceitos de qualidade de vida e bem-estar, elas estãointimamente relacionadas ao contexto da capacidade física. Buscar uma saúdeperfeita é o desafio da maioria das pessoas, que buscam abandonar a vidasedentária que levam no dia a dia em busca de um novo referencial (TOSCANO,2001). A saúde hoje em dia passou a ser considerada como um prêmio a serconquistado, uma vez que, as atividades físicas passam a ser menos recreativas,tomando novas conotações no cultivo da boa saúde. Diante de tal fato, apesar daprincipal motivação para a prática da musculação ser a busca do aperfeiçoamentoestético do corpo, as pessoas também justificam a frequência às academias a partirdo discurso da saúde que se dissemina pela sociedade entre as diferentes classessociais (TOSCANO, 2001). Nas academias, podemos dizer, o verdadeiro shopping do corpo, ondehomens e mulheres se submetem a diversas formas de práticas corporais, com omotivo de entrar em forma. Mas não é somente a busca por uma excelente formacorporal que motiva as pessoas a malharem. Conseguir um romance afetivo ouexibir um corpão espetacular também são opções que muitos adolescentesconsideram. E costumam gastar horas nestes lugares (IRIART et al 2009). Segundo Toscano (2001), as academias de ginástica são consideradas osprincipais pontos para as atividades físicas, pois elas prestam serviço específicopara a avaliação e orientação dos exercícios físicos, sob supervisão direta deprofissionais qualificados no curso de educação física.
  32. 32. 32 A analogia entre atividade física e saúde é justificada por algumas evidênciasde que condições apropriadas de aptidão física, buscadas durante toda a vida pormeio de exercícios regulares, exercem efeitos benéficos nas funções dos órgãos emgeral, tendo como resultado o prolongamento da vida e de vida com muitaqualidade. Estar contente com o corpo é importante para a autoestima, entretanto,essa satisfação deve ser vista como consequência do processo motor, e não comofim de si mesmo (NIEMAN, 1999). Podemos inserir as academias de ginástica no setor de serviços paramelhorar a saúde, que interferem positivamente na assistência à saúde, emparticular, daqueles que se utilizam da prática de exercícios de forma orientada e,em especial, produzir informações adequadas e padronizadas (CHAVES, 2009). Ser saudável ou ter saúde, para os praticantes de musculação, é se cuidar, sealimentar bem e malhar, estes são elementos fundamentais na manutenção da boaforma física e mental: “Para mim o melhor da academia é isso aí. Malhando vocêadquire saúde. Você se alimenta bem, dorme bem.” Esse tipo de narrativa do que éter saúde é bastante comum nos discursos dos praticantes de academia. Issomostra que a postura da boa saúde, está diretamente relacionada com a aparênciafísica, a não fragilidade do corpo, isto é, a visibilidade do corpo em forma (IRIART etal 2009). Existem muitos caminhos para se alcançar o rejuvenescimento. Cada vezmais a medicina busca se aperfeiçoar com o desenvolvimento de pesquisas. Hojeexistem no mercado, para quem tem condições financeiras, as melhores técnicas decirurgia plástica. Com esses ajustes e intervenções, as imperfeições físicasindesejadas podem se tornar inconvenientes do passado. A obtenção do padrão debeleza do corpo malhado parece garantir a promessa de felicidade eterna. O termo “malhação” é uma gíria utilizada de forma corriqueira no universo dasacademias de ginástica e musculação, que tem sido adotada para representar,simbolicamente, qualquer modalidade de prática física praticada com elevadafrequência e amplitude (ASSUNÇÃO, 2002). Podemos dizer que as academias de ginástica estabelecem um dos signosmais simbólicos da cultura da corpolatria instaurada em nosso tempo. Nessesambientes, desfilam corpos malhados, bem como outros que buscam alcançar talstatus (CHAVES, 2009).
  33. 33. 33 O termo “ficar forte” é um item muito importante no grupo em que os adeptosa musculação querem fazer parte, visto que ocorra a obtenção de maior respeitosocial. Por isso, entre os praticantes, estar na categoria do “magrinho” nunca osagrada, até porque na presença do grupo esse corpo não surte efeitos positivos.Como os próprios praticantes verbalizam: no campo da musculação quem temvolume, massa corporal e modelação no corpo, possui maior respeito de todos(ORLEANS, 2009). O uso de substâncias anabólicas, o excesso dos exercícios e os cuidados com o corpo favorecem a um distanciamento do consumo de álcool, fumo e outras drogas, percebidas como mais prejudiciais à saúde do que os anabolizantes (IRIART et al 2009). Manter o corpo em forma, e ter uma boa alimentação faz com que os adeptosa exercícios físicos se previnam de problemas cotidianos de saúde como:hipertensão, obesidade, diabetes, problemas cardíacos, entre outras doenças, essasque acometem os indivíduos nas sociedades contemporâneas. O manter a formafísica implica no não sedentarismo, que por sua vez tem impacto relevante sobre asaúde. Dessa forma, os praticantes de musculação se sentem protegidos dedoenças a partir do momento que encaram essa prática como um elemento crucialna sua qualidade de vida (BUCARETCHI, 2003). Aos praticantes de academia que aderem a uma rotina ordenada detreinamento, quando esses faltam na academia é motivo de grande perda, que sedissemina na existência de um vazio, vazio este explicitado na sensação devulnerabilidade e fragilidade. Esse tipo de sensação para muitos, mexe inclusivecom o seu sistema metabólico. Alguns atletas relatam que a falta ao treino os deixamal humorados, com insônia e uma sensação de grande perda, mesmo que essaperda, não seja visível no corpo (CHAVES, 2009). Em um relato concedido por um praticante de academia em Fernandópolis, épossível concordar com o que foi dito acima: Academia pra mim é essencial, pois tenho muito mais animo no meu dia a dia, e quando falto me sinto péssimo, a minha consciência fica pesada e sinto insônia (O. L. S. 23 anos, 2011). A imagem que temos do corpo está relacionada com a autoestima, quesignifica ter amor próprio, estar satisfeito com o que vê, e principalmente estar bem
  34. 34. 34consigo mesmo. Se existe algum tipo de insatisfação, esta se refletirá naautoimagem. A primeira manifestação da perda da autoconfiança é percebidaquando o corpo que se tem não está de acordo com o estereotipo idealizado pelasociedade (BUCARETCHI, 2003). A auto-avaliação da imagem corporal pode ocorrer de três formas: o indivíduoé bastante rigoroso com tudo que está relacionado à sua aparência; o indivíduocompara a aparência com padrões extremos da sociedade que são veiculadas pelamídia; o indivíduo se concentra em um aspecto de sua aparência (SCALFARO et al2004). IRIART et al (2009) comenta que atualmente todos querem ter um corpoperfeito, criar uma musculatura avantajada, para isso muitos praticantes demusculação começam a utilizar esteroides anabolizantes. O consumo exageradodessas substâncias vem causando graves danos à saúde. Também vale expor o usoexcessivo de suplementos alimentares, visto que não tem nenhum tipo de restriçãode sua venda, por isto são bastante consumidos pelos praticantes de musculação. Ouso dessas substâncias, assim como os anabolizantes tem sua adaptação conformeas condições socioeconômicas dos indivíduos. Segundo Pope (2002), a musculação orientada por profissionais sérios queutilizam métodos de treinamentos inteligentes e fundamentados na ciência possuemresultados impressionantes sem a utilização dessas drogas anabolizantes. Cabe oprofissional orientar os riscos e benefícios da utilização. Influenciar no uso dosanabolizantes é não respeitar o seu diploma, ou seja, destruir toda uma classeprofissional e estabelecimentos cuja função social é trazer saúde aos que procurampelo serviço.5.2 Limites da Vigorexia Segundo Lopes et al (2006) atletas apresentam maior predomínio deTranstornos Alimentares (TAs) do que não atletas. Com isso, podemos observarque a estética corporal é supervalorizada em alguns esportes e serve mesmo comoum critério para a obtenção de resultados satisfatórios em competições. Os homens possuem uma preocupação exagerada com o seu corpo de umamaneira diferente se relacionada às mulheres. Mas o que vem chamando atenção
  35. 35. 35em relação aos homens é um novo quadro que é denominado vigorexia ou dismorfiamuscular (MELIN et al 2002). Pope et al (2000) explicam que as pessoas que sofrem de vigorexia sãoobsessivas pela sua imagem corporal, mais designadamente pela grandeza dosseus músculos bem como sua definição. De acordo com Chung et al (2001): A Vigorexia também é conhecida como Anorexia Nervosa Reversa, foi descrita como uma alteração da desordem dismórfica corporal e enquadra-se entre os transtornos dismórficos corporais (TDC). A Dismorfia Muscular envolve uma inquietação de não ser satisfatoriamenteforte e musculoso em todas as partes do corpo, ao contrário dos TranstornosDismórficos Corporais típicos, que a principal preocupação se concentra em áreasespecíficas (ASSUNÇÃO, 2002). Assim como a Ortorexia, quadro no qual o indivíduo se preocupa excessivamente com a pureza dos alimentos consumidos, a Vigorexia ainda não foi reconhecida como doença, e este ainda é um quadro não validado nem presente nos manuais diagnósticos em psiquiatria (CID-10 e DSM-IV) (BONAECHEA, 2005). Indivíduos que possuem vigorexia não praticam atividades aeróbicas, poispensam que vão perder massa muscular. Essas pessoas não exibem os seuscorpos em púbico, pois sentem vergonha, e utilizam diversas camadas de roupa,mesmo no calor. (OLIVARDIA, 2002). Pope et al (2000) relata alguns casos dramáticos de vigorexia, dentre eles ode um homem que só tinha relação sexual duas vezes por mês, para poupar energiapara treinar, e de um fisiculturista que duas semanas antes das suas competiçõesnão beijava sua esposa, pois, tinha medo que ela lhe transmitisse caloriasindesejáveis através da saliva. Segundo Grieve (2007) existem algumas influências identificadas na literaturada dismorfia muscular, classificadas como: massa corporal, alcance da mídia,idealização do perfeito para a forma corporal, baixa autoestima, insatisfação pelocorpo, falta de controle da própria saúde, efeito negativo, perfeccionismo e distorçãocorporal.
  36. 36. 366 MATERIAIS E MÉTODOS Esse estudo foi realizado no período de 01 a 31 de agosto de 2011 em umapopulação do gênero masculino, com idade entre 16 a 45 anos, frequentadores detrês academias na cidade de Fernandópolis. A investigação foi realizada principalmente no período noturno, onde aprobabilidade de encontrar os entrevistados era maior. As academias permitiram acoleta das entrevistas por meio de uma autorização formal que prometia nãoidentificá-los, onde os alunos das mesmas foram submetidos ao instrumento deestudo evitando-se qualquer tipo de discriminação ou constrangimento.Critérios de exclusão: Foram eliminados do estudo todos os participantes que se enquadraram emalguma das seguintes condições: a) rasuras, duplicidade de respostas ou impossibilidade de identificação dasrespostas. b) questionários devolvidos em branco. c) participantes do sexo feminino.Instrumento de pesquisa: Os participantes da entrevista foram submetidos a um questionário deinvestigação (composto por 25 questões de múltipla escolha), nível de escolaridade,características da prática esportiva ou de sua rejeição, concepções acerca dopróprio corpo, o uso de medicamentos, técnicas para a modelagem corporal econhecimento das consequências do uso e/ou abuso dessas substâncias. O questionário foi resultado de um estudo piloto realizado através depesquisas feitas pelas autoras deste trabalho. Os participantes tiveram garantido oabsoluto sigilo das informações prestadas.
  37. 37. 377 RESULTADOS E DISCUSSÃO Com a pesquisa foi possível perceber que o maior número (38%) depraticantes de academia entrevistados está entre a idade de 21 e 25 anos, comomostra a figura abaixo: Figura 4 – Idade dos pesquisados (n=60) Fonte: Elaboração própria. Fica provado que a maior parte dos consumidores de EAA possui grau deescolaridade superior, o que mostra que são pessoas com capacidades intelectuaise condições suficientes para ter amplo conhecimento acerca de tais substâncias, emoposição a Pedrosa, et al [200-?], que afirma que o baixo nível de conhecimento dospraticantes de musculação e outras atividades físicas, mantém o consumo de EAAem pleno crescimento (Figura 5). Figura 5 – Grau de escolaridade (n=60) Fonte: Elaboração Própria.
  38. 38. 38 De acordo com os resultados da figura 6, um impressionante número de 43%, fezou faz uso destas substâncias, que a principio, como diz Sabino (2004), eramapenas direcionadas ao uso farmacológico, mas acabaram se infiltrando ilegalmentenos esportes e nas academias, tanto para amadores como profissionais. Figura 6 – Fez ou faz uso de anabolizantes? (n=60) Fonte: Elaboração própria. Concordando, assim com Sabino (2002), que aborda a incoerência dacorpolatria em associar a construção da saúde ao consumo de substânciasquímicas, que são cada vez mais ingeridos e vistos como produtos “mágicos”aprovados pela ciência para melhorar a aparência. Na figura 7, observa-se que o maior motivo que incita a utilização deanabolizantes, é a busca por um corpo belo e forte. Figura 7 – Finalidade do uso (n=26) Fonte: Elaboração própria.
  39. 39. 39 Estes dados estão de acordo com Bragrichevisky (2004), ao expor que amídia, ao mesmo tempo em que reivindica saúde, incentiva a busca por mudançascorporais, veiculando a imagem dos últimos padrões estéticos. Essa imposiçãosubliminar da forma física tem incentivado ao consumo de drogas como os EAA, quepossuem riscos sabidamente potenciais. É como uma condição para que estejamesteticamente enquadrados na sociedade. Na figura a seguir, estão descritos os anabolizantes mais utilizados pelosfrequentadores de academia entrevistados. Figura 8 – Qual anabolizante usa ou usou? (n= 26) Fonte: Elaboração própria. As drogas mais utilizadas foram o Durateston® (25%), Winstrol® (25%) e oDeca-Durabolin® (17%). Os mesmos citados por Iriart et al (2002), em seu artigo. ODurateston e o Deca-Durabolin podem ser adquiridos com receita no Brasil (cópiacarbonada em duas vias), já que os mesmos têm seu uso terapêutico em reposiçõeshormonais, e como adjuvantes no tratamento da Síndrome de Klinefelter, porém, foiperceptível que o seu uso não se restringe a patologias, visto que são utilizados porindivíduos saudáveis, tornando-se ilícitos na maioria dos casos (MOTA, 2009). Já oWinstrol®, anabolizante de uso veterinário, que têm como objetivo principalmaximizar a produção de gado, tem o poder de alterar o balanço dos hormônios deanimais de grande porte, o que implica em mudanças na taxa de crescimento emesmo na composição dos mesmos. Infelizmente tem seu uso feito por seres
  40. 40. 40humanos em menores dosagens, o que não deixa de acarretar efeitos adversosseveros a longo prazo (SANTOS, 2006). Na figura 9, vê-se que 58% dos consumidores de anabolizantes conhecem osefeitos indesejáveis causados, e 34%, número considerável, não são conhecedoresdos potenciais riscos dessa utilização. Figura 9 – Conhece os efeitos indesejáveis dos anabolizantes? (n=26) Fonte: Elaboração própria. Neste, pode-se observar que a falta de informação sobre os efeitos adversosdecorrentes da utilização de anabolizantes, pode ser um dos motivos para a grandeadesão destes. Em contrapartida, vemos que, diferentemente do que se pensa, nem todos osusuários de EAA são leigos com relação aos seus efeitos maléficos. Uma vezconhecedores de tais informações, as ignoram, pois acreditam serem merasespeculações, efeitos sem respaldo científico. Inclusive, a ponto de exigir a cada vezmais de seu corpo, ignorando dores, lesões e contraindicações médicas. Este resultado está em desacordo com Silva (2007), que afirma que no Brasil,competidores e jovens frequentadores de academias, por quererem ganhar massamuscular mais rapidamente, têm feito o uso dessas substâncias de forma exageradasem saber da gravidade de seus efeitos.
  41. 41. 41 Dos entrevistados que afirmaram já ter utilizado anabolizantes, um númerosignificativo (31%) afirma ter evidenciado sintomas indesejáveis e 46% responderamnegativamente, como mostra a figura 10. Figura 10 – Durante o uso evidenciou algum sintoma indesejável? (n=26) Fonte: Elaboração própria. Por mais que muitos dos entrevistados (31%) tenham evidenciado algunssintomas adversos, para muitos deles, os potenciais benefícios dessas substânciasparecem superar os riscos a elas associados, provando mais uma vez, que não ésomente a falta de conhecimento que os leva a cometer tal erro, como afirma Rosset al (2003). Na figura 11, estão listados os sintomas evidenciados pelos entrevistados,sendo aumento da libido (23%), e acne (17%), os mais frequentes. Figura 11 – Sintomas evidenciados (n=26) Fonte: Elaboração própria.
  42. 42. 42 Mais uma vez, percebe-se que a falta de informação não é o único motivo doascendente consumo de EAA, mas a negligência com relação aos sintomas em simesmos evidenciados contribuem para tais resultados. Os entrevistados assumemque os efeitos estão associados aos anabolizantes. De acordo com Bagrichevisky(2004), muitos encaram tais riscos como barreiras a serem superadas, o que podesignificar até aquisição de respeito no âmbito social das academias. Na figura 12, observa-se a resposta afirmativa de 58% dos entrevistados comrelação a visão destes, na prevenção e/ou correção dos efeitos adversos causadospor EAA com o uso simultâneo de outras substâncias.Figura 12 – Acha que os efeitos adversos podem ser prevenidos com o uso de outras substâncias? (n=26) Fonte: Elaboração própria. Mesmo conhecendo as consequências dos EAA, os indivíduos se arriscam natentativa de prevenir e/ou corrigir seus efeitos maléficos, acreditando que o usosimultâneo com outras substâncias impedirá tais efeitos. Na figura a seguir, vê-se uma significativa incidência (58%) de substânciasassociadas aos anabolizantes com o intuito de prevenir os efeitos adversos.
  43. 43. 43 Figura 13 – Faz uso de outras substâncias associadas a esteroides anabolizantes? (n= 26) Fonte: Elaboração própria. Os usuários de EAA utilizam medicamentos associados a eles, justamentepelo motivo anteriormente descrito, corrigir e/ou prevenir os malefícios sabidamentedecorrentes de tal utilização. No caso dos suplementos, como já dito anteriormente,é uma tentativa de aprimorar o desempenho físico do atleta e promover maiorqueima de calorias. Na figura 14, estão descritas as substâncias associadas a anabolizantescitadas pelos entrevistados. Sendo Clembuterol (27%), hepatoprotetor (23%) eTamoxifeno (15%), os mais utilizados para tal fim. Figura 14 – Substâncias associadas a anabolizantes (n=26) Fonte: Elaboração própria.
  44. 44. 44 O Clembuterol citado, é um composto beta-adrenérgico ativo, que possuirápida eliminação, é um fármaco utilizado para o crescimento animal (FERREIRA etal 1996). Veisman et al (2000) comenta que a associação do Hormônio doCrescimento (GH) a exercícios que visem resistência física em indivíduos que nãopossuam deficiênca de GH, geram um aumento de massa magra, água corporal totale balanço protéico positivo se comparado ao uso isolado do exercício. Porémtambém é perceptível que a análise de força não mostra nenhum ganho extraquando se adiciona o hormônio, auxiliando mesmo apenas no crescimento domúsculo esquelético. A Gonadotropina Coriônica Humana (HcG), estimula as células de Leydig, oque induz ao aumento da produção de testosterona, que faz com que haja umamigração testicular, estimulando que as estruturas envolvidas nesta migração sedesenvolvam (FAVORITO et al, 2000). Os Hepatoprotetores são medicamentos que são associados aos EAA, devidoa seu efeito de proteger o fígado contra agressões tanto de agentes externos comotambém de metabólitos produzidos no próprio órgão (FERREIRA, 2011). Os suplementos são utilizados na tentativa de aprimorar o desempenho físicodo atleta e promover maior queima de calorias (SANTOS, 2002). Já o tamoxifeno é uma droga antiestrogênica não esteróidica (atua comoantagonista estrogênico nas células normais e malignas da mama) (GEBRIM, 2000).Seu efeito estrogênico pode ser parcial, total ou antiestrogênico a depender dotecido alvo e da espécie em estudo. Já na figura 15, nota-se que dos 57% dos entrevistados que não utilizamEAA, 10% afirmam ter pretensão de utilizar.
  45. 45. 45 Figura 15 – Pretende usar anabolizantes? (n=34) Fonte: Elaboração própria. Um possível motivo para isso é de que a mídia utilizando-se de umaperspectiva social, manipule indiretamente a mente das pessoas, considerandovencedores aqueles que se encaixam no perfil por elas estipulado, fazendo com quesejam incitadas a consumir certas drogas e a se sujeitar a dietas extremas,exercícios exagerados, uso de medicamentos sem prescrição, clínicas de estética eacademias, sendo considerada uma espécie de classe que visa conquistar respeitoe admiração utilizando sua aparência (CABEDA, 2004).
  46. 46. 46 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS A revisão bibliográfica trouxe informações grandiosas e fundamentais, porémos resultados obtidos com a metodologia utilizada foram os mais surpreendentes,mostrando que o uso indiscriminado de medicamentos continua crescendo e seespalhando nas mais diversas áreas. Ao abranger o tema anabolizantes, foi possívelenxergar um paradoxo que mostra uma sociedade que critica o uso deanabolizantes, mas em contrapartida induz ao seu uso, mesmo que de formaindireta, utilizando-se principalmente da mídia para isso, estereotipando paradigmasa serem copiados de novelas, filmes e passarelas. A falta de informação por parte dos usuários é um dos motivos do crescenteuso de anabolizantes, porém não é o único, visto que grande parte dos entrevistadosconhece os efeitos indesejados, já evidenciaram sintomas e ainda assim continuama consumir tais produtos, alegando não pensar no futuro já que o mesmo é incerto,visando sempre o agora. O fato é que os usuários conhecedores dos efeitos, ou vítimas dos sintomas,negligenciam os mesmos, sendo convictos de que os benefícios estéticos superamos malefícios destrutivos causados por essas drogas, tentando amenizar os efeitospor elas causados, utilizando simultaneamente outros medicamentos, com afinalidade de combater esses efeitos. Acredita-se que se a mídia utilizasse a grande influência que tem na vida daspessoas, para divulgar e conscientizá-las acerca dos grandes malefícios causadospelos anabolizantes e diversas outras drogas, talvez fosse possível reduzir estegrande numero de vítimas, que só cresce a cada dia que passa. Recomenda-se ainda, a realização de uma maior fiscalização por parte dosórgãos responsáveis pela proteção do consumidor.
  47. 47. 47 REFERÊNCIASALTIMARI, L. R. Efeitos ergogênicos da cafeína sobre o desempenho físico.Revisão Paulista Educação Física, São Paulo, JUL./DEZ., 2000, P. 141-158.ARAÚJO, J. P. O uso de esteroides androgênicos anabolizantes entre osestudantes do ensino médio no Distrito Federal. Brasília, 2003. p. 7. Dissertação.Educação Física. Universidade Católica de Brasília.ARAÚJO, L. R; ANDREOLO, J; SILVA, M. S. Utilização de suplemento alimentar eanabolizante por praticantes de musculação nas academias de Goiânia-GO.Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 10, n. 3, Brasília, DF, jul., 2002, p. 13-18. ISSN 0103-1716.ASSUNÇÃO, S. S. M. Dismorfia Muscular Revista Brasileira Psiquiatria: SãoPaulo, 2002.BAGRICHEVISKY, M. et al. Cultura da Corpolatria e Body-Building: Notas paraReflexão. São Paulo: Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 2004.BAPTISTA, N. J. M.; SILVA, S. R. G. O. Esteroides Anabolizantes na AtividadeDesportiva na Fase da Adolescência. Portugal: O Portal dos Psicólogos, 2009.BONAECHEA, B. B. Ortorexia nervosa. A new eating behaviour disorder? ActasEsp Psiquiatria., São Paulo: 2005.BUCARETCHI, H. A. Anorexia e Bulimia Nervosa uma visão multidisciplinar.São Paulo: Casa do psicólogo, 2003.CABEDA, S. T. L. et al. Gênero e Cultura: questões contemporâneas. PortoAlegre: EUPUCRS, 2004CAMARGO, T. et al. Vigorexia: Revisão dos aspectos atuais deste distúrbio deimagem corporal, São Paulo, 2008.CAMPBELL, J. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Cultrix, 1995.CARVALHO, T. Rodrigues T.; Meyer F.; Lancha Jr. A.H.; De Rose E.H.;Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas:comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. RevistaBrasileira de Medicina no Esporte. 2003; Vol. 9, Nº 2 – Mar/Abr, 2003, p. 43-56.CASTRO, A. L. Culto ao corpo e sociedade. Mídia, estilos de vida e cultura doconsumo. São Paulo. Annablume /Fapesp, 2003.CHAVES, J. C. O. Corpo “sarado”, corpo “saudável”? Construção daMasculinidade de Homens adeptos da prática de musculação na cidade deSalvador. Universidade Federal da Bahia, 2010.
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