1                                  Escócia - Parte I        Uma voz doce como a de um pássaro se fazia ouvir por algunsmor...
2        Estavam casados há pouco mais de três anos, porém, cresceramjuntos e se casaram quando a idade, e os pais, assim ...
3                                  Escócia - Parte II       De repente seus pensamentos foram interrompidos por um tremor ...
4        Quando seus olhos se cruzaram, Annabel sentiu um frio percorrer suaespinha. O medo fez seu estômago embrulhar. En...
5impressionante e enquanto isso, a enlaçava pela cintura com certa rispidez,fazendo Annabel soltar um grito rouco.        ...
6                                   Escócia – Parte III         Sem se preocupar com os gritos da mulher, Kyle abriu sua c...
7        Depois de saciar-se por longos minutos, Kyle a deita na mesa e abresuas pernas. Annabel chuta o ar, mas Kyle segu...
8       Quando chegou do lado de fora, notou que ele tinha invadido a aldeiacom muitos homens e todos tiram uma péssima ca...
9freneticamente como se a água salgada pudesse tirar todos os vestígiosdaquele homem que possuíra seu corpo, mas que jamai...
10animal, chegando, poucas horas depois, já ao anoitecer, ao ponto de partidapara o seu destino.       Um navio os esperav...
11                                   Escócia – Parte V        Bem distante dali, alguns homens encontravam-se sentados ao ...
12        Seus olhos cansados, mas felizes, pousaram em seus amigos,companheiros, seus colegas de luta. Todos estavam ansi...
13encostou seu corpo ao dela antes de iniciar um caminho de beijos quepercorria todo o corpo de sua amada.       Um fogo i...
14       O movimento dos cavalos trouxe Ian de volta de seus devaneios e elesuspirou profundamente antes de pegar no sono....
15                                 Escócia – Parte VI       O balanço das ondas no meio da madrugada despertou Annabel de ...
16          Ela pensou no filho que a mulher esperava e ficou preocupada, masnão contou à Kyle. Esperava a moça acordar pa...
17viver em um lugar mais tranqüilo e dar uma nova vida àquela mulher. Ele tinhaabsoluta certeza que o tempo a ensinaria a ...
18com que, ao final do dia, Annabel tivesse febre alta, começasse a delirar e achamar o nome do marido.       Kyle foi cha...
19Seu coração estava apertado e uma saudade absurda tomou conta de seupeito.         Sentiu que Annabel não estava bem e i...
20O choro contido cedeu lugar a gritos desesperados de mágoa e rancor contraKyle e contra Deus.        Kyle ouviu seu chor...
21        A pesada corrente, também feita de ouro, lembrava Ian e Annabel dequando eles faziam amor, da aspiral de luz ent...
22                                Escócia – Parte VIII       Três dias se passaram e Annabel não reagia. Sua febre não bai...
23        Kyle estava desesperado para pararem o navio e levar Annabel à terrafirme. O capitão logo avisou que dentro em p...
24        - Não Annabel !! Você será minha, você me amará, prometo!! Fareitudo que você quiser, mas fique comigo! Eu cuida...
25         Por fim, acenderam o fogo das tochas improvisadas que ficaram aoredor do corpo de Annabel e puseram a barca no ...
26                                Escócia – Parte IX       Dois dias depois, o barco que levava Ian e seus homens ancorou ...
27em prantos, como se pudesse trazer sua esposa de volta. Não podia serverdade [pensou ele].       Sua Annabel não podia e...
28Estava exausto, precisava descansar. Estava de olhos fechados quando ouviuum barulho atrás de si.        Era      Kyle  ...
29        Algum tempo se passou até que os dois tombassem por terra. Kyleestava morto, e Ian, visivelmente fraco, vertia s...
30       Prometo cuidar de você e de nossos filhos e nunca deixá-la sozinha edesprotegida outra vez. Prometo jamais largar...
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Escócia

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Em uma aldeia na Escócia, havia um casal feliz, até que alguém chegou para impedir aquela felicidade que tanto o incomodava...

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Escócia

  1. 1. 1 Escócia - Parte I Uma voz doce como a de um pássaro se fazia ouvir por algunsmoradores da aldeia mais próxima, que ficava pouco abaixo da encosta ondese localizava a sua casa. Quem podia ouvi-la, sorria de longe. Todos conheciam os encantos deAnnabel, e sua voz era um deles. Mulher educada, ela era gentil e sorria paratodos. Estava sempre pronta a ajudar quem necessitava. Nesse momento, seus delicados pés, presos a grosseiras tiras decouro cru, passeavam na relva que circundavam sua casa. Seu corpo, apesarde estar envolvido por tecidos grosseiros e pobres, tinha o aspecto bemcuidado. Sua pele era macia e branca como o leite de cabra. Seu rosto eraenvolto por anéis dourados de cabelos que desciam por seus ombros até omeio de suas costas. Seus olhos brilhantes tinham a cor do mel e os lábiosrosados sorriam enquanto ela se abaixava e enchia a cesta de minúsculasflores coloridas. Ian sempre gostava de chegar em casa e encontrá-la cheia de flores....isso lembrava o quanto eles gostavam de se amar entre as flores.... depois elea encostava em seu peito.... e fazia uma coroa de pequeninas margaridas ecolocava em seus belos cabelos...... fazendo-a dar aquele sorriso queiluminava tudo e a todos ao seu redor. Em seus pensamentos veio a imagem do seu esposo amado. Ian tinhasaído de casa há pouco mais de três meses para caçar com os homens daaldeia. Todo ano era a mesma coisa. Seu esposo era líder da aldeia e cuidavapara que ninguém passasse fome ou frio no inverno rigoroso da Escócia doséculo XVIII.
  2. 2. 2 Estavam casados há pouco mais de três anos, porém, cresceramjuntos e se casaram quando a idade, e os pais, assim permitiram. Sentindo um leve movimento ao se abaixar para pegar mais flores,Annabel acaricia carinhosamente seu ventre onde uma vida pulsava ali dentro.Quando Ian saiu para caçar, ela estava grávida e nem um deles sabia. Estava agora com seis meses e sentindo aquela vida crescer dentro desi, só fazia querer ainda mais rápido o retorno de seu esposo amado. O sonhode Ian era encher a casa de filhos. Ele dizia sorrindo que ouvir a algazarra dascrianças da aldeia faziam ele se sentir em casa. Annabel concordava e não viaa hora dele chegar e receber a notícia. Se fosse menina, ela gostaria que fossechamada de Ailie, em homenagem à sua avó materna. Se fosse menino, elagostaria que tivesse o nome do pai de Ian: Ewan – que foi um homem forte,guerreiro e extremamente justo.
  3. 3. 3 Escócia - Parte II De repente seus pensamentos foram interrompidos por um tremor sobseus pés e Annabel olhou para baixo em direção à aldeia. O sino tocou. Elaficou preocupada. Era o sinal de perigo combinado entre todos da aldeia!! Lembrando das recomendações de Ian, Annabel saiu correndo emdireção à casa, deixando cair pelo caminho a cesta com as flores que haviaacabado de colher. Assim que entrou em casa, Annabel puxou com certa dificuldade umapedra que ficava ao lado da cama e segurou algo pequeno envolto em umtecido negro e colocou-o no bolso do seu vestido. Ela não soube precisar quanto tempo ficou ali, mas assim que se viroupara a porta, esta se abriu com um tremendo estrondo, fazendo-a arregalar osolhos assustada.
  4. 4. 4 Quando seus olhos se cruzaram, Annabel sentiu um frio percorrer suaespinha. O medo fez seu estômago embrulhar. Enquanto ele dava passos paraa frente olhando-a fixamente nos olhos, ela dava passos para trás, sentindo oterror tomar conta de sua vida. Os olhos negros daquele homem percorreram Annabel da cabeça aospés. Por breves instantes ela chegou a sentir leve ternura neles, mas logo esteretomou a postura anterior e avançou para ela com uma raiva desconcertante. Annabel estendeu uma das mãos para a frente como para proteger-see procurou analisar o homem à sua frente. Suas roupas eram grosseiras,porém, de quem estava acostumado a inúmeras batalhas. Calçava longasbotas e trazia uma capa negra por cima das roupas. Do lado esquerdo, uma espada. Á sua direita, um belo punhal douradocravejado com uma única pedra vermelha, um rubi. Seria belo, se não portassetanta frieza em suas feições tipicamente escocesas. - Annabel...... [sussurou ele] - Quem és tu? [pergunta ela assustada] - Não me reconheces Annabel? Há muito eu te procuro.... e agora nãoa deixareis mais. - Não! Não te conheço! Sou uma mulher casada. O que queres demim? [ela falou com arrogância] Dando um passo para a frente, ele a segurou com uma das mãos pelopescoço, primeiramente com raiva, para em seguida afrouxar as mãos eacariciá-la com ternura e desejo. - Eu quero você Annabel. Tu és minha!! Sempre foi e sempre será! EIan nunca mais a verá! Dito isto, ele inclinou a cabeça e chegou seus lábios perto dos lábiosde Annabel, que tremeu angustiada. Ele a fita nos olhos com uma frieza
  5. 5. 5impressionante e enquanto isso, a enlaçava pela cintura com certa rispidez,fazendo Annabel soltar um grito rouco. - Quem és tu? Por que fazes isto? [pergunta ela] Soltando uma gargalhada insuportavelmente fria, ele responde: - Meu nome é Kyle!! [e virou-a brutalmente para a parede, de costaspara si]. A partir de hoje, tu serás minha Annabel e de ninguém mais. - Nãooooooooooooooooooooooooooooooooo !!!!!!!!!! [grita elaDesesperada]. - Simmmmmmm Annabel!! Deixe-me mostrar como posso ser umhomem bom para ti! [e soltou outra gargalhada rouca, porém sinistra].
  6. 6. 6 Escócia – Parte III Sem se preocupar com os gritos da mulher, Kyle abriu sua calça comuma mão enquanto com a outra, segura os braços de Annabel para cima. Logodepois, a empurra de encontro à mesa, onde ela bate a barriga, fazendo-asentir uma pontada de dor. Ele levanta suas roupas, procura sua pele em meio a tantos tecidos equando sua mão toca a pele macia, solta um longo gemido, como se fosse umanimal no cio. Mesmo sentindo uma pontada de dor no pé da barriga, Annabel mordeos lábios e fica em silêncio quando sente Kyle a tocando intimamente com osdedos. Ele a puxa pela cintura, arqueando o corpo dela de encontro à mesa elevanta o restante das roupas de Annabel. Vendo-a nua, ela para por algunsinstantes saboreando aquela visão. Ele sempre a quis, mas ela escolheu Ian eKyle jurou vingança contra aqueles dois. Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Annabel quando ela sentiu omembro de Kyle penetrando suas carnes. Ela queria gritar, mas sabia que nãofaria diferença, ninguém a salvaria. Ela continuou sentindo mais e mais estocadas de Kyle dentro de sienquanto palavras desconexas saíam da boca daquele homem. Enquanto elepossuía seu corpo, ela sentia nojo do ato covarde e insano.
  7. 7. 7 Depois de saciar-se por longos minutos, Kyle a deita na mesa e abresuas pernas. Annabel chuta o ar, mas Kyle segura suas pernas abertas. Osexo de Annabel estava inchado. Seus pelos estavam úmidos. Aquilo excitou Kyle que começou a beijá-la, cheio de paixão. Sua bocapercorreu os seios dela e quando chegou aos bicos rosados, ele a mordeu coforça, fazendo-a gritar de dor. Ele não se importava com os gritos dela, só queria possuí-la! Sua bocachegou até o sexo dela e sua língua passeou por todo o contorno de suascarnes até penetrá-la, sentindo, satisfeito, o gosto dela misturado ao dele. Quando tocou o ponto máximo do prazer de toda mulher, ele segurou-oentre os dentes e sugou-o até sentir Annabel parar de chutar. Não havia comonão sentir prazer com as manobras da boca daquele homem. Annabel seesforçou tanto a ponto de chorar logo após o orgasmo violento que sentiu. O choro baixo de Annabel só chegou aos ouvidos de Kyle longo tempodepois, após saciar sua fome animal. Annabel foi deixada na mesa, sem omenor carinho. Ele se abaixa, sobe e prende as calças com um cordão àcintura. Seu rosto fitou o dela, calado. Por um momento, ela podia jurar queesse homem possuía sentimentos por ela. Seus pensamentos foram quebrados pela voz vibrante de Kyle,enquanto ele estendia a mão para ela: - Vamos Annabel, levante-se !! Temos um longo caminho a percorrer. - Por favor [diz ela], deixe-me aqui. Você já fez tudo que queria. Nãoquero ir com você !! - Tu não tens escolha, não tens que querer nada Annabel. Tu vaiscomigo quer queira, ou não! Vamos !!! [grita a última palavra] Cambaleando, Annabel levanta-se, ajeita as roupas da melhor maneirapossível e se encaminha devagar para a porta.
  8. 8. 8 Quando chegou do lado de fora, notou que ele tinha invadido a aldeiacom muitos homens e todos tiram uma péssima cara. Seu corpo estavatremendo. - Vá se lavar enquanto apronto o cavalo! [exige ele] Escócia – Parte IV Calada, Annabel se encaminha para o mar. Não se incomodava comos rostos desconhecidos aguardando aquele homem fora de sua casa. Comlágrimas escorrendo por seu rosto, ela entra no mar até a cintura e se lava
  9. 9. 9freneticamente como se a água salgada pudesse tirar todos os vestígiosdaquele homem que possuíra seu corpo, mas que jamais possuiria o seu amor,o seu espírito. Saindo do mar, ela vê Kyle se encaminhando para um belo cavalonegro e em poucos segundos, tenta imaginar se existe outra saída para si.Como se adivinhasse seus pensamentos, Kyle lhe enviou um sorriso irônico eavisa: - Não tens para onde correr meu amor. Tu irás comigo até o fim! Dizendo isso, Kyle montou em seu cavalo e com um puxão brusco narédea, começou a galopar, pegando Annabel pelo caminho e sentando-a à suafrente. Naquele momento, Annabel soube que não haveria mais salvação parasi. Ian estava longe dali e ninguém mais poderia ajudá-la. Com resignação, elase deixou levar ereta e calada, tentando ficar o mais longe possível do corpodaquele homem que a enojava. Menos de duas horas depois, exausta de medo, tristeza e também dacavalgada, Annabel recostou o corpo no peito de seu algoz sem que notasse ecaiu num sono povoado de pesadelos. Kyle, assim que sentiu sua amada relaxando seu corpo contra o dele,deu um leve sorriso. Fechando ligeiramente os olhos, aspirou o perfume dosseus cabelos e acariciou seus braços. Ele jurou a si mesmo que Annabel aindao amaria tanto ou mais que a Ian. Ele a amara desde a primeira vez que a viu na aldeia. Annabel malhavia completado 18 anos e possuía uma rara beleza. O sorriso delaencantava a todos e Kyle, que até então nunca havia se apaixonado, quisentregar seu coração àquela linda mulher, mas ela se apaixonou por Ian. Lembrando de seu oponente, seus olhos voltam a brilhar intensamentecom ódio. A fúria tomou conta do seu ser e ele firmou os pés na barriga do
  10. 10. 10animal, chegando, poucas horas depois, já ao anoitecer, ao ponto de partidapara o seu destino. Um navio os esperava já pronto para saírem. Kyle subiu a rampa deacesso ao navio com Annabel nos braços. Ele a observa preocupado. Suaamada estava abatida e com uma péssima aparência. Parecia não haver umpingo de sangue em seu corpo. - Talvez ela precise apenas de um banho e de uma boa alimentação.[pensou em voz baixa] Assim que entra em seus aposentos, Kyle a deita sobre a cama e acobre com tecidos leves e macios. Sentou-se à beira da cama, observandoAnnabel dormindo e carinhosamente, passou os dedo pelo seu rosto, tirandouma mecha de cabelos que teimava em cair sobre o seu olho. - Você nunca mais será de outro homem Annabel!! [falou pra si mesmo] Ele saiu em busca da Senhora que trabalhava há anos para ele e queseria dali em diante, a responsável por Annabel.
  11. 11. 11 Escócia – Parte V Bem distante dali, alguns homens encontravam-se sentados ao redorde uma fogueira, conversando alegremente. - Em menos de dois dias estaremos em casa!! [fala um deles] - Será que meu filho ainda se lembra de mim?? [comenta outro meioexaltado] - Eu só preciso de um bom banho e de minha cama de volta! [ri outro] Enquanto as vozes destes se alternavam entre o cansaço e algazarras,um homem jazia sentado recostado a uma árvore, em silêncio. Era IanMagnussen. Alto, forte, tinha a pele um pouco castigada pelo sol e pelo frio,mas não disfarçavam a sua incrível beleza masculina. Os cabelos negros como a noite, soltos até os ombros estavamcobertos por peles que lhe aqueciam. Todos se preparavam para passar aúltima noite gelada na floresta, antes de voltarem para a aldeia no dia seguinte.
  12. 12. 12 Seus olhos cansados, mas felizes, pousaram em seus amigos,companheiros, seus colegas de luta. Todos estavam ansiosos pelo retorno àaldeia. Ian olhou à sua esquerda e sorriu satisfeito. As carroças estavam cheiasde comida e pele [caça] que poderiam abastecer a aldeia até o próximoinverno. Fechou os olhos para descansar, mas sua mente estava alerta. Suaamada esposa Annabel não saía dos seus pensamentos. Sorriu para simesmo, deixando os belos dentes brancos à mostra, uma de suascaracterísticas que mais atraíam Annabel. Ah como ele a amava! Desde a primeira vez que a viu atravessarcorrendo o campo de minúsculas margaridas e soltando alegres gargalhadas,Ian só pensava nela. Ela tinha pouco mais de oito anos de idade e Ian, 13. Masambos acreditaram no amor à primeira-vista, pois, a partir de então, nuncamais se deixaram e Ian protegia Annabel de tudo e de todos. Com carinho eeducação. Com respeito e amor. Porém, Kyle, o filho de um dos homens mais prósperos da aldeiavizinha, não tirava os olhos de sua Annabel. E aquilo preocupava Ian, que nãoa deixava ir sozinha a lugar algum. Annabel nunca teve olhos para outro homem, por isso ela nunca tinhareparado em Kyle e isso o fazia ruminar um ódio imenso por ela, que era mistode paixão e inveja pela fama de Ian como belo e talentoso guerreiro. Assim, quando Annabel completou 16 anos, Ian pediu-a em casamentoe, para alegria de todos [menos a de Kyle], a festa logo se realizou e durou trêsdias e três noites. Ian tinha 21 anos e nunca havia estado com outra mulher.Sua Annabel era tudo que ele queria. Em sua primeira noite, Ian levou Annabel para a casa que ele construiucom muito amor e carinho. Havia espaço o bastante para os dois e aos muitosfilhos que ele gostaria de ter com ela. Ian foi carinhoso, gentil e amoroso em sua primeira noite. Tiroudelicadamente todos os tecidos que cobriam o corpo de sua esposa, ficou nu e
  13. 13. 13encostou seu corpo ao dela antes de iniciar um caminho de beijos quepercorria todo o corpo de sua amada. Um fogo intenso percorreu suas veias enquanto Ian e Annabel iamdescobrindo seus corpos e seus desejos. Os lábios de Ian tocaram levementeum dos seios de Annabel, fazendo com que esta gemesse roucamente. Esse era o código que Ian esperava para saber se devia ou nãocontinuar a tocá-la como gostaria. Seus dentes rodearam um dos mamilosrosados e duros de Annabel enquanto seu corpo ia se encaixando acima dela. Annabel não conseguia ficar parada. Uma de suas mãos percorria ascostas de seu amado enquanto a outra descia timidamente ao sexo dele e osegurava com firmeza. O gemido de Ian sinalizava também que ela estavafazendo tudo certo e ambos gostariam que esta noite jamais terminasse Quando Ian penetrou-a gentilmente, Annabel sentiu um misto de dor eprazer que até então nunca havia sentido. Suas unhas cravaram-se com forçanas costas de Ian e este a virou de uma vez na cama, fazendo com que estaficasse por cima e o cavalgasse com vontade. Os olhos de Ian iam dos lábios inchados [pelos beijos] de sua amada epercorriam seu corpo branco, suado e desciam até os seios firmes, auréolasgrandes e bicos rosados. Neste instante, Ian a abraçou com força e colou seu corpo ao dela,ambos gemendo alto de prazer. O grito dos dois se misturou ao gôzointermitente de seus corpos no instante em que, juntos, abriram os olhos esentiram um halo de luz subindo por suas espinhas em aspiral e saindo porsuas cabeças e se entrelaçando acima destas como fossem dois elos sejuntando após longa espera. Paralisados com a luz e com o prazer intenso, os dois se abraçaramfortemente, emocionados. Mas era uma emoção de reconhecimento. Um chorocontido que precisava exatamente o tempo que os dois se pertenciam, ou seja,sempre!!
  14. 14. 14 O movimento dos cavalos trouxe Ian de volta de seus devaneios e elesuspirou profundamente antes de pegar no sono. Não via a hora de chegar emcasa, sentir o cheiro de Annabel, sentir o gosto da pele de sua amada e poderestar dentro dela para que ambos sentissem novamente aquela luzmaravilhosa que emanava de seus corpos quando faziam amor.
  15. 15. 15 Escócia – Parte VI O balanço das ondas no meio da madrugada despertou Annabel de umsono profundo. Olhando assustada para os lados, ela viu uma senhoraadormecida, sentada em uma cadeira ao lado da sua cama. Seus olhospousaram em si mesma e ela não reconheceu a camisola de nobre tecidobranco e de mangas compridas que estava usando. Seja lá quem tenhatrocado sua roupa, soube do bebê. [pensou preocupada]. Recostando novamente a cabeça no travesseiro, Annabel acaricioucarinhosamente sua barriga e ficou observando tudo a sua volta. Lindas e ricascortinas de veludo vermelhas enfeitavam as janelas do navio. Os móveis eramde madeira escura e obviamente pertenciam a alguém muito rico. Em cima da mesa havia um lindo jogo de chá da mais pura prata. Nooutro canto, um belo armário expunha belos trabalhos em porcelana. O finolençol que a cobria era feito de um tecido que Annabel jamais imaginou queexistisse. Era branco e todo bordado à mão, gostoso ao toque. O cheiro dasroupas e dos lençóis também era agradável. Porém, seus pensamentos voltaram até o homem que a tinha levado.Ela não tinha a menor idéia de quem ele era e porque fazia aquilo com ela. EIan?? Deus, quando ele chegasse e não a visse, o que ele iria pensar ??? Com aquela preocupação na cabeça, Annabel chorou até pegar nosono novamente. A senhora acordou com os seus soluços e sentiu pena damoça, mas não podia fazer nada, pois era apenas uma serviçal de Kyle.
  16. 16. 16 Ela pensou no filho que a mulher esperava e ficou preocupada, masnão contou à Kyle. Esperava a moça acordar para conversarem. Ela estavamuito abatida e ela tinha medo do que poderia acontecer ao bebê. Levantou-se e passou um pano úmido no rosto de Annabel, que lutavacontra os pesadelos, num choro sentido. Foi até a pia da cabine, encheu umachaleira de água e fez um chá calmante para a moça. Ela precisava diminuiraquela agitação da moça, senão poderia perder o filho. O céu se multiplicava em lindas cores que ia do cinza ao azul escuro,do vermelho ao laranja e lilás, quando Ian e seus amigos se puseram acaminho da aldeia. Todos estavam em silêncio, pois quase não haviam dormido, ansiosospor voltarem ás suas famílias. O frio já se iniciava, por isso, era bom seapressarem, pois ainda era preciso distribuir a comida e a pele a todos daaldeia. No meio da manhã já estavam muito cansados por causa dacaminhada. Precisavam parar para se alimentar, bem como dar água e comidaaos animais que carregavam a pesada carga. Ian e seus amigos se banharam num rio a poucos metros de distânciae aproveitaram para assar alguns peixes que pegaram ali mesmo.Descansaram por uma hora e voltaram á exaustiva caminhada. Enquanto isso, Kyle fitava silenciosamente Annabel dormindo. Seurosto era lindo [pensava ele]. Mas a paz que emanava dela era o que atraíaKyle. Annabel o fazia refletir sobre sua vida. Ele estava cansado das longasbatalhas, sobretudo, estava cansado de viver sozinho. Tudo que queria era
  17. 17. 17viver em um lugar mais tranqüilo e dar uma nova vida àquela mulher. Ele tinhaabsoluta certeza que o tempo a ensinaria a amá-lo. Seu olhar pousou nas suas finas e delicadas mãos que,inconscientemente, descansavam sobre sua barriga. A barriga que abrigava ode Ian. A esse pensamento, Kyle levantou-se nervoso e foi até a mesa. Pegouuma garrafa de vinho, adicionou seu conteúdo a um copo e o sorveu de umavez. Olhou novamente para Annabel e chamou a senhora que estavacuidando dela. - Quando ela acordar, dê-lhe um banho e a sirva com uma refeiçãofarta. Não a deixe fazer esforço e cuide dela muito bem! A senhora apenas assentiu com a cabeça e saiu para aprontar o banhoda moça. Ela sabia que devia fazer exatamente o que ele pedia ou poderia serseveramente castigada. Pouco depois, Annabel acordou meio enjoada, mas o cheiro dos ovosmexidos mexeu com seu estômago vazio. Estava com tanta fome que nãopensou muito e comeu tudo que tinha na bandeja ao lado da cama. A velhasenhora a observava calada, porém, com atenção. Assim que terminou sua refeição, Annabel pediu para ir ao toilette, oque a senhora indicou com a cabeça. Lá dentro, Annabel se olhou em umespelho na parede à sua frente e notou as olheiras profundas e escurasembaixo dos olhos. Seu rosto também estava muito abatido [observou sentindoas primeiras lágrimas chegarem aos olhos]. Depois do banho, ela saiu do banheiro e, antes de chegar até a cama,sentiu uma pontada de dor abaixo do ventre e junto com esta, uma levetontura. A senhora correu para acudi-la antes que ela caísse, e a deitou nacama. Ela tentou ficar quieta, mas a lembrança dos acontecimentos adeixaram nervosa e as dores aumentavam com o passar do tempo, fazendo
  18. 18. 18com que, ao final do dia, Annabel tivesse febre alta, começasse a delirar e achamar o nome do marido. Kyle foi chamado às pressas até os aposentos de Annabel e ficouhoras sentado observando-a enquanto a mulher banhava seu rosto com águamisturada a algumas ervas. No final da tarde, Kyle, que cochilava ao lado da cama, acordou comum grito de terror e viu Annabel levantar o corpo do travesseiro e seu rostoestava branco como um papel. Ela colocou a mão na barriga e logo se perdeunas profundezas de um desmaio. Após examiná-la cuidadosamente, a velha senhora avisou à Kyle queAnnabel estava perdendo sangue.... e provavelmente, estava perdendotambém a criança. Kyle se levantou nervoso e implorou para a mulher não deixar Annabelmorrer. Daria uma boa recompensa a ela, se ela salvasse a vida de Annabel. Amulher balançou a cabeça em silêncio e continuou seu trabalho junto àAnnabel. Escócia – Parte VII Nesse mesmo instante, Ian sentiu uma leve tontura! Parou um pouco,tomou água e franziu a testa. Seus pensamentos foram direto até sua esposa.
  19. 19. 19Seu coração estava apertado e uma saudade absurda tomou conta de seupeito. Sentiu que Annabel não estava bem e isso fez com que apressasse acaminhada. Que Deus não deixasse nada de mal acontecer á sua amada[pensou ele]. Kyle estava bastante abatido. Depois de travar uma luta o dia todo comervas, a velha senhora avisou que Annabel perdera a criança. Ele sabia queela o odiaria ainda mais por isso. No momento, não tinha nenhum plano, mas teria que pensar em algocedo ou tarde. Fitou o céu escuro e um pequeno arrependimento brotou emseu coração. Não devia tê-la possuído à força [pensava]. - Se ao menos eu soubesse que ela esperava um filho, eu teria sidomais gentil !! - Inferno !!!!! [gritou ele, batendo o punho com força na parede donavio] E agora, o que faria para que ela confiasse nele e o amasse ??????[com esses pensamentos fervendo em sua cabeça, Kyle abriu uma garrafa deconhaque e bebeu o resto da noite até dormir de cansaço]. No exato momento em que Ian avistou a aldeia, Annabel abriu os olhosvagarosamente. Não se lembrava de nada, mas sentiu leve desconforto epousou a mão em seu ventre. As lembranças retornaram e ela se pôs a chorar baixinho. Perdera seufilho. Perdera seu bem precioso. Perdera uma parte de Ian. Perdera sua vida.
  20. 20. 20O choro contido cedeu lugar a gritos desesperados de mágoa e rancor contraKyle e contra Deus. Kyle ouviu seu choro desesperado e passou o dia angustiado, evitandoentrar no quarto e ver o rosto de Annabel. Algumas horas depois, a senhora oinformara que Annabel se negava a comer e a beber água. Kyle entrou em seus aposentos e o que viu, deixou seu coraçãoapertado. A bela Annabel se transformara. Seu rosto abatido perdera a cor.Seus olhos perderam o brilho e ela fitava um ponto qualquer. Pequenasgotículas pairavam em sua testa e acima dos seus lábios, onde a mulherbanhava para extrair a febre. Ian estranhou o silêncio da aldeia e caminhou rapidamente, notandoque poucos vieram recebê-los. Alguns abaixavam a cabeça quando o viampassar. Algumas mulheres correram ao encontro dos maridos e começaram achorar e falar ao mesmo tempo. Ian não entendia nada, mas seu coração disparou e pressentiu quealgo de ruim havia acontecido. Correu pela encosta acima até sua casa. Pelocaminho, viu a cesta caída e um caminho de flores que levava até a porta desua casa. Empurrou a porta dos aposentos à procura de sua esposa e tudo queviu foi uma cadeira virada, um copo e uma garrafa ao lado da mesa. Um medoimenso tomou conta do seu ser quando ele se virou para a cama e viu opequeno embrulho caído no chão. Abriu o pacote e viu a peça. Sabia o quesignificava. Sentou à beira da cama e passou as mãos, nervoso, pelos cabelos. Era um presente que seu bisavô dera para a sua bisavó e que passaraa todas as mulheres da família. Ian passou a ponta do dedo indicador pelapeça. Era um belo sol feito de ouro puro. Dentro do sol, havia uma meia-lua eao lado deste, uma estrela de cinco pontas.
  21. 21. 21 A pesada corrente, também feita de ouro, lembrava Ian e Annabel dequando eles faziam amor, da aspiral de luz entrelaçada. Era uma linda e ricapeça. Ian dera a Annabel no dia do casamento e ela guardava com muito amorpara dá-la ao seu primeiro filho ou filha [sorria triste Ian]. Ian se levantou quando ouviu o barulho de alguém entrando pela portae fitou longamente o rosto do seu melhor amigo, Jilles. Junto dele, sua esposachorava baixinho e explicava a Ian o que havia acontecido. Uma raiva surda tomou conta de Ian. Algumas pessoas da aldeiahaviam reconhecido Kyle e tentaram impedi-lo de levar Annabel, mas doisdeles morreram lutando, outros foram feridos gravemente e o restante nãotinha força suficiente para lutar contra Kyle e seus homens, pois os melhoresguerreiros estavam caçando com Ian. Ian se levantou, puxou o tapete para o lado e abriu uma pequenaportinhola que ficava escondida sob a mesa. Lá de dentro pegou sua espada,um punhal e o brasão da família Magnussen. Jilles saiu e voltou com cinco dos melhores homens e saíram a cavalojunto com Ian à procura de Annabel.
  22. 22. 22 Escócia – Parte VIII Três dias se passaram e Annabel não reagia. Sua febre não baixara,indicando provavelmente uma infecção provocada pela perda do filho. Ela nãoreagia, não se alimentava e mal engolia água.
  23. 23. 23 Kyle estava desesperado para pararem o navio e levar Annabel à terrafirme. O capitão logo avisou que dentro em pouco poderiam desembarcar e eleestava esperançoso que ela melhorasse quando chegasse. Ele passou horas ao lado da cama dela, segurando a sua mão. Àsvezes, ela abria os olhos, sorria e chamava por Ian. Kyle mordia os lábios,irritado, mas nada podia fazer, afinal, ela estava muito doente. Ian e seus amigos estavam exaustos. Descobriram que Kyle haviatomado um barco com seus homens e levara Annabel para o outro lado dooceano, provavelmente para a aldeia de sua família. Desesperado, partiu com seus homens em busca de sua esposa e fezpraticamente todo o trajeto em silêncio. Ele sentia muita raiva, mas apreocupação com a saúde de sua esposa era maior. Ele só queria ela viva e devolta para ele. Assim que o navio ancorou, Kyle embrulhou cuidadosamente Annabelcom o lençol branco bordado e a deitou em seu colo. Desceu a rampa comalguns homens para a terra firme. No meio da rampa, Annabel sussurroualgumas palavras e Kyle só entendera que ela chamava Ian. Assim que terminaram de descer, Kyle deitou carinhosamente Annabelno chão, recostou sua cabeça em seus braços e deu-lhe água. Mal engolindoalguns poucos goles, Annabel olhou para Kyle e falou baixinho: - Jamais fui tua. Jamais serei! Amo meu esposo e o amareieternamente. Você matou nosso filho e a mim também. Eu o odiarei por toda aeternidade e espero que Ian o encontre e o mate! Com o rosto transtornado, Kyle respondeu:
  24. 24. 24 - Não Annabel !! Você será minha, você me amará, prometo!! Fareitudo que você quiser, mas fique comigo! Eu cuidarei de você, eu a amo. Porfavor, não morra! Olhando para ele com os olhos sem brilho, Annabel apenas respondeu,sussurrando: - Nunca! Com a voz fraca, Annabel ainda teve forças para olhar para o céu esussurrar: - Ian minha vida..... te reencontrarei logo meu amor....adeus.... Dizendo isso, ela fechou seus olhos para sempre e sua cabeça pendeupara o lado, voltada para o peito de Kyle. Com terror, Kyle virou o rosto de Annabel de um lado para o outro egritou olhando para o céu: - Deus! Não a deixe morrer! Eu a amo! Ela é minha, só minha !!! Ficou abraçado a ela por muitas horas até que a Senhora tocou seuombro de leve e pediu para preparar o corpo de Annabel. Em silêncio, ele deixou o corpo dela na praia. Levantou-se chorando eblasfemou contra Deus. Logo ele montou o cavalo e saiu em disparada. Enquanto isso, a mulher embrulhou o corpo de Annabel no lençolbranco com algumas ervas e chamou alguns homens para ajudarem-na napreparação da despedida do corpo e do espírito. Com respeito, os homens colocaram o corpo de Annabel em cima depedaços de troncos de árvore dentro de uma pequena barca. Enfeitaram comflores e folhas perfumadas das imensas de árvores nativas.
  25. 25. 25 Por fim, acenderam o fogo das tochas improvisadas que ficaram aoredor do corpo de Annabel e puseram a barca no oceano no exato momentoem que Kyle voltava. De longe, fitaram o fogo aumentando e o corpo sendo consumido pelaschamas. A velha senhora se pôs a entoar um cântico triste de despedida eentrega do espírito de Annabel. Kyle fitava o corpo de sua amada ardendo nas chamas da fogueirasumindo junto ás águas do oceano enquanto sentia lágrimas correndo por seurosto. - Do que adiantou? [pensava alto] - Ela nunca foi minha mesmo. Nunca me amou. Uma raiva surda tomou conta de seu espírito e ele saiu caminhando deum lado para outro gritando a quem pudesse ouvir que Annabel ainda seriasua, nem que fosse preciso ir atrás dela na eternidade. Todos ficaram em silêncio, com os cenhos franzidos, preocupados como seu líder. Ele não parecia bem. Eles tinham que fazer alguma coisa paraajuda-lo, mas ele parecia fora de si.
  26. 26. 26 Escócia – Parte IX Dois dias depois, o barco que levava Ian e seus homens ancorou nomesmo lugar que Kyle havia estado. Assim que chegou em terra firme, ele saiuperguntando sobre Kyle, mas quase nenhum dos moradores sabia informar-lhe. Ao final do dia, um deles contou a Ian tudo o que havia visto e elesoltou um grito surdo de dor e desespero. Ajoelhou na praia e fitou o oceano
  27. 27. 27em prantos, como se pudesse trazer sua esposa de volta. Não podia serverdade [pensou ele]. Sua Annabel não podia estar morta! [repetia para si mesmo váriasvezes]. Seus amigos choraram junto com Ian. Nenhum deles disse umapalavra. Apenas choravam a dor do amigo, companheiro e líder. Horas depois, Ian segurou a corrente ao pescoço e jurou aos céus e àsua amada Annabel que mataria Kyle. Levantou-se e voltou com oscompanheiros ao barco para irem em busca de Kyle. A viagem foi angustiante para Ian e seus companheiros. Muitasinformações desencontradas de um lado e do outro os levaram a vários lugarese nada de encontrarem Kyle. Após dois meses procurando em todas as aldeias dos arredores, ummorador deu uma pista de Kyle e Ian partiu sedento de sangue. Seuscompanheiros estavam visivelmente exaustos, mas não abandonaram Ian emnenhum momento. Deviam isso a ele, afinal, todos viviam na mesma aldeia eeram como irmãos. Desembarcaram, enfim, a noroeste da ilha onde Annabel perdera avida. Ian dividiu os poucos companheiros para procurarem por Kyle e saíramem várias direções. Ele só pensava em vingança. Ele queria matar Kyle! Não entendiaporque sua esposa morrera, mas o culpado era aquele maldito homem queperseguia Annabel com o olhar desde que ela era apenas uma adolescente. No início da tarde, Ian ajoelhou-se ao lado de um riacho, encheu seucantil de água, lavou-se e sentou-se embaixo de uma árvore para se refrescar.
  28. 28. 28Estava exausto, precisava descansar. Estava de olhos fechados quando ouviuum barulho atrás de si. Era Kyle montado no lindo cavalo negro. Ian levantou-seimediatamente e desembainhou sua espada. Seu rosto estava visivelmentecansado, porém, demonstrava toda sua ira contra aquele homem que tirara suaesposa de si. Kyle estava abatido, mais magro e com a fisionomia triste. No entanto,lançou um sorriso cínico em direção a Ian e, pegando sua espada, falou: - Eu não queria que ela morresse! Infelizmente, durante a viagem, elase sentiu mal. - Cale essa maldita boca! Tu não podes tocar no nome de minhaesposa. Agora vou te matar e jogar teu corpo aos bichos. - Ora, ora Ian.... porque tanta revolta? Eu estava apaixonado porAnnabel e ia dar uma vida digna a ela e ao filho. - Filho.... que filho? Do que está falando? (perguntou Ian, assombrado). Com o rosto aturdido, Kyle respondeu: - Então você não sabia que ela estava esperando um filho.....? Antes que ele terminasse a frase, Ian partiu pra cima dele e travaramuma luta ferrenha. Lágrimas rolavam pelo rosto de Ian durante a luta. Seucoração estava apertado, despedaçado. Sua esposa esperava um filho seu e aquele homem os tirara de si. Eletinha tanto ódio no coração, que esqueceu todos os ensinamentos que seu pailhe impunha quando mais jovem. Naquele momento, não havia controleemocional. Tudo que ele queria era matar Kyle!!
  29. 29. 29 Algum tempo se passou até que os dois tombassem por terra. Kyleestava morto, e Ian, visivelmente fraco, vertia sangue de uma grande feridalogo abaixo do ombro direito, bastante ferido. Com a mão na ferida, Ian se recostou à arvore e fitou o corpo dohomem que tirou a vida de sua esposa e seu filho. Virou o rosto pro riacho. Enfiou a mão por dentro da roupa e segurou,com força, o medalhão preso ao pescoço enquanto a outra mão foi pendendolentamente ao lado de seu corpo se esvaindo em sangue. Ele olhou para o céu com uma tristeza profunda nos olhos e sussurrouamargurado: - Porque levar a mulher que tanto amei e ainda deixar nosso filhomorrer? Por quê? Foi tudo culpa minha! Eu não devia ter demorado tanto avoltar da caça. Eu não devia ter deixado a aldeia desprotegida! - Annabel meu amor, perdoa-me por tudo [chorava Ian]. Eu não mereçoo teu amor. Deixei-a sozinha à mercê desse monstro e não pude chegar atempo de salvá-la. Eu devo pagar por esta tua dor minha amada. Perdoa-me por não estarcontigo quando mais precisastes de mim. Eu te amo mais que a mim mesmomeu amor. Sempre te amei e sempre te amarei... eternamente. Começando a delirar, Ian continuava a gemer: - Não me deixe sozinho minha vida! Segure as minhas mãos e me levepara onde estiveres. Prometo estar sempre com você, se me for dada novaoportunidade.
  30. 30. 30 Prometo cuidar de você e de nossos filhos e nunca deixá-la sozinha edesprotegida outra vez. Prometo jamais largar as tuas mãos e ser teu fiel eeterno amor! Largando a mão que segurava o medalhão, Ian olha mais uma vez ásua frente... quando de repente, em meio às lágrimas, um sorriso de esperançabrotou dos seus lábios, ao ver sua amada lhe estendendo as mãos e, numúltimo suspiro, seu corpo estremece, e ele tombou a cabeça, sem vida. Algumas horas depois, seus companheiros encontraram o corpo de Ianrecostado á árvore. Eles ficaram intrigados com o sorriso nos lábios do amigo.Aprontaram seu corpo e, assim como foi feito com o corpo de Annabel,entoaram um cântico de despedida, libertando o seu espírito junto às chamasque engoliam seu corpo rumo ao mar. Algumas pessoas da aldeia comentaram por várias gerações.... sobre avisão de um casal feliz, que era sempre visto correndo, de mãos dadas comuma criança, brincando pela praia. ... E o riso deles era ouvido de longe.... muito longe..... muito....

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