Introdução psicopatologia

561 visualizações

Publicada em

História da psicopatologia

Publicada em: Saúde e medicina
0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
561
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
5
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
43
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Introdução psicopatologia

  1. 1. PSICOPATOLOGIA
  2. 2. (IN)DEFINIÇÕES PSYCHE ALENTO SOPRO EU RESPIRO PSIQUE ALMA MENTE PATHOS SOFRIMENTO EXCESSO PASSIVIDADE PAIXÃO CATÁSTROFE PASSAGEM LOGOS PALAVRA RAZÃO LÓGICA DISCURSO NARRATIVA CONHECIMENTO
  3. 3. (IN)DEFINIÇÕES CONJUNTO DE CONHECIMENTOS REFERENTES AO SOFRIMENTO MENTAL DO SER HUMANO Mítico, moral, religioso, filosófico, sociológico, biológico, psicológico, etc. RAMO DA CIÊNCIA QUE TRATA DA NATUREZA ESSENCIAL DA DOENÇA MENTAL - Busca observar, identificar e compreender os diversos fenômenos da doença mental - Pretende ser autônoma, sem se confundir com outros campos do conhecimento às quais está associada, como a medicina, a psicologia e a filosofia.
  4. 4. Mitch Griffiths
  5. 5. PRA COMEÇAR: QUAL É A NOSSA RELAÇÃO COM A PSICOPATOLOGIA? Como enxergamos o sofrimento? E as alterações de comportamento? O que é normal/saudável ou patológico? Quais as nossas relações pessoais com o sofrimento psíquico? Experiências pessoais, familiares, etc.
  6. 6. Quais as nossas “psicopatologias”? Como as vivenciamos? Como lidamos com elas? A “psicopatologia” já está presente, naturalmente, em qualquer pessoa...
  7. 7. O que o paciente espera de mim? Qual o significado que ele traz sobre seu problema? Como eu enxergo seu sofrimento, e meu papel diante dele? Sempre há uma relação transferencial e ideológica sobre a psicopatologia! NO ENCONTRO TERAPÊUTICO, COMO O “PROBLEMA” VAI SER ABORDADO?
  8. 8. E A MANEIRA DE ABORDAR O PROBLEMA PODE SER MAIS “PATOLOGIZANTE” QUE O PATHOS EM SI... Por isso a necessidade de se conhecer as diferentes formas de se lidar com o sofrimento mental, quer se acredite nelas ou não... Somos obrigados a nos relacionar com as crenças dos nossos pacientes, de outros profissionais e da sociedade em geral...
  9. 9. A psicopatologia é tão antiga quanto a humanidade? COMPREENSÃO DO SOFRIMENTO E DAS ALTERAÇÕES DE COMPORTAMENTO MITOLOGIA E RELIGIÃO
  10. 10. ESPÍRITOSMALIGNOS E RITUAIS DE CURA
  11. 11. E hoje ainda não temos nossos rituais? Os mistérios do efeito placebo e dos fenômenos psicossomáticos
  12. 12. A FILOSOFIA O homem passa a se considerar capaz de pensar criticamente sobre a existência
  13. 13. VISÃO MÉDICA Teoria dos humores (Hipócrates)
  14. 14. Os templos de Asclepio. Religião e tratamentos somáticos não eram dissociados. Práticas de cura por sonhos e também cirurgias...
  15. 15. ASCENSÃO DO CRISTIANISMO E A IDADE MÉDIA Retorno a uma visão espiritual Relativização, e até mesmo repulsa, dos fenômenos “terrenos” David Mach
  16. 16. David Mach
  17. 17. ILUMINISMO (SÉCULO 18) Cisão objetividade x subjetividade Impulso da visão científica e racional sobre o mundo Desvalorização das visões místicas/espirituais.
  18. 18. A FILOSOFIA DO ROMANTISMO E A CRÍTICA DA RAZÃO PURA (SÉC. 19)
  19. 19. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (SEC. 19) A revolução na medicina Preocupação com as doenças e sua sintomatologia Observar, classificar e ordenar Fisiopatologia (desenvolvimento normal e suas alterações)
  20. 20. INÍCIO DA PSIQUIATRIA (SÉC. 19) Pinel e a diferenciação da alienação mental como matéria médica
  21. 21. W. WUNDT E A FUNDAÇÃO DA PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA Psicologia experimental x social 1875 – primeiro laboratório de psicologia Nascimento C.G Jung
  22. 22. W. JAMES Variedades da experiência religiosa Conceito filosófico do pragmatismo
  23. 23. Altas expectativas em relação à psicologia (e psicopatologia) Respostas às questões universais sobre a mente humana Superação das especulações religiosas e metafísicas Porém, os problemas metodológicos eram grandes... No início do século 20: Proliferava uma grande confusão de teorias e conceitos
  24. 24. E, no século 21... Depois da revolução da genética e das neurociências!
  25. 25. O que não impediu que a psicologia, em suas mais diversas formas, Da lavagem cerebral à liberdade sexual, tenha sido associada aos grandes movimentos e transformações do século 20. E provavelmente a sua multiplicidade e falta de coerência paradigmática tenha facilitado o seu alcance e difusão popular Psicologia, visão de mundo e mitologia
  26. 26. A psicologia depara-se com um problema metodológico parecido com o da física quântica: O observador interfere na qualificação do objeto de pesquisa e nos resultados observados. A psicologia está sendo constantemente reconstruída de acordo Com pressupostos (ideologias) sobre o que é “ser humano”...
  27. 27. IMPORTANTE REFERÊNCIA PARA COMPREENDER A CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA PSICOLOGIA ANALÍTICA
  28. 28. A própria psicologia analítica se tornou um arquipélago de teorias, que muitas vezes usam seus conceitos de formas bem diferentes, chegando a se opor em questões fundamentais. Mas todas são “psicologias junguianas”...
  29. 29. As ideias de Jung com alcance epistemológico e metodológico foram negligenciadas, começando por ele mesmo...
  30. 30. EPISTEMOLOGIA LOGOS Estudo Ciência Investigação Disciplina EPISTEME Conhecimento “saber como” “colocar sobre” Construir algo sobre alguma coisa Território que é conhecido e demarcado A relação entre o conhecedor e o que é conhecido
  31. 31. METODOLOGIA METODO O caminho que leva a algum lugar Consequência da epistemologia A maneira como Jung aplicou seus princípios teóricos na prática clínica AS BASES PARA NOSSA VISÃO SOBRE A PSICOPATOLOGIA
  32. 32. As conferências no clube universitário Zofingia
  33. 33. 'Border Zones of Exact Science‘ - Crítica tanto à ciência materialista como a filosofia metafísica transcendente. - Na época, defendeu o Vitalismo, que enxergava o princípio vital distinto dos reinos da física e da química, mas ao mesmo tempo conectado a eles. Uma posição que Jung manteve ao longo de sua obra: - A independência da dimensão psicológica - A experiência do mundo seria a realidade (subjetiva) - Mas era contrário a um subjetivismo radical (o mundo como ilusão)
  34. 34. Doutorado “Psicologia e psicopatologia dos assim chamados fenômenos ocultos” Helene Preiswerk - Experiências mediúnicas - Jung participava das sessões como observador, mas não se limitou a investigar apenas o conteúdo das sessões, e se interessou fortemente pela transformação da personalidade de Helene ao longo do processo, de uma menina insegura para uma mulher madura.
  35. 35. Jung não se focou em comprovar ou refutar a veracidade Das experiências mediúnicas, mas sim em observar suas Consequências psicológicas e influências sobre o Desenvolvimento da personalidade de Helene A conexão de Helene com os “espíritos” teria uma função TELEOLÓGICA Ivenes
  36. 36. Trabalho em Burgholzli Jung mantém a postura de compreender as verbalizações de seus pacientes Apoio de Bleuler, o diretor do hospital (criador do conceito de “esquizofrenia”) Ambiente de pesquisa aprofundada sobre as doenças mentais Instrumentos de mensuração psicofisiológica Pesquisas sobre linguagem Imersão no ambiente e contato íntimo com pacientes Médicos moravam no hospital Entrevistas que duravam horas...
  37. 37. Relatos no memória, sonhos e reflexões A mulher que escutava a voz de Deus
  38. 38. As pesquisas com o Teste de Associação de Palavras Filme: Um método perigoso A descoberta das “personalidades divididas” E não só em esquizofrênicos... Conexão entre psicopatologia e psicologia da “normalidade” O “outro” que mora dentro de nós mesmos A dissociabilidade natural da Psique Visão sistêmica da mente Neurociências do séc. 19...
  39. 39. As diversas idéias estão interligadas segundo as diferentes leis de associação (semelhança, coexistência, etc). Mas, para a formação de associações superiores, elas são selecionadas e agrupadas por meio de um afeto. Jung, Sobre a psicologia da demência precoce, Halle, 1907,pg 44, in complexo, arquétipo, símbolo O CONCEITO DE COMPLEXO (DE ACENTO EMOCIONAL) DÉCADA DE 1900 Envolvido na psicopatologia, mas também um componente estruturante da Psique Uma entidade autônoma da mente
  40. 40. EGO C C C Questionamentos sobre a autonomia do Ego. Multiplicidade da Psique (psiques parciais). Os complexos estão radicados no corpo (reações emocionais) Corroboravam a teoria psicanalítica da autonomia do inconsciente COMPLEXO
  41. 41. Somente depois desse longo período de estudos e trabalho (e experiências) ocorreu o encontro entre Jung e Freud... Freud oferecia uma chave para a compreensão da dinâmica do inconsciente. O que desejavam “os outros” que vivem em nós?
  42. 42. Jung e Freud – a lenda
  43. 43. O ESTUDO DOS SÍMBOLOS PELA AMPLIFICAÇÃO HISTÓRICO - CULTURAL O COMPLEXO COMO COMPONENTE NATURAL DA PSIQUE SÍMBOLOS E TRANSFORMAÇÕES DA LIBIDO (1911-1912) (Ampliação do conceito de libido) RUPTURA COM PSICANÁLISE CRISE PESSOAL A VALORIZAÇÃO DO UNIVERSO DAS IMAGENS
  44. 44. A INFLUÊNCIA DAS VIVÊNCIAS DA INFÂNCIA DE JUNG NA CONCEPÇÃO DE SUA TEORIA PERSONALIDADE No. 1 X PERSONALIDADE No. 2
  45. 45. INTERNO X EXTERNO ESPECÍFICO/INDIVIDUAL X GERAL/COLETIVO PESSOAL/INTRAPSÍQUICO X SOCIAL/SIMBÓLICO Interno x Externo (Cisão e Reconciliação) Vivências animísticas da infância A personalidade cindida (no. 1 e no. 2) Os Complexos Os Arquétipos/Símbolos Religião/Religare O problema do “mundo sem alma” Psicopatologia social
  46. 46. Jung não queria se restringir à análise descritiva dos fenômenos psicopatológicos. Era importante compreender o que os Esquizofrênicos falavam... (Escola de Bleuler) Para Jung, era importante entender a “mensagem” da psicopatologia
  47. 47. The empirical intellect, occupying itself with the minutiae of case histories, involuntarily imports its own philosophical premises not only into the arrangement but also into the judgement of the material and even into the apparently objective presentation of data. C.G. Jung, 'Editorial for Zentralblatt 8:1', in CW 10: par. 548 Jung se manteve crítico em relação a possibilidade da descrição Objetiva e “ateórica” dos casos clínicos... Mihai Criste
  48. 48. Histórias de caso X Biografias
  49. 49. Nise da Silveira
  50. 50. A abordagem causal teria um efeito desintegrador sobre o real significado do produto do inconsciente (o sintoma), pois redutivamente o leva de volta aos seus antecedentes históricos, aniquilando-o, ou apenas conectando-o novamente aos processos elementares de onde nasceu. (Jung, Psychological Types, par. 788) Mitch Griffths
  51. 51. A neurose deve ser compreendida, em última instância, como o sofrimento de uma Alma que não se descobriu seu significado. (Jung, Ulisses – Um monológo, par. 497) Elton Fernandes
  52. 52. Atenção à contratransferência De onde vêm as minhas reações em relação ao paciente? Qual a base sobre a qual estou usando meu conhecimento? Jung e a ênfase na análise didática A contratransferência como instrumento, e não algo a ser evitado Seria impossível... A “SENSIBILIDADE EPISTEMOLÓGICA” DE JUNG
  53. 53. Geração de significado X Descoberta de significado A função teleológica como um caminho que leva a um desdobramento de experiências. Ênfase no processo de individuação, e não no seu produto final. Erik Johansson
  54. 54. O objetivo seria se relacionar com as imagens. Em uma abordagem construtiva, teleológica. O engajamento com as profundezas do ser... Nekya
  55. 55. A EXPERIÊNCIA DE JUNG COM A PSICOPATOLOGIA. O LIVRO VERMELHO...
  56. 56. A ligação da consciência com os Arquétipos Uma conexão significativa Relacionamento/Interação/Vínculo Criar um caminho, através do qual, em processo construtivo/ativo, uma experiência viva, emerge um novo contexto, uma atenção diferenciada, um novo conhecimento, e um sentimento de propósito/significado.
  57. 57. Cuidado com análise, tradução e interpretação das imagens e influências arquetípicas, o que Seria um retorno ao método redutivo.
  58. 58. A força do “numinoso”! O que é capaz de nos carregar através dos desafios da vida? Como lidar com a solidão, o egoísmo e a falta de sentido?
  59. 59. Um confronto de epistemologias Ignorância socrática X Sabedoria gnóstica Crítica de James Hillman Picos e vales (o livro do Puer) A distinção Alma/Espírito como base para as diferenças ente psicoterapia e disciplina espiritual Psicoterapeuta X Profeta
  60. 60. Jung e a psicopatologia social Visões de mundo (religiões/mitologias/filosofias) perderam a força diante da crítica da razão, que questionou a existência de uma verdade absoluta. Mas então, ficamos perdidos/vazios... Embora muitas vezes a ciência ocupe esse lugar mítico...
  61. 61. “Os Deuses tornaram-se doenças; Zeus não mais governa o Olimpo mas, ao invés, o plexo solar, e produz amostras curiosas para o consultório médico, ou desordena o cérebro de políticos e jornalistas que nvoluntariamente liberam epidemias psíquicas no mundo.” (Jung, Alchemical Studies)
  62. 62. Para Jung, a psicologia analítica era uma ciência , não uma visão de mundo. Mas ela tinha um papel especial a desempenhar na formação de uma nova visão de mundo. Sua contribuição consistia na importância do reconhecimento dos conteúdos inconscientes, o que permitiria a construção de uma visão de mundo relativista , com uma concepção não mais considerada absoluta . É verdade que , após Jung, sua psicologia deu origem a um sem-número de visões de mundo. O que ele teria a dizer sobre elas é totalmente outra questão. Sonu Shamdasani
  63. 63. FIM lucasvaz@yahoo.com

×