Psicopatologia I- Aula 7: Alterações da Percepção

15.405 visualizações

Publicada em

0 comentários
9 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
15.405
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
144
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
709
Comentários
0
Gostaram
9
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Psicopatologia I- Aula 7: Alterações da Percepção

  1. 1. Curso de Psicologia Disciplina: Psicopatologia I (72 hs/aula) Período: 5o - primeiro semestre / 2010 - Professor Alexandre Simões
  2. 2. Tema: <ul><li>SEMIOLOGIA PSICOPATOLÓGICA: </li></ul><ul><li>ALTERAÇÕES DA </li></ul><ul><li>PERCEPÇÃO </li></ul>
  3. 3. Ao abordarmos as alterações da percepção devemos ter em mente que estará sendo incluída aqui a sensação (trata-se, pois, das alterações da sensopercepção ): <ul><li>Vivência do mundo: possibilitada pelas sensações (é uma vivência que se apóia na operacionalidade dos 5 órgãos dos sentidos e a sensação de gravidade – equilíbrio - , sensibilizados por estímulos físicos, químicos e elétricos); </li></ul><ul><li>Sensação : fenômeno gerado por estímulos físico-químicos, gerados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores. Portanto, em seu significado preciso, a sensação é um fenômeno psíquico elementar que resulta da ação de estímulos externos sobre os nossos órgãos dos sentidos. </li></ul><ul><li># Estímulos sensoriais: dados sensoriais; </li></ul>
  4. 4. Três grandes grupos de sensações: <ul><li>Externas; Internas; Especiais; </li></ul><ul><li>Externas: são aquelas que refletem as propriedades e aspectos de tudo, humanamente perceptível, que se encontra no mundo exterior. Para tal, nos valemos dos órgãos dos sentidos; sensações visuais, auditivas, gustativas, olfativas e táteis. A resposta específica (sensação) de cada órgão dos sentidos aos estímulos que agem sobre eles é conseqüência da adaptação e afetação desse órgão a esse tipo determinado de estímulo. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Sensações internas: refletem os movimentos de partes isoladas do nosso corpo e o estado dos órgãos internos. Ao conjunto dessas sensações se denomina sensibilidade geral. Esse grupo engloba três tipos de sensações: motoras, de equilíbrio e orgânicas; </li></ul><ul><li>Sensações especiais: se manifestam sob a forma de sensibilidade para a fome, sede, fadiga, de mal-estar ou bem-estar. São essas sensações às vezes vagas e indiferenciadas que nos dão a sensibilidade de bem-estar, mal-estar, etc.,. Também são chamadas de cenestesia ; </li></ul><ul><li>São as sensações que nos relacionam com nosso próprio organismo, com o mundo exterior e com as coisas que nos rodeiam; </li></ul>
  6. 6. P ercepção: <ul><li>é a tomada de consciência daquele que é afetado pelo estímulo sensorial acerca deste último. Trata-se, pois do PERCIPIENS (espaço do sujeito da percepção)e do PERCEPTUM (espaço do objeto deflagrador da percepção); </li></ul><ul><li>implica, portanto, na apreensão de uma situação objetiva baseada em sensações, acompanhada de representações e freqüentemente de juízos. </li></ul>Na percepção, acrescentamos aos estímulos elementos da memória, do raciocínio, do juízo e do afeto, portanto, acoplamos às qualidades objetivas dos sentidos outros elementos subjetivos e próprios de cada um.
  7. 7. Elemento Fundamental da Percepção: a imagem perceptiva; <ul><li>Características da imagem perceptiva: </li></ul><ul><li>Nitidez : precisão dos contornos e limites; </li></ul><ul><li>Corporeidad e: a imagem é viva, isto é, tem luz, brilho e materialidade; </li></ul><ul><li>Estabilidade : a imagem não muda bruscamente o seu estado; </li></ul><ul><li>Extrojeção : o ethos da imagem é o espaço, separado do percipiens ; </li></ul><ul><li>Ininfluenciabilidade : o percipiens não consegue alterar voluntariamente o perceptum ; </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Costuma-se distinguir a IMAGEM PERCEPTIVA da REPRESENTAÇÃO (que é apenas uma revivescência mnêmica de uma imagem sensorial, na ausência desta ) </li></ul><ul><li>-> reevocação; </li></ul><ul><li>Exemplo: PAREIDOLIAS : são imagens visualizadas voluntariamente a partir de estímulos imprecisos do ambiente; </li></ul>
  9. 9. <ul><li>No ato perceptivo se distinguem dois componentes fundamentais: </li></ul><ul><li>a captação sensorial; </li></ul><ul><li> a integração significativa, a qual nos permite o conhecimento consciente do objeto captado; </li></ul>
  10. 10. ALTERAÇOES DA PERCEPÇÃO: <ul><li>Alterações Quantitativas da Sensopercepção: </li></ul><ul><li>  a) HIPER ESTESIA: amplificação da intensidade das percepções. A A hiperestesia se acompanha, em geral, de exaltação dos reflexos, maior excitabilidade da sensibilidade fisiológica e aceleração do ritmo dos processos psíquicos.; </li></ul><ul><li>Ocorrências: intoxicação por alucinógenos (pode também ocorrer com o uso de maconha ou cocaína), epilepsia (de forma mais ocasional), acessos de enxaqueca, exicitação maníaca e esquizofrenia, estados de grande ansiedade, de fadiga ou esgotamento (a audição e o tato podem estar aumentados); nos pacientes afetivos, nos neuróticos, no hipertireoidismo, no tétano, na raiva (hidrofobia) e, ocasionalmente, em alguns casos de epilepsia. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>B) HIPO ESTESIA: diminuição da magnitude das percepções </li></ul><ul><li>Observa-se a hipoestesia na maioria dos estados de depressão, onde se vê a diminuição da sensibilidade aos estímulos sensoriais, embora a propriocepção possa estar aumentada. Nesses casos há diminuição dos reflexos , elevação da sensibilidade fisiológica e lentidão dos processos psíquicos. Os estados de estupor também são acompanhados por hipoestesia; </li></ul><ul><li>Também pode haver diminuição da sensibilidade sensorial em função de fatores emocionais, como no caso citado acima das depressões, também nas síndromes que se acompanham de obnubilação da consciência, nos estados infecciosos e pós-infecciosas e em períodos pós-trauma. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>C) A NESTESIA: é a abolição de todas as formas de sensibilidade. Na histeria, é possível de se verificar algumas anestesias regionais. Um ponto muito interessante de se notar, nestes casos, é que as alterações da sensibilidade, tomando por base sua topografia e qualidade das alterações, não obedecem os dermátomos neurofisiológicos nem às vias normais da sensibilidade.; </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  13. 13. 2) Alterações Qualitativas da Sensopercepção: <ul><li>ILUSÃO: </li></ul><ul><li>é a percepção deformada de um objeto real e presente. Segundo Bleuler, que se deteve bastante sobre o estudo das ilusões, estas são percepções reais falsificadas (portanto, o que está em jogo é um engano dos sentidos); </li></ul><ul><li>trata-se, na realidade, da interpretação distorcida de um objeto real, uma falsificação da percepção de um objeto que, de fato, existe. Em suma: uma percepção enganosa de um objeto real ; </li></ul><ul><li>nesta espécie de caricatura do processo de percepção, nossos sentidos são enganados por alguma variável circunstancial (iluminação, distância, efeitos ópticos, etc.) ou deixam-se superar por algum afeto; </li></ul>
  14. 14. Exemplos de ilusão: <ul><li>um ruído qualquer, parecer-nos passos misteriosos (a marca de uma presença que nos espreita), manchas num papel são percebidas como símbolos religiosos, um barulho indefinido soa-nos como alguém nos chamando, etc; </li></ul><ul><li>por si só a ilusão não constitui um estado patológico, mas pode denotar um estado emocional mais ou menos intenso; </li></ul><ul><li>os enganos da ilusão podem afetar os cincos sentidos. </li></ul>
  15. 15. Ocorrência das ilusões: <ul><li>obnubilação, fadiga, inanição, estados afetivos de acentuada intensidade (ilusões catatímicas). A desfiguração de objetos pode surgir como um incômodo sintoma de certas epilepsias. Nestes casos as pessoas, por exemplo, podem adquirir a configuração de monstros, demônios, caveiras, etc. As Ilusões podem acontecer em qualquer qudro clínico no campo da saúde mental, entretanto, elas são mais freqüentes nas alterações da tonalidade afetiva. Podem estar presentes na psicose maníaco depressiva, em determinadas neuroses ou ainda, em ocorrências fortuitas do cotidiano emocional de quem atravessa momentos de forte tensão; </li></ul>
  16. 16. <ul><li>B) ALUCINAÇÃO: </li></ul><ul><li>é a percepção de um objeto sem a presença do objeto real; logo, é uma percepção sem objeto. Na alucinação, o envolvimento psíquico do paciente é muito mais contundente que nos estados necessários à ilusão; </li></ul><ul><li>as alucinações não podem ser consideradas patognomônicas deste ou daquele quadro clínico, não são exclusivas de nenhum transtorno mental específico, porém, de um modo geral, estão bastante associadas às ocorrências psicóticas, notadamente à esquizofrenia (e, em parte, à paranóia); </li></ul><ul><li>a possibilidade de se suprimir uma alucinação através da argumentação sensata é decididamente nula e, caso isso aconteça, não estaremos diante de uma alucinação genuína, mas de um engano sensorial. A alucinação verdadeira é irremovível pela lógica, daí o fato de ser considerada impactante para a pessoa que alucina;. </li></ul>
  17. 17. Tipos de Alucinação: <ul><li>AUDITIVA : é um tipo de alucinação bastante frequente. Vai desde ruídos primários/elementares (chiados, ruídos, zumbidos, roncos, estalos, etc.) à alucinação audio-verbal (bem mais complexa, pois surgem aí vozes e frases bem definidas); </li></ul><ul><li>essas vozes podem ter as mais variadas características: diálogos entre mais de um interlocutor, comentários sobre atos do paciente, críticas sobre a pessoa que alucina; </li></ul><ul><li>podem ainda, por outro lado, proferir injúrias e difamações, comunicar informações fantásticas, sonorizar o pensamento do próprio paciente ou de terceiros. Tais vozes ouvidas podem ser provenientes, na idéia do paciente, do além, do sobrenatural, dos demônios ou de Deus; </li></ul><ul><li>portanto, os conteúdos variam: persecutório, depreciativo, impositivas (vozes de comando); </li></ul><ul><li>Ocorrências: esquizofrenia, depressões, quadros maníacos </li></ul>
  18. 18. Atenção !!: <ul><li>o fenômeno de perceber uma voz que não existe (percepção de objeto inexistente) é a alucinação propriamente dita e, interpretá-la como sendo a voz do demônio, do vizinho, do chefe, de Deus, dos espíritos mortos ou uma audição telepática já faz parte do delírio; </li></ul><ul><li>este, freqüentemente, acompanha o fenômeno alucinatório; </li></ul><ul><li>portanto, ouvir vozes faz parte da sensopercepção e atribuir a elas algum significado faz parte do juízo e do pensamento; </li></ul>
  19. 19. Ainda sobre a alucinação auditiva: <ul><li>algumas vezes, as vozes alucinadas podem determinar ordens ao paciente, o qual pode obedecê-las, mesmo contra sua vontade. Diante desta situação, de obediência compulsória às ordens ditadas por vozes alucinadas, chamamos de AUTOMATISMO MENTAL . Esta situação oferece alguma periculosidade, já que, quase sempre, as ordens proferidas são eticamente condenáveis ou socialmente desaconselháveis; </li></ul><ul><li>normalmente, a alucinação auditiva é recebida pelo paciente com muita ansiedade e contrariedade pois, na maioria das vezes, o conteúdo de tais vozes é desabonador, acusatório, infame e caluniador. Quando elas ditam antecipadamente as atitudes do paciente falamos em SONORIZAÇÃO DO PENSAMENTO , como se ele pensasse em voz alta ou como se alguma voz estivesse permanentemente comentando todos seus atos: &quot; lá vai ele lavar as mãos&quot;, &quot;lá vai ele ligar a televisão&quot; , “lá vai a putinha suja se insinuar novamente” e assim por diante. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>ALUCINAÇÃO VISUAL : podem variar dentre alguns aspectos (além de serem cênicas, estáticas, vívidas, opacas, completas, incompletas, etc.): </li></ul><ul><li>Simples (fotopsias: clarões, chamas, raios, sombras, vultos, etc.); </li></ul><ul><li>Complexas (pessoas, monstros, animais, bruxas, santos, anjos, etc.); </li></ul><ul><li>Cenográficas ou oniróide (um carro passa pela porta e, dele, desce um bela mulher alada); </li></ul><ul><li>Zoopsias (ocorrendo sobretudo no delirium tremens , composta por bichos, animais peçonhentos, cobras, lagartos, geralmente promovedora de grande ansiedade para o paciente); </li></ul><ul><li>Autoscópicas: o paciente se vê fora de seu corpo; </li></ul><ul><li>Liliputianas; </li></ul><ul><li>Guliverianas; </li></ul><ul><li>Extracampinais (o paciente enxerga coisas fora de seu campo visual. Ex.: enxergar algo atrás da cabeça, atrás da parede) </li></ul><ul><li>Ocorrências: síndromes psicoorgânicas agudas, uso de substância psicoativa, psicoses em geral; </li></ul>
  21. 21. <ul><li>TÁTEIS </li></ul><ul><li>OLFATIVAS/GUSTATIVAS </li></ul><ul><li>CENESTÉSICAS (internas, dizem respeito à sensibilidade proprioceptiva) e CINESTÉSICAS (movimentos do corpo) </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  22. 22. Alterações da síntese perceptiva: as agnosias <ul><li>Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção; </li></ul><ul><li>Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares; em outros, há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento dos objetos; </li></ul><ul><li>usalmente, temos agnosias visuais, táteis e auditivas; </li></ul>
  23. 23. Agnosia visual: <ul><li>as agnosias visuais podem ser de objetos, de formas, de cor e de espaço. Nos dois primeiros casos, o paciente se mostra incapacitado para identificar o objeto ou a forma deste, em virtude de se encontrar alterada a integração das sensações elementares; </li></ul><ul><li>a sensação óptica nesses casos se constitui muito mais em contornos, superfícies e cores, luzes e sombras, do que na individualização do objeto em si; </li></ul><ul><li>com freqüência, não se destacam bem entre si, carecem de definição clara e patente e de relação nítida com o que se acha próximo a eles no espaço óptico. Lesões cerebrais podem produzir este tipo de agnosia; </li></ul><ul><li>a agnosia visual é, entre esse grupo de alterações, a melhor conhecida em sua origem; </li></ul>
  24. 24. Agnosia tátil: <ul><li>Agnosia tátil se refere à incapacidade para reconhecer objetos mediante o sentido do tato, apesar da sensibilidade se encontrar conservada no fundamental. O transtorno recai sobre as qualidades dos objetos. O paciente perde a possibilidade de discriminar as diferenças de intensidade e extensão das sensações táteis. </li></ul>
  25. 25. Agnosia auditiva: <ul><li>Agnosia Auditiva é quando o paciente ouve sons e ruídos, porém não consegue identificá-los, não os compreende. </li></ul>
  26. 26. Prosseguiremos na próxima aula! <ul><li>Prof. Alexandre Simões </li></ul><ul><li>Contatos: </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>http://twitter.com/alexansimoes </li></ul>

×