117435947 psicopatologia-ii

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117435947 psicopatologia-ii

  1. 1. LOUCURA: CONCEITO, CONCEPÇÃO MÍTICA E SEU DESENVOLVIMENTO Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  2. 2. BIBLIOGRAFIA COCIUFFO, T. Encontro marcado com a loucura: ensinando e aprendendo psicopatologia. São Paulo: Luc Editora, 2001. cap. I, II.
  3. 3. LOUCURA: RESGATE HISTÓRICO  Homero (700 a.c.) - Grécia Antiga: loucura atribuída à ação dos deuses;  Ésquilo (525-456 a.c.), Sófocles (496-406 a.c.), Erípedes (485-407 a.c.): A loucura é produto dos conflitos passionais do homem, das paixões, onde se localiza a sede entre o desejo e a regra social (semelhança com a psicanálise);  Platão (427-327 a.c.): A loucura acontecia quando a alma irracional (tórax) estava de alguma forma separada de sua parte racional (cérebro – imortal). Ocorria pela má distribuição dos “humores”. Há dualidade (mente/corpo);
  4. 4.  Hipócrates (460 a.c. – 380 a.c.): Loucura resultante da crise do sistema de humores (concepção organicista). Cérebro como sede das emoções e pensamento. Ex.: Causa: frustração sexual; Sintoma: histeria; Terapêutica: casamento.  Galeno (131 – 200 d.c.): loucura como disfunção encefálica. Estudioso da anatomia: diferenciação dos nervos sensoriais e motores. Prevalece o modelo organicista (causas orgânicas);  Idade Média: reedita-se o modelo mítico de Homero.
  5. 5.  Renascimento (Séc. XV e XVI) e a Reforma (Sec. XV): transição gradativa para a concepção científica da loucura. Há a disputa entre médicos e teólogos pelas histéricas, pois elas não seriam responsáveis por seus atos, devendo ser consideradas como doentes mentais e não como bruxas;  Pinel (1745-1826): Priorizou os aspectos comportamentais da loucura. Defendia que a histeria era decorrente de afacções psíquicas (psicogênese), ou seja, uma “neurose”;  Mesmer (1734-1815): loucura como desequilíbrio do fluído universal. O médico era um magnetizador restabelecendo a distribuição de fluído pelo corpo;
  6. 6.  Braid (1795-1860): termo hipnotismo: provocar estado de sono nos pacientes “nervosos”, ressaltando a natureza psicológica, por meio da exploração de conteúdo inconsciente como originário do mau estado psíquico;  Liébeault (1823-1904) e Bernheim (1840-1919): hipnotismo como tratamento, o qual era “mera questão de sugestão”;  Charcot (1823-1893): estado hipnótico como doença artificialmente produzida, com componentes orgânicos, só podia ser provocada em histéricos. Há tendência em explicar as desordens do compto. e afetivas como produto de modificações cerebrais;
  7. 7.  Kraepelin (1856-1926): fundou a nosologia psquiátrica. Há prevalência do corpo e ausência do doente. Ignorava-se a fala;  Bleuler (1857-1939): importância da clínica baseada na escuta do paciente;  Freud (Séc. XIX): sujeito do inconsciente, o sujeito habitado por forças que desconhece – subjetividade. Ressaltou a importância da escuta e do tratamento. Não se sabe exatamente onde começa e onde acaba a sanidade mental – presença fluida da psiquiatria.
  8. 8. 1950 - PSICOFARMACOLOGIA  Grande benefício quando administrada adequadamente;  Conforto ( dor);  Remissão dos sintomas.  Concepção reducionista – psiquismo é equivalente à cérebro;  Não podem curar o sofrimento psiquico;  Não promove mudança de perspectiva.
  9. 9. PSICANÁLISE Charcot: método hipnótico Breuer: método catártico Freud: teoria sexual (rompimento com Breuer)
  10. 10. OPS!! PODE CAIR NA PROVA!!  Psicofarmacologia (aspectos positivos e negativos);  Psicanálise (conceito de sanidade mental);  Precursores da psicanálise e seus pressupostos.
  11. 11. NORMAL X PATOLÓGICO Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  12. 12. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 3
  13. 13. CRITÉRIOS DE NORMALIDADE EM PSICOPATOLOGIA 1) Normalidade como ausência de doença: indivíduo que não é portador de um transtorno mental definido; 2) Normalidade ideal: supostamente “sadio”, é socialmente construída; 3) Normalidade estatística: o normal passa a ser aquilo que se observa com mais frequência; 4) Normalidade como bem-estar: completo bem- estar físico, mental e social, e não simplesmente como ausência de doença.
  14. 14. 1) Normalidade funcional: quando não há sofrimento; 2) Normalidade como processo: considera-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial; 3) Normalidade subjetiva: se dá maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo; 4) Normalidade como liberdade: quando não se está limitado em suas possibilidades existenciais, como acontece com a doença mental; 5) Normalidade operacional: defini-se “normal” e “patológico” e trabalha-se operacionalmente c/ estes conceitos.
  15. 15. PSICOPATOLOGIA E SEUS FENÔMENOS Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  16. 16. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 3 COCIUFFO, T. Encontro marcado com a loucura: ensinando e aprendendo psicopatologia. São Paulo: Luc Editora, 2001. cap. I, II.
  17. 17. Conjunto de conhecimentos sobre o adoecimento mental do ser humano vivências Estados mentais Padrões de comporta mento PSICOPATOLOGIA
  18. 18. LIMITES DA CIÊNCIA PSICOPATOLÓGICA Nunca se pode reduzir por completo o ser humano a conceitos psicopatológicos!!! Em todo o indivíduo, oculta-se algo que não se pode conhecer!!!
  19. 19. Forma (estrutura) Alucinação Delírio Idéia obsessiva Labilidade afetiva Conteúdo (o que preenche) Culpa Religião Persecutoriedade Grandeza SINTOMAS
  20. 20. CLASSIFICAÇÃO DOS FENÔMENOS • Comum em todas as pessoas (ex.: fome, medo ...)Semelhantes • Há fenômenos semelhantes, porém com alguma alteração (ex.: tristeza -> depressão) Parcialmente semelhantes • Próprias das doenças mentais – fenômenos psicóticos (ex.: alucinações, delírios ...) Diferentes
  21. 21. PSICANÁLISE  Freud: a neurose seria o resultado do conflito entre o “ego” e o “id” e, em troca, a psicose, o desenlace análogo de tal perturbação das relações entre o “ego” e o mundo externo • “ego” X “id” Neurose • “ego” X mundo externoPsicose
  22. 22. PSICANÁLISE  Melanie Klein: o psicótico não conseguiu superar as angústias primitivas da infância e regressou a elas quando sua psicose se tornou manifesta. Todos possuímos simultaneamente uma parte não psicótica e uma outra psicótica. A diferença está no caráter regressivo (quantitativo)!!
  23. 23. NA PRÁTICA .... Entrevista Psicológica Existência de transtornos mentais Aspectos da personalidade (desenvolvimento) Grau de sofrimento psíquico
  24. 24. Objeto de estudo indivíduo em sofrimento psíquico intenso Ressalta-se o caráter HUMANO!!
  25. 25. PSICÓLOGO  Trabalha para além do diagnóstico, no encontro do sofrimento do “outro” e na busca de sentido para esse sofrimento, o que implica a compreensão da realidade psíquica, cultural e econômica dessa população.  Objetiva avaliar o grau de saúde que persiste no paciente para, a partir daí, iniciar uma psicoterapia.  Trabalha no encontro do sofrimento humano e na busca de sentido desse sofrimento.
  26. 26. PARA REFLETIR ... Como pensar no “outro” e em como é possível atendê-lo, quando estamos tão ocupados com nossas angústias com relação ao nosso desempenho e ao que temos para oferecer?
  27. 27. VALE A PENA RELEMBRAR!! VAI QUE CAI NA PROVA ....  Critérios de normalidade;  Psicopatologia (definição e seus fenômenos);  Sintomas (conteúdo e forma);  Classificação dos fenômenos;  Psicanálise (definição de psicose – Freud e M. Klein);  Entrevista psicológica;  Objeto de estudo da psicopatologia;  Papel do psicólogo em psicopatologia.
  28. 28. FUNÇÕES PSÍQUICAS I Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  29. 29. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 9, 10 e 11.
  30. 30. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  31. 31. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  32. 32. Não existem de forma isolada! É sempre a pessoa em sua totalidade que adoece! A significação dos fenômenos é + importante que a descrição de sintomas! Cada aspecto da realidade psic. só existe vinculada à história do indivíduo! FUNÇÕES PSÍQUICAS
  33. 33. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  34. 34. O INCONSCIENTE  Estrutura mental mais importante do psiquismo humano;  Regido pelo princípio do prazer;  Atemporal;  Isento de contradição;  Processo primário;  Possui caráter dinâmico (visa expulsar os desejos para a consciência).
  35. 35. ALTERAÇÕES NORMAIS DA CONSCIÊNCIA  Sono normal: um estado comportamental e uma fase fisiológica normal e necessária.  Sono NREM(rapid eye movements): Estágio 1: + leve e superficial; Estágio 2: um pouco menos superficial; Estágio 3: sono + profundo; Estágio 4: sono muito profundo, é + difícil acordar.  Sono REM: semelhante ao estágio 1 NREM. É quando ocorre a maior parte dos sonhos. Há relaxamento muscular profundo e movimentos oculares rápidos
  36. 36. O SONHO  Vivência predominantemente visuais;  Fenômeno rico e revelador de desejos e temores, os quais são revelados de forma disfarçada e indireta;  O conteúdo do sonho tem um sentido!  O sonho, assim como o sintoma, é uma formação de compromisso entre o consciente e o inconsciente.  Moreau de Tours (1804-1884): “a loucura é o sonho do homem acordado.”
  37. 37. ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA CONSCIÊNCIA  Obnubilação ou turvação da consciência: rebaixamento da consc. em grau leve e moderado; pac. pode estar claramente sonolento ou parecer desperto; há lentidão da compreensão e dificuldade de concentração; demonstra perplexidade.  Sopor: Marcante turvação da consc.; pac. é despertado apenas c/ estímulo enérgico e doloroso; é incapaz de qualquer reação espontânea.  Coma: Grau mais profundo de rebaixamento da consc., pois há ausência de qq indício de consc. Grau I: semicoma; Grau II: coma superficial; Grau III: coma profundo; Grau IV: coma dépassé.
  38. 38. SÍNDROMES PSICOPATOLÓGICAS ( CONSC.)  Delirium (distúrbios cerebrais agudos e transtornos psicorgânicos):  rebaixamento leve a moderado da consc.;  desorientação termporoespacial;  dificuldade de concentração;  perplexidade;  ansiedade em graus variados;  agitação ou lentificação psicomotora;  discurso ilógico ou confuso e/ou  alucinações, quase sempre visuais;  oscila ao longo do dia .
  39. 39.  Estado onírico (psicoses tóxicas, abstinência, quadros febris tóxico- infecciosos)  estado semelhante ao sonho muito vívido;  atividade alucinatória visual intensa com caráter cênico e fantástico;  há intensa carga emocional, com angústia, terror ou pavor;  há amnésia consecutiva;  excitação psicomotora;  incoerência do pensamento;  perplexidade. SÍNDROMES PSICOPATOLÓGICAS ( CONSC.)
  40. 40. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA  Estados crepusculares (causas orgânicas): estreitamento transitório da consc. (certa obnubilação); surge e desaparece de forma abrupta e tem duração variável; atos explosivos violentos, descontrole emocional; pode haver amnésia lacunar; Frequente nos casos de epilepsia, intoxicação por drogas, traumatismo craniano, quadros dissociativos histéricos agudos e choques emocionais;  Estado segundo (causas psicogenéticas e choques emocionais): atos incongruentes, extravagantes e inconvenientes; quase nunca são graves ou perigosos;
  41. 41. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA  Dissociação da consciência (quadros ansiosos e histéricos): estado semelhante ao sonho (estado onírico), geralmente desencadeado por acontecimentos psicologicamente significativos, gerando gde ansiedade; o indivíduo “desliga” da realidade p/ parar de sofrer;  Transe: assemelha-se ao sonhar acordado, porém c/ atividade motora automática (involuntária) e repetitiva; ocorre em contextos religiosos e culturais.
  42. 42. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA  Estado hipnótico: consciência reduzida e estreitada e de atenção concentrada, induzido por outra pessoa; podem ser induzidos fenômenos como anestesia, paralisias, rigidez muscular.  Experiência de quase-morte: são experiências muito rápidas em que pacientes muito graves referem ter vivenciado experiência de quase-morte, com sensação de paz, de estar fora do corpo, luz intensa, contato com entidade mística.
  43. 43. DICAS!!!  Qq. alteração no nível de consciência reflete no funcionamento global do psiquismo, por isso deve ser avaliado em primeiro lugar;  Sempre observar a atitude do paciente (desperto, sonolento);  Observar se o paciente está perplexo, c/ dificuldade de integrar os estímulos do ambiente;  A orientação, sobretudo, a temporoespacial é o melhor meio de se avaliar o nível de consciência.
  44. 44. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  45. 45. ANORMALIDADES DA ATENÇÃO  Hipoprosexia: concentração, percepção dos estímulos ambientais e de compreensão, capacidade de pensar e integrar informações.  Aproxia: total abolição da capacidade de atenção, por + fortes e variados que sejam os estímulos.  Hiperprosexia: atenção, mantendo-se concentrado sem fatigar-se.  Distração: superconcentração ativa da atenção sobre determinados conteúdos ou objetos, com a inibição de tudo o mais  Distraibilidade: é um estado patológico, c/ dificuldade ou incapacidade p/ fixar-se em qq. coisa que implique em esforço produtivo.
  46. 46. TRANSTORNOS MENTAIS  Transtornos do humor / quadros depressivos: geral da atenção, hipoprosexia;  Quadros maníacos: atenção salta de um estímulo p/ outro;  TOC: há vigilância excessiva e desregulada;  Esquizofrenia: dificuldade de anular adequadamente estímulos sensoriais irrelevantes enquanto realizam tarefas, lentificação no tempo de reação em consequência da distraibilidade;  TDAH: prejuízo relacionado à filtragem de estímulos irrelevantes à tarefa, com relutância em controlar seus comportamentos e impulsos.
  47. 47. DICAS!!  Perguntar ao paciente e à pessoa que o acompanha: ☺ Tem dificuldade p/ se concentrar ? ☺ Distrai-se c/ facilidade ? ☺ Não escuta qdo falam ? ☺ Tem problemas p/ finalizar tarefas ? ☺ Perde coisas necessárias p/ a realização das tarefas ?  A avaliação simples e prática é pedir ao pac. que olhe os objetos que estão na sala e que logo em seguida cite o que viu.
  48. 48. FUNÇÕES PSÍQUICAS II Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  49. 49. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 12, 14, 16 e 17.
  50. 50. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  51. 51. ORIENTAÇÃO IMPORTANTE P/ AVALIAR O NÍVEL DE CONSCIÊNCIA!! AUTOPSÍQUICA Relação à si mesmo (3º) – revela se o sujeito sabe quem ele é. AUTOPSÍQUICA Relação ao mundo – quanto ao tempo (1º) e quanto ao tempo (2º)
  52. 52. ALTERAÇÕES DA ORIENTAÇÃO  Redução do nível de consciência (torporosa ou confusa): Há alteração da atenção, concentração, da capacidade de percepção e retenção dos estímulos ambientais – Forma mais comum de desorientação!;  Déficit de memória: típico em quadros demenciais;  Desorientação apática ou abúlica: indivíduo torna-se desorientado devido à alteração do humor e da volição;  Desorientação delirante: convicção plena que estão habitando o lugar e/ou tempo de seus delírios;
  53. 53. ALTERAÇÕES DA ORIENTAÇÃO  Por déficit intelectual: R.M. grave ou moderado;  Por dissociação: desorientação histérica, c/ alteração da identidade pessoal, desdobramento da personalidade;  Por desagregação: Atividade mental gravemente desorganizada, desagregação profunda do pensamento;  Qto a própria idade: discrepância de 5 anos ou mais – indicativo de déficit cognitivo na esquizofrenia.
  54. 54. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  55. 55. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS Hiperestesia: aumento da intensidade e duração das percepções (sons, ruídos). Ocorre nas intoxicações por substâncias, epilepsia, enxaqueca, esquizofrenia) Hiperpatia: queimação dolorosa, produzida por um leve estímulo na pele -quadros neurológicos; Hipoestesia: o mundo circundante é percebido como mais escuro – quadros depressivos.
  56. 56. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS Ilusões: Se caracteriza pela percepção deformada, alterada, de um objeto real e presente. Ocorre em estados de rebaixamento de consciência, fadiga grave, estados afetivos alterados. São + comuns as visuais. Alucinação: Percepção de um objeto, sem que este esteja presente (voz, ruído, imagem); Alucinose: Qdo o paciente percebe a alucinação como estranha à sua pessoa. O paciente reconhece o caráter patológico do fenômeno. Frequente em quadros psicorgânicos e em intoxicações por alucinógenos. Pseudo-alucinação: Não apresenta uma imagem perceptiva real. “Parece uma voz (ou imagem)...” ou que “... É como se fosse uma voz (ou imagem), mas não é bem uma voz”. Frequente em psicoses orgânicas, estados afetivos, na fadiga, rebaixamento consciência e intoxicações.
  57. 57. ALUCINAÇÕES  Auditivas: Simples: qdo se ouve apenas ruídos. Complexa: qdo se escuta vozes, s/ estímulo real. Quase sempre de conteúdo depreciativo e/ou perseguição; Muito frequente na esquizofrenia. Tb pode ocorrer nos transtornos de humor, no alcoolismo crônico, nos transtornos de personalidade (histriônico, borderline) e transtornos dissociativos;  Musicais: Audição de tons musicais, ritmos, harmonias, s/ o estímulo auditivo externo;
  58. 58. ALUCINAÇÕES  Visuais: Visões nítidas, s/ o estímulo visual. Figuras ou imagem de pessoas, de partes do corpo, de entidades, de objetos inanimados, animais ou crianças. Frequente na esquizofrenia e em quadros orgânicos;  Táteis: Sente espetadas, choques ou insetos ou pequenos animais correndo sobre sua pele. Frequente na esquizofrenia, nos quadros histéricos, no delirium tremens e na psicoses tóxicas;
  59. 59. ALUCINAÇÕES  Olfativas ou gustativas: Raras. “Sentir” o odor de coisas podres, de cadáver, de fezes, de pano queimado. Vêm acompanhadas de forte impacto emocional. Nas gustativas, os pac. sentem na boca, o sabor de ácido, de sangue, de urina;  Cenestésicas: Sensações incomuns e claramente anormais em diferentes partes do corpo, como sentir o cérebro encolhendo ou o fígado despedaçando;  Cinestésicas: Sensações alteradas de movimento do corpo, como sentir o corpo afundando, as pernas encolhendo ou um braço se elevando. Frequentes na esquizofrenia e nas depressões graves.
  60. 60. TEORIAS PSICODINÂMICAS, PSICOLÓGICAS E AFETIVAS DAS ALUCINAÇÕES Necessidades e tendências afetivas, desejos e, sobretudo, conflitos inconscientes. Como mecanismo primitivo de defesa do ego; Sentimento de culpa, gratificação, autoridade dos pais (ex: verbais); Tentativa de expulsar de seu interior conteúdos conflituosos insuportáveis, material recalcado, impossível de ser aceito pelo Eu consciente.
  61. 61. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  62. 62. ASPECTOS PSICODINÂMICOS (PSICANÁLISE)  Angústia: Conflito entre “princípio do prazer” e “princípio da realidade”;  Melancolia (depressão): Modo particular de elaboração inconsciente de perdas reais ou simbólicas. O sujeito deposita em si (no próprio Eu) todo o rancor, ódio inconscientes que guardava pelo objeto amado, surgindo as auto-acusações, os sentimentos de culpa, a autopunição em forma de descuido próprio, idéias e/ou atos suicidas.
  63. 63. ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA AFETIVIDADE  Distimia: Termo que designa a alteração básica do humor, tanto no sentido da inibição como no sentido da exaltação; Pode ser hipotímica (melancólica) ou hipertímica (maníaca);  Disforia: Distimia acompanhada de uma tonalidade afetiva desagradável, mal-humoradas, com forte componente de irritação, amargura, desgosto ou agressividade;
  64. 64.  Puerilidade: alteração do humor que se caracteriza pelo aspecto infantil, simplório, regredido. O indivíduo ri ou chora por motivos banais, sua vida afetiva é superficial, sem afetos profundos, consistentes e duradouros. Frequente na esquizofrenia, nos déficits intelectuais, nos quadros histéricos;  Estado de êxtase: Frequentemente associado à experiências religiosas ou místicas;  Irritabilidade patológica: Qq estímulo é sentido como perturbador, e o indivíduo reage prontamente de forma disfórica. ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DA AFETIVIDADE
  65. 65. ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS  Apatia: Os pac. queixam-se de não poderem sentir nem alegria, nem tristeza, nem raiva, nem nada. Está ligado ao afeto, o paciente relata espontaneamente sem referir sofrimento. Próprio dos quadros depressivos e em alguns casos de transtornos mentais;  Embotamento afetivo: Perda profunda e todo tipo de vivência afetiva. É um fenômeno observável (mímica, postura, atitude). Frequente na esquizofrenia;  Sentimento de falta de sentimento: O paciente refere sofrimento. Típico em depressivos graves;
  66. 66. ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS  Anedonia: É a incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas atividade e experiências da vida. É central nas depressões, podendo ocorrer na esquizofrenia e nos transtornos de personalidade;  Indiferença afetiva: Trata-se de certa frieza incompreensível diante dos sintomas que o pac. apresenta, que parece indicar que, no fundo, o pac. sabe que seus sintomas são psicogênicos e potencialmente reversíveis (certo exibicionismo, teatralidade) – histeria, depressão;
  67. 67. ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS  Labilidade afetiva: Mudanças súbitas e imotivadas de humor, sentimentos ou emoções. Presentes em quadros depressivos ou maníacos, estados graves de ansiedade, esquizofrenia e quadros psicorgânicos;  Ambivalência afetiva: Sentimentos opostos a um mesmo estímulo ou objeto, de modo simultâneo. Indicativo de cisão radical do Eu, de desarmonia profunda das vivências psíquicas;
  68. 68.  Neotimia: (esquizoforia) Um tipo de experiência afetiva, radicalmente nova, ameaçadora e estranha, dos pacientes esquizofrênicos, no período que antecede o surgimento da revelação delirante;  Fobia: São medos específicos psicopatologicamente desproporcionais e incompatíveis com as possibilidades de perigo real oferecidas pelos desencadeantes, chamados de objetos ou situações fobígenas. Há intensa crise de ansiedade. Ex.: Fobia simples, fobia social, agorafobia (aglomeração), claustrofobia (ambientes pequenos); ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS
  69. 69.  Pânico: Reação de intenso medo, de pavor, relacionada geralmente ao perigo imaginário de morte iminente, descontrole ou desintegração. Crises agudas e intensas de ansiedade, acompanhadas por medo intenso de morrer ou perder o controle. O paciente relata frequentemente que tinha a nítida sensação de que iria morrer, perder o controle ou ter um ataque do coração. ALTERAÇÕES DAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS
  70. 70. FUNÇÕES PSIQUICAS Consciência Atenção Orientação Senso- percepção Afetividade Vontade
  71. 71. ATO VOLITIVO OU ATO DE VONTADE Expressões típicas do “eu quero” ou “eu não quero”!!
  72. 72. ALTERAÇÕES DA VONTADE HIPOBULIA ABULIA Associada a apatia Fadiga fácil Dificuldade de decisão
  73. 73. ATOS IMPULSIVOS E ATOS COMPULSIVOS  Ato impulsivo: Ações psicomotora automáticas, sem reflexão, ponderação ou decisão prévia, de tipo instantâneo e explosivo. Associado à incapacidade de tolerância à frustração. É egossintônico;  Ato compulsivo: É reconhecido pelo indivíduo como indesejável e inadequado, assim como pela tentativa de refreá-lo ou adiá-lo. É egodistônico. Também associado à idéias obsessivas.
  74. 74. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  75. 75. ALTERAÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE  Agitação psicomotora: Mais comum. Aceleração e exaltação de toda atividade motora do indivíduo, em geral secundária a taquipsiquismo acentuado. Associado à hostilidade e heteroagressividade. Frequente em quadros maníacos, esquizofrenia aguda, quadros psicorgânicos, em deficiências mentais e síndromes demenciais;  Lentificação psicomotora: Profunda lentificação psicomotora, com ausência de respostas motoras adequadas, s/ que haja paralisias ou déficit motor;
  76. 76.  Estereotipias motoras: Perda do controle voluntário sobre a esfera motora. O pac. repete o mesmo gesto com as mãos dezenas ou centenas de vezes em um mesmo dia. Frequente na esquizofrenia e na deficiência mental;  Maneirismo: É um tipo de estereotipia motora caracterizada por movimentos bizarros e repetitivos (mímicas, gestos, linguagem). Posturas e movimentos estranhos, exagerados, afetados ou bizarros, de forma involuntária. Acentuam-se com a ansiedade. ALTERAÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE
  77. 77.  Conversão: Surgimento abrupto de sintomas físicos (paralisias, anestesias, cegueira), de origem psicogênica. Ocorre geralmente em situações estressantes, de ameaça ou conflito intrapsíquico ou interpessoal significativos para o indivíduo. A conversão expressa a representação simbólica de um conflito psíquico em termos de manifestações motoras. Frequente na histeria e no transtorno de personalidade histriônica. ALTERAÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE
  78. 78. FUNÇÕES PSÍQUICAS III Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  79. 79. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 17 (continuação), 18 e 19.
  80. 80. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade (continuação) Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  81. 81. ALTERAÇÕES DA MARCHA  Paciente Histérico: A marcha é irregular, mutável, bizarra, raramente revela um padrão preciso e estável. Tem-se a impressão de que o paciente está prestes a cair, mas raramente ele cai, a não ser na presença de outros. Camptocormia: tronco p/ frente; Hemiplegia histérica: arrasta o pé “paralisado”; Abasia: impossibilidade ou dificuldade p/ a marcha; Astasia: impossibilidade de ficar em pé.  Pacientes esquizofrênicos: Marcadamente bizarra, com maneirismos. Qdo tb deprimidos apresentam marcha lentificada e difícil.
  82. 82. Os psicofármacos, principalmente os neurolépticos de 1ª geração (haloperidol, clorpromazina, flufenazina, etc), produzem uma série de alterações no tônus muscular, na postura e na movimentação voluntária e involuntária do paciente psicótico.
  83. 83. OUTRAS ALTERAÇÕES E APRAXIAS  Hiperventilação Psicogênica: Aceleração da respiração. Ocorre em situações estressantes e associadas à ansiedade.  Apragmatismo (ou hipopragmatismo): Dificuldade ou incapacidade de realizar condutas volitivas e psicomotoras minimamente complexas (higiene pessoal, limpar o quarto, atividades produtivas diversas). Não há lesão neurológica, corresponde a alteração das esferas volitivas e afetivas (hipobulia, apatia). É frequente em psicóticos crônicos, representando um desafio à reabilitação.
  84. 84. OUTRAS ALTERAÇÕES E APRAXIAS  Apraxia: Impossibilidade ou a dificuldade de realizar atos intencionais, gestos complexos, voluntários, conscientes, sem que haja paralisias e sem que faltem tb o entendimento da ordem p/ fazê-lo ou a decisão de fazê-lo. Decorre sempre de lesões neurais.
  85. 85. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  86. 86. ALTERAÇÃO DOS ELEMENTOS DO PENSAMENTO  Desintegração dos conceitos: Ocorre qdo os conceitos sofrem um processo de perda de seu significado original, uma mesma palavra passa a ter significados cada vez mais diverso. Ex: ateu = “a teu comando” (comando de Deus);  Condensação dos conceitos: Qdo 2 ou + conceitos são fundidos, o pacientes involuntariamente condensa duas ou + idéias em um único conceito, que se expressa por 1 nova palavra (neologismos).
  87. 87. TIPOS ALTERADOS DE PENSAMENTO  Pensamento mágico: Segue os designios dos desejos, das fantasias e dos temores, conscientes ou inconscientes, adequando a realidade ao pensamento. É mais comum em crianças, mas tb pode ocorrer na esquizofrenia, em quadros histriônicos, borderline, narcisista e em obsessivos-compulsivos (pensamentos mágicos + rituais compulsivos);  Pensamento concreto ou concretismo: Incapacidade de entender ou utilizar metáforas, o pensamento é muito concreto. Pode ocorrer na D.M., nas demências e na esquizofrenia grave.
  88. 88. TIPOS ALTERADOS DE PENSAMENTO  Pensamento vago: O paciente expõe um pensamento muito ambíguo, c/ falta de clareza e precisão. Pode ser um sinal inicial de esquizofrenia e de quadros demenciais e transtornos de personalidade.  Pensamento prolixo: O paciente não consegue chegar a qq conclusão sobre o tema, dá longas voltas ao redor do tema. Pode ocorrer nos quadros iniciais da esquizofrenia, nas D.M. e em neuróticos graves (T.O.C.)
  89. 89. TIPOS ALTERADOS DE PENSAMENTO  Pensamento deficitário (ou oligofrênico): Há estrutura pobre e rudimentar, tende ao raciocínio concreto, porém a memorização de determinados conteúdos ou temas pode ser muito extensa e numerosa, porém é mecânica e rígida (Savant – um tipo de D.M.).  Pensamento desagregado: Radicalmente incoerente, há uma mistura aleatória de palavras (“salada de palavras”), que nada comunica ao interlocutor. Ocorre nas formas graves e avançadas da esquizofrenia.  Pensamento obsessivo: Conteúdo absurdo, mas que se impõe à consciência. Há angústia e luta constante.
  90. 90. DIMENSÕES DO PENSAR Curso Forma Conteúdo
  91. 91. DIMENSÕES DO PENSAR • Modo como o pensamento flui; • Sua velocidade, ritmo ao longo do tempo.Curso • Estrutura básica, sua “arquitetura”; • Preenchida pelos + diversos conteúdos e interesses do indivíduo. Forma • O que dá substância ao pensamento; • Os temas predominantes, o assunto em si. Conteúdo
  92. 92. CURSO DO PENSAMENTO
  93. 93. CURSO DO PENSAMENTO  Aceleração do Pensamento: Flui de forma muito acelerada, uma idéia se sucedendo à outra rapidamente. Frequente nos quadros maníacos, na esquizofrenia e nos quadros de ansiedade e de depressão ansiosa.  Lentificação do Pensamento: Há certa latência entre as perguntas e as respostas. Frequente nas depressões graves, nos casos de rebaixamento do nível de consciência e em certas intoxicações (sedativos).
  94. 94. CURSO DO PENSAMENTO  Bloqueio ou interceptação do Pensamento: Ao relatar algo, o paciente, no meio de uma conversa, brusca e repentinamente interrompe seu pensamento, sem qq motivo aparente. Exclusivo da esquizofrenia.  Roubo do pensamento: O indivíduo tem a nítida sensação de que seu pensamento foi roubado de sua mente, por uma força estranha, por uma máquina, uma antena, etc. Típico na esquizofrenia.
  95. 95. FORMA DO PENSAMENTO
  96. 96. FORMA DO PENSAMENTO  Fuga de idéias: É secundária à aceleração do pensamento. As associações entre as palavras deixam de seguir uma lógica ou finalidade do pensamento e passam a ocorrer por assonância (Ex.: amor, flor, cor ... Ou cidade, idade, realidade). Frequente nos quadros maníacos.  Dissociação do pensamento: Os pensamentos passam progressivamente a não seguir uma sequencia lógica e bem organizada, mas ainda é possível captar aquilo que o indivíduo quer comunicar. Encontrado em certas formas de esquizofrenia.
  97. 97. FORMA DO PENSAMENTO  Afrouxamento das associações: Embora ainda haja concatenação lógica entre as idéias, nota-se já o afrouxamento dos enlaces associativos. Manifesta-se nas fases iniciais da esquizofrenia.  Descarilhamento do pensamento: O pensamento passa a extraviar-se de seu curso normal, toma atalhos, desvios, pensamentos supérfluos, retornando aqui e acolá ao seu curso original. Associado a distraibilidade. É observado na esquizofrenia e, eventualmente, nos quadros maníacos.
  98. 98. FORMA DO PENSAMENTO  Desagregação do pensamento: Há profunda e radical perda dos enlaces associativos, total perda da coerência do pensamento, sobram apenas “pedaços” de pensamento, conceitos e idéias fragmentadas, sem qq articulação racional. Trata-se de alteração típica de formas avançadas de esquizofrenia e de quadros demenciais.
  99. 99. CONTEÚDO DO PENSAMENTO
  100. 100. CONTEÚDO DO PENSAMENTO Persecutórios Depressivos Religiosos Sexuais De poder, riqueza, prestígio ou grandeza De ruína ou culpa Conteúdos hipocondríacos
  101. 101. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Juízo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  102. 102. As alterações do juízo de realidade são alterações do pensamento!! Juízos patologicamente falsos, são chamados de delírios. O delírio é um erro do ajuizar (julgar) que tem origem na doença mental. Não é tanto a falsidade do conteúdo q faz uma crença ser um delírio, mas sobretudo a sua justificativa.
  103. 103. Identifica ção clínica do delírio Convicção extraordinária Impossível a modificação do delírio pela experiência objetiva (é irremovível) O seu conteúdo é impossível
  104. 104. Os delírios agudos surgem de forma rápida, podendo desaparecer em pouco tempo (horas e dias) – psicoses tóxicas ou infecciosas. Os delírios crônicos tendem a ser persistentes, contínuos, de longa duração (vários anos), pouco modificáveis ao longo do tempo.
  105. 105. Tal construção está inserida em um processo de tentativa de reorganização do funcionamento mental: o esforço que o aparelho psíquico empreende no sentido de lidar com a desorganização que a doença de fundo produz. Portanto, nasce de uma multiplicidade de fatores complexos (psicológicos, orgânicos, socioculturais, personalidade)
  106. 106. A inércia em mudar as próprias idéias e a necessidade de sempre dar consistência ao delírio; A pobreza na comunicação interpessoal, falta de contatos pessoais satisfatórios, isolamento social; Rejeição do meio social, contribuindo para sentimentos paranóides, persecutórios e agressivos; A partir da perda de respeito e consideração, o indivíduo tem a necessidade de construir novas interpretações delirantes p/ manter sua auto-estima. MECANISMOS DE MANUTENÇÃO DO DELÍRIO
  107. 107. DELÍRIO SEGUNDO SEU CONTEÚDO  Persecutório: O pac. acredita ser vítima de um complô e está sendo perseguido por pessoas conhecidas ou desconhecidas. É o tema mais frequente dos delírios!  Referência: O pac. afirma ser frequentemente alvo de referências depreciativas, caluniosas. As vezes, ouve o seu nome e que o xingam ou, simplesmente, deduz que falam a seu respeito. Está associado à perseguição.  Influência ou controle: O pac. vivencia o fato de estar sendo controlado, comandado ou influenciado por força, pessoa ou entidade externa.
  108. 108. DELÍRIO SEGUNDO SEU CONTEÚDO  Erótico: O pac. afirma que uma pessoa, geralmente de destaque social ou de grande importância, está totalmente apaixonada por ele e irá abandonar tudo para que possam se casar.  Depressivo: São aqueles delírios com temática triste, como ruína, miséria, culpa, auto-acusação, doenças e até mesmo desaparecimento de partes do corpo e hipocondríacos. Associados à estados depressivos profundos e em alguns casos de esquizofrenia.
  109. 109. DELÍRIO SEGUNDO SEU CONTEÚDO  Grandeza: O pac. acredita ser extremamente especial, dotado de capacidade e poderes. A auto- estima pode estar extremamente aumentada. Ocorre na esquizofrenia e em quadros maníacos.  Místico ou Religioso: O pac. sente que tem poderes místicos, ser um novo messias, Deus, um santo ou um demônio.  Ciúmes/Infidelidade: O pac. percebe-se traído pelo cônjuge de forma vil e cruel. É presente no alcoolismo crônico e no transtorno delirante crônico. É frequente violência física e/ou homicídio.
  110. 110. FUNÇÕES PSÍQUICAS IV Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  111. 111. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 20 e 21.
  112. 112. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  113. 113. FUNÇÕES DA LINGUAGEM Comunicação Suporte ao pensamento (lógica) Instrumento de Expressão da vida subjetiva Afirmação do EU Expressão da arte e do lúdico (poesia, dramatização)
  114. 114. A linguagem é uma atividade social!! Só há linguagem onde ocorre a possibilidade de interação social, de diálogo. A Linguagem está contextualizada em determinado ambiente histórico, político e cultural.
  115. 115. ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM (SECUNDÁRIAS A LESÃO NEURAL)  Afasia: perda da linguagem falada e escrita, por incapacidade motora (do órgão fonador);  Parafasias: Qdo o indivíduo deforma determinadas palavras (cadeira por “cameila”, livro por “libro”);  Agrafia: Perda da capacidade já adquirida de efetuar a escrita.  Alexia: Perda da capacidade já adquirida de efetuar a leitura; dislexia: disfunção leve da alexia.  Disartria: incapacidade de articular corretamente as palavras, por paralisias musculares da fonação.
  116. 116. ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM (SECUNDÁRIAS A TRANST. PSIQ.)  Logorréia: Produção aumentada e acelerada (taquifasia) da linguagem verbal, associado ao taquipsiquismo, podendo haver perda da lógica do discurso;  Bradifasia: Oposto da taquifasia, qdo as palavras saguem-se umas às outras de forma lenta e difícil;  Mutismo: Ausência de resposta verbal por parte do doente, qdo fica no leito s/ responder ao entrevistador;
  117. 117. ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM (SECUNDÁRIAS A TRANST. PSIQ.)  Ecolalia: É a repetição da última ou das últimas palavras que o entrevistador (ou alguém no ambiente) falou ou dirigiu ao paciente: “Qual o seu nome?” e o paciente responde: “Nome, nome, nome”.  Palilalia: Repetição automática da última ou das últimas palavras que ele próprio emitiu em seu discurso;  Logoclonia: Repetição das últimas sílabas que o paciente pronunciou: “Moro em Jundiaí, aí, aí, aí”;
  118. 118. ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM (SECUNDÁRIAS A TRANST. PSIQ.)  Cropolalia: É a emissão involuntária de palavras obscenas, vulgares ou relativas a excremento;  Verbigeração: Repetição, de forma monótona e sem sentido, de palavras, sílabas ou trechos de frases;  Mussitação: Produção repetitiva de uma voz muito baixa, murmurada, sem significado significativo;  Para-respostas: O paciente “responde” como se estivesse respondendo de fato a pergunta, mas o conteúdo de sua fala é completamente disparatado em relação ao conteúdo da pergunta.
  119. 119. O sinal extremo da desarmonia das estruturas de pensamento e de linguagem é o desenvolvimento de uma linguagem completamente incompreensível, uma língua privada (do paciente) que ninguém entende!!
  120. 120. FUNÇÕES PSIQUICAS Psicomo- tricidade Pensamen- to Júizo de realidade Linguagem Valoração do eu Personali- dade Inteligên- cia
  121. 121. ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO EU  No início do desenvolvimento psíquico da criança, não há, entre o Eu e o mundo exterior, discriminação e delimitação claras.  O eu do bebê estaria como que “fundido” com o de sua mãe.
  122. 122. Para a Psicanálise, o Eu (ou ego) surge como a diferenciação adaptativa do aparelho psíquico a partir do contato da criança com a realidade, por meio do:  Contato contínuo com a realidade (princípio do prazer X princípio da realidade); Investimento amoroso e narcísico dos pais sobre a criança; Projeção dos desejos inconscientes dos pais sobre a criança e consequente assimilação desses desejos pela criança; Identificação da própria criança, por meio da introjeção das figuras parentais primárias. A criança busca ser como o pai e a mãe, copiá-los, agir e sentir como eles.
  123. 123. Tomada de consciência do pp. Corpo – “Eu físico” “Eu psíquico” e “somático” (ao mesmo tempo) Esquema ou imagem corporal
  124. 124. ALTERAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA Consiste na suspensão da sensação normal do próprio Eu, corporal e psíquico, na carência da consciência do mundo perceptivo, na perda da consciência do sentimento do Eu. Os doentes relatam que se sentem modificados, estranhos a si mesmos.
  125. 125. ALTERAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DE EXECUÇÃO Quando o doente, ao pensar ou desejar algo, sente porém que de fato foi um outro que pensou ou desejou tais pensamentos ou desejos e os impôs de alguma maneira. O doente não só se sente mais senhor de seus pensamento, como passa a viver sob a violência e o julgo de um poder desconhecido.
  126. 126. CONSCIÊNCIA DE NÃO UNIDADE DO EU O indivíduo sente-se radicalmente dividido, sente-se anjo e demônio ao mesmo tempo, ou homem e mulher simultaneamente – ambivalência.
  127. 127. CONSCIÊNCIA DE IDENTIDADE DO EU NO TEMPO Alguns pacientes relatam que atualmente, em comparação à sua vida anterior (em especial antes do início da psicose), não são a mesma pessoa. Alguns chegam a usar a terceira pessoa para se referirem ao seu Eu do passado.
  128. 128. CONSCIÊNCIA DE IDENTIDADE DO EU EM RELAÇÃO AO MUNDO É a perda da sensação de oposição e fronteira entre o Eu e o mundo. Os pacientes identificam-se completamente com os objetivos do mundo externo. O indivíduo sente que seu Eu se expande para o mundo exterior e não mais se diferencia deste.
  129. 129. DESPERSONALIZAÇÃO E DESREALIZAÇÃO É o sentimento de perda ou de transformação do Eu. É uma vivência profunda de estranhamento e infamiliaridade consigo mesmo. O doente sente-se estranho a si mesmo, vive marcante transformação, com sentimentos angustiantes, com a sensação que vai enlouquecer, perder o controle (crises de ansiedade, pânico, psicoses tóxicas, esquizofrenia e depressão).
  130. 130. ALTERAÇÃO DO EU CORPORAL (ESQUEMA CORPORAL) É a representação que cada indivíduo faz de seu próprio corpo, o que corresponde à totalidade da organização psicológica do indivíduo. Trata-se da forma como o indivíduo se relaciona e cuida de seu corpo
  131. 131. ALTERAÇÃO DO EU CORPORAL (ESQUEMA CORPORAL) EM ALGUNS TRANSTORNOS MENTAIS  Deprimido: vive seu corpo como algo pesado, lento, difícil, fonte de sofrimento e não de prazer; Paciente maníaco: sente-se forte, ágil, não conseguindo parar e repousar por período mais longo; Esquizofrenia: o paciente tem a sensação de que alguém, algo ou uma força externa desconhecida age sobre seu corpo, manipulando-o ou controlando-o; Histéricos: Tendem a erotizar intensamente o corpo todo, todavia, não é incomum haver frigidez e anestesia genital;
  132. 132. ALTERAÇÃO DO EU CORPORAL (ESQUEMA CORPORAL) EM ALGUNS TRANSTORNOS MENTAIS  Quadro obsessivo-compulsivo: vive seu corpo como sendo algo sujo ou contaminado, tendo de esforçar-se constantemente para limpá-lo, purificá-lo ou protegê-lo da contaminação; Hipocondríaco: o corpo é o lugar de todo o seu sofrimento; Dismorfofobia: o paciente se percebe distorcidamente, como horrível e digno de enorme vergonha, partes de seu corpo (nariz, orelham face, seios, mãos, etc); Pacientes amputados: Podem apresentar o fenômeno de “membro fantasma”, quando continuam sentindo seus membros mesmo após a amputação (dor, coceira, aumento).
  133. 133. SE LIGA NO SIMULADO!!!!
  134. 134. Gioconda, 32 anos, chega para internação na Enfermaria Psiquiátrica do hospital geral em que você trabalha. A paciente tem 1º grau completo e trabalha de atendente de uma loja de móveis. Ao entrar na sala, onde você fará o acolhimento e a primeira entrevista, a paciente se mostra muito agitada, com maquiagem e batom fortíssimos. Você inicia a entrevista, porém Gioconda não deixa você nem mesmo terminar a frase. Sua fala é rápida e sem momentos de pausa. Ela conta que a estão internando porque é milionária e querem tomar o dinheiro dela. Segundo a paciente, ela é “miss Brasil e universo. Todos os homens me olham e querem estar comigo. Minha irmã, com raiva disso me internou, mas ela também quer meu dinheiro, pois sabe que sou milionária. Eu sei disso porque ouço ela falando com o namorado, ouço eles conversando sobre e isso e me acordando à noite gritando que vão pegar toda minha fortuna”. Relata não usar drogas. Durante o atendimento, por diversas vezes, a paciente mudou de assunto repentinamente. Além disso não soube dizer qual era o dia de semana e nem as horas em que foi internada. Dalgalarrondo, no capítulo em seu livro “Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, cita diversas alterações quantitativas e qualitativas das funções psíquicas. Baseado no exame psíquico de Gioconda, assinale a alternativa correta.
  135. 135. A)( ) Gioconda apresenta rebaixamento do nível de consciência, pois está perdida no tempo, espaço e sua atenção voluntária está dispersa. A paciente apresenta humor irritado e delírios de grandeza, porém sem alucinações. B)( ) A paciente apresenta alteração da orientação autopsíquica, transtorno de humor (mania), distraibilidade, delírios persecutórios e de grandeza, além de alucinações auditivas. C)( ) Gioconda apresenta alteração da orientação qutopsíquica, Transtorno de humor (mania), com hipoprosexia, delírios persecutórios e de grandeza, além de alucinações auditivas. D)( ) Gioconda apresenta alteração da orientação alopsíquica, Transtorno de humor (depressão), distraibilidade, delírios sexualizados, além de alucinações auditivas. E)( ) Gioconda apresenta alteração da orientação alopsíquica, Transtorno de humor (mania), distraibilidade, delírios persecutórios e de grandeza, além de alucinações auditivas.
  136. 136. 1) MODELO TÉCNICO DO PROCESSO TERAPÊUTICO 2) O ENCONTRO COM O LOUCO: ANTES E DEPOIS Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  137. 137. BIBLIOGRAFIA Moffat, A. Terapia de crise. São Paulo: Ed. Cortez, Parte V. p. 109-150. Cociuffo, T. Encontro marcado com a loucura: ensinando e aprendendo psicopatologia. São Paulo: LUC Editora, 2001. Cap. 4 e 5. p. 57-96.
  138. 138. COMO O TERAPEUTA AJUDA O PACIENTE A CAMINHAR DA DOENÇA À SAÚDE?  A tarefa do terapeuta consiste em sustentar a passagem, sendo ele o vínculo que estrutura essa nova crise (iatrogênica) que é a “cura”;  Pode ser que se revivam experiências muito dolorosas, terríveis, trabalhosamente reprimidas e o terapeuta deve acompanhá-lo nesta viagem pelo tempo, sustentando o medo do paciente (ego auxiliar), p/ q possa reorganizar sua realidade a partir das explicações compartilhadas e não a partir de sua subjetividade, que no momento está em confusão e ansiedade;  A “cura” se produz quando o paciente consegue ter insight do conflito que havia sido reprimido no inconsciente, por meio da revivência transferencial com o analista (neurose de transferência).
  139. 139. NEUROSE DE TRANSFERÊNCIA???  Quando o paciente repete na transferência os seus conflitos infantis (seus equivalentes simbólicos) e assim, substituímos a sua neurose comum (sintoma/queixa) por uma neurose de transferência de que pode ser curado pelo trabalho terapêutico;  Na neurose de transferência, todo o comportamento patológico do paciente vem se recentrar na sua relação com o analista;  FREUD: “o doente não pode recordar-se de tudo o que nele está recalcado, nem talvez do essencial (...). Ele é antes obrigado a repetir o recalcado, como vivência no presente”, para preencher lacunas do passado infantil.
  140. 140. Conteúdos da transferência Afetos dirigidos aos objetos primários Conflitos infantis Figuras parentais
  141. 141. PORÉM .... Se o nível de ansiedade do paciente estiver elevado, como sucede no caso da crise, até mesmo nas mais leves, o trabalho de exploração é impossível, pois todas as energias psíquicas do paciente devem se concentrar em proteger o seu eu da desorganização.
  142. 142. Então, como deve ser o manejo com o paciente psicótico ???  Terapias de evolução (Moffat, 1982): Trata-se de um lento trabalho de condicionamento nas reabilitações, com vistas a resolver a lenta reaprendizagem de vínculos e estruturas nas psicoses;  Nesta vertente a terapia se define como um adestramento, como um ensinar a poder ficar triste, superar o medo, sentir prazer, etc. O terapeuta deve perceber nos pacientes o que lhes falta fazer (o que não puderam) e ajudar-lhes a fazê-lo para se completar;  Em geral, trata-se de reaprender a função psicológica que foi mal ensinada na infância.
  143. 143. COMUNIDADE TERAPÊUTICA Criação de um meio ou um ambiente que estruture a saúde, como se se tratasse de uma oficina de reaprendizagem de vínculos organizados a partir da interação grupal e não da subjetividade do delírio!!
  144. 144. A história familiar  É por meio dela que se tenta detectar os temas não resolvidos, que passam de avós para pais e destes aos filhos (que são, nesse momento, os pacientes);  Pichon Riviere: em toda família há um segredo que gera culpas ocultas que retornam como sintomas.
  145. 145. A história infantil  Onde está a chave daquilo que atualmente não se entende, especialmente nos traumatismos infantis e o terapeuta propõe hipóteses para unir indícios na reconstrução do que aconteceu lá no fundo da história do paciente;
  146. 146. O presente  A análise da situação atual nos permite também avaliar o “solo” familiar com o qual o paciente pode contar e seu prognóstico depende mais do apoio que lhe possam dispensar do que do grau da própria enfermidade;  Respaldados por pais muito comprometidos psiquicamente, a cura torna-se extremamente difícil, pois o paciente é o depositário da loucura da geração anterior.
  147. 147. Ações como parte do tratamento  A trama cotidiana: única terapia possível no caso dos pacientes psicóticos crônicos (Moffat, 1982). Reintegração no mundo familiar e o encontro de formas mais criativas de realização pessoal Reaprendizagem de vínculos e estruturas compartilhadas (objetos primários), buscando um ambiente sadio. Aprendizagem das regras de uso do espaço (cultura onde está inserido)
  148. 148. Ações como parte do tratamento  Reintegração na família: na fase de maior estruturação o paciente não corresponderá ao papel que tinha a partir da doença. Foco nas novas interações que deverão surgir no interior da família;  Reintegração no trabalho: ajudar o paciente a encontrar um melhor ajuste social, considerando a possibilidade de algum sintoma residual.
  149. 149. SEMIOLOGIA DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS Profa. Lédice Oliveira Psicopatologia Geral
  150. 150. BIBLIOGRAFIA DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. cap. 10, 11, 12, 14, 16, 17, 18 e 19.
  151. 151. CONSCIÊNCIA  Lembrar que qualquer alteração do nível de consciência repercute no funcionamento global do psiquismo. Ele deve ser avaliado em primeiro lugar.  Observar se o paciente está desperto ou sonolento.  Observar se o paciente está perplexo, com dificuldade de integrar coerentemente os estímulos ambientais.  Lembrar que é por meio da orientação (sobretudo temporoespacial) que, muitas vezes, se avalia o nível de consciência.  Teste da parede ou do papel branco. Pedir ao pac que olhe atenta e fixamente p/ parede branca (ou papel); o pac c/ leve rebaixamento do nível de consciência pode, ao fazer isso, apresentar alucinações visuais simples ou complexas.
  152. 152. ATENÇÃO  Perguntar ao paciente (ou acompanhante): Tem dificuldade p/ se concentrar? Distrai-se c/ facilidade? Não escuta qdo lhe falam? Tem problemas para terminar tarefas ? Não consegue organizar as tarefas ? Perde coisas necessárias p/ a realização das tarefas ?  A avaliação mais simples e prática da atenção é pedir ao paciente que olhe os objetos que estão na sala da entrevista e que logo em seguida cite o que viu.
  153. 153. ORIENTAÇÃO  Orientação Temporal: Que dia é hoje ? Qual o dia da semana ? Em que mês estamos ? Aproximadamente que horas são ? (atentar-se a pacientes c/ baixo nível de escolaridade)  Orientação Espacial: Onde estamos ? Como se chama a cidade em que estamos ? E o bairro ? Qual o caminho e quanto tempo leva para vir de sua casa até aqui ? Que edifício é este (hospital, ambulatório, consultório, etc) em que estamos ? Em que andar estamos ?  Orientação autopsíquica: Qual o seu nome ? O que faz? Qual sua profissão ? Quem são seus pais ? Qual a sua idade (verificar antecipadamente a ideda real do paciente) ? Qual o seu estado civil ?
  154. 154. SENSOPERCEPÇÃO  Alucinações auditivas: Tem ouvido vozes de pessoas estranhas ou conhecidas ? Ouve vozes s/ saber de onde vêm ? São vozes de homens, mulheres ou crianças ? Fica irritado ? Tem medo ? Por que ? Que lhe dizem as vozes ? Xingam, insultam ou ameaçam ? As vozes ordenam ou proíbem alguma coisa ? São repetições dos seus pensamentos ? Ouve as vozes durante a entrevista ?  Alucinações visuais: Tem visto algo estranho, que chamou a atenção? Talvez tenha percebido visões, animais, homens, figuras, sombras, fogo, fantasma, demônios ou coisas do tipo? Tem as visões de noite ou tb de dia? Apenas qdo está acordado ou adormecendo ou a qq hora? Descreva p/ mim. De onde vem essa visões?
  155. 155. SENSOPERCEPÇÃO  Alucinações Olfativas e Gustativas: Tem notado sabor ou cheiro ruim na comida ? Alguém tem querido lhe envenenar ? Os cheiros eram agradáveis ou desagradáveis ? De onde você acredita que vem esses cheiros ou gosto ruim ?  Alucinações Cinestésicas: Tem feito movimentos contra sua vontade ? Partes do corpo tem mudado de posição sem o seu controle ? Sente como se levantassem seu corpo no ar ? Sente como se levasse um empurrão ?
  156. 156. AFETIVIDADE  Humor ansioso: Sente-se nervoso ? Sente-se agoniado ? Com inquietação interna ? Sente angústia ou ansiedade? Sente medos ou temores ? Tem dificuldade para relaxar ? Tem dificuldade para se concentrar ? Tem insônia ? Tem taquicardia, falta de ar ?  Humor irritado: Você tem se irritado com mais facilidade que antes ? Os ruídos (televisão, de pessoa, buzinas, etc) o incomodam muito ? As crianças o incomodam ? Tem discutido ou brigado com facilidade? Às vezes acha que vai explodir ?
  157. 157. AFETIVIDADE  Humor triste, apático: Você tem se sentido triste ? Desanimado ? As coisas que lhe davam prazer agora lhe são indiferentes ? Sente-se cansado, sem energia? Sente-se fraco ? Não se alegra com mais nada ? Perdeu (ou aumentou) o apetite ou o sono ? Perdeu o interesse pelas coisas ? Tem vontade de sumir ou morrer ? Realizar as tarefas rotineiras passou a ser um fardo para vc ? Prefere se isolar, não receber visitas ?  Humor hipertímico (alegre): Sente-se mais alegre que o comum ? Mais disposto ? Tem, nos últimos dias, mais vontade de falar e andar que geralmente ? Sente-se mais forte ? Tem muitos amigos ? Tem propriedades ou é uma pessoa muito influente ?
  158. 158. VOLIÇÃO E PSICOMOTRICIDADE  O paciente vem à consulta por iniciativa própria ou é trazido por alguém ?  A atitude geral do paciente é passiva ou ativa ? Seus gestos são lentos ou difíceis ou rápidos e fáceis ? Anda de um lado para outro ? Esfrega as mãos ? Mexe as pernas inquietamente ?  O tom da voz é alto, baixo ou extridente ?  Fala espontaneamente ou apenas quando é solicitado ?  Mostra-se hostil, contrariado, agressivo ? Parece ter dificuldade de controlar os impulsos ?  Faz movimentos inadequados ? Faz movimentos ou gestos bizarros ?
  159. 159. VOLIÇÃO E PSICOMOTRICIDADE  Pragmatismo: O que você tem feito nos últimos dias e semanas ? Tem sido capaz de trabalhar ou estudar no último mês ? O que você tem sido capaz de fazer ? Tem dificuldade em terminar o que começa ? O que faz para se divertir ?  Impulsividade (perguntar ao paciente, mas sobretudo, aos acompanhantes): Ele (você) responde sem pensar ? Interrompe com frequencia os outros ? Não consegue esperar a sua vez ? Tem pavio curto, é explosivo ? Descreva sua explosões.
  160. 160. VOLIÇÃO E PSICOMOTRICIDADE  Impulso ou ideação suicida: A ideação, os impulsos e os planos suicidas devem ser sempre investigados no caso de mínima suspeita. Após contato inicial, inquirir de modo que seja mais fácil para o paciente falar sobre o tema, começando a perguntar sobre o desejo de “desaparecer”, de “sair de cena”, de “dormir para sempre”, até o desejo definido de se matar. O paciente potencialmente suicida sente-se, muitas vezes, aliviado por poder falar sobre o tema.
  161. 161. VOLIÇÃO E PSICOMOTRICIDADE  Ficar atento aos pacientes que: 1. Tentaram o suicídio recentemente (nos últimos meses ou anos) e continuam com graves problemas; 2. Estavam muito deprimidos e “melhoraram” subitamente (pois tal “melhora” pode resultar em, finalmente, ter se decidido a cometer o suicídio e, assim, livrar-se do sofrimento); 3. Embora neguem o impulso suicida, comportam-se de forma muito autodestrutiva, revelando o seu potencial suicida; 4. “Resolvem” seus negócios (vendem pertences, fazem testamento, etc.) sem motivo aparente.
  162. 162. PENSAMENTO  Ao longo da entrevista verificar: 1) Como flui o pensamento do paciente: observar o seu curso (velocidade, ritmo), forma e conteúdos. O pensamento é lento e difícil ou rápido e fácil ? O raciocínio alcança o seu objetivo, chega a um ponto final, ou fica “orbitando” em tema secundários ? 2) A forma e o tipo de pensamento: O pensamento é coerente e bem-compreensível ? Há fuga de idéias ? É concreto ou revela capacidade de abstração e uso de símbolos ? O pensamento respeita a realidade ou segue os desígnios dos desejos e temores do paciente ? 3) Em caso de pensamento desorganizado: É do tipo confusional (alteração da consciência), demencial (alteração da cognição) ou deficitária (pobreza homogênea) ? Há afrouxamento, descarrilhamento ou desagregação do pensamento ? Quais os conteúdos mais frequentes no discurso ?
  163. 163. JUÍZO DA REALIDADE  Idéias/delírios de perseguição: Você tem motivos para desconfiar de algúem? Alguém tentou prejudica- lo? Recebeu ameaças? Como se comporta sua família em relação a você? E a(o) sua(eu) esposa(o), confia nele(a)? Tb quer prejudica-lo(a)? Você está certo do que me disse ou acha que pode ser “coisas de sua imaginação”? Como pensa defender-se desses perigos?  Idéias/delírios de referência: Observou se as pessoas falam de você quando conversam ? Tem notado se, na rua ou em outro lugar, alguém o segue ou espia ? Alguém faz gestos ou sinais qdo vc passa ? Viu nos jornais ou na televisão alguma coisa a seu respeito? Conhece as pessoas que fazem essas coisas Que intenção elas tem ?
  164. 164. JUÍZO DA REALIDADE  Idéias/delírios de influência: Já sentiu algo externo influenciando seu corpo ? Já recebeu algum tipo de mensagem ? Alguma força externa influencia ou controla seus pensamentos ? Já teve a sensação de que alguém ou algo pode ler a sua mente ?  Idéias/delírios de ciúmes: Vc confia na(o) sua (seu) esposa(o) ? Tem motivos para suspeitar de sua fidelidade ? Tem provas que o(a) enganou ou o(a) traiu ? Como foi que começou ? Como tem certeza de que o(a) traiu ?  Idéias/delírios religiosos: Já teve contato ou recebeu influência de espíritos ou forças sobrenaturais ? Vc sente que tem relação especial com Deus ?
  165. 165. JUÍZO DA REALIDADE  Idéias/delírios depressivos e hipocondríacos: Tem pensamentos tristes ou negativos? Há algo de que se arrepende? Fez mal a alguma pessoa? As pessoas reprovam ou condenam seu comportamento? Preocupa-se com sua saúde? Que partes do eu corpo estão doentes? Algo está errado com seu corpo ? Falta algo em seu corpo? Alguma parte de seu corpo está podre ou estragada?  Idéias/delírios de grandeza: Sente-se especialmente forte e capaz? Tem algum talento ou alguma habilidade especial? Observou se uma pessoa importante se interessa por você? Você é uma pessoa rica?  Idéias obsessivas: Há pensamentos ou idéias que surgem com frequência em sua mente? Eles se repetem constantemente? De onde vem tais pensamentos? São desagradáveis? Quais são esses pensamentos? Vc faz algo p/ livrar-se deles? Pratica rituais para atenuar ou neutralizar esses pensamentos?

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