Apontamentos Transportes

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Apontamentos Transportes

  1. 1. Planeamento dos Transportes Redes de transportes → elementos físicos, implantação espacial, capacidade da infra-estrutura. Exemplos: rede de auto-estradas, rede ferroviária. Sistema de transportes → oferta e procura: elementos físicos + utilizadores + transitários + transportadores + enquadramento legal e regulamentar. Os transportes têm cada vez maior importância devido ao crescimento económico, que leva ao aumento do número de deslocações, do número de automóveis particulares. O problema não é a posse do automóvel, mas sim o uso que se faz dele. Será que temos infra-estruturas para o uso do automóvel e para alternativas ao seu uso (transporte público)? Frequência – número de viaturas/carruagens por unidade de tempo. Cadência – dividir o número de viaturas/carruagens pela unidade de tempo. Exemplo: se tiver uma frequência de 6 autocarros por hora, tenho uma cadência de um autocarro de 10 em 10 minutos. A Lei de Bases do Sistema de Transporte defende a democraticidade, ou seja, cada pessoa tem liberdade de escolher o modo de transporte que pretende usar. Não se deve proibir a posse do automóvel, mas sim impor limitações ao seu uso. Antigamente, na Idade Média, por exemplo, as pessoas viviam perto umas das outras, não precisando de transportes. Posteriormente, surge a divisão do trabalho, ou seja, já não é a pessoa que faz tudo, cada um especializa-se numa determinada actividade económica. Ao mesmo tempo, há distinções territoriais, uma separação geográfica das actividades. O território divide-se em vários espaços: agrícola, residencial, industrial, escolar, etc. Isto faz com que haja a necessidade de uma maior interacção entre estes espaços, cada vez mais específicos, obrigando a haver mais deslocações. O desenvolvimento das redes e sistemas de transporte também são cada vez mais especializados e permitem a ligação entre os diversos espaços. Têm tendência para se instalarem em espaços naturais ou artificiais adaptados. A especialização dos transportes é feita, tanto a nível das infra-estruturas como ao nível dos próprios veículos. São os transportes que asseguram a viabilidade económica e social dos modelos de desenvolvimento dos países desenvolvidos, com actividades cada vez mais especializadas. Os transportes e as comunicações são causa e consequência da especialização das actividades e da sua distribuição/separação no espaço. Permitem, ainda, uma boa permeabilidade do território.
  2. 2. Todas as actividades do Homem estão ligadas ao espaço, as quais têm tendência para criar dependência com outros espaços, criando transportes e comunicações, só possíveis devido à existência de canais adaptados à frequência, ao volume e à natureza dos fluxos. Redes de transportes e comunicações = conjunto organizado de canais do ponto de vista funcional. Sistema ecológico → transportes e comunicações, canais, espaço e actividades. Ordenamento = ordenar/arrumar as actividades no território → teoria da localização → acessibilidade. Planeamento urbanístico e territorial → acção previamente programada para o nível regional ou local, mas tem que ter em conta, tanto o espaço como os aspectos económicos e sociais. Acessibilidade ≠ Mobilidade Acessibilidade – maior ou menor dificuldade com que acedemos a um ou mais pontos do território. Em geral ou em relação a um lugar específico. Mobilidade – deslocações em si. É medida em como as pessoas se deslocam, quantas pessoas, número de viagens. Diz respeito à população. Modo de transporte: rodoviário, ferroviário, aéreo, marítimo. Tipo de veículo ou propulsão. Meio de transporte: água, terra, ar. Como se mede a mobilidade? Através deslocações em si. Como se mede a acessibilidade? Através das características do território, em meios absolutos e relativos. − Em meios absolutos: distância tempo custo frequência distribuição diária, semanal, sazonal amplitude do serviço (diurno, nocturno)
  3. 3. − Em meios relativos (comparando modos de transporte): conforto fiabilidade segurança qualidade do serviços pontualidade tempo de espera risco de acidente e greves multivalência do transporte (ler, dormir, observar a paisagem, conversar, ouvir música, comer) qualidade estética O transporte não é um fim em si mesmo, há sempre um motivo para a deslocação. Acessibilidade no território → maior ou menor permeabilidade do território. De que forma é que o transporte cobre o território? Ocupação do tempo (frequência, amplitude, horários). Consegue-se aceder aos diversos pontos do território? Acessibilidade medida pelas grandes oportunidades – em Lisboa, por exemplo, as pessoas têm uma maior diversidade ao nível da oferta de transportes, enquanto que em áreas do interior só há uma oportunidade de transporte, cuja frequência é diminuta. Em ordenamento e planeamento do território, quando falamos em meios de transporte, estamos a falar em espaços-canais, excepto quando diz respeito ao meio aéreo e marítimo/fluvial/lacustre, pois neste caso apenas referimos o local para o aeroporto e para o porto. Tipos de transportes: Transporte individual em sítio banal – automóvel, bicicleta, motorizada, pedonal. Transporte individual em sítio próprio – faixas reservadas ao automóvel. Transportes colectivos em sítio banal – autocarros, táxis. Transportes colectivos em sítio próprio – metro, comboio, autocarro, eléctrico, teleférico, elevador, tapetes e escadas rolantes. Redes de transporte – constituídas por linhas, nós e terminais. Linhas – infra-estruturas geralmente homogéneas que estabelecem a ligação entre dois lugares e que permitem a deslocação entre ambos os lugares.
  4. 4. Nós – elementos ou dispositivos que permitem a deslocação entre linhas. Terminais – equipamentos ou instalações que marcam a origem ou o fim de uma deslocação, utilizando um modo de transporte específico. Interface – equipamento que permite a ligação física entre um ou mais modos de transporte. As redes de transporte podem ser redes de infra-estruturas e redes de serviços. Em ambos podemos falar: • da parte descritiva (descrevendo a infra-estrutura); • do carácter jurídico-administrativo, estabelecido pela função da propriedade da infra-estrutura ou o seu modo de finaciamento ou gestão (ex: rede de estrada nacional, municipal, militar, privadas, industriais, ramais de caminhos-de-ferro); • do critério funcional ou orgânico, estabelecido em função do uso ou do tipo de funcionamento (critério base da concepção das estradas). As exigências funcionais dos diferentes tipos de linhas têm repercussões sobre as características dos nós que estabelecem relações entre elas. Classificação dos transportes − Por tipo de uso: • transporte privado: individual, de empresas, de escolas; • transporte de aluguer: autocarro, charters, táxi, transporte público. − Por tipo de infra-estrutura utilizada: rodoviário, ferroviário. − Por tipo de tecnologia − Por tipo de serviços: regularidade, itinerário. Autocarro – pequenas cargas de passageiros e curtas distâncias, em transporte público. Sistemas pesados – sistemas sobre carris (eléctrico, metro, comboio), que têm menor atrito que o rodoviário, dando maior energia pois há menos consumo energético; grande capacidade de transporte de passageiros; maiores distâncias; mais condicionadas pelas infra-estruturas e os traçados; infra-estruturas mais dispendiosas; são auto-guiados (só andam no carril); têm maior conforto e segurança.
  5. 5. Modos de transporte Desenvolvimento da multimodalidade para a eficiência de qualquer sistema de transporte, porque cada modo de transporte tem uma função e vocação específicas. Modo rodoviário – baixa capacidade Modo ferroviário – alta capacidade Transporte em sítio próprio → metro, comboio, autocarro (condicionado às faixas bus), eléctrico. Transporte em sítio banal → autocarro, automóvel. Em certos países, os autocarros e eléctricos enviam um sinal para os semáforos para passar a verde e os outros sentidos ficam com luz vermelha, estando as paragens nos cruzamentos para os transportes públicos. Tem de haver integração de mais modos de transporte, como as gares intermodais com condições para os operadores e utentes. A articulação do sistema de transportes não deve ser só física, deve ser também em termos de tarifas. A Autoridade Metropolitana de Lisboa deve resolver a questão tarifária e dos bilhetes, de modo a haver um sistema tarifário comum. A repartição das receitas dos bilhetes comuns deve ser muito bem feita e pensada. É facilitado e controlado através dos bilhetes/cartões electrónicos. O transporte é um serviço público que tem de ser assegurado. O transporte ferroviário Americanos de Lisboa – movidos a animais. Eléctricos – áreas históricas de Lisboa, ruas estreitas e com grande inclinação. Eléctrico moderno (na Europa): maior capacidade, maior comodidade, maior capacidade para aumentar o número de carruagens, maior velocidade comercial, melhor imagem, circulam em via prória total ou parcial, perdem apenas por terem sido concebidos para áreas planas. Eléctrico rápido: menor capacidade e mais pequeno que o metro de superfície (sistema mais rápido). Metro de superfície – sistema mais pesado do que o eléctrico rápido, maior capacidade de transporte.
  6. 6. Comboio suburbano – curtas e médias distâncias, grande capacidade de passageiros. Metro – as primeiras estações estavam a uma distância reduzida, o que consumia muita energia. Grande capacidade de transporte, serve curtas distâncias, velocidade elevada. O metro tem peneus para ter maior flexibilidade em curvas apertadas. Transportes suburbanos – médias distâncias, grande capacidade de transporte de passageiros. A oferta de transportes é um bem perecível, tem de ser aproveitado no momento. Como as estações de metro mais antigas são mais pequenas, havia menos carruagens. Como o sistema de transportes à superfície não eram eficientes, as pessoas utilizavam o metro em vez do autocarro e do eléctrico. O metro começou a sofrer a concorrência dos eléctricos rápidos, dos autocarros e do metro de superfície e evoluiu: os bancos são mais pequenos e mais cómodos; há mais lugares de pé; melhoria do design; está ao nível do cais (maior rapidez de entrada de pessoas); tem mais portas que o comboio. Eléctrico em Portugal – 1920 Mudanças na carroçaria, sistema de alimentação de rede aérea, flexibilidade nula, sofriam com os congestionamentos. Posteriormente, surgiram eléctricos maiores com reboques, com maior capacidade (mais elevada que o rodoviário e próximo do metropolitano, por isso se chama pré-metro ou metro ligeiro). Em alguns países é subdesenvolvidos é mais rápido implementar uma rede de eléctricos do que uma rede de metropolitano. Com a abertura de novas linhas, há sempre o aumento da procura. Deve-se ter sempre em conta a procura potencial e real. Pela transferência de outros transportes, entre outros factores, surgem outras actividades económicas ou residenciais. Vantagens em relação ao metropolitano • grande capacidade de transporte; • aproveitamento das linhas existentes; • veículos de menor dimensão, menos espaço, quer em recta, quer em curva; • só funciona bem se tiver sítio próprio; • a sua operacionalidade depende da sua separação em relação ao restante tráfego e da posição das linhas (ao meio da via há maior facilidade, por outro lado rouba espaço à via nas paragens – criação de ilhas); • vence declives maiores; • compatibilidade com a malha urbana (mais estreitos, raio de curvatura menor).
  7. 7. Características do metropolitano • transporte de grandes volumes de passageiros a curtas distâncias com rapidez, grande compromisso de lugares de pé e sentados; • infra-estruturas independentes e reservadas só para eles; • carruagens com menor dimensão do que o comboio; • elevada velocidade comercial; • extensão de linhas elevada, perda de rentabilidade das mesmas; • linhas menos extensas, com maior rendabilidade; • áreas urbanas muito saturadas, densamente ocupadas; • serviço fundamentalmente urbano; • aumento do espaçamento das estações do centro para a periferia; • metro vence inclinações até 5% (comboio vence até 2%); • melhores condições no interior das carruagens, mais portas de acesso, maior capacidade de transporte. O sistema de transportes de Lisboa começa a funcionar melhor a partir de 1960. Vantagens do caminho-de-ferro • maior economia de transporte; • infra-estruturas mais resistentes (regularidade no transporte); • maior segurança; • 50/60 mil passageiros por hora. Desvantagens do caminho-de-ferro • elevado custo das infra-estruturas físicas e material de tracção; • alterações de traçado difíceis; • obriga a grandes raios de curvatura; • problemas de ruído (alta velocidade), acessibilidade (TGV, percorre desertos); • dsitâncias médias de paragem muito superiores ao metro. Os antigos sistemas de transporte ligavam sobretudo o centro à periferia, actualmente aposta-se na homogeneidade. Em 1988, foram atribuídas às autarquias as responsabilidades pelos transportes escolares e os táxis, o que contribuiu para uma má resposta às necessidades (ex: horários desajustados, má cobertura territorial), fazendo, por exemplo, fechar muitas escolas do interior. Transporte dos alunos do ensino obrigatório – obrigatoriedade da Câmara Municipal quando há: • uma escola a mais de 4 km que não possui cantina; • uma escola a mais de 8 km que possui refeitório.
  8. 8. Táxis – regime tarifário: fora das cidades é ao quilómetro, dentro da cidade é à bandeirada. O transporte público colectivo é uma actividade económica, orientada para o mercado, é um serviço público, deve ter lucro. Planear um sistema de transportes públicos Produto fornecido – lugares em viaturas que se movimentam. É perecível (só se consome na altura). É preciso ter em conta a distância e o tempo (proporciona a aquisição de um produto a uma determinada hora). Qualidade do serviço. Modo de transporte. Lançamento de um sistema de transportes urbanos: − Estudo de mercado: onde existem os clientes, conhecer a rede viária (condiciona o desenvolvimento da rede de serviços de transporte), conhecer a estrutura das deslocações. Duas componentes fundamentais: • procura existente: levantamento dos centros de atracção e geração de tráfego; • procura potencial: o que está previsto, habitações, supermercados, etc. − Estabelecer um programa de exploração: organizar a produção (meios que temos ao nosso dispôr: viaturas, oficinas, paragens, motoristas, revisores, administradores); programa de exploração (frequência, capacidade, etc. de cada carreira); estabelecer um sistema de tarifário (quanto custa e quem paga). Plano Director Municipal / PROT I – Caracterização, análise e diagnóstico de cada concelho no que diz respeito às infra-estruturas e da procura e oferta dos serviços de transporte de passageiros e mercadorias. II – Elaboração de propostas preliminares de acções a desenvolver, definindo prioridades e faseando as mesmas: • Necessidade de identificar e priorizar um conjunto de acções para combater as debilidades existentes. • Identificação de acções de médio/longo prazo para colmatar disparidades, quer ao nível físico, quer económico e social. III – Aprofundamento e estudo de eventuais adequações ou correcções das propostas preliminares elaboradas.
  9. 9. I – O principal objectivo é obter um conhecimento aprofundado do território, no sentido de identificar eventuais pontos críticos ou debilidades ao nível das infra- estruturas de transporte de passageiros e mercadorias. • Organização do território – estrutura de povoamento, actividades económicas do concelho, equipamentos estruturantes e equipamentos colectivos. • Infra-estruturas de transporte – rede viária (grau de cobertura, hierarquização das vias, tipo de pavimento e estado de conservação do mesmo), rede ferroviária (kms de linha, estações, apeadeiros, estado de conservação e função que desempenha), outras infra-estruturas de transporte (terminais de autocarros, interfaces). • Serviços de transporte – serviços de transporte regionais, locais, interurbanos, que começam e terminam o concelho ou atravessam o mesmo: - transporte de passageiros (transportes públicos e táxis): carreiras que servem o concelho e que o atravessam, percursos, paragens, operadores, frequência, horário de funcionamento, sistema tarifário, comodidade, sazonalidade da oferta, amplitude da oferta, capacidade da oferta, condições de acessibilidade aos principais centros populacionais; - transporte de mercadorias: frota das empresas das estradas do concelho (número de veículos, idade média, capacidade de transporte, tipologia dos veículos). • Procura de transporte: mobilidade da população, número médio de deslocações, taxa de motorização, origem e destino das deslocações, motivo das deslocações, fluxos de passageiros nos diferentes modos de transporte, deslocações em transporte individual e público. Os dados podem ser obtidos através das contagens de tráfego e distinguindo os diversos tipos de veículos, de inquéritos nas escolas. II – Apresentação de propostas de implementação imediata; − Apresentação de propostas inseridas no PDM e outros planos a médio/longo prazo.

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