Versificação

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Versificação

  1. 1. Versificação Profa. Me.Juliana Lannes
  2. 2. Texto Motivador Soneto de Fidelidade Vinicius de Moraes De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.
  3. 3. Noções Básicas Verso: cada uma das linhas do poema, que pode ter sentido completo ou não. Estrofe ou Estância: conjunto de versos; as estrofes encontram-se separadas por um espaço em branco. Estrutura Estrófica: as estrofes podem ser classificadas consoante o número de versos que a constituem.
  4. 4. Estrutura EstróficaNúmero de de versos Classificação das estrofes 1 Monóstico 2 Dístico 3 Terceto 4 Quadra 5 Quintilha 6 Sextilha 7 Sétima 8 Oitava 9 Nona 10 Décima Mais de 10 Irregular
  5. 5.  MÉTRICA é a medida ou quantidade de sílabas métricas que umverso possui. ESCANSÃO é a divisão e a contagem das sílabas métricas de umverso, que não é feita da mesma forma que a divisão e contagem desílabas normais, pois, segundo a Versificação:1)Separam-se e contam-se as sílabas de um verso até a última sílabatônica desse verso. Ex: Es| tou | dei| ta| do | so| bre| mi| nha| ma| la 1 2 3 4 5 6 7 8 9 101 2 3 4 5 1 2 3
  6. 6.  Sílabas gramaticais"Ah!/ Quem/ há/ de/ ex/ pri/ mir/, al/ ma/ im/ po /nen /te/ e/ es/ cra/ va"(Olavo Bilac) - 17 sílabas gramaticais. Sílabas poéticas"Ah!/ Quem/ há/ de ex/ pri/ mir/,al/ ma im/ po/ nen /te e es/ cra/ va"(Olavo Bilac) - 12 sílabas poéticas. Na contagem de sílabas poéticas, as palavras estão ligadas umasàs outras mais intimamente. É isso que confere ao texto o ritmo e amelodia próprios dos versos.• O encontro entre duas vogais iguais é chamado de crase.• O encontro entre duas vogais diferentes é chamado de elisão.• As sílabas são contadas até a última sílaba tônica do verso.
  7. 7. Como se faz essa contagem? Conta-se até à última sílaba tónica da última palavra do verso. ex.: Pa la vras não e ram di (tas) O ca va lei ro a che gar No interior do verso, a sílaba terminada em vogal une-se à sílaba seguinte, se esta também começar por vogal. ex.: Um/ cor/ po a/ ber/ to/ co/ mo os/ a /ni/ mais/
  8. 8. Estrutura MétricaNúmero de sílabas Classificação dos versos1 Monossílabo2 Dissílabo3 Trissílabo4 Pentassílabo5 Pentassílabo ou redondilha menor6 Hexassílabo7 Heptassílabo ou Redondilha maior8 Octossílabo9 Eneassílabo10 Decassílabo11 Hendecassílabo12 Dodecassílab Ou Alexandrino
  9. 9.  RITMO é o resultado da regular sucessão de sílabas tônicase átonas de um verso. Para os gregos, ele é um elementomelódico tão essencial para o poema quanto para a Música. VERSOS LIVRES são versos que não seguem as normas daVersificação quando à métrica e/ou ao ritmo. SOM ou RIMA também é para os antigos um elementoessencial para que um poema seja uma POESIA. A rima é aidentidade e/ou semelhança sonora existente entre a palavrafinal de um verso com a palavra final de outro verso na estrofe.
  10. 10. •Foneticamente, uma rima pode ser: PERFEITA - se houver identidade entre as terminações daspalavras que rimam (neve/leve). IMPERFEITA - se houver apenas semelhança(estrela/vela).•Morfologicamente, a rima é: POBRE - quando as palavras que rimam pertencem àmesma classe gramatical (coração/oração). RICA - quando as palavras que rimam pertencem aclasses gramaticais diferentes (arde/covarde). Obs: A classificação é assim mesmo. Pobres – mesmaclasse gram. E Ricas, classe gram, diferentes.
  11. 11. Quanto à posição na estrofe, as rimas podem ser classificadas como:a) emparelhadas ou paralelas (aabb) “Vagueio campos noturnos A Muros soturnos A Paredes de solidão B Sufocam minha canção.” B (Ferreira Gullar) “Aos que me dão lugar no bonde A e que conheço não sei de onde, A aos que me dizem terno adeus B sem que lhes saiba os nomes seus” B (Carlos Drummond de Andrade)
  12. 12. b) cruzadas ou alternadas (abab) “Se o casamento durasse A Semanas, meses fatais B Talvez eu me balançasse A Mas toda a vida... é demais!” B ( Afonso Celso) “Minha desgraça não é ser poeta, A Nem na terra de amor não ter um eco, B É meu anjo de Deus, o meu planeta A Tratar-me como trata-se um boneco B (Álvares de Azevedo)
  13. 13. c) opostas, intercaladas ou interpoladas (abba) “Não sei quem seja o autor A Desta sentença de peso B O beijo é um fósforo aceso B Na palha seca do amor!” A (B. Tigre) “Eu, filho do carbono e do amoníaco, A Monstro de escuridão e rutilância, B Sofro, desde a epigênese da infância, B A influência má dos signos do zodíaco” A Augusto dos Anjos)
  14. 14. d) Encadeada ou internas:Quando rimam palavras que estão no fim do verso e no interior do versoseguinte: “ Salve Bandeira do Brasil querida Toda tecida de esperança e luz Pálio sagrado sobre o qual palpita A alma bendita do país da Cruz”e) ExternasQuando a rima aparece ao final do verso. É o tipo mais comum de rima. “ Lembranças, que lembrais meu bem passado Para que sinta mais o mal presente Deixai-me se quereis viver contente Não me deixeis morrer neste estado” (Thiago Cardoso da Silva))
  15. 15. f) continuadas: Consiste na mesma rima por todo o poema.g) Versos Livres:São as rimas que não seguem esquematização regular, não tem ordemdeterminada entre as rimas.“ A chuva chove mansamente... como um sonoQue tranqüilize, pacifique, resserene...A chuva chove mansamente... Que abandono!A chuva é a música de um poema de Verlaine...E vem-me o sonho de uma véspera solene,Em certo paço, já sem data e já sem dono...Véspera triste como a noite, que envenene...Num velho paço, muito longe, em terra estranha,Com muita névoa pelos ombros da montanha...Paço de imensos corredores espectrais,Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,Revira in-fólios, cancioneiros e missais”
  16. 16. h) Versos brancosSão versos que não apresentam rimas.“Fabrico um elefante brancode meus poucos recursos.Um tanto de madeira podretirado a velhos móveistalvez lhe dê apoio.E o encho de algodão,de paina, de doçura.A cola vai fixar todasuas orelhas pensas.A tromba se enovela,é a parte mais felizde sua arquitetura. (...)” (C. D. de Andrade)
  17. 17.  POEMAS DE FORMA FIXA Alguns poemas apresentam forma fixa, o que já indica apreocupação formal do poeta em relação à sua obra e,assim, que ele segue à risca as normas da Versificação nomomento da sua elaboração. São eles:. Soneto: poema formado por dois quartetos e doistercetos, normalmente composto por versos decassílabos ede conteúdo lírico;. Balada: poema formado por três oitavas e uma quadra;. Rondel: poema formado por duas quadras e umaquintilha;. Rondó: poema com estrofação uniforme de quadras;
  18. 18. FIGURAS DE EFEITO SONORO
  19. 19. ALITERAÇÃO É a repetição de uma consoante ao longo de um verso ou ao longo do poema. Consiste na repetição do mesmo fonema consonântico, de forma a obter um efeito expressivo. Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram... - Cruz e Sousa) Auriverde pendão de minha terra que a brisa do Brasil beija e balança (Castro Alves)
  20. 20. ASSONÂNCIA É a repetição de vogais iguais ao longo de um verso ou de um poema. "Sou Ana, da cama da cana, fulana, bacana Sou Ana de Amsterdam” (Chico Buarque) "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.” (Caetano Veloso) Veloso
  21. 21. PARANOMÁSIA Quando numa mesma sentença temos o empregode palavras parônimas, ou seja, palavras de sonsparecidos, dizemos que ocorreu aí a paranomásia,figura de linguagem que consiste no emprego depalavras parecidas, numa mesma sentença, gerandouma espécie de trocadilho. Ex.: Houve aquele tempo... (E agora, que a chuva chora, ouve aquele tempo!) (Ribeiro Couto)

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