Metrificação e escansão

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Aula sobre metrificação e escansão ministrada para o Primeiro Ano do Ensino Médio da Escola São João/Coopercamp

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  • Conforme já falamos, até mais ou menos o século XV, a poesia era acompanhada por instrumentos musicais, geralmente a lira.
    As poesias eram quase que canções recitadas

    A poesia, com isso, tinha ritmo e musicalidade
  • Oberve que
  • Oberve que além da última sílaba ser tônica, a segunda sílaba poética também é tônica
    Sílabas tônica e sílabas átonas
  • O ERA IMPEDE A JUNÇÃO DE VOGAIS
    ERA
  • Iremos trabalhar apenas três classificações
    As redondilhas e o Decassílabo
  • Explorar as reações físicas do pastor diante da mulher amada, as quais se assemelham às apresentadas no pema de Safor e a possível intertextualidad entre os poemas
  • Um dos versos mais comuns em língua português é o verso de dez sílabas, chamnado de decassílabo. Grande parte dos sonetos – poemas compostos de duas estrofes de quatro versos e duas de três é uma das formas poéticas mais desafiadoras para qualquer poeta – é principalmente construído com versos decassílabos.
  • Metrificação e escansão

    1. 1. Prof. Me. Flávio Maia
    2. 2.  Antiguidade Clássica: poesias eram acompanhadas por instrumentos musicais (lira)  O ritmo está presente na poesia e, para que possamos percebê-lo, faz-se necessário conhecer os recursos utilizados pelos poetas.  MÉTRICA: DETERMINAR O NÚMERO PRECISO DE SÍLABAS POÉTICAS.
    3. 3.  Escandir um verso significa contar as sílabas poética que ele contém  ATENÇÃO: ◦SÍLABA POÉTICA É DIFERENTE DE SÍLABA GRAMATICAL
    4. 4. I-Juca Pirama Meu canto de morte Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci: Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi.
    5. 5.  Vamos dividir os versos em sílabas gramaticais Meu/can/to/de/mor/te  6 sílabas Ger/rei/ros/ou/vi  5 sílabas Sou/fi/lho/da/sel/va  6 sílabas Lembre-se: Na escansão não levamos em consideração as sílabas gramaticais
    6. 6.  1ª. Regra: ◦ Para saber as sílabas poéticas, conta-se até a última sílaba tônica do verso 1º 2º 3º 4º 5º 6º Meu can- to de MOR Te Guer- rei ros ou- VI Sou fi- lho das SEL- vas
    7. 7. 1º 2º 3º 4º 5º 6º Meu can- to de MOR Te Guer- rei ros ou- VI Sou fi- lho das SEL- vas
    8. 8.  2ª. Regra ◦ A contração de vogais, que ocorre quando uma vogal é absorvida por outra, é denominada sinalefa 1º 2º 3º 4º 5º 6º Da tri- bo pu- jan- te Que a go ra an da er ran- te Por fa- do in cons- tan- te
    9. 9.  A SINALEFA acontece somente quando a vogal seguinte é átona  Exemplo: ◦ Eu era seu guia ◦ Eu/e/ra/seu/gui/a
    10. 10.  Na poesia, as sílabas são contadas de acordo com a SONORIDADE. Para contarmos as sílabas poéticas devemos saber que: ◦ Ditongos possuem valor de uma única sílaba poética. ◦ Se há duas palavras aproximadas por VOGAIS (a primeira terminando em vogal e a segunda iniciando em vogal), as sílabas dessas duas vogais são contadas em apenas uma sílaba. ◦ As sílabas poéticas que estão após a última sílaba tônica do verso não são contadas.
    11. 11. 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º Mi- nha ter- ra tem pal- mei- ras On de can- ta o sa- bi- á As a- ves que a- qui gor- gei- am Não gor- gei- am co- mo lá
    12. 12. Número de Versos Designação 2 Dístico 3 Terceto 4 Quadra ou quarteto 5 Pentassílabos ou Redondilha menor 6 Sextilha 7 Heptassílabos ou Redondilha maior 8 Oitava 9 Nona ou eneassílabos 10 Decassílabo ou décima ou heroico ou sáfico 12 Dodecassílabo ou alexandrino
    13. 13. Lira IV Tomás Antônio Gonzaga Marília, teus olhos São réus, e culpados, Que sofra, e que beije Os ferros pesados De injusto Senhor. Marília, escuta Um triste Pastor. Mal vi o teu rosto, O sangue gelou-se, A língua prendeu-se, Tremi, e mudou-se Das faces a cor. Marília, escuta Um triste Pastor.
    14. 14. 1º 2º 3º 4º 5º 6º Ma- rí- lia teus o- lhos São ré- us, e cul- pa- dos Que so- fra e que bei- je Os fer- ros pe- sa- dos De in- jus- to se- nhor
    15. 15. O Canto do Guerreiro Gonçalves Dias Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. - Ouvi-me, Guerreiros. - Ouvi meu cantar.
    16. 16. 1 2 3 4 5 A / qui / na / flo / res / ta 1 2 3 4 5 Dos / ven / tos / ba / ti / da, 1 2 3 4 5 Fa / ça / nhas / de / bra / vos 1 2 3 4 5 Não / ge / ram / es / cra / vos, 1 2 3 4 5 Que es / ti / mem / a / vi / da 1 2 3 4 5 Sem / gue / rra e / li / dar. 1 2 3 4 5 - Ou / vi / -me, / Gue / rrei / ros. 1 2 3 4 5 - Ou / vi / meu / can / tar.
    17. 17. Lira II Tomás Antônio Gonzaga Pintam, Marília, os Poetas A um menino vendado, Com uma aljava de setas, Arco empunhado na mão; Ligeiras asas nos ombros, O tenro corpo despido, E de Amor, ou de Cupido São os nomes, que lhe dão.
    18. 18. 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º Pin- tam, Ma- rí- lia, os po- e tas A um me- ni- no vem da do Com u- ma al já va de se tas Ar- co em pu nha do na mão Li- gei- ras a- sas nos om- bros O ter- no cor- po des- pi- do E de a- mor ou de cu- pi- do São os no- mês que lhe dão
    19. 19. VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA Fernando Pessoa Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada
    20. 20. 1 2 3 4 5 6 7 Vou / -me em / bo / ra / pra / Pa / sár / ga / da 1 2 3 4 5 6 7 Lá / sou / a / mi / go / do / rei 1 2 3 4 5 6 7 Lá / te / nho a / mu / lher / que eu / que / ro 1 2 3 4 5 6 7 Na / ca / ma / que es / co / lhe / rei 1 2 3 4 5 6 7 Vou / -me em / bo / ra / pra / Pa / sár / ga / da
    21. 21. Soneto da Fidelidade De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.
    22. 22. 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º De tu- do ao meu a- mor se- rei a ten- to An- tes e com tal ze- lo e sem- pre e tan to Que mes- mo em fa- ce do mai- or en- can to De- le se en- can- te mais meu pen- sa- men- to E as- sim quan - do mais tar- de me pro- cu- re Que m sa- be a mor- te an- gús- tia de quem vi- ve Que m sa- be a so- li dão fim de quem a- ma
    23. 23. As Pombas Raimundo Correia Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sanguínea e fresca a madrugada...
    24. 24. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Vai / -se a / pri / mei / ra / pom / ba / des / per / ta / da... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Vai / -se ou / tra / mais... / mais / ou / tra... en / fim / de / ze / nas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 De/ pom / bas / vão / -se / dos / pom / bais, / a / pe / nas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Raia / san / guí/ ne / a e / fres /ca a / ma / dru / ga / da...

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