XIV CONGRESSO PAULISTA DE UROLOGIA
7-10 Setembro 2016 – São Paulo
Sandro Esteves
Diretor Médico e Científico, ANDROFERT, Campinas
Professor Colaborador, Disciplina Urologia, UNICAMP
Varicocele e Infertilidade
www.androfert.com.br
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 2
Conteúdo
h"p://link.springer.com/book/10.1007%2F978-­‐3-­‐319-­‐24936-­‐0	
  
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 3
1. Definição e Epidemiologia
Refere-se à dilatação das veias do plexo pampiniforme e é
considerada causa tratável mais comum de infertilidade
masculina.
Acredita-se que tenha caráter progressivo e apareça na puberdade:
1% crianças; 8% adolescentes -10-19 anos, e 15-20% homens adultos.
Varicocele, do Latim: varix (veia dilatada) e Grego: kele (tumor), é
reconhecida como entidade clínica há mais de 100 anos.
15%
35%
75%
Homens adultos
Infertilidade primária
Infertilidade secundária
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 4
2. Origem e Fisiopatologia
Veias testiculares formam plexo pampiniforme
(3 grupos de veias que se comunicam):
1. Posterior (Externo): v. cremastérica; vv. gubernáculo;
drenam p/v. epigástrica inf. e v. pudenda ext.
1.  Médio: cursa com o deferente, e drena p/v. Ilíaca ext.
3. Anterior: cursa com art. espermática interna. Ao nível
do anel inguinal, distribuem tributárias para a pelve.
Ramos principais convergem para formam vv.
espermáticas interna (1-2), que desembocam na v.
renal ou cava.
Válvulas presentes maioria vv. espermáticas int.
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 5
2. Origem e Fisiopatologia
3 teorias tentam explicar origem (não mutuamente exclusivas)
1.  Inserção ângulo reto v. testicular esq. na v. renal, com
consequente aumento P hidrostática transmitida plexo
pampiniforme;
2. Incompetência congênita (ausência) válvulas venosas,
resultando fluxo retrógrado e dilatação venosa;
3. Efeito “quebra-nozes” (compressão v. renal esq. entre art.
mesentérica sup. e aorta obstrui parcialmente fluxo
sanguíneo e aumenta P hidrostática transmitida plexo
pampiniforme.
Bilateral em cerca 50% casos; direita isolada <2%	
  
	
  
	
  
	
  
	
  
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 6
2. Origem e Fisiopatologia
1.  Hipertermia escrotal (2.5oC maior):
heat stress
2.  Hipertensão venosa, acarrentando hipo-
perfusão testicular e hipoxia
3.  Refluxo toxinas (epinefrina, ureia,
prostaglandinas E e F2α):
Associados aumento Estresse Oxidativo,
considerado atualmente o elemento
central na fisiopatologia da infertilidade
mediada pela varicocele
1. Mitocondria (ativação complexo III da cadeia
transporte eletrons)
2. Óxido nitrico (gerado pelas células
testiculares e endoteliais) causa nitrosilação
complexos I e IV, acarretando aumento
produção ERO pelo complexo III
3. Flagelo (unidade glicolíticas), NO nitrosila
enzima gliceraldeído 3 fosfato
desidrogenase, c/consequente acidificação
intracelular, e reduzindo taxa NADH:NAD+ q
reduz produção lactato
Heat stress e Hipóxia também acarretam
geração ERO nos espermatozoides
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Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 8
3. Associação entre Varicocele e Infertilidade
Ø  Prevalência maior homens inférteis (21-41%) X população geral (4-23%)
Ø  Deterioração parâmetros espermáticos: espermograma, fragmentação DNA,
marcadores estresse oxidativo, etc.
Melhora pós-tratamento
Ø  Varicocele experimental deteriora função testicular exócrina e
endócrina (efeitos revertidos pós-correção varicocele)
Ø  Histopatologia testicular alterada (hipospermatogênese;
parada maturação); ~50% hipotrofia
Ø  Retardo crescimento testicular >50% adolescentes com
varicocele; efeito associado grau varicocele (pode ser
revertido pós-correção)
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 9
Agarwal	
  A,	
  Sharma	
  R,	
  Harlev	
  A,	
  Esteves	
  SC.	
  Asian	
  J	
  Androl	
  2016;18:163-­‐70	
  
Varicocele associada à redução:
1.  Concentração espermática (MD: −44.48×106; 95% CI: −61.45, −27.51; P < 0.001)
2.  Motilidade (MD: −26.67%; 95% CI: −34.27, −19.08; P < 0.001),
3.  Morfologia (MD: −19.68%; 95% CI: −29.28, −10.07; P < 0.001)
Ø  Sem influência volume seminal
Ø  Edição manual OMS utilizado sem efeito significativo magnitude alterações
•  10 estudos;
•  1232 homens com varicocele clínica
•  Análise geral e subgrupos
- Manual OMS utilizado
- Controle sem varicocele
Int Urol Nephrol 2015; 47(9):1471-7
G2: recurrent ART failure;
G3: leukocytospermia;
G4: Chlamydia infection;
G5: testicular cancer
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SC Esteves, 10
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 11
3. Associação entre Varicocele e Infertilidade
Acredita-se que a varicocele exerça efeito negativo, porém
resposta adaptativa ao Estresse Oxidativo variável de
indivíduo para indivíduo:
Ø  Produção intrínsica anti-oxidantes variável
Ø  Variação genética (mecanismos adaptativo estresse oxidativo)
Diferenças perfil proteômico férteis (protetor) e inférteis
Apesar desses achados, cerca 80 % dos homens com
varicocele são férteis
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 12
4. Classificação
Varicocele tem sido diagnosticada e classificada por:
exame físico, US doppler, termografia, venografia
Dubin & Amelar (1971): Posição ortostática; T ambiente ~22-25oC
GRAU 1: Palpável somente durante Valsalva
GRAU 2: Palpável (sem Valsalva), porém não visível
GRAU 3: Visível e palpável (repouso)
Exames de imagem indicados quando exame físico inconclusivo ou difícil
(varicocele baixo grau, cirurgia escrotal prévia, obesidade, hidrocele,
hipersensibilidade
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SC Esteves, 13
4. Classificação (2)
US Doppler:
•  Exame deitado e de pé (com e sem Valsalva)
•  Transdutor linear alta frequência (≥7 MHz)
•  Exame veias (escala cinza, Doppler, Doppler pulsado):
•  ≥3mm
•  Refluxo contínuo Valsalva
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SC Esteves, 14
Escore	
  ≥4	
  para	
  
diagnós1co	
  varicocele	
  ao	
  
US	
  doppler;	
  
	
  
Sensi1vidade	
  93	
  %	
  e	
  
Especificidade	
  85	
  %	
  
comparado	
  	
  exame	
  ?sico	
  	
  
US Doppler
Chiou	
  et	
  al.	
  Urology.	
  1997;50(6):953–6	
  
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US Doppler critério	
  diagnós1co	
  mais	
  comum	
  (presença	
  veia	
  ≥3	
  mm):	
  
Sensi1vidade	
  50%	
  ;	
  Especificidade	
  90%	
  (vs	
  exame	
  ?sico)	
  
US	
  doppler	
  NEGATIVO	
  em	
  50%	
  
dos	
  pacientes	
  com	
  varicocele	
  
clínica	
  (baixa	
  sensibividade)	
  
Por	
  outro	
  lado,	
  improvável	
  que	
  
um	
  paciente	
  sem	
  varicocele	
  
clínica	
  teste	
  POSITIVO	
  ao	
  US	
  
doppler	
  (alta	
  especificidade)	
  
+	
  
-­‐	
  
+	
   -­‐	
  
Resultado	
  Teste	
  
Varicocele	
  
Falso	
  
PosiUvo	
  
(B)	
  
Falso	
  
NegaUvo	
  	
  
(C)	
  
Verdadeiro	
  	
  
Nega1vo	
  
(D)	
  
Verdadeiro	
  	
  
Posi1vo	
  (A)	
  
Chiou	
  et	
  al.	
  Urology.	
  1997;50(6):953–6	
  
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 16
Diagnóstico
Objetivo Oferecer recomendações; auxiliar decisão clínica
AUA e ASRM EAU
Diagnóstico •  Exame físico com paciente
em pé e manobra Valsalva
(se necessário) é suficiente;
•  Classificada graus 1-3;
•  US escrotal c/doppler
somente casos duvidosos
Idem, mas diagnóstico
clínico deve ser
confirmado com US
escrotal c/doppler
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 17
5. Modalidades Tratamento
Tratamento medicamento (anti-oxidantes, anti-inflamatórios) tem sido utilizado com
resultados conflitantes. Maioria estudos baixo poder estatístico e sem grupo controle.
Tratamento intervencionista tem como princípio ocluir veias dilatadas do plexo pampiniforme:
•  Cirurgia aberta (com e sem magnificação)
Retroperitoneal (oclusão v. espermática interna)
Inguinal/Subinguinal (oclusão vv. espermáticas interna e externa, e tributárias)
•  Laparoscopia (oclusão v. espermática interna)
•  Embolização (geralmente varicocele recorrente)
Objetivo :
oferecer chance recuperação completa ou parcial da fertilidade com mínimo risco
complicação, e aumentar chance de iniciar gravidez independente do método
(natural ou assistido)
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5. Modalidades Tratamento (2)
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 19
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SC Esteves, 20
6. Varicocele Subclínica
Refere-se à presença de varicocele diagnosticada por
exames de imagem (CDU, termografia, venografia) mas
sem correspondência no exame físico.
Até o momento, não há evidência de melhora nos parâmetros
fertilidade tratamento varicocele subclínica.
Alguns autores advogam reparar varicocele subclínica
contralateral à varicocele clínica (varicocelectomia bilateral)
estudos indicando alteração hemodinâmica pós-reparo
unilateral, com progressão varicocele subclínica
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 21
7. Varicocele no Adolescente
Seguimento anual casos varicocele palpável e volume testicular normal:
Medida volume testicular e análise seminal se possível); risco progressão.
Não há consenso melhor modalidade cirúrgica:
laparoscopia e microcirurgia subinguinal menor risco hidrocele
Pode associar-se redução volume testicular, alterações
endócrinas (níveis FSH, LH e testosterona), e seminais
Quando indicar correção?
Ø  Palpável e associada retardo crescimento testicular
(>2mL relação contralateral)
Varicocelectomia pode reverter perda volumétrica (fenômeno não universal)	
  
Guidelines EAU
Tratamento recomendado:
1. Perda progressiva desenvolvimento testicular, comprovado durante
seguimento clínico (recomendação B) – (EAU male infertility guidelines)
2. Varicocele associada hipotrofia testicular*
3. Varicocele associada à outra condição testicular afetando fertilidade*
4. Varicocele clínica bilateral*
5. Presença alterações seminais*
6. Varicocele sintomática (Grau 2 evidência; recomendação B)*
7. Varicocele no Adolescente (2)
*EAU Pediatric Urology Guidelines
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SC Esteves, 22
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SC Esteves, 23
8. Efeito do Tratamento (1)
Parâmetros Seminais - Meta-análises (Agarwal et al. 2007; Baazeem et al 2011)
Melhora ≥1 parâmetro seminal 65% homens tratados:
Concentração: ñ10 M/mL
Motilidade: ñ10%
Morfologia: ñ3%
Tempo médio até melhora seminal: 5 meses
Ø  Redução marcadores estresse oxidativo, elevação níveis antioxidantes e
mudança perfil proteômico
Ø  Redução Fragmentação DNA: -3.4% (95% CI: -4.1% to -2.6%; p<0.0001)
Wang et al 2012
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8. Efeito do Tratamento (2)
Gestação natural
•  Marmar et al. 2007: OR 2.87 (95% CI: 1.33-6.20; P<0.001)
•  Cochrane 2012 (10 RCT): OR 1.47 (95% CI: 1.05-2.05)
(Somente varicocele clínica e sêmen anormal OR 2.39 [95% CI: 1.56-3.66])
Taxa gravidez natural pós-varicocelectomia, excluindo favor feminino:
43% 1 ano seguimento
69% 2 anos seguimento
Resultados dependentes seleção adequada:
1. varicocele palpável e 2. sêmen anormal
Tiseo	
  BC,	
  Esteves	
  SC,	
  Cocuzza	
  MS.	
  Summary	
  evidence	
  on	
  the	
  effects	
  of	
  varicocele	
  
treatment	
  to	
  improve	
  natural	
  ferUlity	
  in	
  subferUle	
  men.	
  Asian	
  J	
  Androl	
  2016;18:239-­‐45	
  
•  Microsurgical
varicocele
repair prior to
ICSI (N=80)!
•  ICSI with
untreated
varicocele
(N=162)!
J Urol 2010;184:1442-6!
Varicocele e Reprodução Assistida
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SC Esteves, 25
Esteves SC, Roque M, Agarwal A. Outcome of assisted reproductive technology in men with treated and
untreated varicocele: systematic review and meta-analysis. Asian J Androl 2016;18:254-8
Correção varicocele clínica melhora resultados reprodução assistida
8. Efeito do Tratamento (3)
Taxa Gravidez
Clínica
Taxa Bebês
Nascidos
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SC Esteves, 26
Melhora parâmetros seminais:
Parâmetros seminais levemente ou moderadamente alterados
Varicocele alto grau
Varicocelectomia bilateral
Gravidez natural ou assistida:
Total Sptz móveis pós-varicocelectomia >20 M/mL
Queda taxas fragmentação DNA espermático
Varicocelectomia bilateral
	
  	
  
Hipotrofia testicular, FSH elevado, Testosterona sérica diminuída
Varicocele subclínica
Presença microdeleção cromossomo Y
Fatores preditivos
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SC Esteves, 27
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 28
9. Varicocele e Azoospermia
Varicocele presente 5% homens azoospermia não-obstrutiva.
Meta-análise 16 estudos
(344 pacientes):
Em 43.9% (151/344) dos
pacientes operados
(variação: 20.8%-55.0%),
Sptz encontrados no
ejaculado pós-op.
Ø  Concentração média: 1.82 ± 1.58 M/mL; Motilidade: 22.9% ± 15.5%
Ø  Intervalo cirurgia e apareciment Sptz: 4-11 meses	
  
Esteves SC et al. Asian J Androl 2016;18:246-53
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 29
9. Varicocele e Azoospermia (2)
Figure 2: Forest plot of comparison: sperm retrieval rate in patients with NOA and previous varicocele repair versus no varicocele
repair.
Esteves SC et al. Asian J Androl 2016;18:246-53
9. Varicocele e Azoospermia (3)
Fatores preditivos
Microdeleções cromossomo Y encontradas em até 18% casos
Não há indicação correção se microdeleções + regiões AZFa e/ou AZFb
Efeito varicocelectomia portadores deleção AZFc incerto
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 30
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 31
10. Guidelines
Objetivo Oferecer recomendações; auxiliar decisão clínica
AUA e ASRM EAU
Diagnóstico Exame físico com paciente em pé e manobra Valsalva (se
necessário) é suficiente. Classificada graus 1-3
US escrotal c/doppler somente casos duvidosos
Idem, diagnóstico clínico
deve ser confirmado com
US escrotal c/doppler
Tratamento
recomendado
quando:
Todos critérios abaixo:
1. Varicocele palpável
2. Infertilidade conjugal
3. Parceira normal ou fator feminino potencialmente tratável;
e tempo não é fator limitante
4. Sêmen anormal (teratozoospermia isolada contra-indicação)
Todos critérios abaixo:
1.  Varicocele clínica
2.  Oligozoospermia
3.  Infertilidade > 2 anos
4.  Sem outra causa
infertilidade aparente
Método
tratamento
Não especifica, mas menciona abordagem inguinal/
subinguinal com técnica microcirúrgica associada menor
risco recorrência e complicações
Idem
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 32
10. Guidelines – Outras considerações
AUA ASRM EAU
Varicocele palpável, sêmen anormal e desejo
de fertilidade futura (não tentando gravidez) ✔ ✔
Varicocele palpável e dor ✔
Varicocele grande e níveis T diminuídos ✔
Varicocele e ANO em candidatos TRA ✔ ✔
Tx não recomendado homens inférteis c/
varicocele subclínica ou varicocele e sêmen nl ✔
Varicocele e Infertilidade
SC Esteves, 33
Material Complementar
Guest Editors: Ashok Agarwal &
Sandro Esteves!
March-April 2016
Vol 18; Issue 2 - OPEN ACCESS
3 Editorials
21 invited authoritative reviews
6 invited commentaries by experts
http://www.ajandrology.com/
Varicocele e Infertilidade

Varicocele e Infertilidade

  • 1.
    XIV CONGRESSO PAULISTADE UROLOGIA 7-10 Setembro 2016 – São Paulo Sandro Esteves Diretor Médico e Científico, ANDROFERT, Campinas Professor Colaborador, Disciplina Urologia, UNICAMP Varicocele e Infertilidade www.androfert.com.br
  • 2.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 2 Conteúdo h"p://link.springer.com/book/10.1007%2F978-­‐3-­‐319-­‐24936-­‐0  
  • 3.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 3 1. Definição e Epidemiologia Refere-se à dilatação das veias do plexo pampiniforme e é considerada causa tratável mais comum de infertilidade masculina. Acredita-se que tenha caráter progressivo e apareça na puberdade: 1% crianças; 8% adolescentes -10-19 anos, e 15-20% homens adultos. Varicocele, do Latim: varix (veia dilatada) e Grego: kele (tumor), é reconhecida como entidade clínica há mais de 100 anos. 15% 35% 75% Homens adultos Infertilidade primária Infertilidade secundária
  • 4.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 4 2. Origem e Fisiopatologia Veias testiculares formam plexo pampiniforme (3 grupos de veias que se comunicam): 1. Posterior (Externo): v. cremastérica; vv. gubernáculo; drenam p/v. epigástrica inf. e v. pudenda ext. 1.  Médio: cursa com o deferente, e drena p/v. Ilíaca ext. 3. Anterior: cursa com art. espermática interna. Ao nível do anel inguinal, distribuem tributárias para a pelve. Ramos principais convergem para formam vv. espermáticas interna (1-2), que desembocam na v. renal ou cava. Válvulas presentes maioria vv. espermáticas int.
  • 5.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 5 2. Origem e Fisiopatologia 3 teorias tentam explicar origem (não mutuamente exclusivas) 1.  Inserção ângulo reto v. testicular esq. na v. renal, com consequente aumento P hidrostática transmitida plexo pampiniforme; 2. Incompetência congênita (ausência) válvulas venosas, resultando fluxo retrógrado e dilatação venosa; 3. Efeito “quebra-nozes” (compressão v. renal esq. entre art. mesentérica sup. e aorta obstrui parcialmente fluxo sanguíneo e aumenta P hidrostática transmitida plexo pampiniforme. Bilateral em cerca 50% casos; direita isolada <2%          
  • 6.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 6 2. Origem e Fisiopatologia 1.  Hipertermia escrotal (2.5oC maior): heat stress 2.  Hipertensão venosa, acarrentando hipo- perfusão testicular e hipoxia 3.  Refluxo toxinas (epinefrina, ureia, prostaglandinas E e F2α): Associados aumento Estresse Oxidativo, considerado atualmente o elemento central na fisiopatologia da infertilidade mediada pela varicocele
  • 7.
    1. Mitocondria (ativaçãocomplexo III da cadeia transporte eletrons) 2. Óxido nitrico (gerado pelas células testiculares e endoteliais) causa nitrosilação complexos I e IV, acarretando aumento produção ERO pelo complexo III 3. Flagelo (unidade glicolíticas), NO nitrosila enzima gliceraldeído 3 fosfato desidrogenase, c/consequente acidificação intracelular, e reduzindo taxa NADH:NAD+ q reduz produção lactato Heat stress e Hipóxia também acarretam geração ERO nos espermatozoides Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 7
  • 8.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 8 3. Associação entre Varicocele e Infertilidade Ø  Prevalência maior homens inférteis (21-41%) X população geral (4-23%) Ø  Deterioração parâmetros espermáticos: espermograma, fragmentação DNA, marcadores estresse oxidativo, etc. Melhora pós-tratamento Ø  Varicocele experimental deteriora função testicular exócrina e endócrina (efeitos revertidos pós-correção varicocele) Ø  Histopatologia testicular alterada (hipospermatogênese; parada maturação); ~50% hipotrofia Ø  Retardo crescimento testicular >50% adolescentes com varicocele; efeito associado grau varicocele (pode ser revertido pós-correção)
  • 9.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 9 Agarwal  A,  Sharma  R,  Harlev  A,  Esteves  SC.  Asian  J  Androl  2016;18:163-­‐70   Varicocele associada à redução: 1.  Concentração espermática (MD: −44.48×106; 95% CI: −61.45, −27.51; P < 0.001) 2.  Motilidade (MD: −26.67%; 95% CI: −34.27, −19.08; P < 0.001), 3.  Morfologia (MD: −19.68%; 95% CI: −29.28, −10.07; P < 0.001) Ø  Sem influência volume seminal Ø  Edição manual OMS utilizado sem efeito significativo magnitude alterações •  10 estudos; •  1232 homens com varicocele clínica •  Análise geral e subgrupos - Manual OMS utilizado - Controle sem varicocele
  • 10.
    Int Urol Nephrol2015; 47(9):1471-7 G2: recurrent ART failure; G3: leukocytospermia; G4: Chlamydia infection; G5: testicular cancer Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 10
  • 11.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 11 3. Associação entre Varicocele e Infertilidade Acredita-se que a varicocele exerça efeito negativo, porém resposta adaptativa ao Estresse Oxidativo variável de indivíduo para indivíduo: Ø  Produção intrínsica anti-oxidantes variável Ø  Variação genética (mecanismos adaptativo estresse oxidativo) Diferenças perfil proteômico férteis (protetor) e inférteis Apesar desses achados, cerca 80 % dos homens com varicocele são férteis
  • 12.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 12 4. Classificação Varicocele tem sido diagnosticada e classificada por: exame físico, US doppler, termografia, venografia Dubin & Amelar (1971): Posição ortostática; T ambiente ~22-25oC GRAU 1: Palpável somente durante Valsalva GRAU 2: Palpável (sem Valsalva), porém não visível GRAU 3: Visível e palpável (repouso) Exames de imagem indicados quando exame físico inconclusivo ou difícil (varicocele baixo grau, cirurgia escrotal prévia, obesidade, hidrocele, hipersensibilidade
  • 13.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 13 4. Classificação (2) US Doppler: •  Exame deitado e de pé (com e sem Valsalva) •  Transdutor linear alta frequência (≥7 MHz) •  Exame veias (escala cinza, Doppler, Doppler pulsado): •  ≥3mm •  Refluxo contínuo Valsalva
  • 14.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 14 Escore  ≥4  para   diagnós1co  varicocele  ao   US  doppler;     Sensi1vidade  93  %  e   Especificidade  85  %   comparado    exame  ?sico     US Doppler Chiou  et  al.  Urology.  1997;50(6):953–6  
  • 15.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 15 US Doppler critério  diagnós1co  mais  comum  (presença  veia  ≥3  mm):   Sensi1vidade  50%  ;  Especificidade  90%  (vs  exame  ?sico)   US  doppler  NEGATIVO  em  50%   dos  pacientes  com  varicocele   clínica  (baixa  sensibividade)   Por  outro  lado,  improvável  que   um  paciente  sem  varicocele   clínica  teste  POSITIVO  ao  US   doppler  (alta  especificidade)   +   -­‐   +   -­‐   Resultado  Teste   Varicocele   Falso   PosiUvo   (B)   Falso   NegaUvo     (C)   Verdadeiro     Nega1vo   (D)   Verdadeiro     Posi1vo  (A)   Chiou  et  al.  Urology.  1997;50(6):953–6  
  • 16.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 16 Diagnóstico Objetivo Oferecer recomendações; auxiliar decisão clínica AUA e ASRM EAU Diagnóstico •  Exame físico com paciente em pé e manobra Valsalva (se necessário) é suficiente; •  Classificada graus 1-3; •  US escrotal c/doppler somente casos duvidosos Idem, mas diagnóstico clínico deve ser confirmado com US escrotal c/doppler
  • 17.
    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 17 5. Modalidades Tratamento Tratamento medicamento (anti-oxidantes, anti-inflamatórios) tem sido utilizado com resultados conflitantes. Maioria estudos baixo poder estatístico e sem grupo controle. Tratamento intervencionista tem como princípio ocluir veias dilatadas do plexo pampiniforme: •  Cirurgia aberta (com e sem magnificação) Retroperitoneal (oclusão v. espermática interna) Inguinal/Subinguinal (oclusão vv. espermáticas interna e externa, e tributárias) •  Laparoscopia (oclusão v. espermática interna) •  Embolização (geralmente varicocele recorrente) Objetivo : oferecer chance recuperação completa ou parcial da fertilidade com mínimo risco complicação, e aumentar chance de iniciar gravidez independente do método (natural ou assistido)
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 18 5. Modalidades Tratamento (2)
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 20 6. Varicocele Subclínica Refere-se à presença de varicocele diagnosticada por exames de imagem (CDU, termografia, venografia) mas sem correspondência no exame físico. Até o momento, não há evidência de melhora nos parâmetros fertilidade tratamento varicocele subclínica. Alguns autores advogam reparar varicocele subclínica contralateral à varicocele clínica (varicocelectomia bilateral) estudos indicando alteração hemodinâmica pós-reparo unilateral, com progressão varicocele subclínica
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 21 7. Varicocele no Adolescente Seguimento anual casos varicocele palpável e volume testicular normal: Medida volume testicular e análise seminal se possível); risco progressão. Não há consenso melhor modalidade cirúrgica: laparoscopia e microcirurgia subinguinal menor risco hidrocele Pode associar-se redução volume testicular, alterações endócrinas (níveis FSH, LH e testosterona), e seminais Quando indicar correção? Ø  Palpável e associada retardo crescimento testicular (>2mL relação contralateral) Varicocelectomia pode reverter perda volumétrica (fenômeno não universal)  
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    Guidelines EAU Tratamento recomendado: 1.Perda progressiva desenvolvimento testicular, comprovado durante seguimento clínico (recomendação B) – (EAU male infertility guidelines) 2. Varicocele associada hipotrofia testicular* 3. Varicocele associada à outra condição testicular afetando fertilidade* 4. Varicocele clínica bilateral* 5. Presença alterações seminais* 6. Varicocele sintomática (Grau 2 evidência; recomendação B)* 7. Varicocele no Adolescente (2) *EAU Pediatric Urology Guidelines Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 22
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 23 8. Efeito do Tratamento (1) Parâmetros Seminais - Meta-análises (Agarwal et al. 2007; Baazeem et al 2011) Melhora ≥1 parâmetro seminal 65% homens tratados: Concentração: ñ10 M/mL Motilidade: ñ10% Morfologia: ñ3% Tempo médio até melhora seminal: 5 meses Ø  Redução marcadores estresse oxidativo, elevação níveis antioxidantes e mudança perfil proteômico Ø  Redução Fragmentação DNA: -3.4% (95% CI: -4.1% to -2.6%; p<0.0001) Wang et al 2012
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 24 8. Efeito do Tratamento (2) Gestação natural •  Marmar et al. 2007: OR 2.87 (95% CI: 1.33-6.20; P<0.001) •  Cochrane 2012 (10 RCT): OR 1.47 (95% CI: 1.05-2.05) (Somente varicocele clínica e sêmen anormal OR 2.39 [95% CI: 1.56-3.66]) Taxa gravidez natural pós-varicocelectomia, excluindo favor feminino: 43% 1 ano seguimento 69% 2 anos seguimento Resultados dependentes seleção adequada: 1. varicocele palpável e 2. sêmen anormal Tiseo  BC,  Esteves  SC,  Cocuzza  MS.  Summary  evidence  on  the  effects  of  varicocele   treatment  to  improve  natural  ferUlity  in  subferUle  men.  Asian  J  Androl  2016;18:239-­‐45  
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    •  Microsurgical varicocele repair priorto ICSI (N=80)! •  ICSI with untreated varicocele (N=162)! J Urol 2010;184:1442-6! Varicocele e Reprodução Assistida Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 25
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    Esteves SC, RoqueM, Agarwal A. Outcome of assisted reproductive technology in men with treated and untreated varicocele: systematic review and meta-analysis. Asian J Androl 2016;18:254-8 Correção varicocele clínica melhora resultados reprodução assistida 8. Efeito do Tratamento (3) Taxa Gravidez Clínica Taxa Bebês Nascidos Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 26
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    Melhora parâmetros seminais: Parâmetrosseminais levemente ou moderadamente alterados Varicocele alto grau Varicocelectomia bilateral Gravidez natural ou assistida: Total Sptz móveis pós-varicocelectomia >20 M/mL Queda taxas fragmentação DNA espermático Varicocelectomia bilateral     Hipotrofia testicular, FSH elevado, Testosterona sérica diminuída Varicocele subclínica Presença microdeleção cromossomo Y Fatores preditivos Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 27
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 28 9. Varicocele e Azoospermia Varicocele presente 5% homens azoospermia não-obstrutiva. Meta-análise 16 estudos (344 pacientes): Em 43.9% (151/344) dos pacientes operados (variação: 20.8%-55.0%), Sptz encontrados no ejaculado pós-op. Ø  Concentração média: 1.82 ± 1.58 M/mL; Motilidade: 22.9% ± 15.5% Ø  Intervalo cirurgia e apareciment Sptz: 4-11 meses   Esteves SC et al. Asian J Androl 2016;18:246-53
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 29 9. Varicocele e Azoospermia (2) Figure 2: Forest plot of comparison: sperm retrieval rate in patients with NOA and previous varicocele repair versus no varicocele repair. Esteves SC et al. Asian J Androl 2016;18:246-53
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    9. Varicocele eAzoospermia (3) Fatores preditivos Microdeleções cromossomo Y encontradas em até 18% casos Não há indicação correção se microdeleções + regiões AZFa e/ou AZFb Efeito varicocelectomia portadores deleção AZFc incerto Varicocele e Infertilidade SC Esteves, 30
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 31 10. Guidelines Objetivo Oferecer recomendações; auxiliar decisão clínica AUA e ASRM EAU Diagnóstico Exame físico com paciente em pé e manobra Valsalva (se necessário) é suficiente. Classificada graus 1-3 US escrotal c/doppler somente casos duvidosos Idem, diagnóstico clínico deve ser confirmado com US escrotal c/doppler Tratamento recomendado quando: Todos critérios abaixo: 1. Varicocele palpável 2. Infertilidade conjugal 3. Parceira normal ou fator feminino potencialmente tratável; e tempo não é fator limitante 4. Sêmen anormal (teratozoospermia isolada contra-indicação) Todos critérios abaixo: 1.  Varicocele clínica 2.  Oligozoospermia 3.  Infertilidade > 2 anos 4.  Sem outra causa infertilidade aparente Método tratamento Não especifica, mas menciona abordagem inguinal/ subinguinal com técnica microcirúrgica associada menor risco recorrência e complicações Idem
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 32 10. Guidelines – Outras considerações AUA ASRM EAU Varicocele palpável, sêmen anormal e desejo de fertilidade futura (não tentando gravidez) ✔ ✔ Varicocele palpável e dor ✔ Varicocele grande e níveis T diminuídos ✔ Varicocele e ANO em candidatos TRA ✔ ✔ Tx não recomendado homens inférteis c/ varicocele subclínica ou varicocele e sêmen nl ✔
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    Varicocele e Infertilidade SCEsteves, 33 Material Complementar Guest Editors: Ashok Agarwal & Sandro Esteves! March-April 2016 Vol 18; Issue 2 - OPEN ACCESS 3 Editorials 21 invited authoritative reviews 6 invited commentaries by experts http://www.ajandrology.com/