EMENTA:
O curso abordaráa Anatomia e Fisiologia da pele, o processo de cicatrização e a
classificação de feridas. Foca na técnica asséptica, seleção de coberturas
tecnológicas, desbridamento biológico e mecânico (teoria), e o manejo prático de
suturas simples e retirada de pontos. Priorizar as diretrizes da ANVISA e o Código
de Ética dos Profissionais de Enfermagem (COFEN).
OBJETIVO DE APRENDIZAGEM:
Identificar tipos e o estágio de cicatrização.
Executar técnicas de curativos simples e complexos com rigor técnico.
Realizar suturas de baixa complexidade (em caráter de urgência/suporte conforme
protocolos institucionais) e retirada de pontos.
Manipular instrumental cirúrgico com destreza.
3.
FINALIDADE DO
CURATIVO
Permitira troca gasosa;
Fornecer isolamento
térmico;
Ser impermeável às
bactérias;
Estar isento de partículas e tóxicos contaminadores de
ferida;
Permitir a retirada sem provocar trauma;
Promover cicatrização.
Manter o leito da ferida umedecido;
Remover o excesso de exsudato;
O curativo sozinho
não promove a
cicatrização
4.
CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS
Quantoao potencial de contaminação:
Classificação Definição
Limpa ou asséptica Lesões realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de
descontaminação. Sem processo infeccioso. Ex: incisões cirúrgicas
que não entram no sistema gastrointestinal, respiratório ou
genitourinário.
Limpa contaminada Tecidos colonizados por flora bacteriana pouco numerosa, sem
processo infeccioso. Ex: acidente doméstico, situações cirúrgicas
em que houve contato com o sistema gastrointestinal, respiratório
ou genitourinário. Risco de infecção é de 10%.
Contaminada Tecidos colonizados por flora bacteriana considerável, mas não
virulenta. Ex: feridas cirúrgicas em que há quebra na assepsia ou
quando ultrapassa o limite de tempo; feridas traumáticas com mais
de 6 horas. Risco de infecção de 20 a 30%.
Infectada Potencialmente colonizadas por detritos ou microrganismos,
evidencia sinais de infecção como tecido desvitalizado, exsudação
purulenta e odor característico.
(Fonte:CRAVEN;HIRNLE,2006)
5.
Quanto ao tipode cicatrização
Classificação Definição
Primeira Intenção Perda tissular mínima, em que as bordas não são muito afastadas. Ex.:
incisões cirúrgicas, sem infecção e sem muito edema.
Segunda Intenção Feridas com perda de tecido de espessura plena, com bordas irregulares e que
não se aproximam; com ou sem infecção. Ex.: lacerações profundas;
queimaduras; lesões por pressão.
Terceira Intenção Também conhecido como fechamento primário tardio. Feridas profundas que
não são suturadas de imediato, ou são deixadas abertas propositalmente, até
que não haja sinais de infecção, sendo posteriormente suturadas
(Fonte: CRAVEN; HIRNLE, 2006)
AVALIAÇÃO DA FERIDA
A sistematização do tratamento
de feridas ocorre por meio de ações simples que visam
remover barreiras que impedem a cicatrização. Essas
barreiras são expressas na palavra TIME. Essas letras
referem-se às palavras inglesas TISSUE (tecido não viável),
INFECTION (infecção/inflamação), MOISTURE (manutenção do
meio úmido) e EDGE (epitelização).
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
12.
AVALIAÇÃO DA FERIDA
T
•TECIDO– avaliar condições do tecido.
• inviável, necrótico desbridamento (instrumental/autolítico/enzimático/mecânico
ou biológico)
I
•INFECÇÃO/ INFLAMAÇÃO – alta contagem bacteriana ou inflamação prolongada.
• Limpeza, avaliação das condições tópicas sistêmicas uso de medicamentos
M
•MANUTENÇÃO DA UMIDADE
• Equilíbrio da umidade (presença ou ausência de exsudato)
• Ferida seca migração lenta de células epiteliais
• Excesso de exsudato maceração da margem e pele
perilesional
E
•EPITELIZAÇÃO DAS BORDAS
• Progressão da cobertura epitelial a partir das bordas da lesão. Quando não há epitelização dos bordos,
Aplicar terapias corretivas (desbridamento,
enxerto,
deve-se reavaliar todo processo.
•Avaliar o processo detectar
causa
agentes biológicos, terapias adjuntas)
TRATAMENTO DA FERIDA
APRESENTAÇÃOINSTITUCIONAL
O TRATAMENTO DA FERIDA ENVOLVE:
Avaliação das condições clínicas (idade, estado
nutricional, imobilidade, vascularização, condições
sistêmicas, fatores locais e psicossociais);
Controle da dor e uso de analgésicos;
Manutenção do meio úmido;
Desbridamento (cirúrgico,
square, mecânico, enzimático,
autolítico);
Cuidados na realização dos
curativos;
Produtos e coberturas.
15.
CUIDADOS NA REALIZAÇÃODOS
CURATIVOS
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
EPI
Técnica Estéril
Umedecer gazes aderidas antes de retirá-las
Se houver mais de uma ferida, iniciar pela
menos contaminada
Realizar limpeza com S.F 0,9 %
Lesões em fase de granulação realizar a limpeza com soro
fisiológico em jatos
Preenchimento da cavidade na ferida
Curativo primário x secundário
A aplicação de ataduras deve ser realizada
no sentido do retorno venoso, com o membro
apoiado
Importância da periodicidade de troca
Evolução (descrever cobertura utilizada)
16.
COBERTURAS
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
TODA SUBSTÂNCIAOU MATERIAL APLICADO SOBRE A FERIDA
FORMANDO UMA BARREIRA FÍSICA
CLASSIFICAÇÃO:
Quanto ao desempenho
Primárias: diretamente sobre a ferida
Secundárias: colocadas sobre cobertura primária
Quanto a relação com a ferida
Passivas: protegem e cobrem
Interativas: mantém o ambiente úmido, facilitam a cicatrização
Bioativas: estimulam a cicatrização
17.
COBERTURAS
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
CRITÉRIOS PARASELEÇÃO DA COBERTURA
Aspectos da Ferida
Localização da ferida
Tamanho da ferida
Profundidade da ferida
Conforto do paciente
Custo/Efetividade
Mobilidade do paciente
18.
PRODUTOS E COBERTURAS
PADRONIZADOSNO INTO
ANTISSÉPTICOS E DEGERMANTES
Devem ser utilizados para higienização, limpeza e proteção
das áreas periféricas às lesões (áreas perilesionais).
Evitar seu contato com o leito da ferida.
Citotoxidade: Pode atrasar a granulação e a
epitelização, reduz a força de contração das
bordas da lesão e podem provocar reação
alérgica.
19.
Cobertura Apresentação Composição
Mecanismode
ação Indicação
Contra
Indicação Troca
PHMB
Solução
Aquosa e
gel
Cloridrato de
Polihexametileno
Biguanida
Antisséptico de
ação seletiva,
capaz de
remover biofilme
sem
comprometer as
células de
cicatrização
Limpeza,
descontaminação e
umidificação do leito
da ferida.
Remove biofilmes,
prepara o leito para
receber curativo.
Queimaduras graus
I
I
I e IV, aplicação
em cartilagem
hialina
O gel é
substituído
em média a
cada 12/48
hs e a solução
aquosa a
cada troca.
AGE
Óleo
Triglicerídeos de
Ácidos Cáprico e
Caprílico, Óleo de
Girassol clarificado,
lecitina, palmitato de
retinol, Acetato de
tocoferol e Alfa
Tocoferol
Mantém o leito
da ferida úmido e
aceleram o
processo de
granulação
LPP’s, úlceras venosas,
arteriais e diabéticas;
feridas decorrentes de
queimaduras; feridas
crônicas ou agudas
com ou sem infecção
Feridas
hipergranuladas,
feridas de
cicatrização por
primeira intenção
ou oncológicas
devido ao seu
potencial ativo de
crescimento celular
12/24hs
Colagenase
Pomada
Colagenase
clostridiopeptida-se A
e enzimas
proteolíticas
Age degradando
o colágeno nativo
da ferida
Feridas com tecido
desvitalizado
Feridas com
cicatrização por
primeira intenção
24hs
20.
Cobertura Apresentação Composição
Mecanismode
ação
Indicação Contra Indicação Troca
Hidrogel
gel
Gel transparente,
incolor, composto
por água (77,7%),
carboximetilcelu-
lose (CMC 2,3%) e
propilenoglicol
(PPG 20%)
Amolece e
remove tecido
desvitalizado
através de
desbridamento
autolítico
Feridas com
moderada ou
baixa
exsudação.
Crostas, tecidos
desvitalizados ou
necrosados.
Pele íntegra e
sutura
24 a 36hs
dependendo da
exsudação
Gaze não
aderente
Malha não
aderente
Gaze de acetato de
celulose
impregnada com
petrolato
Mantém o meio
úmido e acelera a
cicatrização
Queimaduras
superficiais,
feridas
granuladas e
associado ao
hidrogel em
necroses
Suturas e feridas
infectadas 24/48hs
Alginato de
Calcio
Placa ou fita
algínico, que é um
polissacarídeo
natural, derivado de
algas marrons.
São constituídos
pelos ácidos
manurônico e
gulurônico + íons
de cálcio
Em contato com
exsudato ou
sangue o alginato
forma um gel
fibroso,
hidrofílico,
hemostático.
Absorve excesso de
exsudato e/ou
sangue e mantendo
o meio úmido
Feridas de
moderada a
altamente
exsudativas,
incluindo úlceras
de pressão, úlceras
do pé diabético,
áreas doadoras e
feridas traumáticas
Feridas secas ou
para controlar
sangramento
intenso
Feridas
infectadas no
máximo 24hs.
Limpas, a cada
72hs ou quando
saturadas.
21.
Cobertura Apresentação Composição
Mecanismo
deação
Indicação
Contra
Indicação
Troca
Hidrofibra
Placa
Curativo de hidrofibra
antimicrobiano, estéril,
macio, composto por
carboximetilcelulose
sódica e 1,2% de prata
iônica
Mantêm o meio
úmido ideal para
cicatrização,
promove
desbridamento
autolítico, remove
excesso de
exsudato, diminui
odor da ferida e
ação bactericida.
Feridas
exsudativas,
infectadas e
cavitárias
Feridas superficiais,
com pouco
exsudato, sem
sinais de infecção
Troca em até 7
dias ou quando
saturada.
Carvão ativado
com prata
Sachê
carvão ativado
impregnado com prata
(0,15%) inserido em um
envelope de nylon
selado nas bordas
Carvão ativado
absorve o
exsudato e filtra o
odor. A prata
exerce ação
bactericida
Feridas
exsudativas,
com odor e
sinais de
infecção
Feridas limpas, lesões
de queimaduras,
exposição óssea e
tendínea
Até 7 dias
dependendo da
quantidade de
exsudato
Hidropolímero
espuma
Membrana polimérica
composta por um agente
de limpeza (f- 68
surfactante) e glicerina
Mantém o leito
da ferida limpo
durante o
processo de
cicatrização
quanto ativado
pela umidade
Feridas
limpas e em
fase de
granulação,
com pequena
e média
quantidade de
exsudato
Feridas infectadas,
com necrose e grande
exsudação
Em até 7 dias,
dependendo da
quantidade de
exsudato
22.
GUIA DE AUXÍLIOPARA ESCOLHA DE COBERTURAS
TIPO DE TECIDO OBJETIVO CARACTERÍSTICAS EXSUDATO OPÇÕES
NECROSE
DESBRIDAMENTO
SECA
AUSENTE
HIDROGEL
ESFACELO ÚMIDA
AUSENTE HIDROGEL/
COLAGENASE
PRESENTE
ALGINATO DE
CÁLCIO
HIDROFIBRA
HIDROPOLÍMERO
GRANULAÇÃO DOAR UMIDADE
FERIDA PLANA
POUCO OU
AUSENTE
AGE
GAZE NÃO
ADERENTE
FERIDA CAVITÁRIA
PRESENTE
ALGINATO DE
CALCIO
HIDROFIBRA DE
PRATA
HIDROPOLÍMERO
AUSENTE
HIDROGEL
INFECÇÃO
CONTROLAR
INFECÇÃO PLANA OU CAVITÁRIA
PRESENTE
PHMB HIDROFIBRA
COM PRATA
CARVÃO ATIVADO
COM PRATA
POUCO /
AUSENTE
PHMB HIDROFIBRA
COM PRATA
HIDROPOLÍMERO
COM PRATA
EPITELIZAÇÃO PROTEÇÃO AUSENTE AGE
SISTEMA DE TERAPIAA
VÁCUO
Terapia que promove a cicatrização utilizando pressão subatmosférica
controloda e localizada, através de um curativo coberto por uma película
conectada ao aparelho V
AC ®.
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
SISTEMA DE TERAPIAA
VÁCUO
INDICAÇÕES CONTRA
INDICAÇÕES
PRECAUÇÕES
Úlceras crônicas e
agudas
Deiscências
Trauma
Infecção
Retalhos e
enxertos
Síndrome de
abdômen aberto
Queimaduras
Malignidade na
ferida
(Câncer)
Osteomielite não
tratada (Sem uso de
antibióticoterapia)
Fístulas não
exploradas
Tecido
necrótico
Pele íntegra
Sangramento ativo na
lesão
Sobre vasos
sanguíneos, tendão e
osso: proteger com
malha não aderente
Sobre órgãos expostos:
utilizar Esponja
VAC para
Abdomem