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Introdução
Este episódio localiza-se no canto IX dos dez que constituem Os
Lusíadas. Os Lusíadas dividem-se em quatro partes: a
preposição, a invocação, a dedicatória e a narração onde se situa
este episódio.
Para além destas quatro partes, a obra está dividida em quatro
planos: a viagem de Vasco da Gama, a história de Portugal, o
mitológico e as reflexões do poeta, sendo que este episódio
pertence ao plano do maravilhoso.
Simbologia da Ilha dos Amores
 A Ilha dos Amores simboliza o
reconhecimento dos feitos do povo
português através de
uma recompensa – a celebração de
um casamento entre as ninfas e os
portugueses, em que Camões os
eleva a um estatuto divino, é como se
dissesse que quem pratica feitos de
tal magnitude, merece a
imortalidade ”Por feitos imortais e
soberanos/O mundo cos varões que
esforço e arte/Divinos os fizeram,
sendo humanos”.
Estrutura externa e interna
 Quanto à estrutura externa, o episódio de “Tétis e da Ilha dos
Amores” está localizado no canto IX, compreendido entre as
estancias 52-53,66-70,88 a 95.
 Quanto à estrutura interna, é predominante o plano mitológico.
Análise das estancias(52-53)
 De longe a Ilha viram fresca e bela,
 Que Vênus pelas ondas lha levava
 (Bem como o vento leva branca vela)
 Para onde a forte armada se enxergava;
 Que, por que não passassem, sem que nela
 Tomassem porto, como desejava,
 Para onde as naus navegam a movia
 A Acidália, que tudo enfim podia.
 Mas firme a fez e imóvel, como viu
 Que era dos Nautas vista e demandada;
 Qual ficou Delos, tanto que pariu
 Latona Febo e a Deusa à caça usada.
 Para lá logo a proa o mar abriu,
 Onde a costa fazia uma enseada
 Curva e quieta, cuja branca areia,
 Pintou de ruivas conchas Citereia.
Anástrofe – alteração da ordem comum das
palavras na frase – realça a distância com que
a ilha foi observada pelos portugueses.
É Vénus quem coloca esta ilha no caminho dos
portugueses
A ilha apresenta-se numa “enseada/curva”.
Estancias(66-67)
 Mas os fortes mancebos, que na praia
 Punham os pés, de terra cobiçosos,
 Que não há nenhum deles que não saia
 De acharem caça agreste desejosos,
 Não cuidam que, sem laço ou redes, caia
 Caça naqueles montes deleitosos,
 Tão suave, doméstica e benigna,
 Qual ferida lha tinha já Ericina.
 Alguns, que em espingardas e nas bestas,
 Para ferir os cervos se fiavam,
 Pelos sombrios matos e florestas
 Determinadamente se lançavam:
 Outros, nas sombras, que de as altas sestas
 Defendem a verdura, passeavam
 Ao longo da água que, suave e queda,
 Por alvas pedras corre à praia leda.
Descrição da reação dos navegadores ao
chegarem à ilha e dos seus intentos –
descansar e caçar.
Estancias(68-69)
 Começam de enxergar subitamente
 Por entre verdes ramos várias cores,
 Cores de quem a vista julga e sente
 Que não eram das rosas ou das flores,
 Mas da lã fina e seda diferente,
 Que mais incita a força dos amores,
 De que se vestem as humanas rosas,
 Fazendo-se por arte mais formosas.
 Dá Veloso espantado um grande grito:
 "Senhores, caça estranha, disse, é esta!
 Se ainda dura o Gentio antigo rito,
 A Deusas é sagrada esta floresta.
 Mais descobrimos do que humano espírito
 Desejou nunca; e bem se manifesta
 Que são grandes as coisas e excelentes,
 Que o mundo encobre aos homens imprudentes.
“Subitamente” percebem que aquela não é uma
ilha qualquer.
Discurso de Veloso: - Apercebe-
se de que se trata de uma ilha de
deusas e sugere que as sigam.
Estancia 70
 "Sigamos estas Deusas, e vejamos
 Se fantásticas são, se verdadeiras."
 Isto dito, velozes mais que gamos,
 Se lançam a correr pelas ribeiras.
 Fugindo as Ninfas vão por entre os ramos,
 Mas, mais industriosas que ligeiras,
 Pouco e pouco sorrindo e gritos dando,
 Se deixam ir dos galgos alcançando.
Continuação do
discurso de Veloso
Comparação
Metáfora
Realçam a velocidade com que
os navegadores tentaram
alcançar as Ninfas.
Estancias(88-89)
 Assim a formosa e a forte companhia
 O dia quase todo estão passando,
 Numa alma, doce, incógnita alegria,
 Os trabalhos tão longos compensando.
 Porque dos feitos grandes, da ousadia
 Forte e famosa, o mundo está guardando
 O prêmio lá no fim, bem merecido,
 Com fama grande e nome alto e subido.
 Que as Ninfas do Oceano tão formosas,
 Tethys, e a ilha angélica pintada,
 Outra coisa não é que as deleitosas
 Honras que a vida fazem sublimada.
 Aquelas proeminências gloriosas,
 Os triunfos, a fronte coroada
 De palma e louro, a glória e maravilha:
 Estes são os deleites desta ilha.
Após a realização de feitos
grandiosos há a recompensa do
herói:
-Mitificação do herói.
-Excecionalidade dos portugueses
Dupla
adjetivação
Estancias(90-91)
 Que as imortalidades que fingia
 A antigüidade, que os ilustres ama,
 Lá no estelante Olimpo, a quem subia
 Sobre as asas ínclitas da Fama,
 Por obras valorosas que fazia,
 Pelo trabalho imenso que se chama
 Caminho da virtude alto e fragoso,
 Mas no fim doce, alegre e deleitoso:
 Não eram senão prêmios que reparte
 Por feitos imortais e soberanos
 O mundo com os varões, que esforço e arte
 Divinos os fizeram, sendo humanos.
 Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
 Eneias e Quirino, e os dois Tebanos,
 Ceres, Palas e Juno, com Diana,
 Todos foram de fraca carne humana.
Após a realização de feitos grandiosos há
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Enumeração dos deuses que antes de o
serem eram humanos – confirma que a
imortalidade é o prémio dos que praticam
grandes ações.
Estancias(92-93)
 Mas a Fama, trombeta de obras tais,
 Lhe deu no mundo nomes tão estranhos
 De Deuses, Semideuses imortais,
 Indígetes, Heróicos e de Magnos.
 Por isso, ó vós que as famas estimais,
 Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
 Despertai já do sono do ócio ignavo,
 Que o ânimo de livre faz escravo.
 E ponde na cobiça um freio duro,
 E na ambição também, que indignamente
 Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
 Vício da tirania infame e urgente;
 Porque essas honras vãs, esse ouro puro
 Verdadeiro valor não dão à gente:
 Melhor é, merecê-los sem os ter,
 Que possuí-los sem os merecer.
Apóstrofe – dirigida àqueles que
procuram a fama – incita-os à ação.
Para atingir a fama/glória/recompensa
merecida é necessário trabalho, esforço e
nunca cair no ócio.
Para atingir a fama/glória/recompensa merecida é
necessário negar a cobiça e a ambição, pois estas
levam à tiraria
É perferível/mais digno merecer ser reconhecido
e não o ser, do que ter reconhecimento sem o
merecer.
Quíasmo– sublinha a importância de merecer o
que se possui.
Estancias(94-95) Ou dai na paz as leis iguais, constantes,
 Que aos grandes não dêem o dos pequenos;
 Ou vos vesti nas armas rutilantes,
 Contra a lei dos inimigos Sarracenos:
 Fareis os Reinos grandes e possantes,
 E todos tereis mais, o nenhum menos;
 Possuireis riquezas merecidas,
 Com as honras, que ilustram tanto as vidas.
 E fareis claro o Rei, que tanto amais,
 Agora com os conselhos bem cuidados,
 Agora com as espadas, que imortais
 Vos farão, como os vossos já passados;
 Impossibilidades não façais,
 Que quem quis sempre pôde; e numerados
 Sereis entre os Heróis esclarecidos,
 E nesta Ilha de Vênus recebidos.
Antitese – enfatiza a exploração dos mais fracos
pelos mais poderosos.
A justiça e a honra existem quando há uma
igualdade social.
Anáfora – realça o que deve ser feito para
atingir a glória de uma forma honesta.
Quando as ações são corretas é possível
atingir a glória e o reconhecimento.
Resumo do excerto
 Neste excerto, os portugueses chegam à ilha dos amores, através
de Vénus que a moveu na direção deles, como recompensa pela
persistência e bravura demonstrada.
Resumo(continuação)
 As Ninfas deixam-se ver, iniciando-se uma perseguição de
modo a aumentar o desejo dos portugueses, elas
ofereceram uma certa resistência, apenas se deixando
apanhar ao fim de algum tempo, dando-se, o «casamento»
entre elas e os marinheiros(estancias 68 e 70).
Resumo(conclusão)
 Tétis, a maior, e a quem todo o coro das Ninfas obedecia,
apresentou-se a Vasco da Gama, recebendo-o com uma honesta
cerimonia. Depois de se ter apresentado e dado a entender que ali
viera por alta influição do Destino, tomando o Gama pela mão,
levou-o para o seu palácio, onde lhe explicou o significado da
«Ilha dos Amores» (estâncias 89 a 91) .
 O Canto IX termina com uma exortação dirigida aos que aspiram
a imortalizar o seu nome(estancias 92 a 95).
Importância do episódio na
estrutura da obra
 Em relação à importância deste episódio, pode-se dizer que, Camões teve como
objetivo imortalizar os portugueses que se aventuraram por mares nunca dantes
navegados.
 Este é um episódio de cariz simbólico, na medida em que representa a recompensa e
os prémios entregues e merecidos por todos os que buscaram fama e glória, em nome
da pátria, passando por perigos e sacrifícios para alcançar o seu sonho. Porém este
não é o único motivo, também o poeta pretende esclarecer acerca do verdadeiro
caminho para atingir a fama, alertar para o dominio do ócio e o refreio da cobiça e da
ambição, fomentar a imparcialidade da justiça e relembrar a luta contra os mouros,
na defesa da fé cristã e do império.
Bibliografia
 oportugues.freehostia.com
 http://www.notapositiva.com/old/pt/trbestbs/portugues/12
_lusiadas_cantoIX_d.htm
 https://oslusiadas.org/ix/95.html
 https://pt.slideshare.net/blog12cad/os-lusadas-reflexes-do-
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Tétis e a ilha dos amores

  • 1.
  • 2. Introdução Este episódio localiza-se no canto IX dos dez que constituem Os Lusíadas. Os Lusíadas dividem-se em quatro partes: a preposição, a invocação, a dedicatória e a narração onde se situa este episódio. Para além destas quatro partes, a obra está dividida em quatro planos: a viagem de Vasco da Gama, a história de Portugal, o mitológico e as reflexões do poeta, sendo que este episódio pertence ao plano do maravilhoso.
  • 3. Simbologia da Ilha dos Amores  A Ilha dos Amores simboliza o reconhecimento dos feitos do povo português através de uma recompensa – a celebração de um casamento entre as ninfas e os portugueses, em que Camões os eleva a um estatuto divino, é como se dissesse que quem pratica feitos de tal magnitude, merece a imortalidade ”Por feitos imortais e soberanos/O mundo cos varões que esforço e arte/Divinos os fizeram, sendo humanos”.
  • 4. Estrutura externa e interna  Quanto à estrutura externa, o episódio de “Tétis e da Ilha dos Amores” está localizado no canto IX, compreendido entre as estancias 52-53,66-70,88 a 95.  Quanto à estrutura interna, é predominante o plano mitológico.
  • 5. Análise das estancias(52-53)  De longe a Ilha viram fresca e bela,  Que Vênus pelas ondas lha levava  (Bem como o vento leva branca vela)  Para onde a forte armada se enxergava;  Que, por que não passassem, sem que nela  Tomassem porto, como desejava,  Para onde as naus navegam a movia  A Acidália, que tudo enfim podia.  Mas firme a fez e imóvel, como viu  Que era dos Nautas vista e demandada;  Qual ficou Delos, tanto que pariu  Latona Febo e a Deusa à caça usada.  Para lá logo a proa o mar abriu,  Onde a costa fazia uma enseada  Curva e quieta, cuja branca areia,  Pintou de ruivas conchas Citereia. Anástrofe – alteração da ordem comum das palavras na frase – realça a distância com que a ilha foi observada pelos portugueses. É Vénus quem coloca esta ilha no caminho dos portugueses A ilha apresenta-se numa “enseada/curva”.
  • 6. Estancias(66-67)  Mas os fortes mancebos, que na praia  Punham os pés, de terra cobiçosos,  Que não há nenhum deles que não saia  De acharem caça agreste desejosos,  Não cuidam que, sem laço ou redes, caia  Caça naqueles montes deleitosos,  Tão suave, doméstica e benigna,  Qual ferida lha tinha já Ericina.  Alguns, que em espingardas e nas bestas,  Para ferir os cervos se fiavam,  Pelos sombrios matos e florestas  Determinadamente se lançavam:  Outros, nas sombras, que de as altas sestas  Defendem a verdura, passeavam  Ao longo da água que, suave e queda,  Por alvas pedras corre à praia leda. Descrição da reação dos navegadores ao chegarem à ilha e dos seus intentos – descansar e caçar.
  • 7. Estancias(68-69)  Começam de enxergar subitamente  Por entre verdes ramos várias cores,  Cores de quem a vista julga e sente  Que não eram das rosas ou das flores,  Mas da lã fina e seda diferente,  Que mais incita a força dos amores,  De que se vestem as humanas rosas,  Fazendo-se por arte mais formosas.  Dá Veloso espantado um grande grito:  "Senhores, caça estranha, disse, é esta!  Se ainda dura o Gentio antigo rito,  A Deusas é sagrada esta floresta.  Mais descobrimos do que humano espírito  Desejou nunca; e bem se manifesta  Que são grandes as coisas e excelentes,  Que o mundo encobre aos homens imprudentes. “Subitamente” percebem que aquela não é uma ilha qualquer. Discurso de Veloso: - Apercebe- se de que se trata de uma ilha de deusas e sugere que as sigam.
  • 8. Estancia 70  "Sigamos estas Deusas, e vejamos  Se fantásticas são, se verdadeiras."  Isto dito, velozes mais que gamos,  Se lançam a correr pelas ribeiras.  Fugindo as Ninfas vão por entre os ramos,  Mas, mais industriosas que ligeiras,  Pouco e pouco sorrindo e gritos dando,  Se deixam ir dos galgos alcançando. Continuação do discurso de Veloso Comparação Metáfora Realçam a velocidade com que os navegadores tentaram alcançar as Ninfas.
  • 9. Estancias(88-89)  Assim a formosa e a forte companhia  O dia quase todo estão passando,  Numa alma, doce, incógnita alegria,  Os trabalhos tão longos compensando.  Porque dos feitos grandes, da ousadia  Forte e famosa, o mundo está guardando  O prêmio lá no fim, bem merecido,  Com fama grande e nome alto e subido.  Que as Ninfas do Oceano tão formosas,  Tethys, e a ilha angélica pintada,  Outra coisa não é que as deleitosas  Honras que a vida fazem sublimada.  Aquelas proeminências gloriosas,  Os triunfos, a fronte coroada  De palma e louro, a glória e maravilha:  Estes são os deleites desta ilha. Após a realização de feitos grandiosos há a recompensa do herói: -Mitificação do herói. -Excecionalidade dos portugueses Dupla adjetivação
  • 10. Estancias(90-91)  Que as imortalidades que fingia  A antigüidade, que os ilustres ama,  Lá no estelante Olimpo, a quem subia  Sobre as asas ínclitas da Fama,  Por obras valorosas que fazia,  Pelo trabalho imenso que se chama  Caminho da virtude alto e fragoso,  Mas no fim doce, alegre e deleitoso:  Não eram senão prêmios que reparte  Por feitos imortais e soberanos  O mundo com os varões, que esforço e arte  Divinos os fizeram, sendo humanos.  Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,  Eneias e Quirino, e os dois Tebanos,  Ceres, Palas e Juno, com Diana,  Todos foram de fraca carne humana. Após a realização de feitos grandiosos há a recompensa do herói. -Mitificação do herói. -Excecionalidade dos portugueses Dupla adjetivação Enumeração dos deuses que antes de o serem eram humanos – confirma que a imortalidade é o prémio dos que praticam grandes ações.
  • 11. Estancias(92-93)  Mas a Fama, trombeta de obras tais,  Lhe deu no mundo nomes tão estranhos  De Deuses, Semideuses imortais,  Indígetes, Heróicos e de Magnos.  Por isso, ó vós que as famas estimais,  Se quiserdes no mundo ser tamanhos,  Despertai já do sono do ócio ignavo,  Que o ânimo de livre faz escravo.  E ponde na cobiça um freio duro,  E na ambição também, que indignamente  Tomais mil vezes, e no torpe e escuro  Vício da tirania infame e urgente;  Porque essas honras vãs, esse ouro puro  Verdadeiro valor não dão à gente:  Melhor é, merecê-los sem os ter,  Que possuí-los sem os merecer. Apóstrofe – dirigida àqueles que procuram a fama – incita-os à ação. Para atingir a fama/glória/recompensa merecida é necessário trabalho, esforço e nunca cair no ócio. Para atingir a fama/glória/recompensa merecida é necessário negar a cobiça e a ambição, pois estas levam à tiraria É perferível/mais digno merecer ser reconhecido e não o ser, do que ter reconhecimento sem o merecer. Quíasmo– sublinha a importância de merecer o que se possui.
  • 12. Estancias(94-95) Ou dai na paz as leis iguais, constantes,  Que aos grandes não dêem o dos pequenos;  Ou vos vesti nas armas rutilantes,  Contra a lei dos inimigos Sarracenos:  Fareis os Reinos grandes e possantes,  E todos tereis mais, o nenhum menos;  Possuireis riquezas merecidas,  Com as honras, que ilustram tanto as vidas.  E fareis claro o Rei, que tanto amais,  Agora com os conselhos bem cuidados,  Agora com as espadas, que imortais  Vos farão, como os vossos já passados;  Impossibilidades não façais,  Que quem quis sempre pôde; e numerados  Sereis entre os Heróis esclarecidos,  E nesta Ilha de Vênus recebidos. Antitese – enfatiza a exploração dos mais fracos pelos mais poderosos. A justiça e a honra existem quando há uma igualdade social. Anáfora – realça o que deve ser feito para atingir a glória de uma forma honesta. Quando as ações são corretas é possível atingir a glória e o reconhecimento.
  • 13. Resumo do excerto  Neste excerto, os portugueses chegam à ilha dos amores, através de Vénus que a moveu na direção deles, como recompensa pela persistência e bravura demonstrada.
  • 14. Resumo(continuação)  As Ninfas deixam-se ver, iniciando-se uma perseguição de modo a aumentar o desejo dos portugueses, elas ofereceram uma certa resistência, apenas se deixando apanhar ao fim de algum tempo, dando-se, o «casamento» entre elas e os marinheiros(estancias 68 e 70).
  • 15. Resumo(conclusão)  Tétis, a maior, e a quem todo o coro das Ninfas obedecia, apresentou-se a Vasco da Gama, recebendo-o com uma honesta cerimonia. Depois de se ter apresentado e dado a entender que ali viera por alta influição do Destino, tomando o Gama pela mão, levou-o para o seu palácio, onde lhe explicou o significado da «Ilha dos Amores» (estâncias 89 a 91) .  O Canto IX termina com uma exortação dirigida aos que aspiram a imortalizar o seu nome(estancias 92 a 95).
  • 16. Importância do episódio na estrutura da obra  Em relação à importância deste episódio, pode-se dizer que, Camões teve como objetivo imortalizar os portugueses que se aventuraram por mares nunca dantes navegados.  Este é um episódio de cariz simbólico, na medida em que representa a recompensa e os prémios entregues e merecidos por todos os que buscaram fama e glória, em nome da pátria, passando por perigos e sacrifícios para alcançar o seu sonho. Porém este não é o único motivo, também o poeta pretende esclarecer acerca do verdadeiro caminho para atingir a fama, alertar para o dominio do ócio e o refreio da cobiça e da ambição, fomentar a imparcialidade da justiça e relembrar a luta contra os mouros, na defesa da fé cristã e do império.
  • 17. Bibliografia  oportugues.freehostia.com  http://www.notapositiva.com/old/pt/trbestbs/portugues/12 _lusiadas_cantoIX_d.htm  https://oslusiadas.org/ix/95.html  https://pt.slideshare.net/blog12cad/os-lusadas-reflexes-do- poeta-canto-ix-est-525366708895