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Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
                                                                                                             Artigo de Revisão / Review Article
                                                                                                                           Ditterich, R.G., et al




Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental

Oral care habits and the role of motivation in mechanic control of
dental biofilm
Rafael Gomes Ditterich*, Priscila Paiva Portero*, Denise Stadler Wambier**, Gibson Luiz Pilatti***, Fábio André Dos Santos***

* Mestre em Odontologia (Clínica Integrada) - UEPG.
** Doutora em Odontopediatria - FO-USP Professora das disciplinas de Odontologia Preventiva e Sanitária e Odontopediatria - UEPG.
                                         ,
*** Doutor em Periodontia - UNESP-Araraquara, Professor da disciplina de Periodontia - UEPG




Descritores                                      Resumo


Higiene bucal, motivação, saúde bucal.           Os hábitos de higiene bucal realizados pelo paciente exercem importante influência sobre o acú-
                                                 mulo do biofilme dental nas estruturas bucais e no desenvolvimento da doença periodontal e cárie
                                                 dentária. Este trabalho de revisão de literatura tem por finalidade verificar as evidências científicas
                                                 sobre os hábitos de higiene bucal e o papel da motivação no controle mecânico do biofilme dental
                                                 realizado pelo paciente. Concluiu-se que o estabelecimento de hábitos de higiene bucal no controle
                                                 mecânico caseiro do biofilme dental deve ser uma prática estimulada sempre pelo cirurgião-dentista
                                                 frente ao seu paciente e que a motivação e aplicação de reforços devem ser encaradas como ferra-
                                                 mentas a serem utilizadas constantemente durante as consultas odontológicas como importantes
                                                 fatores na melhoria da qualidade da saúde bucal.


Key-words                                        Abstract

Oral hygiene, motivation, oral health.           Oral care habits carried on by the patient have an important influence on the accumulation of
                                                 the dental biofilm in the oral structures, as well as in the development of periodontal disease and
                                                 dental caries. The literature review intends to verify the scientific evidences about the oral care
                                                 habits and the role of motivation in mechanic control of the dental biofilm performed by the patient.
                                                 The conclusion was that the setting of oral care habits in home mechanic control of dental biofilm
                                                                                                                                                           123
                                                 must be faced as tools to be used constantly during the dental consultation as important factors in
                                                 improving the quality of oral health.




Correspondência para / Correspondence to:
Rafael Gomes Ditterich
Av. Silva Jardim, 1856 - apto. 2201- Rebouças - Curitiba – PR - CEP 80250-200 / E-mail: rafael.gomes@universia.com.br



INTRODUÇÃO
                                                                             CONSIDERAÇÕES GERAIS
       O biofilme dental apresenta-se como agente etiológico
extrínseco das doenças periodontais. Inúmeros estudos epide-                 Hábitos de higiene bucal
miológicos têm demonstrado associação entre higiene bucal                          O controle diário do biofilme é de grande importância
e biofime dental 1, 9, 16, 20, 29.                                           para a manutenção das condições de saúde alcançadas com o
       O controle mecânico caseiro é reconhecidamente o meio                 tratamento periodontal, evitando ou retardando a colonização
mais simples e com melhor custo/benefício para o paciente.                   do meio gengival por espécies bacterianas 24.
No entanto, a obtenção da colaboração do paciente para                             A escovação é a principal linha de frente de defesa contra
sua execução pode ser bastante trabalhosa devida não só à                    o biofilme dental e a gengivite, assim como, é a forma mais
dificuldade técnica e habilidade, mas também, à necessidade                  amplamente usada e socialmente aceita de higiene bucal. Mui-
de alterações de hábitos de higiene bucal já adquiridos pelo                 tas variáveis sociais, psicológicas e educacionais influenciam
paciente 16, 26, 32. Os procedimentos de controle mecânico, são              o comportamento de higiene bucal. A maioria dos indivíduos
difíceis, exigem tempo, destreza, perseverança, e conseqüente-               escova seus dentes regularmente, uma vez que higiene bucal
mente só se obtêm com a participação adequada de pacientes                   está associada com higiene pessoal e aparência 27, 29.
bem motivados 30.                                                                  O uso freqüente da escova não é sinônimo de limpeza,
       O cirurgião-dentista é o responsável pela manutenção                  nem evita por si só, a perda dental. Mais importante que a
da saúde bucal dos indivíduos de sua comunidade, devendo
transmitir conhecimento sobre prevenção, com a finalidade de
educação em saúde bucal. Portanto, para que se obtenha êxito
no controle e prevenção das doenças bucais, o profissional deve
trabalhar com os hábitos e comportamentos dos pacientes,
procurando modificá-los
                                                                             freqüência é a qualidade da limpeza. Apesar disso, ainda se dá
ou aperfeiçoá-los, sempre visando à melhora do seu estado de                 muita ênfase às técnicas de escovação, e diferentes variações
saúde 13. Este trabalho de revisão de literatura objetiva verificar          em torno da escova dental a ser utilizada 3. Entretanto, Esteves
                                                                                 Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007
os principais fatores relacionados aos hábitos de higiene bucal              et al. 10 (2001) afirmam que antes de se pensar no tempo gasto
                                                                                                                                     www.cro-pe.org.br
e destacar a importância da motivação no controle mecânico                   com a escovação, outros fatores devem ser considerados como
                                                                             o modo, a qualidade da limpeza e a quantidade do biofilme.
Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
      Ditterich, R.G., et al



                Vilani et al. 34 (1998) realizaram um estudo comparativo            Estudos sobre os hábitos de higiene bucal são muito
      com 15 acadêmicos de odontologia com 5 diferentes tipos                importantes para avaliação de como são utilizados e quais os
      de escovas dentais e concluíram que todas as escovas foram             costumes habituais na prática de higienização realizada pela
      eficientes na remoção do biofilme dental, comprovando que              população. Segundo Abegg 1 (1997) verificar os hábitos de
      o tipo de escova não interfere no controle mecânico. Parizotto         higiene bucal em populações tem como objetivo principal o
      et al. 21 (2003) também verificaram a efetividade de 2 tipos de        planejamento de programas educativos que visem a sua me-
      escovas na remoção de biofilme dental em 32 crianças de 4-6            lhoria, com conseqüente redução do nível de placa bacteriana
      anos e encontraram que o tipo de escova não foi significante           e sangramento gengival.
      na remoção da placa bacteriana. Entretanto, Cochran et al.                    Santos et al. 28 (1992) avaliaram os hábitos de higiene
      5
         (1996) reconhecem que as variações nas escovas dentais              bucal em 550 crianças e adolescentes em São Paulo, verifican-
      tenham um menor impacto direto sobre a remoção de placa e              do que 60,65% dos estudantes tinham o hábito da escovar os
      higidez tecidual, porém afirmam que o tipo de escova utilizada         dentes 3 vezes por dia e que 64,5% não têm como o hábito à
      pode influenciar na capacidade de controlar a escova e de              utilização do fio dental como complementação da escovação.
      adaptá-la ao interior da cavidade bucal.                               Também verificaram que 32,7% dos participantes não tinham
                Lopes e Nascimento 18 (1993) verificaram a preferência, o    recebido quaisquer orientações de como escovar os dentes
      tipo e a substituição das escovas dentais em 102 indivíduos, e         corretamente e que 47,5% não haviam recebido orientação
      identificaram como fator principal da escolha da escova dental,        de como utilizar o fio dental.
      o preço. Também verificaram que o critério mais relatado para a               Abegg 1 (1997) avaliou os hábitos bucais de 478 adultos e
      substituição das escovas, seria no momento em que as cerdas            constatou que o número de escovações diárias mais freqüentes
      começassem a abrirem-se. Quanto à avaliação das escovas                foi de 3 vezes ao dia e que a freqüência estava relacionada com
      dentais, foi constatado que quase a totalidade da amostra já           o nível sócio-econômico, onde uma condição sócio-econômica
      necessitava de substituição, porém não foram trocadas devido           baixa apresentava um menor hábito de escovações diárias.
      a motivos financeiros, na população mais carente ou, por ne-           Quanto ao uso do fio dental, 67,5% dos entrevistados relata-
      gligência na população com melhor poder aquisitivo. Segundo            ram que o utilizavam e verificou-se que 81,7% das pessoas
      os autores a dificuldade financeira para se adquirir a escova          de categoria sócio-econômica alta usavam fio dental, contra
      dental tem como conseqüência uma má higienização.                      52,8% das pessoas de categoria sócio-econômica baixa, sendo
                Lascala e Moussalli 16 (1997) relatam sobre a falta de       esta diferença significante. Quanto à prática de uso do palito
      superioridade de uma escova sobre as outras, e até que as pes-         dental, ao contrário do fio dental indivíduos de categoria sócio-
      quisas provem o contrário, o profissional deveria prescrever a         econômica mais baixa e homens usam o palito com mais fre-
      escova que mais se adequar às condições bucais e habilidades           qüência, assim como a idade, que seu uso aumenta à medida
      do paciente baseando-se, para tanto, em suas observações               que a idade dos indivíduos aumenta.
      clínicas, procurando não submeter esta escolha às suas pre-                   Petry et al. 23 (2000) realizaram um estudo de caso-
      dileções próprias baseadas em fatores subjetivos.                      controle sobre conhecimentos, práticas e atitudes em adultos
124             Quanto à técnica de escovação utilizada deve-se levar em     livres de cárie, em que estes eram os casos e os controles
      consideração a capacidade do paciente em poder realizá-la.             eram os pacientes com atividade ou história de doença cárie.
      Chiarelli et al. 4 (2001) realizaram um estudo em 20 escolares         Verificou que entre os casos, 18,5% fazem apenas uma ou duas
      para verificar a eficácia de duas técnicas de escovação: Fones         escovações diárias e 28% escovam quatro vezes ou mais por
      e Bass. O grupo que realizou a técnica de Bass mostrou uma             dia. Entre os controles, essas proporções foram de 13% e 35%,
      redução média de placa de 40,74% e o que realizou a técnica            respectivamente. Apenas 44% dos casos sustentavam usar fio
      de Fones a diminuição média foi de 29,47%. Para redução de             dental; destes, 81% já tinham recebido orientação quanto ao
      sangramento gengival a técnica de Bass também apresentou               seu uso correto. Entre os controles, 62% usam o fio dental e
      os melhores resultados. Porém nenhuma das técnicas reduziu             84% tinham recebido orientação para este fim. Tal orientação
      a quantidade de microorganismos na saliva pelo período de              foi dada pelo cirurgião-dentista para cerca de 70% tanto dos
      32 dias.                                                               casos quanto dos controles. Os autores concluíram que os
                Estudos têm sido realizados para verificar a eficácia das    hábitos de higiene bucal nesta amostra não demonstraram
      várias técnicas de escovações na remoção do biofilme dental            efeito protetor esperado contra a doença cárie.
      4, 18, 21, 34
                    . Entretanto a utilização de uma nova técnica pelo pa-          Garcia et al. 14 (2001) verificaram o comportamento
      ciente somente será eficaz quando o seu reforço for aplicado           de higiene bucal em 61 adultos com 20 e 50 anos atendidos
      várias vezes, somente assim poderão ocorrer mudanças na                em serviço público. Os resultados mostraram que 75,4% da
      atitude quanto à higiene bucal.                                        população estudada passavam o fio dental antes da escovação,
                Cabe ao profissional selecionar os instrumentos e os         63,9% utilizavam-no com tamanho adequado e apenas 27,9%
      meios de limpeza a serem utilizados para o controle de placa           executavam adequadamente a técnica de
      em seus pacientes, levando-se em consideração sempre à
      necessidade individual de cada paciente 5, 10, 24. Outro fator que
      deve ser avaliado para a indicação de um dispositivo de higie-         uso. Com relação à escovação, 59% apresentavam a escova
      nização complementar à escovação é a anatomia interdental              dental em bom estado de conservação e 34,4% procediam à
      da área a ser utilizada 3, 5.                                          escovação de maneira adequada. Com estes dados, pode-se
                O uso de dentifrício, por si só não é sinônimo de maior      determinar que ainda há muito a ser melhorado no comporta-
      limpeza dental. Em sua composição apresentam abrasivos e               mento de higiene bucal na população estudada, pois poucos
      saponáceos que auxiliam na desorganização do biofilme dental,          pacientes demonstraram ter uma higiene bucal totalmente
      porém com a sua utilização não se pode afirmar que maior será          satisfatória.
      a sua remoção, isto foi comprovado em estudo realizado por                   Esteves et al. 10 (2001) identificaram as práticas e atitudes
      Parizotto et al. 21 (2003) em 32 crianças em que puderam con-          de higienização bucal de 270 universitários em Marília. Quanto
      cluir que o uso do dentifrício não foi significativo na redução do     à prática de escovação a média foi de 3 vezes ao dia e o tempo
      biolfime. Porém, o seu uso durante as escovações é importante          gasto para a escovação foi em média de 60 segundos. Sobre
      por ser um veículo de flúor aplicado diariamente sobre as super-       a troca das escovas dentárias foi observado que a maior parte
      fícies dentais e também por ser cientificamente comprovado a           dos pesquisados trocam suas escovas entre o período de 2 a
      sua importância na redução das cáries dentais.                         4 meses de uso.

      Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007
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Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
                                                                                                                   Ditterich, R.G., et al



       Para identificar a prevalência dos hábitos de higiene bucal         Saliba et al. 27 (1998) realizaram um estudo com 45 es-
interproximal, Trentin e Oppermann 33 (2001) realizaram uma          colares divididos em 3 grupos com idade entre 12 a 15 anos
pesquisa em 154 jovens de 14-18 anos. Avaliaram os hábitos           para verificar a importância da motivação e da escovação
de higiene interproximal com os níveis de placa e inflamação         supervisionada comparada à escovação habitual e a profilaxia
gengival. Constataram que somente 36,3% da amostra rela-             profissional no controle mecânico. Constataram que a esco-
tavam o uso do fio dental diariamente. Quanto aos níveis de          vação orientada e supervisionada apresentou os melhores
placa e de sangramento gengival os índices foram elevados            resultados com uma diferença significante no índice de placa
tanto para os usuários como para os não-usuários de fio dental,      bacteriana, comprovando que a motivação é fator primordial
não havendo diferenças entre os grupos. O modo como o fio            para o controle do biofilme dental e conseqüentemente para
dental estava sendo usado nesta população, não representava          a promoção da saúde bucal.
um acréscimo ao controle do biofilme dental realizado apenas               Leal et al. 17 (2002) avaliaram o emprego de distintas
pela escova. Com este estudo, verificou-se que o simples uso         orientações profissionais no aprendizado de técnicas de esco-
de dispositivo para higiene complementar à escovação, sem            vação na redução do índice de biofilme dental. Participaram
nenhuma orientação prévia pelo profissional não é sinal de uma       do estudo 40 crianças de 3 a 6 anos divididas em 3 grupos:
boa higienização interproximal realizada pelo paciente.              I - audiovisual, II - criança como modelo e III - instrução indi-
       Araújo et al. 2 (2003) avaliaram o uso do fio dental em       vidual e constataram que em todos os grupos houve redução
473 universitários, e verificaram que 72% o utilizam, e destes,      do índice de placa, porém com maior redução no grupo da
66% usam mais de uma vez ao dia. Observou-se também dife-            instrução individual.
rença em relação ao sexo quanto ao seu uso, demonstrando                   Toassi e Petry 32 (2002) avaliaram a eficácia de duas
que as mulheres parecem ter maior conhecimento e são as              estratégias motivacionais em escolares de 5 a 14 anos. O
que utilizam com maior freqüência.                                   programa de motivação a que os escolares tinham acesso
       Com os diversos trabalhos relatados, pode-se identificar      constou da utilização de diversos recursos aplicados em dois
que cada grupo populacional tem condutas diferentes quanto           grupos de intervenção: Grupo A (motivação em sessão única)
à realização de práticas preventivas, em que se pode constatar       e Grupo B (motivação em quatro sessões). Em ambos os
que os hábitos de higiene bucal que universitários realizam são      grupos houve redução tanto do sangramento gengival quanto
diferentes da população em geral como também entre outros            da quantidade de biofilme dental. Quando comparados os
grupos como: crianças, adolescentes e adultos. O profissional        grupos, o sangramento e a quantidade de placa, apresentaram
deve ter consciência da diferença existente entre as pessoas         redução altamente significativa no grupo B quando comparado
e as populações, e saber intervir tanto individual como coleti-      ao A. Em conclusão, os reforços motivacionais em programas
vamente nas atitudes e práticas de higiene bucal.                    educativos-preventivos atuam positivamente para a redução
                                                                     do biofilme e sangramento gengival.
A motivação como fator de controle mecânico do biofilme                    Szpilman et al. 31 (2005) verificaram a efetividade de um
dental                                                               programa preventivo baseado no controle de placa e melhoria
      A educação em saúde tem como objetivo maior, causar            da higiene bucal em crianças de 6 a 12 anos divididos em 3                 125
uma mudança de atitude do paciente em relação aos hábitos            grupos: Grupo I (29 crianças) – recebeu palestra informativa,
com a saúde bucal, que é alcançada através da criação ou mu-         Grupo II (27 crianças) – recebeu palestra, demonstração e
dança de percepção por parte do paciente. Para que se alcance        escovação supervisionada e o Grupo III (controle - 30 crian-
estas mudanças, é de fundamental importância, a motivação            ças) – nenhuma orientação. Os resultados demonstraram
do paciente. A motivação humana é muito complexa e está              resultados significativos de
baseada numa combinação de expectativas, idéias, crenças,
sentimentos, esperanças, atitudes, valores que iniciam, man-
tém e regulam o comportamento 30.
           A motivação é uma poderosa ferramenta para pro-
mover a saúde bucal da população, melhorando a qualidade             redução de biofilme dental aos 14 dias, porém, aos 90 dias a
de vida da mesma, e deve ser trabalhado junto aos indivíduos         condição de acúmulo ficou igual ou piorou em relação às condi-
o mais precocemente possível, assim que se iniciar o desen-          ções iniciais do exame. Os autores concluíram que um aumento
volvimento da capacidade de compreensão 6.                           do conhecimento pode ser esperado, porém este não resultará,
      A educação estimula os pacientes a aprender, capaci-           necessariamente, em uma mudança de comportamento.
tando-os para tomar decisões e fazer escolhas                               A maioria dos trabalhos tem avaliado a eficiência da
                                                                     motivação em crianças e adolescentes. Os adultos estão mais
                                                                     sujeitos a dificuldades peculiares na motivação, como fatores
                                                                     econômicos e sociais, que freqüentemente, levam ao estresse
                                                                     emocional, o qual somado aos hábitos incorretos de higiene es-
                                                                     tabelecidos tornam estes pacientes mais resistentes à introdu-
relacionadas à sua saúde bucal. Esta deve ser realizada e            ção de mudanças nos procedimentos de controle mecânico do
enfatizada, tanto no âmbito da saúde pública quanto individual-      biofilme dental, além do fato de muitos pacientes relacionarem
mente, em consultório particular 11. O objetivo de toda educação     a falta de tempo como motivo da falta de higiene 26.
formal e informal para a saúde é atingir um nível de higiene                Com a finalidade de avaliar o papel da motivação em
bucal e uma taxa de progressão de doença periodontal que             pacientes adultos, Rossa Júnior et al. 26 (2004) realizaram
seja compatível com a manutenção de uma dentição natural             um estudo do efeito da motivação repetida durante terapia
funcional e esteticamente aceitável por toda a vida 30.              periodontal em 17 pacientes adultos com doença periodontal
      A motivação no controle mecânico do biofilme dental é          crônica. Os pacientes foram divididos em dois grupos: (1) rece-
a peça chave para a promoção do auto-cuidado e preocupação           beram instruções e motivação realizados apenas na 1ª sessão;
com a saúde bucal. Estudos nacionais demonstram que com              (2) receberam instruções e motivação em todas as sessões do
o processo de motivação dos pacientes na higienização bucal          tratamento periodontal básico. Os resultados indicaram um
ocorre uma redução na quantidade de placa bacteriana e na            comportamento similar dos grupos em relação à presença do
presença de sangramento gengival.                                    biofilme supragengival até os três meses, quando houve uma
      Navarro et al. 20 (1996) avaliaram a influência de meios       tendência, não significativa, de retorno aos níveis de placa
preventivos: palestras sobre higiene bucal, motivação e esco-        iniciais no grupo 1. O sangramento foi significativamente re-
vação supervisionada sobre os níveis de placa bacteriana em          duzido no grupo 2 em comparação (2): grupo 1 já a partir dos
                                                                          Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 ao 123-128, abr/jun., 2007
26 escolares no período de 4 meses com visitas periódicas            3 meses e continuou estável até os 12 meses. Concluiu-se que
                                                                                                                            www.cro-pe.org.br
semanais. Em relação ao nível de placa antes e depois do             a realização de instruções repetidas de higiene e motivação
Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
      Ditterich, R.G., et al



            É importante que o cirurgião-dentista lembre que a                    O estabelecimento de hábitos de higiene bucal no con-
      educação do paciente deve ser realizada a longo prazo, pois           trole mecânico caseiro do biofilme dental deve ser uma prática
      apenas uma sessão de motivação não resulta em mudanças de             estimulada sempre pelo cirurgião-dentista frente ao seu pa-
      hábitos e atitudes que levam o indivíduo a desenvolver técnicas       ciente, pois somente assim o paciente perceberá que a doença
      preventivas de maneira responsável e espontânea 12, 19, 35.           periodontal e a cárie dentária são reflexos das suas atitudes
            Outro fator importante é que o profissional deve suscitar       ou falta de preocupação com sua saúde bucal. O profissional
      o entusiasmo do paciente, o que vai depender muito, também,           deve esclarecer que o seu tratamento não será duradouro se
      de seu próprio entusiasmo, pois se não estiver motivado, jamais       o indivíduo não perceber que o grande responsável pela manu-
      conseguirá obter resultados positivos 19. Por isso que para o         tenção e prevenção dos cuidados odontológicos é ele mesmo.
      sucesso na promoção de saúde bucal é necessário à efetiva             A motivação e aplicação de reforços no controle mecânico
      combinação participativa do binômio paciente-profissional 22.         devem ser encaradas como ferramentas a serem utilizadas
            O profissional deve ser muito cauteloso ao abordar o pa-        pelos cirurgiões-dentistas durante as consultas odontológicas
      ciente, respeitando o fato de que as pessoas têm seus valores         como importantes fatores na melhoria da qualidade da saúde
      e prioridades, que estes são formados muito lentamente e só           bucal realizada pelos pacientes.
      serão reformulados de modo lento. Desta forma não se deve
      esperar uma imediata transformação de comportamento.                  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
      Deve-se evitar a imposição de conceitos, e ao mesmo tempo,
      saber avaliar as expectativas do paciente em relação ao resul-        1. Abegg C. Hábitos de higiene bucal de adultos porto-alegren-
      tado do tratamento 30.                                                ses. Rev Saúde Pública, 1997; 31(6): 586-93.
            Para que o processo de motivação ocorra de uma forma
      espontânea, o profissional deve utilizar-se de uma linguagem          2. Araújo CA, Deliberador T, Cruz ACC, Santos FA. O uso de fio
      específica, métodos adequados, de forma contínua, caracteriza-        dental por universitário. J Bras Clin Odontol Integrada, 2003;
      da pelos retornos periódicos 11. Para buscar as transformações,       7(42): 467-71.
      o profissional pode atuar em diferentes níveis, sendo os mais
      importantes o cognitivo, o afetivo e o psicomotor 3: “O nível         3. Buischi, YP, Axelsson P, Siqueira TRF. Controle mecânico do
      cognitivo é o nível do conhecimento da informação. Todas as           biofilme dental e a prática da promoção de saúde bucal. In:
      explicações sobre as enfermidades devem ser apresentadas              Buischi YB. Promoção de saúde bucal na clínica odontológica.
      de forma lógica, clara e direta respeitando o nível cultural de       São Paulo: Artes Médicas; 2000. p. 170-214.
      cada paciente. O nível afetivo é aquele através do qual se            4. Chiarelli M, Guimarães A, Chaim LAF. Avaliação da eficácia
      estabelece a                                                          das técnicas de escovação dental de Bass e Fonnes em relação
                                                                            à remoção de placa, diminuição de sangramento gengival e
                                                                            quantidade de estreptococos mutans e lactobacilos na saliva.
126                                                                         Rev ABO Nac, 2001; 9(2): 88-93.

                                                                            5. Cochran DL, Kalkwarf KL, Brunsvold MA. Remoção de placa e
      relação de confiança, onde o profissional demonstra sua pre-          cálculo: considerações para o profissional. São Paulo: Quintes-
      ocupação com a saúde do paciente. O nível psicomotor é o da           sence; 1996. p. 6-22.
      atuação mecânica por parte do paciente, conseqüentemente,
      do treinamento e execução de atividade de controle do biofilme        6. Corona, SAM, Dinelli W. Educação e motivação em odontolo-
      dental através da escovação”.                                         gia: avaliação da efetividade de um método educativo aplicado
              A motivação do paciente é muito mais importante que           em escolares do primeiro grau, da rede particular da cidade de
      a escova em si, que a técnica ensinada, e que a orientação            Araraquara. Rev Odontol UNESP, 1997; 26(2): 337-52.
      que lhe foi dada de como utilizar a escova dentro de uma de-
      terminada técnica. Se o paciente não tiver consciência de que         7. De Micheli G, Jorge MC, Lotufo RFM, Conde MC, Romito GA,
      a higienização é importante para si, não adianta educá-lo na          Carvalho CV. O tratamento periodontal de suporte e a impor-
      maneira de escovar 5, 16. Isto pode ser constatado por Dimbarre       tância da cooperação consciente. Rev Odontol UNICID, 2001;
      e Wambier 8 (1996) que verificaram em escolares que após              13(3): 203-13.
      o ensino das técnicas de escovação, apenas 17% fixaram a
      técnica de Bass e 62% fixaram a técnica de Fones, havendo             8. Dimbarre DT, Wambier DS. A influência da motivação e super-
      uma tendência em abandonar o aprendizado. Já De Micheli et            visão profissional na redução de placa bacteriana em escolares.
      al. 7 (2001) afirmam que a cooperação do paciente frente ao           Rev Odontol Univ São Paulo, 1996; 10(3): 166-73.
      tratamento diminui com o passar dos tempos e que o maior
      índice de abandono ocorre no primeiro ano, indicando que              9. Dutra CMR, Ferreira EF. A motivação de pacientes portadores
      este é o período crítico para decisão do paciente em aderir às        de doença periodontal crônica sob manutenção periodontal: um
      mudanças nas práticas preventivas de higiene bucal.                   estudo qualitativo. Rev Odontol UNESP, 2005; 34(1): 5-10.
              A motivação pode ser realizada de duas maneiras: por
      meio da motivação direta e indireta. Entende-se por motiva-           10. Esteves SRR, Milanezi LA, Garcia VG. Conhecimentos,
      ção direta a relação de contato estreito entre o profissional-        atitudes e práticas de higienização dos dentes com escovas
      paciente sobre todas as formas de comunicação, em que o               dentárias de alunos ingressantes na faculdade de ciências
      profissional é o principal ator na realização da educação em          odontológicas da universidade de Marília. Rev Ciências Odontol
      saúde bucal. A motivação indireta é aquela em que não se faz          UNIMAR, 2001; 4(4): 105-16.
      presente à participação ativa do cirurgião-dentista no processo
      da motivação em saúde bucal. Pinto 25 (2000) afirma que o             11. Garcia PPNS, Dinelli W, Lofredo LCM. Avaliação de cirur-
      contato pessoal freqüente entre o profissional e o indivíduo e        giões-dentistas quanto aos métodos de motivação adotados
      sua comunidade é a maneira mais eficaz de ter sucesso em              para o retorno de pacientes ao consultório odontológico. Rev
      educação em saúde bucal.                                              Odontol UNESP,1998a; 27(1): 11-23.

      CONCLUSÃO
      Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007
      www.cro-pe.org.br
Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
                                                                                                                   Ditterich, R.G., et al



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na educação de hábitos de higiene bucal. Rev Odontol UNESP,           supervisionada e a profilaxia no controle da placa bacteriana
1998b; 27(2): 393-403.                                                dentária. Rev Odontol UNESP, 1998; 27 (1): 185-192.

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                                                                      práticas. São Paulo: Editora Santos; 2004. p. 29-43.
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                                                                         Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007
                                                                                                                            www.cro-pe.org.br
Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental
      Ditterich, R.G., et al




      Recebido para publicação em 11/10/2006

      Enviado para reformulação em 15/03/2007

      Aceito para publicação em 15/05/2007



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      Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007
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  • 1. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Artigo de Revisão / Review Article Ditterich, R.G., et al Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Oral care habits and the role of motivation in mechanic control of dental biofilm Rafael Gomes Ditterich*, Priscila Paiva Portero*, Denise Stadler Wambier**, Gibson Luiz Pilatti***, Fábio André Dos Santos*** * Mestre em Odontologia (Clínica Integrada) - UEPG. ** Doutora em Odontopediatria - FO-USP Professora das disciplinas de Odontologia Preventiva e Sanitária e Odontopediatria - UEPG. , *** Doutor em Periodontia - UNESP-Araraquara, Professor da disciplina de Periodontia - UEPG Descritores Resumo Higiene bucal, motivação, saúde bucal. Os hábitos de higiene bucal realizados pelo paciente exercem importante influência sobre o acú- mulo do biofilme dental nas estruturas bucais e no desenvolvimento da doença periodontal e cárie dentária. Este trabalho de revisão de literatura tem por finalidade verificar as evidências científicas sobre os hábitos de higiene bucal e o papel da motivação no controle mecânico do biofilme dental realizado pelo paciente. Concluiu-se que o estabelecimento de hábitos de higiene bucal no controle mecânico caseiro do biofilme dental deve ser uma prática estimulada sempre pelo cirurgião-dentista frente ao seu paciente e que a motivação e aplicação de reforços devem ser encaradas como ferra- mentas a serem utilizadas constantemente durante as consultas odontológicas como importantes fatores na melhoria da qualidade da saúde bucal. Key-words Abstract Oral hygiene, motivation, oral health. Oral care habits carried on by the patient have an important influence on the accumulation of the dental biofilm in the oral structures, as well as in the development of periodontal disease and dental caries. The literature review intends to verify the scientific evidences about the oral care habits and the role of motivation in mechanic control of the dental biofilm performed by the patient. The conclusion was that the setting of oral care habits in home mechanic control of dental biofilm 123 must be faced as tools to be used constantly during the dental consultation as important factors in improving the quality of oral health. Correspondência para / Correspondence to: Rafael Gomes Ditterich Av. Silva Jardim, 1856 - apto. 2201- Rebouças - Curitiba – PR - CEP 80250-200 / E-mail: rafael.gomes@universia.com.br INTRODUÇÃO CONSIDERAÇÕES GERAIS O biofilme dental apresenta-se como agente etiológico extrínseco das doenças periodontais. Inúmeros estudos epide- Hábitos de higiene bucal miológicos têm demonstrado associação entre higiene bucal O controle diário do biofilme é de grande importância e biofime dental 1, 9, 16, 20, 29. para a manutenção das condições de saúde alcançadas com o O controle mecânico caseiro é reconhecidamente o meio tratamento periodontal, evitando ou retardando a colonização mais simples e com melhor custo/benefício para o paciente. do meio gengival por espécies bacterianas 24. No entanto, a obtenção da colaboração do paciente para A escovação é a principal linha de frente de defesa contra sua execução pode ser bastante trabalhosa devida não só à o biofilme dental e a gengivite, assim como, é a forma mais dificuldade técnica e habilidade, mas também, à necessidade amplamente usada e socialmente aceita de higiene bucal. Mui- de alterações de hábitos de higiene bucal já adquiridos pelo tas variáveis sociais, psicológicas e educacionais influenciam paciente 16, 26, 32. Os procedimentos de controle mecânico, são o comportamento de higiene bucal. A maioria dos indivíduos difíceis, exigem tempo, destreza, perseverança, e conseqüente- escova seus dentes regularmente, uma vez que higiene bucal mente só se obtêm com a participação adequada de pacientes está associada com higiene pessoal e aparência 27, 29. bem motivados 30. O uso freqüente da escova não é sinônimo de limpeza, O cirurgião-dentista é o responsável pela manutenção nem evita por si só, a perda dental. Mais importante que a da saúde bucal dos indivíduos de sua comunidade, devendo transmitir conhecimento sobre prevenção, com a finalidade de educação em saúde bucal. Portanto, para que se obtenha êxito no controle e prevenção das doenças bucais, o profissional deve trabalhar com os hábitos e comportamentos dos pacientes, procurando modificá-los freqüência é a qualidade da limpeza. Apesar disso, ainda se dá ou aperfeiçoá-los, sempre visando à melhora do seu estado de muita ênfase às técnicas de escovação, e diferentes variações saúde 13. Este trabalho de revisão de literatura objetiva verificar em torno da escova dental a ser utilizada 3. Entretanto, Esteves Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007 os principais fatores relacionados aos hábitos de higiene bucal et al. 10 (2001) afirmam que antes de se pensar no tempo gasto www.cro-pe.org.br e destacar a importância da motivação no controle mecânico com a escovação, outros fatores devem ser considerados como o modo, a qualidade da limpeza e a quantidade do biofilme.
  • 2. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Ditterich, R.G., et al Vilani et al. 34 (1998) realizaram um estudo comparativo Estudos sobre os hábitos de higiene bucal são muito com 15 acadêmicos de odontologia com 5 diferentes tipos importantes para avaliação de como são utilizados e quais os de escovas dentais e concluíram que todas as escovas foram costumes habituais na prática de higienização realizada pela eficientes na remoção do biofilme dental, comprovando que população. Segundo Abegg 1 (1997) verificar os hábitos de o tipo de escova não interfere no controle mecânico. Parizotto higiene bucal em populações tem como objetivo principal o et al. 21 (2003) também verificaram a efetividade de 2 tipos de planejamento de programas educativos que visem a sua me- escovas na remoção de biofilme dental em 32 crianças de 4-6 lhoria, com conseqüente redução do nível de placa bacteriana anos e encontraram que o tipo de escova não foi significante e sangramento gengival. na remoção da placa bacteriana. Entretanto, Cochran et al. Santos et al. 28 (1992) avaliaram os hábitos de higiene 5 (1996) reconhecem que as variações nas escovas dentais bucal em 550 crianças e adolescentes em São Paulo, verifican- tenham um menor impacto direto sobre a remoção de placa e do que 60,65% dos estudantes tinham o hábito da escovar os higidez tecidual, porém afirmam que o tipo de escova utilizada dentes 3 vezes por dia e que 64,5% não têm como o hábito à pode influenciar na capacidade de controlar a escova e de utilização do fio dental como complementação da escovação. adaptá-la ao interior da cavidade bucal. Também verificaram que 32,7% dos participantes não tinham Lopes e Nascimento 18 (1993) verificaram a preferência, o recebido quaisquer orientações de como escovar os dentes tipo e a substituição das escovas dentais em 102 indivíduos, e corretamente e que 47,5% não haviam recebido orientação identificaram como fator principal da escolha da escova dental, de como utilizar o fio dental. o preço. Também verificaram que o critério mais relatado para a Abegg 1 (1997) avaliou os hábitos bucais de 478 adultos e substituição das escovas, seria no momento em que as cerdas constatou que o número de escovações diárias mais freqüentes começassem a abrirem-se. Quanto à avaliação das escovas foi de 3 vezes ao dia e que a freqüência estava relacionada com dentais, foi constatado que quase a totalidade da amostra já o nível sócio-econômico, onde uma condição sócio-econômica necessitava de substituição, porém não foram trocadas devido baixa apresentava um menor hábito de escovações diárias. a motivos financeiros, na população mais carente ou, por ne- Quanto ao uso do fio dental, 67,5% dos entrevistados relata- gligência na população com melhor poder aquisitivo. Segundo ram que o utilizavam e verificou-se que 81,7% das pessoas os autores a dificuldade financeira para se adquirir a escova de categoria sócio-econômica alta usavam fio dental, contra dental tem como conseqüência uma má higienização. 52,8% das pessoas de categoria sócio-econômica baixa, sendo Lascala e Moussalli 16 (1997) relatam sobre a falta de esta diferença significante. Quanto à prática de uso do palito superioridade de uma escova sobre as outras, e até que as pes- dental, ao contrário do fio dental indivíduos de categoria sócio- quisas provem o contrário, o profissional deveria prescrever a econômica mais baixa e homens usam o palito com mais fre- escova que mais se adequar às condições bucais e habilidades qüência, assim como a idade, que seu uso aumenta à medida do paciente baseando-se, para tanto, em suas observações que a idade dos indivíduos aumenta. clínicas, procurando não submeter esta escolha às suas pre- Petry et al. 23 (2000) realizaram um estudo de caso- dileções próprias baseadas em fatores subjetivos. controle sobre conhecimentos, práticas e atitudes em adultos 124 Quanto à técnica de escovação utilizada deve-se levar em livres de cárie, em que estes eram os casos e os controles consideração a capacidade do paciente em poder realizá-la. eram os pacientes com atividade ou história de doença cárie. Chiarelli et al. 4 (2001) realizaram um estudo em 20 escolares Verificou que entre os casos, 18,5% fazem apenas uma ou duas para verificar a eficácia de duas técnicas de escovação: Fones escovações diárias e 28% escovam quatro vezes ou mais por e Bass. O grupo que realizou a técnica de Bass mostrou uma dia. Entre os controles, essas proporções foram de 13% e 35%, redução média de placa de 40,74% e o que realizou a técnica respectivamente. Apenas 44% dos casos sustentavam usar fio de Fones a diminuição média foi de 29,47%. Para redução de dental; destes, 81% já tinham recebido orientação quanto ao sangramento gengival a técnica de Bass também apresentou seu uso correto. Entre os controles, 62% usam o fio dental e os melhores resultados. Porém nenhuma das técnicas reduziu 84% tinham recebido orientação para este fim. Tal orientação a quantidade de microorganismos na saliva pelo período de foi dada pelo cirurgião-dentista para cerca de 70% tanto dos 32 dias. casos quanto dos controles. Os autores concluíram que os Estudos têm sido realizados para verificar a eficácia das hábitos de higiene bucal nesta amostra não demonstraram várias técnicas de escovações na remoção do biofilme dental efeito protetor esperado contra a doença cárie. 4, 18, 21, 34 . Entretanto a utilização de uma nova técnica pelo pa- Garcia et al. 14 (2001) verificaram o comportamento ciente somente será eficaz quando o seu reforço for aplicado de higiene bucal em 61 adultos com 20 e 50 anos atendidos várias vezes, somente assim poderão ocorrer mudanças na em serviço público. Os resultados mostraram que 75,4% da atitude quanto à higiene bucal. população estudada passavam o fio dental antes da escovação, Cabe ao profissional selecionar os instrumentos e os 63,9% utilizavam-no com tamanho adequado e apenas 27,9% meios de limpeza a serem utilizados para o controle de placa executavam adequadamente a técnica de em seus pacientes, levando-se em consideração sempre à necessidade individual de cada paciente 5, 10, 24. Outro fator que deve ser avaliado para a indicação de um dispositivo de higie- uso. Com relação à escovação, 59% apresentavam a escova nização complementar à escovação é a anatomia interdental dental em bom estado de conservação e 34,4% procediam à da área a ser utilizada 3, 5. escovação de maneira adequada. Com estes dados, pode-se O uso de dentifrício, por si só não é sinônimo de maior determinar que ainda há muito a ser melhorado no comporta- limpeza dental. Em sua composição apresentam abrasivos e mento de higiene bucal na população estudada, pois poucos saponáceos que auxiliam na desorganização do biofilme dental, pacientes demonstraram ter uma higiene bucal totalmente porém com a sua utilização não se pode afirmar que maior será satisfatória. a sua remoção, isto foi comprovado em estudo realizado por Esteves et al. 10 (2001) identificaram as práticas e atitudes Parizotto et al. 21 (2003) em 32 crianças em que puderam con- de higienização bucal de 270 universitários em Marília. Quanto cluir que o uso do dentifrício não foi significativo na redução do à prática de escovação a média foi de 3 vezes ao dia e o tempo biolfime. Porém, o seu uso durante as escovações é importante gasto para a escovação foi em média de 60 segundos. Sobre por ser um veículo de flúor aplicado diariamente sobre as super- a troca das escovas dentárias foi observado que a maior parte fícies dentais e também por ser cientificamente comprovado a dos pesquisados trocam suas escovas entre o período de 2 a sua importância na redução das cáries dentais. 4 meses de uso. Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007 www.cro-pe.org.br
  • 3. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Ditterich, R.G., et al Para identificar a prevalência dos hábitos de higiene bucal Saliba et al. 27 (1998) realizaram um estudo com 45 es- interproximal, Trentin e Oppermann 33 (2001) realizaram uma colares divididos em 3 grupos com idade entre 12 a 15 anos pesquisa em 154 jovens de 14-18 anos. Avaliaram os hábitos para verificar a importância da motivação e da escovação de higiene interproximal com os níveis de placa e inflamação supervisionada comparada à escovação habitual e a profilaxia gengival. Constataram que somente 36,3% da amostra rela- profissional no controle mecânico. Constataram que a esco- tavam o uso do fio dental diariamente. Quanto aos níveis de vação orientada e supervisionada apresentou os melhores placa e de sangramento gengival os índices foram elevados resultados com uma diferença significante no índice de placa tanto para os usuários como para os não-usuários de fio dental, bacteriana, comprovando que a motivação é fator primordial não havendo diferenças entre os grupos. O modo como o fio para o controle do biofilme dental e conseqüentemente para dental estava sendo usado nesta população, não representava a promoção da saúde bucal. um acréscimo ao controle do biofilme dental realizado apenas Leal et al. 17 (2002) avaliaram o emprego de distintas pela escova. Com este estudo, verificou-se que o simples uso orientações profissionais no aprendizado de técnicas de esco- de dispositivo para higiene complementar à escovação, sem vação na redução do índice de biofilme dental. Participaram nenhuma orientação prévia pelo profissional não é sinal de uma do estudo 40 crianças de 3 a 6 anos divididas em 3 grupos: boa higienização interproximal realizada pelo paciente. I - audiovisual, II - criança como modelo e III - instrução indi- Araújo et al. 2 (2003) avaliaram o uso do fio dental em vidual e constataram que em todos os grupos houve redução 473 universitários, e verificaram que 72% o utilizam, e destes, do índice de placa, porém com maior redução no grupo da 66% usam mais de uma vez ao dia. Observou-se também dife- instrução individual. rença em relação ao sexo quanto ao seu uso, demonstrando Toassi e Petry 32 (2002) avaliaram a eficácia de duas que as mulheres parecem ter maior conhecimento e são as estratégias motivacionais em escolares de 5 a 14 anos. O que utilizam com maior freqüência. programa de motivação a que os escolares tinham acesso Com os diversos trabalhos relatados, pode-se identificar constou da utilização de diversos recursos aplicados em dois que cada grupo populacional tem condutas diferentes quanto grupos de intervenção: Grupo A (motivação em sessão única) à realização de práticas preventivas, em que se pode constatar e Grupo B (motivação em quatro sessões). Em ambos os que os hábitos de higiene bucal que universitários realizam são grupos houve redução tanto do sangramento gengival quanto diferentes da população em geral como também entre outros da quantidade de biofilme dental. Quando comparados os grupos como: crianças, adolescentes e adultos. O profissional grupos, o sangramento e a quantidade de placa, apresentaram deve ter consciência da diferença existente entre as pessoas redução altamente significativa no grupo B quando comparado e as populações, e saber intervir tanto individual como coleti- ao A. Em conclusão, os reforços motivacionais em programas vamente nas atitudes e práticas de higiene bucal. educativos-preventivos atuam positivamente para a redução do biofilme e sangramento gengival. A motivação como fator de controle mecânico do biofilme Szpilman et al. 31 (2005) verificaram a efetividade de um dental programa preventivo baseado no controle de placa e melhoria A educação em saúde tem como objetivo maior, causar da higiene bucal em crianças de 6 a 12 anos divididos em 3 125 uma mudança de atitude do paciente em relação aos hábitos grupos: Grupo I (29 crianças) – recebeu palestra informativa, com a saúde bucal, que é alcançada através da criação ou mu- Grupo II (27 crianças) – recebeu palestra, demonstração e dança de percepção por parte do paciente. Para que se alcance escovação supervisionada e o Grupo III (controle - 30 crian- estas mudanças, é de fundamental importância, a motivação ças) – nenhuma orientação. Os resultados demonstraram do paciente. A motivação humana é muito complexa e está resultados significativos de baseada numa combinação de expectativas, idéias, crenças, sentimentos, esperanças, atitudes, valores que iniciam, man- tém e regulam o comportamento 30. A motivação é uma poderosa ferramenta para pro- mover a saúde bucal da população, melhorando a qualidade redução de biofilme dental aos 14 dias, porém, aos 90 dias a de vida da mesma, e deve ser trabalhado junto aos indivíduos condição de acúmulo ficou igual ou piorou em relação às condi- o mais precocemente possível, assim que se iniciar o desen- ções iniciais do exame. Os autores concluíram que um aumento volvimento da capacidade de compreensão 6. do conhecimento pode ser esperado, porém este não resultará, A educação estimula os pacientes a aprender, capaci- necessariamente, em uma mudança de comportamento. tando-os para tomar decisões e fazer escolhas A maioria dos trabalhos tem avaliado a eficiência da motivação em crianças e adolescentes. Os adultos estão mais sujeitos a dificuldades peculiares na motivação, como fatores econômicos e sociais, que freqüentemente, levam ao estresse emocional, o qual somado aos hábitos incorretos de higiene es- tabelecidos tornam estes pacientes mais resistentes à introdu- relacionadas à sua saúde bucal. Esta deve ser realizada e ção de mudanças nos procedimentos de controle mecânico do enfatizada, tanto no âmbito da saúde pública quanto individual- biofilme dental, além do fato de muitos pacientes relacionarem mente, em consultório particular 11. O objetivo de toda educação a falta de tempo como motivo da falta de higiene 26. formal e informal para a saúde é atingir um nível de higiene Com a finalidade de avaliar o papel da motivação em bucal e uma taxa de progressão de doença periodontal que pacientes adultos, Rossa Júnior et al. 26 (2004) realizaram seja compatível com a manutenção de uma dentição natural um estudo do efeito da motivação repetida durante terapia funcional e esteticamente aceitável por toda a vida 30. periodontal em 17 pacientes adultos com doença periodontal A motivação no controle mecânico do biofilme dental é crônica. Os pacientes foram divididos em dois grupos: (1) rece- a peça chave para a promoção do auto-cuidado e preocupação beram instruções e motivação realizados apenas na 1ª sessão; com a saúde bucal. Estudos nacionais demonstram que com (2) receberam instruções e motivação em todas as sessões do o processo de motivação dos pacientes na higienização bucal tratamento periodontal básico. Os resultados indicaram um ocorre uma redução na quantidade de placa bacteriana e na comportamento similar dos grupos em relação à presença do presença de sangramento gengival. biofilme supragengival até os três meses, quando houve uma Navarro et al. 20 (1996) avaliaram a influência de meios tendência, não significativa, de retorno aos níveis de placa preventivos: palestras sobre higiene bucal, motivação e esco- iniciais no grupo 1. O sangramento foi significativamente re- vação supervisionada sobre os níveis de placa bacteriana em duzido no grupo 2 em comparação (2): grupo 1 já a partir dos Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 ao 123-128, abr/jun., 2007 26 escolares no período de 4 meses com visitas periódicas 3 meses e continuou estável até os 12 meses. Concluiu-se que www.cro-pe.org.br semanais. Em relação ao nível de placa antes e depois do a realização de instruções repetidas de higiene e motivação
  • 4. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Ditterich, R.G., et al É importante que o cirurgião-dentista lembre que a O estabelecimento de hábitos de higiene bucal no con- educação do paciente deve ser realizada a longo prazo, pois trole mecânico caseiro do biofilme dental deve ser uma prática apenas uma sessão de motivação não resulta em mudanças de estimulada sempre pelo cirurgião-dentista frente ao seu pa- hábitos e atitudes que levam o indivíduo a desenvolver técnicas ciente, pois somente assim o paciente perceberá que a doença preventivas de maneira responsável e espontânea 12, 19, 35. periodontal e a cárie dentária são reflexos das suas atitudes Outro fator importante é que o profissional deve suscitar ou falta de preocupação com sua saúde bucal. O profissional o entusiasmo do paciente, o que vai depender muito, também, deve esclarecer que o seu tratamento não será duradouro se de seu próprio entusiasmo, pois se não estiver motivado, jamais o indivíduo não perceber que o grande responsável pela manu- conseguirá obter resultados positivos 19. Por isso que para o tenção e prevenção dos cuidados odontológicos é ele mesmo. sucesso na promoção de saúde bucal é necessário à efetiva A motivação e aplicação de reforços no controle mecânico combinação participativa do binômio paciente-profissional 22. devem ser encaradas como ferramentas a serem utilizadas O profissional deve ser muito cauteloso ao abordar o pa- pelos cirurgiões-dentistas durante as consultas odontológicas ciente, respeitando o fato de que as pessoas têm seus valores como importantes fatores na melhoria da qualidade da saúde e prioridades, que estes são formados muito lentamente e só bucal realizada pelos pacientes. serão reformulados de modo lento. Desta forma não se deve esperar uma imediata transformação de comportamento. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Deve-se evitar a imposição de conceitos, e ao mesmo tempo, saber avaliar as expectativas do paciente em relação ao resul- 1. Abegg C. Hábitos de higiene bucal de adultos porto-alegren- tado do tratamento 30. ses. Rev Saúde Pública, 1997; 31(6): 586-93. Para que o processo de motivação ocorra de uma forma espontânea, o profissional deve utilizar-se de uma linguagem 2. Araújo CA, Deliberador T, Cruz ACC, Santos FA. O uso de fio específica, métodos adequados, de forma contínua, caracteriza- dental por universitário. J Bras Clin Odontol Integrada, 2003; da pelos retornos periódicos 11. Para buscar as transformações, 7(42): 467-71. o profissional pode atuar em diferentes níveis, sendo os mais importantes o cognitivo, o afetivo e o psicomotor 3: “O nível 3. Buischi, YP, Axelsson P, Siqueira TRF. Controle mecânico do cognitivo é o nível do conhecimento da informação. Todas as biofilme dental e a prática da promoção de saúde bucal. In: explicações sobre as enfermidades devem ser apresentadas Buischi YB. Promoção de saúde bucal na clínica odontológica. de forma lógica, clara e direta respeitando o nível cultural de São Paulo: Artes Médicas; 2000. p. 170-214. cada paciente. O nível afetivo é aquele através do qual se 4. Chiarelli M, Guimarães A, Chaim LAF. Avaliação da eficácia estabelece a das técnicas de escovação dental de Bass e Fonnes em relação à remoção de placa, diminuição de sangramento gengival e quantidade de estreptococos mutans e lactobacilos na saliva. 126 Rev ABO Nac, 2001; 9(2): 88-93. 5. Cochran DL, Kalkwarf KL, Brunsvold MA. Remoção de placa e relação de confiança, onde o profissional demonstra sua pre- cálculo: considerações para o profissional. São Paulo: Quintes- ocupação com a saúde do paciente. O nível psicomotor é o da sence; 1996. p. 6-22. atuação mecânica por parte do paciente, conseqüentemente, do treinamento e execução de atividade de controle do biofilme 6. Corona, SAM, Dinelli W. Educação e motivação em odontolo- dental através da escovação”. gia: avaliação da efetividade de um método educativo aplicado A motivação do paciente é muito mais importante que em escolares do primeiro grau, da rede particular da cidade de a escova em si, que a técnica ensinada, e que a orientação Araraquara. Rev Odontol UNESP, 1997; 26(2): 337-52. que lhe foi dada de como utilizar a escova dentro de uma de- terminada técnica. Se o paciente não tiver consciência de que 7. De Micheli G, Jorge MC, Lotufo RFM, Conde MC, Romito GA, a higienização é importante para si, não adianta educá-lo na Carvalho CV. O tratamento periodontal de suporte e a impor- maneira de escovar 5, 16. Isto pode ser constatado por Dimbarre tância da cooperação consciente. Rev Odontol UNICID, 2001; e Wambier 8 (1996) que verificaram em escolares que após 13(3): 203-13. o ensino das técnicas de escovação, apenas 17% fixaram a técnica de Bass e 62% fixaram a técnica de Fones, havendo 8. Dimbarre DT, Wambier DS. A influência da motivação e super- uma tendência em abandonar o aprendizado. Já De Micheli et visão profissional na redução de placa bacteriana em escolares. al. 7 (2001) afirmam que a cooperação do paciente frente ao Rev Odontol Univ São Paulo, 1996; 10(3): 166-73. tratamento diminui com o passar dos tempos e que o maior índice de abandono ocorre no primeiro ano, indicando que 9. Dutra CMR, Ferreira EF. A motivação de pacientes portadores este é o período crítico para decisão do paciente em aderir às de doença periodontal crônica sob manutenção periodontal: um mudanças nas práticas preventivas de higiene bucal. estudo qualitativo. Rev Odontol UNESP, 2005; 34(1): 5-10. A motivação pode ser realizada de duas maneiras: por meio da motivação direta e indireta. Entende-se por motiva- 10. Esteves SRR, Milanezi LA, Garcia VG. Conhecimentos, ção direta a relação de contato estreito entre o profissional- atitudes e práticas de higienização dos dentes com escovas paciente sobre todas as formas de comunicação, em que o dentárias de alunos ingressantes na faculdade de ciências profissional é o principal ator na realização da educação em odontológicas da universidade de Marília. Rev Ciências Odontol saúde bucal. A motivação indireta é aquela em que não se faz UNIMAR, 2001; 4(4): 105-16. presente à participação ativa do cirurgião-dentista no processo da motivação em saúde bucal. Pinto 25 (2000) afirma que o 11. Garcia PPNS, Dinelli W, Lofredo LCM. Avaliação de cirur- contato pessoal freqüente entre o profissional e o indivíduo e giões-dentistas quanto aos métodos de motivação adotados sua comunidade é a maneira mais eficaz de ter sucesso em para o retorno de pacientes ao consultório odontológico. Rev educação em saúde bucal. Odontol UNESP,1998a; 27(1): 11-23. CONCLUSÃO Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007 www.cro-pe.org.br
  • 5. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Ditterich, R.G., et al 12. Garcia PPNS, Corona SAM, Valsecki Júnior A. Educação e 27. Saliba CA, Saliba NA, Almeida AL, Freire M, Moimaz SAS. motivação: I – Impacto de um programa preventivo com ênfase Estudo comparativo entre a eficácia da escovação orientada e na educação de hábitos de higiene bucal. Rev Odontol UNESP, supervisionada e a profilaxia no controle da placa bacteriana 1998b; 27(2): 393-403. dentária. Rev Odontol UNESP, 1998; 27 (1): 185-192. 13. Garcia PPNS. Saúde bucal: crenças e atitudes, conceitos e 28. Santos VA, Alves CR, Ciamponi AL, Corrêa MSNP. Hábitos de educação de pacientes do serviço público. JAO - J Assessoria saúde bucal em crianças e adolescentes residentes na cidade ao Odontologista, 2000; 3(22): 36-41. de São Paulo. Rev Odontopediatria, 1992; 3 (1): 183-93. 14. Garcia PPNS, Rodrigues JA, Santos PA, Dinelli W. Avaliação 29. Sheiham A. Abordagens de saúde pública para promover clínica do comportamento de higiene bucal em adultos. Rev saúde periodontal. In: Bönecker M, Sheiham A. Promovendo Odontol UNESP, 2001; 30(2): 161-71. saúde bucal na infância e na adolescência: conhecimentos e práticas. São Paulo: Editora Santos; 2004. p. 29-43. 15. Gonçalves PC, Vinholis AHC, Garcia PPNS, Corona SAM, Pereira OL. Considerações sobre programas de controle de 30. Sinkoç CR. Educação em saúde bucal e a motivação do placa. ROBRAC, 1998; 7(23): 36-39. paciente. Rev Odontol Univ Santo Amaro, 2001; 6 (2): 40-43. 16. Lascala NT, Moussalli NH. Higienização bucal - fisiotera- 31. Szpilman ARM, Miotto MHMB, Barcellos LA. O efeito da pia - aspectos preventivos em odontologia. In: Lascala NT. informação verbal e demonstração na higiene de crianças de Prevenção na Clínica Odontológica. São Paulo: Artes Médicas; seis a doze anos. UFES Rev Odontol, 2005; 7(1): 18-29. 1997. p. 120-145. 32. Toassi RFC, Petry PC. Motivação no controle do biofilme 17. Leal SC, Bezerra ACB, Toledo OA. Effectiveness of teaching dental e sangramento gengival em escolares. Rev Saúde Pú- methods for toothbrushing in preschool children. Braz Dent J, blica, 2002; 36(5): 634-7. 2002; 13(2): 133-36. 18. Lopes WC, Nascimento, ZCP. Avaliação da preferência, uso e 33. Trentin MS, Opermann RV. Prevalência dos hábitos de substituição de escovas dentais. ROBRAC, 1993; 3(9): 4-10. higiene bucal interproximal e sua influência na presença de placa e sangramento gengival em um grupo de estudante. Rev 19. Milanezi LA, Garcia VG, Milanezi FM, Theodoro LH. Atitudes Fac Odontol UPF, 2001; 6(2); 15-22. e modelos preventivos de higienização bucal desenvolvidos pelo cirurgião-dentista. Rev Odontol Araçatuba, 2003; 24(2): 34. Vilani E, Baptista TCL, Vertuan V. Avaliação clínica da efeti- 43-46. vidade de escovas dentais. RGO, 1998; 46 (4): 207-214. 20. Navarro RS, Esteves GV, Youssef MN. Estudo clínico do com- 35. Zuanon ACC, Hebling J, Giro EMA. Análise de aprendizado 127 portamento de escolares mediante escovação supervisionada de escolares após sessão de motivação. Rev Odontopediatria, e motivação no controle de placa bacteriana. Rev Odontol Univ 1995; 4 (4): 191-8. São Paulo, 1996; 10(2): 153-57. 21. Parizotto SPCOL, Rodrigues CRMDR, Singer JM, Sef HC. Effectiveness of low cost toothbrushes, with or without dentifri- ce, in the removal of bacterial plaque in deciduous teeth. Pesq Odontol Bras, 2003; 17(1): 17-23. 22. Petry PC, Pretto SM. Educação e motivação em saúde bucal. In: Kriger L. Promoção de Saúde Bucal. São Paulo: Artes Médicas; 1997. p. 363-70. 23. Petry PC, Victora CG, Santos IS. Adultos livres de cárie: estu- do de casos e controle sobre conhecimentos, atitudes e práticas preventivas. Cad Saúde Pública, 2000; 16(1): 145-153. 24. Pilatti GL, Santos FA. Procedimentos clínicos periodontais relacionados à odontologia restauradora. In: Gomes JG. Es- tética em Clínica Odontológica. Curitiba: Editora Maio, 2004, p.241-268. 25. Pinto VG. Saúde Bucal Coletiva. 4 ed. São Paulo: Editora Santos. 2000. 26. Rossa Júnior C, Silva VC, Urban VM. Efeito da motivação repetida durante a terapia periodontal relacionada à causa em pacientes adultos. RPG Rev Pós Grad USP, 2004; 11(4): 352-57. Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007 www.cro-pe.org.br
  • 6. Higiene bucal e motivação no controle do biofilme dental Ditterich, R.G., et al Recebido para publicação em 11/10/2006 Enviado para reformulação em 15/03/2007 Aceito para publicação em 15/05/2007 128 Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (2): 123-128, abr/jun., 2007 www.cro-pe.org.br