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                                                           Rodrigo G Bueno de Moraes
Mestre em odontologia pela Universidade Paulista, vice - presidente da SOBRAPE –
       Sociedade Brasileira de Periodontologia, membro da Academia Americana de
              Periodontia e coordenador do curso de especialização em periodontia da
       Unicastelo/Campinas e Docente do curso de especialização em Periodontia da
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                                                               Fernando Peixoto Soares
                                              Doutorando em Periodontia pela FOUSP
                                                    Mestre em Periodontia pela FOUSP
         Docente do curso de especialização em Periodontia da ABENO-Nap Odonto




Introdução:

Desde o estudo clássico de Löe et al. (1965), a odontologia e a periodontia salientam o
extremo significado da prática regular de uma adequada higiene bucal como forma de
prevenção dos problemas bucais.

O objetivo dessa revisão da literatura é destacar a indicação e a importância dos recursos
destinados ao controle mecânico do biofilme dentário na rotina clínica do cirurgião -
dentista e na promoção de saúde dos pacientes. A subdivisão dessa descrição em tópicos
atende a uma demanda didática para a apresentação dos recursos em meio às suas
aplicabilidades.
Higiene Bucal na Infância:




             ( Estímulo a higiene bucal desde a infância é relevante à promoção de saúde
                e traz reflexos positivos aos adultos estimulados desde o ínicio da vida)



A higiene bucal deve ser introduzida desde o início do contato da criança com uma
alimentação que não corresponda ao aleitamento materno. Moraes (2001) considerou que
o leite materno protege o bebê contra infecções e alergias, proporciona a melhor nutrição
que o recém - nascido pode ter, favorece o desenvolvimento psicomotor, auxilia o
desenvolvimento maxilar e mandibular, melhora a relação afetiva entre a mãe e o bebê e
representa uma real economia de dinheiro. A autora recomenda que este aleitamento seja
exclusivo até o 4º ou 6º mês de vida.

Moraes (2001) exalta que ao leite materno não podem ser acrescentados conteúdos
cariogênicos tais como acúcar, achocolatados, farinhas, mel, e outros. Desta forma os
dentes decíduos erupcionam íntegros, desde que a mãe realize boa higiene
(principalmente dos bicos das mamas) e o controle da dieta da criança, à partir do
momento em que inclua-se alimentos outros que não o leite materno.

Para o período após o exclusivo aleitamento materno, Moura, et al. (2000) testaram a
eficácia de três métodos de higiene bucal em bebês (na faixa dos 6 a 9 meses), e
observaram a reaçäo dos bebês frente às técnicas consideradas. Os autores reiteraram a
necessidade de conscientizar os pais para iniciarem precocemente a higiene das bocas de
seus filhos.

Das técnicas analisadas, a escova com creme dental (desprovido de flúor) mostrou-se a
mais eficiente, com relaçäo à remoçäo de placa, seguida pelo uso da fralda de pano, com
água filtrada. A técnica que apresentou melhor aceitaçäo por parte dos bebês, foi a que
utilizou fralda com água filtrada.
A responsabilidade dos pais em praticar a higiene bucal deve se prolongar até a fase entre
o 3o. ano de vida, quando a criança começa a usufruir, gradativamente, de uma "certa
autonomia" frente aos auto-cuidados bucais diários e passa a interagir com recursos como
o fio dental, obviamente se estimulada com regularidade por profissionais da
odontologia, pais e responsáveis - ao longo de toda a sua existência.

Entre o 3o. e o 6o. ano de vida a criança estimulada aprimora essa autonomia para o
controle mecânico do biofilme e gradativamente passa a assumir responsabilidades
quanto a prevenção dos problemas da boca (Macedo, 1991).




(Escova comum é parte integrante do conjunto de
recursos destinados ao controle mecânico)



Aparelhos Ortodônticos e a Higiene Bucal :

Em 1997, Lascala & Faltin Jr. comentaram sobre a somatória das transformações
qualitativas dos recursos utilizados nos aparelhos ortodônticos com a constante evolução
técnica e científica dos recursos de higiene bucal, disponíbilizados aos pacientes do
ambiente clínico da ortodontia.

Essa realidade já era evidenciada pelos autores, através da ampla revisão sobre o tema,
especialmente ao constatarem que a fase da ortodontia favoreceria um aumento na
prevalência dos patógenos de relevância ao estabelecimento das principais doenças da
boca. Felizmente a grande evolução dos recursos de higiene favorece, cada vez mais, o
controle do biofilme dentário e a prevenção desses problemas nestes pacientes ( Löe
2000) .

Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) salientaram que as escovas interdentais, as escovas
de tufo único, as escovas comuns adaptadas as necessidades dos usuários da ortodontia,
as escovas elétricas, os limpadores linguais e os passadores de fio /fita dental representam
os ítens de maior relevância frente ao controle mecânico dos pacientes submetidos à
ortodontia.

No entender dos autores, esses recursos, coadjuvados pelo apoio de dentifrícios e
colutórios prescritos pelo profissional, representam valiosas ferramentas na prevenção
das complicações inerentes a esse perfil de tratamento, como no caso das hiperplasias
gengivais e dos outros problemas do periodonto, além das cáries e das lesões de boca –
comuns à esses pacientes.

Lascala & Faltin Jr., lembram que os aparelhos ortodônticos móveis devem ser de fácil
manuseio e manutenção pelos seus usuários. Protocolaram que a limpeza desses recursos
deva ser praticada, logo após a remoção do aparato da boca, com escovas diferentes das
utilizadas na limpeza dentária e dentífricios.

Uma vez higienizados, os aparelhos móveis devem ser acondicionados em invólucros
adequados e não precisariam ficar submersos em líquidos ou substâncias desinfetantes
por longos períodos.


A higiene bucal no paciente adulto:




                        ( A higiene bucal do adulto deve ser continuamente
          estimulada pelos profissionais de saúde, especialmente os cirurgiões – dentistas).



Apesar de, sob o ponto de vista periodontal, uma higiene bucal completa a cada 48 horas
representar o suficiente para a prevenção em periodontia (Lang et al., 1973), outros
fatores importantes influenciam e conduzem o profissional da odontologia a recomendar
essa prática, pelo menos, a cada 12horas.
Brunetti et al. (2007) lembram que a alimentação, a quantidade e a qualidade de uso dos
recursos de higiene bucal e a regularidade na presença de outros hábitos e/ou condições
indesejadas tornam as pessoas mais ou menos susceptíveis à manutenção da saúde dental
e periodontal.

Sob o ponto de vista dos autocuidados diários, podemos citar que um adulto com
contornos gengivais e alinhamentos dentários preservados (incluindo ausência de
retrações ou crescimentos gengivais e as papilas interdentais preenchendo os espaços
interdentários), poderia usufruir, tão somente, do uso regular da escova comum e do
fio/fita dental – como ferramenta de controle mecânico do biofilme dentário (Ferraz,
1997 e Brunetti et al. 2007).

Qualquer variação desse padrão recomendaria a individualização das técnicas destinadas
à prática da higiene bucal. Como citado anteriormente, as variações decorrentes da
ausência de contato proximal, apinhamentos dentários, perdas do tecido gengival ou da
inserção periodontal, elementos restaurados, apoios protéticos, aparelhos, entre outros –
exigem aprimoramento dos recursos e nas
técnicas de higiene bucal instruídas aos pacientes nas sessões de motivação praticadas
pelos profissionais da odontologia.

Quanto ao padrão da escova comum, uma vez considerada a técnica de Bass (1954) como
a de maior aplicabilidade à realidade clínica, Axelsson (1991) e Ferraz (1997) estipulam
que devem possuir cerdas de pontas arredondadas, macias ou extra-macias, cabeça
pequena, 3 fileiras de cerdas no sentido longitudinal e altura semelhante entre as cerdas.

O fio dental é um recurso tão fundamental quanto a escova e exige adequada técnica de
manuseio, além de regularidade na sua aplicação. Sua capacidade de remover o biofilme
dentário da região proximal e pontos/ áreas de contato é inquestionável aos pacientes com
adequado preenchimento proximal pela papila gengival (Axelsson 1991 e Brunetti et al .
2007)




(Fio dental deve ser utilizado por todos, especialmente
quando a papila gengival preenche todo o espaço interdentário).
Os autores salientam que o fio, uma vez tensionado entre os dedos de apoio de ambas as
mãos, deveria vencer o ponto de contato proximal e, após isso, atingir a área interdental
(junto da papila gengival), de forma delicada.

Vencido o ponto de contato o fio deve ser friccionado contra as paredes dentárias
proximais. Após isso deve ser removido cuidadosamente, em sentido inverso ao da
entrada, ou seja, com tração por vestibular e não voltando até o ponto de contato.


Higiene bucal e o paciente periodontal:

Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) reconhecem que o controle mecânico dos pacientes
com a doença periodontal exige cuidados especiais. Merecem destaque os portadores de
perda de inserção periodontal que apresentam sinais e seqüelas típicas da periodontite.

Para Axelsson (1991) as variações gengivais e a perda da papila gengival proximal,
clinicamente observadas, exigem a inclusão de escovas especiais que facilitam o acesso
aos novos contornos dento – gengivais. Isso permite a adequada remoção do biofilme
dessa região crítica, localizada na união entre o dente e a gengiva remanescente.

Para o autor, as escovas de tufo único e as interdentais ( de calibre compatível com o
diâmetro do espaço interdental acometido pela perda de inserção) são bastante
recomendáveis para o efetivo controle de placa.

Ferraz (1997) alega que as escovas de tufo único devem atingir, os espaços interdentais
após tratamento periodontal, os espaços em próteses fixas, os nichos dos terceiros
molares, a mesial e a distal de dentes isolados, a distal dos últimos molares e as áreas de
apinhamento dental. Ao mesmo tempo, o autor salienta que essa é uma escova que atende
– com qualidade - as necessidades de controle mecânico de todo e qualquer paciente que
a utilize com regularidade.

O movimento da escova de tufo único ou unitufo deve seguir o contorno da região crítica
( área dental junto à margem gengival ou entorno das estruturas que se deseja limpar) de
forma que a porção mais afilada das cerdas promova a devida fricção na região de
limpeza, conforme abaixo. Na maioria das vezes o paciente necessita de 2 a 3
movimentos – ida e volta – que atenderiam a necessidade de remoção mecânica do
biofilme dentário – para cada face de cada elemento dentário.
(Escovas de tufo único são excelentes recursos
ao controle mecânico do biofilme dentário).



As escovas interdentais são, na concepção de Axelsson (1991), recursos fundamentais à
promoção de saúde de todo e qualquer paciente que não disponha de papila gengival
preenchendo o espaço interdentário ou que consiga manuseá-la pela abertura proximal.

Com o advento dos aperfeiçoamentos técnicos e científicos desses recursos torna-se
possível prescrever a interdental para todo e qualquer paciente com espaço acessível à
esse recurso .




(Escovas interdentais tornam-se fundamentais aos pacientes
periodontais e aos que sofrem alterações da papila gengival interdentária).


Brunetti et al. (2007) salientam a enorme superioridade do controle mecânico obtido com
esse recurso para o espaço proximal, devido a capacidade de acesso às zonas de
concavidades proximais e a possibilidade de associação com outros recursos de apoio à
higiene – como os dentifrícios e as soluções antissépticas. A facilidade de manuseio e a
enorme variedade de diâmetros disponibilizados para as escovas interdentais ampliam a
sua utilização, além do cotidiano do paciente periodontal. Atualmente a escova
interdental é recurso corriqueiro na indicação profissional voltada a um perfil mais
atualizado do controle mecânico.
Considerando que a halitose é uma preocupação relacionada, em larga escala, com a
condição bucal desfavorável – torna-se preponderante a preocupação com a higiene da
lingua e mucosa jugal. Brunetti et al. (2007) salientam que a limpeza lingual pode, não só
auxiliar o controle do mal odor bucal, como eliminar depósitos mais intensos de bactérias
dessas regiões próximas à area dos dentes e das gengivas, que funcionariam como
“reservatórios” para o reestabelecimento de um biofilme potencialmente nocivo à saúde
bucal.

A utilização dos limpadores linguais e a associação de recursos para a limpeza lingual e
jugal com as escovas, do tipo comum, parecem justificadas amplamente pela realidade
clínica e científica da odontologia moderna (Brunetti et. al. 2007).


Higiene bucal e os procedimentos reabilitadores:

Os implantes, as restaurações e as próteses são recursos reabilitadores que exigem do
paciente e do profissional enorme atenção frente ao controle do biofilme dentário. Cabe
reiterar que esses recursos facilitam o aumento no depósito de microorganismos nocivos
à saúde bucal (Axelsson 1991)

Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) comentam que as escovas interdentais, as de tufo
único, os passadores de fio/fita dental e, eventualmente, as escovas elétricas
(especialmente para os casos dos indivíduos com dificuldades motoras para a prática do
controle mecânico convencional), representariam bons instrumentos para a
complementação da higiene bucal mecânica (regularmente associada com a escova
comum e o fio/fita dental).

Esse incremento de recursos para o controle mecânico é eficaz, entre outras situações,
nos casos associados aos restauros unitários, nas próteses fixas, nas próteses removíveis
parciais ou totais e nas reconstruções protéticas sobre implantes.


Conclusão:

Diante das considerações apresentadas é possível confirmar que;

      O controle mecânico do biofilme dentário ainda representa um dos principais
recursos para a promoção de saúde e para a prevenção dos problemas bucais.

-     A conjunção de recursos para o controle mecânico do biofilme dentário deve ser
individualizada e adaptada as necessidades de cada paciente.
-     A higiene interproximal deve ser valorizada com a mesma intensidade da higiene
das faces livres.

-     Apesar da relevância dos recursos para o controle químico do biofilme dentário, a
atrição das escovas, dos limpadores linguais e do fio/fita dental ainda representa o
método mais eficiente para a remoção bacteriana a longo prazo.




Bibliografia:

AXELSSON,      P. Estabelecimento de Hábitos de Higiene Bucal Dirigido pela
Localização da Placa e da Doença Dentária. Traduzido por H. T. Bellini: São Paulo;
FOUSP, ABOPREV, 1991. P.63.

BASS, CC. An Effective Method Of Personal Oral Hygiene. Journal Louisiana State
Medical Society. Vol. 106, pp. 57-73 and pp. 101-112, 1954.

LANG, N. P.; CUMMING, B. R.; LO E, H. Toothbrushing Frequency as It Relates to
Plaque Development and Gingival Health. J. Period., v. 44, p. 396-404, July. 1973.

LASCALA, C E; FALTIN JUNIOR, K. Aspectos preventivos em ortodontia / Preventive
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LÖE, H. Oral hygiene in the prevention of caries and periodontal disease. International
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FERNANDES,CB.,AQUINO,DR.,CARVALHOFILHO,J.,CORTELLI,SC.,
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MACEDO, Lino. Ensaios Construtivistas. 3. Ed. São Paulo : Casa do Psicólogo, 1994.

MOURA, LFAD.; REBELO, MCCBL.; MOURA, MD.; LEÄO, VLA. Avaliaçäo da
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MORAES, EMF: Aleitamento materno e saúde bucal. (Publicação on line) pelo endereço
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CÔRREA, MSNP. Higiene Bucal em Crianças (publicação on line) 1998. Acesso, em
01/06/2009,            pelo             endereço           eletrônico        :
http://www.saudevidaonline.com.br/odontonline/artigo13.htm

FADEL, C. B.. Dieta e higienização bucal como marcadores de risco de cárie dental em
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FERRAZ, C. Periodontia. Série EAP/APCD, Artes Médicas - São Paulo, no. 5, 1997,
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LOE H, THEILADE E, JENSEN SB.: Experimental Gingivitis in Man; J Periodontol.
1965 May-Jun;36:177-87.

BRUNETTI, MC; FERNANDES, MI; BUENO DE MORAES, RG: Fundamentos da
Periodontia: Teoria e Prática. Artes Médicas - São Paulo, 2007: 353p.

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A importância do controle mecânico do biofilme dentário para a rotina clínica da odontologia.

  • 1. A importância do controle mecânico do biofilme dentário para a rotina clínica da odontologia Rodrigo G Bueno de Moraes Mestre em odontologia pela Universidade Paulista, vice - presidente da SOBRAPE – Sociedade Brasileira de Periodontologia, membro da Academia Americana de Periodontia e coordenador do curso de especialização em periodontia da Unicastelo/Campinas e Docente do curso de especialização em Periodontia da ABENO – Nap Odonto Francisco Roberto Bueno de Moraes Coordenador do curso de especialização em Periodontia da ABENO - Nap Odonto Fernando Peixoto Soares Doutorando em Periodontia pela FOUSP Mestre em Periodontia pela FOUSP Docente do curso de especialização em Periodontia da ABENO-Nap Odonto Introdução: Desde o estudo clássico de Löe et al. (1965), a odontologia e a periodontia salientam o extremo significado da prática regular de uma adequada higiene bucal como forma de prevenção dos problemas bucais. O objetivo dessa revisão da literatura é destacar a indicação e a importância dos recursos destinados ao controle mecânico do biofilme dentário na rotina clínica do cirurgião - dentista e na promoção de saúde dos pacientes. A subdivisão dessa descrição em tópicos atende a uma demanda didática para a apresentação dos recursos em meio às suas aplicabilidades.
  • 2. Higiene Bucal na Infância: ( Estímulo a higiene bucal desde a infância é relevante à promoção de saúde e traz reflexos positivos aos adultos estimulados desde o ínicio da vida) A higiene bucal deve ser introduzida desde o início do contato da criança com uma alimentação que não corresponda ao aleitamento materno. Moraes (2001) considerou que o leite materno protege o bebê contra infecções e alergias, proporciona a melhor nutrição que o recém - nascido pode ter, favorece o desenvolvimento psicomotor, auxilia o desenvolvimento maxilar e mandibular, melhora a relação afetiva entre a mãe e o bebê e representa uma real economia de dinheiro. A autora recomenda que este aleitamento seja exclusivo até o 4º ou 6º mês de vida. Moraes (2001) exalta que ao leite materno não podem ser acrescentados conteúdos cariogênicos tais como acúcar, achocolatados, farinhas, mel, e outros. Desta forma os dentes decíduos erupcionam íntegros, desde que a mãe realize boa higiene (principalmente dos bicos das mamas) e o controle da dieta da criança, à partir do momento em que inclua-se alimentos outros que não o leite materno. Para o período após o exclusivo aleitamento materno, Moura, et al. (2000) testaram a eficácia de três métodos de higiene bucal em bebês (na faixa dos 6 a 9 meses), e observaram a reaçäo dos bebês frente às técnicas consideradas. Os autores reiteraram a necessidade de conscientizar os pais para iniciarem precocemente a higiene das bocas de seus filhos. Das técnicas analisadas, a escova com creme dental (desprovido de flúor) mostrou-se a mais eficiente, com relaçäo à remoçäo de placa, seguida pelo uso da fralda de pano, com água filtrada. A técnica que apresentou melhor aceitaçäo por parte dos bebês, foi a que utilizou fralda com água filtrada.
  • 3. A responsabilidade dos pais em praticar a higiene bucal deve se prolongar até a fase entre o 3o. ano de vida, quando a criança começa a usufruir, gradativamente, de uma "certa autonomia" frente aos auto-cuidados bucais diários e passa a interagir com recursos como o fio dental, obviamente se estimulada com regularidade por profissionais da odontologia, pais e responsáveis - ao longo de toda a sua existência. Entre o 3o. e o 6o. ano de vida a criança estimulada aprimora essa autonomia para o controle mecânico do biofilme e gradativamente passa a assumir responsabilidades quanto a prevenção dos problemas da boca (Macedo, 1991). (Escova comum é parte integrante do conjunto de recursos destinados ao controle mecânico) Aparelhos Ortodônticos e a Higiene Bucal : Em 1997, Lascala & Faltin Jr. comentaram sobre a somatória das transformações qualitativas dos recursos utilizados nos aparelhos ortodônticos com a constante evolução técnica e científica dos recursos de higiene bucal, disponíbilizados aos pacientes do ambiente clínico da ortodontia. Essa realidade já era evidenciada pelos autores, através da ampla revisão sobre o tema, especialmente ao constatarem que a fase da ortodontia favoreceria um aumento na prevalência dos patógenos de relevância ao estabelecimento das principais doenças da boca. Felizmente a grande evolução dos recursos de higiene favorece, cada vez mais, o controle do biofilme dentário e a prevenção desses problemas nestes pacientes ( Löe 2000) . Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) salientaram que as escovas interdentais, as escovas de tufo único, as escovas comuns adaptadas as necessidades dos usuários da ortodontia, as escovas elétricas, os limpadores linguais e os passadores de fio /fita dental representam
  • 4. os ítens de maior relevância frente ao controle mecânico dos pacientes submetidos à ortodontia. No entender dos autores, esses recursos, coadjuvados pelo apoio de dentifrícios e colutórios prescritos pelo profissional, representam valiosas ferramentas na prevenção das complicações inerentes a esse perfil de tratamento, como no caso das hiperplasias gengivais e dos outros problemas do periodonto, além das cáries e das lesões de boca – comuns à esses pacientes. Lascala & Faltin Jr., lembram que os aparelhos ortodônticos móveis devem ser de fácil manuseio e manutenção pelos seus usuários. Protocolaram que a limpeza desses recursos deva ser praticada, logo após a remoção do aparato da boca, com escovas diferentes das utilizadas na limpeza dentária e dentífricios. Uma vez higienizados, os aparelhos móveis devem ser acondicionados em invólucros adequados e não precisariam ficar submersos em líquidos ou substâncias desinfetantes por longos períodos. A higiene bucal no paciente adulto: ( A higiene bucal do adulto deve ser continuamente estimulada pelos profissionais de saúde, especialmente os cirurgiões – dentistas). Apesar de, sob o ponto de vista periodontal, uma higiene bucal completa a cada 48 horas representar o suficiente para a prevenção em periodontia (Lang et al., 1973), outros fatores importantes influenciam e conduzem o profissional da odontologia a recomendar essa prática, pelo menos, a cada 12horas.
  • 5. Brunetti et al. (2007) lembram que a alimentação, a quantidade e a qualidade de uso dos recursos de higiene bucal e a regularidade na presença de outros hábitos e/ou condições indesejadas tornam as pessoas mais ou menos susceptíveis à manutenção da saúde dental e periodontal. Sob o ponto de vista dos autocuidados diários, podemos citar que um adulto com contornos gengivais e alinhamentos dentários preservados (incluindo ausência de retrações ou crescimentos gengivais e as papilas interdentais preenchendo os espaços interdentários), poderia usufruir, tão somente, do uso regular da escova comum e do fio/fita dental – como ferramenta de controle mecânico do biofilme dentário (Ferraz, 1997 e Brunetti et al. 2007). Qualquer variação desse padrão recomendaria a individualização das técnicas destinadas à prática da higiene bucal. Como citado anteriormente, as variações decorrentes da ausência de contato proximal, apinhamentos dentários, perdas do tecido gengival ou da inserção periodontal, elementos restaurados, apoios protéticos, aparelhos, entre outros – exigem aprimoramento dos recursos e nas técnicas de higiene bucal instruídas aos pacientes nas sessões de motivação praticadas pelos profissionais da odontologia. Quanto ao padrão da escova comum, uma vez considerada a técnica de Bass (1954) como a de maior aplicabilidade à realidade clínica, Axelsson (1991) e Ferraz (1997) estipulam que devem possuir cerdas de pontas arredondadas, macias ou extra-macias, cabeça pequena, 3 fileiras de cerdas no sentido longitudinal e altura semelhante entre as cerdas. O fio dental é um recurso tão fundamental quanto a escova e exige adequada técnica de manuseio, além de regularidade na sua aplicação. Sua capacidade de remover o biofilme dentário da região proximal e pontos/ áreas de contato é inquestionável aos pacientes com adequado preenchimento proximal pela papila gengival (Axelsson 1991 e Brunetti et al . 2007) (Fio dental deve ser utilizado por todos, especialmente quando a papila gengival preenche todo o espaço interdentário).
  • 6. Os autores salientam que o fio, uma vez tensionado entre os dedos de apoio de ambas as mãos, deveria vencer o ponto de contato proximal e, após isso, atingir a área interdental (junto da papila gengival), de forma delicada. Vencido o ponto de contato o fio deve ser friccionado contra as paredes dentárias proximais. Após isso deve ser removido cuidadosamente, em sentido inverso ao da entrada, ou seja, com tração por vestibular e não voltando até o ponto de contato. Higiene bucal e o paciente periodontal: Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) reconhecem que o controle mecânico dos pacientes com a doença periodontal exige cuidados especiais. Merecem destaque os portadores de perda de inserção periodontal que apresentam sinais e seqüelas típicas da periodontite. Para Axelsson (1991) as variações gengivais e a perda da papila gengival proximal, clinicamente observadas, exigem a inclusão de escovas especiais que facilitam o acesso aos novos contornos dento – gengivais. Isso permite a adequada remoção do biofilme dessa região crítica, localizada na união entre o dente e a gengiva remanescente. Para o autor, as escovas de tufo único e as interdentais ( de calibre compatível com o diâmetro do espaço interdental acometido pela perda de inserção) são bastante recomendáveis para o efetivo controle de placa. Ferraz (1997) alega que as escovas de tufo único devem atingir, os espaços interdentais após tratamento periodontal, os espaços em próteses fixas, os nichos dos terceiros molares, a mesial e a distal de dentes isolados, a distal dos últimos molares e as áreas de apinhamento dental. Ao mesmo tempo, o autor salienta que essa é uma escova que atende – com qualidade - as necessidades de controle mecânico de todo e qualquer paciente que a utilize com regularidade. O movimento da escova de tufo único ou unitufo deve seguir o contorno da região crítica ( área dental junto à margem gengival ou entorno das estruturas que se deseja limpar) de forma que a porção mais afilada das cerdas promova a devida fricção na região de limpeza, conforme abaixo. Na maioria das vezes o paciente necessita de 2 a 3 movimentos – ida e volta – que atenderiam a necessidade de remoção mecânica do biofilme dentário – para cada face de cada elemento dentário.
  • 7. (Escovas de tufo único são excelentes recursos ao controle mecânico do biofilme dentário). As escovas interdentais são, na concepção de Axelsson (1991), recursos fundamentais à promoção de saúde de todo e qualquer paciente que não disponha de papila gengival preenchendo o espaço interdentário ou que consiga manuseá-la pela abertura proximal. Com o advento dos aperfeiçoamentos técnicos e científicos desses recursos torna-se possível prescrever a interdental para todo e qualquer paciente com espaço acessível à esse recurso . (Escovas interdentais tornam-se fundamentais aos pacientes periodontais e aos que sofrem alterações da papila gengival interdentária). Brunetti et al. (2007) salientam a enorme superioridade do controle mecânico obtido com esse recurso para o espaço proximal, devido a capacidade de acesso às zonas de concavidades proximais e a possibilidade de associação com outros recursos de apoio à higiene – como os dentifrícios e as soluções antissépticas. A facilidade de manuseio e a enorme variedade de diâmetros disponibilizados para as escovas interdentais ampliam a sua utilização, além do cotidiano do paciente periodontal. Atualmente a escova interdental é recurso corriqueiro na indicação profissional voltada a um perfil mais atualizado do controle mecânico.
  • 8. Considerando que a halitose é uma preocupação relacionada, em larga escala, com a condição bucal desfavorável – torna-se preponderante a preocupação com a higiene da lingua e mucosa jugal. Brunetti et al. (2007) salientam que a limpeza lingual pode, não só auxiliar o controle do mal odor bucal, como eliminar depósitos mais intensos de bactérias dessas regiões próximas à area dos dentes e das gengivas, que funcionariam como “reservatórios” para o reestabelecimento de um biofilme potencialmente nocivo à saúde bucal. A utilização dos limpadores linguais e a associação de recursos para a limpeza lingual e jugal com as escovas, do tipo comum, parecem justificadas amplamente pela realidade clínica e científica da odontologia moderna (Brunetti et. al. 2007). Higiene bucal e os procedimentos reabilitadores: Os implantes, as restaurações e as próteses são recursos reabilitadores que exigem do paciente e do profissional enorme atenção frente ao controle do biofilme dentário. Cabe reiterar que esses recursos facilitam o aumento no depósito de microorganismos nocivos à saúde bucal (Axelsson 1991) Ferraz (1997) e Brunetti et al. (2007) comentam que as escovas interdentais, as de tufo único, os passadores de fio/fita dental e, eventualmente, as escovas elétricas (especialmente para os casos dos indivíduos com dificuldades motoras para a prática do controle mecânico convencional), representariam bons instrumentos para a complementação da higiene bucal mecânica (regularmente associada com a escova comum e o fio/fita dental). Esse incremento de recursos para o controle mecânico é eficaz, entre outras situações, nos casos associados aos restauros unitários, nas próteses fixas, nas próteses removíveis parciais ou totais e nas reconstruções protéticas sobre implantes. Conclusão: Diante das considerações apresentadas é possível confirmar que; O controle mecânico do biofilme dentário ainda representa um dos principais recursos para a promoção de saúde e para a prevenção dos problemas bucais. - A conjunção de recursos para o controle mecânico do biofilme dentário deve ser individualizada e adaptada as necessidades de cada paciente.
  • 9. - A higiene interproximal deve ser valorizada com a mesma intensidade da higiene das faces livres. - Apesar da relevância dos recursos para o controle químico do biofilme dentário, a atrição das escovas, dos limpadores linguais e do fio/fita dental ainda representa o método mais eficiente para a remoção bacteriana a longo prazo. Bibliografia: AXELSSON, P. Estabelecimento de Hábitos de Higiene Bucal Dirigido pela Localização da Placa e da Doença Dentária. Traduzido por H. T. Bellini: São Paulo; FOUSP, ABOPREV, 1991. P.63. BASS, CC. An Effective Method Of Personal Oral Hygiene. Journal Louisiana State Medical Society. Vol. 106, pp. 57-73 and pp. 101-112, 1954. LANG, N. P.; CUMMING, B. R.; LO E, H. Toothbrushing Frequency as It Relates to Plaque Development and Gingival Health. J. Period., v. 44, p. 396-404, July. 1973. LASCALA, C E; FALTIN JUNIOR, K. Aspectos preventivos em ortodontia / Preventive aspects in orthodontics In: Lascala, Nelson Thomaz. Prevençäo na clínica odontológica: promoçäo de saúde bucal. Säo Paulo, Artes Médicas, 1997. p.103-18 LÖE, H. Oral hygiene in the prevention of caries and periodontal disease. International Dental Journal 50, 129–139, 2000. FERNANDES,CB.,AQUINO,DR.,CARVALHOFILHO,J.,CORTELLI,SC., CORTELLI,JR : Prevalência de microorganismos periodontais intra e extra sulcular em crianças, adolescentes e adultos jovens. Cienc. Odontol. Bras. 2007, jul.-set.; 10(3): 90- 97. MACEDO, Lino. Ensaios Construtivistas. 3. Ed. São Paulo : Casa do Psicólogo, 1994. MOURA, LFAD.; REBELO, MCCBL.; MOURA, MD.; LEÄO, VLA. Avaliaçäo da eficácia de métodos de higiene bucal em bebês. J. Bras. Odontopediatr. Odontol. Bebe;3(12):141-6, mar.-abr. 2000.
  • 10. MORAES, EMF: Aleitamento materno e saúde bucal. (Publicação on line) pelo endereço eletrônico www.odontologia.com.br - 29/10/2001. (Acesso em 02/06/2009). CÔRREA, MSNP. Higiene Bucal em Crianças (publicação on line) 1998. Acesso, em 01/06/2009, pelo endereço eletrônico : http://www.saudevidaonline.com.br/odontonline/artigo13.htm FADEL, C. B.. Dieta e higienização bucal como marcadores de risco de cárie dental em bebês e sua relação com o fator socioeconômico. JBP rev. Ibero-am. odontopediatr. odontol. bebê;8(42):119-125, mar.-abr.2005. FERRAZ, C. Periodontia. Série EAP/APCD, Artes Médicas - São Paulo, no. 5, 1997, 266p. LOE H, THEILADE E, JENSEN SB.: Experimental Gingivitis in Man; J Periodontol. 1965 May-Jun;36:177-87. BRUNETTI, MC; FERNANDES, MI; BUENO DE MORAES, RG: Fundamentos da Periodontia: Teoria e Prática. Artes Médicas - São Paulo, 2007: 353p.