A separação da alma e do corpo ocorre gradualmente, não de forma abrupta. A alma se desprende lentamente dos laços com o corpo físico à medida que este morre, e o período de separação pode variar de instantâneo a meses, dependendo do grau de materialismo da pessoa. A alma pode sentir dor durante a decomposição do corpo em casos excepcionais.
154 O corpoou a alma sente alguma dor no
momento da morte?
Os sofrimentos que às vezes ocorrem no
momento da morte são uma alegria para o
Espírito, que vê chegar o fim de seu exílio.
☼ Na morte natural, a que acontece pelo
esgotamento dos órgãos em conseqüência da
idade, o homem deixa a vida sem se dar conta
disso: é como um foco de luz que se apaga por
falta de suprimento.
EX: Joanna Darc e Judas
4.
A separação seopera instantaneamente e
por uma transição brusca? Há uma linha de
demarcação nitidamente traçada entre a
vida e a morte?
– Não; a alma se desprende gradualmente e
não escapa como um pássaro cativo
subitamente libertado.
Esses dois estados se tocam e se confundem
de maneira que o Espírito se desprende pouco
a pouco dos laços que o retinham no corpo
físico: eles se desatam, não se quebram.
6.
☼ Durante avida, o Espírito se encontra preso
ao corpo por seu envoltório semimaterial ou
perispírito. A morte é apenas a destruição do
corpo e não do perispírito, que se separa do
corpo quando nele cessa a vida orgânica.
A observação demonstra que, no instante da
morte, o desprendimento do perispírito não se
completa subitamente; opera-se gradualmente
e com uma lentidão muito variável, conforme
os indivíduos.
Para uns é bastante rápido e pode-se dizer
que o momento da morte é ao mesmo instante
o da libertação, quase imediata.
8.
Mas, para outros,aqueles cuja vida foi
extremamente material e sensual, o
desprendimento é mais demorado e dura
algumas vezes dias, semanas e até mesmo
meses.
É racional conceber, de fato, que quanto mais
o Espírito se identifica com a matéria, mais
sofre ao se separar dela. Por outro lado, a
atividade intelectual e moral, a elevação de
pensamentos, operam um início do
desprendimento mesmo durante a vida do
corpo, de tal forma que, quando a morte chega,
o desprendimento é quase instantâneo.
10.
Essas observações aindaprovaram que a
afinidade que em alguns indivíduos
persiste entre a alma e o corpo é,
algumas vezes, muito dolorosa, visto que
o Espírito pode sentir o horror da
decomposição.
Esse caso é excepcional e particular para
certos gêneros de vida e certos gêneros
de morte; verifica-se entre alguns
suicidas.
12.
156 A separaçãodefinitiva da alma do corpo
pode ocorrer antes da completa cessação
da vida orgânica?
– Na agonia, a alma, algumas vezes, já deixou
o corpo. Nada mais resta nele do que a vida
orgânica. O homem não tem mais consciência
de si mesmo e, entretanto, ainda há nele um
sopro de vida orgânica.
O corpo é uma máquina que o coração faz
mover.
14.
158 O exemploda lagarta, que inicialmente
rasteja na terra, depois se fecha na sua
crisálida numa morte aparente para
renascer em uma existência brilhante, pode
nos dar uma idéia da vida terrestre, da vida
espiritual e, enfim, de nossa nova
existência?
– Uma idéia imperfeita, mas a imagem é boa.
Não deverá, entretanto, ser tomada ao pé da
letra, como muitas vezes fazeis.
16.
159 Que sensaçãoexperimenta a alma
no momento em que reconhece estar
no mundo dos Espíritos?
– Isso depende. Se fizestes o mal com o
desejo de fazê-lo, vos envergonhareis de
tê-lo feito, num primeiro momento.
Para o justo, é bem diferente: é como o
alívio de um grande peso, porque não
teme nenhum olhar indagador.
18.
160 O Espíritoencontra imediatamente
aqueles que conheceu na Terra e que
desencarnaram antes dele?
Sim, de acordo com a afeição que havia entre
eles, muitas vezes vêm recebê-lo na volta ao
mundo dos Espíritos e o ajudam a se
desprender das faixas da matéria.
Assim como reencontra também muitos que
havia perdido de vista durante sua
permanência na Terra.
Vê os que estão na erraticidade, como
também vai visitar os que estão encarnados.