Inicialmente apenas uma atitude, um estado de
espírito, o Romantismo toma mais tarde a
forma de um movimento e o espírito romântico
passa a designar toda uma visão de mundo
centrada no indivíduo. Os autores românticos
voltaram-se cada vez mais para si mesmos,
retratando o drama humano, amores trágicos,
ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o
século XVIII foi marcado pela objetividade,
pelo Iluminismo e pela razão, o início do século
XIX seria marcado pelo lirismo, pela
subjetividade, pela emoção e pelo eu.
Bierstadt: Entre as montanhas da Sierra Nevada.
Smithsonian American Art Museum
Alexey Bogolyubov: Naufrágio, 1850
Delacroix: A Liberdade guiando o povo, 1830. Museu do Louvre
Philipp Runge: O descanso na fuga para o Egito, 1805-1806. Kunsthalle
John Trumbull: A morte do general Warren na batalha de Bunker Hill
Thomas Cole: Série A viagem da vida: Maturidade, 1840.
Munson-Williams-Proctor Arts Institute
Girodet-Trioson: Ossian recebendo os fantasmas dos heróis franceses.
Musée National de Malmaison
Arnold Böcklin: Ilha dos mortos V, 1886. Museum der bildenden Künste
Théodore Géricault: A balsa da Medusa, 1818-1819. Louvre
Caspar David Friedrich: O peregrino sobre o mar de névoa, 1818. Kunsthalle
Leonardo Alenza: O suicídio
INDEPENDÊNCIA OU MORTE" ou "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo
(óleo sobre tela, 1888) – Museu Paulista
Victor Meirelles: A primeira Missa no Brasil, 1861.
Museu Nacional de Belas Artes
Rodolfo Amoedo: O último Tamoio, 1883. Museu Nacional de Belas Artes
José Maria de Medeiros: Iracema, 1881. Museu Nacional de Belas Artes
Pedro Américo: Tiradentes Esquartejado, 1893, Museu Mariano Procópio
O Romantismo surgiu na Europa numa
época em que o ambiente intelectual era
de grande rebeldia. Na política, caíam os
sistemas de governo despóticos e surgia
o liberalismo político (não confundir com
o liberalismo econômico do Século XX).
No campo social imperava o
inconformismo. No campo artístico, o
repúdio às regras. A Revolução Francesa
é o clímax desse século de oposição.
Se o século XVIII foi marcado pela
objetividade, pelo Iluminismo e
pela razão, o início do século XIX
seria marcado pelo lirismo, pela
subjetividade, pela emoção e
pelo eu.
No Brasil, o romantismo
coincidiu com a
Independência política do
Brasil em 1822, com o
Primeiro reinado, com a
guerra do Paraguai e com
a campanha abolicionista.
Aqui , o Romantismo encontrou um
processo revolucionário em
curso : a Independência de 1822
lançou ao país um novo desafio:
afirmar-se como nação .
Isto queria dizer construir uma
identidade própria.
Esta foi a principal tarefa dos
nossos românticos .
Três fundamentos do estilo romântico : o egocentrismo ,
o nacionalismo e liberdade de expressão .
 O egocentrismo : também chamado de subjetivismo , ou individualismo .
Evidencia a tendência romântica à pessoalidade e ao desligamento da
sociedade . O artista volta-se para dentro de si mesmo , colocando-se como
centro do universo poético . A primeira pessoa ("eu") ganha relevância nos
poemas .
 O nacionalismo : corresponde à valorização das particularidades locais .
Opondo-se ao registro de ambiente árcade , que se pautava pela mesmice ,
vendo pastoralismo em todos os lugares , o Romantismo propõe um destaque
da chamada "cor local", isto é , o conjunto de aspectos particulares de cada
região . Esses aspectos envolvem componentes geográficos , históricos e
culturais . Assim , a cultura popular ganha considerável espaço nas
discussões intelectuais de elite .
 A liberdade de expressão : é um dos pontos mais importantes da escola
romântica . "Nem regra , nem modelos "- afirma Victor Hugo , um dos mais
destacados românticos franceses . Pretendendo explorar as dimensões
variadas de seu próprio "eu", o artista se recusa a adaptar a expressão de suas
emoções a um conjunto de regras pré-estabelecido . Da mesma forma , afasta-
se de modelos artísticos consagrados , optando por uma busca incessante da
originalidade .
 Subjetivismo - A pessoalidade do autor está em destaque.
A poesia e a prosa romântica apresentam uma visão
particular da sociedade, de seus costumes e da vida como
um todo.
 Sentimentalismo - Os sentimentos dos personagens entram
em foco. O autor passa a usar a literatura como forma de
explorar sentimentos comuns à sociedade, como: o amor, a
cólera, a paixão etc. O sentimentalismo geralmente implica
na exploração da temática amorosa e nos dramas de amor.
 Nacionalismo, ufanismo - Surge a necessidade de criar uma
cultura genuinamente brasileira. Como uma forma de
publicidade do Brasil, os autores brasileiros procuravam
expressar uma opinião, um gosto, uma cultura e um jeito
autênticos, livres de traços europeus.
 Maior liberdade formal - As produções literárias estavam
livres para assumir a forma que quisessem, ou seja, entrava
em evidência a expressão em detrimento da estrutura
formal (versificação, rima etc).
 Vocabulário mais brasileiro - Como um meio de criar
uma cultura brasileira original os artistas buscavam
inspiração nas raízes pré-coloniais utilizando-se de
vocábulos indígenas e regionalismos brasileiros para
criar uma língua que tivesse a cara do Brasil.
 Religiosidade - A produção literária romântica, utiliza-
se não só da fé católica como um meio de mostrar
recato e austeridade, mas utiliza-se também da
espiritualidade, expressando uma presença divina no
ambiente natural.
 Mal do Século - Essa geração, também conhecida como
Byroniana e Ultrarromantismo, recebeu a denominação
de mal do século pela sua característica de abordar
temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a
escuridão.
 Indianismo - O autor romântico utilizava-se da figura
do índio como inspiração para seu trabalho,
depositando em sua imagem a confiança num símbolo
de patriotismo e brasilidade, adotando o indígena
como a figura do herói nacional (bom selvagem).
 A idealização da realidade - A análise dos fatos, das aparências,
dos costumes etc era muito superficial e pessoal, por isso era
idealizada, imaginada, assim o sonho e o desejo invadiam o
mundo real criando uma descrição romântica e mascarada dos
fatos.
 Escapismo/Evasão - Os artistas românticos procuravam fugir da
opressão capitalista gerada pela revolução burguesa (revolução
industrial). Apesar de criticarem a burguesia, os artistas tinham
que ser sutis pois os burgueses eram os mecenas de sua literatura
e por isso procuravam escapar da realidade através da
idealização. As formas de escape seriam as seguinte: Fuga no
tempo, Fuga no sonho e na imaginação, Fuga na loucura , Fuga no
espaço e Fuga na morte.
 O culto à natureza - Com a busca de um passado indígena e de
uma cultura naturalmente brasileira surge o culto ao natural, aos
elementos da natureza, tão cultuados pelos índios. Passava-se a
observar o ambiente natural como algo divino e puro.
 A idealização da Mulher (figura feminina)- a mulher era a fonte
de toda a inspiração. Era intocável, vista como um anjo em que
jamais poderiam desfrutar de suas caracteristicas puras e
angelicais.
No Brasil, a poesia romântica é marcada, num primeiro
momento, pelo teor patriótico, de afirmação nacional,
de compreensão do que era ser brasileiro, ou pela
expressão do eu, isto é, pela expressão dos sentimentos
mais íntimos, dos desejos mais pessoais.
Marco inicial: a obra de Gonçalves de Magalhães,
"Suspiros Poéticos e Saudades".
Apesar de servir como marco de início do romantismo no
Brasil, a obra "Suspiros Poéticos e Saudades" (daí, a
temática do saudosismo)não apresenta grande
notoriedade ou importância no cenário artístico poético
do romantismo brasileiro assim como as outras obras
de Gonçalves de Magalhães.
 Influência direta da Independência do
Brasil (1822)
 Nacionalismo, ufanismo
 Exaltação à natureza e à pátria
 O Índio como grande herói nacional
 Sentimentalismo
 Principais poetas Gonçalves de Magalhães
 Gonçalves Dias
Adeus à pátria por Gonçalves de Magalhães
 Primeira estrofe do poema publicado em
Suspiros Poéticos e Saudades.
Adeus, oh Pátria amada,
Terra saudosa, onde eu abri meus olhos
Pela vez prima ao sol americano;
Onde nos braços maternais suspenso,
O teu amor co'a vida
No albor dos anos meus fruí gostoso.
(...)
 O dia 7 de setembro, em Paris por Gonçalves de Magalhães
 Primeira estrofe do poema publicado em
Suspiros Poéticos e Saudades.
Longe do belo céu da Pátria minha,
Que a mente me acendia,
Em tempo mais feliz, em qu'eu cantava
Das palmeiras à sombra os pátrios feitos;
Sem mais ouvir o vago som dos bosques,
Nem o bramido fúnebre das ondas,
Que n'alma me excitavam
Altos, sublimes turbilhões de idéias;
Com que cântico novo
O Dia saudarei da Liberdade?
(...)
Canção do exílio é o poema de Gonçalves Dias que abre o livro contos literários
e marca a obra do autor como um dos mais conhecidos poemas da língua
portuguesa no Brasil. Foi escrita em julho de 1843, em Coimbra, Portugal.
A música do Hino Nacional do Brasil foi composta em 1822, por
Francisco Manuel da Silva, chamada inicialmente de "Marcha
Triunfal" para comemorar a Independência do país. Essa música
tornou-se bastante popular durante os anos seguintes, e recebeu
duas letras. A primeira letra, produzida quando Dom Pedro I
abdicou do trono, foi de autoria de Ovídio Saraiva de Carvalho e
Silva, sendo cantada pela primeira vez, juntamente com a
execução do hino, no cais do Largo do Paço (ex-Cais Pharoux,
atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro), a 13 de abril de
1831, em desacato ao ex-imperador que embarcava para
Portugal. “A letra dizia o seguinte:
Os bronzes da tirania
Já no Brasil não rouquejam;
Os monstros que o escravizavam
Já entre nós não vicejam.”
Somente em 1906 foi realizado um novo concurso para a escolha da melhor letra que se
adaptasse ao hino, e o poema declarado vencedor foi o de
Joaquim Osório Duque Estrada, em 1909.
(...)
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores". (*)
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
(...)
 O poema épico escrito entre 1848 e 1851, apresenta temática indianista e é dividido
em dez cantos, em versos alexandrinos e decassílabos.
 Ele relata a história de um guerreiro tupi, aprisionado por uma tribo antropófaga
dos Timbiras e que, sacrificando a sua honra ao pedir clemência na hora da morte,
prefere passar por covarde de modo a cuidar do seu pai, velho, doente e cego.
(...)
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
(...)
 Egocentrismo
 Ultrassentimentalismo - Há uma ênfase nos traços românticos. O
sentimentalismo é ainda mais exagerado.
 Byronismo - Atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda
geração romântica e relacionada ao poeta inglês Lord Byron.
Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de
ver o mundo; um estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e
os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo é
egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica.
 Spleen - Termo francês que traduz o tédio, o desencanto, a insatisfação
e a melancolia diante da vida.
 Fuga da realidade, evasão - Através da morte, do sonho, da loucura, do
vinho, etc.
 Satanismo - A referência ao demônio e às forças do mal, as cerimônias
demoníacas proibidas e obscuras. O inferno é visto como
prolongamento das dores e das orgias da Terra.
 A noite, o mistério - Preferência por ambientes fúnebres,
noturnos, misteriosos, apropriados aos rituais satânicos e à
reflexão sobre a morte, depressão e solidão.
 Mulher idealizada, distante - A figura feminina é
freqüentemente um sonho, um anjo, inacessível. O amor não se
concretiza e em alguns momentos o poeta assume o medo de
amar.
 Principais poetas
 Álvares de Azevedo
 Casimiro de Abreu
 Junqueira Freire
 Fagundes Varela
 A característica de sua obra:eside na articulação consciente de um
projeto literário baseado na contradição, talvez a contradição que
ele próprio sentisse, na condição de adolescente.
 Perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a
linguagem romântica, essa contradição é visível nas partes que
formam sua obra principal, Lira dos Vinte Anos. A primeira e a
terceira partes da obra mostram um Álvares adolescente, casto,
sentimental e ingênuo. Já a segunda parte apresenta uma face
irreverente, irônica, macabra e por vezes orgíaca e degradada de
um moço-velho, isto é, um jovem em conflito com a realidade,
tragado pelos vícios e amadurecido precocemente.
 A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem
inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que
expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade,
sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o
vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher...
A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem
inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as
palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga
do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor,
a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez,
a noite, a mulher... Em Lembranças de morrer, está o
melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida:
"Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens
esquecida/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi
poeta, sonhou e amou na vida."
Condoreirismo ou condorismo
é uma parte de uma escola
literária da poesia brasileira,
a terceira fase romântica,
marcada pela temática social
e a defesa de ideias igualitárias.
Características e temas de sua
poesia social:
 Libertação dos escravos
 Defesa da república
Chamado de o poeta dos escravos,
Castro Alves é considerado a
principal expressão condoreira
da poesia brasileira.
Identificando-se com o condor, ave de
voo alto e solitário, com capacidade
de enxergar a grande distância, os
poetas condoreiros supunham ser
eles também dotados dessa
capacidade e, por isso, tinham o
compromisso, como poetas-gênios
iluminados por Deus, de orientar os
homens comuns para os caminhos da
justiça e da liberdade.
A temática social abordada por Castro
Alves, explicitada na denúncia dos
horrores da escravidão e na luta pela
sua abolição, difere por completo
dos tópicos recorrentes na fase do
Ultra-Romantismo ou "Mal do
Século", representados por poemas
que abordam, num universo de
pessimismo e angústia, os seguintes
aspectos: individualismo, solidão,
melancolia, frustração e morte.
NAVIO NEGREIRO – CANTO V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Navios negreiros do século XXI
“Imigrantes ilegais são resgatados no mar Mediterrâneo”.
"O Navio Negreiro" é um poema épico-dramático
que integra a obra Os escravos e, ao lado de
"Vozes d"África", da mesma obra, vem a ser uma
das principais realizações épicas de Castro Alves.
Seu tema é a denúncia da escravização e do
transporte de negros para o Brasil.
Evolução da poesia romântica brasileira, um momento
de maturidade e de transição. Maturidade em relação
a certas atitudes ingênuas das gerações anteriores,
como a idealização amorosa e o nacionalismo
ufanista, às quais Castro Alves dará um tratamento
mais crítico e realista.
(...)
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro
O Rappa
Embora a lírica amorosa de Castro Alves ainda contenha um ou
outro vestígio do amor platônico e da idealização da mulher, de
modo geral ela representa um avanço decisivo na tradição
poética brasileira, por ter abandonado tanto o amor
convencional e abstrato dos clássicos quanto o amor cheio de
medo e culpa dos primeiros românticos.
A poesia amorosa de Castro Alves é caracterizada por:
 Mulher sensual/erotizada
 Paixão tórrida
 Repúdio da morte (a morte é citada em sua poesia, porém ela é
repudiada)
 Melancolia/tédio
Em vez de "virgem pálida", a mulher de boa parte dos poemas de Castro
Alves é um ser corporificado e, mais que isso, participa ativamente do
envolvimento amoroso. E o amor é viável, concreto, capaz de trazer
tanto a felicidade e o prazer quanto a dor.
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
(Adormecida)
(...)
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
E eu sei que vou morrer.. dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
(...)
(Mocidade e Morte, anteriormente O Tísico)
(...)
Ao país do ideal, terra das flores,
Onde a brisa do céu tem mais amores
E a fantasia - lagos mais azuis...
E fui... e fui... ergui-me no infinito,
Lá onde o vôo d’águia não se eleva...
Abaixo - via a terra - abismo em treva!
Acima - o firmamento - abismo em luz!
(...)
(O Vôo do Gênio)
(...)
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio,
Vejo além um futuro radiante:
Avante! - brada-me o talento n ‘alma
E o eco ao longe me repete - avante! -
O futuro... o futuro... no seu seio...
(...)
(Mocidade e Morte)
(...)
A Liberdade - em frente à Escravidão,
Era a luta das águias - e do abutre,
A revolta do pulso - contra os ferros.
O pugilato da razão - contra os erros
O duelo da treva - e do clarão!...
(...)
(Ode ao Dous de Julho)
Observe a frequência das antíteses.
Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n ‘alma
É germe - que faz a palma.
É chuva -que faz o mar
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse rei dos ventos
Ginete dos pensamentos
Arauto da grande luz!...
(O Livro e a América)
Castro Alves, típico representante da burguesia liberal progressista, vê com
entusiasmo a chegada da locomotiva, da instrução, do livro.
Aqui, o “povo no poder”:
A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor;
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor
Senhor!... pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua de seu...
Ninguém vos rouba os castelos,
Tendes palácios tão belos...
Deixai a terra ao Anteu.
(O Povo no Poder)
Observe neste texto as alusões ao condor.
Este último poema é dos mais típicos de Castro Alves e
inspirou música de carnaval de Caetano Veloso e uma
paródia irônica de Carlos Drummond de Andrade:
“A PRAÇA! A PRAÇA É DO POVO!”
Não, meu valente Castro Alves, engano seu.
A praça é dos automóveis. Com parquímetro.
(Carlos Drummond de Andrade)
O Último Romântico Lulu Santos
Compositor: Lulu Santos, Antonio Cícero E S. Souza
Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único
Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a zona norte à zona sul
Iluminar a vida já que a morte cai do azul
Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar
Me dá um beijo, então
Aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então melhor não ter razão
ROMANTISMO EM TEXTOS E IMAGENS
PROFESSOR CACAU

Romantismo em textos e imagens

  • 2.
    Inicialmente apenas umaatitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
  • 3.
    Bierstadt: Entre asmontanhas da Sierra Nevada. Smithsonian American Art Museum
  • 4.
  • 5.
    Delacroix: A Liberdadeguiando o povo, 1830. Museu do Louvre
  • 6.
    Philipp Runge: Odescanso na fuga para o Egito, 1805-1806. Kunsthalle
  • 7.
    John Trumbull: Amorte do general Warren na batalha de Bunker Hill
  • 8.
    Thomas Cole: SérieA viagem da vida: Maturidade, 1840. Munson-Williams-Proctor Arts Institute
  • 9.
    Girodet-Trioson: Ossian recebendoos fantasmas dos heróis franceses. Musée National de Malmaison
  • 10.
    Arnold Böcklin: Ilhados mortos V, 1886. Museum der bildenden Künste
  • 11.
    Théodore Géricault: Abalsa da Medusa, 1818-1819. Louvre
  • 12.
    Caspar David Friedrich:O peregrino sobre o mar de névoa, 1818. Kunsthalle
  • 13.
  • 14.
    INDEPENDÊNCIA OU MORTE"ou "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888) – Museu Paulista
  • 15.
    Victor Meirelles: Aprimeira Missa no Brasil, 1861. Museu Nacional de Belas Artes
  • 16.
    Rodolfo Amoedo: Oúltimo Tamoio, 1883. Museu Nacional de Belas Artes
  • 17.
    José Maria deMedeiros: Iracema, 1881. Museu Nacional de Belas Artes
  • 18.
    Pedro Américo: TiradentesEsquartejado, 1893, Museu Mariano Procópio
  • 19.
    O Romantismo surgiuna Europa numa época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam os sistemas de governo despóticos e surgia o liberalismo político (não confundir com o liberalismo econômico do Século XX). No campo social imperava o inconformismo. No campo artístico, o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição.
  • 20.
    Se o séculoXVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
  • 21.
    No Brasil, oromantismo coincidiu com a Independência política do Brasil em 1822, com o Primeiro reinado, com a guerra do Paraguai e com a campanha abolicionista.
  • 22.
    Aqui , oRomantismo encontrou um processo revolucionário em curso : a Independência de 1822 lançou ao país um novo desafio: afirmar-se como nação . Isto queria dizer construir uma identidade própria. Esta foi a principal tarefa dos nossos românticos .
  • 23.
    Três fundamentos doestilo romântico : o egocentrismo , o nacionalismo e liberdade de expressão .  O egocentrismo : também chamado de subjetivismo , ou individualismo . Evidencia a tendência romântica à pessoalidade e ao desligamento da sociedade . O artista volta-se para dentro de si mesmo , colocando-se como centro do universo poético . A primeira pessoa ("eu") ganha relevância nos poemas .  O nacionalismo : corresponde à valorização das particularidades locais . Opondo-se ao registro de ambiente árcade , que se pautava pela mesmice , vendo pastoralismo em todos os lugares , o Romantismo propõe um destaque da chamada "cor local", isto é , o conjunto de aspectos particulares de cada região . Esses aspectos envolvem componentes geográficos , históricos e culturais . Assim , a cultura popular ganha considerável espaço nas discussões intelectuais de elite .  A liberdade de expressão : é um dos pontos mais importantes da escola romântica . "Nem regra , nem modelos "- afirma Victor Hugo , um dos mais destacados românticos franceses . Pretendendo explorar as dimensões variadas de seu próprio "eu", o artista se recusa a adaptar a expressão de suas emoções a um conjunto de regras pré-estabelecido . Da mesma forma , afasta- se de modelos artísticos consagrados , optando por uma busca incessante da originalidade .
  • 24.
     Subjetivismo -A pessoalidade do autor está em destaque. A poesia e a prosa romântica apresentam uma visão particular da sociedade, de seus costumes e da vida como um todo.  Sentimentalismo - Os sentimentos dos personagens entram em foco. O autor passa a usar a literatura como forma de explorar sentimentos comuns à sociedade, como: o amor, a cólera, a paixão etc. O sentimentalismo geralmente implica na exploração da temática amorosa e nos dramas de amor.  Nacionalismo, ufanismo - Surge a necessidade de criar uma cultura genuinamente brasileira. Como uma forma de publicidade do Brasil, os autores brasileiros procuravam expressar uma opinião, um gosto, uma cultura e um jeito autênticos, livres de traços europeus.  Maior liberdade formal - As produções literárias estavam livres para assumir a forma que quisessem, ou seja, entrava em evidência a expressão em detrimento da estrutura formal (versificação, rima etc).
  • 25.
     Vocabulário maisbrasileiro - Como um meio de criar uma cultura brasileira original os artistas buscavam inspiração nas raízes pré-coloniais utilizando-se de vocábulos indígenas e regionalismos brasileiros para criar uma língua que tivesse a cara do Brasil.  Religiosidade - A produção literária romântica, utiliza- se não só da fé católica como um meio de mostrar recato e austeridade, mas utiliza-se também da espiritualidade, expressando uma presença divina no ambiente natural.  Mal do Século - Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultrarromantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.  Indianismo - O autor romântico utilizava-se da figura do índio como inspiração para seu trabalho, depositando em sua imagem a confiança num símbolo de patriotismo e brasilidade, adotando o indígena como a figura do herói nacional (bom selvagem).
  • 26.
     A idealizaçãoda realidade - A análise dos fatos, das aparências, dos costumes etc era muito superficial e pessoal, por isso era idealizada, imaginada, assim o sonho e o desejo invadiam o mundo real criando uma descrição romântica e mascarada dos fatos.  Escapismo/Evasão - Os artistas românticos procuravam fugir da opressão capitalista gerada pela revolução burguesa (revolução industrial). Apesar de criticarem a burguesia, os artistas tinham que ser sutis pois os burgueses eram os mecenas de sua literatura e por isso procuravam escapar da realidade através da idealização. As formas de escape seriam as seguinte: Fuga no tempo, Fuga no sonho e na imaginação, Fuga na loucura , Fuga no espaço e Fuga na morte.  O culto à natureza - Com a busca de um passado indígena e de uma cultura naturalmente brasileira surge o culto ao natural, aos elementos da natureza, tão cultuados pelos índios. Passava-se a observar o ambiente natural como algo divino e puro.  A idealização da Mulher (figura feminina)- a mulher era a fonte de toda a inspiração. Era intocável, vista como um anjo em que jamais poderiam desfrutar de suas caracteristicas puras e angelicais.
  • 27.
    No Brasil, apoesia romântica é marcada, num primeiro momento, pelo teor patriótico, de afirmação nacional, de compreensão do que era ser brasileiro, ou pela expressão do eu, isto é, pela expressão dos sentimentos mais íntimos, dos desejos mais pessoais. Marco inicial: a obra de Gonçalves de Magalhães, "Suspiros Poéticos e Saudades". Apesar de servir como marco de início do romantismo no Brasil, a obra "Suspiros Poéticos e Saudades" (daí, a temática do saudosismo)não apresenta grande notoriedade ou importância no cenário artístico poético do romantismo brasileiro assim como as outras obras de Gonçalves de Magalhães.
  • 28.
     Influência diretada Independência do Brasil (1822)  Nacionalismo, ufanismo  Exaltação à natureza e à pátria  O Índio como grande herói nacional  Sentimentalismo  Principais poetas Gonçalves de Magalhães  Gonçalves Dias
  • 29.
    Adeus à pátriapor Gonçalves de Magalhães  Primeira estrofe do poema publicado em Suspiros Poéticos e Saudades. Adeus, oh Pátria amada, Terra saudosa, onde eu abri meus olhos Pela vez prima ao sol americano; Onde nos braços maternais suspenso, O teu amor co'a vida No albor dos anos meus fruí gostoso. (...)
  • 30.
     O dia7 de setembro, em Paris por Gonçalves de Magalhães  Primeira estrofe do poema publicado em Suspiros Poéticos e Saudades. Longe do belo céu da Pátria minha, Que a mente me acendia, Em tempo mais feliz, em qu'eu cantava Das palmeiras à sombra os pátrios feitos; Sem mais ouvir o vago som dos bosques, Nem o bramido fúnebre das ondas, Que n'alma me excitavam Altos, sublimes turbilhões de idéias; Com que cântico novo O Dia saudarei da Liberdade? (...)
  • 31.
    Canção do exílioé o poema de Gonçalves Dias que abre o livro contos literários e marca a obra do autor como um dos mais conhecidos poemas da língua portuguesa no Brasil. Foi escrita em julho de 1843, em Coimbra, Portugal.
  • 32.
    A música doHino Nacional do Brasil foi composta em 1822, por Francisco Manuel da Silva, chamada inicialmente de "Marcha Triunfal" para comemorar a Independência do país. Essa música tornou-se bastante popular durante os anos seguintes, e recebeu duas letras. A primeira letra, produzida quando Dom Pedro I abdicou do trono, foi de autoria de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, sendo cantada pela primeira vez, juntamente com a execução do hino, no cais do Largo do Paço (ex-Cais Pharoux, atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro), a 13 de abril de 1831, em desacato ao ex-imperador que embarcava para Portugal. “A letra dizia o seguinte: Os bronzes da tirania Já no Brasil não rouquejam; Os monstros que o escravizavam Já entre nós não vicejam.”
  • 33.
    Somente em 1906foi realizado um novo concurso para a escolha da melhor letra que se adaptasse ao hino, e o poema declarado vencedor foi o de Joaquim Osório Duque Estrada, em 1909. (...) Do que a terra mais garrida Teus risonhos, lindos campos têm mais flores, "Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores". (*) Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! (...)
  • 34.
     O poemaépico escrito entre 1848 e 1851, apresenta temática indianista e é dividido em dez cantos, em versos alexandrinos e decassílabos.  Ele relata a história de um guerreiro tupi, aprisionado por uma tribo antropófaga dos Timbiras e que, sacrificando a sua honra ao pedir clemência na hora da morte, prefere passar por covarde de modo a cuidar do seu pai, velho, doente e cego. (...) Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi. (...)
  • 35.
     Egocentrismo  Ultrassentimentalismo- Há uma ênfase nos traços românticos. O sentimentalismo é ainda mais exagerado.  Byronismo - Atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda geração romântica e relacionada ao poeta inglês Lord Byron. Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de ver o mundo; um estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo é egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica.  Spleen - Termo francês que traduz o tédio, o desencanto, a insatisfação e a melancolia diante da vida.  Fuga da realidade, evasão - Através da morte, do sonho, da loucura, do vinho, etc.  Satanismo - A referência ao demônio e às forças do mal, as cerimônias demoníacas proibidas e obscuras. O inferno é visto como prolongamento das dores e das orgias da Terra.
  • 36.
     A noite,o mistério - Preferência por ambientes fúnebres, noturnos, misteriosos, apropriados aos rituais satânicos e à reflexão sobre a morte, depressão e solidão.  Mulher idealizada, distante - A figura feminina é freqüentemente um sonho, um anjo, inacessível. O amor não se concretiza e em alguns momentos o poeta assume o medo de amar.  Principais poetas  Álvares de Azevedo  Casimiro de Abreu  Junqueira Freire  Fagundes Varela
  • 37.
     A característicade sua obra:eside na articulação consciente de um projeto literário baseado na contradição, talvez a contradição que ele próprio sentisse, na condição de adolescente.  Perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a linguagem romântica, essa contradição é visível nas partes que formam sua obra principal, Lira dos Vinte Anos. A primeira e a terceira partes da obra mostram um Álvares adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Já a segunda parte apresenta uma face irreverente, irônica, macabra e por vezes orgíaca e degradada de um moço-velho, isto é, um jovem em conflito com a realidade, tragado pelos vícios e amadurecido precocemente.  A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher...
  • 38.
    A obra deÁlvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em Lembranças de morrer, está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida: "Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida."
  • 40.
    Condoreirismo ou condorismo éuma parte de uma escola literária da poesia brasileira, a terceira fase romântica, marcada pela temática social e a defesa de ideias igualitárias.
  • 41.
    Características e temasde sua poesia social:  Libertação dos escravos  Defesa da república Chamado de o poeta dos escravos, Castro Alves é considerado a principal expressão condoreira da poesia brasileira.
  • 42.
    Identificando-se com ocondor, ave de voo alto e solitário, com capacidade de enxergar a grande distância, os poetas condoreiros supunham ser eles também dotados dessa capacidade e, por isso, tinham o compromisso, como poetas-gênios iluminados por Deus, de orientar os homens comuns para os caminhos da justiça e da liberdade.
  • 47.
    A temática socialabordada por Castro Alves, explicitada na denúncia dos horrores da escravidão e na luta pela sua abolição, difere por completo dos tópicos recorrentes na fase do Ultra-Romantismo ou "Mal do Século", representados por poemas que abordam, num universo de pessimismo e angústia, os seguintes aspectos: individualismo, solidão, melancolia, frustração e morte.
  • 48.
    NAVIO NEGREIRO –CANTO V Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! Navios negreiros do século XXI “Imigrantes ilegais são resgatados no mar Mediterrâneo”.
  • 49.
    "O Navio Negreiro"é um poema épico-dramático que integra a obra Os escravos e, ao lado de "Vozes d"África", da mesma obra, vem a ser uma das principais realizações épicas de Castro Alves. Seu tema é a denúncia da escravização e do transporte de negros para o Brasil. Evolução da poesia romântica brasileira, um momento de maturidade e de transição. Maturidade em relação a certas atitudes ingênuas das gerações anteriores, como a idealização amorosa e o nacionalismo ufanista, às quais Castro Alves dará um tratamento mais crítico e realista.
  • 50.
    (...) É mole dever Que em qualquer dura O tempo passa mais lento pro negão Quem segurava com força a chibata Agora usa farda Engatilha a macaca Escolhe sempre o primeiro Negro pra passar na revista Pra passar na revista Todo camburão tem um pouco de navio negreiro Todo camburão tem um pouco de navio negreiro Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro O Rappa
  • 51.
    Embora a líricaamorosa de Castro Alves ainda contenha um ou outro vestígio do amor platônico e da idealização da mulher, de modo geral ela representa um avanço decisivo na tradição poética brasileira, por ter abandonado tanto o amor convencional e abstrato dos clássicos quanto o amor cheio de medo e culpa dos primeiros românticos. A poesia amorosa de Castro Alves é caracterizada por:  Mulher sensual/erotizada  Paixão tórrida  Repúdio da morte (a morte é citada em sua poesia, porém ela é repudiada)  Melancolia/tédio Em vez de "virgem pálida", a mulher de boa parte dos poemas de Castro Alves é um ser corporificado e, mais que isso, participa ativamente do envolvimento amoroso. E o amor é viável, concreto, capaz de trazer tanto a felicidade e o prazer quanto a dor.
  • 52.
    Uma noite, eume lembro... Ela dormia Numa rede encostada molemente... Quase aberto o roupão... solto o cabelo E o pé descalço do tapete rente. (Adormecida)
  • 53.
    (...) Morrer... quando estemundo é um paraíso, E a alma um cisne de douradas plumas: E eu sei que vou morrer.. dentro em meu peito Um mal terrível me devora a vida: Triste Ahasverus, que no fim da estrada, Só tem por braços uma cruz erguida. (...) (Mocidade e Morte, anteriormente O Tísico)
  • 54.
    (...) Ao país doideal, terra das flores, Onde a brisa do céu tem mais amores E a fantasia - lagos mais azuis... E fui... e fui... ergui-me no infinito, Lá onde o vôo d’águia não se eleva... Abaixo - via a terra - abismo em treva! Acima - o firmamento - abismo em luz! (...) (O Vôo do Gênio)
  • 55.
    (...) Eu sinto emmim o borbulhar do gênio, Vejo além um futuro radiante: Avante! - brada-me o talento n ‘alma E o eco ao longe me repete - avante! - O futuro... o futuro... no seu seio... (...) (Mocidade e Morte)
  • 56.
    (...) A Liberdade -em frente à Escravidão, Era a luta das águias - e do abutre, A revolta do pulso - contra os ferros. O pugilato da razão - contra os erros O duelo da treva - e do clarão!... (...) (Ode ao Dous de Julho) Observe a frequência das antíteses.
  • 57.
    Oh! Bendito oque semeia Livros, livros à mão-cheia... E manda o povo pensar! O livro caindo n ‘alma É germe - que faz a palma. É chuva -que faz o mar Agora que o trem de ferro Acorda o tigre no cerro E espanta os caboclos nus, Fazei desse rei dos ventos Ginete dos pensamentos Arauto da grande luz!... (O Livro e a América) Castro Alves, típico representante da burguesia liberal progressista, vê com entusiasmo a chegada da locomotiva, da instrução, do livro.
  • 58.
    Aqui, o “povono poder”: A praça! A praça é do povo Como o céu é do condor; É o antro onde a liberdade Cria águias em seu calor Senhor!... pois quereis a praça? Desgraçada a populaça Só tem a rua de seu... Ninguém vos rouba os castelos, Tendes palácios tão belos... Deixai a terra ao Anteu. (O Povo no Poder)
  • 59.
    Observe neste textoas alusões ao condor. Este último poema é dos mais típicos de Castro Alves e inspirou música de carnaval de Caetano Veloso e uma paródia irônica de Carlos Drummond de Andrade: “A PRAÇA! A PRAÇA É DO POVO!” Não, meu valente Castro Alves, engano seu. A praça é dos automóveis. Com parquímetro. (Carlos Drummond de Andrade)
  • 60.
    O Último RomânticoLulu Santos Compositor: Lulu Santos, Antonio Cícero E S. Souza Faltava abandonar a velha escola Tomar o mundo feito coca-cola Fazer da minha vida sempre o meu passeio público E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único Talvez eu seja o último romântico Dos litorais desse Oceano Atlântico Só falta reunir a zona norte à zona sul Iluminar a vida já que a morte cai do azul Só falta te querer Te ganhar e te perder Falta eu acordar Ser gente grande pra poder chorar
  • 61.
    Me dá umbeijo, então Aperta minha mão Tolice é viver a vida assim sem aventura Deixa ser Pelo coração Se é loucura então melhor não ter razão ROMANTISMO EM TEXTOS E IMAGENS PROFESSOR CACAU

Notas do Editor