1
Introdução
Revolução Francesa foi um período de intensa agitação política e social na França,
que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente
europeu.
2
Conceitos Básicos
A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em
colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando
privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sob um ataque sustentado de grupos
políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país.
Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja
Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité,
Fraternité (em português:liberdade, igualdade e fraternidade).
As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um
movimento contrário que até 1814 tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas
importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os
partidáriose inimigos da revolução, quelutarampoliticamenteao longo dos próximos dois séculos.
Em meio a uma crise fiscal, o povo francês estava cada vez mais irritado com a
incompetência do rei Luís XVI e com a indiferença contínua e a decadência da aristocracia do país.
Esseressentimento, aliadoaos cada vezmais popularesideais iluministas, alimentaramsentimentos
radicais e a revolução começou em 1789, com a convocação dos Estados Gerais em maio.
O primeiro ano da revolução foi marcado pela proclamação, por membros do
Terceiro Estado, do Juramento do Jogo da Péla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho, pela
aprovaçãoda DeclaraçãodosDireitos do Homem e do Cidadão em agosto e por uma épica marcha
sobre Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Parisem outubro.
Os anos seguintes foram dominados por lutas entre várias assembleias liberais e
de direita feitas por apoiantes da monarquia no sentido de travar grandes reformas no país.
ANTECEDENTES
A França tomada pelo Antigo Regime era um grande edifício construído por
cinquenta gerações, por mais de quinhentos anos. As suasfundaçõesmais antigase mais profundas
eram obras da Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos.
A sociedade francesa do século XVIII mantinha a divisão em três Ordens ou
Estados típica do Antigo Regime – Clero ou Primeiro Estado, Nobreza ou Segundo Estado, e
Povo ou Terceiro Estado – cada qual regendo-se por leis próprias (privilégios), com um Rei
absoluto (ou seja, um Rei que detinha um poder supremo independente) no topo da hierarquia dos
Estados.
O Rei fora antes de tudo o obreiro da unidade nacional através do seu poder
independente das Ordens, significando que era ele quem tinha a última palavra sobre a justiça, a
3
economia, a diplomacia, a paz e a guerra, e quem se lhe opusesse teria como destino a prisão
da Bastilha.
A França sofrera uma evolução assinalávelnos últimos anos: não havia censura, a
tortura fora proibida em 1788, e a representação do Terceiro Estado nosEstados Gerais acabava
de ser duplicada para contrariar a Nobreza e o Clero que não queriam uma reforma dos impostos.
Em 14 de julho de 1789, quando a Bastilha foi tomada pelos revolucionários, albergava oito
prisioneiros.
Com a exceção da nobreza rural, a riqueza das restantes classes sociais na França
tinha crescidoimensamentenas últimasdécadas. O crescimentoda indústria era notável. No Norte
e no Centro, havia uma metalurgia moderna (Le Cresot data de 1781); em Lyon havia sedas; em
Rouen e em Mulhouse havia algodão; na Lorraine havia o ferro e o sal; havia lanifícios em Castres,
Sedan, Abbeville e Elbeuf; em Marselha havia sabão; em Paris havia mobiliário, tanoaria e as
indústrias de luxo, etc.
CAUSAS
As causas da revolução francesa são remotas e imediatas. Entre as do primeiro
grupo, há de considerar que a França passava por um período de crise financeira. A participação
francesa na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, a participação (e derrota)
na Guerra dos Sete Anos, os elevados custos da Corte de Luís XVI, tinham deixado as finanças do
país em mau estado.
Os votos eram atribuídos por ordem (1- clero, 2- nobreza, 3- Terceiro Estado) e
não por cabeça. Havia grandes injustiças entre as antigasordens e ficava sempre o Terceiro Estado
prejudicado com a aprovação das leis.
Os chamados Privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem
sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das
sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI.
O Rei Luís XVI acaba por convidar o Conde Turgot para gerir os destinos do país
como ministro e implementar profundas reformas sociais e econômicas.
SOCIAIS
A sociedade francesa da segunda metade do século XVIII possuía dois grupos
muito privilegiados:
Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da
população francesa, era identificado com a nobreza e negava reformas, e pelo Baixo Clero,
identificado com o povo, e que as reclamava;
4
A Nobreza, ou Segundo Estado, composta por uma camada palaciana ou cortesã,
que sobrevivia à custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas
dos feudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, em que alguns juízes e altos funcionários
burgueses adquiriramos seustítulose cargos, transmissíveisaosherdeiros. Aproximava-sede 1,5%
dos habitantes.
Esses dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado,
constituído por burgueses, camponeses sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea
composta por artesãos, aprendizese proletários, que tinham estenome graçasàs calçassimples que
usavam, diferentes dos tecidos caros utilizados pelos nobres.
Os impostos e contribuições para o Estado, o clero e a nobreza incidiam sobre o
Terceiro Estado, uma vez que os dois últimos não só tinham isenção tributária como ainda
usufruíam do tesouro real por meio de pensões e cargos públicos.
ECONÔMICA
A causa mais forte de Revolução foi a econômica, já que as causas sociais, como de
costume, não conseguem ser ouvidas por si sós. Os historiadores sugerem o ano de 1789 como o
inícioda RevoluçãoFrancesa. Masesta, poruma das "ironias" da história, começoudois anos antes,
com uma reação dos notáveis franceses - clérigos e nobres - contra o absolutismo, tendo sido
inspirada em ideias iluministas, e se pretendia reformar e para isso buscava limitar seus
privilégios. Luís XVIconvocou a nobreza e o clero para contribuírem no pagamento de impostos,
na altamente aristocrática Assembleia dos Notáveis (1787).
No meio do caoseconômico e do descontentamentogeral, LuísXVI da França não
conseguiu promover reformas tributárias, impedido pela nobreza e pelo clero, que não "queriam
dar os anéis para salvar os dedos". Não percebendo que seus privilégios dependiam
do Absolutismo, os notáveispediram ajuda à burguesia para lutarcontra o poder real - era a Revolta
da Aristocracia ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos
Estados Gerais para votar o projeto de reformas.
Por sugestão do Ministro dos assuntos econômicos à época, Jacques Necker, o
rei Luís XVI convocou a Assembleia dos Estados Gerais, instituição que não era reunida
desde 1614. Os Estados Gerais reuniram-se em maio de 1789 no Palácio de Versalhes, com o
objetivo de acalmar uma revolução de que já falava a burguesia.
POLÍTICA
Em fevereiro de 1787, o ministro das finanças, Loménie de Brienne, submeteu a
uma Assembleia de Notáveis, escolhidos de entre a nobreza, clero, burguesia e burocracia, um
projeto que incluía o lançamento de um novo imposto sobre a propriedade da nobreza e do clero.
5
Esta Assembleia nãoaprovou o novo imposto, pedindo que o rei Luís XVI convocasseos Estados-
Gerais.
Em 8 de agosto, o rei concordou, convocando os Estados Gerais para maio
de 1789. Fazendo parte dos trabalhos preparatórios da reunião dos Estados Gerais, começaram a
ser escritos os tradicionais cahiers de doléances, onde se registraram as queixas das três ordens.
O Parlamento de Paris proclama então que os Estados Gerais se deveriam reunir
de acordo com as regras observadas na sua última reunião, em 1614. Aproveitando a lembrança,
o Clube dos Trinta começa imediatamente a lançar panfletos defendendo o voto individual
inorgânico - "um homem, um voto" - e a duplicaçãodos representantesdo Terceiro Estado. Várias
reuniões de Assembleias provinciais, como em Grenoble, já o haviam feito. Jacques Necker, de
novo ministro das finanças, manifesta a sua concordância com a duplicação dos representantes do
Terceiro Estado, deixando para as reuniões dos Estados a decisão quanto ao modo de votação –
orgânico (pelas ordens) ou inorgânico (por cabeça). Serão eleitos 291 deputados para a reunião do
Primeiro Estado(Clero), 270 para a do Segundo Estado(Nobreza), e 578 deputados para a reunião
do Terceiro Estado (burguesia e pequenos proprietários).
A REVOLUÇÃO
A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro períodos: a Assembleia
Constituinte, a Assembleia Legislativa, a Convenção e o Diretório.
O período da Assembleia Constituinte decorre de 9 de julho de 1789 a 30 de
setembro de 1791. As primeiras ações dos revolucionários deram-se quando, em 17 de junho, a
reunião do Terceiro Estado se proclamou "Assembleia Nacional" e, pouco depois, "Assembleia
Nacional Constituinte".
Em 12 de julho, começam os motins em Paris, culminando em 14 de julhocom a
tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder real e depósito de armas. Sob proposta de dois
aristocratas, Ovisconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os
privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades,
e os direitos feudais.
Pouco depois, aprovava-se a solene "Declaração dos direitos do Homem e do
Cidadão", contudo a Declaraçãodos Direitosda Mulher e da Cidadã, não foi aprovada pela mesma
Assembleia e a idealizadora, Olympe de Gouges, foi executada. O lema dos revolucionários era
"Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas logo em 14 de junho de 1791, se aprovou a Lei de Le
Chapelier que proibia os sindicatos de trabalhadores e as greves, com penas que podiam ir até à
pena de morte.
6
Em 19 de abril de 1791, o Estado nacionaliza e passa a administrar todos os bens
da Igreja Católica, sendo aprovada em julho a Constituição Civil do Clero, por intermédio da qual
os padres católicos passam a ser funcionários públicos.
A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE
Os deputados dos três estados eram unânimes em um ponto: desejavam limitar o
poder real, à semelhança do que se passava na vizinha Inglaterra e que igualmente tinha sido
assegurado pelos norte-americanos nas suas constituições. No dia 5 de maio, o rei mandou abrir a
sessão inaugural dos Estados Gerais e, em seu discurso, advertiu que não se deveria tratar de
política, isto é, da limitação do poder real, mas apenas da reorganização financeira do reino e do
sistema tributário.
O clero e a nobreza tentaram diversas manobras para conter o ímpeto reformista
do Terceiro Estado, cujos representantes comparecem à Assembleia presentando as reclamações
do povo (materializadas nos "Cahiers de Doléances"). Os deputados da nobreza e do clero queriam
que as eleições fossem por estado (clero, um voto; nobreza, um voto; povo, um voto), pois assim,
já que clero e a nobreza comungavam os mesmos interesses, garantiriam seus privilégios.
O terceiro estado queria que a votação fosse individual, por deputado, porque,
contando com votos do baixo clero e da nobreza liberal, conseguiria reformar o sistema tributário
do reino. Ante a impossibilidade de conciliar tais interesses, Luís XVItentou dissolver os Estados
Gerais, impedindo a entrada dos deputados na sala das sessões. Os representantes do Terceiro
Estado rebelaram-se e invadiram a sala do jogo da Pela (espéciede tênis em quadra coberta), em 15
de junho de 1789, e transformaram-se na Assembleia Nacional, jurando só se separar após a
votação de uma constituição para a França (Juramento da Sala do Jogo da Pela). Em 9 de julho de
1789, juntamente com muitos deputados do baixo clero, os Estados Gerais autoproclamaram-se
Assembleia Nacional Constituinte.
A ELABORAÇÃO DE UMA CONSTITUIÇÃO
A Assembleia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era abolido
o regime feudal e senhorial e suprimido o dízimo. Outras leis proibiram a venda de cargos públicos
e a isenção tributária das camadas privilegiadas. E, para dar continuidade ao trabalho, decidiu pela
elaboração de uma Constituição. Na introdução, que seria denominada Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen), os delegados formularam os
ideais da Revolução, sintetizados em três princípios: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade"
(Liberté, Egalité, Fraternité). O nascimento, a tradição e o sangue já não podiam continuar a ser os
únicos critérios utilizados para distinguir socialmente os homens. Na prática, tais critérios foram
substituídos pelo dinheiro e pela propriedade, que, a partir daí, passam a garantir a seus detentores
prestígio social.
7
Pressionado pela opinião pública, Luís XVI deixou Versalhes, estabelecendo-se
no Palácio das Tulherias, em Paris (outubro de 1789). Ali, o monarca era mais acessível às massas
parisienses.
Fervilhavam os clubes: a imprensa tinha papel cada vez maior nos acontecimentos
políticos. Jean-Paul Marat e Hébertescreviam artigos incendiários.
A nobreza conservadora e o alto clero abandonaram a França, refugiando-se nos
países ainda absolutistas, de onde conspiravam contra a revolução. Numa reação contra os
privilégios do clero e buscando recursos para sanar o déficitpúblico, o governo desapropriou os
bens da Igreja, colocou-os à venda e, com o produto, emitiu bônus do tesouro, osassignats, que
valeramcomo papel-moeda, logo depreciado. Aspropriedadesda Igreja passarammajoritariamente
às mãos da burguesia, restando aos camponeses as propriedades menores, que puderam ser
adquiridas mediante facilitações.
Em agosto de 1790, foi votada a Constituição Civil do Clero,
separando Igreja e Estadoe transformando os clérigosem assalariadosdogoverno, a quem deviam
obediência. Determinava também que os bispos e padres de paróquia seriam eleitos por todos os
eleitores, independentementedefiliaçãoreligiosa. O papa opôs-sea isso. Osclérigos deveriamjurar
a nova Constituição. Os que o fizeram ficaram conhecidos como juramentados; os que se
recusaram passaram a ser chamados de refratários e engrossaram o campo do contra revolução.
Procurando frear o movimento popular, a Assembleia Nacional Constituinte,
pela Lei de Le Chapelier, proibiu associações e coalizões profissionais (sindicatos), sob pena de
morte.
No palácio real, conspirava-se abertamente. O rei, a rainha, seus conselheiros, os
embaixadores da Áustria e da Prússiaeram os principais nomes de tal conspiração. A Áustria e a
Prússia, países absolutistas, invadiram a França, que foi derrotada porque oficiais ligados à nobreza
permitiram o malogro do exército francês. Denunciou-se a traição na Assembleia. Em junho
de 1791 a família real tentou fugir para a Áustria. O rei foi descoberto na fronteira, em Varennes,
e obrigado a voltar. A Assembleia Nacional, contudo, acabou por absolver Luís XVI, mantendo
a monarquia. Para justificar essa decisão, alegou que o rei, ao invés de fugir, fora sequestrado. A
Guarda Nacional, comandada por La Fayette, reprimiu violentamente a multidão que queria a
deposição do rei.
8
Conclusão
Depois desta pesquisa chego à conclusão que a Revolução Francesa começou no
século XVIII e iniciou a Era das Revoluções Burguesas, fez parte do movimento revolucionário
global, atlântico e ocidental que começou nos Estados Unidos em 1776 passando por Inglaterra,
Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e termina na França em 1789. Teve repercussão
em outros países, mas retorna a França em 1830 e 1848.
A RevoluçãoFrancesa significouo fim do absolutismoe dos privilégiosda nobreza.
O povo ganhou direitos sociais e passaram a ser respeitados
9
Referências Bibliográficas
 French Revolution.
 Ir para cima↑ Donald Greer, The Incidence of the Terror during the French Revolution: A
Statistical Interpretation (1935).
 Ir para cima↑ BELL, David Avrom. The First Total War: Napoleon's Europeand the birth
of warfare as we know it. New York: Houghton Mifflin Harcourt, 2007. p. 51. ISBN 0-
618-34965-0
 Ir para cima↑ Pierre Gaxotte (da Academia Francesa), La Révolution Française, Paris,
Librairie Arthème Fayard, 1957, pp. 31-54.
 Ir para cima↑ Como Tudo Funciona

Revolução francesa

  • 1.
    1 Introdução Revolução Francesa foium período de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu.
  • 2.
    2 Conceitos Básicos A monarquiaabsolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sob um ataque sustentado de grupos políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português:liberdade, igualdade e fraternidade). As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que até 1814 tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os partidáriose inimigos da revolução, quelutarampoliticamenteao longo dos próximos dois séculos. Em meio a uma crise fiscal, o povo francês estava cada vez mais irritado com a incompetência do rei Luís XVI e com a indiferença contínua e a decadência da aristocracia do país. Esseressentimento, aliadoaos cada vezmais popularesideais iluministas, alimentaramsentimentos radicais e a revolução começou em 1789, com a convocação dos Estados Gerais em maio. O primeiro ano da revolução foi marcado pela proclamação, por membros do Terceiro Estado, do Juramento do Jogo da Péla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho, pela aprovaçãoda DeclaraçãodosDireitos do Homem e do Cidadão em agosto e por uma épica marcha sobre Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Parisem outubro. Os anos seguintes foram dominados por lutas entre várias assembleias liberais e de direita feitas por apoiantes da monarquia no sentido de travar grandes reformas no país. ANTECEDENTES A França tomada pelo Antigo Regime era um grande edifício construído por cinquenta gerações, por mais de quinhentos anos. As suasfundaçõesmais antigase mais profundas eram obras da Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos. A sociedade francesa do século XVIII mantinha a divisão em três Ordens ou Estados típica do Antigo Regime – Clero ou Primeiro Estado, Nobreza ou Segundo Estado, e Povo ou Terceiro Estado – cada qual regendo-se por leis próprias (privilégios), com um Rei absoluto (ou seja, um Rei que detinha um poder supremo independente) no topo da hierarquia dos Estados. O Rei fora antes de tudo o obreiro da unidade nacional através do seu poder independente das Ordens, significando que era ele quem tinha a última palavra sobre a justiça, a
  • 3.
    3 economia, a diplomacia,a paz e a guerra, e quem se lhe opusesse teria como destino a prisão da Bastilha. A França sofrera uma evolução assinalávelnos últimos anos: não havia censura, a tortura fora proibida em 1788, e a representação do Terceiro Estado nosEstados Gerais acabava de ser duplicada para contrariar a Nobreza e o Clero que não queriam uma reforma dos impostos. Em 14 de julho de 1789, quando a Bastilha foi tomada pelos revolucionários, albergava oito prisioneiros. Com a exceção da nobreza rural, a riqueza das restantes classes sociais na França tinha crescidoimensamentenas últimasdécadas. O crescimentoda indústria era notável. No Norte e no Centro, havia uma metalurgia moderna (Le Cresot data de 1781); em Lyon havia sedas; em Rouen e em Mulhouse havia algodão; na Lorraine havia o ferro e o sal; havia lanifícios em Castres, Sedan, Abbeville e Elbeuf; em Marselha havia sabão; em Paris havia mobiliário, tanoaria e as indústrias de luxo, etc. CAUSAS As causas da revolução francesa são remotas e imediatas. Entre as do primeiro grupo, há de considerar que a França passava por um período de crise financeira. A participação francesa na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, a participação (e derrota) na Guerra dos Sete Anos, os elevados custos da Corte de Luís XVI, tinham deixado as finanças do país em mau estado. Os votos eram atribuídos por ordem (1- clero, 2- nobreza, 3- Terceiro Estado) e não por cabeça. Havia grandes injustiças entre as antigasordens e ficava sempre o Terceiro Estado prejudicado com a aprovação das leis. Os chamados Privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI. O Rei Luís XVI acaba por convidar o Conde Turgot para gerir os destinos do país como ministro e implementar profundas reformas sociais e econômicas. SOCIAIS A sociedade francesa da segunda metade do século XVIII possuía dois grupos muito privilegiados: Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da população francesa, era identificado com a nobreza e negava reformas, e pelo Baixo Clero, identificado com o povo, e que as reclamava;
  • 4.
    4 A Nobreza, ouSegundo Estado, composta por uma camada palaciana ou cortesã, que sobrevivia à custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas dos feudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, em que alguns juízes e altos funcionários burgueses adquiriramos seustítulose cargos, transmissíveisaosherdeiros. Aproximava-sede 1,5% dos habitantes. Esses dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado, constituído por burgueses, camponeses sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea composta por artesãos, aprendizese proletários, que tinham estenome graçasàs calçassimples que usavam, diferentes dos tecidos caros utilizados pelos nobres. Os impostos e contribuições para o Estado, o clero e a nobreza incidiam sobre o Terceiro Estado, uma vez que os dois últimos não só tinham isenção tributária como ainda usufruíam do tesouro real por meio de pensões e cargos públicos. ECONÔMICA A causa mais forte de Revolução foi a econômica, já que as causas sociais, como de costume, não conseguem ser ouvidas por si sós. Os historiadores sugerem o ano de 1789 como o inícioda RevoluçãoFrancesa. Masesta, poruma das "ironias" da história, começoudois anos antes, com uma reação dos notáveis franceses - clérigos e nobres - contra o absolutismo, tendo sido inspirada em ideias iluministas, e se pretendia reformar e para isso buscava limitar seus privilégios. Luís XVIconvocou a nobreza e o clero para contribuírem no pagamento de impostos, na altamente aristocrática Assembleia dos Notáveis (1787). No meio do caoseconômico e do descontentamentogeral, LuísXVI da França não conseguiu promover reformas tributárias, impedido pela nobreza e pelo clero, que não "queriam dar os anéis para salvar os dedos". Não percebendo que seus privilégios dependiam do Absolutismo, os notáveispediram ajuda à burguesia para lutarcontra o poder real - era a Revolta da Aristocracia ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos Estados Gerais para votar o projeto de reformas. Por sugestão do Ministro dos assuntos econômicos à época, Jacques Necker, o rei Luís XVI convocou a Assembleia dos Estados Gerais, instituição que não era reunida desde 1614. Os Estados Gerais reuniram-se em maio de 1789 no Palácio de Versalhes, com o objetivo de acalmar uma revolução de que já falava a burguesia. POLÍTICA Em fevereiro de 1787, o ministro das finanças, Loménie de Brienne, submeteu a uma Assembleia de Notáveis, escolhidos de entre a nobreza, clero, burguesia e burocracia, um projeto que incluía o lançamento de um novo imposto sobre a propriedade da nobreza e do clero.
  • 5.
    5 Esta Assembleia nãoaprovouo novo imposto, pedindo que o rei Luís XVI convocasseos Estados- Gerais. Em 8 de agosto, o rei concordou, convocando os Estados Gerais para maio de 1789. Fazendo parte dos trabalhos preparatórios da reunião dos Estados Gerais, começaram a ser escritos os tradicionais cahiers de doléances, onde se registraram as queixas das três ordens. O Parlamento de Paris proclama então que os Estados Gerais se deveriam reunir de acordo com as regras observadas na sua última reunião, em 1614. Aproveitando a lembrança, o Clube dos Trinta começa imediatamente a lançar panfletos defendendo o voto individual inorgânico - "um homem, um voto" - e a duplicaçãodos representantesdo Terceiro Estado. Várias reuniões de Assembleias provinciais, como em Grenoble, já o haviam feito. Jacques Necker, de novo ministro das finanças, manifesta a sua concordância com a duplicação dos representantes do Terceiro Estado, deixando para as reuniões dos Estados a decisão quanto ao modo de votação – orgânico (pelas ordens) ou inorgânico (por cabeça). Serão eleitos 291 deputados para a reunião do Primeiro Estado(Clero), 270 para a do Segundo Estado(Nobreza), e 578 deputados para a reunião do Terceiro Estado (burguesia e pequenos proprietários). A REVOLUÇÃO A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro períodos: a Assembleia Constituinte, a Assembleia Legislativa, a Convenção e o Diretório. O período da Assembleia Constituinte decorre de 9 de julho de 1789 a 30 de setembro de 1791. As primeiras ações dos revolucionários deram-se quando, em 17 de junho, a reunião do Terceiro Estado se proclamou "Assembleia Nacional" e, pouco depois, "Assembleia Nacional Constituinte". Em 12 de julho, começam os motins em Paris, culminando em 14 de julhocom a tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder real e depósito de armas. Sob proposta de dois aristocratas, Ovisconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais. Pouco depois, aprovava-se a solene "Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão", contudo a Declaraçãodos Direitosda Mulher e da Cidadã, não foi aprovada pela mesma Assembleia e a idealizadora, Olympe de Gouges, foi executada. O lema dos revolucionários era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas logo em 14 de junho de 1791, se aprovou a Lei de Le Chapelier que proibia os sindicatos de trabalhadores e as greves, com penas que podiam ir até à pena de morte.
  • 6.
    6 Em 19 deabril de 1791, o Estado nacionaliza e passa a administrar todos os bens da Igreja Católica, sendo aprovada em julho a Constituição Civil do Clero, por intermédio da qual os padres católicos passam a ser funcionários públicos. A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE Os deputados dos três estados eram unânimes em um ponto: desejavam limitar o poder real, à semelhança do que se passava na vizinha Inglaterra e que igualmente tinha sido assegurado pelos norte-americanos nas suas constituições. No dia 5 de maio, o rei mandou abrir a sessão inaugural dos Estados Gerais e, em seu discurso, advertiu que não se deveria tratar de política, isto é, da limitação do poder real, mas apenas da reorganização financeira do reino e do sistema tributário. O clero e a nobreza tentaram diversas manobras para conter o ímpeto reformista do Terceiro Estado, cujos representantes comparecem à Assembleia presentando as reclamações do povo (materializadas nos "Cahiers de Doléances"). Os deputados da nobreza e do clero queriam que as eleições fossem por estado (clero, um voto; nobreza, um voto; povo, um voto), pois assim, já que clero e a nobreza comungavam os mesmos interesses, garantiriam seus privilégios. O terceiro estado queria que a votação fosse individual, por deputado, porque, contando com votos do baixo clero e da nobreza liberal, conseguiria reformar o sistema tributário do reino. Ante a impossibilidade de conciliar tais interesses, Luís XVItentou dissolver os Estados Gerais, impedindo a entrada dos deputados na sala das sessões. Os representantes do Terceiro Estado rebelaram-se e invadiram a sala do jogo da Pela (espéciede tênis em quadra coberta), em 15 de junho de 1789, e transformaram-se na Assembleia Nacional, jurando só se separar após a votação de uma constituição para a França (Juramento da Sala do Jogo da Pela). Em 9 de julho de 1789, juntamente com muitos deputados do baixo clero, os Estados Gerais autoproclamaram-se Assembleia Nacional Constituinte. A ELABORAÇÃO DE UMA CONSTITUIÇÃO A Assembleia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era abolido o regime feudal e senhorial e suprimido o dízimo. Outras leis proibiram a venda de cargos públicos e a isenção tributária das camadas privilegiadas. E, para dar continuidade ao trabalho, decidiu pela elaboração de uma Constituição. Na introdução, que seria denominada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen), os delegados formularam os ideais da Revolução, sintetizados em três princípios: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité). O nascimento, a tradição e o sangue já não podiam continuar a ser os únicos critérios utilizados para distinguir socialmente os homens. Na prática, tais critérios foram substituídos pelo dinheiro e pela propriedade, que, a partir daí, passam a garantir a seus detentores prestígio social.
  • 7.
    7 Pressionado pela opiniãopública, Luís XVI deixou Versalhes, estabelecendo-se no Palácio das Tulherias, em Paris (outubro de 1789). Ali, o monarca era mais acessível às massas parisienses. Fervilhavam os clubes: a imprensa tinha papel cada vez maior nos acontecimentos políticos. Jean-Paul Marat e Hébertescreviam artigos incendiários. A nobreza conservadora e o alto clero abandonaram a França, refugiando-se nos países ainda absolutistas, de onde conspiravam contra a revolução. Numa reação contra os privilégios do clero e buscando recursos para sanar o déficitpúblico, o governo desapropriou os bens da Igreja, colocou-os à venda e, com o produto, emitiu bônus do tesouro, osassignats, que valeramcomo papel-moeda, logo depreciado. Aspropriedadesda Igreja passarammajoritariamente às mãos da burguesia, restando aos camponeses as propriedades menores, que puderam ser adquiridas mediante facilitações. Em agosto de 1790, foi votada a Constituição Civil do Clero, separando Igreja e Estadoe transformando os clérigosem assalariadosdogoverno, a quem deviam obediência. Determinava também que os bispos e padres de paróquia seriam eleitos por todos os eleitores, independentementedefiliaçãoreligiosa. O papa opôs-sea isso. Osclérigos deveriamjurar a nova Constituição. Os que o fizeram ficaram conhecidos como juramentados; os que se recusaram passaram a ser chamados de refratários e engrossaram o campo do contra revolução. Procurando frear o movimento popular, a Assembleia Nacional Constituinte, pela Lei de Le Chapelier, proibiu associações e coalizões profissionais (sindicatos), sob pena de morte. No palácio real, conspirava-se abertamente. O rei, a rainha, seus conselheiros, os embaixadores da Áustria e da Prússiaeram os principais nomes de tal conspiração. A Áustria e a Prússia, países absolutistas, invadiram a França, que foi derrotada porque oficiais ligados à nobreza permitiram o malogro do exército francês. Denunciou-se a traição na Assembleia. Em junho de 1791 a família real tentou fugir para a Áustria. O rei foi descoberto na fronteira, em Varennes, e obrigado a voltar. A Assembleia Nacional, contudo, acabou por absolver Luís XVI, mantendo a monarquia. Para justificar essa decisão, alegou que o rei, ao invés de fugir, fora sequestrado. A Guarda Nacional, comandada por La Fayette, reprimiu violentamente a multidão que queria a deposição do rei.
  • 8.
    8 Conclusão Depois desta pesquisachego à conclusão que a Revolução Francesa começou no século XVIII e iniciou a Era das Revoluções Burguesas, fez parte do movimento revolucionário global, atlântico e ocidental que começou nos Estados Unidos em 1776 passando por Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e termina na França em 1789. Teve repercussão em outros países, mas retorna a França em 1830 e 1848. A RevoluçãoFrancesa significouo fim do absolutismoe dos privilégiosda nobreza. O povo ganhou direitos sociais e passaram a ser respeitados
  • 9.
    9 Referências Bibliográficas  FrenchRevolution.  Ir para cima↑ Donald Greer, The Incidence of the Terror during the French Revolution: A Statistical Interpretation (1935).  Ir para cima↑ BELL, David Avrom. The First Total War: Napoleon's Europeand the birth of warfare as we know it. New York: Houghton Mifflin Harcourt, 2007. p. 51. ISBN 0- 618-34965-0  Ir para cima↑ Pierre Gaxotte (da Academia Francesa), La Révolution Française, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1957, pp. 31-54.  Ir para cima↑ Como Tudo Funciona