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A Poesia da segunda metade d
século XIX
O PARNASIANISMO
Professora Luciene Gomes
Pigmaleão e Galateia (1890), de Jean-Léon Gérome.
Arte e Literatura (1867), de William-Adolphe Bouguereau.
O PARNASIANISMO NO BRASIL
• Como muitos dos movimentos culturais, o
Parnasianismo teve sua inspiração na França, de
uma antologia poética intitulada O Parnaso
contemporâneo, publicada em 1866. Parnaso era
o nome de um monte, na Grécia, consagrado a
Apolo (deus da luz e das artes) e às musas
(entidades mitológicas ligadas às artes).
• A escola teve influência da doutrina “arte pela
arte” apresentada por Théophile Gautier,
poeta e crítico literário francês, ainda no
período do Romantismo.
A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o
refinamento através da autonomia da arte
alheia à realidade.
O PARNASIANISMO NO BRASIL
• No Brasil, em 1878, em jornais cariocas, um
ataque à poesia do Romantismo gerou uma
polêmica em versos que ficou conhecida como
a Batalha do Parnaso. Entretanto, considera-
se como marco inicial do Parnasianismo no
país o livro de poesias Fanfarras, de Teófilo
Dias, publicado em 1882. O Parnasianismo
prolongou-se até a Semana de Arte Moderna,
em 1922.
O PARNASIANISMO NO BRASIL
• Os poetas parnasianos achavam que alguns
princípios adotados pelos românticos (linguagem
simples, emprego da sintaxe e vocabulário
brasileiros, sentimentalismo, etc) esconderam as
verdadeiras qualidades da poesia. Então,
propuseram uma literatura mais objetiva, com um
vocabulário elaborado (às vezes, incompreensível
por ser tão culto), racionalista e voltada para temas
universais.
• A inspiração nos modelos clássicos, ajudaria a
combater as emoções e fantasias exageradas dos
românticos, garantindo o equilíbrio que desejavam.
CARACTERÍSTICAS DO PARNASIANISMO
• - Formas poéticas tradicionais: com
esquema métrico rígido, rima, soneto.
• - Purismo e preciosismo vocabular, com
predomínios de termos eruditos, raros,
visando à máxima precisão, e de construções
sintáticas refinadas. Escolha de palavras no
dicionário para escrever o poema com
palavras difíceis.
• - Tendência descritivista, buscando o
máximo de objetividade na elaboração do
poema, assim separando o sujeito criador do
objeto criado.
• - Postura antirromântica, baseada no binômio
objetividade temática/culto da forma.
• - Referências à mitologia greco-latina.
• - O esteticismo, a depuração formal, o ideal da
“arte pela arte”. O tema não é importante, o
que importa é o jeito de escrever, a forma.
• Objetividade - em oposição ao sentimentalismo
exacerbado.
• Sensualismo - Visão carnal do amor: em
oposição à visão espiritual dos românticos.
Vênus é citada como modelo de mulher.
Principais autores: Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac
ALBERTO DE OLIVEIRA
Foi um poeta tipicamente parnasiano, embora
tenha presenciado várias transformações na
política e na sociedade, mudanças que não
influenciaram seu estilo literário.
Características de suas obras
-Perfeição formal
- Métrica rígida
-Pobreza temática
-Sem emoção
- Linguagem rebuscada e trabalhada
Alberto de Oliveira revela algumas
características românticas, porém estava
longe dos excessos sentimentais
do Romantismo.
VASO GREGO (trecho)
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.
VASO CHINÊS (trecho)
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
RAIMUNDO CORREIA
Nasceu no Maranhão(1859 -1911)
Começou sua carreira como escritor
romântico com seu livro Primeiros
Sonhos.
Características de sua obras
Exaltação à natureza
Perfeição formal
Cultura clássica
Pessimismo
Desilusão
ANOITECER (Trecho)
Esbraseia o Ocidente na agonia
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Por céus de ouro e púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...
A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula.... Anoitece.
AS POMBAS (trecho)
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüínea e fresca a madrugada...
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
OLAVO BILAC
Nasceu no Rio de Janeiro (1865 – 1918)
O Príncipe dos Poetas (como fora apelidado);
também foi um dos fundadores da Academia
Brasileira de Letras. É o autor mais popular do
Parnasianismo
Características de sua obra
•A busca por perfeição na forma de escrever
(versos alexandrinos);
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Antiguidade Clássica (Ilíada)
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filosóficos de meditação
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PROFISSÃO DE FÉ (trecho)(...)
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Com que ele, em ouro, o alto relevo
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Sorri. Na alcova perfumada e quente,
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Parnasianismo

  • 1. A Poesia da segunda metade d século XIX O PARNASIANISMO Professora Luciene Gomes
  • 2. Pigmaleão e Galateia (1890), de Jean-Léon Gérome.
  • 3. Arte e Literatura (1867), de William-Adolphe Bouguereau.
  • 4. O PARNASIANISMO NO BRASIL • Como muitos dos movimentos culturais, o Parnasianismo teve sua inspiração na França, de uma antologia poética intitulada O Parnaso contemporâneo, publicada em 1866. Parnaso era o nome de um monte, na Grécia, consagrado a Apolo (deus da luz e das artes) e às musas (entidades mitológicas ligadas às artes).
  • 5. • A escola teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do Romantismo. A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da autonomia da arte alheia à realidade. O PARNASIANISMO NO BRASIL
  • 6. • No Brasil, em 1878, em jornais cariocas, um ataque à poesia do Romantismo gerou uma polêmica em versos que ficou conhecida como a Batalha do Parnaso. Entretanto, considera- se como marco inicial do Parnasianismo no país o livro de poesias Fanfarras, de Teófilo Dias, publicado em 1882. O Parnasianismo prolongou-se até a Semana de Arte Moderna, em 1922. O PARNASIANISMO NO BRASIL
  • 7. • Os poetas parnasianos achavam que alguns princípios adotados pelos românticos (linguagem simples, emprego da sintaxe e vocabulário brasileiros, sentimentalismo, etc) esconderam as verdadeiras qualidades da poesia. Então, propuseram uma literatura mais objetiva, com um vocabulário elaborado (às vezes, incompreensível por ser tão culto), racionalista e voltada para temas universais. • A inspiração nos modelos clássicos, ajudaria a combater as emoções e fantasias exageradas dos românticos, garantindo o equilíbrio que desejavam.
  • 8. CARACTERÍSTICAS DO PARNASIANISMO • - Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto. • - Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão, e de construções sintáticas refinadas. Escolha de palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis. • - Tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema, assim separando o sujeito criador do objeto criado.
  • 9. • - Postura antirromântica, baseada no binômio objetividade temática/culto da forma. • - Referências à mitologia greco-latina. • - O esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O tema não é importante, o que importa é o jeito de escrever, a forma. • Objetividade - em oposição ao sentimentalismo exacerbado. • Sensualismo - Visão carnal do amor: em oposição à visão espiritual dos românticos. Vênus é citada como modelo de mulher.
  • 10. Principais autores: Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac
  • 11. ALBERTO DE OLIVEIRA Foi um poeta tipicamente parnasiano, embora tenha presenciado várias transformações na política e na sociedade, mudanças que não influenciaram seu estilo literário. Características de suas obras -Perfeição formal - Métrica rígida -Pobreza temática -Sem emoção - Linguagem rebuscada e trabalhada Alberto de Oliveira revela algumas características românticas, porém estava longe dos excessos sentimentais do Romantismo.
  • 12. VASO GREGO (trecho) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que o suspendia Então, e, ora repleta ora esvasada, A taça amiga aos dedos seus tinia, Toda de roxas pétalas colmada.
  • 13. VASO CHINÊS (trecho) Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio, Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente, de um calor sombrio.
  • 14. RAIMUNDO CORREIA Nasceu no Maranhão(1859 -1911) Começou sua carreira como escritor romântico com seu livro Primeiros Sonhos. Características de sua obras Exaltação à natureza Perfeição formal Cultura clássica Pessimismo Desilusão
  • 15. ANOITECER (Trecho) Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bandos destacados, Por céus de ouro e púrpura raiados, Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia... A natureza apática esmaece... Pouco a pouco, entre as árvores, a lua Surge trêmula, trêmula.... Anoitece.
  • 16. AS POMBAS (trecho) Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sangüínea e fresca a madrugada... No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles aos corações não voltam mais...
  • 17. OLAVO BILAC Nasceu no Rio de Janeiro (1865 – 1918) O Príncipe dos Poetas (como fora apelidado); também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. É o autor mais popular do Parnasianismo Características de sua obra •A busca por perfeição na forma de escrever (versos alexandrinos); •A exaltação pelos poemas épicos da Antiguidade Clássica (Ilíada) •O forte lirismo; a inovação nos temas filosóficos de meditação •O descritivismo e nacionalismo, •Linguagem com conotação sensual
  • 18. PROFISSÃO DE FÉ (trecho)(...) Invejo o ourives quando escrevo: Imito o amor Com que ele, em ouro, o alto relevo Faz de uma flor. (...) Torce, aprimora, alteia, lima A frase; e, enfim, No verso de ouro engasta a rima, Como um rubim. (...) Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por te servir, Deusa serena, Serena Forma!
  • 19. SATÂNIA (trecho) Nua, de pé, solto o cabelo às costas, Sorri. Na alcova perfumada e quente, (...) Vem lhe beijar a pequenina ponta Do pequenino pé macio e branco. (...) Sobe... cinge-lhe a perna longamente; Sobe... - e que volta sensual descreve Para abranger todo o quadril! - prossegue. Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura, Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
  • 20. A UM POETA (trecho) Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!