Maquiavel
Teoria Política Moderna
Prof. Rogério Terra
O surgimento do mundo moderno
• O mundo medieval começou a ruir. As
rachaduras na antiga ordem social não
são capazes de sustentar a nova ordem
que nasce das suas fendas.
• A revolução comercial desde o século XII
vinha impulsionando o mercantilismo
(base do capitalismo) e o desenvolvimento
das cidades.
A época de Maquiavel
• O Século XV, durante o Renascimento, foi
um período de grande transformação
social que coloca o homem e sua
inteligência como protagonista da sua
própria história.
• A Era Moderna vai surgindo conformando
os valores que Macpherson definiu como
os do individualismo possessivo (no caso
a posse da propriedade privada).
Florença
• Segundo Pocock, no seu livro
Machiavilliam Moment, a cidade foi um
espaço de convergência dessas forças
históricas criando o clima favorável à
reflexão política e ao desenvolvimento da
arte e do conhecimento humano (base da
ciência moderna)
• Das grandes descobertas e das grandes
navegações
Familia Medici
• Maquiavel viveu a juventude sob o
esplendor político da República Florentina
durante o governo de Lourenço de Médici
e entrou para a política aos 29 anos de
idade no cargo de Secretário da Segunda
Chancelaria.
• Os Medici eram uma importante família de
comerciantes e banqueiros (responsáveis
pelos negócios da Igreja Católica pela
Europa)
A Influência dos Medici na
Religiosidade Moderna
• Seu poder era tão grande que quatro de
seus membros se tornaram Papa (Leão X)
e devido a um estilo faustuoso endividou a
igreja levando ela a vender indulgências
para equilibrar suas finanças.
• Tais discricionariedades favoreceram a
Reforma Protestante influenciando a
história da religião no ocidente.
A Influência dos Medici no
Desenvolvimento da Ciência
• Eles financiaram quase todos os grandes
nomes do Renascimento nas diferentes
áreas do conhecimento humano.
• Nas artes com Leonardo Da Vinci e
Michelangelo.
• Na ciências exatas com Galileu Galilei
• Na arquitetura, na contabilidade moderna
e na política com o próprio Maquiavel
Política Florentina
• Marcada por grandes disputas políticas foi
o campo de atuação de Maquiavel que ao
final acaba demitido acusado de traição à
Família Medici.
• Ele escreve seu grande clássico “O
Príncipe” para tentar recuperar a
confiança da família e voltar a política o
que não aconteceu.
O Príncipe
• Dizia Celso Lafer que Maquiavel fingindo dar
lições aos príncipes ensinou ao povo a
verdadeira natureza da política.
• O pensamento político moderno inaugurado
por ele se utiliza de uma visão pragmática
(não idealista clássica) que vê a política
como meio para a conquista e a manutenção
do poder.
• Pensamento que se ocupa com a verdade
dos fatos e a fundamentação na história
A Política de Maquiavel
• O maquiavelismo de seu pensamento era
mais da prática política observada do que
algo que ele houvesse introduzido na vida
política.
• Uma política na qual os fins justificam os
meios. E que, portanto, possui uma ética
mas não a cristã. Ética voltada para o poder.
• A política deve ser pensada e praticada como
ela é de fato e não como deveria ser.
Política para ele era uma mistura de virtú
(habilidade) ou fortuna (sorte).
• “Não ignoro que muitos tem a opinião de que as coisas do mundo
sejam governadas pela fortuna e por Deus, de forma que os
homens, com sua prudência, não podem modificar nem evitar de
forma alguma; por isso poder-se-ia pensar não convir insistir muito
nas coisas. Mas deixar-se governar pela sorte.[...] Pensando nisso
algumas vezes, em parte me inclinei em favor dessa opinião.
Contudo, para que nosso livre arbítrio não seja extinto, julgo poder
ser verdade que a sorte seja o árbitro da metade das nossas ações,
mas que ainda nos deixe governar a outra metade, ou quase.
Comparo-a a um desses rios torrenciais que quando se
encolerizam, alagam as planícies, destroem as árvores e os
edifícios, carregam a terra de um lugar para outro; todos fogem
diante dele, tudo cede a seu ímpeto, sem poder opor-se em
qualquer parte
• . E, se bem assim ocorra, isso não impedia que os
homens, quando a época era de calma, tomassem
providências com anteparos e diques, de modo que,
crescendo depois, ou as águas corressem por um canal,
ou o seu ímpeto não fosse tão desenfreado.”
• “Considero seja melhor ser impetuoso do que dotado de
cautela, porque a fortuna é mulher e consequentemente
se torna necessário, querendo dominá-la, bater-lhe e
contrariá-la; e ela mais se deixa vencer estes do que por
aqueles que procedem friamente. A sorte, porém, como
mulher, sempre é amiga dos jovens, porque são menos
cautelosos, mais afoitos e com maior audácia a
dominam.”
• Para ser um político é mais importante
parecer ser bom do que ser bom. A
imagem é tudo.
• O bom político deve agir ora como um
lobo e ora como um leão. O primeiro é
astuto e tem relações, o segundo é forte e
as pessoas temem.
Questões e Pensamentos
• Sua divisão das formas de governo
prevalece até hoje: República ou
Monarquia.
• os homens devem ser acarinhados ou
eliminados, pois se vingam das pequenas
ofensas, das graves não podem faze-lo;
daí decorre que a ofensa que se faz ao
homem deve ser tal que não se possa
temer vingança
• Quem é causa do poderio de alguém
arruina-se, por que esse poder resulta ou
da astúca ou da força e ambas são
suspeitas para aquele que se tornou
poderoso.
• Ou seja, dividir para governa e nunca
fortalecer alguém que possa depois
derrubá-lo.
• Ofensas devem ser feitas de uma só vez,
a fim de que , pouco degustadas, ofendam
menos, ao passo que os benefícios
devem ser feitos aos poucos, para que
sejam apreciados.
• Um príncipe que não seja sábio por si
mesmo, não pode ser bem aconselhado, a
menos que por acaso confiasse em um só
que de todo o governasse e fosse de
extrema prudência.
• Tres modos de se conservar os estados:
arruinando-os; habitando-os ou deixando-
os viverem de acordo com suas leis.
O último é uma dominação sutil. Somos
colonias sem sermos oficalmente
colonias!? Será!?
• Melhor ser temido do que amado. O amor
pode se transformar em ódio e não pode
ser controlado.
• Através do medo podemos controlar o
comportamento das pessoas porque elas
agiram racionalmente para preservar a
própria vida.
Finale
• A política nunca mais foi a mesma. Ela
deixa de ser uma atividade nobre e
movida por grandes ideais.
• Pelo menos sabemos que devemos olhar
para os fatos do que para os discursos e
as ideologias se queremos analisar de
fato os interesses que movem os atores
políticos.

Maquiavel e o pensamento político moderno

  • 1.
  • 2.
    O surgimento domundo moderno • O mundo medieval começou a ruir. As rachaduras na antiga ordem social não são capazes de sustentar a nova ordem que nasce das suas fendas. • A revolução comercial desde o século XII vinha impulsionando o mercantilismo (base do capitalismo) e o desenvolvimento das cidades.
  • 3.
    A época deMaquiavel • O Século XV, durante o Renascimento, foi um período de grande transformação social que coloca o homem e sua inteligência como protagonista da sua própria história. • A Era Moderna vai surgindo conformando os valores que Macpherson definiu como os do individualismo possessivo (no caso a posse da propriedade privada).
  • 4.
    Florença • Segundo Pocock,no seu livro Machiavilliam Moment, a cidade foi um espaço de convergência dessas forças históricas criando o clima favorável à reflexão política e ao desenvolvimento da arte e do conhecimento humano (base da ciência moderna) • Das grandes descobertas e das grandes navegações
  • 5.
    Familia Medici • Maquiavelviveu a juventude sob o esplendor político da República Florentina durante o governo de Lourenço de Médici e entrou para a política aos 29 anos de idade no cargo de Secretário da Segunda Chancelaria. • Os Medici eram uma importante família de comerciantes e banqueiros (responsáveis pelos negócios da Igreja Católica pela Europa)
  • 6.
    A Influência dosMedici na Religiosidade Moderna • Seu poder era tão grande que quatro de seus membros se tornaram Papa (Leão X) e devido a um estilo faustuoso endividou a igreja levando ela a vender indulgências para equilibrar suas finanças. • Tais discricionariedades favoreceram a Reforma Protestante influenciando a história da religião no ocidente.
  • 7.
    A Influência dosMedici no Desenvolvimento da Ciência • Eles financiaram quase todos os grandes nomes do Renascimento nas diferentes áreas do conhecimento humano. • Nas artes com Leonardo Da Vinci e Michelangelo. • Na ciências exatas com Galileu Galilei • Na arquitetura, na contabilidade moderna e na política com o próprio Maquiavel
  • 8.
    Política Florentina • Marcadapor grandes disputas políticas foi o campo de atuação de Maquiavel que ao final acaba demitido acusado de traição à Família Medici. • Ele escreve seu grande clássico “O Príncipe” para tentar recuperar a confiança da família e voltar a política o que não aconteceu.
  • 9.
    O Príncipe • DiziaCelso Lafer que Maquiavel fingindo dar lições aos príncipes ensinou ao povo a verdadeira natureza da política. • O pensamento político moderno inaugurado por ele se utiliza de uma visão pragmática (não idealista clássica) que vê a política como meio para a conquista e a manutenção do poder. • Pensamento que se ocupa com a verdade dos fatos e a fundamentação na história
  • 10.
    A Política deMaquiavel • O maquiavelismo de seu pensamento era mais da prática política observada do que algo que ele houvesse introduzido na vida política. • Uma política na qual os fins justificam os meios. E que, portanto, possui uma ética mas não a cristã. Ética voltada para o poder. • A política deve ser pensada e praticada como ela é de fato e não como deveria ser.
  • 11.
    Política para eleera uma mistura de virtú (habilidade) ou fortuna (sorte). • “Não ignoro que muitos tem a opinião de que as coisas do mundo sejam governadas pela fortuna e por Deus, de forma que os homens, com sua prudência, não podem modificar nem evitar de forma alguma; por isso poder-se-ia pensar não convir insistir muito nas coisas. Mas deixar-se governar pela sorte.[...] Pensando nisso algumas vezes, em parte me inclinei em favor dessa opinião. Contudo, para que nosso livre arbítrio não seja extinto, julgo poder ser verdade que a sorte seja o árbitro da metade das nossas ações, mas que ainda nos deixe governar a outra metade, ou quase. Comparo-a a um desses rios torrenciais que quando se encolerizam, alagam as planícies, destroem as árvores e os edifícios, carregam a terra de um lugar para outro; todos fogem diante dele, tudo cede a seu ímpeto, sem poder opor-se em qualquer parte
  • 12.
    • . E,se bem assim ocorra, isso não impedia que os homens, quando a época era de calma, tomassem providências com anteparos e diques, de modo que, crescendo depois, ou as águas corressem por um canal, ou o seu ímpeto não fosse tão desenfreado.” • “Considero seja melhor ser impetuoso do que dotado de cautela, porque a fortuna é mulher e consequentemente se torna necessário, querendo dominá-la, bater-lhe e contrariá-la; e ela mais se deixa vencer estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, porém, como mulher, sempre é amiga dos jovens, porque são menos cautelosos, mais afoitos e com maior audácia a dominam.”
  • 13.
    • Para serum político é mais importante parecer ser bom do que ser bom. A imagem é tudo. • O bom político deve agir ora como um lobo e ora como um leão. O primeiro é astuto e tem relações, o segundo é forte e as pessoas temem.
  • 14.
    Questões e Pensamentos •Sua divisão das formas de governo prevalece até hoje: República ou Monarquia. • os homens devem ser acarinhados ou eliminados, pois se vingam das pequenas ofensas, das graves não podem faze-lo; daí decorre que a ofensa que se faz ao homem deve ser tal que não se possa temer vingança
  • 15.
    • Quem écausa do poderio de alguém arruina-se, por que esse poder resulta ou da astúca ou da força e ambas são suspeitas para aquele que se tornou poderoso. • Ou seja, dividir para governa e nunca fortalecer alguém que possa depois derrubá-lo.
  • 16.
    • Ofensas devemser feitas de uma só vez, a fim de que , pouco degustadas, ofendam menos, ao passo que os benefícios devem ser feitos aos poucos, para que sejam apreciados. • Um príncipe que não seja sábio por si mesmo, não pode ser bem aconselhado, a menos que por acaso confiasse em um só que de todo o governasse e fosse de extrema prudência.
  • 17.
    • Tres modosde se conservar os estados: arruinando-os; habitando-os ou deixando- os viverem de acordo com suas leis. O último é uma dominação sutil. Somos colonias sem sermos oficalmente colonias!? Será!?
  • 18.
    • Melhor sertemido do que amado. O amor pode se transformar em ódio e não pode ser controlado. • Através do medo podemos controlar o comportamento das pessoas porque elas agiram racionalmente para preservar a própria vida.
  • 19.
    Finale • A políticanunca mais foi a mesma. Ela deixa de ser uma atividade nobre e movida por grandes ideais. • Pelo menos sabemos que devemos olhar para os fatos do que para os discursos e as ideologias se queremos analisar de fato os interesses que movem os atores políticos.